quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

FILHOS DE ISRAEL

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Conteúdo desta postagem:
- As doze tribos de Israel e seus símbolos

- As tribos de Israel e suas características bíblicas

- Algumas definições do Glossário do livro Ciência e Saúde com a Chave das   Escrituras, de Mary Baker Eddy, referente a história  das tribos de Israel

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1º  Oficina  Bíblica  de  Férias  realizada em janeiro de 2011 -
Garuva, SC, Brasil.


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AS DOZE TRIBOS DE ISRAEL
E SEUS SÍMBOLOS
 
 

Atividade realizada durante a 1ª Oficina Bíblica de Férias, “Como Estudo a Lição-Sermão”, realizada em janeiro de 2011:

Comparar as características das tribos de Israel, identificadas na leitura da  bíblica, com o significado espiritual definido por Mary Baker Eddy, no Glossário de Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras.
 
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  1º Oficina Bíblica de Férias: “Como Estudo a Lição Sermão”
 

Gênesis 49 nos diz que Jacó reuniu seus filhos para dar-lhes sua bênção final e declarar-lhes o que iria acontecer nos dias posteriores (profecias). O verso 28 começa assim: “Estas foram as doze tribos de Israel”. Estima- se que aproximadamente 400 anos se passaram entre o final de Gênesis e o começo do Êxodo.

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Então, não foram os filhos de Jacó, senão seus descendentes, aqueles que guiaram seu povo, através do deserto à Terra Prometida. Quando o povo se estabeleceu em Canaã, eles começaram a trabalhar e a fazer crescer as colheitas e tinham que se defender dos ladrões e dos exércitos invasores.

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Através dos anos, as distinções tribais foram se desvanecendo, enquanto que os israelitas cresciam como uma nação. Durante o tempo de Jesus, somente os levitas, a tribo sacerdotal encarregada do templo, mantinha um papel significativo na vida do povo.
 

 
As tribos de Israel e suas características bíblicas


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RUBEM
Apesar de ser o primeiro filho de Jacó, ele perdeu o direito à metade da herança e de liderar a família. Jacó disse, “Rúben, tu és meu primogênito, minha força, e as primícias do meu vigor, o mais excelente em poder, impetuoso como a água, não serás o mais excelente”. Gênesis 49:3-4.
 
SIMEÃO
Simeão era o segundo filho de Jacó. Ele e seu irmão Levi vingaram-se do príncipe que prejudicou a sua irmã. Eles roubaram as mulas, ovelhas e ainda mulheres e crianças de seu povo. O portal que está na bandeira representa a cidade de Siquém, onde Simeão mostrou sua crueldade. Jacó disse, “Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura..” – Gênesis 49:7

LEVI
Levi foi o terceiro filho de Jacó, foi amaldiçoado junto com seu irmão Simeão. Jacó disse: “...Dividi-los-ei em Jacó, e os espalharei em Israel” – Gênesis 49:7 u.p. Posteriormente, os descendentes de Levi obedeceram a Moisés e se mantiveram firmes a Deus. Então Moisés lhes deu uma bênção especial e foram designados como sacerdotes - Êxodo 32:25-29. O desenho da bandeira apresenta o coração do peito (Efod) que usavam os sacerdotes israelitas. Cada pedra representa uma das tribos de Israel.
 
JUDÁ
O nome Judá significa “louvado”, um nome adequado para o quarto filho de Jacó. Judá foi um dos filhos favoritos de Jacó, um líder entre seus irmãos. Ele inclusive se ofereceu como fiador quando seus irmãos imploraram a José por grãos. Jacó abençoou a Judá dizendo: “Judá, teus irmãos te louvarão; a tua mão estará sobre a cerviz de teus inimigos, os filhos de teu pai se inclinarão a ti” – Gênesis 49:8. Por isso que a bandeira tem um leão – porque é o símbolo da força e do poder.

