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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

MANHÃ DE NATAL

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Yet wherefore signalize the birth
Of him ne'er born?
What can rehearse the glorious worth
Of his high morn?

 

 

 

Christmas Morn

 

What can rehearse the glorious worth
Of his high morn?

 

 

Fonte:  parte do poema "Cristo e o Natal", composto de 16 versos,

escritos pela descobridora, fundadora e líder da Ciência Cristã, Mary Baker Eddy.

Ilustrado com 16 gravuras, desenhadas pelo artista James F. Gilman.

Primeiras edições editadas no período de 1893 a 1897.

VIDEO: A Look Into the New Edition

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Manhã de Natal

Mary Baker Eddy

 

Manhã bendita de Natal

Em luz raiou.

Nem nuvem má, nem temporal

Teu céu toldou.

 

Amado Cristo, eternal,

Em teu surgir

Nem dor, nem canto

maternal,

Se fez sentir.

 

O que em Belém se viu

nascer

E amamos nós,

Da idéia viva, vero ser,

Foi sombra só.

 

Suave luz de paz, Amor,

Não és mortal.

Verdade, Vida, teu valor

Desfaz o mal.

 

Do credo atroz, a corrupção.

Vens nos guiar,

Perene apoio, proteção,

Aqui, nos dar.

 

 

Fonte: poema de Mary Baker Eddy, musicado  faz parte do Hinário da Ciência Cristã. The Christian Science Board of Directors.Todos os direitos reservados. 

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Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras

de Mary Baker Eddy

 

PERGUNTAS E RESPOSTAS:

Pergunta. - O que é Deus?

Resposta. - Deus é a Mente, o Espírito, a Alma, o Princípio, a Vida, a Verdade, o Amor; é incorpóreo, divino, supremo, infinito.

GLOSSÁRIO:

Manhã. Luz; símbolo da Verdade; revelação e progresso.

Anjos. Pensamentos de Deus que vêm ao homem; intuições espirituais, puras e perfeitas; a inspiração do bem, da pureza e da imortalidade, atuando contra todos o mal, toda a sensualidade e toda a mortalidade.

Cristo. A divina manifestação de Deus, que vem à carne para destruir o erro encarnado.

 

 

*Leia também neste blog: Reflexões sobre os festejos do Natal: precisamos manter o foco

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terça-feira, 24 de julho de 2012

COMUNHÃO TOTAL

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Memorial Ucraniano_Parque Tingüi_Curitiba_PR_Brasil_Edésio Ferreira Filho

Parque Tingüi – Memorial Ucraniano: Curitiba, PR, Brasil.

 

 

COMUNHÃO TOTAL

 

                    Albert Nolan

 

No contexto atual, caracterizado pela busca do sagrado e pela sede de Deus, Nolan mostra que sem um enraizamento profundo na experiência de Deus, não teremos nada a dizer aos nossos contemporâneos e seremos impotentes diante dos desafios atuais.

 

Deus não só está mais perto de mim do que eu próprio, mas também é um comigo e com você. Há uma misteriosa comunhão total, ou ser um com, entre Deus e o nosso verdadeiro eu,  e a consciência dessa comunhão total ocupa o centro de qualquer experiência mística. É descrita de muitas maneiras diferentes: como Deus morando em mim, como eu estar cheio do Espírito de Deus, como união com Deus, como união de vontades, ou com qualquer coisa comparável à experiência de comunhão sexual, uma união de corpos.

Finalmente, porém, os místicos acham, sempre, todas essas descrições inadequadas. Daí que se encontrem descrições tais como a nossa deificação ou divinização, a nossa transformação em Deus*. Mestre Eckhart irá ainda mais longe ao dizer que a base de nosso ser é a mesma que a base do ser de Deus **. Lá bem no fundo somos um.

* A afirmação de Irineu sobre a deificação, “Deus tornou-se homem para que os homens possam tornar-se Deus”, tem sido citada por teólogos e autores espirituais ao longo dos séculos. Ver, ainda, 2Pd 1:4.

** Eckhart #13b, 117; e em muitos outros lugares.

Afirmações como essas deram origem a acusação de heresia. Estarão negando a diferença existente entre o Criador e a criatura, entre o Incriado e o criado, entre Deus e o mundo? O que importa, para a nossa prática espiritual de hoje, é que os místicos experimentaram uma comunhão, um ser um com Deus tão avassalador, que não há palavras, por muito exageradas que possam ser, capazes de descrever devidamente essa experiência.

De que serve a nós, então, a experiência de Jesus de ser um só com Deus? Aquilo que os discípulos e amigos de Jesus achavam tão extraordinário nele não era apenas o fato de ele tratar Deus como o seu abbá,  mas o fato de ele identificar-se com Deus.

Há uma forma possível de identificarmo-nos com Deus que é egocêntrica ao máximo. Mas isso se deve ao fato de ela ter por base uma imagem de Deus como ditador egocêntrico, que domina o mundo. Jesus identificou-se com um Deus humilde, compassivo, cheio de amor e de solicitude no serviço, e teve ousadia suficiente para falar e agir à semelhança desse tipo de divindade… isenta de qualificações.

Os discípulos e amigos de Jesus nunca tinham testemunhados nada de parecido. Durante anos, a partir de então, esforçaram-se para encontrar palavras que descrevessem a sua experiência de pessoa humana que parecia identificar-se plenamente com Deus. As gerações seguintes continuaram a esforçar-se ao longo de vários séculos de debate teológico. A nossa preocupação neste livro, porém, é conseguir encontrar uma forma de imitar Jesus, não de explicar quem ele é. Precisamos, para isso, desenvolver uma consciência mais profunda do nosso ser um com Deus.

