sexta-feira, 25 de abril de 2014

O SIGNIFICADO DA PÁSCOA PARA TODOS NÓS

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O trespasse do Mestre foi confirmado pelos legionários romanos de acordo com o critério da época. Foi sepultado num túmulo talhado na rocha. Não obstante, reapareceu. Seu corpo carnal emergiu do sepulcro que era aparentemente inviolável, e Jesus foi visto por muitos. Finalmente desapareceu da vista mortal, pela ascensão acima da materialidade, para um estado do ser puramente espiritual.

Que significado tem isso para os estudantes que hoje em dia estudam tanatologia (da palavra grega thanatos, que significa morte), e para aqueles que procuram a certeza de que há alguma continuidade para a existência individual depois daquilo a que humanamente chamamos morte?

 

sepulcro-vazio

 

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O significado da Páscoa para todos nós

 

Naomi Price

 

 

O que é que a Páscoa comemora? Não tragédia, mas triunfo. Não tristeza, mas alegria. As primeiras linhas de um hino, por Frances Thompson Hill, que muitas vezes é cantado nessa temporada, diz eloquentemente:

Exultemos, eis a Páscoa,
Doce luz alvoreceu.
1

 

O significado original da palavra inglesa “Easter”, que em português quer dizer “Páscoa”, é obscuro. Pode, de fato, ser derivado de Eastre ou Eostre, nome da deusa pagã da primavera e da fertilidade. Mas tem profundo significado para todos os cristãos. Vêm eles a temporada da Páscoa como a comemoração de um dos maiores momentos da história religiosa - a ressurreição do mestre dos cristãos, Cristo Jesus.

Tal acontecimento foi para os discípulos um fato extraordinário, pois ofereceu a prova indiscutível da imortalidade do homem, dando significado a suas vidas e esperança a todos os homens na terra.

Quando uma sociedade hostil entregou o melhor homem da terra à morte de um vilão, relata a Bíblia que “o véu do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo” 2. Embora a humanidade não reconhecesse naquela ocasião o significado do acontecimento cataclísmico no Calvário, esse foi o sinal do fim de uma era de falsa crença teológica e o arauto do começo de uma nova época de compreensão espiritual.

Então deu-se o irromper espiritual da ressurreição. Depois disso o ensinamento crístico de que Deus é a Vida eterna, divina, haveria de se desenvolver na consciência, e a possibilidade de se provar a imortalidade da identidade do homem como expressão indestrutível da Vida seria reconhecida em proporção crescente.

A temporada da Páscoa lembra-nos acontecimentos que são imensamente importantes para a humanidade. A Sra. Eddy diz no livro-texto Ciência Cristã, Ciência e Saúde: “O martírio de Jesus foi o pecado culminante do farisaísmo. Esse martírio rasgou o véu do santuário. Revelou os falsos fundamentos e superestruturas da religião superficial, arrancou o disfarce da beatice e da superstição, e abriu o sepulcro com a Ciência divina — a imortalidade e o Amor.” 3

E foi assim que no terceiro dia depois da crucificação o grande milagre da ressurreição de Jesus proporcionou a prova tão necessária aos mortais para convencê-los de que em realidade não há morte, que a vida não tem fim, que nenhuma tristeza é legítima, que não há separação final entre amigos.

Quando Jesus surgiu do túmulo, a natureza imortal e espiritual do homem tornou-se mais do que esperança. Ficou demonstrado que essa natureza era presença - um fato que em todos os tempos vindouros podia ser comprovado.

Nas palavras da Sra. Eddy numa mensagem a uma filial da Igreja de Cristo, Cientista: “A densa escuridão da mortalidade foi atravessada. A pedra foi removida. A morte perdeu o seu aguilhão e o túmulo a sua vitória. A coragem imortal enche o peito humano e ilumina o caminho vivente da Vida.” 4

A Páscoa tem, sem dúvida, uma mensagem que intriga os pensadores de hoje. O surto atual de curiosidade a respeito da natureza da morte e da possibilidade de a vida continuar depois do que agora se declara ser morte clínica, estabelece um tema interessante para muitos que não aceitam como parte integrante de sua fé religiosa o conceito da imortalidade do homem.

A Páscoa, despojada de seus enfeites e tradições irrelevantes - ovos pintados e coelhos peludos - associados a ritos de fertilidade pagãos, fala todos os anos ao mundo na vida que não conhece a morte.

A Páscoa deveria induzir muitas pessoas a pensarem no significado que tem para elas o ordálio de Cristo Jesus na cruz, e o triunfo dele sobre o túmulo. Esses acontecimentos refutaram dramaticamente que a morte fosse um poder, negando-a não apenas em um caso, mas em todos.

O trespasse do Mestre foi confirmado pelos legionários romanos de acordo com o critério da época. Foi sepultado num túmulo talhado na rocha. Não obstante, reapareceu. Seu corpo carnal emergiu do sepulcro que era aparentemente inviolável, e Jesus foi visto por muitos. Finalmente desapareceu da vista mortal, pela ascensão acima da materialidade, para um estado do ser puramente espiritual.

Vestigios-e-Fatos

 

Que significado tem isso para os estudantes que hoje em dia estudam tanatologia (da palavra grega thanatos, que significa morte), e para aqueles que procuram a certeza de que há alguma continuidade para a existência individual depois daquilo a que humanamente chamamos morte?

Significa que não estamos condenados ao esquecimento depois de ter vivido uns poucos anos na terra. Significa que a vida é contínua, indestrutível  - que, de fato, não há morte. Isto deveria capacitar-nos a compreender que as expressões “depois da morte”, “mundo futuro”, e “mais além” são obsoletas.

Tal como o livro-texto da Ciência Cristã indica: “A Vida é real e a morte é a ilusão.” 5 De maneira que, na verdade, não podemos conhecer a morte, mas tão somente a presença contínua da Vida.

Isto significa que podemos confiar em que continuamos a viver e a estar conscientes, a nos alegrar, a nos desenvolver espiritualmente, a nos comunicar com outros e a ser companheiros deles - até mesmo daqueles dos quais julgávamos ter sido separados há muito tempo.

Há quase dois mil anos que este vislumbre feliz da continuidade da vida tem encorajado inúmeros cristãos. Com compreensão ainda que imperfeita, talvez se tivessem indagado qual seria o seu lugar e como seria a vida depois da morte, e qual a forma em que eles e seus amigos apareceriam.

Poderiam até mesmo ter questionado se era desejável viver para sempre. Mas para eles o aguilhão daquilo que parece ser morte foi em grande parte neutralizado. A alegria da Páscoa iluminou a escuridão de sua tristeza.

Mas o exemplo do Mestre mostra que não basta deixar-se meramente aliviar do aguilhão doloroso da morte. Faz-se-nos um chamado para mais do que nos espreguiçarmos indolentemente neste pensamento da inexistência da morte.

Tal como Jesus, precisamos ir adiante para atingir a meta suprema da espiritualização total do pensamento, na qual a crença mortal cede lugar à Verdade divina, em que compreendemos que o Espírito é Tudo-em-tudo, ficando provado que o ser do homem é puramente espiritual.

A Páscoa aponta para mais do que um estágio vitalmente importante do desenvolvimento da humanidade para fora de crenças mortais. A Páscoa aponta para cima, para o estágio seguinte e final.

Leva-nos a compreender e a reconhecer a imortalidade do homem como expressão de Deus. Estimula-nos para que sigamos o exemplo de Cristo Jesus até o clímax por ele alcançado e que comprovemos, como ele comprovou, nossa natureza perfeita e inteiramente espiritual na semelhança divina - mediante a ascensão.

 

1Hinário da Ciência Cristã, n° 413; 2 Mateus 27:51; 3 Ciência e Saúde, p. 597; 4 The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 191; 5 Ciência e Saúde, p. 428.

 

Autor: Naomi Price, CSB, membro do Conselho de Conferências de A Igreja Mãe, A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, em Boston, Massachusetts. Nasceu em Amersham, Buckiunghamshire, Inglaterra, estudando neste país e na Suíça. Dedicou seu tempo a pratica pública da Ciência Cristã, desde 1945, escrevendo com frequência para os periódicos religiosos desta Causa.

Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, edição em português, de abril de 1979. Publicado por The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados.

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terça-feira, 15 de abril de 2014

JESUS MORRE POR CAUSA DE SUA POSIÇÃO EM RELAÇÃO AO TEMPLO

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Jesus expulsa vendilhões 

Jesus subiu ao templo [depois da cena dos Ramos, que teve lugar no quadro da festa das Tendas, celebrada em setembro-outubro, no final das vindimas] e encontrou no templo aqueles que vendiam bois, ovelhas e pombos, e os cambistas assentados, e ele os expulsou a todos do templo e disse: "Tirem isso daqui. Não façam mais da casa de meu Pai uma casa de comércio". Evangelho de João

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JESUS MORRE POR CAUSA DE SUA POSIÇÃO EM RELAÇÃO AO TEMPLO

 

 

1. O TEMPLO

O templo, reconstruido por Herodes a partir do ano 19 aC, reformado completamente, no ano 64 dc, estava sobre uma esplanada  que reproduzia a acrópole de Atenas,  e constituía a pedra  angular da sociedade judaica.

Sua destruição, no ano 70, transtornou completamente a hierarquial de Israel. A aristocracia sacerdotal e leiga, de tendencia saducéia, perdeu então o poder que passou para os escribas de tendencia farisaica.

Anunciar a fim desta ordem não deixaria de criar aborrecimentos a Jesus de Nazaré.  Tudo  convergia para o templo, mesmo as realidades economicas mais concretas.

A organização dos sacrifícios, a obrigação de se peregrinar ao templo, nas três festas: Páscoa, Pentencostes, Tendas, e a celebração das Expiações. Quando o primeiro dignatário da nação ia até Deus, a festa da Dedicação em lembrança da renovada consagração do Lugar Santo, após a profanação de Antíoco Epífanes, tudo isso conferia ao templo e ao segmento social, inscrito por ele, no centro da comunidade, um valor divino.

Estas observações nos convidam a ver como, em tormo de nós, se dispões as coisas nas cidades e nas igrejas. A pesquisas abre os olhos de quem gosta da globalidade das coisas.

Segundo Templo réplica

 

2. O CULTO NO TEMPLO 

Para a consciência judaica, o templo era o lugar que Deus escolhera para morar entre o seu povo. Lá se encontrava o único altar para os judeus de todo o mundo.

