quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A ATIVIDADE DO CRISTO

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A atividade do Cristo

L. Ivimy Gwalter

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Há alguns anos, a autora deste artigo se encontrava no convés de um navio, um pouco antes do alvorecer. As estrelas pareciam como que suspensas no céu tropical e, no horizonte, um farol piscava, emitindo suas boas-vindas. Estávamos nos aproximando de terra firme. Então, a luz da aurora começou a surgir, de forma muito gradual, até que o céu resplandeceu em glória.

Para a autora, essa aurora simbolizou a atividade do Cristo. Diante dela, a escuridão desapareceu. Enquanto observava, sentiu-se absorvida pela magnitude do que estava acontecendo. Nada podia deter o amanhecer, uma vez que era impulsionado pelo poder que governa o universo, um poder que o mundo não pode atingir.

“Ora”, pensou ela, “se toda a humanidade, cada homem, mulher e criança, de todas as raças e credos, se unissem para impedir essa aurora de se manifestar, se todas as invenções diabólicas da força física e das armas nucleares, do ódio humano e do controle mesmérico se arrojassem contra ela, eles nem sequer a tocariam, muito menos a deteriam, porque o poder que governa o universo é Deus.”

01_Edésio Ferreira Filho_Baia da Babitonga_ São Francisco do Sul_SC-Brasil - Cópia - Cópia (2) 

Foto: Edésio Ferreira Filho

 

Nos conhecidos versículos de abertura do Evangelho de João, lemos (1:1, 3): “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez”. O Verbo é a atividade de Deus, a qual se revela a si mesma e, como a aurora, não pode ser impedida nem interrompida.

A atividade inteligente, por meio da qual a Alma revela sua vastidão, glória e beleza, é o Cristo. Essa atividade ou reflexo inteligente é a sabedoria infinita de Deus, por meio da qual Deus, a Alma, reflete-se a Si mesmo em esplendor e glória inauditos. Tudo o que a Mente, Deus, sabe e do qual está consciente, é o Cristo, Sua manifestação infinita, e essa manifestação é a Verdade. Assim, na Ciência da Mente, o conhecedor, o conhecimento e o conhecido são um no ser. Não existe nenhuma divisão ou separação entre Deus e Sua manifestação.

Então, o Cristo é a manifestação do infinito saber de Deus, a glória do ser espiritual, o resplendor do poder espiritual. O Cristo é instantâneo. Ele não necessita de tempo para se fazer sentir. O Cristo está sempre presente, sempre ativo, sempre potente, sempre completo. O Cristo se revela a si mesmo, a perfeita manifestação de Deus. Assim, na cura do doente e do pecador, o Cristo demonstra os fatos fundamentais de que a harmonia nunca foi perdida, de que a discórdia nunca foi real e de que a perfeição nunca foi abalada.

Quão divinamente natural é essa ação do Cristo, esse poder irresistível do Amor divino! Não há nada trabalhoso, nada difícil, árduo ou fatigante nela. Tal como a aurora, a ação do Cristo é inviolável. Ela é incapaz de ser invertida ou interrompida pelos supostos ataques do mal.

O profeta Isaías escreveu (9:2): “O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz”. Mary Baker Eddy diz no livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras (p. 504): “Os raios da Verdade infinita, quando se concentram no foco das ideias, produzem instantaneamente luz, enquanto mil anos de doutrinas, hipóteses e vagas conjeturas humanas não emitem tal fulgor”.

O Cristo irresistível é o poder da Mente. Não existe nenhuma cura, nenhuma redenção, nenhuma salvação exceto por meio desse poder. A cura, a redenção e a salvação não estão na matéria. O poder da Mente é o Messias e a salvação depende da demonstração de Deus como a Mente do homem. O Cristo, a Verdade, precisa ser vivido e praticado, e não ser tratado de forma teórica.

Não existe nenhuma libertação do sentido material enquanto pensamos que somos objetos frágeis e finitos vivendo em um mundo grande e estranho, crença essa carregada de medo e desespero. Um dos fatos fundamentais da Ciência da Alma é que a Mente, ou Princípio, não está em sua ideia, mas a ideia está sempre na Mente e a Mente é o uno e único Ego. Consequentemente, o homem espiritual individual não é um ego finito, separado, como o sentido pessoal pretende nos fazer crer. O homem existe para glorificar a Deus e reflete ou expressa a individualidade eterna e infinita, ou Mente, que inclui em si mesma cada uma das expressões de Deus, desde a menor até a maior delas.

O sentido físico é mesmerismo grosseiro. Os sentidos físicos são diametralmente opostos à verdade espiritual. Eles não reconhecem a totalidade da Mente e, consequentemente, não compreendem a natureza subjetiva do ser. O sentido físico diz que você é uma pessoa cercada por outras pessoas que dominam e controlam sua vida; que você vive como uma ínfima partícula em um imenso mundo fora de si mesmo, um mundo de forças e circunstâncias que você não compreende e sobre as quais você não tem nenhum controle. Não podemos encaixar a Ciência Cristã dentro desse padrão ou demonstrar seu Princípio infalível a partir dessa base.

A Ciência Cristã revela a totalidade da Mente. Ela nos mostra que as coisas não são o que parecem ser; que a pessoa que está bloqueando nosso progresso, a circunstância que está destruindo nossa saúde, a frustração que está roubando nossa alegria, são sugestões mentais agressivas, não condições físicas; são sugestões agressivas que argumentam que Deus não é Tudo e que existe algo além dEle.

Não importa sob que forma o erro possa se apresentar, por meio da Ciência Cristã podemos rejeitá-lo por ser irreal e ilegítimo. Podemos descartá-lo por ser uma sugestão que não pode nos tentar, porque Deus, a Mente do homem, não o conhece. A ideia de Deus, o homem, é tão incapaz de vivenciar discórdia, pecado ou limitação como Deus mesmo o é. Cristo Jesus, nosso Guia e Mestre, provou isso para a salvação de toda a humanidade.

O Cristo é a presença do poder de Deus e o poder da presença de Deus. O Cristo nunca está estático. A manifestação da presença de Deus em ação, o Cristo, nunca cessa. Nunca está congestionada; nunca confusa, obscurecida, obstruída; nem jamais pode ser invertida. Nunca chega ao fim, nunca trabalha demais, nunca vacila, nunca para. Portanto, o ser nunca envelhece; nunca se desgasta; a inteligência nunca descamba para a senilidade e a doença; o Amor nunca se transforma em ódio; a Vida nunca termina em morte. O Cristo, o poder e a ação divinos de Deus, está presente em todas as circunstâncias, em todos os momentos, em todas as condições. O Cristo é a lei para todas as situações.

Jesus demonstrou o Cristo como a identidade espiritual do homem. A Sra. Eddy diz: “Jesus era o mais alto conceito humano do homem perfeito” (Ciência e Saúde, p. 482). Ele era o conceito humano mais elevado do Cristo. Só temos de estudar cuidadosamente o capítulo intitulado “Glossário” no livro-texto para compreender que os personagens bíblicos ali definidos são todos conceitos humanos do homem, a ideia divina.

Por exemplo, Abraão exemplifica o atributo do Cristo de fidelidade; Aser, esperança e fé. Dã apresenta um conceito invertido de homem, o qual é magnetismo animal e não tem em si nenhum elemento do Cristo. Jesus é o conceito humano mais verdadeiro e mais elevado, o único que, mais do que todos os outros, apresenta o Cristo.

Assim, você e eu, como pessoas, e todas as pessoas que formam nosso universo, os amigos, a família, os membros da igreja, os ditadores do mundo e outros, são conceitos humanos do homem real, o Cristo, conceitos desenvolvidos pela assim chamada mente humana. À medida que, por meio da Ciência do Cristo, a mente humana vai cedendo à Mente divina, o conceito humano vai melhorando, até que finalmente desaparece no resplendor da semelhança de Deus. A individualidade e a identidade do homem, por serem inteiramente espirituais, existem separadas da materialidade e estão sempre intactas e completas.

A crença mortal diz que cada pessoa é o resultado de uma longa, longa linhagem de ancestrais humanos e que nessa pessoa estão sintetizados os traços e fragilidades de gerações de antepassados. Mas, a Ciência Cristã, por meio de sua revelação do Cristo, capacita-nos a mudar a sentença mesmérica do sentido pessoal, a banir a servidão à hereditariedade e a reivindicar a realidade e a realeza do nosso ser no Espírito.

Jesus se identificava constantemente como o Cristo, o Filho de Deus. Ele reconhecia a Deus como seu Pai e repudiava os laços da carne. Nele foi quebrado o mesmerismo da geração sensual. Jesus nunca se afastou da divindade de sua origem. Ele demonstrou a Ciência da criação. Seu senso sobre si mesmo era inteiramente espiritual. Ele se referia a si mesmo como tendo descido do céu, embora estando no céu (ver João 3:13), e ele se submeteu, de acordo com os sentidos materiais, à crucificação para provar para a humanidade que a Vida é eterna e é a maneira de escapar da morte. Em pé, diante de Pilatos, em seu momento supremo de escárnio e provação, Jesus disse: “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada” (João 19:11). Ao reivindicar a divindade de sua origem, ele demonstrou a divindade de seu destino.

