quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Moisés, Maomé, Jesus: Leituras do sagrado e fundamentalismos.

_______________________________________________

Questões sociais, políticas e global.

As pessoas que estudam Ciência Cristã tem opinião diversas. A igreja desta denominação não tem posição oficial sobre questões sociais, políticas ou global. Uma coisa os cientistas cristãos concordam, existe a necessidade de orarmos sobre as questões difíceis que o mundo enfrenta. Na verdade, esta é uma das razões que levou Mary Baker Eddy fundar o The Christian Science Monitor, jornal altamente respeitado e independente, com agencia de notícias internacionais, criado em 1908, com a missão de "Não prejudicar ninguém, mas abençoar toda a humanidade" (A Primeira Igreja de Cristo, Cientista e Miscelânea, p.353), no que se refere as questões sociais, políticas e global.

 

csmlogo_large

NELSON MANDELA E O

The Christian Science MONITOR


Em visita a Sociedade Editora da Ciência Cristã, em Boston, E.U.A., Nelson Mandela disse:

"O Christian Science Monitor era uma companhia constante durante os meus 27 anos de cativeiro. Ele continua me transmitindo esperança e confiança para o futuro da humanidade." Nelson Mandela

"The Christian Science Monitor was well known to me during my 27 years in prison. It continues to give me hope and confidence for the world’s future.” Nelson Mandela

[O herói Sul Africano]…recebia o jornal The Christian Science Monitor durante os anos em que estava isolado do mundo, contudo ele, através deste jornal dedicado à Verdade, tinha a sua janela para o mundo.

Nelson-Mandela

Este homem e seu alto ideal de liberdade e de justiça social encontrou no The Christian Science MONITOR um parceiro, uma voz falando à humanidade quando estava isolado e silenciado.

Faço este registro, pois há muito pouco publicado sobre esta visita de Nelson Mandela ao The Christian Science MONITOR e A Igreja de Cristo, Cientista, em Boston, que publica este jornal que há mais de 100 anos cumpre o seu lema estabelecido por Mary Baker Eddy, sua fundadora:

“Não prejudicar ninguém, mas abençoar a toda a humanidade – “To injure no man, but to bless all mankind.”

Chácara, MG, Brasil 10 de junho de 2010.
Orlando Trentini, C.S.B.

O artigo completo pode ser lido em:

http://www.trentinicsb.com/artigos.php?noticia=75

_____________________________

Artigo título desta página:


Moisés, Maomé, Jesus:

Leituras do sagrado e fundamentalismos

 

Luiz Dietrich

Todas as culturas produziram religião. As religiões respondem a necessidades fundamentais da humanidade. Dentro delas elaboram-se maneiras de enfrentar as chamadas grandes questões existenciais da humanidade: de onde viemos? Porque vivemos? O que acontece conosco ou para onde iremos após a morte? E existe alguma força que interfere no curso de nossas vidas pessoais e coletivas? As religiões ajudam as culturas a elaborarem sentidos para sua existência de forma a permitir a convivência social, a fornecer identidade e dignidade para os grupos humanos.

1242066892634_f

As religiões nascem e se desenvolvem a partir de práticas e propostas significativas para um determinado grupo de pessoas. Aparecem como uma coisa boa. Nascem de uma experiência de vida, de promoção da vida, de resgate da dignidade, de libertação, ou de paz e salvação. Surgem possibilitando uma elevação do patamar da qualidade de vida.

Mas, se é assim, porque a história nos relata tantos massacres e tantas guerras promovidas em nome de religiões? Aqui não estamos pensando nem abordaremos todas as religiões de modo genérico. Trataremos principalmente das três principais religiões de matriz semita que estão mais recentemente ocupando os noticiários e também são as que chegaram mais próximo de nós: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Moisés, Jesus e Maomé. Não falaremos diretamente das religiões dos povos nativos do Brasil e do continente americano, nem das religiões africanas e afro-brasileiras. Mas podem ser consideradas indiretamente, já que muitas vezes na história, estas religiões foram atacadas e suas culturas e seus povos foram destruídos por representantes das religiões semitas.

Mas se as religiões nascem como coisas boas para o povo, como "boas notícias", o que acontece no desenvolvimento e na compreensão das religiões para que elas passem a legitimar ataques, violências, até a morte, a guerra e a destruição de outros povos? Geralmente nos referimos a estas manifestações mais radicais como manifestações de "fundamentalismo". Mas precisamos também ter em mente que nem todo fundamentalismo expressa-se de formas truculentas e agressivas, e que ao falar sobre o fundamentalismo devemos utilizar o conceito no plural, uma vez que "existem diferentes fundamentalismos conforme os diferentes contextos culturais e religiosos em que nasceram e actuam os movimentos, grupos e organizações extremistas."1

Um equívoco epistemológico

Em primeiro lugar é necessário uma tomada de posição no sentido epistemológico. As religiões precisam ser compreendidas, também pelos seus próprios membros, de forma crítica, assumindo "conscientemente a evidência de que o ser humano e nenhum nível, tampouco em nível de conhecimento pode pretender ser o sujeito possuidor de um ponto de vista absoluto. Essa pretensão é absurda e contraditória. A condição insuperável da finitude faz dela uma ilusão impossível. [...] Na religião, como em qualquer outra área da experiência do conhecimento do ser humano, a finitude humana significa um estar obrigado ao exercício ou para a práxis da tolerância, que é também um exercício da escuta e da tolerância do outro." 2

Fornet-Betancourt segue afirmando que é um fato indubitável "que toda a cultura desenvolva sistemas referenciais próprios que se condensam em tradições que, por sua vez, sirvam como fronteiras para tudo o que resulta familiar e compreensível no interior dessa cultura. Não obstante esse fato de que uma cultura possa prover o ser humano que nela nasce de um horizonte com sentido, não suprime a condição de finitude.