Agua no deserto

 

 

Nós somos amados

A convicção básica de Jesus não era apenas de que Deus está próximo de nós, mas também de que Deus nos ama. Como já vimos, o amor incondicional de Deus constitui o fundamento da espiritualidade de Jesus. No entanto, se Deus é o mistério que engloba todo o resto, qual será o sentido desse amor para nós? Que quererá dizer que somos amados pelo mistério deslumbrante que está intimamente próximo de nós? Por ventura eu posso ser amado por um mistério, ou pelo mistério?

Posso começar por reconhecer que o mistério  em que vivo, me movo e existo não é, nem pode ser, hostil para mim. Eu faço parte do mistério. O mistério deu-me à luz. O mistério deve, portanto, estar mais preocupado comigo do que eu próprio e, se nós somos real e profundamente um, então eu não tenho nada a temer. Eu serei amado em cada momento e para sempre, em todas as circunstâncias. Nada poderá realmente fazer-me mal e, aconteça o que acontecer, será tudo para meu bem. Eu sou amado sem medida, porque sou um com o mistério total da vida.

agua1

 

À medida que vou tomando consciência da proximidade  do mistério ao qual chamamos Deus, também me  torno consciente da impossibilidade de ser odiado e rejeitado. Se o mistério de tudo o que existe me odiasse e rejeitasse, estaria a odiar-se e a rejeitar-se a si próprio. Assim como eu sou desafiado a amar o meu próximo como a mim mesmo, também posso chegar a reconhecer que Deus me ama como o próprio eu de Deus. Nós somos, em certo sentido misterioso, um só. 

 

Albert Nolan nasceu em Cape Town (África do Sul) em 1934. Teólogo católico renomado desempenhou um papel significativo na luta contra o apartheid. Em 2003, foi agraciado com a Ordem de Luthuli, concedida pelo governo sul-africano por sua luta em prol de democracia e dos direitos humanos. O texto desta página faz parte do seu livro Jesus hoje: uma espiritualidade de liberdade radical – Edição Paulinas.

 

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Et tunc erit finis

(está tudo consumado)

 

O cristianismo somente tem sentido se mantiver viva a consciência de que é uma emergência a partir da presença do Filho do Pai em nosso meio, na força do Espírito e na permanente atuação do Pai. Ele ganha relevância na medida em que não deixa arrefazer o sonho de Jesus, guarda a memória de sua verba et facta, de sua gesta gloriosa e trágica, tenta concretizar o sonho em bens chamados do Reino, feito de amor, perdão, justiça, cuidado para com os pobres e total entrega ao Pai-Abba como quem se senta na palma da mão, mas principalmente se conseguir suscitar nas pessoas a consciência de que são, de fato e não metafóricamente, filhos e filhas no Filho do Pai e, por isso, irmãs e irmãs uns dos outros.

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Haverá dignidade maior que esta, a de sabermo-nos membros da família divina e de sermos também Deus, por participação?

 

Leonardo Boff foi professor de Teologia no Instituto Franciscano de Petrópolis, galardoado em 2001 com o Prêmio Nobel Alternativo da Paz, conferido pelo parlamento sueco. O texto selecionado para esta página é de seu livro Cristianismo: O mínimo do mínimo da Editora Vozes, 20011.

 

Nota: Os  textos COMUNHÃO TOTAL e ET TUNC ERIT FINIS  não representam necessariamente a opinião deste blog nem de nenhuma das igrejas do Movimento da Ciência Cristã. Foi publicado para  refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica. Conforme recentes  descobertas sobre fatos nela registrados e opinião de estudiosos do texto bíblico,  como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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PARA REFLETIR:

 

Criador. O Espírito; a Mente; a inteligência; o divino Princípio vivificador de tudo o que é real e bom; a Vida, a Verdade e o Amor auto-existentes; aquilo que é perfeito e eterno; o oposto da matéria e do mal, que não tem Princípio; Deus, que fez tudo o que foi feito e que não poderia criar átomo ou um elemento que fosse o oposto dEle mesmo. CS 583:2127

Jesus. O mais alto conceito humano e corpóreo da ideia divina, que repreende e destrói o erro e traz à luz a imortalidade do homem. CS 589:16-18

Cristo. A divina manifestação de Deus, que vem à carne para destruir o erro encarnado. CS 583:12-13

Deus.  O grande EU SOU; Aquele que tudo sabe, que tudo vê, que é todo atuante, todo-sábio, a tudo ama, e que é eterno; Princípio; Mente; Alma; Espírito; Vida; Verdade; Amor; toda a substância; inteligência. CS 587:6-9

Filhos. Os pensamentos e representantes espirituais da Vida, da Verdade e do Amor.  CS 582:29-30

Filho. O Filho de Deus, o Messias ou Cristo. O filho do homem, o rebento da carne. “O filho de um ano”.CS 594:16-17

 

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domingo, 8 de julho de 2012

A REVOLTA DE CORÉ

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Conteúdo desta página

▪ Comentário sobre relato bíblico:

   A REVOLTA DE CORÉ, DATÃ E ABIRAM: Números 16 e 17

▪ Geografia bíblica: 

    RIO GIOM

▪ Para refletir:

   - Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras de Mary Baker Eddy

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Comentário sobre relato bíblico:

 

A REVOLTA DE CORÉ,

DATÃ e ABIRAM:   

Números 16 e 17

 

                                    Vicente Artuso

 

Números 16 e 17 -  trata-se de uma narrativa de conflito das lideranças(Nm 16) e do povo contra Moisés e Aarão (Nm 17), a qual termina com castigo dos revoltosos e a confirmação de Aarão como líder do povo. Essa narrativa deixa claro que sua intenção era atemorizar aqueles que ousassem ficar contra a autoridade de Aarão, o qual, nessa história, representa o sumo sacerdote pós-exílio. 