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Cerâmica de Socorro Torquato
 

ZEBULOM
A Bíblia fala pouco de Zebulom. O livro de Gênesis nos diz de quão valentes e dispostos foram Zebulom e Naftali até de arriscarem suas vidas por causa de Deus. Zebulom era um esperto em combate. O símbolo para Zebulom é um barco porque Jacó abençoou a Zebulom dizendo, “Zebulom habitará na praia dos mares, e servirá de porto de navios...” – Gênesis 49:13
 
ISSACAR
Issacar foi um estudioso do Torá, enquanto seu irmão menor Zebulom trabalhava como comerciante para ajudá-lo nos estudos. A tribo de Issacar recebeu terras férteis entre duas montanhas. Em Gênesis 49:14-15, Jacó disse: “Issacar é um jumento de fortes ossos, de repouso entre os rebanhos de ovelhas. Viu que o repouso era bom, e que a terra era deliciosa; baixou os ombros à carga, e sujeitou-se ao trabalho servil”. O jumento nesta bandeira simboliza sua humildade e o trabalho duro do povo de Issacar.
 
O nome de Dã significa “juízo”. Sansão, a quem Deus abençoou com uma força maravilhosa, procedia da tribo de Dã. Jacó prediz que o povo de Dã se tornaria contra o povo de Deus. Jacó disse, “Dã será uma serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os talões do cavalo, e faz cair o seu cavaleiro por detrás” – Gênesis 49:17. Por isso vemos uma serpente na bandeira de Dã.
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                                                        Cerâmica de Socorro Torquato
 

GADE
Por causa dos inimigos que molestavam continuamente a tribo de Gade e como eles eram sempre os que conseguiam vencer o inimigo, esta tribo chegou a ser conhecida como a dos guerreiros ferozes. Ao pronunciar Jacó sua bênção disse, “Gade, uma guerrilha o acometerá, ... por sua retaguarda” – Gênesis 49:19. A barraca na bandeira simboliza um acampamento militar como uma lembrança da força militar de Gade.
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                                                         Cerâmica de Socorro Torquato
 


ASER
O nome Aser significa “feliz”. Aser foi um granjeiro agricultor. Sua tribo foi abençoada e ofereceu ajuda a Gideão e ao rei Davi. Jacó abençoou a Aser dizendo, “.. o seu pão será abundante, e ele motivará delicias reais” – Gênesis 49:20. A palmeira nesta bandeira simboliza os cultivos férteis de Aser.

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                                                          Cerâmica de Socorro Torquato
 


NAFTALI
Sobre Naftali, em sua benção, Jacó disse, “Naftali é uma gazela solta; ele profere palavras formosas” – Gênesis 49:21. A profecia e a bênção se referem a ligeireza característica da tribo, que possuía a característica do cervo. A tribo de Naftali era rápida em despachar suas tropas para a batalha; diferente de outras tribos que permaneciam em suas terras.

JOSÉ
Mesmo sendo odiado por seus irmãos, foi o filho favorito de Jacó o qual recebeu bênçãos generosas. As tribos de Efraim e Manassés, descendiam dos dois filhos de José, que algumas vezes se lhes chamavam de forma conjunta, as tribos de José. Jacó disse, “José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte... as bênçãos de teu pai excederão às bênçãos de meus pais até ao cimo dos montes eternos...” Gênesis 49:22,26 pp) por isso vemos o trigo como símbolo de fertilidade e prosperidade em sua bandeira tribal.

BENJAMIM
Jacó caracterizou a Benjamim como de uma atitude viciosa e guerreira, como o lobo de sua bandeira. Muitos benjamitas ferozes se registram durante os períodos da história israelita. Jacó disse, “Bejamim é lobo que despedaça, pela manhã devora a presa, e à tarde reparte o despojo” – Gênesis 49:27.


 
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  1º Oficina Bíblica de Férias
 

Algumas definições sobre tribos de Israel  do Glossário do livro

Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras,
de Mary Baker Eddy

 

Abraão. Fidelidade; fé na Vida divina e no eterno Principio de ser.
 
Filhos de Israel. Os representantes da Alma, não do sentido corpóreo; os descendentes do Espírito, os quais, tendo lutado contra o erro, o pecado e os sentidos, são governados pela Ciência divina; algumas das idéias de Deus vistas como homens, as quais expulsam o erro e curam os doentes; os descendentes de Cristo.
 
Jacó. Um mortal corpóreo que inclui duplicidade arrependimento, sensualismo. Inspiração; a revelação da Ciência, na qual os assim chamados sentidos materiais cedem ao sentido espiritual de Vida e Amor.