Esse horizonte é o horizonte de um ‘umbral' cultural, quer dizer, da ‘fronteira' traçada pelas experiências de uma grupo humano. Por isso nenhuma cultura pode pretender ignorar essa condição da finitude, e elevar sua tradição, seus sistemas de referências etc. à categoria da tradição humana sem mais. Nenhuma tradição humana pode dizer de si mesma que é a tradição humana." 3

Uma das causas da intolerância e da violência legitimadas com leituras para a guerra de seus referenciais religiosos é sem dúvida o esquecimento desta condição, principalmente no discurso que impera dentro de largos setores das religiões acima mencionadas. No caso do cristianismo isto acontece também porque "o ocidente, a partir de sua expansão sistemática desde 1492, não se entende como uma região, mas como eixo da história universal, e confunde desde então o universal com sua própria tradição."4 Mas outra causa esta relacionada com a posse de um livro sagrado, considerado "a Palavra de Deus", e ao qual se faz constante referência.

Livro sagrado: livro que salva, livro que mata

O que ocorre, pelo menos nas três religiões aqui analisadas, é que elas possuem um livro sagrado, uma Palavra de Deus. Por isso são também conhecidas como "religiões do livro". Sucede que ao longo de suas histórias, judaísmo, cristianismo e islamismo, elaboraram livros e num determinado momento estes livros foram ungidos com caráter de santidade e foram instituídos como livros sagrados. Este é outro aspecto que precisa ser muito bem pesado na questão que nos propomos analisar.

Livros, mesmo aqueles escritos por uma só pessoa em um curto espaço de tempo, são por si só obras polissêmicas, abertas a várias possíveis linhas interpretativas. Quanto mais o serão a Bíblia Hebraica, a Bíblia Cristã e o Alcorão, posto que devem o texto com que atualmente apresentam-se para nós ao trabalho redacional de incontáveis autores por períodos de tempo que variam entre meia centena de anos (Alcorão), mais ou menos três séculos (Bíblia Cristã) e quase um milênio (Bíblia Hebraica). Além disso, no círculo hermenêutico devem ser consideradas também todas as possíveis contextualizações a partir das quais estes textos são lidos.

tres-rolos-da-tora-ou-tor_49a51a2d34dc6-p

Assim, um livro como o Alcorão, por exemplo, pode ser lido "como um texto que fala de Deus e das coisas que um ser humano tem que fazer para estar em harmonia com Sua vontade; como um código normativo válido para as organizações sociais; como um texto de antropologia e de cosmologia; como um tratado de filosofia da história; e, por fim, como o código lingüístico fundamental da nova língua, o árabe." 5

Mas a existência de um livro sagrado e a relação muito específica que se estabelece entre o crente e o livro é um aspecto decisivo. Pois "a existência de um livro sagrado e a relação particularíssima que se vem a criar entre o crente e o livro são aspectos que contribuem decididamente para uma definição mais precisa do perfil deste movimento religioso. De fato, só podemos falar de fundamentalismo quando estão presentes os seguintes elementos:

crença no princípio da inerrância do conteúdo do livro sagrado, sendo este último assumido no seu todo como uma totalidade de sentido e de significados que não podem ser selecionados (eliminando, por exemplo, as partes mitológicas e aceitando as que apresentam, simultaneamente, uma validade histórica e universal) e interpretados livremente pela razão humana sob pena de uma deturpação da verdade que o livro sagrado contém;

assunção do princípio da astoricidade da verdade e do livro' que a conserva; astoricidade significa que a razão não tem poderes para perspectivar historicamente a mensagem religiosa nem deve ousar adaptá-la as novas condições que se vão produzindo no decurso dos tempos;

baseado nos dois anteriores princípios, a crença de que é possível deduzir do livro sagrado um modelo integral de sociedade perfeita - superior a qualquer forma de sociedade humana existente, conforme o princípio da superioridade da lei divina sobre a lei terrena - pois a soberania política é legitimada somente pela soberania divina;

por fim, a referência a um princípio absoluto estimula a imaginar a possibilidade de decalcar a «cidade terrena» sobre o modelo ideal de sociedade apresentado no livro sagrado, numa tensão entre o presente e o passado que atribui ao primado do mito da fundação da identidade de um grupo, ou de um povo inteiro, a função simultânea de assinalar o caráter absoluto do sistema de crenças a que cada crente deve aderir e o sentido profundo de coesão que une todos aqueles que a ela pertencem (a ética da fraternidade).6

Esta longa citação se impôs porque, segundo Pace e Stefani, "estes quatro elementos constituem as características distintivas do fundamentalismo e, por isso, podemos assumi-los como quadro que permite uma definição suficientemente ampla capaz de abarcar as várias formas do fenômeno em questão."7

Livro Sagrado: antes de tudo fruto da história humana

Acontece que estes livros permitem leituras para a paz como permitem leituras para a guerra por que nasceram dentro da história humana e são, por isso, marcados pelas virtudes e pelas sombras da humanidade.

Assim leituras para a guerra são também possíveis porque já no próprio processo de constituição tanto destas religiões como de seus livros, em certos estágios elas são apropriadas por determinados grupos sociais que as integram dentro de um projeto de poder. Num primeiro momento essas religiões existem no meio dos seus povos como tradição oral, viva na memória, nas histórias, nas práticas e nas instituições de suas sociedades. Nesse momento não estão ligadas a estruturas estatais, monárquicas e ou imperiais. Mas depois serão integradas dentro da organização sócio-política de um estado e/ou império.

O que acontece é que será somente nesse estágio que essas religiões começam a ser codificadas em textos escritos. É nessas condições que a religião que circulavas entre o povo nas tradições orais ganhará expressão escrita. Torna-se livro. Na forma de livro, escrita, lei do rei, do estado, do imperador, a religião passará a desempenhar outros papéis, será, porém, orientada por uma hermenêutica do poder e para o poder.


É claro que a codificação escrita não mata, não esgota e nem faz desaparecer a religião viva nas histórias orais e na memória do povo, que a instituiu, antes da escrita, como uma palavra boa, como uma Palavra de Deus, como uma religião. O que acontece é que estas duas formas dessas mesmas religiões coexistem, não só no meio do povo, mas também no corpo dos escritos. Coexistem nos textos, ora colidindo, ora competindo, ora excluindo uma a outra.

Coexistem porque o livro para ser sagrado precisa nutrir-se do sagrado instituído antes pelo povo, precisa permitir que o povo se reconheça, se identifique com as palavras escritas, senão não terá a força almejada. Assim os textos sagrados, e a história destas três grandes religiões são como que atravessados por dois riachos de águas abundantes: de um deles, porém, se tiram águas para a guerra, do outro se tiram águas para a paz e para a vida.

