segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Dia Nacional de Ação de Graças.


"Eu quisera que toda a humanidade 
se unisse, num mesmo dia, 
para um universal 
agradecimento 
a Deus".

Embaixador Joaquim Nabuco



DIA NACIONAL
DE AÇÃO DE GRAÇAS

A virtude da gratidão está em toda a Bíblia. É próprio das almas nobres agradecerem sempre e por todas as coisas. O salmista exclama: "Bom é render graças ao Senhor..." E outra vez: "Entrai por suas portas com ações de graças..." (Sl 92.1 e 100.4). Assim, o render graças a Deus é tão antigo quanto a humanidade. Vem dos tempos antigos e reflete-se ao longo da história.

Em 1609, um grupo de puritanos que estava fugindo da perseguição religiosa na Inglaterra foi viver na Holanda. Esses puritanos moraram na Holanda por alguns anos até que um grupo de investidores ingleses, os Mercadores Aventureiros, financiaram uma viagem para o Novo Mundo.

No dia 6 de setembro de 1620, eles içaram as velas em um navio chamado Mayflower. Cento e dez puritanos, que agora são chamados de peregrinos, deixaram a Inglaterra e chegaram ao Novo Mundo depois de 65 dias. Eles se acomodaram em um local chamada Plymouth, que ficava onde hoje é Massachusetts. O primeiro inverno dos peregrinos foi tão intenso que menos de cinquenta pessoas do grupo conseguiram sobreviver.



No dia 16 de março de 1621, um índio Abnaki chamado Samoset entrou no povoamento de Plymouth. Ele saudou os peregrinos em inglês e no dia seguinte voltou com um outro nativo norte-americano chamado Squanto, que falava inglês muito bem. Com a ajuda de Squanto, os peregrinos conseguiram sobreviver no Novo Mundo. Squanto ensinou a eles como extrair seiva das árvores, como evitar plantas venenosas e como plantar milho e outros alimentos.

O primeiro ano foi doloroso e difícil para aquelas famílias. O frio e as feras eram fatores adversos. Não desanimaram. Todos tinham fé em Deus e nas suas promessas. Cortaram árvores, fizeram cabanas de madeira e semearam o solo, confiantes. Os índios, conhecedores do lugar, ensinaram a melhorar a produção.

No outono de 1621, tiveram uma colheita tão abençoada quanto abundante. Emocionados e sinceramente agradecidos reuniram os melhores frutos, para celebrarem uma grande festa de louvor e gratidão a Deus.

O governador dos peregrinos, William Bradford, convidou os vizinhos nativos norte-americanos para o banquete. Os nativos também trouxeram comida, e a celebração durou três dias. Os historiadores acreditam que essa celebração tenha acontecido em algum dia de outubro.




A tradição universal de celebrar a abundancia
Em geral, pensamos que o Dia de Ação de Graças é uma festa inventada nos Estados Unidos da América do Norte, mas na verdade existe uma grande tradição de celebrações na época da colheita e de Ação de Graças.

Gregos - Todo outono, os antigos gregos faziam uma celebração de três dias para reverenciar Deméter, a deusa do trigo e dos cereais. Os romanos faziam uma celebração parecida, na qual reverenciavam Ceres, a deusa do trigo (a palavra "cereal" é derivada de Ceres). A celebração dos romanos tinha música, desfiles, jogos, esportes e um banquete de Ação de Graças. Era muito parecida com o Dia de Ação de Graças atual.

Uma curiosidade: um dos símbolos mais importantes do Dia de Ação de Graças, a cornucópia, na verdade vem da época dos antigos gregos e romanos. O termo (geralmente descrevendo um vaso em forma de chifre com frutas, flores e outras guloseimas) vem do latim cornu copiae, o que literalmente significa "corno da abundância". Na mitologia grega, a cornucópia é um chifre de cabra que foi enfeitiçado por Zeus para produzir uma quantidade infinita do que seu dono desejar.