O enredo foi escrito do ponto de vista daqueles que estão no poder. E, ao contrário do que aconteceu em Ex 3:7-8, Deus aparece aqui do lado das autoridades e não escuta o clamor do povo. Enfim, as relações entre povo e lideranças mostram-se muitas vezes conflitantes, e nem sempre as soluções são justas e democráticas.

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Referência ao grupo que participou da revolta  de Coré

em Números 26: 33 e 27:1-7 

 

33.  …Zelofeade, filho de Hélfer, não tinha filhos, senão filhas.

1. Então vieram as filhas de Zelofeade,

2.  Apresentaram-se diante de Moisés, e diante de Eleazar, o sacerdote, e diante dos príncipes, e diante de todo o povo, à porta da tenda da congregação, dizendo:

3. Nosso pai morreu no deserto e não estava entre os que se ajuntaram contra o Senhor no grupo de Coré; mas morreu no seu próprio pecado e não teve filhos.

4. Por que se tiraria o nome de nosso pai do meio da sua família, portanto não teve filhos? Dá-nos possessão entre os  irmãos de nosso pai.

5. Moisés  levou a causa delas perante o Senhor.

6. Disse o Senhor a Moisés:

7. As filhas de Zelofeade falam o que é justo; certamente, lhes darás possessão de herança entre os irmãos de seu pai e farás passar a elas a herança de seu pai.

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Revelação de crise nas relações

entre povo e liderança

 

A  história da revolta de Coré, Datã e Abiram revelou fortes conflitos contra a autoridade e formas dramáticas de repressão a ponto de extinguir qualquer possibilidade de reação dos filhos de Israel que restaram do castigo.

A comunidade é organizada com líderes na base popular. Mas, como são classificados dentro de uma hierarquia, devem submeter-se a um poder centralizado que encontra sustentação no princípio de que o líder é o eleito que encontra sustentação no princípio de que o líder é o eleito de Deus.

A ideologia da santidade é interpretada como separação entre leigos, levitas e sacerdotes. Cada um desses grupos não pode violar seus espaço que delimita o campo de sua atuação. O sumo sacerdote é separado dentre os demais para aproximar-se de Deus sumamente santo e atuar no ministério da tenda do encontro como mediador entre Deus e a congregação.

santuario-tenda

 

Nesse sistema, o culto se tornou instrumento para legitimar a posição e a função privilegiada do sumo sacerdote, o qual é colocado próximo de Deus e não deve ser ameaçado por murmurações e revoltas. Qualquer irregularidade fora dos espaços de atuação de cada ministério atrai a ira divina.

Essa era a ideologia dos membros da hierocracia[teocracia] pós-exílica para assegurar o governo sobre o povo. Somente a vara de Aarão, que representa o sumo sacerdote, é colocada na tenda do testemunho  (cf. Nm 17:25). Diante dele todos estão  prestes a perecer para sempre (cf. Nm 17:26-28). O final dessa história encontra uma semelhança significativa com o final do apólogo de Jotão, na voz do espinheiro que ameaça as árvores. Elas devem abrigar-se sob sua sombra, do contrário pode vir o fogo do céu e devorar até os cedros do Líbano(cf. Jz 9: 14-15).

Ninguém, por mais forte que seja, entre o povo (o cedro era a árvore mais forte) poderá enfrentar o poder do rei (espinheiro),  que invoca o fogo do céu para  queimar os insubmissos. Em nosso texto, a situação vivida pelos filhos de Israel no final da história também é  de submissão absoluta (cf. Nm 17: 26-28). A ênfase dada à debilidade dos filhos de Israel, sem força de reação, mostra como  o sumo sacerdote, simbolizado na vara de Aarão, tinha plenos poderes sobre a comunidade.

sacerdote

 

O poder parece consolidado sem perspectiva de mudança. Vence o grupo da instituição sacerdotal, na aposta sobre quem seria o escolhido.Tanto no relato do castigo de revoltosos, em 16:16-35, como em 17:9-15, Moisés e Aarão permaneceram sempre vivos na entrada da tenda do encontro e somente pessoas do povo pereceram como culpados. Portanto, na “queda-de-braço”, o poder dos grupos populares perdeu o confronto. Não se notam perspectivas de mudanças em favor de um diálogo com grupos de oposição ao poder. Os lideres de oposição foram aniquilados, permanecendo os filhos de Israel que sobraram muito enfraquecidos e vencidos pelo medo.

Do ponto de vista literário, Nm 16 e 17, inserido na parada do povo em Cades, forma um paralelo com Nm 12, que também apresenta a temática do conflito contra autoridade. Nm 16 e 17  e Nm 12 são textos que formam a moldura de Nm 13 e 14 que trata da revolta e conspiração do povo e morte daquela geração do êxodo. Esses blocos literários no centro da marcha do povo do Sinai, passando por Cades até Moab (cf. Nm 10; 21), relatam que a crise do projeto de uma sociedade mais igualitária do êxodo é essencialmente uma crise de autoridade.