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  1º Oficina Bíblica de Férias
 


Gade (filho de Jacó). A Ciência; o ser espiritual compreendido; apressar-se rumo a à harmonia.
 
Aser (filho de Jacó). Esperança e fé; compensação espiritual; os males da carne repreendidos.


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    1º Oficina Bíblica de Férias
 

José. Um mortal corpóreo; um sentido mais alto da Verdade, que repreende a crença mortal, ou erro, e mostra a mortalidade e a supremacia da Verdade; afeto puro que abençoa os seus inimigos.
 
Judá. Uma crença corpórea material que progride e desaparece; aparecimento da compreensão espiritual acerca de Deus e do homem.
 
 Levi (filho de Jacó). Uma crença corpórea e sensual; o homem mortal; negação da plenitude da criação de Deus; despotismo eclesiástico.
 
Issacar (filho de Jacó). Uma crença corpórea; o descendente do erro; inveja; ódio; egoísmo; obstinação; luxúria. Dã (filho de Jacó). O magnetismo animal; a assim chamada mente mortal que domina a mente mortal; o erro, que realiza os desígnios do erro; uma crença que faz de outra a sua presa.
 
Rubem (filho de Jacó). Corporalidade; sensualidade; engano; mortalidade; erro.
 
Benjamim (filho de Jacó). Crença física concernente à vida, à substância e à mente; saber humano, ou a assim chamada mente mortal, dedicada à matéria; orgulho; inveja; fama; ilusão; uma crença errônea; erro que se disfarça em possuidor de vida, força, animação e do poder de agir. Renovação dos afetos; holocausto de si mesmo; um estado melhorado da mente mortal; a introdução de uma origem mais espiritual; um lampejo da ideia infinita do Princípio infinito; um símbolo espiritual; aquilo que conforta, consola e sustenta.

 
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       Templo da Primeira  Igreja de Cristo, Cientista de Joinville, SC, Brasil :
         1º Oficina Bíblica de Férias: “Como Estudo a Lição Sermão”



FILHOS DE ISRAEL. […] algumas das idéias de Deus vistas como homem, 
as quais expulsam o erro e curam os doentes;
 os descendentes de Cristo”. 
Mary Baker Eddy

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Sugestão de leitura:




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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

JESUS SEMPRE COMEÇA A CURAR LIBERTANDO DE UM DEUS OPRESSOR

 

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 Fotos: banho no rio Três Barras e brincadeira na chuva – atividades de lazer da

 

1ª Oficina Bíblica de Férias: “Como estudo a Lição-Sermão”

Janeiro de 2011 -  Garuva, SC, Brasil. _____________________________    

Conteúdo desta postagem:

 I. Comentários sobre relatos bíblicos:  

 

- Nos Evangelhos não se aprende doutrina mas sim uma forma de

estar no mundo (Entrevista com José Antonio Pagola)

- Jesus sempre começa a curar libertando de um Deus      opressor:  Aquele que cura (José Antonio Pagola)

 II. Para pensar: citação do livro Ciência e Saúde com a Chave das

                               Escrituras de Mary Baker Eddy. )

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I. Comentários sobre relatos bíblicos

 

Os estudos bíblicos se constituem numa vibrante área de pesquisa que publica de forma intensa. Isso deve-se ao facínio que os textos antigos exercem sobre os leitores contemporâneos, seja como texto de saber histórico, seja como texto que sempre se mostra aos leitores de forma renovada.

Por isso, a Bíblia é estudada numa riqueza de perspectivas, abordagens, métodos  e hermenêuticas. Ao interesse pelo texto bíblico soma-se a busca por sua origem, da mesma forma que pelos textos que lhe são vizinhos: os apócrifos, pseudepígrafos, os Manuscritos do Mar Morto.(Gabrielle Boccaccini - leciona no Departamento de Estudos do Oriente Próximo da  Universidade de Michigan, EUA.)

 

Nos Evangelhos não se aprende doutrina mas sim uma forma de estar no mundo

 

Parte final da entrevista com José Antonio Pagola, da reportagem de Cristina Turrau, publicada no sítio “Diario Vasco”, 26-01-2012, tradução de Moisés Sbardelotto:

 

Não são poucas pessoas que vivem o seu interior com imagens falsas de Deus que lhes faz viver sem dignidade e sem verdade. Sentem-No, não como uma presença amistosa que convida a viver de forma criativa, mas como uma sombra ameaçadora que controla a sua existência.