 

Moisés

No caso da religião de Israel, embora o livro sagrado, inicie com a narrativa da criação do mundo, o surgimento do povo e da fé de Israel está ligado com o que ficou conhecido como o Êxodo: a libertação dos escravos da opressão do faraó do Egito.

moises

Hoje se sabe que se, por um lado, o grupo dos escravos que se libertaram da opressão egípcia não foi tão grande como se pode inferir de uma leitura mais apressada e superficial dos textos bíblicos - que fala em 600.000 homens, sem contar as mulheres e crianças, além de uma mistura de gente (Ex 12, 37-38) - por outro lado essa história apresenta-se grandiosa, engrandecida, inchada por conter dentro de si, nas linhas e entrelinhas muitas outras histórias de opressão e libertação.

A história dos escravos tornou-se o paradigma preferido para denunciar processos de opressão e para contar experiências de libertação. Assim dentro do que hoje conhecemos como o "Êxodo" temos, por exemplo, também a experiência dos milhares de camponeses cananeus que se libertaram da exploração a que duplamente estavam submetidos nas mãos dos reis cananeus sob o poder do império egípcio. Estes, sem nunca terem pisado no Egito, também foram libertados da opressão egípcia, pois a terra de Canaã estava submetida ao império dos faraós.

Uma nova experiência de Deus

Esta experiência de libertação foi interpretada como fruto de uma intervenção de Deus. Um Deus completamente diferente dos outros deuses conhecidos. Um Deus dos oprimidos, que vê a miséria, ouve o clamor, conhece o sofrimento e desce para libertar os oprimidos (Ex 3,7-8).

Essa experiência de Deus foi radicalmente diferente de todas as outras experiências de Deus que conheciam na época. Os Deuses mais poderosos, vencedores eram os deuses dos reis cananeus, dos faros egípcios. Havia entre os Deuses uma hierarquia semelhante a que havia entre as pessoas. Não se conhecia nenhum Deus libertador dentro das teologias até então existentes.

Os escravos do Egito é que são portadores desta revelação: Existe um Deus contrário à opressão e à exploração. Um Deus que milita para libertar os oprimidos. Essa experiência de Deus é a pedra fundamental para a constituição de Israel, que se concretizará, após a derrubada das cidades-estado cananéias e com a libertação dos camponeses cananeus, no estabelecimento de uma sociedade tribal.

Nas tribos a terra e o poder são partilhados, e nelas as relações são mediadas por leis coerentes com o espírito do Deus libertador, leis que impedem o acúmulo de terras e bens, a opressão e a exploração, e que promovem a solidariedade.

A Monarquia apropria-se do Deus dos camponeses

Israel tribal existe mais ou menos desta forma, sem poder centralizado, entre os anos 1250-1050 a.C. E entre 1050-950 a.C. processos de acumulação de riquezas e poder militar rompem essa sociedade, fazendo surgir uma elite que institui a monarquia e consolida as relações assimétricas. Pela longa duração desse processo podemos ver que ele não aconteceu sem resistência.

A monarquia significa uma centralização de poder, que se faz explorando o trabalho e a produção dos camponeses. Estes são obrigados a entregarem parte de sua produção agro-pastoril, suas filhas e filhos para trabalharem nas obras e guerras decididas pela corte (1Sm 8,11-17). Essa grande modificação introduzida na sociedade exige uma legitimação, que será buscada construindo um grande templo ao Deus libertador a antiga cidade cananéia de Jerusalém e codificando uma teologia, uma espiritualidade e uma liturgia oficial a partir do culto mais importante entre as tribos, o culto ao Deus YHWH.

Dali em diante, Israel terá duas principais vertentes teológicas:

▪ uma a que vem da libertação e da partilha da terra, viva na memória, nos vários santuários tribais e entre as organizações camponesas remanescentes do tribalismo que, de tempos em tempos, é retomada e reapresentada pelos profetas;

▪ outra, a teologia oficial da corte e do Templo de Jerusalém, dos sacerdotes, escribas e funcionários do rei. É então somente a partir da instalação da monarquia, principalmente com Davi e Salomão que a Bíblia começará a ser escrita. Estas duas teologias estão entrelaçadas nos textos sagrados do Judaísmo.

Jesus

Algo semelhante sucede no movimento de Jesus. Jesus, como um reformador da fé de Israel busca resgatar os princípios e as práticas que deram origem ao povo de Israel. Bebe, inspira-se na vertente popular do Deus libertador do Êxodo, na partilha da terra e do poder experimentado no tribalismo, presentes nas mais genuínas tradições de Israel. De mãos dadas com os profetas de Israel, busca superar o legalismo, o ritualismo que se haviam instalado em Israel. Resgata as práticas de solidariedade acolhendo a pessoas pobres, doentes que por serem consideradas impuras eram excluídas do convívio social.

jesus sentado

Ataca as elites que desta forma se auto-legitimavam como justas e puras e cumpridoras da vontade de Deus. Anuncia o julgamento de deus para as elites e o Reino de Deus para os pobres. Seus seguidores organizados em pequenas comunidades domésticas nas periferias das grandes cidades do império romano, traduziram a proposta de Jesus para este contexto criando comunidades de partilha do pão, resgatando a dignidade dos pobres, dos sem-terra, sem-lugar, sem cidadania, sem-liberdade.

 

jesus-lava-os-pes-dos-doz_4d7e3db4c7c37-p

Comunidades reunidas em torno de mesas onde se desfaziam todas as hierarquizações e discriminações existentes tanto nas comunidades judaicas mais tradicionais como na sociedade greco-romana em geral. Ali já "não se distingue mais o judeu do grego, o homem da mulher, o senhor do escravo" (Cf. Gl 3, 27 e 28). A mesa do pão partilhado, em nome do pai e do filho, torna a todos irmãos no mesmo espírito do Deus libertador, e a partir dela cresce uma ética que deve invadir todas as relações que perfazem o cotidiano dos seguidores e seguidoras de Jesus.