Em uma passagem de sublime promessa, a Sra. Eddy escreve: “A Maria de outrora chorou porque olhou para baixo, para dentro do sepulcro — buscando a pessoa, em vez de buscar o Princípio que revela o Cristo. A Maria de hoje levanta o olhar em busca do Cristo, não aquele supostamente crucificado, mas o Cristo ascendido, a Verdade que ‘sara todas as tuas enfermidades’ e dá domínio sobre toda a terra” (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Vários Escritos], p. 119).

Foi o Cristo, a ideia espiritual, que apareceu à consciência humana como o homem Jesus. É o Cristo que aparece à consciência humana hoje como Ciência. Se quisermos encontrar nossa individualidade e identidade e a individualidade e identidade dos nossos entes queridos, não devemos nos inclinar e olhar para dentro do sepulcro do sentido pessoal. Devemos elevar o olhar e deixar que a Ciência revele a natureza espiritual do homem e do universo.

Tudo o que já existiu é Deus e Seu Cristo, Deus e Sua ideia. Em realidade, nunca existiu nenhum conceito humano, pois a mente humana jamais projetou algo que fosse real. A Ciência Cristã nos capacita a inverter o testemunho do sentido material em todos os pontos e nos liberta da servidão à materialidade.

A crucificação, a ressurreição e a ascensão, o nascimento, a morte e tudo o que parece acontecer entre esses pontos pertencem ao conceito humano. O Cristo não ressuscitou, nem jamais ascendeu. Ele existe como a eterna presença e habita na Mente de Deus. O Cristo está eternamente no ponto de vista da perfeição.

A consciência nunca está em uma cruz ou em uma tumba, nem a consciência espiritual inclui uma cruz ou uma tumba. A existência consciente da Mente é tão incapaz de ser prejudicada como o é o amanhecer. Ela inclui para sempre somente as coisas de Deus, da Vida eterna e do Amor perpétuo. O triunfo de Jesus sobre a morte nos mostra nossa imortalidade presente.

Ao longo de todo o seu ministério, Jesus demonstrou a coexistência de Deus e do homem. Sua certeza da imortalidade do Cristo incluía sua certeza da pré-existência do Cristo. Ele sabia que seria impossível para a Vida alguma vez ter tido um começo. Tivesse a Vida alguma vez começado, ela teria de terminar. A continuidade da existência e da identidade nunca é interrompida pelo nascimento ou morte, assim como a existência e a identidade jamais passam pelas vicissitudes da assim chamada vida material.

Jesus compreendia isso. Ele compreendia que a Vida e o ser estão acima e além de todo senso finito de existência. Ele sabia que cada manifestação da Vida evidencia o único Ego se expressando a si mesmo, e que é atemporal, sem idade, imortal, eterno. Ele demonstrou a Vida na plenitude de sua glória. Ele sabia que o único Espírito, ou Alma, inclui a beleza e a variedade de forma, contorno e cor de tudo o que o Espírito, a Alma, reflete, e inclui o Cristo em sua glória e resplendor plenos.

Por meio da autopurificação e crescimento espiritual, devemos demonstrar o Cristo como fez o Mestre. Devemos conseguir dizer com Paulo (2 Coríntios 5:16): “Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo”. No esplendor da atividade de Deus que se revela a si mesma, e que é Ciência, demonstramos o Cristo como a presença do poder de Deus e o poder da presença de Deus, e, assim, o homem, na semelhança de Deus, resplandece.

 

Fonte: DO Arauto da Ciência Cristã  de 16 de Setembro de 2013.  Publicado originalmente na edição de dezembro de 1957 de The Christian Science Journal

Autor:  Miss L. Ivimy Gwalter, C.S.B. nasceu em   Nova York, recebeu  parte de sua educação em Genebra,  Suíça.  Retornando   aos Estados Unidos,  estudou música no Instituto de Arte Musical, em Nova York, onde se  formou.  Em seguida, dedicou-se ao estudo da Ciência Cristã, tornando-se posteriormente  praticista e professora desta Ciência. Serviu a Primeira Igreja de Cristo Cientista, em Boston, Mass, EUA,  no  Conselho de Diretores da Ciência Cristã, ao suceder  a Sra. Nelvia Ritchie, em 1948. Foi editora associada do The Christian Science Journal, Christian Science Sentinel e  O Arauto da Ciência Cristã,  da   Sociedade Editora da Ciência Cristã, para os quais  escreveu artigos e editoriais, de 1900 a 1979. 

 

Indice de artigos de  L. Ivimy Gwalter, C.S.B.:

Title

Journal

Sentinel

Christian Science in Dentistry (Testimony, as Ivy Gwalter)

 

August 16, 1900

The Church of Christ, Scientist

April 1923

 

(Introducing John J. Flinn, a Christian Science lecturer)

 

June 9, 1923

Demonstration

May 1924

 

(Introducing William W. Porter, a Christian Science lecturer)

 

November 21, 1925

Discipleship

December 1926

 

Spiritual Healing

 

February 16, 1929

Right Practice

August 1932

 

Church Membership

May 1935

 

Supply as Spiritual Reflection

 

August 15, 1936

Our Present Heritage of Life

 

July 31, 1937

The Moral and Spiritual Demands of Healing

 

October 29, 1938

Sonship with God

February 1940

 

Reflection

 

December 7, 1940

Identity

June 1942

 

The Lens of Gratitude

January 1944

 

Safety

 

February 10, 1945

There is but One Ego

January 1947

 

Prove All Things

June 1947

 

Willingness (Editorial)

 

June 7, 1947

Hear and Obey (Editorial)

 

June 21, 1947

"O man greatly beloved" (Editorial)

 

June 28, 1947

The Scientific Starting Point (Editorial)

July 1947

 

The Significance of "Let" (Editorial)

 

July 12, 1947

Happy Vacation! (Editorial)

 

July 19, 1947

Reason Illumined by Science (Editorial)

August 1947

 

Our God-given Sufficiency (Editorial)

 

August 2, 1947

The Fearlessness of Being (Editorial)

 

August 9, 1947

Practice versus Malpractice (Editorial)

 

August 23, 1947

There Are No Fetters of Time (Editorial)

 

August 30, 1947

The Resplendency of Mind (Editorial)

September 1947

 

Heredity Uprooted (Editorial)

 

September 13, 1947

Keep the Vision! (Editorial)

 

September 20, 1947

"The Pattern Shewed to Thee in the Mount" (Editorial)

October 1947

 

"The Teeming Universe of Mind" (Editorial)

 

October 4, 1947

The Destroying of the Yoke (Editorial)

 

October 11, 1947

Awake to the Truth of Being! (Editorial)

 

October 25, 1947

"Love's Divine Adventure" (Editorial)

November 1947

 

The Scientific Standard (Editorial)

 

November 1, 1947

The Truth About Environment (Editorial)

 

November 15, 1947

Perpetual Thanksgiving (Editorial)

 

November 22, 1947

Christmas — Its Eternal Significance (Editorial)

December 1947

 

What Shall I Give? (Editorial)

 

December 6, 1947

Refuse the Evil and Choose the Good (Editorial)

 

December 13, 1947

Gain, Not Loss (Editorial)

 

December 27, 1947

"Immortal Memory" (Editorial)

January 1948

 

Our Annual Church Meetings (Editorial)

 

January 3, 1948

The Royalty of Being (Editorial)

 

January 17, 1948

Peace of Mind (Editorial)

 

January 24, 1948

Demonstration, The Seal of Discipleship (Editorial)

February 1948

 

Feeling Soul's Loveliness (Editorial)

 

February 7, 1948

"A Bountiful Eye" (Editorial)

 

February 14, 1948

"Thine Health Shall Spring Forth Speedily" (Editorial)

 

February 28, 1948

Mary Baker Eddy, Discoverer and Founder (Editorial)

March 1948

 

Truth Removes All Scars (Editorial)

 

March 6, 1948

The New Name (Editorial)

 

March 20, 1948

Neither Coming, Nor Going (Editorial)

 

March 27, 1948

The Ever-Present Realm of Reality (Editorial)

April 1948

 

Serving with Gladness (Editorial)

 

April 10, 1948

One Language (Editorial)

 

April 17, 1948

The Truth of Being versus the Dream (Editorial)

May 1948

 

Today (Editorial)

 

May 1, 1948

Spiritual Self-Completeness (Editorial)

 

May 8, 1948

"The Stability of Thy Times" (Editorial)

 

May 22, 1948

Rest Through Regeneration (Editorial)

 

May 29, 1948

Fulfilling Our Duty (Editorial)

June 1948

 

The Will of God (Editorial)

 

June 12, 1948

The Irreversible Blessing of Love (Editorial)

 

June 19, 1948

The Writings of Our Leader (Editorial)

July 1948

 

The Heritage of Freedom (Editorial)

 

July 3, 1948

The Beneficence of Grace

 

November 27, 1948

The Brotherhood of Man

April 1949

 

Action Derives from God

 

November 5, 1949

Newness of Life

 

April 8, 1950

Feeling Love's Compassionate Touch

 

December 30, 1950

The Validity of The Mother Church Manual

October 1951

 

"The Infinite Penetration of Truth"

 

May 31, 1952

True Health

July 1953

 

"Thou Shalt Love They Neighbour as Thyself"

March 1954

 

The Symphony of Soul

April 1955

 

Target Out of Range

 

October 13, 1955

Love: "What a Word!"