O sacrifício constitia o elemento essencial da religião. Mas, é preciso distinguir:

Os sacrifícios públicos: todo dia, pela manhã e pela tarde, um cordeiro era oferecido em holocausto (Ex. 29:42) em nome da nação, representada por leigos delegados vindos a Jerusalém e pela classe sacerdotal em serviço. Este é o "sacrifício perpétuo".

Segundo Filón, um sacrifício cotidiano era igualmente oferecido às custas de tesouro romano, pelo imperador e pelo império.

Aos sábados, nas luas-novas, nas festas, o número de sacrifícios era maior. E é preciso ajuntar aos 1093 cordeiros ou cabritos, aos 113 touros e aos 32 bodes oferecidos, anualmente, uma abundancia de farinha, de vinho e oleo.

Os sacrifícios privados: eram  bastantes numerosos e corrrespondiam a diversos e variados motivos: pedido individual, expiação, reparação, ação de graças.

Além disso, no Santo do templo, onde o candelabro de sete braços era constantemente iluminado, um ritual  cotidiano era celebrado no altar dos perfumes. No mesmo local, os doze pães da proposição, reservados aos sacerdotes, eram renovados, cada sábado, sobre uma  mesa especialmente disposta para recebê-los.

As festas de Israel  tinham consideravel importância para a significação do templo. Três delas eram festas de peregrinação que levavam as multidôes a Jerusalém: Páscoa, Pentencostes, Tendas. Outras  duas: o grande dia das Expiações e a Dedicação, diziam respeito ao templo de maneira previlegiada.

A  Páscoa comemorava, na primavera, a libertação do cativeiro do Egito. Despertava também a consciência da libertação messianica. O banquete da festa tinha carater familiar, mas os cordeiros deviam ser imolados no  interior do templo. A festa dos dos pães sem levedo ou azimos, ligados a páscoa, durante sete dias.

Na festa de Pentencostes,  na festa de sete semanas, cinquenta dias depois da  Páscoa, eram oferecidas no templo as primícias da colheita de trigo. Mais tarde, esta festa será ligada com o dom da Lei do Sinai.

A festa das Tendas, celebrada no outono, no fim das colheitas e das vindimas, tinha carater popular e muito alegre. Ofereciam-se a Deus os produtos do solo. Vivia-se, durante sete dias, em barrracas para lembrar o tempo do deserto. As festas incluía ações de graças pelos bens da terra, procissões com palmas, preces para pedir a chuva e iluminações. Ela se enriqueceu com uma significação messianica urtilizada no Novo Testamento, na entrada de Jesus em Jerusalém, com os cortejos de ramos.

O Yôm Kippur, o grande Dia das Expiações, era  celebrado cinco dias antes da festa das Tendas. Incluía um jejum rigoroso e sacrifícios pelos pecados. O sumo sacerdote, obrigatoriamente, devereia presidir a celebração neste dia, o que ele fazia, em outras ocasiões, sem obrigatoriedade. Ele sacrifiicava um touro pelos seus próprios pecados e pelos da sua família e um bode pelos pecados do povo.

Entrava com o sangue das vítimas, unicamente naquele dia, no Santo dos Santos, achando que Deus alí habitava, para realizar uma aspersão do santuário. Um segundo bode, o famoso "bode da expiatório", era carregado com os pecados da nação e enviado ao deserto, mais ou menos a seis quilometros de Jerusalém.

A festa da dedicação, celebrada no fim de dezembro, durante oito dias. Comemorava-se a nova consagração do templo, feita em 164 aC., depois de sua  profanação durante a perseguição de Antíoco Epífanes. Flávio Josefo denomína-o de "Festa da luzes".  Levavam-se  ramos e ofereciam-se sacrifícios. Acendiam-se lampadas diantes das casas. Uma cada dia, nos oito dias da festa, Josefo via nisto o sinal de que a liberdade tinha resplandido.

A festa do Purin (sortes)  comemorava, nos dias 14 e 15 de adar (mês de fevereiro-março), a libertação que fala o livro de Ester. Era uma espécie de carnaval judaico, pouco religioso e pouco apreciado pelos saduceus.

 

3. A PIEDADE PRIVADA 

Depois destes detalhes sobre o culto público, é necessário mencionar a piedade e  ainda algumas práticas familiares ou privadas.

A oração: recitação do Shemá, duas vezes por dia "Escuta, Israel..." (Dt 6:4-9; 11: 13-21; Nm 15: 36-41)   voltados em direção ao templo. Utilização de bençãos para todas as circunstâncias da vida. Preces pessoais improvoisadas. Salmos. Orações antes e depois das refeições.

O jejum: para se humilhar, expiar as faltas e obter ajuda dos céus.  Os fariseus jejuavam, às terças e quintas -feiras.

A esmola: era muito recomendada pelos doutores.

As obras de misericórdia: consolar os aflitos, visitar os doentes, resgatar os prisioneiros, sepultar os mortos. 

 

4. IMPORTÂNCIA ECONOMICA E FINANCEIRA DO TEMPLO

Depois do exilio, pouco a pouco, o poder da aristocracia sacerdotal   substituiu o poder real. Mas não se modificou o modo de produção da Palestina.

Tudo, no templo, desfrutava de considerável sacralização. As receitas:  a dracma, o dízimo, as partes sacerdotais tiradas antecipadamente, dos sacrifícios, os resultados do comércio de animais consagrados ao altar, as ofertas regulares de certas famílias, os donativos de peregrinos vindos do mundo romano.

Suas despesas: as rendas dos chefes dos sacerdotes, certos gastos do culto público, os pagamentos pelos trabalhos no templo e certas despesas públicas, sobretudo, com a beneficiência. Seu papel de cofre de fundos públicos e privados: segundo Flávio Josefo, o tesouro do templo sempre suscitou a cobiça dos conquistadores e ocupantes. A administração sacerdotal destes fundos:  os três grandes tesoreiros saíam de família sacerdotais aparentadas com o sumo sacerdote.

Este formidável poder econômico se justificava por ser o templo o lugar previlegiado da presença de Deus em seu povo.

O símbolo deste comprometimento é a enorme quantidade de ouro que entrou na decoração do edifício. Se, como diz o adágio, nada é demasiadamente belo para Deus, é preciso, no entanto, sempre se informar, cuidadosamente, da origem das ofertas muitas vezes, ostentatórias.

A propósito da ruína da Cidade Santa, no ano 70 dC,  J. Jeremias escreve: "o ouro era tão abundante, em Jerusalém e, especialmente, no templo que depois da tomada da cidade, uma imensa oferta de ouro inundou a Província da Síria. Resultou disso, no dizer de Josefo, que aí se vendia a libra de ouro pela metade de seu antigo preço".  

 

5. O EXERCÍCIO DO PODER

A ordem fiscal, a ordem pública, o direito e a justiça constituem os três setores basicos em que o poder é exercido.

Os judeus suportavam bastante mal as pesadas imposições romanas. Mas também que os romanos garantiam a segurança do transporte do imposto judaico do templo. E basta lembrar que o governador Poncio Pilatos teve serios problemas, quando quis empregar parte do tesouro do templo para construir um aqueduto entre as "fontes de Salomão", no sul de Belém, e Jerusalém. Ele mandou açoitar a multidão que protestava. J. Jeremias escreve: "É com os fundos do tesouro do templo que se pagavam a manutenção dos edificios da cidade, os cuidados com a limpeza pública, o calçamento das ruas e, talvez, também a manutenção do serviço de água".

A ordem pública era assegurada, internamente, pelos romanos. Mas deixaram a iniciativa à polícia judaica  do templo para as questões ordinárias entre os judeus.

Juntar-se a outros era o  melhor meio de se viajar em paz. Mas isso nem sempre bastava. A ordem pública externa, era encargo das legiões romanas. Os judeus não faziam serviço militar. Eram isentos. Os israelitas rezavam  pelo imperador. Desde os tempos de Augusto, um duplo sacrifício era oferecido, diariamente, em Jerusalém, pelo imperador do império. Os judeus eram dispensados deste culto imperial.

As legiões estacionavam na Síria. Na Palestina, havia cinco coorte de infantaria e uma ala da cavalaria: cerca de 3.000 homens. Estas tropas auxiliares eram compostas de gregos, de sírios e de samaritanos. Mas, o grosso da tropa residia em Cesaréia, onde morava o próprio governador.  Ele ia a Jerusalém para as festas. Pequenos destacamentos ocupavam, certamente, as antigas fortalezas de Herodes.

Em Jerusalém, entre 44 a 46 antes de Jesus Cristo, havia uma coorte comandada por um tribuno romano. É difícil dizer o que aí havia, anteriormente. Na Galiléia, Herodes Antipas tinha poucas tropas e, provavelmente, estrangeiras, como no tempo de Herodes, o Grande, seu pai. Mas houve oficiais judeus na Galiléia. Mas é impossível dizer sob qual príncipe.

O direito e a justiça. O direito contém as leis seguidas pelos homens de uma determinada sociedade. O poder judiciário controla sua aplicação.

Roma tentava controlar as susceptibilidades judaicas, especialmente em matéria religiosa, através dos governadores, delegados do imperador, teoricamente dependentes do legado da Síria para questões mais importantes, mas que, de fato, dispunham de uma considerável autonomia.

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 É peciso toda força dos porteiros e sacerdotes menores para espremer a massa de peregrinos através dos Portões de Hulda, na parede sul do Templo, para conduzi-la ao longo das  galerias escuras e cavernosas sob a praça do Templo e guiá-la até o duplo lance de escadas que leva à praça pública e ao mercado conhecido como Pátio dos Gentios.

O Templo de Jerusalém era uma estrutura mais ou menos retangular, de cerca de quinhentos metros de comprimento por trezentos de largura, equilibrada no topo do monte Moriá, no extremo leste da Cidade Santa. Suas paredes externas são bordejadas por pórticos cobertos, cujos tetos de lajes, suportados por lances de colunas de pedra branca brilhante, protegem as massas do sol impiedoso.

 

TEMPLO DE JERUSALÉM II 

No lado sul do Templo situa-se o maior e mais ornamentado dos pórticos, o Pórtico Real - um salão alto, de dois andares, do tipo de uma basílica, construído no estilo habitual romano. Esse é o espaço administrativo do Sinédrio, o corpo religioso supremo e mais alto tribunal jurídico da nação judaica.

O Templo é construído como uma série de pátios em seqüencia, cada um menor, mais elevado e mais restrito do que o anterior. O pátio mais externo, o Pátio dos Gentios, onde você comprou sua oferenda, é uma ampla praça aberta a todos, independentemente de raça ou religião.