 

[...] A mensagem de Jesus é de plena atualidade, o senhor defende.

Eu me dou conta de que as pessoas, nesta sociedade que parece superficial, sentem a necessidade de viver de uma maneira diferente, sem saber exatamente como. Buscamos uma vida mais digna, saudável e feliz, algo que não é fácil. E o que eu tento demonstrar é que Jesus oferece um horizonte mais humano e uma esperança. Assim perceberam os primeiros cristãos.

 

Com seus livros, o senhor busca ser um mediador?

Trabalho com grupos distintos, falo com as pessoas e observo que não se busca mais técnica, nem mais ciência, nem mais doutrina religiosa. Buscamos algo, mas não sabemos como formular essas questões que levamos dentro.

 

Quais são as diferenças entre os quatro Evangelhos?

Os Evangelhos são quatro pequenos escritos. O primeiro é o de Marcos, que aparece em torno do ano 70, provavelmente depois da destruição de Jerusalém. Depois vêm os de Mateus e de Lucas, entre os anos 70 a 90. E, por último, já passado o ano 100, aparece o de João. Mas podemos dizer que os autores não são apóstolos. A elaboração dos textos é muito complexa. Eu analiso a vida de Jesus a partir de quatro relatos que nasceram da sua recordação. E cada um deles tem sua própria maneira de ressaltar, sublinhar e ordenar essas recordações.

 

Dê-nos uma pincelada de especialista:

 

Marcos.

É o Evangelho mais breve. Pode ser lido em uma hora. Ocupou um lugar muito discreto ao longo da história. E, no entanto, há um interesse crescente nele, porque nos oferece a figura de Jesus com mais frescor. Ele remonta a tradições antigas, e Mateus e Lucas o utilizaram para os seus evangelho.

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Mateus.

É o evangelho mais longo e, em boa parte, segue Marcos, mas acima de tudo se caracteriza por seus grandes discursos. É o do Sermão da Montanha, das Bem-aventuranças ou das parábolas de Jesus, inesquecíveis. É o mais rabínico, provavelmente obra de um judeu que se tornou cristão.

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Lucas.

Eu o recomendo para quem queira ler um evangelho inteiro e de uma vez só para ter uma ideia de como Jesus foi lembrado. Tem o evangelho da infância, muito poético. E é onde se destaca a bondade de Deus, sua compaixão e misericórdia, por exemplo, na parábola do filho pródigo.

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João.

É um evangelho mais complexo, com uma cristologia muito elaborada. É mais teológico do que os demais.

 

Por que o lado humano de Jesus assusta?

Jesus atrai, mas é perigoso, porque é muito radical. Se você se aprofundar na ideia de que os últimos serão os primeiros, ou que você não pode servir a Deus e ao dinheiro, a vida muda. Jesus é muito sedutor, mas arriscado. Como disse algum agnóstico, é difícil dizer que ele não tem razão. [...]

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JESUS SEMPRE COMEÇA A CURAR  LIBERTANDO DE UM DEUS OPRESSOR

 

Aquele que cura

 

José Antonio Pagola

por IHU - Instituto Humanitas Unisinos

 

Segundo Marcos, a primeira aparição pública de Jesus foi a cura de um homem possuído por um espírito maligno na sinagoga de Cafarnaum. É uma cena impressionante, narrada para que, desde o início, os leitores descubram a força de Jesus que cura e que liberta.

É sábado e o povo encontra-se reunido na sinagoga para escutar o comentário da Lei explicada pelos escribas. Pela primeira vez Jesus vai proclamar a Boa Nova de Deus precisamente no lugar onde se ensina oficialmente ao povo as tradições religiosas de Israel.

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As pessoas ficam surpreendidas ao escutá-lo. Têm a impressão de que até agora estiveram a escutar notícias velhas, ditas sem autoridade. Jesus é diferente. Não repete o que ouviu a outros. Fala com autoridade. Anuncia com liberdade e sem medos de um Deus Bom.

De repente um homem «põe-se a gritar: Vieste acabar conosco?». Ao escutar a mensagem de Jesus, sentiu-se ameaçado. O seu mundo religioso derruba-se. Diz-nos que está possesso por um «espírito imundo», hostil a Deus. Que forças estranhas o impedem de continuar a escutar Jesus? Que experiências más e perversas lhe bloqueiam o caminho até o Deus Bom que lhe anunciam?

