domingo, 23 de fevereiro de 2014

DA FÍSICA PARA A METAFÍSICA - UMA JORNADA PARA PIONEIROS ESPIRITUAIS

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 [...] bons alunos costumam fazer muitas perguntas. Eles fazem perguntas construtivas, profundas, que demonstram o quanto estão interessados no assunto. Mostram que eles pensam por si mesmos, que não têm medo de desafiar velhos conceitos, velhos sistemas de crenças, antigos mitos, e que estão prontos para penetrar em territórios novos, avançar para novas fronteiras.

É exatamente isso que o pioneiro espiritual faz, também. Faz perguntas que precisam ser feitas. Pensa por si mesmo. Desafia velhos mitos, velhos conceitos, e avança para novas fronteiras do pensamento. Nunca, mas nunca mesmo, fica com medo de perguntar: "Por quê?"

Talvez seja algo assim que o renomado físico Stephen Hawking pede, em seu livro Breve História do Tempo. "Até agora", ele diz, "a maioria dos cientistas esteve por demais ocupada com o desenvolvimento de novas teorias sobre o que é o universo, e ainda não se perguntou por quê."

Segundo Hawking, não é suficiente desenvolver uma teoria unificada acerca do universo, como os cientistas estão prestes a fazer. Ele acha que devemos perguntar e responder alguns porquês muito importantes. Tais como: "Por que existe o universo, afinal de contas?" Quem ou o que estabeleceu o universo? O universo foi um "criador"? Nesse caso, existe algo que talvez tenha criado o criador? 1

Essas são perguntas difíceis. São perguntas fundamentalmente espirituais, que os físicos não podem responder sozinhos. Na opinião de Hawking, são "os filósofos" que têm de responder a essas perguntas."  [Ilustração: físico Stephen Hawking]

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DA FÍSICA PARA A METAFÍSICA -

UMA JORNADA PARA PIONEIROS ESPIRITUAIS

 

Mary Metzner Trammell

 

Era o primeiro dia de escola para minha filha. Segurando com firmeza sua lancheira vermelha, novinha em folha, ela estava de pé, entre mim e o irmão mais velho. A professora mandou que ela colocasse sua lancheira em baixo da mesa,ao lado de outras vinte e tantas lancheiras. A menina deve ter achado que não era muito lógico pôr a lancheira ali. Ela olhou para a professora e perguntou: "Por quê?"

O irmão, de oito anos, sentiu-se envergonhado. "Clara, você tem muita coisa a aprender", disse ele, pegando a lancheira da mão dela e colocando-a debaixo da mesa. Depois, deu-lhe um conselho fraternal: "Uma das coisas mais importantes, na escola, é NUNCA, MAS NUNCA MESMO, fazer perguntas!"

Agora essa filha é professora. Ela aprendeu, como eu aprendi durante meus anos de ensino, que afinal não é nada mau fazer perguntas. Muito pelo contrário, os bons alunos costumam fazer muitas perguntas. Eles fazem perguntas construtivas, profundas, que demonstram o quanto estão interessados no assunto. Mostram que eles pensam por si mesmos, que não têm medo de desafiar velhos conceitos, velhos sistemas de crenças, antigos mitos, e que estão prontos para penetrar em territórios novos, avançar para novas fronteiras.

É exatamente isso que o pioneiro espiritual faz, também. Faz perguntas que precisam ser feitas. Pensa por si mesmo. Desafia velhos mitos, velhos conceitos, e avança para novas fronteiras do pensamento. Nunca, mas nunca mesmo, fica com medo de perguntar: "Por quê?"

Talvez seja algo assim que o renomado físico Stephen Hawking pede, em seu livro Breve História do Tempo. "Até agora", ele diz, "a maioria dos cientistas esteve por demais ocupada com o desenvolvimento de novas teorias sobre o que é o universo, e ainda não se perguntou por quê."

Segundo Hawking, não é suficiente desenvolver uma teoria unificada acerca do universo, como os cientistas estão prestes a fazer. Ele acha que devemos perguntar e responder alguns porquês muito importantes. Tais como: "Por que existe o universo, afinal de contas?" Quem ou o que estabeleceu o universo? O universo foi um "criador"? Nesse caso, existe algo que talvez tenha criado o criador? 1   

Essas são perguntas difíceis. São perguntas fundamentalmente espirituais, que os físicos não podem responder sozinhos. Na opinião de Hawking, são "os filósofos" que têm de responder a essas perguntas.

E quem são esses filósofos? São os pensadores. Eles amam a sabedoria e vivem por ela. Eles questionam os sistemas limitados ou equivocados de crenças. Eles buscam leis unificadoras para interpretar e integrar o conhecimento. São pioneiros que não têm medo de ir além dos fenômenos físicos e descobrir a realidade dentro de um contexto de ordem superior, no contexto dos conceitos. Em última análise, dentro de um contexto metafísico.

 

São pessoas como estas de que vou falar:

• O cientista Edward O. Wilson, que acredita que o conhecimento físico, por si só, é parcial. Ele quer descobrir "uma unidade fundamental" entre " todas as formas de conhecimento" — uma "filosofia da ciência" ou, quem sabe, "uma teologia científica". 2

• O físico e místico oriental Fritjof Capra, que, há dez anos já advertia que "o conhecimento racional ... que mede e quantifica, classifica e analisa" é basicamente limitado. O que se faz necessário, argumentava ele, é contrabalançar esse conhecimento com um impulso para "a sabedoria intuitiva", "a religião" e a "cooperação". 3

• Os ganhadores dos prémios anuais da Fundação John Templeton, inclusive aqueles que planejam cursos universitários sobre a relação entre ciência e religião. Os cursos dados por esses ganhadores têm como título, por exemplo: "Ciência e religião na tradição ocidental" e "O papel espiritual das cosmologias em diversas culturas".4

• Milhares de participantes dos simpósios anuais (desde 1994) sobre "Espiritualidade e cura na Medicina", realizados pela Faculdade de Medicina de Harvard, que vêm estudando a correlação, muitas vezes documentada clinicamente, entre oração e cura.