April 1956

 

"The Reign of Divine Truth, Life, and Love"

 

January 5, 1957

The Activity of the Christ

December 1957

 

The Great River, The River Euphrates

 

February 8, 1958

The Promised Comforter

December 1958

 

A Law to Oneself

 

September 19, 1959

Coincidence of the Human and Divine

February 1960

 

Fulfillment, Not Blight

 

November 5, 1960

The Advent of the Holy Ghost

January 1961

 

Our Pastor Emeritus

 

May 20, 1961

"Seeming and Being"

February 1962

 

The Radiance of the Risen Day

 

December 22, 1962

The Presence of God's Power

April 1963

 

"The Evergreen of Soul"

 

October 19, 1963

"Practical, Operative Christian Science"

March 1964

 

"All nations shall flow unto it"

 

December 5, 1964

"The Song of Christian Science"

February 1965

 

Claiming Our Sonship with God

December 1965

 

Mary Baker Eddy: Her Prophecies

December 1966

 

Destroying the Goliaths of Evil

 

March 4, 1967

Whom Servest Thou? 

August 1967

 

Who Is My Neighbor?

 

November 18, 1967

A Friend Forever

 

July 13, 1968

The Might of God's Spiritual Government

October 1968

 

(Address by Incoming President)

July 1969

 

The Vine of God's Planting

July 1969

 

Spiritual Self-discipline — Security from Sin

April 1970

 

What It Means to Be a Christian Scientist

June 1970

 

The Mission of the Monitor

 

February 20, 1971

What It Does

July 1971

 

New Energy

November 1971

 

Individuality and Identity

 

May 13, 1972

"The 'male and female' of God's creating"

January 1973

 

Currents That Mold Our Lives

August 1973

 

Do You Know Who You Are?

January 1974

 

"The strong cords of scientific demonstration"

June 1974

 

Spiritualizing Thought: A Call to Action

 

July 27, 1974

A Look at Class Instruction

March 1975

 

In God's Hand

January 1976

 

Church, a Living Power

August 1976

 

Progress Through Revelation

August 1977

 

Your heritage of measureless good

September 1978

 

In the glow of the revelation

May 1979

 

The substance of Christian Science nursing

November 1979

 

 

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domingo, 16 de agosto de 2015

NÃO ESTAMOS EM UMA CRISE ECONÔMICA, MAS NO REINO DE DEUS

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Não estamos em uma crise econômica,

mas no reino de Deus

Kari Mashos

 

Podemos achar que nossas perspectivas sejam definidas pelas circunstâncias, tais como o mercado de trabalho ou certas situações políticas e econômicas. Podemos até nos convencer de que são essas condições que limitam nossas possibilidades. Nosso dia a dia pode parecer estar confinado dentro do próprio ponto de vista que tanto nós, como os outros, temos sobre o estado atual das coisas. Poderia até parecer impossível se libertar desses conceitos restritivos sobre a vida, não fosse pelo Cristo.

O Cristo, a ideia spiritual de Deus, desperta-nos para a realidade de que Deus está aqui, agora e sempre. O Cristo nos revela que, como filhos de Deus, nossa verdadeira natureza e nosso meio ambiente incluem bondade, saúde, honestidade, estabilidade e justiça ilimitadas, todas as qualidades divinas do ser.

bebe1 - Cópia

A mensagem do Cristo é que o reino de Deus está dentro de nós, como Cristo Jesus ensinou e comprovou. Esse reino permanece eternamente. A oração que Cristo Jesus deu ao mundo inteiro, conhecida como a Oração do Senhor, declara: “Venha o Teu reino” (Mateus 6:10). Essa oração é um reconhecimento ativo da eterna presença e do poder de Deus. Ela faz uma clara distinção entre a crença de vida como governada pelo acaso e pelas circunstâncias, e a compreensão cristãmente científica de que verdadeiramente vivemos dentro da perfeição de Deus, o Espírito.

Crer que vivemos fora da Vida divina é uma tentação mental já demonstrada e comprovada como sendo uma mentira. A Vida é a Mente divina, o único Criador e a única causa da existência. A compreensão de que existe uma única Mente, Deus, sempre abençoou e continua a abençoar a humanidade. Essa exigência iluminada na consciência humana está expressa no Primeiro Mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3).

A compreensão de que existe uma única Mente, Deus, sempre abençoou e continua a abençoar a humanidade.

Quando os israelitas obedeceram a essa instrução, eles vivenciaram saúde, paz, segurança, suprimento e orientação. Como? Eles afastaram a crença de que havia outros poderes e confiaram em Deus. Eles aprenderam que o Espírito divino é supremo em poder. Por meio dessas experiências, descobriram que eles na verdade viviam no reino de Deus, sob Sua orientação e cuidado.

Como o Salmista o coloca: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Salmos 139:7-10).

Hoje é igualmente importante resistir à tentação de acreditar em outro poder ou em um lugar separado, ou próximo, a Deus, que é o Princípio divino do ser. Por exemplo, se acreditarmos que vivemos em uma crise econômica e que podemos estar ligados à ambição e à corrupção de políticos ou da sociedade, então estaremos acreditando em outro poder ou em um lugar separado de Deus.

Talvez imaginemos que os pecados dos outros estão fazendo com que a maioria, incluindo os inocentes, sofra e que não há nada que possamos fazer para nos livrar dessas consequências.

Mas, se soubermos que vivemos sob o governo do Princípio divino, então poderemos começar a nos livrar das consequências e dos sofrimentos provenientes de crer que estamos sob o controle do mal, inclusive de uma crise pessoal ou econômica.

Como Seus filhos, Seus reflexos, vivemos na Mente e sob o governo da inteligência divina. Cada um de nós está sempre ligado ao bem infinito e não pode estar sujeito a maquinações políticas ou pessoais. Em Deus nos encontramos permanentemente livres da injustiça, ignorância, ódio, incompetência e corrupção. Dentro de Seu governo justo, todos possuem a liberdade para expressar motivos e ações corretos e mutuamente úteis. A lei do bem, a qual abrange tudo, está dentro de nós e não aceitamos nada menos para nós mesmos e para os outros.

Há muitos anos, eu sentia que uma pessoa dominava de tal modo a vida que sufocava meu progresso e minha felicidade. Essa pessoa tentava por todos os meios impedir que eu progredisse em minha vida, em minha carreira e, até mesmo, em minha liberdade de expressar alegria. Ela exigia que eu visse a vida como ela a via, ou seja, miserável, instável e financeiramente limitada. Mas, por meio da Ciência Cristã, estava aprendendo sobre o reino de Deus no qual todos vivemos.

Apóstolo Paulo declarou: “nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (Atos 17:28). Compreendi que onde o Espírito divino está só há espaço para as qualidades do Espírito, ou seja, o bem, a paz, a liberdade de expressão, o progresso e a alegria ilimitados. Rejeitei a tentação de me moldar à visão distorcida de uma vida fora do reino de Deus. Concluí que eu vivia, me movia e era nutrida e guiada perfeitamente dentro do reino, sob o governo de Deus e suas leis da Vida e do Amor divinos. Consegui levar minha vida adiante e, o mais interessante, é que essa pessoa também encontrou mais liberdade e alegria em sua vida.

A exigência perpétua, eterna e todo-poderosa de Deus para Seu reino é: “paz na terra entre os homens (Lucas 2:14). Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, compreendeu que a humanidade pode se libertar do mal somente por meio do governo de Deus. Ela escreveu: "Certos elementos da natureza humana enfraqueceriam os direitos e as leis civis, sociais e religiosas das nações e dos povos, atacando a liberdade, os direitos do homem e o autogoverno, e isso alegando também que o fazem em nome de Deus, da justiça e do humanismo! ...nossa esperança está ancorada em Deus que reina e no fato de que a justiça e o juízo são a habitação de Seu trono eternamente (Mary Baker Eddy, Message to The Mother Church for 1900 [Mensagem À Igreja Mãe para 1900], p. 10).

A Vida é Deus e dentro da Vida eterna não existe nenhum elemento destrutivo. Assim, a corrupção não é um elemento no reino de Deus e devemos estar alerta para não aceitá-la como uma parte “normal” de nossa vida.

O profeta Habacuque declarou que Deus é puro demais para contemplar a iniquidade (ver Habacuque 1:13). Deus é inteiramente bom e todo o seu reino O reflete. Deus mantém a ordem, a saúde e a justiça dentro de Seu reino. Portanto, a corrupção de qualquer espécie não tem nem forma nem meio que a sustente ou a perpetue.

Nossas mais profundas esperanças para o progresso, a paz e a saúde, individual e coletivamente, assentam no Princípio divino.

Temer ou ter fé no mal não é adorar somente a Deus. Precisamos rejeitar essa antiga sugestão mental agressiva de que exista outro poder além do bem supremo. Fazemos isso reconhecendo o que é verdadeiro acerca de Deus e Seu universo, inclusive o homem.

Cristo Jesus revelou a verdadeira natureza de Deus e do homem. Ele revelou o verdadeiro caráter do homem como semelhante a Deus e puro, uma vez que Deus é puro. A declaração de Jesus de que os puros de coração verão a Deus (ver Mateus 5:8) afirma o fato de que temos a habilidade, aqui e agora, de demonstrar que o homem é incorruptível por ser a semelhança de Deus. Jesus comprovou, por meio de suas obras de cura, o efeito da lei divina sobre o pensamento e a vida humanos, purificando, corrigindo e regenerando. Essa é a operação do Espírito Santo, a Ciência divina. É Deus governando o céu e a terra.