Jesus não se acovarda. Vê o pobre homem oprimido pelo mal, e grita: «Cala-te e sai dele». Ordena que se calem essas vozes malignas que não o deixam encontrar-se com Deus nem consigo mesmo. Que recupere o silêncio que cura o mais profundo do ser humano.

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O narrador descreve a cura de forma dramática. Num último esforço para destruí-lo, o espírito «retorceu-o e, dando um grito muito forte, saiu». Jesus conseguiu libertar o homem da sua violência interior. Pôs fim às trevas e ao medo a Deus. Daí em diante poderá escutar a Boa Nova de Jesus.

Não são poucas pessoas que vivem o seu interior com imagens falsas de Deus que lhes faz viver sem dignidade e sem verdade. Sentem-No, não como uma presença amistosa que convida a viver de forma criativa, mas como uma sombra ameaçadora que controla a sua existência. Jesus sempre começa a curar libertando de um Deus opressor.

As Suas palavras despertam a confiança e fazem desaparecer os medos. As Suas parábolas atraem para o amor à Deus, e não para a sustentação cega da lei. A Sua presença faz crescer a liberdade, não os servilismos; suscita o amor à vida, não o ressentimento. Jesus cura, porque ensina a viver apenas da bondade, do perdão e do amor que não exclui ninguém. Cura porque liberta do poder das coisas, do autoengano e da egolatria.

 

José Antonio Pagola, teólogo e ex-vigário geral da diocese de San Sebastián, na Espanha, apresentou nesta quarta-feira, 25 de janeiro de 2012, em Donostia, seu livro El camino abierto por Jesús: Marcos (Ed. Desclée de Brouwer). Tornou-se um best-seller que está sendo publicado nestes dias em croata, francês e russo.

 

Nota: Os  textos postados (Entrevista: Evangelhos não se aprende doutrina mas sim uma forma de estar no mundo; Jesus sempre começa a curar libertando de um Deus opressor -  Aquele que cura de José Antonio Pagola)  não representam necessariamente a opinião deste blog nem de nenhuma das igrejas do Movimento da Ciência Cristã. Foram publicados para  refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica. Conforme recentes  descobertas sobre fatos nela registrados e opinião de estudiosos do texto bíblico,  como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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II. Para pensar:

“Igreja, mais do que qualquer outra instituição, é, no momento, o cimento da sociedade, e deveria ser o baluarte  da liberdade civil e religiosa”. (Miscellaneous Writings 1883-1896, pág.144 - Mary Baker Eddy)

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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

FESTEJOS DE REIS

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Foto: Trilha na Floresta Atlântica -  atividade de lazer  da  

1ª Oficina Bíblica de Férias: “Como estudo a Lição-Sermão”

Janeiro de 2011 -  Garuva, SC, Brasil.

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 Festejo de Reis

 I. Cultura: Terno de Reis.

II. Comentários sobre relatos bíblicos:

- As três gerações do Cristianismo primitivo

- O Evangelho Segundo Mateus

- Quem visitou Jesus primeiro? Os pastores ou os magos?

- Magos em Belém: culturas diferentes à busca de Deus (Mt 2:1-12).

III. Para pensar: citação do livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras de Mary Baker Eddy.

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FESTEJOS DE REIS

 

I.Cultura

TERNO DE REIS

Folia de Reis é um festejo de origem portuguesa ligado às comemorações do Natal, trazido para o Brasil ainda nos primórdios da formação da identidade cultural brasileira, e que ainda hoje mantém-se vivo nas manifestações folclóricas de muitas regiões do país.

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Mauro Pereira - Terno de Reis (janeiro de 2008) acrílica sobre tela

 

Origens

Na tradição cristã, a passagem bíblica em que Jesus foi visitado por reis magos, converteu-se na tradicional visitação feita pelos três "Reis Magos", denominados Melchior, Baltasar e Gaspar, os quais passaram a ser referenciados como santos a partir do século VIII.

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Fixado o nascimento de Jesus Cristo a 25 de dezembro, adotou-se a data da visitação dos Reis Magos como sendo o dia 6 de janeiro que, em alguns países de origem latina, especialmente aqueles cuja cultura tem origem espanhola, passou a ser a mais importante data comemorativa católica, mais importante, inclusive, que o próprio Natal.