• Milhares de pessoas no mundo todo que estudam regularmente a filosofia divina contida no livro de Mary Baker Eddy, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, que ousadamente anuncia, logo na primeira página do prefácio:

"E chegada a hora dos pensadores" (p. vii). Esse livro expõe uma Ciência totalmente espiritual, com base no fato de que Deus é o Princípio absoluto e intérprete único do universo. As leis dessa Ciência ditam que o puro amor de Deus por Sua criação predomina sobre todo sistema de crenças materiais. Essas leis divinas constituem uma Ciência metafísica aplicada, a "Christian Science", que pode curar dificuldades e males de qualquer espécie.

 Os pensadores mencionados acima são considerados os pioneiros de hoje. Todos eles têm a ousadia de nadar contra a correnteza do pensamento materialista prevalecente. Esses pioneiros, porém, não estão alienados da sociedade em que vivem. Ao contrário, eles ajudam a humanidade. O trabalho deles beneficia a todos. Eles estão vencendo barreiras que foram impostas a todos nós. E cada passo de progresso espiritual ajuda a nos libertar, para podermos ser aquilo que Deus quer que sejamos: o eterno fruto do Amor divino.

Este mês, estudantes e professores universitários, provenientes do mundo todo, estarão reunidos em Boston, sede da Igreja mundial que Mary Baker Eddy fundou para levar adiante os ideais expostos no livro Ciência e Saúde. Juntos, esses participantes pensarão, e repensarão, sobre sua missão como "Pioneiros do Milênio Espiritual".

O "milênio" de que vai tratar a reunião não tem nada a ver com o ano 2000. Ele tem a ver com o milênio espiritual, que a Sra. Eddy definiu certa vez como "um estado e um estágio de progresso mental, que se processa desde sempre" (The First Church of Christ, Scientist and Miscellany, p. 239).

"O objetivo", diz a organizadora da reunião, Karen Bowen, "é o de ajudar os estudantes a se considerarem pensadores — e sanadores, pioneiros espirituais que reconhecem seu relacionamento com Deus."

"Cada pioneiro é necessário", diz Bowen. "Cada um tem sua própria maneira de ser um pioneiro. E à medida que eles trilham esse caminho, o tornam mais fácil para alguma outra pessoa. Eles movem para a frente o pensamento do mundo. É como uma onda que cresce cada vez mais, até se tornar uma maré de bênçãos!"

Os pioneiros precisam superar os limites, se quiserem ir para frente. E os pioneiros espirituais superam os limites da própria matéria. Questionam coisas que a maioria das pessoas considera inquestionáveis. Eles desafiam o inteiro sistema de crenças que diz que nossa identidade, nossa inteligência, nossa carreira, nossos relacionamentos, a própria vida, são materiais. Em vez disso, eles acreditam que o Espírito é supremo, que a nulidade intrínseca da matéria deve ser posta a nu, que a física deve dar lugar à metafísica.

Cada vitória, de cada pioneiro espiritual, é uma vitória para todos nós. Cada vitória, por menor que seja, aproxima-nos do inevitável milênio espiritual. Cada passo à frente ajuda-nos a responder definitivamente os grandes "porquês" que desafiam a humanidade. Cada passo ajuda-nos a compreender com mais exatidão quem somos realmente e por que estamos aqui. E finalmente, cada vitória faz com que se torne possível, para todos nós, "conhecer a mente de Deus", como diz Hawking. 5

 

Mary Metzner Trammell
Redatora Adjunta d
O Arauto da Ciência Cristã

 

1 Stephen Hawking, A Brief History of Time (New York; Bantam, 1996), p. 233.   2 Edward O. Wilson, "Back from Chaos", The Atlantic Monthly,março de 1998, pp. 41-62. 3 Fritjof Capra, TheTao of Physics (New York; Bantam, 1988), pp. xvi, 15. 4 M. S. Mason, "Classes Ponder Faith and Science", The Christian Science Monitor; 8 de dezembro de 1997.  5 Hawking, p. 233.

 

Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, agosto de 1998, The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados.

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domingo, 16 de fevereiro de 2014

COMO SE DEVE ORAR: UMA MEDITAÇÃO SOBRE O PAI NOSSO


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HISTÓRIA:

 

Como se deve orar:

Uma meditação sobre o Pai Nosso


 

Martinho Lutero

 

No presente escrito Lutero ensina os cristãos a compreenderem toda a sua existência como vivida diante de Deus. O escrito simples e sincero é um testemunho magnífico de uma grande confiança no amor de Deus para com o mundo dos pecadores. Lutero dedicou-o a Pedro Beskendorf, um amigo de muitos anos, que foi chamado, segundo a profissão que exercia, de Pedro Barbeiro.

O escrito foi publicado no início do ano de 1535. Algum tempo depois, Pedro, provavelmente embriagado, matou seu genro. Foi um acidente, como tudo indica; mas não deixou de ser uma morte violenta. Apesar disso, Lutero, em edições posteriores, não tirou o nome do criminoso da dedicatória do escrito.

Pois sempre afirmara que Deus aceita justamente os pecadores; justamente numa situação de pecado urge apelar à misericórdia de Deus. Os contemporâneos de Lutero apreciaram muito este pequeno escrito sobre a oração. Nos 11 anos entre 1535 e a morte de Lutero (1546), o escrito foi publicado em 11 edições, além da edição no dialeto do "baixo  alemão" e em latim (Joaquim Fischer).

 

martinho 

Em primeiro lugar: Às vezes sinto que, por causa de ocupações ou pensamentos alheios, fiquei frio ou perdi a vontade de orar. Pois a carne e o diabo estão constantemente dificultando e impedindo a oração. Nesses momentos pego meu pequeno saltério, vou para o meu quarto ou, conforme o dia e a hora, para a igreja, em meio às pessoas. E passo a falar para mim mesmo, oralmente, os dez mandamentos, o credo e, dependendo da minha disponibilidade de tempo, diversas citações de Cristo, de Paulo ou dos Salmos, tudo coisas como as fazem as crianças.

É bom que, de manhã cedo, se faça da oração a primeira atividade, e de noite, a última. E cuide-se muito bem desses pensamentos falsos e enganosos que dizem: Espera um pouco, daqui a uma hora vou orar, antes ainda tenho que resolver isto ou aquilo. Porque com esses pensamentos a gente passa da oração para os afazeres que prendem e envolvem a gente a ponto de não mais sair oração o dia inteiro.