Começam a viver concretamente aqui e agora os sinais do que será o Reino de Deus. Assim o cristianismo cresce e se espalha por todo o império. Para reforçar e defender esta prática surgem os escritos que comporão o novo testamento.

Porém dentro do cristianismo, emparedado pelas perseguições contra ele movidas pelo império romano no final do primeiro e no segundo século, crescem algumas correntes que acentuam o patriarcalismo, o espiritualismo e o ritualismo, onde a ética que o distinguia do império se desvanece, correntes que estão prontas para aceitar o imperador em seu meio, e assim certa linha do cristianismo, mais ou menos em torno do ano 400 d.C., torna-se a religião oficial do império romano.

A partir dessa aceitação, começamos a ter também duas formas de ver o cristianismo. Uma, mais coerente com a vida de Jesus e das primeiras comunidades, e outra, instituída e organizada a partir do poder e integrada nos projetos de poder do império romano.

Acts10a

Um pouco diferente do processo do judaísmo é a questão dos escritos. Os escritos do Novo Testamento a estas alturas já estava elaborados. Mas a influência de Constantino se fará sentir na definição do Cânon cristão, na ordem dos livros dentro dele, e principalmente na estruturação do poder e da hierarquia dentro da igreja romana, e na elaboração teológica e na codificação doutrinal que se fará dentro desta nova hermenêutica cristã.

Essas duas vertentes perpassam a Bíblia e adentram na história cristã. Numa alinham-se os profetas, Jesus, e a fraternidade da mesa partilhada na igreja primitiva; da outra provêm a exigência dos sacrifícios, oferendas e tributos, o legalismo e o ritualismo que excluem os pobres e beneficiam e justificam as elites. Embora se refiram a um mesmo Deus, os conflitos entre eles revelam que seus Deuses são diferentes. Entretanto, estas diversas leituras incorporam-se ao texto bíblico e às teologias e fundamentam e possibilitam as várias leituras bíblicas para a paz e para a guerra existentes.

Maomé

Também no Islamismo se pode notar um hiato entre o "Alcorão oral" e o "Alcorão escrito". Em outras palavras, entre aquilo que através da viva voz do profeta foi considerado revelação de Deus; e a fixação do cânon da vulgata oficial escrita do Alcorão.

maome

Maomé, nascido em torno de 570 d.C., órfão muito cedo tem uma infância miserável, é criado por um tio, onde com dificuldades torna-se mercador. Depois casa-se com Khadija, rica herdeira de dois casamentos anteriores, com ela Muhamad tem vários filhos, que morrem precocemente, e umas quatro filhas, entre as quais Fátima, que era a sua predileta.

Este casamento dá a Muhamad uma posição social e também mais tempo para si. Assim, os relatos referem-se á suas primeiras experiências extáticas quando tinha em torno de 35 anos de idade. Os habitantes da Península árabe adoravam muitos deuses e deusa e estavam separados por diversas crenças concorrentes, além de entre eles haverem seguidores do Judaísmo e também do cristianismo.

Essa diversidade de divindades e crenças, aliadas às diferenças sociais, à diversidade de interesses políticos e comerciais, tornava o mundo árabe uma enorme colcha de retalhos, altamente compósito, fragmentado, dilacerado e hierarquizado, fraco e dominado na relação com os povos vizinhos. Mas esta diversidade era fonte de lucro para a oligarquia que controlava a cidade de Meca, entregue ao comércio, ávida de lucros e prazeres.

No meio de um povo sem identidade definida, dividido e sem força, situação que a alguns beneficiava, mas que para a maioria era causa de submissão e pobreza, Maomé começa a pregar a igualdade, o amor, o repúdio à usura e a certeza de uma vida melhor no além-túmulo para quem assim procedesse.

Nesse ambiente a pregação de Maomé é marcada por uma solidariedade ética que decisivamente ultrapassava os limites das tradicionais pertenças étnicas, clânicas e religiosas. Irmanam-se frente a Deus e a suas leis. Atraía sobretudo os descontentes com as injustiças sociais e desgostosos com as práticas das classes dominantes.

Esta pequena comunidade ao ser ameaçada pelos grupos que não aceitam a nova proposta apresentada por Maomé, defende-se, inclusive militarmente. Isso já acontece após a Hégira, migração de Meca para Yathrib, depois será chamada de al Madinat - Medina, a cidade. Também assim haviam agido as tribos de Israel.

meca1

Apesar de muitos percalços e perigos Maomé se fortalece e sai vitorioso e em 630 chega ao poder em Meca. Longe de mostrar-se vingativo com aqueles que o combateram, age com moderação e magnanimidade perdoando inclusive chefes dos seus inimigos.

Embora tenha destruído cerca de trezentos dos ídolos adorados em Meca, e proibido a reprodução das formas humanas, procurou modificar o menos possível os rituais religiosos, inclusive mantendo a peregrinação anual e o caráter sagrado da Caaba, incorporando assim o principal rito árabe pagão ao islamismo, e designando Meca como o novo ponto focal da oração muçulmana, dessa forma deixou de ser um dissidente para tornar-se um reformador que cheio de amor por sua cidade natal resolveu purificá-la e fazer dela o centro social e religioso do Islam.

Maomé morre em 8 de junho de 632. E é só depois de sua morte que se coloca a questão da sistematização da palavra sagrada num texto definitivo. Maomé não deixou nada escrito de seu próprio punho. A redação do Alcorão ocorrerá somente depois de sua morte, entre os anos 644-656, em um momento preciso no qual a estrutura do califado começa a mudar de estatuto para se tornar a estrutura de poder de poderosas famílias dinásticas.

Os 114 capítulos (em árabe: suras) são tradicionalmente divididos entre os que remontariam ao período inicial do profeta em Meca e outros que derivariam de Medina. No texto a ordem está invertida com relação a ordem histórica que foi de Medina para Meca. Da mesma forma como na Bíblia as coisas não são tão pacíficas como parecem. A organização dos textos reflete um plano coerente com as necessidades de um poder que sente a exigência de fundamentar a autoridade às novas organizações sociais e políticas que estavam sendo criadas.