Chineses - Os antigos chineses faziam uma festa de colheita chamada Chung Ch'ui para celebrar a lua cheia. As famílias se reuniam para fazer um banquete, que incluía bolos redondos e amarelos chamados "bolos de lua".

Judeus - Na cultura judaica, as famílias também realizavam uma festa de colheita chamada Sukkoth. A Sukkoth vem sendo celebrada há 3 mil anos, com a construção de cabanas com galhos, que são chamadas de succots. Por oito dias, as famílias judaicas fazem suas refeições nessas cabanas, sob o céu noturno.

Egípcios - Os antigos egípcios participavam de uma festa de colheita que reverenciava Min, o deus da vegetação e da fertilidade. Desfiles, música e esportes faziam parte dessas festividades.

Britânicos - Nas Ilhas Britânicas, a maior precursora do Dia de Ação de Graças foi uma festa de colheita chamada Lammas Day (Dia de Lammas). O nome é uma mistura das palavras loaf (pão) e mass (massa) no inglês antigo. No Lammas Day, todas as pessoas vão até a igreja com um pedaço de pão feito com o trigo da primeira colheita. A igreja abençoa o pão para agradecer pela colheita daquele ano.

Na prática, embora o Dia de Ação de Graças não tenha muita coisa em comum com essas tradições religiosas, a intenção é muito parecida.

Estados Unidos - Nos Estados Unidos da América do Norte, os símbolos mais significativos dessa comemoração são os alimentos que os americanos consomem no jantar de Ação de Graças. De maneira geral, esses alimentos celebram o país e o cultivo tradicional. A maioria dos pratos tradicionais do Dia de Ação de Graças é composta por alimentos muito simples da parte norte dos EUA.

A institucionalização do Dia de Ação de Graças nos E.U.A
Muitos consideram o primeiro Dia de Ação de Graças como um exemplo de que pode haver grande respeito e cooperação entre culturas diferentes. Outros, porém, o consideram um símbolo da perseguição dos nativos norte-americanos pelos colonizadores. Infelizmente, o espírito amigável do primeiro Dia de Ação de Graças foi uma pequena exceção em uma longa história de matança entre as tribos nativas e os colonizadores europeus. Hoje em dia, essa parte da história da nação influencia muitos norte-americanos.








Em 1970, alguns nativos norte-americanos começaram a realizar o Day of Mourning (Dia de Luto) no Dia de Ação de Graças, para lembrar a violência e a discriminação sofridas por seus ancestrais. O Dia de Luto é celebrado por um grupo de pessoas no topo da "Coles Hill", que dá vista para Plymouth Rock.





Não se sabe se os próprios peregrinos chamaram aquele primeiro banquete de celebração de Ação de Graças (outubro de 1621), mas eles certamente estavam celebrando a abundância de comida e a paz com seus vizinhos nativos norte-americanos. Dois anos depois (1623), os peregrinos estabeleceram mais claramente a tradição do Dia de Ação de Graças. Depois de um longo período de seca, os peregrinos estavam realizando um dia de jejum e de preces quando começou a chover. Para agradecer o fim da seca, os peregrinos celebraram um Dia de Ação de Graças de verdade.

O costume de celebrar a boa sorte com um Dia de Ação de Graças rapidamente se espalhou pela Nova Inglaterra. No início dos Estados Unidos, os novos líderes da nação começaram a proclamar pelo país inteiro as celebrações do Dia de Ação de Graças.

Na Revolução Americana, por exemplo, o Congresso Continental exigiu um Dia de Ação de Graças para celebrar a vitória dos Estados Unidos na Batalha de Saratoga. Em 1789, o presidente George Washington exigiu um Dia de Ação de Graças em reconhecimento à homologação da Constituição dos EUA.