Houve rebelião do povo em relação aos líderes Moisés e Aarão, como também Moisés e Aarão colocaram o projeto em crise, porque eles próprios se colocaram sobre a assembleia de YHWH (cf. Nm 16:3). Moisés é acusado de se transformar em príncipe totalitário sobre todos outros líderes (cf. Nm 16:13-14). Esse sistema revela características da dominação do Faraó, porque produz a morte no interior da comunidade. A situação é expressa na queixa irônica de Datã e Abiram contra Moisés: ”Nos fizeste subir de uma terra que mana leite e mel, para fazer-nos morrer no deserto?” (Nm 16:13).

O movimento da marcha do êxodo parou na crise de Cades, quando o povo não mais acreditava na autoridade de Moisés e também porque sua liderança se tornava um peso para alguns membros do povo.

Assim, o movimento que deveria avançar rumo à libertação acabou seguindo a direção contrária, retornando à situação de escravidão como no Egito. Moisés é acusado de se tornar príncipe sobre o povo  (cf. Nm 16:13). Aqui não foi o povo que pediu um líder para ser como as outras nações (cf. 1Sm 8:5). Na verdade foi o líder que adotou práticas autoritárias (cf. Nm 16:13b) à semelhança das nações que dominam.

Essa organização da comunidade é imposta por um grupo sacerdotal que se considera herdeiro  da promessa. Essa situação é vivida pela comunidade pós-exílica. Diante das revoltas do povo, o castigo é justificado por ideologias que culpam aqueles que se revoltam como os únicos responsávies pela crise, enquanto “o eleito” e seu grupo são imunes, pois estão mais próximos de Deus. É de Deus que o rei recebe o poder, e não do povo.

Por isso, qualquer revolta contra o rei é considerada uma revolta contra Deus, que o estabeleceu no poder, sem nenhum outro concorrente. Essa corrente teológica acaba por legitimar todos os atos do soberano sem o confronto com a comunidade, reproduzindo um sistema totalitário em nome de Deus. Isso contradiz o projeto do êxodo, pois acaba gerando escravidão, medo e morte.

No contexto mais amplo da marcha rumo à terra prometida, Nm 16 e 17 pode ser interpretado também como uma história de conflito de autoridade que nega a validade de forma autoritária de dirigir a comunidade por meio da repressão violenta contra os revoltosos. 

Com efeito, Nm 16 e 17 termina com a derrota absoluta dos opositores e a total submissão dos poucos que sobraram. E não consta nos relatos que houve paz no meio do povo, como se poderia esperar de um enredo de conflito-solução; o que houve foi pacificação com meios repressivos.  Esse detalhe desautoriza a prática autoritária para reprimir as revoltas. Com  efeito, os meios adotados para extinguir as revoltas contra autoridade foram apenas parcialmente eficazes. 

moises arao

 

Em Nm 20:2-3, o povo novamente voltou a revoltar-se contra Moisés e Aarão. A forma de repressão das revoltas ajudou a frear a marcha rumo à libertação e acentuou as crises. Nesse quadro sombrio da história, o povo não é livre, mas caminha sobre o regime do medo; os líderes maiores se colocam acima da assembleia; YHWH se revela ao lado dos líderes e contra aqueles que protestam. 

Trata-se de uma situação que destoa do projeto de uma sociedade mais igualitária conforme a proposta libertadora do êxodo. Nessa revolta quem venceu foi o mais forte; o mais fraco foi aniquilado, e aqueles que restaram se renderam enfraquecidos.

O leitor que se identifica com o grupo da resistência irá concluir que o medo venceu a esperança. Mas as medidas repressivas do castigo não devem ter aniquilados a força que ainda resta no meio do povo. A indignação ética mesmo oculta, em meio a grupos de menor expressão, poderá reiniciar nova luta, com a solidariedade dos dispersos que sobraram.

Se os fortes somam forças, os fracos criam outras forças e podem reagir a qualquer momento. Assim, uma leitura da história, na ótica dos grupos que se revoltaram contra Moisés e Aarão, revela a indignação ética dos oprimidos. Eles fazem valer seus direitos do povo liberto de se manifestar e de se levantar contra a postura autoritária dos líderes cuja prática era contraditória com os princípios de uma organização mais democrática. 

 

Vicente Artuso (1952), padre capuchinho, é  mestre em Ciências Bíblicas e doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Católica  do Rio (PUC-Rio, 2007),  autor de “A revolta de Coré, Datã e Abiram (Nm 16 e 17)”: Revelação de crise nas relações entre povo e liderança – Editora Paulinas, 2008.

 

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Geografia bíblica: 

 

Rio Giom

 De acordo com a Bíblia, o rio Giom  (na tradução de Almeida) rodeava a terra de Cush. Ele é o segundo dos quatro rios resultantes da divisão do rio que passava pelo Jardim do Éden, sendo os demais Pisom, Tigre e Eufrates.

Flávio Josefo identifica o rio Giom com o rio Nilo, e Pisom com o rio Ganges.

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Atualmente, não é possível identificar este rio com certeza. Não parece provável, pelo menos dum ponto de vista geográfico, que "a terra de Cuxe" mencionada aqui represente a Etiópia, conforme ocorre frequentemente em relatos posteriores.