Os capítulos que seriam oriundos de Meca refletem a condição extática do profeta, numa linguagem profética cifrada, típica, reforçando mais os aspectos de uma religião de liberdade individual. E nos de Medina, predomina a forma de artigos de um código jurídico, em linguagem prescritiva, tanto para o ambiente jurídico quanto para o ambiente ritual, com o intuito de padronizar o comportamento das pessoas, funcional aos aparelhos de poder do tempo em que o Texto sagrado é redigido e dotado da unção oficial. Mas aí já começam também os tempos de império e de violência

Concluindo

Para um mundo de convivência fraterna entre os povos, onde predominem as leituras dos textos sagrados para a paz muito ainda há por avançar. É claro que não é só uma questão de mudança de hermenêutica, mas sem dúvida esta mudança é fundamental. Igualmente uma auto-compreensão menos arrogante, historicamente situada, de nossas tradições religiosas, o reconhecimento dos erros e um pedido de perdão pelas violências cometidas.

Entretanto a efetividade destas atitudes se verificará com o desmantelamento das estruturas e doutrinas que tornaram possíveis e aceitáveis estas violências no passado. Se este desmantelamento não ocorrer o pedido de perdão será inócuo, pois as atitudes violentas continuarão aninhadas nos velhos suportes e neles encontrarão apoio para suas novas estocadas.

É preciso contemplar no mistério da Vida este grande mistério ao qual a humanidade dá muitos nomes. Não devemos adorar um Deus tão pequeno que caiba totalmente dentro de nossos livros sagrados, ou de nossas culturas e religiões.

costurado à mão por Susan E. Kilborn

“Deus é Amor”

Ilustração:www.longyear.org

Quando se perde a noção do mistério acaba a humildade, entra a prepotência e vai se acabando a humanidade, porque afinal de contas humildade e humanidade tem ambas raiz na finitude do húmus. Mas acima de tudo, esta atitude de superioridade nos leva a sermos algozes da vida, na inferiorização do outro, da outra, sejam estes humanos ou não, e não permite que experimentemos com profundidade o prazer de sermos aprendizes e co-autores da grande sinfonia da vida em toda a sua tremenda e complexa diversidade.

 

Luiz José Dietrich


Referências Bibliográficas

FORNET-BETANCOURT, Raúl, Religião e interculturalidade, (Tradução de Antônio Sidekum), São Leopoldo : Sinodal/Nova Harmonia, 2007.

PACE, Enzo, Sociologia do Islã. Fenômenos religiosos e lógicas sociais, (Tradução de Ephraim Ferreira Alves), Petrópolis : Vozes, 2005.

PACE, Enzo, STEFANI, Piero, Fundamentalismo religioso contemporâneo. Raízes islâmicas, protestantes, hebraicas, hinduístas (sic!). Leitura fundamentalista da Bíblia. (Tradução de José Jacinto Correia Serra), São Paulo : Paulus, 2002.

KAMEL, Ali, Sobre o Islã. A afinidade entre muçulmanos, judeus e cristãos e as origens do terrorismo. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 4ª impressão, 2007.

ARMSTRONG, Karen, Em nome de Deus. O fundamentalismo no Judaísmo, no Cristianismo e no Islamismo. (Tradução de Hildegard Feist), São Paulo : Companhia das Letras, 2001.

ARMSTRONG, Karen, A Bíblia. Uma biografia. (Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges), Rio de Janeiro : Jorge Zahar Editor, 2007.

PETERS, F. E., Os monoteístas. Volume I: Os povos de Deus. (Tradução de Jaime A. Clasen), São Paulo : Editora Contexto, 2007.

SOARES, Sebastião Armando Gameleira, "Reler Paulo. Desafio à Igreja", em: A Palavra na Vida, 79/80, São Leopoldo : CEBI, 1984.

BOHN GASS, Ildo, Uma introdução à Bíblia, volumes 1-8, São Leopoldo : CEBI/Paulus, 2002-2005.

BARRERA, Julio Trebole, A Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã. Uma introdução à história da Bíblia. (Tradução Pe. Ramiro Mincato), Petrópolis : Vozes, 2ª edição, 1999.

CEBI/ Luiz Dietrich

CEBI - Centro de Estudos Bíblicos
www.cebi.org.br

____________________


O QUE É FUNDAMENTALISMO

Leonardo Boff

Texto selecionado do livro Fundamentalismo: A Globalização e o Futuro da Humanidade

Fundamentalismo não é uma doutrina. Mas uma forma de interpretar e viver uma doutrina É assumir a letra das doutrinas e normas sem cuidar de seu espírito e de sua inserção no processo cambiante da história, que obriga a contínuas interpretações e atualizações, exatamente para manter sua verdade essencial. Fundamentalismo representa a atitude daquele que confere caráter absoluto ao seu ponto de vista.

Sendo assim, imediatamente surge grave conseqüência: quem se sente portador de uma verdade absoluta não pode tolerar outra verdade, e seu destino é a intolerância. E a intolerância gera o desprezo do outro, e o desprezo, a agressividade, e a agressividade, a guerra contra o erro a ser combatido e exterminado. Irrompem conflitos religiosos com incontáveis vítimas.

Nota: O texto Moisés, Maomé, Jesus: Leituras do sagrado e fundamentalismos não representa necessariamente o pensamento deste blog ou de qualquer igreja do Movimento da Ciência Cristã. Foi publicado com o objetivo de refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, sem esquecermos as dimensões política, social, cultural e econômica, para alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

__________________

Para pensar:

As decisões por voto de comissões eclesiásticas sobre o que deve ou não deve ser considerado Escritura Sagrada; os erros evidentes das antigas versões; as trinta mil variantes do Antigo Testamento e as trezentas mil do Novo - esses fatos mostram como um sentido mortal e material se insinuou no relato divino, obscurecendo até certo ponto, com seu próprio matiz, as páginas inspiradas. Os enganos, porém, não puderam obscurecer inteiramente a Ciência divina das Escrituras, a qual se revela desde o Gênesis até o Apocalipse, nem deturpar a demonstração de Jesus, nem anular a cura operada pelos profetas, os quais previram que "a pedra que os construtores rejeitaram" se tornaria "a principal pedra", a "angular".

Ciência e Saúde com Chave das Escrituras de Mary Baker Eddy (Edição - 1910).