Todo o bem que Deus é e nos dá nunca nos pode ser tirado. Nada nem ninguém pode tirar ou roubar o bem de nós. A justiça, a misericórdia e a compaixão divinas, não a corrupção ou dominação política, governam dentro de nós. Ao refletirmos a lei divina, somos uma lei para nós mesmos. Nenhuma lei da Verdade e do Amor pode ser driblada pela vontade humana. A Sra. Eddy nos oferece uma clara razão para isso em sua declaração: “Não se pode renegar a justiça e a honestidade; sua vitalidade provém da Vida — calma, irresistível, eterna” (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Vários Escritos], p. 139). 

A oração é a ação do pensamento cedendo à Verdade e ao Amor, e tem um efeito sanador à medida que espiritualiza o pensamento. Ela nos mostra o reino de Deus dentro de nós e desperta o desejo de pensar e agir de acordo com o Cristo, nossa verdadeira natureza. No Cristo, a Verdade, não há espaço para o pecado de qualquer espécie. Como a Sra. Eddy escreve: “Tudo é Mente infinita e sua manifestação infinita, porque Deus é Tudo-em-tudo” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 468).

Por meio da oração, tudo aquilo que é errôneo em nosso pensamento dá lugar à santidade, à verdade, à sabedoria, à bondade e ao amor. Essa espiritualização do pensamento é Sua lei em ação, ajustando, eliminando ou acrescentando tudo o que for necessário para trazer equilíbrio e ordem tanto para nossa vida individual como para o corpo político.

Nossas mais profundas esperanças para o progresso, a paz e a saúde, individual e coletivamente, assentam no Princípio divino e são concretizadas dentro do sempre atuante, todo abrangente, benevolente e sábio governo de Deus.

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Autor: Kari Mashos é Praticista, Conferencista e Professora de Ciência Cristã. Ela divide seu tempo entre Cape Neddick, Maine, EUA e Atenas, Grécia.

Fonte: DO Arauto da Ciência Cristã - 15 de Julho de 2013. Publicado originalmente em grego, na edição on-line dO Arauto grego, e em inglês na edição de 24 de junho de 2013 do Christian Science Sentinel.

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domingo, 19 de julho de 2015

CURSO PRIMÁRIO DE CIÊNCIA CRISTÃ: "base firme para progredir na prática da cura"

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Curso Primário de Ciência Cristã: 

“base firme para progredir na prática da cura cristã”

 

 

Aproveitamos a oportunidade para publicar uma entrevista com Jean Stark Hebenstreit e Michael B. Thorneloe, que já foram professores no Conselho de Educação, estabelecido por Mary Baker Eddy. Esse Conselho oferece o Curso Normal, uma vez a cada três anos, formando professores de Ciência Cristã. O Sr. Thorneloe lecionou no curso de 1988, e a Sra. Hebenstreit nos cursos de 1985 e 1991.

Aqueles que concluem o Curso Normal ensinam o Curso Primário de Ciência Cristã, uma vez ao ano. Os alunos, de modo geral, verificam que fazer o Curso Primário de Ciência Cristã torna-se um marco em sua vida.

Os nomes dos professores podem ser encontrados na lista constante da parte final do The Christian Science Journal

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    Vitral do edifício original de A Igreja Mãe, A Primeira Igreja de Cristo Cientista, em Boston - EUA.

 

 

Segue-se a entrevista com a Sra. Hebenstreit e com o Sr. Thorneloe sobre o Curso Primário.

 

Muitas pessoas se perguntam: qual é o propósito do Curso Primário de Ciência Cristã?

Sr. Thorneloe: Cada aluno que faz o Curso Primário deveria alcançar uma compreensão melhor da pura Ciência do Cristo e de como pô-la em prática com maior eficácia. Isso significa despertar dentro do aluno a compreensão da natureza de Deus e do homem e da relação indestrutível que existe entre eles.

Sra. Hebenstreit: A Sra. Eddy, em sua obra The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, faz referência ao Curso Primário e ao “objetivo com que foi estabelecido; ou seja, a elucidação do Princípio e da regra da Ciência Cristã, mediante o significado mais elevado das Escrituras." 1 O Curso Primário ajuda o aluno a compreender o que é o ser verdadeiro e o que é que ele inclui; qual seu propósito; quais podem ser suas perspectivas; como ele pode ir para o laboratório das experiências diárias para provar essa Ciência do Cristo em sua própria vida e em sua habilidade para ajudar os outros. O curso está estruturado para realçar a compreensão do aluno em como usar essa Ciência dinâmica, como lidar de modo específico com o erro e exterminá-lo.

Sr. Thorneloe: Também é útil conhecer o propósito do aluno ao procurar o Curso Primário e por isso eu faço essa pergunta no formulário que cada candidato preenche, antes de fazer o curso. O aluno que está procurando crescer em compreensão espiritual, com o propósito de abençoar outros, está de coração aberto, pronto para progredir.

 

Como o professor se prepara para ensinar Ciência Cristã em classe?

Sra. Hebenstreit: Em sentido figurado, orando de joelhos! É preciso profundo estudo e oração para cumprir o que se espera, como a Sra. Eddy afirma, “transmitindo a Verdade, a Vida e o Amor, na proporção em que nós mesmos os refletimos, a todos os que estão ao alcance da atmosfera de nosso pensamento.” 2

Sr. Thorneloe: Cada classe necessita de preparação específica em espírito de oração. Isso inclui o reconhecimento de que os alunos “serão todos ensinados por Deus.” 3 Isso foi confirmado por nossa Líder, quando ela diz em Ciência e Saúde: “A intercomunicação se faz sempre de Deus para Sua idéia, o homem.” 4

A motivação de nosso Mestre para ensinar era o amor a Deus e ao homem. Os professores se esforçam para seguir seu exemplo. Trabalham com as idéias que nosso pastor, a Bíblia eCiência e Saúde, nos supre a respeito do ensino. Nosso Mestre, Cristo Jesus, e sua fiel seguidora, Mary Baker Eddy, são preeminentes no ensino do cristianismo e de suas leis de cura. Eles nos mostram como ensinar.

Sra. Hebenstreit: Visto que a lei e a ordem caracterizam o trabalho do curso, há a necessidade de uma apresentação sistemática e ordeira dos assuntos a serem tratados. Estes se encontram especificados no capítulo intitulado “Recapitulação”, em Ciência e Saúde. A própria Sra. Eddy se referiu a esse capítulo como seu livro de classe, logo, ele é um curso de instrução divinamente ditado para nós. A espontaneidade do Cristo é a base para a elucidação do Princípio e da regra da Ciência Cristã apresentada nesse capítulo.

Sr. Thorneloe: Isso é bem verdade, Jean. Todo professor revê detalhadamente a “Recapitulação” de Ciência e Saúde, nosso livro-texto. O capítulo começa com cinco perguntas pertinentes à natureza de Deus, incluindo as exigências da Ciência da Alma. Após “a exposição científica do ser”, ampliamos o ensino sobre esse tema, falando de substância, Vida, inteligência e Mente. Após a pergunta sobre doutrinas e credos, vemos que erro é aquilo que pretenderia inverter ou contestar “a exposição científica do ser”. A seguir, a classe examina várias perguntas sobre o homem, inclusive o que ele é e o que não é. Tudo isso é para nos mostrar como curar. Então chegamos à pergunta que explica como anular a crença em um poder separado de Deus, que denominamos magnetismo animal, e perguntas correlacionadas, sobre sentido material, crença e os cinco sentidos corpóreos.

Esse é o clímax que precede a resposta à pergunta: “A Senhora quer explicar o que é a doença e ensinar como deve ser curada?” É natural, então, que a classe se pergunte o que fazer a partir desse ponto. A Sra. Eddy trata disso, fazendo a pergunta seguinte e respondendo-a: “Como posso progredir mais rapidamente na compreensão da Ciência Cristã?” Finalmente, nos Artigos de Fé, há um resumo poderoso de tudo o que foi ensinado. (Ver Ciência e Saúde, pp. 465–497

 

02 Jarius’ Daughter (notice how this window resembles Christ Healing) on the Northern wall - Cópia

 

Que qualidades os professores procuram encontrar nos candidatos ao Curso?

Sra. Hebenstreit: Uma mente espiritualizada, receptividade, disposição para aprender, altruísmo, são as qualidades fundamentais. Um candidato que tenha captado o verdadeiro significado da missão de Cristo Jesus e deseja seguir em suas pegadas, servindo a Igreja de Cristo, Cientista, em apoio da maior Causa que o mundo já conheceu, está em condições de compreender a magnitude do que está contido no capítulo “Recapitulação”.

O sentido espiritual é que impele aquele que sinceramente busca a verdade, a procurar saber mais sobre essa Ciência, com objetivos mais elevados do que meramente alcançar uma situação um pouco mais confortável. É esse mesmo sentido espiritual que prepara o candidato para adotar a alegria do propósito do Mestre, mencionado no Evangelho de Lucas: “No meio de vós, eu sou como quem serve.”5 A recompensa por seguir nos passos do Mestre cristão é inigualável. E nossa Líder nos assegura que encontramos nosso próprio bem no bem que fazemos aos outros.

Sr. Thorneloe: Concordo. O desejo de curar e abençoar os outros é essencial. A Sra. Eddy também frisa a necessidade de se manter um alto padrão moral a fim de que cada um de nós seja apto a progredir. A flexibilidade de pensamento é também de importância vital. O candidato tem boa predisposição para aprender? O pensamento enrijecido não pode crescer; o pensamento flexível pode e vai crescer.

É sempre bom ter uma entrevista pessoal com os candidatos, quando possível. Se isso for inviável, o professor manterá correspondência com a pessoa interessada ou falará com ela por telefone.