Em 1817, o estado de Nova York oficialmente adotou um Dia de Ação de Graças anual e alguns outros estados seguiram o exemplo. A maioria celebrava o dia em novembro e alguns poucos, em dezembro. Em meados de 1800, uma editora de revistas chamada Sarah Josepha Hale fez uma campanha para que o Dia de Ação de Graças se tornasse um feriado nacional. Em 1863, o presidente Abraham Lincoln fez exatamente isso: proclamou que o Dia de Ação de Graças seria no último dia de novembro.

Depois da Guerra Civil, o Congresso fez do Dia de Ação de Graças um feriado nacional. Inicialmente, muitos moradores do sul dos EUA consideraram que a parte norte estava tentando induzir o país inteiro a seguir suas tradições particulares. Mas, no fim, todos aceitaram o feriado.

Em 1939, o presidente Franklin Roosevelt mudou o Dia de Ação de Graças para uma semana depois da data anterior para satisfazer os comerciantes, que queriam uma época de compras de Natal mais longa. Muitas pessoas recusaram a mudança e continuaram a comemorar o Dia de Ação de Graças na última quinta-feira de Novembro, como antes. Alguns adversários até mesmo chamaram o novo Dia de Ação de Graças do Roosevelt de "Franksgiving".


Em 1941, o presidente Roosevelt assinou um projeto de lei para que o Dia de Ação de Graças fosse oficialmente comemorado na quarta quinta-feira de novembro. Isso significa que o Dia de Ação de Graças - Thanksgiving Day", cai na última quinta-feira do mês em alguns anos e na penúltima em outros anos.


O DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS NO BRASIL
No Brasil, o presidente Eurico Gaspar Dutra instituiu o Dia Nacional de Ação de Graças, através da lei 781, de 17 de agosto de 1949, por sugestão do embaixador Joaquim Nabuco, entusiasmado com as comemorações que vira em 1909, na Catedral de São Patrício, quando era embaixador em Washington. Na época, falou em tom profético: "Eu quisera que toda a humanidade se unisse, num mesmo dia, para um universal agradecimento a Deus".





Porém, o Decreto nº 57.298, de 19 de novembro de 1965, regulamenta as comemorações do Dia Nacional de Ação de Graças. Finalmente, a Lei 5.110, de 22 de setembro de 1966, assinada pelo Marechal Humberto Castelo Branco determinou que o Dia Nacional de Ação de Graças não seria na última, mas a quarta quinta-feira do mês de novembro, para coincidir nossa celebração com as de outros países. Sendo o Ministério da Justiça o órgão legalmente incumbido de promover a sua celebração.

Em nosso país, esta data é comemorada por muitas famílias de origem americana, universidades confessionais, cursos de inglês e muitas igrejas cristãs. Entre elas, as Igrejas da Ciência Cristã, onde celebram o “Culto de Ação de Graças”. Na cerimonia leem uma Lição Bíblica preparada especialmente para este dia, cantam hinos, além de reservarem um momento para que os presentes agradeçam a Deus, individual e publicamente, as bençãos recebidas.

Ao redor do mundo, são muitas as comunidade que, num grande coro universal de gratidão a Deus, celebram nacionalmente o Dia de Ação de Graças, na quarta quinta-feira de novembro. Sendo eco das palavras de Joaquim Nabuco, grande estadista brasileiro.



“VINDE, CANTEMOS AO SENHOR,

 ... SAIAMOS AO SEU ENCONTRO, COM AÇÕES DE GRAÇAS,

 VITORIEMO-LO COM SALMOS”.

Salmos 95:1,2







sábado, 12 de novembro de 2011

Seminário: "A Dimensão Espiritual do Cuidar" - 26 de novembro de 2011.

Seminário Virtual
26 de novembro de 2011.

"A DIMENSÃO ESPIRITUAL DO CUIDAR"

A enfermagem da Ciência Cristã.

 1ª Oficina Bíblica de Férias (janeiro de 2011) do Acampamento Itinerante Peabiru.