“O cristianismo nunca assentará em um Princípio divino para assim ser reconhecido como infalível, sem que antes se alcance sua Ciência absoluta. Quando isso for conseguido, nem orgulho, nem os preconceitos, nem a intolerância, nem a inveja poderão saloprar seus alicerces, pois estará edificado sobre a rocha, Cristo.”

Ciência e Saúde com Chave das Escrituras de Mary Baker Eddy (Edição - 1910).

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Top 10 dos equívocos sobre a Ciência Cristã


O Top 10 dos equívocos sobre


a Ciência Cristã



Tradução profissional de Leila Kommers, leitura final e adaptação por Jackson GuterresPorto Alegre-RS, para o Blog http://bemviver.me/




Na sexta-feira passada, tomei um café com Bruce Reyes-Chow, antigo Moderador da Igreja Presbiteriana (USA), pastor fundador da Mission Bay Community Church de São Francisco, um ávido networker social, um fã do Oakland A e um blogueiro muito lido.
Passamos a maior parte do tempo conversando sobre tudo sobre “mídia social” – com alguns desvios para comparar notas sobre beisebol e computadores Mac. Fiquei impressionado por suas muitas realizações, seu amor pela igreja, a autenticidade e profundidade de suas paixões – e suas boas perguntas. Encaminhando-se para o fim de nossa conversa, algo que Bruce me perguntou realmente me chamou a atenção:

“Quais são os 10 mitos mais absurdos sobre
a Ciência Cristã na sua opinião?”

Já estávamos conversando por mais de uma hora e Bruce tinha saído para outra reunião antes que eu pudesse responder, motivo pelo qual estou usando este post para responder a sua pergunta.  Portanto, sem maiores alvoroços, aqui está minha lista – juntamente com uma (talvez muito) breve resposta para cada item.

(10) A Ciência Cristã não é Cristã - Apesar de meu “estilo” de cristianismo não parecer exatamente similar à pessoa ao meu lado, isso não significa que eu seja menos “cristão”. Para mim a prova final de minha fé vem com apenas uma questão: Estou fazendo o máximo para imitar a vida de Jesus e seguir tanto em pensamentos quanto em ações o que ele pediu a seus discípulos – agora e sempre?

(9) A Ciência Cristã não é uma religião baseada na Bíblia – Este conceito sempre me deixa perplexo, já que eu leio a Bíblia praticamente todos os dias da semana, assim como a maioria dos Cientistas Cristão que eu conheço. Na verdade, Mary Baker Eddy, que fundou a religião, certa vez descreveu a Bíblia como seu “único livro texto”.

(8) A Ciência Cristã é uma seita - É possível que esse conceito errôneo origine-se do fato de que os Cientistas Cristãos geralmente referem-se a Mary Baker Eddy com termos cheios de elogios. Entretanto, não devemos confundir admiração com endeusamento. Eddy escreveu certa vez: “Siga-me somente enquanto eu seguir Cristo.”.

(7) A Ciência Cristã é o mesmo que Cientologia – As palavras podem parecer similares, mas não há absolutamente nenhuma conexão – teológica, histórica, ou qualquer que seja – entre as duas.

(6) A Ciência Cristã é uma religião do “Novo Pensamento” ou da “Nova Era” – Apesar das práticas do “Novo Pensamento” e da “Nova Era” descreverem aspectos de uma variedade de tradições religiosas e filosóficas, a Ciência Cristã permanece uma religião decidida e exclusivamente cristã, fundada para expressar o propósito de “comemorar a palavra e as obras de [Jesus], à qual cumpre restabelecer o cristianismo primitivo e se elemento de cura, que se havia perdido” (Manual da Igreja de A Primeira Igreja de Cristo, Cientista).

(5) Os Cientistas Cristãos odeiam médicos - Só porque não tenho ido ao médico nestes inúmeros últimos anos, não significa que eu tenha algo contra eles. Pelo contrário, não tenho nada contra, a não ser respeito por aqueles que devotam suas vidas à saúde e ao bem-estar dos outros. Para mim, não tem a ver com recusar ir ao médico, mas escolher confiar em uma forma de cuidados com a saúde (ou seja, usar a oração em vez de tratamento médico convencional) que é comprovadamente muito eficaz. Devo mencionar, também, que minha igreja não me proíbe de ir ao médico. Esta decisão é deixada para mim, única e exclusivamente.

(4) Quando os Cientistas Cristãos oram, eles não estão realmente fazendo nada – Quando eu oro, não estou implorando a algum Ser em algum lugar distante que possa ou não escolher atender meu desejo. Também não estou simplesmente “esperando pelo melhor”. Tem mais a ver com estar mentalmente aberto às leis divinas de Deus indicadas nas curas que lemos na Bíblia, que permanecem disponíveis para todos, em qualquer lugar, até hoje. Esta mudança de pensamentos tem o efeito de transformar, não apenas meu estado mental, como também minha condição física.

(3) Os Cientistas Cristãos estão dispostos a comprometer seus filhos – De modo geral o argumento fica algo assim: “Uma coisa é um adulto arriscar-se em confiar na oração para a cura, mas outra é forçar isso aos seus filhos.” Concordo completamente. E apesar de não poder falar por todos que cresceram em um lar na Ciência Cristã, posso dizer que não foi assim que fui criado.  A Ciência Cristã nunca me forçou, mas era algo que eu tinha que perceber por mim mesmo. O resultado era que, mesmo muito jovem, aprendi que confiar em Deus para a cura não é arriscado de forma alguma, mas imensamente prático.

(2) A Ciência Cristã ensina que quando alguém morre é a “vontade de Deus” – Simplificando, a Ciência Cristã ensina que nunca, jamais, é a vontade de Deus, quando alguém sofre ou morre.

(1) A Ciência Cristã nunca realmente curou alguém – Com o passar dos anos, já houve mais de 80.000 testemunhos verificados de cura publicados nas várias publicações da Igreja – muitos envolvendo casos que foram diagnosticados por médicos, todas estas curas foram realizadas através da confiança na oração somente. Estamos falando de indisposições a doenças cardíacas, tuberculose, Alzheimer, AIDS e câncer – sem mencionar minha própria cura de machucados múltiplos internos e externos. Isso realmente aconteceu? Pergunte às pessoas que foram curadas.