Eu animo os candidatos a me relatarem o progresso espiritual que já fizeram e desejam fazer. Muitas vezes narram alguma experiência de cura que, para eles, teve significado e relevância especiais. É importante saber o que eles esperam do curso.

Sra. Hebenstreit: O preparo do candidato depende de quanto ele aceita a Ciência Cristã como sendo, nas palavras da Sra. Eddy, “a lei de Deus, a lei do bem, que interpreta e demonstra o Princípio divino e a regra da harmonia universal”;6 depende de ele viver ou não de acordo com os Artigos de Fé; confiar ou não exclusivamente em meios espirituais para a cura; e acatar Mary Baker Eddy como Descobridora, Fundadora e Líder, para sempre. Como Michael já mencionou, o candidato deve ter as qualidades morais e espirituais necessárias.

Sr. Thorneloe: Não é realmente importante há quanto tempo a pessoa esteja estudando a Ciência Cristã. Se o candidato estuda a Ciência Cristã, digamos, há vinte anos, são realmente vinte anos ou um ano vivido vinte vezes seguidas? O desejo genuíno de progredir é o que realmente importa.

No Manual de A Igreja Mãe, a Sra. Eddy se refere a “bons antecedentes”. 7 Acaso significa isso que, se eu tiver cometido graves erros no passado, não posso ser aceito para o Curso?

Sra. Hebenstreit: De modo nenhum. O relato bíblico da mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus fornece um bom exemplo de erros graves, de pecados vencidos pela reforma e pelo novo nascimento. Ela apagou o registro de erros passados.

O terceiro Artigo de Fé da Ciência Cristã é claro: “Reconhecemos que o perdão do pecado, por parte de Deus, consiste na destruição do pecado e compreensão espiritual que expulsa o mal por ser este irreal. A crença no pecado, contudo, será castigada enquanto ela perdurar.” 8 Abandonar a crença no pecado constitui, então, um bom antecedente de demonstração dessa Ciência exata. A reforma e a regeneração indicam tendências muito promissoras.

 

O que os candidatos podem fazer para se preparar para o Curso?

Sr. Thorneloe: A penúltima pergunta no capítulo “Recapitulação” é: “Como posso progredir mais rapidamente na compreensão da Ciência Cristã?” A primeira frase da resposta da Sra. Eddy é: “Estuda a fundo a letra e embebe-te do espírito.” 9

Ela deixa claro em seus escritos que os alunos precisam estudar um determinado trecho da “Recapitulação” antes da aula em que ele será discutido. Considerando que todo professor de Ciência Cristã usa esse capítulo como base para o curso, o estudo preparatório inclui obviamente esse capítulo de Ciência e Saúde. Embora os trechos indicados para estudo sejam sem dúvida individuais, eu sempre encorajo os candidatos a rever o capítulo “A Prática da Ciência Cristã”, bem como o Sermão do Monte e os Dez Mandamentos, na Bíblia.

A Lição-Sermão, da qual, nossa Líder afirma, “grandemente depende a prosperidade da Ciência Cristã”,10 também faz parte integrante da preparação, ajudando-nos a conhecer nosso pastor, a Bíblia e Ciência e Saúde.

 

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Por vezes, parece que muito poucos estão interessados em se candidatar ao Curso Primário. Como vencer essa sugestão?

Sr. Thorneloe: Cada idéia de Deus é completa, e Sua lei inviolável impele seu desdobramento. Nada pode obstruir aquilo que Deus ordenou. Podemos declarar essa verdade não só para nós mesmos, mas também para todo o corpo docente da Ciência Cristã.

Sra. Hebenstreit: A crença de falta de interesse no Curso Primário, tal como qualquer outra crença falsa, é um senso de limitação, que tem origem na tentativa do magnetismo animal de obstruir o movimento da Ciência Cristã. Na Bíblia está a pergunta: “Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo?”.11

Todos os professores escolheram esse jejum — soltar as ligaduras do torpor, da procrastinação, do desinteresse, da complacência — apoiando a lei divina de atração que governa a humanidade. A lei de Deus, “a adesão, a coesão e a atração”,12 é o antídoto para qualquer resistência do anticristo ao sistema de educação e comunicação divinamente designado e estabelecido pela Sra. Eddy. O professor precisa lidar metafisicamente com aquilo que a Sra. Eddy menciona, ao escrever sobre candidatos ao Curso Primário: “Os estudantes que estão prontos para dar esse passo devem acautelar-se contra a rede que é astuciosamente colocada e habilmente escondida para impedir seu progresso em tal direção.” 13

O aluno em perspectiva deve poder prosseguir naturalmente em direção a essa oportunidade ordenada por Deus para seu adiantamento espiritual, para seu enriquecimento e alegria.

Sr. Thorneloe: O Mestre conta a parábola dos convidados à festa de casamento. Cada um teve uma desculpa para não ir! Os professores podem reconhecer que não há poder que de alguma forma possa impedir a pessoa de estar em seu lugar certo, pois o homem é mantido pela Verdade no ponto da perfeição absoluta.

Dúvidas descabidas de parte do candidato sobre estar ou não preparado para o curso — “será que eu estou à altura?” — não podem interferir com o que é certo. Cada um pode cumprir sua tarefa ordenada por Deus.

Argumentos tais como falta de tempo disponível para o curso, ou falta de dinheiro para pagá-lo, nada mais são do que tentativas de desviar a atenção, e não têm autoridade para mudar o curso do pensamento e impedir o crescimento espiritual. “Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.” 14 Isso não é atributo pessoal do professor, mas é fato absoluto de que o Cristo atrai, e essa atração não pode ser anulada.

 

Por que o Curso Primário é importante?

Sr.Thorneloe: Porque em Ciência e Saúde nossa Líder afirma isso! Uma das vinte e quatro perguntas que a Sra. Eddy faz, na “Recapitulação”, é: “A Senhora quer explicar o que é a doença e ensinar como deve ser curada?”

Parte de sua resposta especifica: “Uma resposta completa à pergunta acima formulada implica ensino, o qual habilita aquele que cura a demonstrar e provar por si mesmo o Princípio e a regra da Ciência Cristã ou cura metafísica.” 15 A instrução do Curso Primário dá ao aluno uma base firme para progredir na prática da cura espiritual, ou seja, a cura cristã.

Sra. Hebenstreit: A Sra. Eddy nos conta que os dispositivos do Manual da Igreja são originários de um poder que não era o dela,16 assim, é por impulso divino que há a estipulação para o Curso Primário como meio accessível para o estudo de Deus e do homem.

O Curso Primário é divinamente autorizado para a iluminação, crescimento e avanço espirituais. Logo, jamais será em demasia afirmar sua importância para a salvação do indivíduo e de seu mundo.

Sr. Thorneloe: Nossa Líder tem um capítulo inteiro em Ciência e Saúde e dois artigos no Manual da Igreja, sob o título “O Ensino da Ciência Cristã”. Há também no Manual um segmento intitulado “Conselho de Educação”. Tudo isso mostra a grande importância que a Sra. Eddy dá ao Curso Primário. A instituição desse curso, inspirada por Deus, denota o amor de nossa Líder por nós e por nosso contínuo progresso espiritual.

 

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Será ingenuidade os alunos terem a expectativa de poder ajudar a outros, logo após terem recebido instrução em classe?

Sr. Thorneloe: De modo algum! Em biografias da Sra. Eddy, há exemplos de quando ela pediu a membros de suas classes para aceitarem um caso e curá-lo. E a maioria cumpria essa incumbência, retornando com relatos de curas espirituais claras. E isso acontecia mesmo antes do término do curso. Hoje em dia há candidatos que têm tido a oportunidade de ajudar a outros, tanto antes como durante o curso.

Sra. Hebenstreit: Certamente não é ingenuidade por parte dos alunos terem a expectativa de curar outros, tanto antes, como durante e após o Curso Primário. A instrução em classe, contudo, deveria capacitá-los a curar mais rapidamente, e educá-los em sua compreensão do domínio que eles têm sobre todos os aspectos ou sugestões do magnetismo animal.

Michael, como você sabe, o parágrafo final do capítulo “O Ensino da Ciência Cristã”, no livro-texto, tem este título marginal: “O motivo bom e sua recompensa”. A recompensa de uma maior habilidade de curar é a bênção que emana do Curso Primário.

Sr. Thorneloe: Você toda razão, Jean. Lembro-me de uma ocasião em que havia uma senhora de bastante idade em uma de minhas classes, que acalentava o desejo de ajudar os outros. Ela mostrou ser a aluna mais juvenil da classe! Em poucos meses, foi aceito seu pedido para anunciar-se no Journal como praticista e passou muitos anos praticando com sucesso a Ciência da cura cristã.

Sra. Hebenstreit: O professor ajuda o aluno a perceber, por meio do estudo da Bíblia e de Ciência e Saúde, que a prática da Ciência Cristã é para todos. Quando a pessoa percebe a alegria desse trabalho de cura, a prática pública se torna tão atraente, que não tem concorrência. O professor, por se dedicar ele mesmo à prática, pode transmitir o sentimento de satisfação que advém de se seguir os passos de Cristo Jesus.

Sr. Thorneloe: Nossa Líder tinha o anseio de que cada aluno pusesse em prática sua própria compreensão em benefício de outros. Afinal, somos um movimento de praticistas, não um movimento de pacientes!