Se você é judeu - um judeu sem qualquer problema físico (sem feridas, sem paralisias) e devidamente purificado por um banho ritual -, pode seguir o sacerdote com sua oferenda através de uma espécie de grade de pedra e avançar para o próximo pátio, o Pátio das Mulheres (a placa em cima do muro avisa todos os demais para não irem além do átrio exterior, sob pena de morte).

Aqui é onde o óleo e a madeira para os sacrifícios são armazenados.   É também o ponto mais interno do Templo onde qualquer mulher judia pode chegar;  homens judeus podem continuar até um pequeno lance semicircular de escadas através do Portão Nicanor e chegar ao Pátio dos Israelitas.

Isto é o mais próximo que você poderá chegar da presença de Deus.   Zelota - A vida e a época de Jesus de Nazaré, de Reza Aslan, Editora Zahar.

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5.1 O Sinédrio

Mas a lei judaica não era outra que a Lei  de Moisés, considerada como recebida de Javé, no Sinai, para todos os israelitas. Os farizeus acrescentaram à Lei a Tradição oral de seus escribas. As questões internas do judaísmo eram,  portanto, tratadas sob a autoridade bastante direta do Sinédrio de Jerusalém.

O Sinédrio não remonta a Moisés, como pretendiam os rabinos. Ele tem sua origem nos conselhos de anciões de que o sumo sacerdote se cercou, desde os tempos da dominação persa. Parece que há provas de sua existência  desde o ano 200.

Sob a rainha Alexandra (76-67 aC), escribas leigos e fariseus entraram, maciçamente, no Sinédrio. Herodes, o Grande, exterminou quase todos os sinedritas, no tempo de seu poder.

Este grande conselho retomou suas atividades, seguramente, pelo menos no ano 6 dC, quando da chegada do primeiro governador. Esta corte de 71 membros se compunha dos chefes dos sacerdotes, dos "anciões" ou representantes da aristocracia leiga, dos escribas ou representantes da aristrocracia intelectual. O sumo sacerdote presidia a assembéia.

Ignora-se a duração do mandato dos membros do Sinédrio, recrutados, sem dúvida, por cooptação, tendo-se em vista os critérios de origem, já anunciados, e também as intervenções dos chefes políticos.

A competência do Sinédrio, diminuída sob Herodes, o Grande, foi mais ampla sob os governadores. Roma admitia, tacitamente, a competência desta assembléia, para todos os judeus do mundo. Na Judéia, ocupava-se, principalmente, das relações com o poder romano: ver, por exemplo, o processo de Jesus e Paulo.

Ocupava-se, também, da entrada em  Jerusalém do imposto do templo e dos dízimos. O imposto do templo provinha de toda bacia Mediterrânea. Cuidava da interpretação da Lei e zelava sobretudo pela guarda de seu depósito.    Enfim, o Sinédrio funcionava como corte de justiça.

Dispondo da polícia do templo, podia prender e encarcerar os delinquentes,  aplicar multas e castigo corporais  e excluir criminosos da comunidade israelita. Para uma condenação à morte era preciso reunir em tribunal de 23 membros. E, no tempo dos governadores, a sentença de morte só se tornava executória depois de ratificada pelo representante de Roma. Mas esta questão é controvertida. Parece que a administração romana, às vezes, fechava os olhos. 

Nas aldeias da Judéia e da Galiléia e nos agrupamentos judaicos da diáspora, havia tribunais locais, igualmente chamados sinédrios. Os problemas aí eram julgados conforme a jurisprudência fixada pelo grande Sinédrio de Jerusalém.

Para questões menores, muitas vezes aparece, nos textos, tribunais de três membros. É preciso assinalar o papel de rabino ordenados para jurisprudência como juízes dos tribunais.

 

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6. JESUS E O TEMPLO

6.1  Jesus anuncia a ruína do templo

O discurso escatológico começa com a predição da destruição do templo (Mc 13:1-4; Mt 24:1-3; Lc 21:5-7; Syn. n. 291).

O documento A (Evangelho, formado já um todo homogêneo, de origem palestinense, saído de meios judeu-cristãos, já existindo no ano 50 dC.) deveria conter, mais ou menos, o seguinte:

Um de seus discípulos disse: "Mestre, veja que  pedras e que construções!"    E Jesus lhe diz: "Vês estas grandes construções ? Não se deixará pedra sobre pedra que não seja destruída". Eles o interrogaram: "Dize-nos quando será isso e qual será o sinal de quando tudo isso vai acabar".

No nivel do documento A, encontramos uma profecia sobre a destruição do templo, na tradição dos profetas. "Este anuncio tinha um alcance religioso: o templo, centro do culto e lugar da presença de Deus,  era o lugar da Aliança antiga entre Deus e seu povo. Anunciar a ruína do templo era, por isso mesmo, predizer a ruptura da Aliança e a rejeição do povo de Deus" (Boismard).  Sem falar nas consequencias econômicas e sociais de tal catrastrofe.

Em que situação ficariam o sumo sacerdote e todos os bem situados na escala social judaica, com o desaparecimento do templo?  Para compreender bem a gravidade de uma palavra sobre a ruína do templo e para se perceber o perigo corrido pelos profetas que se aventuraram a enveredar por este caminho, pode-se ler Mq 3:9-12, depois Jr 7:1-15 e, sobretudo, o capítulo 26, integralmente, do profeta Jeremias.

Estevão foi também julgado por suas palavras contra o templo e a Lei (At 6:8 a 7:60), pois, apesar de At 6:13 (as testemunhas falsas), seu discurso mostra bem que ele se referia ao templo.

 

6.2 Jesus expulsa os vendedores do templo

Não vamos seguir a história, bastante complexa, da redação deste episódio (Mc 11:15-33; Mt 21:12-27; Lc 19:45 a 20:8; Jo 2:13-25; Syn. 275ss). Não temos pistas suficientes para a reconstrução do documento A  e vamos nos contentar de compreender o episódio no nível do documento C. Do texto de João, Boismard tira o relato seguinte, bem arcaico:

Jesus subiu ao templo (depois da cena dos Ramos, que teve lugar no quadro da festa das Tendas, celebrada em setembro-outubro, no final das vindimas) e encontrou no templo aqueles que vendiam bois, ovelhas e pombos, e os cambistas assentados, e ele os expulsou a todos do templo e disse: "Tirem isso daqui. Não façam mais da casa de meu Pai uma casa de comércio". 

Seria necessário reportar-se ainda a Mc 11:27b-33: os responsáveis pelo templo perguntaram a Jesus sobre a autoridade que lhe permitia tal atitude.

O sentido do gesto de Jesus, feito sem mandato de ninguém, aparece melhor se se recordar tudo o que o templo representava neste país. É preciso ainda tentar determinar, precisar o tipo de ação em questão. Não é um gesto de zelota.

Os zelotas tinham um programa de reforma do culto, no templo, e do sacerdócio. Pretendiam realizar este programa pela violência, numa perspectiva terrestre (Cullmann).

Estudando-se, bem a fundo, sua posição, vê-se que não era aquela a posição de Jesus. Eles pretendiam fazer chegar o Reino de Deus pela violência, utilizando os mesmos meios do adversário romano. Empreendiam ações de envergadura. O gesto de Jesus era irrisório a seus olhos. Não aceitavam uma mera pregação piedosa, por meio de um ato simbólico, denunciando os abusos de um culto formal e convidando para se adequarem os sentimentos interiores aos sacrifícios exteriores, mas sem questionar a própria instituição do templo.

O gesto de Jesus deve ser compreendido em ligação com a predição da ruina do templo, motivo da paixão, dado no documento A. É gesto profético que tende a desencadear uma nova era e a significá-la. No clima apocalíptico que, então tudo impregnava, o desaparecimento dos mercadores do templo significava os tempos da restauração universal, o fim de uma ordem corrompida.

Este gesto de Jesus lembra Zc 14: texto apocalíptico que enfoca o dia do Reino de Deus e a festa das Tendas e, especialmente, o v. 21: "Naquele dia não haverá mais mercador na casa de Javé Sabaot".  

Com o Acontecimento-Jesus, iniciam-se os novos tempos. A redação intermediária  de Marcos compreenderá isso, perfeitamente, citando Is 56:7  - "Minha casa  será chamada casa de oração para todas as nações". Chegou o templo das nações. Jesus encerra a era antiga.

O episódio da figueira seca, introduzido aqui pelo texto intermediário de Marcos, exprime por sua vez o fim da Antiga Aliança. Israel, a árvore escolhida de Deus, não produziu seus frutos.  

 

7. JESUS MORRE POR CAUSA DE SUA POSIÇÃO EM RELAÇÃO AO TEMPLO

Parece que os dirigentes judeus apresentaram Jesus a Pilatos como zelota (Lc 23:2). É útil ver atrás dos atuais textos referentes ao processo, diante do Sinédrio, qual o motivo exato da condenação de Jesus, encontrado no documento A.

Tomemos Mc 14:55-64; Mt 26:59-66; Lc 22:66-71; Syn. n. 342.

Por um complexo jogo de influências, os textos atuais são até bastante  semelhantes, embora a narrativa de Lucas seja muito abreviada. Eles resultam, de fato, de uma mistura do documento A e do documento B, releitura de A, na etapa do texto intermediário de Marcos.

O texto do documento A (Evangelho, formado já um todo homogêneo, de origem palestinense, saído de meios judeu-cristãos, já existindo no ano 50 dC.) já é uma encenação de uma breve reunião em que os dirigentes judeus calcularam, simplesmente, os motivos que interessariam a Pilatos, mas sem fazer um processo judaico. Pode ser lido sob o texto  de Mateus. Vamos fixar 26:59.60b.61.62.63a.65a.66b. As testemunhas, que não são falsas, atestam que Jesus disse: "Eu destruirei (Mc) o templo de Deus". Jesus não responde a esta acusação que o considerava como culpado de blasfêmia e digno de morte.

O capítulo 26 do profeta Jeremias nos fornece, vários séculos antes, aqui de que se trata, exatamente, no caso de Jesus. Do ponto de vista do sumo sacerdote, havia uma "razão de Estado" para eliminar Jesus. Jo 11:47-53 desenvolve esta tese claramente. Jesus não foi morto, pura e simplesmente, porque estava escrito nos céus, mas porque inaugurou um estilo de existência inesperado que questionava muitas estruturas e muitas pessoas. Era sua concepção do Reino de Deus na qual ninguém ainda tinha pensado.