Alguns lexicógrafos associam "a terra de Cus" de Gênesis 2:13 com os cassitas (em acadiano: kassu), um povo do planalto da Ásia central, mencionado em antigas inscrições cuneiformes, mas cuja história continua bastante obscura.

 

Bibliografia: Bíblia; Apostila de Geografia bíblica - ITB - Instituto Teológico Betel do ABCD; Estudo Perspicaz das Escrituras, volume 2, página 223.


Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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PARA REFLETIR:

 

GIOM(rio). Reconhecimento moral, civil e social dos direitos da mulher. CS 587:4

Um só Deus infinito, o bem, unifica homens e nações; constitui a fraternidade dos homens; põe fim às guerras; cumpre o preceito das Escrituras: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”; aniquila a idolatria pagã e a cristã – tudo o que está errado nos códigos sociais, civis, criminais, políticos e religiosos; estabelece a igualdade dos sexos; anula a maldição sobre o homem, e não deixa nada que possa pecar, sofrer, ser punido ou destruído. CS 340: 23

CS = Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras – Mary Baker Eddy

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

TEUS PECADOS ESTÃO PERDOADOS

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1ª Oficina Bíblica de Férias 

Garuva, SC, Brasil, janeiro de 2011  

 Atividade Cultural: Museu Nacional da Imigração, Joinville, SC.    

Casa enchaimel, típica da colonização alemã em Santa Catarina.

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I. Comentários sobre relatos bíblicos:

Os estudos bíblicos se constituem numa vibrante área de pesquisa que publica de forma intensa. Isso deve-se ao facínio que os textos antigos exercem sobre os leitores contemporâneos, seja como texto de saber histórico, seja como texto que sempre se mostra aos leitores de forma renovada.

Por isso, a Bíblia é estudada numa riqueza de perspectivas, abordagens, métodos  e hermenêuticas. Ao interesse pelo texto bíblico soma-se a busca por sua origem, da mesma forma que pelos textos que lhe são vizinhos: os apócrifos, pseudepígrafos, os Manuscritos do Mar Morto.

Gabrielle Boccaccini - leciona no Departamento de Estudos do Oriente Próximo da  Universidade de Michigan, E.U.A..

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TEUS PECADOS ESTÃO PERDOADOS!!:

 O PRIMEIRO CONFLITO PROVOCADO PELO

ANÚNCIO DA BOA NOVA

 MARCOS 2,1-12

 

Texto extraído do livro "Caminhando com Jesus" - Série A Palavra na Vida, de autoria de Carlos Mesters e Mercedes Lopes (CEBI - Centro de Estudos Biblicos). 

 

“O que entrou no mundo como fruto de ações livres para o mal pode ser expulso do mundo através de ações livres para o bem!”

 

Nos anos 70 d.C., época em que Marcos escreveu, havia muitos conflitos na vida das comunidades, mas elas nem sempre sabiam como comportar-se diante das acusações que vinham da parte das autoridades romanas e dos líderes dos judeus. O conjunto de cinco conflitos de Marcos 2,1 e 3,6 serviam como uma espécie de cartilha para orientar as comunidades, tanto as de ontem como as de hoje. Pois o conflito não é um acidente de percurso, mas sim parte integrante da caminhada.

 

COMENTANDO:

Marcos 2:1-2 O povo procura Jesus e quer ouvir a Palavra de Deus

Depois de uma das suas viagens pelas aldeias da Galiléia, Jesus estava de volta em Cafarnaum. Quando o povo soube disso, foi todo o mundo para lá. Juntou muita gente na porta da casa. Jesus acolheu a todos e começou a ensinar. O que será que ele ensinava?

mc310b - Cópia

 

Jesus anunciava a Boa Nova de Deus (Mc 1,14). Falava ao povo sobre Deus e, para isso, usava exemplos da vida (parábolas) e da história do povo (Bíblia). O povo conhecia a vida e a Bíblia, mas Jesus falava delas de um jeito novo, diferente. Falava a partir da experiência que ele mesmo tinha de Deus e da vida. Jesus vivia em Deus. Ele deve ter tocado o coração do povo que gostava de ouvi-lo (Mc 1,22.27). Deve ter falado muito bonito sobre Deus.

A partir da pregação de Jesus, Deus, em vez de ser um juiz severo que de longe ameaça o povo com castigo e inferno, tornava-se, de novo, uma presença amiga no meio do povo, uma Boa Nova.

 

Marcos 2:3-5 A solidariedade dos amigos consegue o perdão dos pecados para o paralítico

Enquanto Jesus está falando, chega um paralítico, carregado por quatro pessoas. Jesus é a única esperança deles. Por isso, não hesitam em subir no telhado e tirar as telhas. Significa que a casa não era das melhores. Deve ter sido um barraco coberto de folhas. Eles descem o homem em frente a Jesus. Sinal de muita solidariedade.

mc310b - Cópia (3)

 

Jesus, vendo a fé deles, diz ao paralítico: Teus pecados estão perdoados! Naquele tempo, o povo achava que defeitos físicos (paralíticos) fossem todos castigo de Deus por algum pecado.

Os doutores ensinavam que tal pessoa ficava impura e tornava-se incapaz de aproximar-se de Deus. Por isso, os doentes, os pobres, os paralíticos e tantos outros se sentiam rejeitados por Deus!