Obrigado por sua pergunta, Bruce. Fique ligado para mais desmistificação pelo caminho.

Fonte: Top 10 Misconceptions postado em 21/2/2011 – Eric Nelson Porta-Voz da Ciência Cristã para a Califórnia do Norte.









segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Dia Nacional de Ação de Graças.


"Eu quisera que toda a humanidade 
se unisse, num mesmo dia, 
para um universal 
agradecimento 
a Deus".

Embaixador Joaquim Nabuco



DIA NACIONAL
DE AÇÃO DE GRAÇAS

A virtude da gratidão está em toda a Bíblia. É próprio das almas nobres agradecerem sempre e por todas as coisas. O salmista exclama: "Bom é render graças ao Senhor..." E outra vez: "Entrai por suas portas com ações de graças..." (Sl 92.1 e 100.4). Assim, o render graças a Deus é tão antigo quanto a humanidade. Vem dos tempos antigos e reflete-se ao longo da história.

Em 1609, um grupo de puritanos que estava fugindo da perseguição religiosa na Inglaterra foi viver na Holanda. Esses puritanos moraram na Holanda por alguns anos até que um grupo de investidores ingleses, os Mercadores Aventureiros, financiaram uma viagem para o Novo Mundo.

No dia 6 de setembro de 1620, eles içaram as velas em um navio chamado Mayflower. Cento e dez puritanos, que agora são chamados de peregrinos, deixaram a Inglaterra e chegaram ao Novo Mundo depois de 65 dias. Eles se acomodaram em um local chamada Plymouth, que ficava onde hoje é Massachusetts. O primeiro inverno dos peregrinos foi tão intenso que menos de cinquenta pessoas do grupo conseguiram sobreviver.



No dia 16 de março de 1621, um índio Abnaki chamado Samoset entrou no povoamento de Plymouth. Ele saudou os peregrinos em inglês e no dia seguinte voltou com um outro nativo norte-americano chamado Squanto, que falava inglês muito bem. Com a ajuda de Squanto, os peregrinos conseguiram sobreviver no Novo Mundo. Squanto ensinou a eles como extrair seiva das árvores, como evitar plantas venenosas e como plantar milho e outros alimentos.

O primeiro ano foi doloroso e difícil para aquelas famílias. O frio e as feras eram fatores adversos. Não desanimaram. Todos tinham fé em Deus e nas suas promessas. Cortaram árvores, fizeram cabanas de madeira e semearam o solo, confiantes. Os índios, conhecedores do lugar, ensinaram a melhorar a produção.

No outono de 1621, tiveram uma colheita tão abençoada quanto abundante. Emocionados e sinceramente agradecidos reuniram os melhores frutos, para celebrarem uma grande festa de louvor e gratidão a Deus.

O governador dos peregrinos, William Bradford, convidou os vizinhos nativos norte-americanos para o banquete. Os nativos também trouxeram comida, e a celebração durou três dias. Os historiadores acreditam que essa celebração tenha acontecido em algum dia de outubro.




A tradição universal de celebrar a abundancia
Em geral, pensamos que o Dia de Ação de Graças é uma festa inventada nos Estados Unidos da América do Norte, mas na verdade existe uma grande tradição de celebrações na época da colheita e de Ação de Graças.

Gregos - Todo outono, os antigos gregos faziam uma celebração de três dias para reverenciar Deméter, a deusa do trigo e dos cereais. Os romanos faziam uma celebração parecida, na qual reverenciavam Ceres, a deusa do trigo (a palavra "cereal" é derivada de Ceres). A celebração dos romanos tinha música, desfiles, jogos, esportes e um banquete de Ação de Graças. Era muito parecida com o Dia de Ação de Graças atual.

Uma curiosidade: um dos símbolos mais importantes do Dia de Ação de Graças, a cornucópia, na verdade vem da época dos antigos gregos e romanos. O termo (geralmente descrevendo um vaso em forma de chifre com frutas, flores e outras guloseimas) vem do latim cornu copiae, o que literalmente significa "corno da abundância". Na mitologia grega, a cornucópia é um chifre de cabra que foi enfeitiçado por Zeus para produzir uma quantidade infinita do que seu dono desejar.


Chineses - Os antigos chineses faziam uma festa de colheita chamada Chung Ch'ui para celebrar a lua cheia. As famílias se reuniam para fazer um banquete, que incluía bolos redondos e amarelos chamados "bolos de lua".

Judeus - Na cultura judaica, as famílias também realizavam uma festa de colheita chamada Sukkoth. A Sukkoth vem sendo celebrada há 3 mil anos, com a construção de cabanas com galhos, que são chamadas de succots. Por oito dias, as famílias judaicas fazem suas refeições nessas cabanas, sob o céu noturno.

Egípcios - Os antigos egípcios participavam de uma festa de colheita que reverenciava Min, o deus da vegetação e da fertilidade. Desfiles, música e esportes faziam parte dessas festividades.

Britânicos - Nas Ilhas Britânicas, a maior precursora do Dia de Ação de Graças foi uma festa de colheita chamada Lammas Day (Dia de Lammas). O nome é uma mistura das palavras loaf (pão) e mass (massa) no inglês antigo. No Lammas Day, todas as pessoas vão até a igreja com um pedaço de pão feito com o trigo da primeira colheita. A igreja abençoa o pão para agradecer pela colheita daquele ano.

Na prática, embora o Dia de Ação de Graças não tenha muita coisa em comum com essas tradições religiosas, a intenção é muito parecida.

Estados Unidos - Nos Estados Unidos da América do Norte, os símbolos mais significativos dessa comemoração são os alimentos que os americanos consomem no jantar de Ação de Graças. De maneira geral, esses alimentos celebram o país e o cultivo tradicional. A maioria dos pratos tradicionais do Dia de Ação de Graças é composta por alimentos muito simples da parte norte dos EUA.

A institucionalização do Dia de Ação de Graças nos E.U.A
Muitos consideram o primeiro Dia de Ação de Graças como um exemplo de que pode haver grande respeito e cooperação entre culturas diferentes. Outros, porém, o consideram um símbolo da perseguição dos nativos norte-americanos pelos colonizadores. Infelizmente, o espírito amigável do primeiro Dia de Ação de Graças foi uma pequena exceção em uma longa história de matança entre as tribos nativas e os colonizadores europeus. Hoje em dia, essa parte da história da nação influencia muitos norte-americanos.