"Um membro de A Igreja Mãe,
que se apresentar
como enfermeiro ou enfermeira da Ciência Cristã,
precisa possuir conhecimento demonstrável
 da prática da Ciência Cristã,
e sabedoria necessária
para agir de modo prático
num quarto de doente, e saber cuidar dos doentes".

Manual da Igreja
de A Primeira Igreja de Cristo Cientista
 em Boston Mass. por Mary Baker Eddy - página 49.


    1ª Oficina Bíblica de Férias (janeiro de 2011) do Acampamento Itinerante Peabiru.



domingo, 30 de outubro de 2011

Jesus vai ao McDonald's.


JESUS VAI AO McDONALD’S.

Resenha de Natalino das Neves[a]
[a] Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista do Paraná
 e Mestrando em Teologia pela Pontificia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), 
Curitiba, PR - Brasil,
e-mail:natalino.neves@ig.com.br
ROSSI, Luiz Alexandre Solano. Jesus vai ao McDonald’s: teologia e sociedade de consumo. São Paulo: Fonte Editorial, 2008.



Luiz Alexandre Solano Rossi é doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), mestre em Teologia pela Faculdade do Instituto Superior Evangélico de Estudos Teológicos (Isedet) em Buenos Aires, e pós-doutor em História Antiga pela Unicamp e em Teologia pelo Fuller Theological Seminary – Califórnia. Autor de vários livros, dentre eles “Crônicas Urbanas”, que recebeu o Prêmio Areté/2005 da Associação de Editores Cristãos. É membro da Academia de Letras de Maringá e Cidadão Benemérito de Maringá. Possui experiência docente em Bíblia Hebraica/Antigo Testamento, Sociologia e Filosofia.

A obra de Rossi aqui resenhada é resultado do pós-doutorado realizado no EUA, cuja apresentação é feita por Norman Gottwald, uma das maiores autoridades em teologia dos Estados Unidos. O tema é tratado em quatro capítulos, dos quais os dois primeiros ressaltam questões teológicas presentes no Livro de Jó. Para isso, faz uma contextualização do livro que discute a origem do sofrimento do pobre e demonstra que por trás do que ele chama de antiteologia está uma grande influência do poder dominante (Império Persa e líderes religiosos de Israel), que faz uso da teologia sapiencial da época para disseminar a Teologia da Retribuição com objetivo de manter o status quo.

Essa teologia formava as pessoas para não questionar, mas se submeter aos desígnios cuja responsabilidade era atribuída a Deus, como forma de dominação. Apresenta Jó como um personagem não literal, figura dos camponeses que eram explorados pelo Império Persa e pelos líderes religiosos de Israel. Utiliza os discursos de Jó e seus “amigos”, representantes da teologia sapiencial dominante, para demonstrar as contradições existentes e a forma “revolucionária” como Jó busca a sua emancipação, questionando a “antiteologia” disseminada até então e da qual ele também era vítima. Essa abordagem conduz ao questionamento da possibilidade de existência de uma religião gratuita, bem como evidencia a necessidade da emancipação das pessoas que são dominadas por uma sociedade de barganha, da famosa negociação do “toma lá, da cá”.

[...] Com essa abordagem, o autor faz um vínculo dessa teologia com a sociedade de consumo da atualidade. Trabalha com o conceito da teologia de consumo, cujos “consumidores” vão à compra em busca de experiências espirituais inovadoras, com resultados rápidos, com “quantidade” e menos esforço, prontas e acabadas, com isso sendo facilmente controlados. Faz uma analogia dessa com o sistema comercial do McDonald’s, que se baseia em quatro dimensões explicitadas pelo autor: eficiência, calculabilidade, previsibilidade e controle. Afirma que essas dimensões estão presentes nas práticas religiosas dos representantes da Teologia da Prosperidade como instrumentos na relação do poder, beneficiando seus líderes, que não se interessam pelos fiéis, mas pelo sistema de poder que os monopolizam.