Mas Jesus não pensava assim. Ele achava o contrário. Aquela fé tão grande era, para ele, um sinal de que o paralítico estava sendo acolhido por Deus. Por isso, Jesus declarou: "Teus pecados estão perdoados!" Ou seja, "Você não está afastado de Deus!" Com esta afirmação Jesus negou que a paralisia fosse um castigo pelo pecado do homem.

 

Marcos 2:6-7 Jesus é acusado de blasfêmia pelos donos do poder

A afirmação de Jesus era contrária ao catecismo dos doutores da lei. Não combinava com a ideia que eles tinham de Deus. Por isso, reagiram e, dentro dos seus corações, acusaram Jesus: "Ele blasfema!" Conforme o ensino deles, era só Deus que podia perdoar os pecados. E era só o sacerdote que podia declarar uma pessoa perdoada e purificada.

Como é que esse Jesus de Nazaré, homem sem estudo, leigo, um simples operário, carpinteiro, andava declarando as pessoas perdoadas e purificadas dos pecados?

Mas havia ainda um outro motivo que os levava a criticar Jesus. Eles devem ter pensado: "Se for verdade o que esse Jesus está falando, nós vamos perder nosso poder! Vamos perder também nossa fonte de renda."

 

Marcos 2:8-11 Ao curar, Jesus prova que tem poder de perdoar os pecados

Jesus percebeu que eles o condenavam. Por isso, pergunta: "O que é mais fácil: dizer: 'Teus pecados estão perdoados!' ou dizer: 'Levanta-te e anda?'"  Evidentemente, é muito mais fácil dizer: "Teus pecados estão perdoados!"

Pois ninguém pode verificar se  de fato o pecado foi ou não perdoado. Mas se eu digo: "Levanta-te e anda!", aí todos poderão verificar se tenho ou não esse poder de curar.

mc310b - Cópia (2)

 

Por isso, para mostrar que tinha o poder de perdoar os pecados em nome de Deus, Jesus disse ao paralítico: "Levanta-te, toma o teu leito e vai para casa!" Curou o homem!

Assim provou, através de um milagre, que a paralisia do homem não era um castigo de Deus e mostrou que a fé dos pobres é uma prova de que Deus os acolhe no seu amor.

 

Marcos 2:12  A reação do povo - Nunca vimos tal coisa!

O paralítico se levanta, pega seu leito, começa a andar, e todos anunciam:

mc310b - Cópia (4)

 

Nunca vimos coisa igual! Este milagre revelou três coisas muito importantes:

1) As doenças das pessoas não são consequências dos seus pecados. Os doentes não devem achar que estão sendo castigados por Deus.

2) Jesus abriu um novo caminho para Deus. Aquilo que o sistema chamava de impureza já não era empecilho para as pessoas se aproximarem de Deus.

3) O rosto de Deus revelado através da atitude de Jesus era bem diferente do rosto severo do deus revelado pela atitude dos doutores.

Isto lembra a fala de um drogado que se recuperou e agora participa de uma comunidade em Curitiba. Ele disse: "Fui criado na religião católica. Deixei de participar. Meus pais eram muito praticantes e queriam que nós, os filhos, fôssemos como eles.

A gente era obrigado a ir à igreja sempre, todos os domingos e festas. E quando não ia, eles diziam: 'Deus castiga!' Eu ia a contragosto, e quando fiquei adulto, fui deixando aos poucos. Eu não gostava do Deus dos meus pais. Não conseguia entender como Deus, criador do mundo, ficasse em cima de mim, menino da roça, ameaçando com castigo e inferno.

Eu gostava mais do Deus do meu tio que não pisava na Igreja mas que, todos os dias, sem falta, comprava o dobro de pão de que ele mesmo precisava para dar para os pobres!"

 

ALARGANDO:

Doença e Pecado

Como dissemos, naquele tempo, se ensinava que todo sofrimento era fruto de algum pecado. Por isso, diante do cego de nascimento, Pedro perguntava: "Quem pecou, ele ou seus pais para ele nascer cego?" (Jo 9,1-3). Jesus respondeu: "Nem ele nem seus pais". Jesus desliga o pecado da pessoa doente.

 Ele não permite que as autoridades religiosas manipulem a religião, pois elas, em nome do sistema, jogavam na cara do paralítico: "Você é um pecador!" Jesus faz ao contrário: "Você não é pagador! Deus o acolhe, mesmo sendo paralítico. Sua doença não é fruto do seu pecado!"

Ter a coragem de fazer esta afirmação diante das autoridades presentes era uma revolução!

Uma mudança muito grande! O povo vibrava com Jesus, porque ficava mais livre! Este é um lado da medalha. Tem o outro lado.

De fato, muito sofrimento é fruto de algum pecado. Por exemplo, o sofrimento da mãe que chora o assassinato do filho. Jesus tem algo a dizer sobre este outro lado.

Certa vez, teve um desastre em Jerusalém. Uma torre caiu e matou 18 pessoas (Lc 13,4). Em outra ocasião, Pilatos matou um grupo de galileus e misturou sangue deles com o sangue dos sacrifícios (Lc 13,1). Jesus perguntava: "Vocês acham que eles eram mais pecadores do que os outros habitantes de Jerusalém?

Eu lhe digo que não, mas se não houver arrependimento, mudança, muita gente ainda vai morrer do mesmos jeito" (Lc 13,2.4). Não houve arrependimento nem mudança e, 40 anos depois, Jerusalém foi destruída: muitas torres caíram e muito sangue foi derramado!