Está certo que podem aparecer tarefas diversas tão boas ou até melhores que a oração, principalmente se a necessidade as exige. Corre um dito atribuído a São Jerônimo1: "Todo trabalho do crente é uma oração". E há um provérbio que diz: "Quem bem trabalha, ora em dobro", o que significa que uma pessoa crente teme e honra a Deus em seu trabalho, e se lembra do seu mandamento, para que não faça injustiça a ninguém, nem roube, engane ou defraude a ninguém. Essa atitude, sem dúvida, faz da sua ação, adicionalmente, uma oração e um sacrifício de louvor.

Por outro lado, também não é menos verdade que a obra de um descrente é pura maldição, e quem trabalha desonestamente impreca em dobro. Pois os pensamentos de seu coração durante o trabalho só podem ser tais que ele despreze a Deus, infrinja os mandamentos e faça injustiça a seu próximo, e procure roubar e defraudá-lo.

Esses pensamentos, seriam eles outra coisa senão pura maldição contra Deus e as pessoas, pelo que sua obra e trabalho também passa a ser dupla maldição? Com isso se amaldiçoa também a si mesmo. Daí se originam mendigos e ineptos.

Quanto a essa oração constante, entretanto, Cristo diz em Lucas 11.9s: Deve-se orar sem cessar, porque é preciso que a gente se acautele permanentemente contra pecado e injustiça, o que não pode suceder onde não se teme a Deus e tem ante os olhos o seu mandamento, conforme diz o Salmo 1: "Bem-aventurado aquele que medita de dia e de noite na lei do Senhor" (v. 2), etc.

Mas também precisamos nos cuidar para que não nos desabituemos da oração certa, e, em última análise, julguemos necessárias obras, que na verdade não o são, destarte ficando enfim relaxados e preguiçosos, frios e enfastiados em relação à oração. Haja vista que o diabo, ao nos assediar, não é preguiçoso nem negligente, e a nossa carne ainda está por demais viva e disposta para o pecado, inclinando-se contra o espírito de oração.

Depois de aquecido o coração por tal pronunciamento oral, encontrando-se assim a si mesmo, ajoelhe-se ou fique parado, com as mãos postas em oração e os olhos voltados para o céu, e fale ou pense tão brevemente quanto pode:

O Pai celeste, Deus querido, sou um pecador pobre e indigno, que não mereço levantar meus olhos ou minhas mãos para ti e orar. Mas como nos mandaste a todos orar, e ainda prometeste atender-nos, e nos ensinaste inclusive as palavras que devemos usar e a maneira como fazê-lo através do teu Filho amado, nosso Senhor

Jesus Cristo, venho obedecer a esse mandamento. E me fio em tua promessa graciosa, e, em nome de Jesus Cristo, oro com todos os teus santos cristãos na terra, como ele me ensinou:


1. "Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu Nome"

Em seguida repita uma parte ou quanto quiser, como a primeira petição, a saber: "santificado seja teu nome", e diga: Vem, Deus Senhor, Pai querido, santificar o teu nome tanto em nós mesmos como em todo o mundo! Destrói e elimina os horrores, a idolatria e heresia do turco, do papa e de todos os falsos doutrinadores ou espíritos sectários,1 que usam teu nome de forma enganosa e assim dele abusam de maneira descarada e blasfemam terrivelmente.

E afirmam tratar-se de tua palavra e do preceito da igreja. Mas não passa de mentira e dolo do diabo, com o que em teu nome transviam em todo o mundo tantas pobres almas rumo à miséria; e além disso ainda perseguem, matam e derramam sangue inocente, achando que assim estão prestando culto a ti.

Senhor Deus querido, converte e põe um fim. Converte aqueles que ainda precisam ser convertidos, para que venham conosco e nós com eles a honrar, santificar e glorificar o teu santo nome, com doutrina pura e genuína e com uma vida benigna e santificada. Não consintas, porém, que aqueles que não se querem converter, continuem a abusar, profanar e desonrar o teu santo nome e a transviar as pobres pessoas, amém.


2. "Venha a nós o teu Reino"

Diga: Ah, querido Senhor Deus e Pai, estás vendo que não é somente a sabedoria e entendimento do mundo que difamam teu nome e entregam a tua glória à mentira e ao diabo. Todo o seu poder e mando, sua riqueza e glória que lhes deste sobre a terra para governar no âmbito secular e com isto te servir, estão se opondo e resistindo a teu reino.

Eles são grandes, poderosos e em grande número, gordos, obesos e fartos, e atormentam, impedem e perturbam o pequeno punhado do teu reino, homens fracos, desprezados e insignificantes. Não os querem tolerar sobre a terra, e ainda acham que assim estão te prestando um grande culto.

Querido Senhor, Deus e Pai, aqui converte e susta. Converte aqueles que ainda precisam tornar-se filhos e membros do teu reino, para que eles conosco e nós junto com eles te sirvamos em teu reino em fé genuína e amor autêntico e passemos deste reino iniciado para o reino eterno. E impede aqueles que não querem deixar de usar seu poder e capacidade para perturbar o teu reino, de sorte que, derrubados do seu trono e humilhados, tenham que parar com isso, amém.


3. "Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu"

Diga: Ah, querido Senhor Deus e Pai, tu sabes como o mundo, não podendo eliminar por inteiro o teu nome e acabar com teu reino por completo, lida dia e noite com ardis e peças malvadas, tramam toda sorte de estranhos atentados, ficam maquinando e conspirando, apoiam-se e se fortalecem mutuamente, ameaçam e se enfurecem, atentam com as piores intenções contra o teu nome, tua palavra, teu reino e teus filhos, procurando matá-los.

Por isso, querido Senhor Deus e Pai, leva à conversão e acaba com isso. Converte aqueles que ainda devem reconhecer tua boa vontade, para que junto conosco e nós com eles obedeçamos a ela e desta forma suportemos com paciência e alegria todo mal, cruz e vicissitude, e nisto reconheçamos, provemos e experimentemos tua vontade benigna, misericordiosa e perfeita. Acaba, porém, com aqueles que não querem renunciar à sua fúria, raiva, ódio, ameaça e má intenção de prejudicar. Aniquila e desmascara seus desígnios, atentados e tramoias malvadas. Que se voltem sobre eles mesmos, como canta o Salmo 7.16, amém.