O documento B (reinterpretação, mais ou menos ampla, do documento A, para uso das Igrejas cristãs de origem pagã. Pode ter sido o primeiro estágio de Marcos. Já existia cerca dos anos 57-58 dC.) apresenta aos cristãos vindos do paganismo uma releitura do documento A, numa interpretação muito livre. Faltando ao motivo do templo chances suficiantes de atingir seus leitores, o autor faz interferir o motivo da filiação divina, pelo menos no sentido da messianidade: Jesus, filho de Deus como Messias.

Pode-se ler o documento B em Mc 14,55.56.61b.62a.63a.63.64. Interpretação mais distante do acontecimento histórico e mais teológica. Exprime, profundamente, o motivo real da liberdade de Jesus em relação ao templo. Mas não foi ele que, assim tão claramente, funcionou na sexta-feira santa.  

A história da redação mostra como os textos atuais de Mateus e de Marcos contêm o duplo motivo de A e B. Mas é por ter repatriado a presença de Deus para o coração do homem, a começar pelo Homem-Jesus, depois de tê-la arrancado do Santo dos Santos de um templo desfigurado pelo ouro, pela segregação social e pelo abuso dos poderes sacerdotais, que Cristo foi crucificado.

 

Fonte: Jesus e as estruturas de seu tempo, Émile Morin, São Paulo: Paulus, 1988.

 Nota: sobre  "Jesus e as estruturas de seu tempo" é grande o número de obras publicadas, abordando o assunto sob diferentes perspectivas. Este texto   foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia no contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico, como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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PARA REFLETIR:

 IGREJA. A estrutura da Verdade e do Amor; tudo o que assenta no Princípio divino e dele procede.

               A Igreja é aquela instituição que  dá provas de sua utilidade e que vem elevando a raça, despertando de suas crenças materiais a compreensão adormecida, para que perceba as ideias espirituais e demonstre a Ciência divina, expulsando assim os demônios, ou o erro, e curando os doentes. Glossário de Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, por Mary Baker Eddy - p. 583:14-20.

SANTUÁRIO.   O corpo;  idéia da Vida, de substância e de inteligência; a superestrutura da Verdade; o santuário do Amor; uma superestrutura material, onde os mortais se congregam para culto.  Glossário de Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, por Mary Baker Eddy - p. 595:6-9.

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terça-feira, 8 de abril de 2014

CRISTIANISMO OU CRISTIANISMO DE ORIGEM?

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O evangelho de Maria Madalena e Tomé  foi por muito tempo utilizado por cristão em suas comunidades. Apesar de serem considerados escritos não-autorizados, os apócrifos têm muito a nos dizer sobre as origens do cristianismo. Os evangelhos canônicos, os oficiais, com certeza são enriquecidos com os dados de fé encontrados nos apócrifos.

Aquilo que no início do cristianismo era simplesmente expressão devocional da fé em Jesus passou a ser um dado histórico sobre ele. E o que era histórico passou a ser dado de fé. Por isso, para conhecer Jesus sob outros prismas torna-se interessante descobrí-lo também nos apócrifos. Jesus é um só, mas os escritos sobre ele são, por assim dizer, reflexo das várias maneiras pelas quais as comunidades o compreenderam. São experiências múltiplas e diferentes. Mas, de fato,  uma se impôs como exata, tornando-se oficial.  Jacir de Freitas Farias

 

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Cristianismo ou cristianismo de origem?

 

Jacir de Freitas Farias

 

Depois da morte de Jesus - ano 33 da Era Comum - até a redação dos primeiros escritos sobre ele, por volta dos anos 60/70 E.C., temos um período vago de aproximadamente  trinta anos.  Nesse meio tempo, surgiram disputas teológicas em torno da pessoa de Jesus. Para as comunidades cristãs era de fundamental importancia compreender quem ele era.

No entanto, elas se defrontaram com o fato de que muitos discipulos  e discípulas que conviveram com Jesus já tinham morrido. Alguns, como o apostolo Paulo, por não terem conhecido pessoalmente Jesus, o anunciavam ressucitado. Outros, como Tiago, considerado irmão de Jesus  e judeu piedoso de Jerusalem, tinham outra visão da missão de Jesus, pois com ele haviam convivido. Para Paulo, a história de Jesus começa na sexta-feira e termina no domingo da ressureição. Segundo este, "em vão seria a nossa fé se não fosse a ressureição  de Jesus". Não só as cartas paulinas, mas os Atos dos Apóstolos  refletem a disputa teológica entre Tiago e Paulo.

Estudos recentes concluem que caso tivesse triunfado o Jesus de Tiago, o cristianismo teria outro perfil: mais aguerrido, de cunho judaico e menos afeiçoado ao império romano. Paulo, com certeza, anunciou a cruz de Jesus como libertação, e não simplismente para a salvação dos pecados. Impôs-se a segunda ideia, bem como a de Jesus ressucitado. 

Desse esforço coletivo para traçar o perfil do Mestre surgiram varios cristianismos, isto é, varios modos de interpretar Jesus,   os quais classificamos, a seguir, segundo sua linha mestra de pensamento e a comunidade ou pessoa que o representa:

a)  cristianismo dos ditos de Jesus (Fonte Quelle, Tomé);

b) cristianismo da cura e do caminho (Marcos);

c) cristianismo  de Jesus Filho de Deus, Messias e seguidor do judaismo (Mateus);

d) cristianismo da salvação para judeus e não-judeus (Lucas);

e) cristianismo do discurso teológico elaborado e dos sinais (João);

f) cristianismo do Jesus histórico e revolucionário (Tiago, Tomé);

g) cristianismo do Jesus ressucitado e glorioso (Paulo);

h) cristianismo  do Jesus ressucitado que mora dentro de cada um de nós de forma integrada e que nos convoca a viver e testemunhar a harmonia (Maria Madalena);

i) cristianismo gnóstico, que mostra Jesus, o ressucitado que traz a salvação (Tomé, Maria Madalena, Felipe);

j) cristianismo da apostolicidade, que indica a organização comunitária e hierarquica da comunidade para garantir a pregação da Boa- Nova do Evangelho (Atos dos Apóstolos e Cartas de Paulo).

 

Somos herdeiros desses vários tipos de cristianismos. Mateus, Lucas, Tiago, João e os demais que continuam vivos em  nosso meio. Por outro lado, o cristianismo que teve primazia foi o da apostolicidade, por ter sido ele o que norteou as várias linhas de pensamento, tornando-se, assim, o cristianismo da oficialidade, o canônico.

As outras correntes de pensamento, para também serem consideradas canonicas, tiveram de se adequar aos princípios da apostolicidade. "Os apostolos foram perseguidos teologicamente e também perseguiram pensamentos diferentes no interior das comunidades". [Cf. Farias, Jacir de Freitas et alii. O Espírito de Jesus rompe barreiras: os vários "rostos" do cristianismo segundo Atos dos Apóstolos (1-15). In: A palavra na vida. São Leopoldo, CEBI/MG, nn. 158/159, p. 17, 2001.]

Na escolha do substituto de Judas, os critérios utilizados para selecionar os candidatos são: ser varão, ter sido discipulo de Jesus durante o tempo de sua vida terrestre e ter sido chamado e enviado a dar testemunho do ressucitado. O texto biblico (At. 1: 21-26) nos revela que o escolhido por sorte foi Matias. Ao ler essa passagem de Atos, não questionamos o procedimento da escolha. Parece que houve consenso na indicação.

No entanto, esse parece não ter sido o caminho lógico. O texto que temos à disposição  já fora filtrado pela crítica. E é por isso que nos perguntamos: Por que Maria Madalena não poderia ter sido a escolhida? Só por ser mulher? Maria Madalena exercia forte liderança nas primeiras comunidades. Ela disputou, como veremos mais adiante, a liderança do grupo do apostolo Pedro. Não enquanto, o grupo dos Doze, que se impôs como único, impediu o registro de tais discussões. O evangelho de Maria Madalena nos mostra os conflitos que devem ter existido entre os apóstolos Pedro, André e Maria Madalema.

Os relatos sobre Jesus são uma infima parte daquilo que ele fez ou disse. A escolha dos fatos a serem escritos está relacionada com a experiencia da comunidade que os escreve, após te-los  guardado na memoria. Jesus nunca escreveu nada sobre si mesmo. Nunca saberemos, de fato, toda a sua história, mas intrepretação delas.

A pregação missionária, catequética e litúrgica da paixão e ressureição motivou a formação dos evangelhos canônicos. Tomé não fala da ressureição de Jesus. E Felipe chega a dizer  que Cristo primeiro ressucitou e depois morreu. Como entender esses vários modos de narrar o evento Jesus? Por que a tradição não revelou ou escondeu essas informações?

O cristianismo de João teve dificuldade para entrar na lista dos livros canônicos. Não seria o evangelho  de João parente próximo do evangelho de Maria Madalena? Segundo os apócrifos, a discipula amada de Jesus é Maria Madalena. Jesus a amou mais que aos apóstolos (evangelho de Maria Madalena 18:14). Não teria a comunidade de Maria Madalena colocado na boca de João os seus ensinamentos para que esses  pudessem ser aprovados pelos apóstolos e pela tradição? João não seria Maria Madalena, a discípula, companheira e amada de Jesus?

Boa questão! Possivelmente não teremos a resposta para ela, mas que após a morte de Jesus surgiram vários modos de interpretá-los, os quais chamamos de cristianismo, disso não podemos duvidar.

Os evangelhos canonicos e as cartas são reflexos claros do cristianismo que se firmou como "verdadeiro". Os evangelhos, sobretudo, ao contar a história de Jesus, quiseram ser uma resposta ao grupo dos que pensavam que a vida de Jesus não contava. E esses transformaram em verdadeiras obras literárias. E belezas literárias assim tão raras só podiam ser inspiradas por Deus. Os apócrifos, segundo alguns estudiosos, desde o ano 50 da E.C., corriam para fora nessa disputa teológica pelo perfil de Jesus. Ou foram colocados de lado? É o que veremos na sequencia de nossas reflexões.

A Boa-Nova de Jesus ressuscitado rompeu as fronteiras do judaismo e chegou ao império romano. Somos filhos desse ardor   missionário e apostólico. Viva Paulo e seus companheiros e companheiras de evangelização! Mas imagine se a escola de Tiago tivesse vencido Paulo e seus companheiros na batalha sobre quem detém e anuncia o perfil de Jesus? Não seríamos cristãos de outro modo? Ou já teriamos deixado de existir?   