 Em outras palavras, muitos dos males que sofremos não são uma fatalidade, mas sim consequência de ações pecaminosas. Outros são fruto da cultura. Outros ainda são fruto do sistema neoliberal que nos foi imposto e que nos oprime.

Por isso, os males que sofremos são um apelo à conversão. Apelam para a nossa responsabilidade. O que entrou no mundo como fruto de ações livres para o mal pode ser expulso do mundo através de ações livres para o bem!

 

Nota: O  texto  TEUS PECADOS ESTÃO PERDOADOS!!: O PRIMEIRO CONFLITO PROVOCADO PELO ANÚNCIO DA BOA NOVA,  MARCOS 2,1-12 - não representa necessariamente a opinião deste blog nem de nenhuma das igrejas do Movimento da Ciência Cristã. Foi publicado para  refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica. Conforme recentes  descobertas sobre fatos nela registrados e opinião de estudiosos do texto bíblico,  como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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  II. Para pensar:

“Jesus ilustrou o Princípio divino e o poder da Mente imortal, curando a doença e o pecado, e destruindo os fundamentos da morte.” C&S 171:14

“A base de toda saúde, impecabilidade e imortalidade é o grande fato de que Deus é a única Mente; e é preciso não só crer nessa Mente, mas também compreendê-la.” C&S 339:26-29

“Com um só Pai, isto é, Deus, toda a família humana consistiria de irmãos; e com uma Mente só, ou seja, Deus, ou o bem, a fraternidade dos homens consistiria de Amor e Verdade, e teria a unidade do Princípio e o poder espiritual que constituem a Ciência Divina.” C&S 469:32-5

Ciência e Saúde com Chave das Escrituras

 de Mary Baker Eddy

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

JESUS SEMPRE COMEÇA A CURAR LIBERTANDO DE UM DEUS OPRESSOR

 

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IMG_8173 - Cópia 

 Fotos: banho no rio Três Barras e brincadeira na chuva – atividades de lazer da

 

1ª Oficina Bíblica de Férias: “Como estudo a Lição-Sermão”

Janeiro de 2011 -  Garuva, SC, Brasil. _____________________________    

Conteúdo desta postagem:

 I. Comentários sobre relatos bíblicos:  

 

- Nos Evangelhos não se aprende doutrina mas sim uma forma de

estar no mundo (Entrevista com José Antonio Pagola)

- Jesus sempre começa a curar libertando de um Deus      opressor:  Aquele que cura (José Antonio Pagola)

 II. Para pensar: citação do livro Ciência e Saúde com a Chave das

                               Escrituras de Mary Baker Eddy. )

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I. Comentários sobre relatos bíblicos

 

Os estudos bíblicos se constituem numa vibrante área de pesquisa que publica de forma intensa. Isso deve-se ao facínio que os textos antigos exercem sobre os leitores contemporâneos, seja como texto de saber histórico, seja como texto que sempre se mostra aos leitores de forma renovada.

Por isso, a Bíblia é estudada numa riqueza de perspectivas, abordagens, métodos  e hermenêuticas. Ao interesse pelo texto bíblico soma-se a busca por sua origem, da mesma forma que pelos textos que lhe são vizinhos: os apócrifos, pseudepígrafos, os Manuscritos do Mar Morto.(Gabrielle Boccaccini - leciona no Departamento de Estudos do Oriente Próximo da  Universidade de Michigan, EUA.)

 

Nos Evangelhos não se aprende doutrina mas sim uma forma de estar no mundo

 

Parte final da entrevista com José Antonio Pagola, da reportagem de Cristina Turrau, publicada no sítio “Diario Vasco”, 26-01-2012, tradução de Moisés Sbardelotto:

 

Não são poucas pessoas que vivem o seu interior com imagens falsas de Deus que lhes faz viver sem dignidade e sem verdade. Sentem-No, não como uma presença amistosa que convida a viver de forma criativa, mas como uma sombra ameaçadora que controla a sua existência.

 

[...] A mensagem de Jesus é de plena atualidade, o senhor defende.

Eu me dou conta de que as pessoas, nesta sociedade que parece superficial, sentem a necessidade de viver de uma maneira diferente, sem saber exatamente como. Buscamos uma vida mais digna, saudável e feliz, algo que não é fácil. E o que eu tento demonstrar é que Jesus oferece um horizonte mais humano e uma esperança. Assim perceberam os primeiros cristãos.

 

Com seus livros, o senhor busca ser um mediador?

Trabalho com grupos distintos, falo com as pessoas e observo que não se busca mais técnica, nem mais ciência, nem mais doutrina religiosa. Buscamos algo, mas não sabemos como formular essas questões que levamos dentro.

 

Quais são as diferenças entre os quatro Evangelhos?

Os Evangelhos são quatro pequenos escritos. O primeiro é o de Marcos, que aparece em torno do ano 70, provavelmente depois da destruição de Jerusalém. Depois vêm os de Mateus e de Lucas, entre os anos 70 a 90. E, por último, já passado o ano 100, aparece o de João. Mas podemos dizer que os autores não são apóstolos. A elaboração dos textos é muito complexa. Eu analiso a vida de Jesus a partir de quatro relatos que nasceram da sua recordação. E cada um deles tem sua própria maneira de ressaltar, sublinhar e ordenar essas recordações.

 

Dê-nos uma pincelada de especialista:

 

Marcos.

É o Evangelho mais breve. Pode ser lido em uma hora. Ocupou um lugar muito discreto ao longo da história. E, no entanto, há um interesse crescente nele, porque nos oferece a figura de Jesus com mais frescor. Ele remonta a tradições antigas, e Mateus e Lucas o utilizaram para os seus evangelho.