Uma vez que Cristo é a luz da Alma, o poder manifesto da Verdade, podemos saber com certeza absoluta que não há poder que possa, de maneira alguma, impedir que a cura espiritual floreça no coração de cada um de nós.

Sra. Hebenstreit: Eu também sou da opinião de que cada um que recebeu a dádiva inigualável da Ciência Cristã está em posição de praticá-la na cura. O trabalho de cura não está restrito apenas àqueles que se anunciam no Journal.

As instruções contidas no livro-texto estão dirigidas a cada membro da raça humana. É uma alegria para aqueles que vislumbraram a natureza do cristianismo, conforme está definido na Ciência Cristã, começarem e continuarem a praticá-lo para si mesmos e para outros, e assim virem a conhecer as realidades do Espírito e da criação espiritual.

 

06 Jarius’ Daughter (notice how this window resembles Christ Healing) on the Northern wall - Cópia (4) - Cópia

 

Qual é a finalidade das reuniões anuais da associação?

Sr. Thorneloe: Elas constituem um elemento importante na educação espiritual contínua que nossa Líder previu para todos nós — Lições Bíblicas, Escola Dominical, Curso Primário, reuniões da associação, e assim por diante.

Sra. Hebenstreit: As reuniões da associação são como aulas de pós-graduação, um dia a mais de instrução com o objetivo de progredir, um dia de avanço sob a lei do progresso infinito.

Sr. Thorneloe: As reuniões da associação permitem-nos explorar um determinado assunto a fundo, dando-nos a oportunidade de enriquecimento espiritual, numa atmosfera rica em união familiar e oração.

Abre o pensamento para uma dedicação mais profunda à Igreja de nossa Líder e à prática. Uma aluna, numa carta de gratidão a seu professor, após a reunião da associação, disse que ao final da tarde não conseguia permanecer sentada, sentia um ímpeto muito grande de sair e começar a pôr em prática o que lhe fora ensinado.

Sra. Hebenstreit: A reunião anual da associação não é o que às vezes denominamos “curso de reciclagem”. O próprio aluno pode se manter atualizado. É, isso sim, uma caminhada para a frente, uma continuação do progresso.

Essas reuniões destinam-se a ensinar, inspirar, elevar, educar espiritualmente e promover o crescimento de cada um dos presentes. Elas propiciam nosso crescimento em amor, como se aprende na Ciência Cristã, e tal amor é superior a qualquer coisa que pretenda opor-se.

 

jesusdaughter (1)_This picture was placed in the third edition of Science and Health. - Cópia

       2ª edição de Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras

 

 

Quais são as responsabilidades dos professores de Ciência Cristã para com seus alunos?

Sra. Hebenstreit: A resposta está no Manual. Este diz: “O professor não deverá assumir o controle pessoal de seus alunos ou tentar dominá-los, mas deverá considerar-se moralmente obrigado a promover-lhes o progresso na compreensão do Princípio divino, não só durante o período do curso como também posteriormente, cuidando bem em que demonstrem ter sentimentos sadios e ser práticos na Ciência Cristã.” 17

A norma de que o professor não deve tentar controlar pessoalmente nem dominar seus alunos é realmente boa, tanto para o professor como para o aluno! A Sra. Eddy, porém, é taxativa em que os professores tenham um relacionamento contínuo com o aluno, estimulando-o e interessando-se por suas necessidades, e que estejam sempre prontos a ajudá-lo.

Sr. Thorneloe: É exatamente isso. A Sra. Eddy desejava que o interesse do professor pelo aluno se estendesse além dos doze dias do curso. É um interesse semelhante ao de um pastor, um cuidado amoroso que se regozija no crescimento espiritual de cada aluno. Quando consideramos nossa Líder como professora de Ciência Cristã, vemos sua demonstração do fato de a Mente divina ser a única mestra.

Ela entregava cada coração anelante aos braços do Amor divino. Ao mesmo tempo, ela era incansável no cuidado dispensado a seus próprios alunos. O relacionamento entre professor e aluno é algo singular, é deveras muito especial.

 

Sede fortes e corajosos:
não temais, nem vos atemorizeis,. . .
porque o Senhor vosso Deus
é quem vai convosco:
não vos deixará nem vos desamparará.

Deuteronômio 31:6

 

Citações: 1 Miscellany, p. 241. 2 Miscellaneous Writings, p. 12. 3 João 6:45.  4 Ciência e Saúde, p. 284. 5 Lucas 22:27. 6 Rudimentos da Ciência Divina, p. 1. 7 Manual, p. 83. 8 Ciência e Saúde, p. 497. 9 Ibidem, p. 495. 10 Manual, p. 31. 11 Isaías 58:6. 12 Ciência e Saúde, p. 124. 13 Miscellany, p.241. 14 João 12:32. 15 Ciência e Saúde, p. 493. 16 Ver Mis., p. 148. 17 Manual, p. 83.

Fonte: edição de junho de 1994 de “O Arauto da Ciência Cristã". © 2015 The Christian Science Publishing Society. Todos os direitos reservados.

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Mais informações:

- A prática da cura espiritual na ciência cristã

- O que é Ciência Cristã 

- O que é o tratamento pela Ciência Cristã

- The Mary Baker Eddy Library

- Mary Baker Eddy: uma breve biografia

- Professores de Ciência Cristã

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terça-feira, 16 de junho de 2015

O QUE É O TRATAMENTO PELA CIÊNCIA CRISTÃ

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O que é o tratamento pela Ciência Cristã?

 

Allison W. Phinney

 

Você sabe que os Cientistas Cristãos se apóiam na oração para curar. Mas você também já ouviu falar em tratamento pela Ciência Cristã* . E você quer saber qual é a diferença entre tratamento e oração.

Com efeito, esse tipo de tratamento é uma forma de oração baseada no fato de que Deus é o bem supremo e que Ele não cria doença nem erro. E estes não são sustentados por Sua lei. Um Cientista Cristão que esteja a "tratar" uma doença, por exemplo, esforça-se para reconhecer, com a maior amplidão de que for capaz, a totalidade da presença e bondade de Deus.

A oração assume diferentes formas, desde petição (pedindo simplesmente auxílio a Deus, por exemplo) até repetição de uma oração aprendida na infância. Mas o tratamento pela Ciência Cristã é a persistente aplicação das verdades espirituais a determinada situação, a fim de alcançar a cura.

De acordo com a Ciência Cristã, a doença, tal como qualquer outro tipo de discórdia humana, é, afinal, o resultado da ignorância, do medo ou do pecado da mente humana. A medicina mais eficaz não é, por isso, a receita de um medicamento ou qualquer outra forma refinada de matéria, mas sim a Mente divina e sua influência curativa.

Tal como os Cientistas Cristãos a encaram, essa compreensão de Deus como sendo infinito, sempre presente e absolutamente bondoso, é o meio que Cristo Jesus utilizava para curar. E assim como Paulo recomendou a todos os cristãos, o Cientista Cristão esforça-se por ter aquela Mente "que houve também em Cristo Jesus" 1.

 

Primeira Igreja de Cristo Cientista_Blumenau_SC_Brasil_Edéferreira Filho - Cópia

       1ª Igreja da Ciência Cristã de Blumenau, SC, Brasil

 

A teologia da Ciência Cristã realça a necessidade de profundo amor e genuíno viver cristão, a fim de tratar e curar por esse método científico cristão. Por isso, há que aprofundá-lo, não apenas notar que é uma forma diferente e, porventura, menos dispendiosa, de alternativa médica da "Nova Era". A pessoa que se dispuser a tratar com eficiência de acordo com a Ciência do Cristianismo, tem de enfrentar a entranhada resistência à totalidade de Deus, a Mente divina, que parece fazer parte da crença de ser o homem um mortal separado de Deus. Essa vitória não é alcançada sem esforço decidido, nem é ganha numa só batalha.

O que dá ao tratamento sua capacidade de curar, é o despertar para a compreensão de que Deus, Espírito ou Mente, é na realidade o bem todo-poderoso e o oposto a Deus não tem substância. O fato espiritual e científico é que Deus nunca criou coisa alguma que não fosse boa e que Ele mantém Seu amado filho, à Sua imagem, em integridade e perfeita saúde.

O tratamento da doença ou de qualquer outra discórdia implica ceder o pensamento àquilo que a Mente divina sabe e concede. A medicina do tratamento espiritual é a verdade inspirada do poder e da bondade sempre presente e absoluta de Deus, em medidas jamais esperadas ou imaginadas.

Enquanto a pessoa não tenha experimentado o efeito do tratamento pela Ciência Cristã, talvez lhe pareça difícil acreditar. Mas os testemunhos de curas, que aparecem mensalmente constantes neste periódico e o registro de curas, de mais de um século, a começar pelo último capítulo de cem páginas de testemunhos em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras de autoria de Mary Baker Eddy, intitulado "Frutos" e num capítulo semelhante do seu livro Miscellaneous Writings, são relatos feitos por pessoas serenas e responsáveis. A Sra. Eddy, que descobriu a Ciência Cristã, descreve sucintamente a base dessas curas, ao afirmar: "A Ciência descreve a moléstia como sendo erro, como matéria contra a Mente, e o reverso do erro como que favorecendo os fatos relativos à saúde." 2

 O tratamento é sempre uma forma de oração. No entanto, nem toda oração é tratamento. Durante um culto dominical ou reunião de testemunhos, por exemplo, posso orar pela congregação, mas não lhe dou tratamento. Também posso orar por um amigo hospitalizado e submetido a cuidados médicos, mas não o tratar.