4. "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje"

Diga: Ah, querido Senhor Deus e Pai, concede tua bênção também para esta vida temporal e física. Dá-nos misericordiosamente a paz preciosa. Protege-nos de guerra e tumulto. Concede ao nosso caro senhor imperador boa sorte e sucesso contra seus inimigos; dá-lhe sabedoria e entendimento, que governe seu reino terreno com tranqüilidade e felicidade. Dá a todos os reis, príncipes e senhores o bom conselho e intento de manterem seus países e sua gente em pleno gozo de paz e justiça.

Principalmente ajuda e orienta nosso querido senhor territorial N., sob cuja proteção e tutela tu nos guardas: Que ele nos proteja de todo mal, e governe de forma bem-aventurada e a salvo de más línguas e gente desleal. Concede a todos os súditos a graça de servirem fielmente e de serem obedientes. Dá que todas as classes, todos os cidadãos e camponeses permaneçam devotos e manifestem amor e lealdade entre si. Concede bom tempo e frutos da terra; encomendo-te também casa e quinta, mulher e filhos.

Ajuda que eu os dirija bem e os crie e eduque de forma cristã. Rechaça e domina o perversor e a todos os anjos malignos que nisso causam dano e estorvo, amém.


5. "Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores"

Diga: Ah, querido Senhor Deus e Pai, não nos leves ao juízo, porque perante ti nenhuma pessoa viva é justa (Salmo 143.2). Ah, não nos imputes como pecado o fato de sermos infelizmente tão ingratos por toda a tua indizível bênção, espiritual e corporal, e de tropeçarmos e pecarmos muitas vezes todos os dias, mais do que sabemos ou podemos perceber (Salmo 19.12). Não leves em consideração quão piedosos ou maus somos, mas sim a tua misericórdia insondável, a nós concedida em Cristo, teu Filho amado.

Perdoa também a todos os nossos inimigos, a todos que nos fazem sofrer ou nos fazem injustiça, assim como também nós lhes perdoamos de coração. Pois eles fazem o maior mal a si mesmos ao provocarem a tua ira através de seu comportamento em relação a nós; e a nós de nada adianta a sua perdição, mas sim em muito preferiríamos que tivessem a bem-aventurança conosco, amém. (E quem neste ponto sente que não pode perdoar facilmente, queira pedir a graça de poder perdoar. Mas isto faz parte da pregação.)


6. "E não nos deixes cair em tentação"

Diga: Ah, querido Senhor, Deus e Pai, conserva-nos resolutos e bem dispostos, ardorosos e aplicados em tua palavra e serviço. Que não nos sintamos seguros, preguiçosos e relaxados, como se agora tivéssemos tudo, e o diabo ferino nos assalte e tome de surpresa, e nos tire de novo a tua palavra preciosa ou provoque discórdia e sectarismo entre nós, ou ainda nos atraia ao pecado e à vergonha, seja espiritual ou corporal; mas dá-nos, por teu Espírito, sabedoria e força, para que lhe resistamos com bravura e obtenhamos a vitória, amém.


7. "Mas livra-nos do mal"

Diga: Ah, querido Senhor, Deus e Pai, esta vida miserável é tão cheia de aflição e infelicidade, tão cheia de perigo e insegurança, tão repleta de deslealdade e maldade (como diz São Paulo: "Os dias são maus" - Efésios 5.16), que bem deveríamos estar cansados da vida e desejosos da morte. Tu, porém, Pai amado, conheces nossa fraqueza.

Por isso, ajuda-nos a atravessar seguros esses múltiplos males e maldades. E quando chegar a hora, dá-nos um fim misericordioso e uma despedida venturosa deste vale de aflição. Que não nos amedrontemos diante da morte, nem desanimemos, mas, com fé resoluta, entreguemos nossas almas em tuas mãos, amém.

Por fim, observe que de cada vez você tem que fazer o amém bem forte, sem duvidar de que Deus o está ouvindo com certeza, com toda a graça, e diz sim à sua oração. E lembre-se de que não está sozinho ajoelhado ou parado. Toda a cristandade ou todos os cristãos devotos estão com você, e você entre eles, em oração unânime e concorde, a qual Deus não pode desprezar. E não largue da oração, a não ser que tenha dito ou pensado: Bem, esta oração foi ouvida por Deus, disso tenho certeza e o sei de verdade. Isso é o que significa "Amém".

Igualmente você deve saber que não quero que todas estas palavras sejam ditas na oração. Isso acabaria dando num palavrório e pura conversa vazia, recitado do livro ou da letra como o foram o rosário entre os leigos e as orações dos padres e monges. Muito pelo contrário, quero com isso ter estimulado e ensinado o coração, acerca dos pensamentos que se deve ter durante o Pai nosso.

E a esses o coração (quando estiver bem aquecido e disposto a orar) pode expressar muito bem com muitas outras palavras, também com menos ou mais palavras. Pois eu mesmo também não me prendo a essas palavras e sílabas, mas as falo hoje de um jeito, amanhã de outro, conforme estou propenso e disposto. Mesmo assim, sempre me atenho, o quanto posso, a este mesmo pensamento e sentido.

Muitas vezes acontece que, em alguma parte ou petição do Pai nosso, eu venho a me delongar em pensamentos tão ricos, que deixo esperar todas as outras seis. E quando vêm tais pensamentos ricos e bons, deve-se deixar de lado as outras preces e dar lugar a esses pensamentos e ouvi-los em silêncio, não os impedindo de modo algum; pois ali está pregando o próprio Espírito Santo. E uma palavra de sua pregação é melhor do que mil orações nossas. Assim também, frequentemente, aprendi mais em uma só oração do que poderia ter conseguido com muita leitura e reflexão.

Por essa razão é de suma importância que o coração fique livre e disposto para a oração. Como também o diz Eclesiastes: "Prepara teu coração antes da oração, para que não ponhas Deus à prova" (Eclesiastes 5.1s e Eclesiástico 18.23).

Que outra coisa é, senão tentar a Deus, se a boca fica tagarelando e o coração está distraído em outros lugares? - como aquele padre que reza assim: Deus, in adiutorium meum intende - peão, já atrelaste o cavalo? - Domine, ad adiuvandum me festina - criada, vai tirar leite das vacas; Gloria Patri et Filio et Spiritui Sancto. - anda, guri, que a peste te pega, etc. -; (as três passagens latinas citadas significam: "Deus, vem em meu socorro", "Senhor, apressa-te em me ajudar" e "Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo". Lutero aqui ilustra como a reza das horas canônicas sofre interferência dos afazeres diários).