Afirma que a forma como vemos a história influencia na teologia e nas práticas teológicas, podendo colocar Deus como representante do poder opressor e não como o aliado do pobre e sofredor. Argumenta que o sofrimento de Jesus na cruz é uma demonstração de que Deus não está afastado do sofrimento da humanidade e que é a partir dessa realidade que o ser humano poderá se libertar das estruturas de dominação, que também foram questionadas por Jesus no ministério terreno. Destaca que Deus faz a escolha pelo pobre e, principalmente, pela vida, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

A mercantilização da sociedade tem moldado práticas religiosas e prestado serviço à desumanização. Rossi apresenta uma série de dados estatísticos que comprovam o progressivo distanciamento dos ricos e pobres, e desafia a participação da teologia na mudança dessa realidade por meio da valorização do ser e não do ter. A teologia que deveria conter o desejo desenfreado e atuar em defesa pela vida, em vez disso, no caso da Teologia da Prosperidade, alimenta esse desejo e privilegia a “morte” (desumanização). Conclui ressaltando que a teologia que Jesus pregava é a da solidariedade, da vida em comunidade, simples e sem excesso de consumo.

O autor trata de um assunto sério e preocupante, porém de forma acessível, pois não apresenta termos de difícil compreensão, o que torna a leitura fácil e agradável. Recomendo a leitura desse livro a todo cristão, principalmente para a liderança, pois as maiores conseqüências da aplicação dessa teologia ainda estão por vir, sendo necessária uma conscientização e atitude por parte dos cristãos sérios, que se preocupam com a propagação de um evangelho genuíno e em favor da vida. O discurso de Jesus continua a ecoar: “Eu vim para que tenham vida e vida em abundância”.

Rev. Pistis Prax., Teol. Pastor., Curitiba, v. 2, n. 1, p. 233-235, jan./jun. 2010

Nota: Esta resenha, (JESUS VAI AO MCDONALD.S) não representa o pensamento deste blog ou de qualquer igreja do  Movimento da Ciência Cristã. Parte dela foi publicada, com o objetivo de refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, para alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.


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Leia de 1 Tim. 6:6, 17-19:

"...grande fonte de lucro é a piedade 
com o contentamento.

Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento;

que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir;

que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida."


"Ao discernir os direitos dos homem, 
não podemos deixar de prever o fim de toda opressão. 


A escravidão não é a condição legítima do homem. 


Deus fez livre o homem. 


Paulo disse: “Nasci livre”. 
Todos os homens deveriam ser livres. 
“Onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade”.

Cidadãos do mundo, 
aceitai a “liberdade da glória dos filhos de Deus”,
e sede livres!
Esse é vosso direito divino.

Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras
Mary Baker Eddy

domingo, 12 de junho de 2011

A Bíblia e a historicidade dos fatos.

A Bíblia e a historicidade dos fatos.
 
Ildo Bohn Gass 
biblista, leigo católico.

O presente artigo faz parte do livro Porta de Entrada,
o primeiro de oitos volumes da coleção Uma introdução à Bíblia.
Exemplar da Bíblia de Gutenberg.        
 A Bíblia não é um livro de ciências
e nem um livro de história.

Assim como os livros da Bíblia não são livros de ciência, assim também não podemos lê-los simplesmente como livros de história. A Bíblia é como um espelho em que, através da história do povo hebreu, está refletida a história da humanidade. Eis por que identificamos quase espontaneamente situações que o povo de Israel viveu com situações que estamos vivendo hoje. Assim também identificamos personagens da Bíblia com personagens de nosso tempo, como se Caim e Abel, Abraão e Sara, Moisés e o Faraó, Jeremias e Amós continuassem no meio de nós.



A Bíblia é interpretação da história.


O Papiro Rylands é o fragmento mais antigo
do manuscrito do Evangelho de João, ca. 125 a.C.