[...] na verdade o numero de livros apócrifos, sejam eles   do Primeiro Testamento (Velho Testamento) ou Segundo Testamento (Novo Testamento), passa de cem. O fato de termos tantos escritos sobre o evento Jesus é sinal de que havia uma disputa teológica nos primeiros seculos do cristianismo. A tradição se encarregou de selecionar alguns escritos e conservá-los como canonicos. Outros se mantiveram pela persistencia e resistencia de algumas comunidades.

Também os apocrifos do Segundo Testamento podem ser classificados segundo as clássicas categorias de evangelhos, atos, epistulas e apocalipses. Enumeramos a seguir uma lista contendo alguns deles.  [No bloco dos evangelhos estão catalogados livros apócrifos que não são propriamente evangelhos, mas que foram aí colocados por razões metodológicas]

                             

Evangelhos:  Segundo dos Hebreus, dos Ebionistas ou Doze, Segundo dos Egípcios, de Pedro, de Maria Madalena, de André, de Mateus, de Matias,  de Tomé, do Pseudo-Tomé, de Felipe, de Bartolomeu, de Barnabé, de Tiago Menor, da Ascensão de Tiago, de Judas Iscariotes,  de Gamaliel, de Verdade, Pseudo-Mateu,  Árabe da Infância de Jesus,  Armênio da Infância de Jesus, História do Nascimento de Maria ou Proto- Evangelho,  de Tiago,  A filha de Pedro,  A vingança do Salvador,  A descida de Cristo aos infernos, Tradição a respeito de Pilatos, Livro do Descanso de Maria, História de José o carpinteiro,  A cura de Tibério,  Declaração de José de Arimatéia e Transito de Maria.

Atos:  de Pedro, de Paulo, de Tecla e de Paulo, de João, de André, de Tomé, de Filipe, de Pilatos ou Evangelho de Nicodemos, de Mateus, de Barnabé, dos Doze Apóstolos, de Tadeu, de Pedro e André.

Epístolas: Cristo a Abgar, Abgar a Cristo, Sêneca a Paulo, Pilatos a Herodes, Pilatos a Tibério, Paulo aos Laodicenses, Pedro a Filipe, Pilatos a César ou Anáfora de Pilatos, Carta dos Apóstolos, Terceira Epístola aos Coríntios, de Barnabé, aos Alexandrinos e de Tiago.

Apocalipses: de Pedro, de Paulo, de Tomé, de Estevão, de João, de Paulo, da Virgem e de Tiago.

 

Fonte: As origens apócrifas do cristianismo - Comentários aos evangelhos de Maria Madalena e Tomé, Teologias Bíblicas nº 16, Editora Paulinas, 2ª Edição, 2004.

Autor: Jacir de Freitas Faria, sacerdote franciscano, é mestre em exegese bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma.

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segunda-feira, 31 de março de 2014

JUSTIÇA APLICADA AO GOVERNO

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"Somente na proporção em que os governos dos países cristãos baseiam suas administrações no mais elevado nível do pensamento cristão, os direitos de seus cidadãos são adequadamente protegidos e defendidos. Se uma autoridade governamental falhar ao administrar sua justiça, seja por negligência, ou deliberadamente, a Ciência Cristã oferece uma maneira pela qual cada cidadão pode, individualmente, provar que há um poder divino que, aplicado com compreensão, opera as mudanças necessárias. [...]

 

O que fazer se uma autoridade pública tirânica  controla o governo, e a injustiça lavra desenfreadamente? Como se pode tornar prática a aplicação da justiça nesse caso?"  

 

 

Para  saber  as  respostas  para  estas  perguntas, 

leia  um  artigo muito estudado por cientistas cristãos  do Brasil,  na década de 1970.

Publicado pelo O Arauto da Ciência Cristã.

 

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Justiça Aplicada ao Governo

 

NEILSON P. WELLS

 

A justiça é a pedra fundamental de um govêrno justo. A luta para conseguir liberdade individual, de acôrdo com a lei, vem ocorrendo contìnuamente através dos séculos. Se bem que tenha havido retrocessos nessa luta, e, por vêzes, o progresso haja diminuído de ritmo até quase estacionar, devido a autoridades despóticas, os passos para frente jamais cessaram completamente. Através das páginas da história, não existem registros mais inspiradores do que essa luta.

O que é a justiça verdadeira? A Ciência Cristã  conclui que a verdadeira justiça é espiritual, não é humana. É proclamada, sustentada e mantida por Deus. Portanto, é eterna, inflexível e suprema. O mais elevado conceito de justiça humana modela-se segundo a justiça divina.

A Bíblia acha-se repleta de referências a um Deus justo, um Deus que não faz acepção de pessoas, e é um administrador imparcial da justiça divina. Um dos trechos bíblicos que reafirmam isso, diz: “Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nêle injustiça; é justo e reto” (Deuteronômio 32:4).

Cristo Jesus ensinou o significado divino de justiça quando disse (João 5:30): “Na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo porque não procuro a minha própria vontade, e, sim a daquele que me enviou.”

Somente na proporção em que os governos dos países cristãos baseiam suas administrações no mais elevado nível do pensamento cristão, os direitos de seus cidadãos são adequadamente protegidos e defendidos. Se uma autoridade governamental falhar ao administrar sua justiça, seja por negligência, ou deliberadamente, a Ciência Cristã oferece uma maneira pela qual cada cidadão pode, individualmente, provar que há um poder divino que, aplicado com compreensão, opera as mudanças necessárias.

Essa religião vem suprindo uma nova forma de se conseguir a ação da justiça no govêrno. Expõe os perigos de não se compreender que evitar a justiça e desculpar a conduta criminosa, sob qualquer forma, nunca ajuda o criminoso, mas deixa-o livre para repetir a ofensa contra a sociedade, e a continuar desenfreado em seu curso decadente. A violência não toma o lugar das formas legais de justiça. O desafio à lei conduz, em última instância, à anarquia, enquanto que a obediência à lei torna possível dar os passos legais corretos a fim de sanar as injustiças.

A Ciência Cristã mostra como a autoridade pública justa pode ser mantida ao exercer a justiça. Podemos declarar, com compreensão, que a ação da justiça pública está sob o contrôle da Mente única, Deus. A mente mortal mesmérica, o magnetismo animal ou o pensamento egoísta e negativo não pode governar sua administração, nem ocasionar êrro de julgamento.

O Senhor Deus onipotente reina nos afazeres dos homens. O govêrno está sobre os ombros do Seu Cristo. A orientação divina dá origem a decisões a serem tomadas, não de um ponto de vista pessoal, mas de uma base de pensamento orientada por Deus, a respeito do que é melhor para um maior número de indivíduos.

O que fazer se uma autoridade pública tirânica controla o govêrno, e a injustiça lavra desenfreadamente? Como se pode tornar prática a aplicação da justiça nesse caso? Compreendendo firme e ativamente que Deus é tudo, é onipotente, onipresente e onisciente. Que Deus está sempre à disposição e é bom, não importa o que o testemunho dos sentidos proclamem.

Sabendo que o que não é de Sua criação perfeita, é mera suposição da mente mortal ou carnal e não a verdade do ser. O pensamento elevado acima do temporal e material para a compreensão do homem como a imagem e a semelhança espiritual de Deus, encontra-se sujeito sòmente a Seus decretos, intocado pelas discórdias mortais. Dessa forma o mal torna-se cada vez mais irreal para nós. Na verdade, êle é realmente inexistente.

Conseguimos ser livres da injustiça graças ao reconhecimento de que é verdadeiro sòmente aquilo que é real. Mantendo nosso pensamento aliado a Deus, declarando o fato de que nossa identidade está isenta de atritos, teremos a capacidade de rejeitar a crença de que a injustiça possa perpetuar-se em nossa existência.

À medida que o pensamento disciplina-se dessa maneira, as incômodas pressões da injustiça afetam, cada vez menos, a nossa existência humana. Então, vemos que a neblina da mente mortal é apenas ficção, e revela-se-nos a sempre-presente realidade de Deus, o Espírito, e Seu reflexo, o homem. À medida que compreendemos melhor os fatos do govêrno divino, a realidade da justiça divina se torna aparente e as reformas que se fazem necessárias nas atividades governamentais, começam a se concretizar.

Ora, consideremos o conceito de justiça que o futuro pode apresentar aos cidadãos do mundo. Em The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany (A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Miscelânea, p. 265) Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, respondeu a uma pergunta sôbre o que deveria significar o último dia de Ação de Graças do século dezenove.

Significa, diz ela, entre outras coisas, “que o espírito do Cristo lavará da terra o sangue humano; que a civilização, a paz entre as nações e a fraternidade dos homens será estabelecida, e a justiça não pleiteará em vão em favor dos direitos sagrados dos indivíduos, dos povos e das nações.” E, mais adiante, “que a agricultura, a manufatura, o comércio e a riqueza devem ser governados pela honestidade, a diligência e a justiça, abrangendo tôdas as classes e todos os povos.”

Com a descoberta da Ciência Cristã, uma nova dimensão foi acrescentada ao conceito de justiça comumente aceito, e expressa-se da seguinte maneira: Deus a dispensar justiça aos homens, Sua descendência; e o homem, graças à sua compreensão espiritual da Divindade, conhecendo e demonstrando a sua liberdade, livre de ameaças, como o filho perfeito de um Pai-Mãe perfeito.

Nas sociedades democráticas, a forma de justiça ministrada pelas autoridades governamentais assemelha-se à forma de justiça praticada em suas próprias vidas pelos membros da sociedade, individualmente. Cada indivíduo é responsável por sua atitude em relação ao seu próximo. Os efeitos cumulativos da justiça ou da injustiça praticada pelos indivíduos afetam diretamente o pensamento dos que se acham investidos de autoridade.

Assim, cada membro da sociedade tem um papel vital no avanço da idéia de justiça em sua comunidade. A justiça é contagiante. Uma palavra ou ação correta traz um conceito mais elevado de distribuição justa a todos os que são atingidos por seu exemplo.

Cada um de nós é capaz de seguir esta simples injunção: Que cada homem aja com justiça para com seu próximo. Se fôsse esta realmente a pedra angular da edificação do caráter de cada indivíduo, quanto mais longe alcançaria e quão expansiva seria a influência das vidas assim dedicadas!

No livro de Miquéias, lemos (6:8): “Êle te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus?”   Mrs. Eddy diz: “Os indivíduos, tal como as nações, unem-se harmoniosamente, baseados na justiça, e isso se concretiza quando o eu desaparece no Amor - ou seja, o próprio plano de salvação elaborado por Deus. «Agir com justiça, e amar a misericórdia, e andar humildemente» é o padrão da Ciência Cristã” (Miscellany — Miscelânea, p. 283).