JESUS NO TEMPLO 2

 

Mateus.

É o evangelho mais longo e, em boa parte, segue Marcos, mas acima de tudo se caracteriza por seus grandes discursos. É o do Sermão da Montanha, das Bem-aventuranças ou das parábolas de Jesus, inesquecíveis. É o mais rabínico, provavelmente obra de um judeu que se tornou cristão.

  jesus-christ-sermon-mount

 

Lucas.

Eu o recomendo para quem queira ler um evangelho inteiro e de uma vez só para ter uma ideia de como Jesus foi lembrado. Tem o evangelho da infância, muito poético. E é onde se destaca a bondade de Deus, sua compaixão e misericórdia, por exemplo, na parábola do filho pródigo.

 Christ in the House of His Parents<br />Sir. John Everett Millais  Cristo na casa de seus parentes – Sir. John Everett Millais

 

João.

É um evangelho mais complexo, com uma cristologia muito elaborada. É mais teológico do que os demais.

 

Por que o lado humano de Jesus assusta?

Jesus atrai, mas é perigoso, porque é muito radical. Se você se aprofundar na ideia de que os últimos serão os primeiros, ou que você não pode servir a Deus e ao dinheiro, a vida muda. Jesus é muito sedutor, mas arriscado. Como disse algum agnóstico, é difícil dizer que ele não tem razão. [...]

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JESUS SEMPRE COMEÇA A CURAR  LIBERTANDO DE UM DEUS OPRESSOR

 

Aquele que cura

 

José Antonio Pagola

por IHU - Instituto Humanitas Unisinos

 

Segundo Marcos, a primeira aparição pública de Jesus foi a cura de um homem possuído por um espírito maligno na sinagoga de Cafarnaum. É uma cena impressionante, narrada para que, desde o início, os leitores descubram a força de Jesus que cura e que liberta.

É sábado e o povo encontra-se reunido na sinagoga para escutar o comentário da Lei explicada pelos escribas. Pela primeira vez Jesus vai proclamar a Boa Nova de Deus precisamente no lugar onde se ensina oficialmente ao povo as tradições religiosas de Israel.

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As pessoas ficam surpreendidas ao escutá-lo. Têm a impressão de que até agora estiveram a escutar notícias velhas, ditas sem autoridade. Jesus é diferente. Não repete o que ouviu a outros. Fala com autoridade. Anuncia com liberdade e sem medos de um Deus Bom.

De repente um homem «põe-se a gritar: Vieste acabar conosco?». Ao escutar a mensagem de Jesus, sentiu-se ameaçado. O seu mundo religioso derruba-se. Diz-nos que está possesso por um «espírito imundo», hostil a Deus. Que forças estranhas o impedem de continuar a escutar Jesus? Que experiências más e perversas lhe bloqueiam o caminho até o Deus Bom que lhe anunciam?

Jesus não se acovarda. Vê o pobre homem oprimido pelo mal, e grita: «Cala-te e sai dele». Ordena que se calem essas vozes malignas que não o deixam encontrar-se com Deus nem consigo mesmo. Que recupere o silêncio que cura o mais profundo do ser humano.

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O narrador descreve a cura de forma dramática. Num último esforço para destruí-lo, o espírito «retorceu-o e, dando um grito muito forte, saiu». Jesus conseguiu libertar o homem da sua violência interior. Pôs fim às trevas e ao medo a Deus. Daí em diante poderá escutar a Boa Nova de Jesus.

Não são poucas pessoas que vivem o seu interior com imagens falsas de Deus que lhes faz viver sem dignidade e sem verdade. Sentem-No, não como uma presença amistosa que convida a viver de forma criativa, mas como uma sombra ameaçadora que controla a sua existência. Jesus sempre começa a curar libertando de um Deus opressor.

As Suas palavras despertam a confiança e fazem desaparecer os medos. As Suas parábolas atraem para o amor à Deus, e não para a sustentação cega da lei. A Sua presença faz crescer a liberdade, não os servilismos; suscita o amor à vida, não o ressentimento. Jesus cura, porque ensina a viver apenas da bondade, do perdão e do amor que não exclui ninguém. Cura porque liberta do poder das coisas, do autoengano e da egolatria.

 

José Antonio Pagola, teólogo e ex-vigário geral da diocese de San Sebastián, na Espanha, apresentou nesta quarta-feira, 25 de janeiro de 2012, em Donostia, seu livro El camino abierto por Jesús: Marcos (Ed. Desclée de Brouwer). Tornou-se um best-seller que está sendo publicado nestes dias em croata, francês e russo.

 

Nota: Os  textos postados (Entrevista: Evangelhos não se aprende doutrina mas sim uma forma de estar no mundo; Jesus sempre começa a curar libertando de um Deus opressor -  Aquele que cura de José Antonio Pagola)  não representam necessariamente a opinião deste blog nem de nenhuma das igrejas do Movimento da Ciência Cristã. Foram publicados para  refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica. Conforme recentes  descobertas sobre fatos nela registrados e opinião de estudiosos do texto bíblico,  como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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II. Para pensar:

“Igreja, mais do que qualquer outra instituição, é, no momento, o cimento da sociedade, e deveria ser o baluarte  da liberdade civil e religiosa”. (Miscellaneous Writings 1883-1896, pág.144 - Mary Baker Eddy)

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