Dessas orações ouvi e experimentei muitas em meu tempo no papado. E quase todas as suas orações são deste tipo, com que apenas se zomba de Deus. Seria melhor que ficassem brincando, ao invés, já que não podem ou não querem fazer nada de melhor. Eu mesmo orei muitas dessas horas canônicas em meus dias, infelizmente, de sorte que o salmo ou a hora se tinha passado sem que eu me desse conta se estava no começo ou no meio.

Nem todos se deixem levar, no que dizem, como o padre acima mencionado, misturando os afazeres com a oração. Não obstante procedem assim no coração com os pensamentos, perdem-se em mil fantasias, e ao chegarem no fim, não sabem o que fizeram ou por que partes passaram; começam dizendo "Laudate", e já estão no país das mil maravilhas.

Acho que ninguém acharia ludíbrio mais ridículo, se alguém pudesse ver os pensamentos que um coração frio e sem devoção vai misturando durante a oração. Mas, agora, louvado seja Deus, estou vendo que não é uma boa oração se alguém se esquece do que falou. Porque uma oração bem feita considera cuidadosamente todas as palavras e pensamentos do início até o fim da oração.

Assim, um barbeiro aplicado e competente tem que voltar seu pensamento, sua atenção e seus olhos, com muita precisão, para a navalha e os cabelos, e não se descuidar, não sabendo que esteja afiando ou cortando. Mas, se ele, ao mesmo tempo, quisesse fazer muita conversa ou ficar pensando ou olhando outras coisas, certamente iria cortar fora a boca ou o nariz, e até o pescoço.

Desta forma, cada coisa que é para ser bem feita, quer ter a pessoa inteira, com todos os seus sentidos e membros, como se diz: "pluribus intentus minor est ad singula sensus" - Quem pensa em muita coisa, não pensa em nada, também não faz nada direito.

Tanto mais a oração precisa ter o coração uno, por inteiro e exclusivo, se é que deva ser uma boa oração. Com isso está brevemente descrita a forma como eu mesmo costumo orar o pai-nosso ou qualquer oração. Pois ainda hoje me alimento do pai-nosso como um bebê, dele bebo e como feito um velho; não consigo me fartar dele, sendo para mim a melhor de todas as orações, mais ainda que os salmos (que realmente aprecio muito).

Na verdade, vemos que foi o bom Mestre que a criou e ensinou, e é profundamente lamentável que tal oração, de tão excelente Mestre, seja recitada sem qualquer devoção e assim desvirtuada em todo o mundo. Muitos há que rezam talvez mil pai-nossos por ano, e mesmo que rezassem durante mil anos, não teriam provado nem orado sequer uma única letra ou pontinho. Enfim, o pai-nosso é o maior dos mártires sobre a terra, (como nome e como palavra de Deus). Pois todo mundo o maltrata e abusa dele, sendo poucos os que o consolam e alegram com uso conveniente.

Fonte: Do Escrito Como se deve orar, para o Mestre Barbeiro ("Wie man beten sol, fur Meister Peter Balbirer") 1535; WA 38, 358-375.

 

"Como se deve orar: Uma meditação sobre o Pai Nosso" foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico. Com o objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

O texto não representa necessariamente a opinião deste blog ou do Movimento da Ciência Cristã – A Primeira Igreja de Cristo Cientista, em Boston, ou qualquer de suas filiais, sociedades ou grupos informais de estudos, existentes em diferentes países do mundo.

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PARA REFLETIR:

 

"Seja-me permitido dar aqui o que entendo ser o sentido espiritual da Oração do Senhor: 

 

Pai nosso que estais no céus,

Nosso Pai-Mãe todo-harmonioso,

Santificado seja o Teu nome;

Único adorável.

Venha o Teu reino,

O Teu reino já veio; Tu estás sempre presente.

Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;

Faze-nos saber que - como no céu, assim também na terra - Deus é onipotente, supremo.

O pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

Dá-nos graças para hoje;  alimenta as afeições famintas;

E perdoa-nos nossas dívidas, assim como nós temos  perdoado aos nossos devedores;

E o Amor se reflete em amor;

E não nos deixe cair em tentação; mas livra-nos do mal;   

E Deus não nos deixa cair em tentação, mas livra-nos do pecado, da doença e da morte.

Pois Teu é o reino, o poder e a glória para sempre.

Pois Deus é infinito, todo poder, toda Vida, Verdade, Amor; está acima de tudo e é Tudo."

 

Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, por Mary Baker Eddy 

 

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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O TRIUNFO DO PODER ESPIRITUAL

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O triunfo do poder espiritual

 

George Zucker

 

Vivemos em um mundo em que as coisas podem ser pequenas demais para serem vistas, numerosas demais para serem contadas e estar longe demais para serem medidas. Preocupamo-nos com os trilhões de dólares em déficits orçamentais. Deslumbramo-nos com as fotos que o telescópio Hubble tirou do espaço sideral, de um universo que brilha com biliões de estrelas e planetas a anos-luz de distância. [Imagem: Hubble visto de dentro do ônibus espacial Atlantis]

                                                                     hubble-2_Hubble visto de dentro do ônibus espacial Atlantis - Cópia

 

Não podemos compreender plenamente tal imensidade. Entretanto, sabemos que Deus, que criou tudo e enche todo o espaço, é magnificado por essa vastidão. Somos consolados pela promessa da Bíblia de que Deus conhece cada fio de cabelo da nossa cabeça, controla o voo de cada pardal e derrama bênçãos sobre nós em um número muito maior do que os grãos de areia ver Mateus 10:29,30.

As curas inumeráveis realizadas por Eddy, e as realizadas por seus seguidores, comprovam que a oração inspirada por Deus pode vencer até mesmo os maiores desafios.

Tal como o Salmista, orando maravilhado diante do reino celestial de Deus, perguntamos: “Que é o homem, que dele te lembres”? Salmos 8:4. Homens e mulheres sempre ficaram boquiabertos diante do incompreensível. Imaginem a admiração que o homem primitivo sentia ao contemplar o esplendor do firmamento estrelado. Para compreender a imensidão do mundo, nossos antepassados inventaram um mundo fantástico, repleto de espíritos bons e maus.