Os estudantes de Ciência Cristã que ativamente praticam sua religião, já estão demonstrando em suas próprias existências que suas atitudes mentais com respeito ao funcionamento da autoridade pública afetam grandemente suas vidas e suas relações com a comunidade. Estão provando que têm o dever cívico de apoiar uma administração honesta em seus esforços para governar corretamente.

Se a administração mudar de rumo e uma era de injustiça surgir, assim mesmo, os estudantes de Ciência Cristã podem manter um equilíbrio e uma liberdade mentais baseados na natureza pura e eterna do homem como uma idéia de Deus. E comprovam que tal atitude mental pode elevar a humanidade para fora do esfôrço e da tensão de tal período e ajudar na concretização das reformas que se fazem necessárias. Assim, a Ciência Cristã avista um futuro radiante de justiça, e um surto de progresso a surgir para o bem da raça humana.

 

Mrs. Eddy escreve em Miscellaneous Writings (Escritos Diversos, p. 277):

“A justiça espera, e está acostumada a esperar; e o direito conquista a vitória eterna.”

 

Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, edição em português, de outubro de 1970. Publicado originalmente, em janeiro de  1969, no The Christian Science Journal. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados.

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domingo, 16 de março de 2014

A CURA POR MEIO DO EXERCÍCIO DO PODER DA MENTE SOBRE A MATÉRIA

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A Cura por meio do exercicio do poder da Mente sobre a matéria

 

O sólido conceito da "bola de bilhar" acerca dos componentes atômicos da matéria está desatualizado em vista da moderna física atômica. No entanto, a Ciência Cristã vai muito além, ao revelar que a matéria é totalmente insubstancial. Reconhece que Deus, o único criador, é o Espírito, a Mente divina, e que Sua criação (o único universo verdadeiro) é exclusivamente espiritual. Apesar da aparente substancialidade da matéria, a Sr.a Eddy diz: "O átomo material é uma falsidade delineada pela consciência, que só pode acumular evidência adicional de consciência e de vida agregando uma mentira a outra mentira." 1

Se compreendemos que um único átomo é uma falsidade então somos capazes de compreender que o vasto complexo de átomos que a humanidade vê na crença de um mundo material, bem como na de um corpo material, é também "uma falsidade delineada pela consciência" - a simples objetivação do falso pensamento mortal. Assim, se nos defrontamos com um caso de discórdia e doença, podemos rejeitá-lo porque faz parte da falsidade de uma mente irreal. Podemos substituílo por pensamentos verdadeiros da única Mente real e divina. Isso corrige a falsa crença e, ao melhorar os objetos da consciência, cura a discórdia e deixa livre o corpo.

A Mente divina, Deus, ou a Verdade, destrói a crença na matéria e em seu discordante sentido de vida assim como a luz destrói a escuridão. A Bíblia diz: "Ele faz ouvir a sua voz e a terra se dissolve," e ela registra muitos milagres que ocorreram por meio da compreensão do poder de Deus.

Se estamos sofrendo de uma condição material anormal, podemos sempre exercer o poder da Mente a fim de substituir pela verdade espiritual o pensamento falso e discordante que produziu tal condição. Mas se usarmos a vontade humana — o mero esforço de trocar uma crença mortal por outra — tornamos o problema mais complexo pois estaremos "agregando uma mentira a outra mentira". Precisamos reconhecer a natureza continuamente perfeita e espiritual do universo de Deus e o poder da Mente divina para governar a substância, a atividade e as funções do homem. Então a discórdia será destruída e a evidência física discordante cederá à realidade espiritual e harmoniosa.

1 Unity of Good, pp. 35-36; 2 Salmos 46:6.

 

Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, edição de dezembro de 1974. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados.

Leia neste blog: A PRÁTICA DA CURA ESPIRITUAL NA CIÊNCIA CRISTÃ.

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domingo, 9 de março de 2014

CONTROVÉRSIAS SOBRE A CRIAÇÃO UMA REFLEXÃO PROFUNDA

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Warren Bolon, da equipe do Sentinel, conversou com o Praticista e Professor de Christian Science (Ciência Cristã), Nathan Talbot e com o Dr. Doyle, um importante pesquisador que estuda os planetas extra-solares para o SETI Institute, em Mountain View, no estado da Califórnia, e também dá conferências públicas sobre a Christian Science.

Eles conversaram sobre as várias teorias da criação e, sobre seu modo de ver, como Cientistas Cristãos, esse debate cada vez mais acalorado, entre religiosos e cientistas.    

 

tempo-geologico-da-terra - Cópia

 Laurance Doyle, reside em Mountain View, CA, USA. Obteve grau  MSc.  na Universidade Estadual de San Diego (1982),    Ph.D. na Universidade de Heidelberg (1986). Trabalha como Astronomo no SETI  Institute  e NASA  Ames Research Center. Serviu a Primeira Igreja de Cristo, Cientista, A Igreja Mãe,  em Boston, EUA, como palestrante. Em outubro de 2013, no Centro Cultural Skirball, em Los Angeles, California,  em sua palestra "Física e Metafísica", conversou sobre como   as limitações da matéria estão sendo quebradas e como a ciência moderna está questionando  pressupostos estabelecidos. 

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Controvérsias sobre a criação uma reflexão profunda

 

          Nathan Talbot, Warren Bolon e Laurance Doyle

 

 

Como se originou a vida? Quem ou o que deu início a todas as formas de vida? Um debate que esteve morno nos últimos 150 anos, recentemente voltou a se aquecer, em particular, sobre o que é ensinado como ciência nas escolas públicas americanas.

Do lado religioso da questão, o criacionismo promove uma interpretação literal dos dois relatos da Bíblia sobre a criação, conforme constam em Gênesis, capítulos 1 ao 6: que todas as coisas e criaturas foram criadas por Deus em sete dias do calendário, que Adão foi o primeiro homem e Eva a primeira mulher, e que a criação ocorreu, literalmente, em um "jardim do Éden".

Mais recentemente, os que apóiam a teoria do assim-chamado “design inteligente” (a existência de uma inteligência que projetou o design) aceitam, de forma geral, as teorias científicas, incluindo a do “Big Bang” (na qual o universo se originou de uma grande explosão) e a da evolução, mas argumentam que, embora os planetas, os animais e os seres humanos possam ter se desenvolvido ao longo de milhões de anos, a complexidade das formas de vida e os notáveis avanços da humanidade, apontam para uma obra intencional de um “designer inteligente” divino.

Na comunidade científica, o conceito de que a Terra e as formas de vida se desenvolvem, ao longo do tempo, surgiu, pela primeira vez, no campo da geologia, diz o astrofísico Laurance Doyle. O geólogo inglês Charles Lyell e outros cientistas desenvolveram teorias evolucionistas no início do século XIX.

O futuro pai da biologia evolucionista, Charles Darwin, foi fortemente influenciado pela leitura da obra de Lyell, “Os Princípios da Geologia” (The Principles of Geology). Inicialmente, Darwin tinha em vista o sacerdócio, mas seus interesses com relação ao problema da teodicéia talvez possam ter contribuído para o seu posterior agnosticismo. Teodicéia é a defesa da bondade e da supremacia de Deus em face da existência do mal.

Warren Bolon, da equipe do Sentinel, conversou com o Praticista e Professor de Christian Science, Nathan Talbot e com o Dr. Doyle, um importante pesquisador que estuda os planetas extra-solares para o SETI Institute, em Mountain View, no estado da Califórnia, e também dá conferências públicas sobre a Christian Science.

Eles conversaram sobre as várias teorias da criação e, sobre seu modo de ver, como Cientistas Cristãos, esse debate cada vez mais acalorado, entre religiosos e cientistas.

 

Nathan Talbot: O que vemos com relação a essas teorias, ou seja, o criacionismo, o evolucionismo e o design inteligente, são sinais de gigantescas forças do pensamento entrando em conflito sobre a realidade. Qual é a natureza, a substância e a origem da realidade? Essas são questões de suma importância. Poderíamos presumir que é apenas um debate muito significativo sobre o que ensinar nas escolas, mas, por trás dele, existem essas questões importantes sobre a origem da existência.

 

Os cientistas saem perdendo por deixarem o sagrado de fora, quando o separam da ciência. A Christian Science resolve o debate. A criação é sagrada e científica.

 

Warren Bolon: Alguns críticos da teoria do design inteligente argumentam que não há nenhuma prova que a sustente e nenhuma maneira com a qual se possa testar sua validade.

Laurence Doyle: De certa forma, a defesa de que não seja científica se encontra, freqüentemente, sobre um terreno muito frágil. Se olharmos para áreas como a da teoria da informação, por exemplo, retirar complexidade do acaso fica muito difícil, se não impossível. O mesmo é válido para o desenvolvimento das moléculas biogênicas.

 Nathan Talbot: As preocupações dos cientistas sobre o design inteligente são, na maioria das vezes, mais contra o criacionismo propriamente dito, do que sobre o design inteligente, que se sustenta por seus próprios méritos.

 Warren Bolon: Eles acham que o design inteligente é um “cavalo de Tróia” para criacionismo?

 Laurence Doyle: Sim, os cientistas realmente o relacionam com o criacionismo, e, muitas vezes, assumem a posição de que os estudiosos das ciências naturais já compreendem completamente o que a vida é, o que não é o caso.

 Nathan Talbot: Não existe aquela clássica ilustração? Se, caminhando por um campo arado, olhássemos para a terra revolvida e encontrássemos um relógio de pulso, talvez, ao examiná-lo, pensássemos que o design inteligente tivesse participado de sua fabricação, devido à natureza complexa do objeto.

Ou, poderíamos dizer: “Não, foi simplesmente pela seleção natural que esse relógio acabou se desenvolvendo nessa terra”. Mas, a maioria de nós diria: “Existe alguma inteligência que contribuiu para o desenvolvimento desse relógio”. Por dedução, as pessoas olham para o universo e dizem: “Espere um pouco. Deve haver algum tipo de inteligência que juntou tudo isso”. 

Laurence Doyle: O ribossoma, a molécula que forma o DNA, por exemplo, é de complexidade mínima, mas necessária para que os sistemas biológicos se multipliquem e podemos calcular o que seria necessário para o surgimento dessa molécula por processo aleatório, uma vez que podemos fabricá-la no laboratório. Se tivéssemos todos os elétrons no universo para reações químicas aleatórias, ainda assim levaria um trilhão de vezes a idade do universo para fabricar uma dessas moléculas por processos totalmente aleatórios.