O raciocínio subjacente é que, do tratamento pela Ciência Cristã, se espera que produza uma mudança benéfica no estado de pensamento do indivíduo, com o propósito de curar. Seu efeito sobre o paciente é poderoso e definitivo. Por isso, não pode ser ministrado sem o pedido e o conhecimento do indivíduo. Da mesma forma como você não utilizaria dois sistemas diferentes de psicologia ou de tratamento médico para o mesmo problema de uma só pessoa, porque interfeririam um com o outro, da mesma forma você não misturaria o tratamento pela Ciência Cristã com o da medicina. Pode ser que a intenção seja boa, mas o efeito final não seria benéfico.

Nos últimos cem anos acumularam-se evidências que demonstram o efeito das crenças das pessoas em seus corpos. Muitos estudos científicos objetivos, desde a porcentagem de curas após deslocação da retina 3 até ao efeito de placebo em funções estomacais 4 , para apenas mencionar duas em centenas, mostram que aquilo em que a mente humana acredita, tem muita importância.

A Ciência Cristã explica que não só é assim, mas que nem a matéria doente nem, por assim dizer, a matéria sadia, são, em si mesmas, verdadeira substância. Não passam de um prolongamento da crença e do pensamento humano. Por isso, mesmo quando a causa da doença é um vírus, um gene ou outro suposto mecanismo material, a fonte básica é o erro de crer que Deus, o Espírito, é menos do que Tudo. E a verdade curativa é que Deus é a grande e única causa real de nossa vida. Essa compreensão é a energia libertadora que constitui o âmago do tratamento pela Ciência Cristã.

 Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus.. . .
A glória do Senhor se manifestará,
e toda a carne a verá,
pois a boca do Senhor o disse.. . .
Os que esperam no Senhor renovam as suas forças,
sobem com asas como águias,
correm e não se cansam,
caminham e não se fatigam
.

Isaías 40:1, 5, 31

* Christian Science (kris'tiann sai'ennss - Ciência Cristã) 1 Filip. 2:5.  2 Ciência e Saúde, p. 319.  3 Ver Robert B. Reeves, Jr., "Healing and Salvation: Some Research and Its Implications", Union Theological Seminary Quarterly, Inverno de 1969, pp. 187-197.  4 Ver Richard M. Restak, M.D., The Mind (Toronto: Bantam Books, 1988), p. 160.

Fonte:  edição de Maio de 1990 de "O Arauto da Ciência Cristã".

Autor: Allison W. Phinney, Jr.,  desempenhou diversos funções na Primeira Igreja de Cristo Cientista, A Igreja Mãe, em Boston, EUA. Tornou-se  praticista, em 1978,   professor de Ciência Cristã, em 1982, escreveu para as publicações da Sociedade Editora, foi conferencista  e  faz parte do Conselho de Diretores da Ciência Cristã, além de ser o  Presidente do Conselho de Educação. Allison, ou Skip, como é conhecido pelos amigos e colegas, não é novo no Conselho de Educação, tendo ali trabalhado em vários cargos, ao longo dos anos, inclusive como Presidente em 1984 e 1985.

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sexta-feira, 10 de abril de 2015

O QUE É DE CÉSAR A CESAR... O QUE É MESMO DE CÉSAR? Mateus 22: 15-22

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O que é de César a César...
O que é mesmo de César?  

Mateus  22: 15-22

 

  Um plano bem armado: fazer Jesus cair na armadilha de suas próprias palavras! A cilada é introduzida por um elogio que é, ao mesmo tempo, reconhecimento de integridade: "Mestre, sabemos que és verdadeiro, que ensinas o caminho de Deus... que não consideras as pessoas pela aparência..." (v. 16). Depois do elogio, a pergunta: "É lícito ou não pagar o imposto a César?"

Em caso de resposta afirmativa, toda a pregação de Jesus cairia por terra diante do povo. A ocupação romana era o que havia de mais explorador, a transferência de impostos para Roma era elemento provocador de miséria e fome. Além disso, do ponto de vista religioso, pagar o imposto significava aceitar o culto ao imperador. Na própria moeda, podia-se ler: Tibério César, Filho do Divino Augusto. Por isso, os fariseus e a maioria do povo se opunham ao pagamento.

 

Por outro lado, se Jesus responde que não se deve pagar o tributo, é apanhado em atitude aberta de afronta ao império. Os próprios herodianos, favoráveis ao pagamento do tributo e a serviço dos romanos, ali estavam para o flagrante.

A resposta de Jesus desmascara qualquer religião fetichista e legitimadora do sistema, seja a divulgada pela propaganda imperialista, seja a alimentada pelas autoridades judaicas (no texto, representadas pelos fariseus). É possível que Jesus tenha tocado no coração do sistema religioso romano: o lucro proveniente da cobrança do tributo imposta às províncias conquistadas por Roma. Ao questionar o caráter divino do imperador, todo culto a ele prestado (leia-se: submissão, oferenda e pagamento do tributo) está deslegitimado.

Mas também está desautorizada e ridicularizada a prática de boa parte das lideranças judaicas, que mantinham duplo comportamento. Desejavam a expulsão dos dominadores, ao mesmo tempo em que reproduziam a dominação ou usufruíam das benesses propiciadas pela ocupação, incluindo o sistema de cobrança do tributo: ainda que a maior parte dos impostos fosse repassada a Roma, as elites alimentavam seu luxo com o que retinham do montante arrecadado pelos malvistos cobradores de impostos. Se, por um lado, as autoridades judaicas negavam-se a oferecer incenso ao divino César, por outro, eram beneficiadas com tal divinização.  

 

Pagar ou devolver?

O texto de Mateus, seguindo a versão de Marcos (Mc 12,13), coloca juntos fariseus e herodianos. A narrativa de Lucas opta por classificá-los: "espiões que se fingiam de justos" (cf Lc 20,20). O interessante é que enquanto os falsos justos perguntam se é lícito ou não "pagar" (em grego, é o verbodídomi) o tributo a César, Jesus responde com outra concepção de justiça: usa o mesmo verbo, mas acrescentando um prefixo (apo) que dá uma ênfase diferente: não se trata de pagar, mas de devolver, como pode ser traduzido o termo apodídomi.

Se na moeda está a imagem (literalmente a epígrafe) do seu proprietário, o dinheiro pertence ao opressor romano e é preciso devolver a ele. Como gosta de afirmar Gustavo Gutierrez, "se na pergunta dos fariseus está implícita a possibilidade de não pagar o tributo, também está a de ficar, nesse caso, com o dinheiro". Jesus supera o pretenso nacionalismo dos fariseus, vai à raiz: "é preciso erradicar toda dependência do dinheiro. Não basta romper com o domínio político estrangeiro, é necessário romper a opressão que nasce do apego ao dinheiro e de suas possibilidades de exploração dos demais" (O Deus da vida. São Paulo: Loyola, 1990. p. 87-88).

Fazendo uso do imperativo, a comunidade de Mateus mantém enfática a resposta de Jesus: devolvam ao imperador o que lhe é devido; e, da mesma forma, a Deus o que é de Deus! No Sermão da Montanha, a comunidade já havia lembrado: Não se pode servir a dois senhores, não há como servir a Deus e ao dinheiro (Mateus 6,24). O culto a Deus não se coaduna com o culto a Mamon, aqui representado pelo sistema do império romano.   

 

Mas o que é mesmo de César? E o que é de Deus?

Neste "a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" ainda cabe a pergunta: o que mais é de César e o que é de Deus?

Em terra ocupada, toda a população sabia que além do denário, também era de César o procurador da Judéia, nomeado pelo próprio imperador. Eram de César os exércitos invasores. "A César o que é de César" inclui, portanto, todo o anseio de libertação.

O clássico texto de Marcos 5,1-20 já tinha descrito, através da imagem dos porcos lançando-se ao mar, o mesmo desejo: a legião (termo militar para designar uma corporação de soldados) volta pelo caminho de onde veio, o mar (pelo Mediterrâneo chegavam os exércitos de Cesar). Da mesma forma que no Êxodo o mar havia engolido os cavalos do faraó e a opressão do Egito foi vencida, a comunidade espera que os porcos do império sejam devolvidos ao mar. É o que pode também ser lido no "Devolvam a César o que é de César".

Em contrapartida, o que mesmo é de Deus? Conforme Levítico 25,23, a terra pertence a Deus, o povo é nela hóspede. Logo, não pode a terra ser tomada por outra divindade, o império romano. O povo, em última instância, é o "povo de Deus", com ele Deus fez aliança (Josué 24). A liberdade do povo é dom de Deus!

 

Cumprir a sugestão de Jesus pode nos trazer riscos

Há que se repetir que o processo de divinização de Jesus feito pelas comunidades é implícita (ou até mesmo explícita) oposição à divinização do imperador. Isso nos permite afirmar que o movimento de Jesus, ou pelo menos a leitura que dele se fez na segunda metade do primeiro século, traz em si forte reação antiimperialista. E se reconhecemos que a teologia imperial romana era, de fato, o centro ideológico do poder imperial, seu coração teológico, devemos admitir também que a comunidade cristã entendeu que proclamar Jesus Cristo como filho de Deus significava deliberadamente negar a César o seu mais alto título.