A mitologia grega representou deuses imortais brincando com o homem mortal para sua própria diversão; uma raça gigante de Titãs que culparam Pandora, a primeira mulher mortal, por ter aberto uma caixa proibida que infestou o mundo com todo tipo de dificuldades. A literatura clássica vê o homem como uma vítima infeliz do destino, com pouco ou nenhum poder sobre sua própria sorte na vida. O grande poema épico de Homero, a Ilíada, cantava: “Os imortais não têm nenhuma preocupação, porém o destino que eles engendram para o homem é cheio de tristeza”.

Também na peça “Sonho de uma Noite de Verão”, de Shakespeare, somos tentados a concordar com o personagem Puck, quando olha para baixo e declara: “Senhor, mas que tolos são esses mortais”!

Alguns incluíram entre os tolos Mary Baker Eddy, uma escritora e teóloga do século XIX que fundou a Ciência Cristã. Ela foi ridicularizada como uma pregadora da apostasia, quando as mulheres de sua época não podiam sequer votar, muito menos fundar uma religião tão oposta às crenças convencionais.

Eddy ensinava que Deus criou o homem semelhante a Ele, puramente espiritual e eterno como Ele mesmo, não como o produto de macacos ou do pó, nem de um mundo criado em seis dias, nem da evolução Darwiniana ao longo dos milênios. Em sua principal obra, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Eddy escreveu:

“A descrição do homem como puramente físico, ou ao mesmo tempo material e espiritual - mas em ambos os casos dependente do seu organismo físico - é a caixa de Pandora, da qual saíram todos os males, especialmente o desespero”  p. 170.

Eddy, a Descobridora da Ciência do Cristo, ensinou que a alegoria de Adão e Eva não era a verdade com relação à nossa origem real como ideias espirituais, assim como a história de Pandora não era a realidade a respeito da desgraça humana.

Os ensinamentos de Eddy estavam fundamentados no primeiro capítulo do Gênesis, o qual declara que homens e mulheres, criados à imagem e semelhança de Deus, são ideias espirituais e perfeitas, não constituídas de sangue e ossos e, portanto, não poderiam ser menos do que seu Criador, uma vez que não existe nenhum Deus imperfeito que possam refletir.

As curas inumeráveis realizadas por Eddy, e as realizadas por seus seguidores, comprovam que a oração inspirada por Deus pode vencer até mesmo os maiores desafios. Anos mais tarde, quando um de seus alunos perguntou como ele poderia aprender a curar como ela o fazia, Eddy respondeu:

“Quando tu acreditares naquilo que dizes. Eu acredito em cada declaração que faço a respeito da Verdade”  Robert Warneck e Yvonne von Fettweis, “Mary Baker Eddy, Uma Vida Dedicada à Cura, [Edição Ampliada]” p. 101.

O cristianismo foi fundamentado sobre o domínio que Jesus tinha sobre todos os males, incluindo a morte. Entretanto, o Salvador nunca reivindicava nenhum poder pessoal além daquele que todos nós desfrutamos como filhos de Deus. Jesus disse aos seus discípulos:

“Se tiverdes fé e não duvidardes... se a este monte disserdes: Ergue-te e lança-te no mar, tal sucederá; e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis”  Mateus 21:21, 22.

O mundo da matéria talvez pareça vasto, mas Deus é maior. Nada é difícil demais para Deus ou, por reflexo, para Seus filhos. Com fé e compreensão sobre Deus, todos podemos ter a expectativa de nos maravilharmos diante do triunfo do poder espiritual sobre as condições materiais.

Fonte: The Christian Science Monitor [ www.csmonitor.com ], 02 de maio de 2013.

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domingo, 19 de janeiro de 2014

A VIDA APÓS A MORTE: QUE DIFERENÇA FAZ?

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A vida após a morte: que diferença faz?

 

Michael D. Rissler

 

Os pontos de vista teológicos mudam. A preocupação com a eternidade, especialmente quando associada a um céu ou a um inferno longínquo, é, muitas vezes, minimizada diante dos incríveis prazeres e castigos terrenos.

Entretanto, homens e mulheres estão profundamente influenciados por sua concepção de vida eterna. O ideal de justiça e as considerações sobre o caráter e as decisões da nossa própria vida ainda estão no âmago de nossa luta por um mundo melhor.

Se a vida pudesse ser manipulada de tal modo que o céu e o inferno se tornassem meramente uma reação adiada para atos e omissões terrenas, então, bem poderia ser que consignássemos a preocupação com a vida após a morte para a obscuridade e deixássemos que "as coisas seguissem sua ordem natural".

Porém, se chegarmos a perceber que a vida sobrevive e excede as limitações da matéria, então, começamos a sentir espiritualmente um pouco da natureza divina da Vida, ou Deus. É essa Vida que sustenta a verdadeira habilidade para pensar, amar e agir de modo corajoso. Entender que a Vida divina, nossa Vida verdadeira, não finda, abre nosso pensamento à força espiritual que, antes de mais nada, solapa e finalmente vence o mal.

Certamente podemos ver esse poder em ação nos anais de Cristo Jesus. A Vida divina preservou a vida de Jesus, mesmo quando foi muito odiado e atacado. E a Vida divina deu-lhe poder para curar, até mesmo quando a doença parecia incontestável. Essa Vida divina deve tornar-se reconhecível e exequível para nós, aqui e agora, do contrário não percebemos a realidade divina que é a fonte desse poder. [Ilustração: A incredulidade de Tomé - Caravaggio]

Caravaggio_-_The_Incredulity_of_Saint_Thomas_Cópia                                                                                               

 

Uma epístola de João nos diz: "Deus é amor." Ele é também Vida. Deus é Vida onipresente. A totalidade de Deus é o que dá substância e valor à nossa vida. A Bíblia fala do homem como descendente de Deus, Sua imagem e semelhança espiritual.

No momento em que começamos a sentir a inerência e a premência dessa verdade, algo que já não pode ser impedido, começa a ocorrer em nossa vida diária. Nossa existência torna-se menos finita, nossa visão, menos limitada e, conscientemente, começamos a entrar no reino dos céus, onde as leis divinas governam até mesmo o detalhe externo aparentemente inconsequente das experiências humanas.

Essa ação espiritual transforma-nos. Cristianiza o propósito de nossa vida e mostra que, em última análise, não estamos submersos na matéria, prisioneiros de uma lei brutal e material.