Há cálculos como esse que podem mostrar que a palavra aleatório não se aplica. Portanto, é importante dizer aos cientistas: “Está bem, vejam, nós não sabemos ainda o que é a vida. Vamos parar de fingir que sabemos e parar de usar aquilo que é aleatório como argumento para a nossa ignorância”.

Nathan Talbot: Existem, certamente, muitas pessoas no mundo científico que são religiosas. O design inteligente é atraente sob alguns aspectos, porque ele proporciona uma oportunidade para as pessoas religiosas de recolocarem Deus no centro de Sua criação, enquanto o evolucionismo, ou seleção natural, tira Deus facilmente dessa criação. Portanto, até certo ponto, acredito que o conceito do design inteligente ganha adeptos porque considera Deus na criação.

Laurence Doyle: Se pedirmos às pessoas para escolher entre o sagrado e o científico, a maioria vai optar pelo sagrado, porque é o mais importante. Acho que os cientistas saem perdendo por deixarem o sagrado de fora, quando o separam da ciência. É aqui que entra a Christian Science e resolve o debate. A criação é sagrada e científica. Existe muita coisa na ciência que é sagrado, ou seja, a idéia de ordem, as leis que estão por trás da criação, na matemática que se aplica para se compreender a natureza, etc.

Nathan Talbot: A Christian Science é a resposta final para se descobrir que a ciência e a religião estão em acordo e não em guerra.

Laurence Doyle: É importante estar alerta e não permitir que o fundamentalismo defina duas opções limitadas sobre a criação. De um lado, há o fundamentalismo exacerbado da religião, que pode perder a questão, aceitando ensinamentos metafóricos de forma literal. Contudo, existe também um fundamentalismo literal na comunidade científica, que é chamado de “materialismo”. O materialismo é uma ciência fundamentalista. Ela interpreta a forma como causa, ao dizer, por exemplo, que o tempo está dentro do relógio, que o relógio é que guarda o tempo, portanto investigamos o tempo ao dissecar o relógio. Por essa razão, pode-se também perder a questão, ou seja, o princípio subjacente, com esse tipo de abordagem “literalista”.

 Nathan Talbot: Suponho que o criacionismo e o design inteligente têm uma similaridade fundamental, porque ambos têm pesquisado de que forma Deus projetou a matéria. Portanto, eles estarão eternamente combatendo a teoria da evolução, ou seja, que a matéria projetou a matéria. Todos os três grupos: os criacionistas, os evolucionistas e os proponentes do designer inteligente, podem continuar se preocupando interminavelmente sobre a questão de como a matéria foi criada ou tenha se desenvolvido. Parece-me que é aqui que entra em cena a Christian Science e diz: “Espere um pouco, essa é a pergunta errada”.

 Laurence Doyle: Sim. A matemática não está no giz. Podemos ver a matemática expressa, de certo modo, olhando para o que está corretamente escrito a giz no quadro-negro, mas a matemática nunca está no giz. Além disso, o argumento sobre se a matemática entrou no giz há muito tempo por acidente, ou muito mais tarde por meio de um projeto, começa com a premissa incorreta sobre o que a matemática realmente é; ela não é giz. Portanto, precisamos recuar e dizer: “Está bem, é mais importante perguntar: Qual é a realidade neste momento”?

Isso nos ajuda a determinar as perguntas certas a serem feitas sobre o ser. Em seu livro Não e Sim, Mary Baker Eddy escreveu: “O homem é mais do que uma personalidade física, ou aquilo que percebemos através dos sentidos materiais. ... O homem sobrevive às definições finitas e mortais de si mesmo, segundo a lei da 'sobrevivência do mais apto'. O homem é a idéia eterna do seu Princípio divino, ou Pai” (p. 25). Portanto, a Christian Science realmente tem uma lei da sobrevivência do mais apto. O “mais apto” é a realidade espiritual do homem, ou seja, a vida que não é mortal, que não está na matéria; por essa razão, esse homem real espiritual sobrevive porque essa é a verdadeira criação.

 

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Podemos ver a matemática expressa, de certo modo, olhando para o que está corretamente escrito a giz no quadro-negro, mas a matemática nunca está no giz.

 Warren Bolon: Algumas pessoas talvez pensem que, devido ao fato de a Christian Science estar centrada em Deus, os Cientistas Cristãos estariam entre aqueles cristãos que rejeitam totalmente a teoria da evolução de Darwin. No entanto, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras diz: “... a teoria de Darwin, de que a evolução provém de uma base material, é mais coerente do que a maioria das outras” (p. 547). Mas, a Sra. Eddy continua a avançar a partir daí.

Laurence Doyle: Sim, ela continua explicando que a teoria básica de Darwin é a de que a matéria se desenvolve por si mesma e que é nesse ponto que ele erra. A evolução é uma teoria autoconsistente somente se estivermos examinando a evidência do sentido material, e é aí que ela erra. Essa teoria não lida com uma causa espiritual primária ou com o Princípio divino.

Nathan Talbot: Aqui é onde o sentido espiritual é necessário. Quando a Sra. Eddy levanta a questão: “Não foi isso uma revelação em vez de uma criação”? (Ibidem, p. 504), ela abre a porta para o reconhecimento do que realmente aconteceu: “Haja luz”. Toda essa idéia de revelação é um conceito extraordinariamente diferente da realidade. Na verdade, ela está traçando uma linha de demarcação entre o primeiro e o segundo capítulos do Gênesis. Criacionismo, evolução e design inteligente essencialmente lidam com o segundo capítulo do Gênesis para elaborar seus conceitos, ao passo que a Sra. Eddy conduz o pensamento para o primeiro capítulo, e diz: “Aqui está. É uma revelação da existência espiritual em vez de uma criação da matéria”.

Laurence Doyle: Seria difícil encontrar um contraste melhor. Em Gênesis 1, as plantas do campo foram criadas, e tudo era bom. Então, no capítulo 2 uma planta, ou seja, uma árvore no meio do jardim, é tanto boa como má. Primeiro, todos os animais são criados “muito bons”; depois, aparece uma serpente que tenta, e assim por diante.

Nathan Talbot: Adão deu novos nomes a essas coisas e criaturas e as reidentificou como materiais, mas a Sra. Eddy as traz de volta à sua natureza original e verdadeira como espirituais, que é o que elas sempre foram e sempre serão.

Laurence Doyle: Além disso, a criação é contínua, como também tem de ser a realidade espiritual. A criação é agora; ela não foi concluída por um criador e depois deixada para que fosse governada pelas leis da matéria. John Wheeler, que foi colega de Einstein e Professor Emérito de física na Universidade Princeton, chamou a maneira de ver as coisas da emergente física quântica de "o universo participativo". Isso quer dizer que, de acordo com as últimas descobertas da física, parece haver uma natureza contínua à criação, que a criação é um acontecimento atual. Não é algo que ocorreu há muito tempo. Além disso, pelo menos de acordo com a física quântica, a criação se desdobra, de forma fluente e constante, como resultado de um princípio que participa de todos os acontecimentos do universo. A criação ocorre na medida em que as coisas estão sendo observadas.

 

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A Sra. Eddy está nos convidando a admitir que a ciência também é espiritual em vez de material.

Nathan Talbot: Para mim, são muito interessantes as formas com que a consciência continua tentando encontrar um modo de colocar Deus dentro desse cenário. Isso pode tomar diferentes aspectos, palavras diferentes daquelas que nós, Cientistas Cristãos, usaríamos, mas continua acontecendo. Existe uma pequena frase que os adeptos do design inteligente usam em sua luta contra a evolução. Eles falam da evolução como "naturalismo ateísta". Contudo, eles estão no mesmo campo de batalha da evolução, e me parece que, quando a Sra. Eddy se refere ao "ateísmo da matéria" (Ciência e Saúde, p. 580), ela mais ou menos está dizendo a ambos: "Vocês estão travando a batalha errada".

 Laurence Doyle: A Sra. Eddy também escreveu: "A criação e a evolução, ou manifestação, têm de ser espirituais e mentais, pois se originam e estão no Espírito, a Mente, que é tudo o que realmente existe. Isso é Ciência e é passível de comprovação" (Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883-1896, p. 27). Portanto, ela usa "criação", "evolução" e "manifestação" como termos substitutos. É muito interessante que esses mesmos termos tenham se tornado o centro da controvérsia entre os campos da criação e da evolução.

Nathan Talbot: Essa é uma afirmação importante, porque não somente precisamos começar a admitir que a criação é espiritual em vez de material, mas a Sra. Eddy está nos convidando a admitir que a ciência também é espiritual em vez de material. Para alguns, isso talvez possa parecer como um salto impossível de se dar. As pessoas talvez possam começar a perceber a natureza mental das coisas, mas daí a admitir que a ciência seja verdadeiramente espiritual, isto é, que exista uma ciência divina que resolve todas as questões, é algo mais profundo.

 Laurence Doyle: Além do mais, a Sra. Eddy disse que é "passível de comprovação". As curas de Jesus comprovaram a verdade final sobre a criação, e somente tal prova pode resolver o debate.

 Nathan Talbot: Talvez seja por isso que podemos dizer que Jesus verdadeiramente foi "o homem mais científico que já palmilhou a terra" (Ciência e Saúde, p. 313), porque ele realmente provou a natureza espiritual das coisas. Ele nos convidou a fazer também o que ele provara: “Em verdade, em verdade vos digo, que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará...” (João 14: 12).

 

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Jesus penetrava por baixo da aparência superficial dos sentidos, e é isso o que os cientistas devem fazer.

Há alguns anos, tive o que parecia ser pneumonia galopante. A certa altura, quando estava bastante debilitado, ficou realmente muito claro para mim, que o Espírito, não a matéria, era minha verdadeira substância. Fiquei curado instantaneamente, os sintomas da doença desapareceram naquele momento. Cristo Jesus estava certo. Sua vida de espiritualidade mostrou o caminho a ser seguido, por mim e por qualquer pessoa, a fim de provarmos a harmonia da realidade espiritual.

 Laurence Doyle: Ele penetrava por baixo da aparência superficial dos sentidos, e é isso o que os cientistas devem fazer. As pessoas começaram a descobrir a ciência quando começaram a sobrepor a evidência da inteligência sobre a dos sentidos. A partir daí, elas começaram a mudar sua atitude: “É, parece que a terra é plana, mas vou optar pela evidência da inteligência sobre a aparência física”, e assim começou a era científica. Além disso, uma vez que enveredamos por esse caminho, aprendemos que o sol não gira em torno da terra, e isso levou a uma completa revolução científica. A partir daí, podemos ver aonde isso vai nos levar, para o lugar onde a evidência da inteligência é tudo e a evidência dos sentidos é completamente descartada.