Consequências viriam... Não por menos, tantas lideranças tiveram a mesma sorte de Jesus, A essa altura, só restaria mesmo a um camponês de periferia, já considerado blasfemo pelas autoridades religiosas de seu povo (Marcos 14,60-64), ser condenado como malfeitor (Lucas 23,33-34). Como o próprio Jesus, as comunidades experimentariam que não é simples "devolver a César o que é de César". O império não costuma aceitar.

Fonte: Edmilson Schinelo

 

Nota: Este blog tem publicado, além de artigos de Ciência Cristã, escritos de pessoas situadas em diferentes religiões, que ao desafiarem sua inteligência, sem medo de ousar, procuram buscar a verdadeira essência dos ensinamentos dos textos da Bíblia. Apontando com suas produções, de algum modo, para alguns aspectos ou características da teologia da Ciência Cristã.

Desta maneira, mantendo diálogo inter-religioso, participamos da elevação do pensamento do leitor a consciência de princípios universais, básicos para o cristianismo, importantes para o progresso da humanidade.

 

"A familiaridade com os textos originais e a disposição de abandonar as crenças humanas (estabelecidas por hierarquias e instigadas às vezes pelas piores paixões dos homens), abrem o caminho para que a Ciência Cristã seja compreendida, e fazem da Bíblia o mapa náutico da vida, no qual estão assinaladas as boias e as correntezas curativas da Verdade."  Mary Baker Eddy

 

ATENÇÃO:   O que é de César a César... O que é mesmo de César?  não representa necessariamente o pensamento do Movimento da Ciência Cristã (A Igreja Mãe em Boston ou qualquer de suas filiais, sociedades ou grupos informais de estudos, existentes em diferentes países do mundo), foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia no contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico, como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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sexta-feira, 3 de abril de 2015

QUEM NÃO CRE JÁ ESTÁ CONDENADO. CONDENADO A QUÊ?

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Comentário sobre relato bíblico:
 
 
Quem não crer já está condenado.
Condenado a quê?

João 3.14-21:

 

 

 O texto do evangelho [de João  3:14-21] traz uma bonita e ao mesmo tempo controversa frase: Deus amou o mundo de tal maneira que entregou seu Filho único para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3,16). Tamanho foi o amor de Deus que nos deu seu único filho! Mas por que o mesmo Deus que proibiu o sacrifício de Isaac (Gn 22) entregaria seu próprio filho? Queria o pai que seu Filho fosse morto por nós? Se não queria, por que permitiu isso? Era necessário que o Filho do Homem fosse levantado no madeiro (Jo 3,14)?

Sabemos que o quarto evangelho teve sua redação já no final do primeiro século, momento em que muita gente vinha entregando a vida pela causa do Evangelho, no serviço aos pobres, na partilha dos bens e até mesmo no enfrentamento  com o Império Romano, por meio do martírio. Por outro lado, não era pequeno o grupo que contestava essa postura: para seguir Jesus bastava buscar a "iluminação", abrir-se ao conhecimento, à gnose. Para quem assim pensava, o logos era luz a ser atingida pelo esforço do intelecto, não pela prática concreta. Corrigindo esta distorção, o quarto evangelho afirma já em seu prólogo: o verbo, a luz verdadeira, fez-se carne, gente de fato, viveu acampado no nosso meio! (Jo 1, 9.14).

Jesus e Nicodemos  

 

Procurando Jesus às escondidas

De acordo com as narrativas joaninas, havia um grupo de pessoas simpáticas ao projeto de Jesus, mas com dificuldades de assumir publicamente essa postura. Tais pessoas sempre procuravam Jesus às escondidas (Jo 3,2) e por isso a tradição os apelidou de cripto-cristãos.

Nicodemos fazia parte desse grupo. Foi modelo para muitos que, à época da redação do evangelho, não podiam ou não queriam assumir publicamente sua fé em Jesus. Pessoa influente entre os judeus, Nicodemos era fariseu e membro do Sinédrio (Jo 3,1). Mais tarde, até tentou evitar a condenação de Jesus (7,50). Na versão do quarto evangelho, também foi ele quem trouxe os perfumes para a preparação do corpo do Mestre (19,39). Mas teve dificuldades de assumir publicamente seu compromisso com o Reino.

Jesus já havia dito a Nicodemos que era preciso "nascer do alto" (Jo 3,3). Num jogo de palavras, era como "nascer de novo". Nicodemos não entendeu que Jesus esperava um renascer da água e do Espírito (3,5).

A conversa entre os dois segue em forma de poema, no qual se misturam as palavras de Jesus com as de quem escreveu o evangelho. E se Nicodemos tem dificuldade de procurar Jesus durante o dia, de ser testemunho aberto da luz (1,7), Jesus será elevado, para que seja visto por todo o mundo, para que o mundo seja salvo por ele.

 

Deus amou tanto o mundo...

O termo mundo (kósmos) é utilizado pelo quarto evangelho para designar tudo o que se opõe ao Reino, ao projeto de Jesus. Por isso, diante de Pilatos, Jesus afirma categoricamente: "O meu reino não é deste mundo" (Jo 19,26). Uma tradução possível e até melhor para esta frase seria: "Meu reino não é conforme - de acordo com - este mundo!" O mundo de Pilatos era o mundo do império romano: ocupação militar, corrupção, exploração dos pobres, violência contra as mulheres e as crianças.  Jesus denuncia publicamente essa farsa, por isso é levantado no madeiro (Jo 3,14). O império o condena. É elevado ao trono, mas sua glória é a cruz.

Entretanto, mesmo denunciando esse mundo e por ele condenado, não quer a sua condenação. Deus enviou Jesus não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (Jo 3,17). E da mesma forma que foi enviado, Jesus faz questão de afirmar que ao mundo também enviou seus discípulos (Jo 17,18).

A condenação e o assassinato de Jesus são atitudes e escolha do "mundo" e não o desejo de Deus. Temos que assumir que é nossa a culpa pela morte de tanta gente inocente. Não nos serve a atitude de Pilatos que, mesmo reconhecendo a inocência de Jesus, é conivente e autoriza a sua morte (Jo 19,6.16). Entretanto, a comunidade joanina, ao refazer a releitura de Gn 22 (a preservação da vida, o não-sacrifício de Isaac), quer ressaltar o quanto Deus ama esse mundo e como deseja a conversão e a mudança de comportamento.

 

Quem não crer, já está condenado!

O Evangelho de João parece cair em contradição: no conjunto, insiste na salvação do mundo; aqui explicita a condenação: a luz veio ao mundo, mas muitos dos seres humanos preferiram as trevas (Jo 3,19); o mundo não o reconheceu (Jo 1,10). Quem não crer, de antemão já está condenado (Jo 3,18). Uma tradução melhor seria "julgado" (em grego, kríno). O acréscimo de Marcos modificou o texto e o verbo: além de crer, é preciso ser batizado (Mc 16,16). Quem não crer será condenado (Marcos usa outro verbo - katakríno, mais ligado a "dar a sentença")

Há quem prefira interpretar que a fé em Jesus é condição para a salvação. Estariam condenadas as pessoas que não acreditam e não aceitam a luz. É até possível que seja essa a intenção dos redatores, tamanha era perseguição do mundo sobre as comunidades à época da redação do texto. Entretanto, duas perguntas são muito importantes: Quem condena? E condena a quê?

Com certeza, quem nos condena não é Deus. Tamanho é o seu amor por nós que nos enviou seu próprio Filho! Nós mesmos/as fazemos a escolha, a opção é nossa. Estamos "no mundo", mas podemos deixar de viver "conforme o mundo".

Mas a que nós podemos nos condenar? Condena-se a si mesmo quem decide pelo projeto do "mundo". Neste sentido, "crer" é aderir, aceitar, entregar-se, integrar-se no outro projeto, o do Reino.

Não é bom que corramos o risco de nos condenar à tristeza e à frustração de quem não consegue crer que Deus nos ama e que "outro mundo é possível". Não podemos nos condenar ao individualismo e ao isolamento apregoados pela sociedade moderna. O caminho é a solidariedade, a partilha e o compromisso com quem sofre injustiças. Não fazer essa escolha é ficar na indecisão de Nicodemos. E então nos sobraria a "opção" de nos consolar comprando flores e perfume para o túmulo, como fez esse líder dos judeus.

Autor: Edmilson Schinelo, colaborador do CEBI.

 

Nota: Este blog tem publicado, além de artigos de Ciência Cristã, escritos de pessoas situadas em diferentes religiões, que ao desafiarem sua inteligência, sem medo de ousar, procuram buscar a verdadeira essência dos ensinamentos dos textos da Bíblia. Apontando com suas produções, de algum modo, para alguns aspectos ou características da teologia da Ciência Cristã.

Desta maneira, mantendo diálogo inter-religioso, participamos da elevação do pensamento do leitor a consciência de princípios universais, básicos para o cristianismo, importantes para o progresso da humanidade.

 

"A familiaridade com os textos originais e a disposição de abandonar as crenças humanas (estabelecidas por hierarquias e instigadas às vezes pelas piores paixões dos homens), abrem o caminho para que a Ciência Cristã seja compreendida, e fazem da Bíblia o mapa náutico da vida, no qual estão assinaladas as boias e as correntezas curativas da Verdade."  Mary Baker Eddy

 

ATENÇÃO:   Quem não crer já está condenado. Condenado a quê? João 3.14-21, não representa necessariamente o pensamento do Movimento da Ciência Cristã (A Igreja Mãe em Boston ou qualquer de suas filiais, sociedades ou grupos informais de estudos, existentes em diferentes países do mundo), foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia no contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico, como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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