O Apóstolo Paulo foi radicalmente transformado quando irrompeu em seu pensamento a realidade de que Deus era sua Vida. Mais tarde, escreveu: "Transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus."

Essa era sua explicação metafísica para a nova vida que ele estava descobrindo em Cristo. Sua visão espiritual teve consequências práticas em suas atividades e decisões diárias. Disse ele: "O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros.... Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.... Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem."

Os concisos vinte e um versículos do décimo segundo capítulo dessa carta aos cristãos de Roma são um compêndio sobre a vida eterna, ou seja, a vida após a morte, pois sustam os interesses mundanos aqui e agora.

Para o sentido espiritual, que testifica o valor eterno do homem como filho de Deus, a questão da vida após a morte está no centro de tudo. A forma como reagimos a essa questão configura nossa existência.

A fronteira finita da existência humana, chamada morte, que, para o sentido material, faz pressão para envolver tudo, como uma parede ameaçadora, pode ser transposta com a vida dedicada inteiramente a Deus, a Vida e o Amor divinos.

É a força espiritual dessa maneira de viver que sempre deu ao cristianismo vital a força para prevalecer diante da oposição e da materialidade, que termina em morte. Com essa transposição, surge a vida contida no Cristo, que cura a doença e vence o mal com o poder do bem que se estiver vivendo.

A Ciência do Cristo preserva o conhecimento de que a vida é eterna e que não pode ser destruída. Tal entendimento espiritual desenvolve a mentalidade espiritual que é atraída para as coisas de Deus, vida espiritualmente dedicada, amor altruísta, uma sede de maior compreensão espiritual, um desejo de curar e de servir ao sagrado propósito de Deus.

Ciência e Saúde, de autoria da Sra. Eddy, explica as consequências práticas decorrentes do apegar-se à vida imorredoura: "Um momento de consciência divina, ou compreensão espiritual da Vida e do Amor, é um antegozo da eternidade.”

Essa visão sublime, que se obtém e retém quando a Ciência do ser é compreendida, preencheria com a vida discernida espiritualmente o intervalo da morte, e o homem estaria na plena consciência de sua imortalidade e harmonia eternas, onde o pecado, a doença e a morte são desconhecidos". 1

Tal verdade faz alguma diferença, aqui e agora? Sim, torna os homens e as mulheres obreiros de Deus aliados da humanidade e revela nossa verdadeira natureza como Sua imagem espiritual, livre para expressar e sentir Sua bondade. Essa vida jamais morre, mas traz renovação de propósitos, de esperança e de saúde aqui na terra - agora.

1 Ciência e Saúde com Chave das Escrituras, Mary Baker Eddy, p. 598

 

Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, edição de abril de 1990, número 04, volume 40. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados. 

 

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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O SIGNIFICADO DE MANDELA PARA O FUTURO DA HUMANIDADE

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Mensagem para 2014



“Ninguém caminha sem aprender a caminhar,
sem aprender a fazer o caminho caminhando,
refazendo e retocando o sonho
pelo qual se pôs a caminhar”.


Paulo Freire

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“Ao vencedor, que guardar até o fim as minhas obras eu lhe darei a autoridade sobre as nações, [...]
assim como também eu recebi de meu Pai,
dar-lhe-ei a estrela da manhã”


Apocalipse 2: 26, 28

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O significado de Mandela para
o futuro da humanidade


Leonardo Boff

Instituto Humanitas Unisinos (IHU)


Nelson Mandela, com sua morte, mergulhou no inconsciente coletivo da humanidade para nunca mais sair de lá porque se transformou num arquétipo universal, do injustiçado que não guardou rancor, que soube perdoar, reconciliar polos antagônicos e nos transmitir uma inarredável esperança de que o ser humano ainda pode ter jeito.

Depois de passar 27 anos de reclusão e eleito presidente da África do Sul em 1994, se propôs e realizou o grande desafio de transformar uma sociedade estruturada na suprema injustiça do apartheid que desumanizava as grandes maiorias negras do pais condenando-as a não-pessoas, numa sociedade única, unida, sem discriminações, democrática e livre.



E o conseguiu ao escolher o caminho da virtude, do perdão e da reconciliação. Perdoar não é esquecer. As chagas estão ai, muitas delas ainda abertas. Perdoar é não permitir que a amargura e o espírito de vingança tenham a última palavra e determinem o rumo da vida. Perdoar é libertar as pessoas das amarras do passado, é virar a página e começar  a escrever outra a quatro mãos, de negros e de brancos.

A reconciliação só é possível e real quando há a admissão completa dos crimes  por parte de seus autores e o pleno conhecimento dos atos por parte das vítimas. A pena dos criminosos é a condenação moral diante de toda a sociedade. Uma solução dessas, seguramente originalíssima, pressupõe um conceito alheio à nossa cultura individualista: 

o Ubuntu que quer dizer: "eu só posso ser eu através de você e com você". Portanto, sem um laço permanente que liga todos com todos, a sociedade estará, como na nossa, sob risco de dilaceração e de conflitos sem fim.

Deverá figurar nos manuais escolares de todo mundo esta afirmação humaníssima de Mandela: 

"Eu lutei contra a dominação dos brancos e lutei contra a dominação dos negros. Eu cultivei a esperança do ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas e em harmonia e têm oportunidades iguais. É um ideal pelo qual eu espero viver e alcançar. Mas, se preciso for, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer".



Por que a vida e a saga de Mandela funda uma esperança no futuro da humanidade e de nossa civilização? Porque chegamos ao núcleo central de uma conjunção de crises que pode ameaçar o nosso futuro como espécie humana.

Estamos em plena sexta grande extinção em massa. Cosmólogos (Brian Swimm) e biólogos (Edward Wilson) nos advertem que, a correrem as coisas como estão, chegaremos por volta do ano 2030 à culminância desse processo  devastador. Isso quer dizer que a crença persistente no mundo inteiro, também no Brasil, de que o crescimento econômico material nos deveria trazer desenvolvimento social, cultural e espiritual é uma ilusão. Estamos vivendo tempos de barbárie e  sem esperança.