Nem tudo o que está narrado nos livros da Bíblia conhecidos como históricos aconteceu do jeito como está escrito. É que, mais do que fazer uma descrição dos fatos como se fossem filmagem, as Escrituras interpretam a história, a vida. Descrevem a experiência de Deus que as pessoas e o povo fazem. Por isso, é correto dizer que, ao estudarmos um texto bíblico, estamos na verdade interpretando uma interpretação.

Na Bíblia, há várias interpretações
da mesma história.
 

Dentro da própria Bíblia tem diferentes interpretações a respeito da mesma história. Por exemplo, a história da tomada da terra narrada no livro de Josué não é a mesma que está narrada no livro dos Juízes. Para exemplificar, veja como em Josué se afirma que toda a Terra Prometida já estava libertada das mãos dos reis (Js 11,23; 21,43-45). Porém, logo adiante, no livro de Juízes, se afirma que ainda faltava muito por conquistar (Jz 1,21.27-35).

Para entender estas diferenças, é importante ter presente que foi um longo processo que essas histórias percorreram até serem fixadas na forma escrita como as temos hoje. Cada texto tem sua intenção teológica. São interpretações diferentes e até contraditórias dos mesmos fatos históricos.

Há, inclusive, uma evolução na reflexão teológica, como se pode perceber, por exemplo, na atribuição dos males que vêm em prejuízo do povo.

Um caso é o recenseamento que o rei Davi fez (2Sm 24,1-15). No v. 10, nos é dito que realizar o censo é pecado. Certamente é pecado, porque parecia querer limitar o poder de Deus, a quem pertence o poder sobre a vida das pessoas. Também é pecado, porque visa fornecer ao rei o número de pessoas para poder melhor explorá-las através dos impostos e para saber o número de homens aptos a serem recrutados para a guerra (v. 9). Quando este texto é escrito, pensava-se ainda que Deus era também o autor do mal. Por isso, diz no v. 1 que foi Deus que incitou a Davi para que fizesse o censo. Quando, séculos mais tarde, o mesmo fato é contado novamente, já houve uma evolução na reflexão teológica em Israel. Agora, o mal já não vem mais de Deus, mas vem de Satã (1Cr 21,1).


A Bíblia nasceu aos poucos.


Como podemos ver, a Bíblia é um livro que nasceu aos poucos. Nasceu da vida de um povo que tentou ser fiel a Deus presente no cotidiano.

Antes do texto escrito vêm experiências vividas pelas mais diferentes pessoas e em lugares variados. Todas essas experiências foram sendo contadas, recontadas durante muito tempo. Só então a memória virou texto.

Sobre os mesmos fatos foram surgindo diferentes tradições de acordo com o meio onde eram narradas, recontadas e escritas. Na cidade, nos palácios e no templo a reelaboração era de um jeito. No campo era de outro. Cada qual de acordo com seus condicionamentos, interesses, limites e horizontes.

Aos poucos, as tradições foram agrupadas dentro de narrativas ou conjuntos maiores, adquirindo um novo colorido, fornecendo respostas novas a novas necessidades, até o texto chegar à sua redação final como o temos hoje.


A Bíblia não quer transmitir os fatos,
mas a intenção, a mensagem a partir dos fatos.


Além disso, a Bíblia não descreve uma história "factual", mas "intencional". O mais importante não é o "fato" em si, mas a "intenção" que o autor quer transmitir. Consequência disso é que a pergunta certa a ser feita ao texto bíblico não pode ser: "o fato foi ou não foi assim?", mas sim: "qual a intenção de quem escreveu o texto?", ou: "o que o texto quer dizer?", ou ainda: "qual sua mensagem?".