Nathan Talbot: Talvez o fato verdadeiramente maravilhoso a respeito dessa revelação, seja o de que ela faz com que todos nós nos tornemos cientistas, no sentido relativo ao Cristo, em nossa capacidade de provar a realidade universal de Deus e Sua bondade. Além disso, provar a incontestável bondade de Deus seria a resposta final à questão da teodicéia.

 

Warren Bolon: Em uma reportagem de jornal sobre as teorias do design inteligente e da evolução, um cientista do Instituto Smithsonian foi citado quando disse: “Uma das regras da ciência diz que nenhum milagre é permitido. Essa é uma premissa fundamental a respeito do que fazemos” (“Ao explicar a complexidade da vida, Darwinistas e céticos entram em choque” [The New York Times, 22/08/2005]). Ele está argumentando contra a noção de que Deus, às vezes, intervém em um mundo material.

Nathan Talbot: Poderíamos concordar: “Nenhum milagre é permitido”. Isso é perfeitamente compatível com a lei divina.

Laurence Doyle: A Sra. Eddy define milagre como: “Aquilo que é divinamente natural, mas tem que ser aprendido humanamente...” (Ciência e Saúde, p. 591). Não existe nada chamado milagre no universo científico, mas existe algo chamado ignorância humana sobre as leis verdadeiras do ser. Quando Jesus curava o doente, por exemplo, desafiava o conceito limitado das pessoas sobre o possível. O que ele fazia era miraculoso para o pensamento humano ignorante, mas era natural pelas leis espirituais do universo.

Certa ocasião, quando estava na floresta amazônica, me alimentava com a comida local e nadava no rio o dia todo. Uma noite, fiquei muito doente. Consegui chegar até um telefone, mas a Praticista da Christian Science, a quem chamara pedindo que orasse por mim, não conseguia me ouvir claramente devido à má conexão. Ela apenas disse: “Está bem, meu caro! Trabalharei agora mesmo!” Bem, antes que voltasse para a cama, percebi que não tinha mais vontade de me deitar.

Tive uma sensação de segurança e de paz profunda, tal como quando a luz do sol dissipa a neblina da estrada no amanhecer, só que, mais rápido. Estava completamente curado. Portanto, esse era um “milagre” bem tangível. Como poderia uma praticista em San Diego, no estado da Califórnia, curar uma pessoa em Manaus, no Brasil, a milhares de quilômetros de distância, instantaneamente? A única explicação é que foi a Mente divina sempre presente que fez a cura, de acordo com a lei espiritual, revelando o que sempre foi verdadeiro, isto é, a realidade natural da saúde como meu verdadeiro ser.

 

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O sentido espiritual nos erguerá acima dos erros do sentido material e verá a realidade espiritual, não ao lado de uma realidade material, mas aqui mesmo, substituindo a realidade material.

 Nathan Talbot: Se confiássemos nos sentidos físicos, então um conceito Darwiniano de realidade poderia facilmente prevalecer porque, apoiado pelo pensamento secular no mundo, parece que foi isso o que aconteceu. É somente pelo sentido espiritual que descobriremos nosso caminho para fora dessa guerra entre a seleção natural e a crença de que Deus tenha criado a matéria. O sentido espiritual nos erguerá acima dos erros do sentido material e verá a realidade espiritual, não ao lado de uma realidade material, mas aqui mesmo, substituindo a realidade material.

 Laurence Doyle: É como se argumentássemos sobre números romanos contra números arábicos, perguntando: “Qual é o número verdadeiro?”. Os números não são criados por seus símbolos limitados, pois eles são mentais. A matemática sempre foi mental, pois é uma idéia. Além disso, a criação é a evolução de idéias inteligentes, como uma expressão contínua do Princípio ou Fonte do universo.

Nathan Talbot: Embora o design inteligente realmente se esforce em colocar Deus de novo no cenário, seu aspecto negativo é que essa teoria talvez faça com que a religião evite ter de enfrentar a questão sobre se a realidade é material ou espiritual. Além do mais, se adotarmos a perspectiva de que ela seja material, voltamos à questão da teodicéia: “Deus é realmente responsável por todo o mal?”

Se formos forçados a descobrir que a realidade é espiritual, então encontraremos uma resposta para a teodicéia. Por outro lado, se adotarmos o design inteligente como nosso senso de realidade, de fato colocaremos Deus de volta no cenário, mas ainda ficamos com enormes problemas em definir o quão amoroso Deus é em realidade.

 Laurence Doyle: A evolução talvez possa vencer a batalha no que concerne à educação, ou seja, como interpretar os fósseis, a geologia e as medidas de tempo da paleontologia. Mas, ao excluir a inteligência espiritual, os evolucionistas se colocaram em um beco sem saída. Além disso, a física, que hoje em dia lidera os debates sobre a natureza da realidade, no momento está sendo posta de lado pelos cientistas não-físicos, que, em grande parte, parecem estar simulando que a matéria seja uma realidade objetiva. Acho que um debate interessante dentro da comunidade científica ocorrerá em breve.

 Nathan Talbot: Você acha que, considerando-se a evolução, o pensamento se desenvolverá até chegar ao ponto de aceitar o primeiro capítulo do Gênesis, ou seja, a realidade espiritual? Ou terá de ocorrer um despertar no pensamento, ao invés de um raciocínio passo-a-passo para entender o primeiro capítulo do Gênesis?

 Laurence Doyle: A razão funciona muito bem se estiver fundamentada na premissa correta. Mas, se começamos com a premissa incorreta, podemos usar a lógica e, ainda assim, chegar a uma conclusão completamente incorreta. Portanto, acho que tem de haver uma revelação inicial ou inspiração, sobre o que realmente é a base da realidade.

 Nathan Talbot: Esta é a solução, ou seja, encontrar a premissa correta. Uma vez que adotarmos o segundo capítulo do Gênesis como premissa, provavelmente vamos ter uma longa batalha sobre inúmeras teorias limitadas. Uma mudança de pensamento, ou o poder do Cristo despertando o pensamento para começar a admitir o significado, as possibilidades e mesmo a realidade do Espírito, como sendo a substância da existência. Essa será a grande bênção.

 Laurence Doyle: A revelação, a razão e a demonstração são todas necessárias, como nos indicou a Sra. Eddy: a revelação para a premissa; a razão para a estrutura e a demonstração para comprovar cientificamente que a razão e a revelação foram completamente compreendidas.

 

 Warren Bolon: Como você disse, a atual controvérsia não é apenas sobre conflitos entre teorias que competem entre si, mas também entre o que as crianças estão aprendendo nas escolas.

Nathan Talbot: Um ponto conflitante é o que envolve aquilo que desejamos que nossos filhos acreditem. Queremos que eles acreditem, como alguns diriam, em um fato científico? Ou queremos introduzir pontos de vista religiosos, alguns dos quais podem estar sendo contestados? Essa é uma questão profundamente importante. Podemos ver a validade desse questionamento em ambos os lados, porque muitas pessoas sinceras não querem ver seus filhos totalmente separados de Deus na escola. Contudo, eles querem que os filhos compreendam a lógica da ciência. 

 Laurence Doyle: ovamente, o fundamentalismo dos dois lados da controvérsia freqüentemente insinua que tudo já está compreendido sobre a criação e a vida, e sobre sua origem. É importante introduzir um pouco de humildade no sistema educacional e dizer: “Está bem, realmente ainda não compreendemos completamente a vida. Vamos retroceder alguns passos e ter um pouco de humildade”.

Percebo, dentro da comunidade científica, uma violenta oposição a respeito do ponto de vista dos criacionistas e dos adeptos do design inteligente, mas sinto que os cientistas estão sendo atraídos a um debate que poderiam evitar. Talvez fosse melhor tomar esta atitude: “Vamos tomar uma posição científica, ou seja, a de que a origem das coisas está se desdobrando e que, finalmente, pelo método científico, compreenderemos o que a vida é”.

É uma questão de seguir o método científico que, por fim revelará a natureza da realidade corretamente, se fielmente aplicado, porque ele testa todas as teorias cientificamente; ou saja, com inteligência. Acho que esse processo, por si só, é sagrado. Portanto, em última análise, os temores do campo religioso, ou seja, de que Deus ficará de fora da criação, serão vistos como sem fundamento e, com certeza, descobriremos que Deus é muito mais do que percebemos atualmente.

 

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Necessitamos de humildade para recuar, ouvir e ser receptivo. Isso será necessário para começarmos a descobrir que a matéria não é a questão, mas, sim, que o Espírito é a realidade.

Nathan Talbot: Laurence, acho que um dos elementos básicos daquilo que você descreveu é a palavra humildade, porque sem ela, o pensamento ficará cada vez mais limitado. Quer sob a perspectiva da ciência ou da religião, necessitamos de humildade para recuar, ouvir e ser receptivo. Isso será necessário para começarmos a descobrir que a matéria não é a questão, mas, sim, que o Espírito é a realidade.

Jesus não via isso como uma teoria. Sua compreensão da realidade espiritual tornava possível que uma pessoa se levantasse da cama e caminhasse, ou que a mão ressequida de um homem ficasse sã, ou que uma febre desaparecesse ou que um pecador se libertasse. Esses são os resultados práticos de uma humildade que nos capacita a compreender a realidade do Espírito, ao invés de presumir a realidade da matéria.

 

Warren Bolon: Portanto, os pontos que vocês discutiram, ou seja, a criação como contínua revelação e não um evento físico, e a naturalidade das curas de Jesus, têm muito em comum: a constância. Ambas rejeitam a idéia de que Deus intervém em um mundo material. Ao contrário, Ele ordenou todas as coisas espiritualmente e o “milagre” é discernir essa ordem em nossa própria vida.

Nathan Talbot: O que é espiritualmente promissor sobre esse conceito de realidade é que ele é científico, tem credibilidade, é confiável; podemos estar certos de que ele cura. Sim, é tremendamente encorajador. A atual controvérsia não é apenas sobre o que deve ser ensinado nas escolas. Na escola da experiência humana, todos nós precisamos abrir o pensamento para o significado desse debate. Além disso, cada vez mais vidas espiritualmente fundamentadas, despertarão para a realidade de Deus. O debate é de importância vital.

Laurence Doyle: Também, não nos contentaremos com nenhuma conclusão até que a natureza dessas descobertas espirituais seja revelada. Queremos que o pensamento continue a ser estimulado, da melhor forma possível.

 

Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, edição de abril de 2006. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados.

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