Cito o insuspeito Samuel P. Huntington, antigo assessor do Pentágono e um analista perspicaz do processo de globalização no término de seu O choque de civilizações:

"A lei e a ordem são o primeiro pré-requisito da civilização; em grande parte no mundo elas parecem estar evaporando; numa base mundial, a civilização parece, em muitos aspectos, estar cedendo diante da barbárie, gerando a imagem de um fenômeno sem precedentes, uma Idade das Trevas mundial, que se abate sobre a Humanidade"(1997:409-410).

Acrescento a opinião do conhecido filósofo e cientista político Norberto Bobbio que,  como Mandela, acreditava nos direitos humanos e na democracia como valores para equacionar o problema da violência entre os Estados e para uma convivência pacífica. Em sua última entrevista declarou:

"não saberia dizer como será o Terceiro Milênio. Minhas certezas caem e somente um enorme ponto de interrogação agita a minha cabeça: será o milênio da guerra de extermínio ou o da concórdia entre os seres humanos? Não tenho condições de responder a esta indagação".

Face a estes cenários sombrios Mandela responderia seguramente, fundado em sua experiência política: sim, é possível que o ser humano se reconcilie consigo mesmo, que sobreponha sua dimensão de sapiens à aquela de demens e inaugure uma nova forma de estar juntos na mesma Casa.

Talvez valham as palavras de seu grande amigo, o arcebispo Desmond Tutu que coordenou o processo de Verdade e Reconciliação:

"Tendo encarado a besta do passado olho no olho, tendo pedido e recebido perdão e tendo feito  correções, viremos agora a página - não para esquecer esse passado, mas para não deixar que nos aprisione para sempre. Avancemos em direção a um futuro glorioso de uma nova sociedade em que as pessoas valham não em razão de irrelevâncias biológicas ou de outros estranhos atributos, mas porque são pessoas de valor infinito, criadas à imagem de Deus".

Essa lição de esperança nos deixa Mandela: nós ainda viveremos se sem discriminações concretizarmos de fato o Ubuntu.



Feliz 2014

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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

REIS MAGOS ONTEM E HOJE


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Chegada a Belém, original pintado com a boca por Francis Camilleri


“A estrela de Belém é a estrela de todas as épocas, a luz do Amor [...].”

Mary Baker Eddy

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Reis Magos ontem e hoje

Leonardo Boff


No Segundo Testamento1 há duas versões do nascimento de Jesus. Uma do evangelho de Lucas que culmina com a adoração dos pastores. A outra, do evangelho de Mateus, que se concentra na adoração dos três reis magos. A lição é: judeus e pagãos, cada um a seu modo, encontram Jesus.


                                  A estrela-guia, original pintado com a boca 
                                                                                 por Michael Vassalo


As Escrituras judaico-cristãs deixam claro que Deus não se revelou apenas aos judeus. Antes de surgir o povo de Israel com Abraão, revelou-se a Enoque, a Noé, a Melquisedeque, depois a Balaão e ao rei Ciro. Os reis magos pertencem a este grupo. Quem eram eles?

Eram astrólogos vindos provavelmente da Babilônia. Naquele tempo astronomia e astrologia caminhavam juntas. Certo dia, estes sábios descobriram uma estranha conjunção de Júpiter com Saturno que os aproximou de tal forma que pareciam uma única grande estrela, na constelação de Peixes.

Desde o tempo de Kepler (+1630) os cálculos astronômicos mostraram efetivamente que no ano 6 antes de Cristo (data do nascimento de Cristo pelo calendário corrigido) ocorreu tal conjunção. Para os sábios, este fato possuía grande significação. Júpiter, na leitura astronômica da época, era o símbolo do Senhor do mundo.

Saturno era a estrela do povo judeu. E a constelação de Peixes era o sinal do fim dos tempos. Os sábios babilônicos assim interpretaram: no povo judeu (Saturno) nascerá o Senhor do mundo (Júpiter) sinalizando o fim dos tempos (Peixes).

Então se puseram a caminho para prestar-lhe homenagem. Sempre houve na história dos povos, pessoas simples ou sábios que se puseram a caminho em busca de salvação, quer dizer, de uma totalidade integradora. Deus foi a seu encontro nos seus modos de ser e de pensar.

Mas por que foram encontrar Jesus? Porque, segundo a compreensão dos cristãos, Jesus é um princípio de ordem e de criação de uma grande síntese humana, divina e cósmica. Quando dão o título de Cristo a Jesus querem expressar esta convicção.

Esta síntese se encontra também em outras religiões sob outros nomes: Sabedoria, Logos, Iluminação, Buda, Tao. Estes são os "ungidos e consagrados" (significado de Cristo) para serem um centro  atrator  e unificador de tudo o que há no céu e na terra. Mudam os nomes, mas o sentido é sempre o mesmo.

Nossa realidade, entretanto, é contraditória. É feita de elementos sim-bólicos e dia-bólicos, de verdade e de falsidade, de bondade e de maldade. Como podemos distinguir um do outro? Como criar uma ordem superior que ultrapasse essas contradições? Precisamos de um Centro ordenador e animador de uma síntese pessoal, social e também cósmica.

Os evangelistas usaram o fenômeno astronômico para apresentar Jesus como aquele Senhor do Universo que vem sob a forma de uma criança para unificar tudo. Essa Energia é divina mas não exclusiva. Ela se expressa sob muitas formas históricas. Em Jesus, o Cristo, ganhou uma concretização que mobilizou outras culturas com seus sábios vindos do Oriente.

Todos os caminhos levam a Deus e Deus visita os seus em suas próprias histórias. Todos estão em busca daquela Energia que se esconde no significado da palavra Cristo.

Esse encontro com a Estrela produz hoje, como produziu ontem, alegria e sentimento de integração. Haverá sempre uma Estrela no caminho de quem busca. Importa, pois, buscar com a mente sempre desperta aos sinais como os reis magos.

1 Alguns usam o termo "O Segundo Testamento" no lugar de "O Novo Testamento" principalmente por respeito aos nossos irmãos que abraçam a religião judaica.
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Reis Magos ontem e hoje” foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico. Com o objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

O texto não representa necessariamente a opinião deste blog ou do Movimento da Ciência Cristã – A Primeira Igreja de Cristo Cientista, em Boston, ou qualquer de suas filiais, sociedades ou grupos informais de estudos, existentes em diferentes países do mundo.

 


LEIA:  A ESTRELA QUE GUIOU OS MAGOS, publicado em 24 de dezembro de 2012.

 

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