Para exemplificar o que acabamos de refletir, lembremo-nos da estória de Caim e Abel (Gn 4). Aqueles que lêem esse texto como fato histórico não conseguem explicar de onde veio a mulher de Caim, quando naquele momento, se lemos o texto ao pé da letra, apenas existiam Adão, Eva e Caim. Se, no entanto, vamos ao texto em busca da intenção do autor, do sentido do texto, certamente encontraremos uma resposta.


A Bíblia não é fotografia nem filmagem,
mas raio-X, isto é, revela a vida por dentro.


A Bíblia não apresenta fotografias ou filmagens dos acontecimentos. Sua interpretação dos fatos vai além das aparências, da cara, da fachada. Por isso é melhor compará-la com um raio-X, isto é, a Bíblia nos revela o sentido profundo que está dentro dos fatos, por trás das palavras. Revela a presença misteriosa de Deus na vida, na história, nas pessoas.

Mais do que uma história de fatos, a Bíblia contém teologias da história. São diferentes maneiras de perceber a presença de Deus nos fatos, das suas maravilhas na vida de seu povo. O que lhe interessa é a pulsação da presença de Deus nas veias dos acontecimentos. A comunidade israelita faz como que "pinturas" e, às vezes, quadros diferentes de uma mesma realidade. Assim acontece com as duas "pinturas" da criação, logo no início do livro do Gênesis.

Compare a primeira narrativa da criação (Gn 1,1-2,4a) com a segunda (Gn 2,4b-25) e perceba como o povo da Bíblia pinta dois quadros muito diferentes para revelar o sentido profundo da vida. A primeira reflete a situação de sofrimento do povo no exílio da Babilônia ao redor de 550 a.C. A segunda, ao relatar o plano de Deus para a criação e a humanidade, retrata como o povo alimentava sua esperança na época da opressão do rei Salomão ao redor de 950 a.C.


A Bíblia nos quer revelar a presença
amorosa de Deus na vida.


Continuando a usar imagens para comparar as Escrituras, poderíamos dizer ainda que a Bíblia é como um binóculo. Quando ficamos olhando para ele, nós só enxergamos ele mesmo, o binóculo. Porém, quando olhamos através dele, vemos o horizonte de outro jeito, com outra perspectiva. Assim também é a Sagrada Escritura. Olhando à distância, ela parece um livro qualquer. Mas se olhamos através dela, aquilo que está por trás das palavras, atrás da lente desse "binóculo", então percebemos sua intenção, que é revelar a presença amorosa de Deus na vida, nos acontecimentos.


Deus se manifestou no passado
e continua se manifestando no presente.


Uma coisa que nos deixa com um pé atrás em relação à Bíblia é a facilidade e frequência com que se diz que Deus apareceu e falou com alguns personagens como Noé, Abraão e Sara, Agar e Jacó, Rebeca e Moisés, Elias e tantos outros. Será que apareceu cara a cara e falou com sua voz? Ora, sabemos que Deus não tem cara e sua voz não vibra no ar. Mas também sabemos que, para comunicar nossas experiências mais profundas, temos que usar imagens. Nós, que temos fé, sabemos que Deus está invisivelmente presente em nossa vida, conhecemos os traços do seu rosto e escutamos sua voz, sobretudo em momentos decisivos.




O  povo tem razão quando diz: "Deus te ouça!", "Deus te guarde!", "Vai com Deus!" e outras expressões que manifestam a presença atuante de Deus em todos os nossos passos. Só podemos falar de Deus através de imagens e figuras.



Nota: Este artigo não representa o pensamento deste blog ou de qualquer igreja do  Movimento da Ciência Cristã. Foi publicado com o objetivo de refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, para alcançarmos o significado espiritual das Escrituras. 
































domingo, 24 de abril de 2011

FOTOS DA ABERTURA E CULTO DE TESTEMUNHOS DA 1ª OFICINA BÍBLICA DE FÉRIAS - 2011.


REUNIÃO DE ABERTURA DAS ATIVIDADES













                                       CULTO DE TESTEMUNHOS