Em 1970, alguns nativos norte-americanos começaram a realizar o Day of Mourning (Dia de Luto) no Dia de Ação de Graças, para lembrar a violência e a discriminação sofridas por seus ancestrais. O Dia de Luto é celebrado por um grupo de pessoas no topo da "Coles Hill", que dá vista para Plymouth Rock.





Não se sabe se os próprios peregrinos chamaram aquele primeiro banquete de celebração de Ação de Graças (outubro de 1621), mas eles certamente estavam celebrando a abundância de comida e a paz com seus vizinhos nativos norte-americanos. Dois anos depois (1623), os peregrinos estabeleceram mais claramente a tradição do Dia de Ação de Graças. Depois de um longo período de seca, os peregrinos estavam realizando um dia de jejum e de preces quando começou a chover. Para agradecer o fim da seca, os peregrinos celebraram um Dia de Ação de Graças de verdade.

O costume de celebrar a boa sorte com um Dia de Ação de Graças rapidamente se espalhou pela Nova Inglaterra. No início dos Estados Unidos, os novos líderes da nação começaram a proclamar pelo país inteiro as celebrações do Dia de Ação de Graças.

Na Revolução Americana, por exemplo, o Congresso Continental exigiu um Dia de Ação de Graças para celebrar a vitória dos Estados Unidos na Batalha de Saratoga. Em 1789, o presidente George Washington exigiu um Dia de Ação de Graças em reconhecimento à homologação da Constituição dos EUA.

Em 1817, o estado de Nova York oficialmente adotou um Dia de Ação de Graças anual e alguns outros estados seguiram o exemplo. A maioria celebrava o dia em novembro e alguns poucos, em dezembro. Em meados de 1800, uma editora de revistas chamada Sarah Josepha Hale fez uma campanha para que o Dia de Ação de Graças se tornasse um feriado nacional. Em 1863, o presidente Abraham Lincoln fez exatamente isso: proclamou que o Dia de Ação de Graças seria no último dia de novembro.

Depois da Guerra Civil, o Congresso fez do Dia de Ação de Graças um feriado nacional. Inicialmente, muitos moradores do sul dos EUA consideraram que a parte norte estava tentando induzir o país inteiro a seguir suas tradições particulares. Mas, no fim, todos aceitaram o feriado.

Em 1939, o presidente Franklin Roosevelt mudou o Dia de Ação de Graças para uma semana depois da data anterior para satisfazer os comerciantes, que queriam uma época de compras de Natal mais longa. Muitas pessoas recusaram a mudança e continuaram a comemorar o Dia de Ação de Graças na última quinta-feira de Novembro, como antes. Alguns adversários até mesmo chamaram o novo Dia de Ação de Graças do Roosevelt de "Franksgiving".


Em 1941, o presidente Roosevelt assinou um projeto de lei para que o Dia de Ação de Graças fosse oficialmente comemorado na quarta quinta-feira de novembro. Isso significa que o Dia de Ação de Graças - Thanksgiving Day", cai na última quinta-feira do mês em alguns anos e na penúltima em outros anos.


O DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS NO BRASIL
No Brasil, o presidente Eurico Gaspar Dutra instituiu o Dia Nacional de Ação de Graças, através da lei 781, de 17 de agosto de 1949, por sugestão do embaixador Joaquim Nabuco, entusiasmado com as comemorações que vira em 1909, na Catedral de São Patrício, quando era embaixador em Washington. Na época, falou em tom profético: "Eu quisera que toda a humanidade se unisse, num mesmo dia, para um universal agradecimento a Deus".





Porém, o Decreto nº 57.298, de 19 de novembro de 1965, regulamenta as comemorações do Dia Nacional de Ação de Graças. Finalmente, a Lei 5.110, de 22 de setembro de 1966, assinada pelo Marechal Humberto Castelo Branco determinou que o Dia Nacional de Ação de Graças não seria na última, mas a quarta quinta-feira do mês de novembro, para coincidir nossa celebração com as de outros países. Sendo o Ministério da Justiça o órgão legalmente incumbido de promover a sua celebração.

Em nosso país, esta data é comemorada por muitas famílias de origem americana, universidades confessionais, cursos de inglês e muitas igrejas cristãs. Entre elas, as Igrejas da Ciência Cristã, onde celebram o “Culto de Ação de Graças”. Na cerimonia leem uma Lição Bíblica preparada especialmente para este dia, cantam hinos, além de reservarem um momento para que os presentes agradeçam a Deus, individual e publicamente, as bençãos recebidas.

Ao redor do mundo, são muitas as comunidade que, num grande coro universal de gratidão a Deus, celebram nacionalmente o Dia de Ação de Graças, na quarta quinta-feira de novembro. Sendo eco das palavras de Joaquim Nabuco, grande estadista brasileiro.



“VINDE, CANTEMOS AO SENHOR,

 ... SAIAMOS AO SEU ENCONTRO, COM AÇÕES DE GRAÇAS,

 VITORIEMO-LO COM SALMOS”.

Salmos 95:1,2







sábado, 12 de novembro de 2011

Seminário: "A Dimensão Espiritual do Cuidar" - 26 de novembro de 2011.

Seminário Virtual
26 de novembro de 2011.

"A DIMENSÃO ESPIRITUAL DO CUIDAR"

A enfermagem da Ciência Cristã.

 1ª Oficina Bíblica de Férias (janeiro de 2011) do Acampamento Itinerante Peabiru.




"Um membro de A Igreja Mãe,
que se apresentar
como enfermeiro ou enfermeira da Ciência Cristã,
precisa possuir conhecimento demonstrável
 da prática da Ciência Cristã,
e sabedoria necessária
para agir de modo prático
num quarto de doente, e saber cuidar dos doentes".

Manual da Igreja
de A Primeira Igreja de Cristo Cientista
 em Boston Mass. por Mary Baker Eddy - página 49.


    1ª Oficina Bíblica de Férias (janeiro de 2011) do Acampamento Itinerante Peabiru.