Na cultura tradicional brasileira, os festejos de Natal eram comemorados por grupos que visitavam as casas tocando músicas alegres em louvor aos "Santos Reis" e ao nascimento de Jesus; essas manifestações festivas estendiam-se até a data consagrada aos Reis Magos, 6 de janeiro. Tradição que mantém-se viva em muitas regiões do país, sobretudo nas pequenas cidades dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás, Santa Catarina, dentre outros.

 

 

Terno de Reis Estrela da Alegria

                  Terno de Reis Estrela da Manhã - Florianópolis, SC.

 

 O "Terno" de Reis ou "Folia" de Reis

No Brasil a visitação das casas, que dura do final de dezembro até o dia de Reis, é feita por grupos organizados, muitos dos quais motivados por propósitos sociais e filantrópicos. Cada grupo, chamado em alguns lugares de Folia de Reis, em outros Terno de Reis, é composto por músicos tocando instrumentos, em sua maioria de confecção caseira e artesanal, como tambores, reco-reco, flauta e rabeca (espécie de violino rústico), além da tradicional viola caipira e do acordeão, também conhecida em certas regiões como sanfona, gaita ou pé-de-bode.

Além dos músicos instrumentistas e cantores, o grupo muitas vezes se compõe também de dançarinos, palhaços e outras figuras folclóricas devidamente caracterizadas segundo as lendas e tradições locais. Todos se organizam sob a liderança do Mestre da Folia e seguem com reverência os passos da bandeira, cumprindo rituais tradicionais de inquestionável beleza e riqueza cultural.

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As canções são sempre sobre temas religiosos, com exceção daquelas tocadas nas tradicionais paradas para jantares, almoços ou repouso dos foliões, onde acontecem animadas festas com cantorias e danças típicas regionais, como catira, moda de viola e cateretê. Contudo ao contrário dos Reis da tradição, o propósito da folia não é o de levar presentes mas de recebê-los do dono da casa para finalidades filantrópicas, exceto, obviamente, as fartas mesas dos jantares e as bebidas que são oferecidas aos foliões.

 

Grupos incrementados

Uma das formas de sobrevivência da manifestação folclórica, especialmente nas grandes cidades, foi a incorporação nos Ternos de elementos figurativos, com a finalidade de promover apresentações para turistas e para os próprios habitantes.Trazendo alegria para todos.

Em algumas regiões as canções de Reis são por vezes ininteligíveis, dado o caos sonoro produzido. Isto ocorre quase sempre porque o ritmo ganhou, ao longo do tempo, contornos de origens africanas com fortes batidas e com um clímax de entonação vocal. Contudo, um componente permanece imutável: a canção de chegada, onde o líder (ou Capitão) pede permissão ao dono da casa para entrar, e a canção da despedida, onde a Folia agradece as doações e a acolhida, e se despede.

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No Sul de Minas um grupo de Folia de Reis é composto da Bandeira ou Estandarte que é decorado com figuras alusivas ao menino Jesus, ou mesmo com palavras relativas à data. Outro componente importante é o Bastião que se veste de modo característico, mascarado e sempre porta uma espada, este tem a função de folião propriamente dito, levando alegria por onde a folia passa, e como que abrindo caminho para a passagem da Folia que de certa forma representa os próprios Reis Magos.

O Bastião tem também a função de citar textos bíblicos e recitar poesias alusivas. Na sequência o grupo de vozes se organiza em Mestre, Ajudante, Contrato, Tipe, Retipe, Contratipe, Tala, ou Finório. Na verdade esses nomes se referem a uma organização das vozes em tons e contratons, durante a cantoria, o que leva a formação de um coro muito agradável aos ouvidos.

O Mestre, por sua vez, tem papel especial de iniciar o canto, que é feito em versos e de improviso, agradecendo os donativos da casa visitada. Os outros componentes então repetem os versos, cada qual em sua voz, na cadência definida pelo Mestre, acompanhados pelos instrumentos que tocam.

A apresentação dos grupos, em Santa Catarina, é feita em três partes: chegada, anúncio e despedida. Normalmente, os principais cantadores formam um trio: o triplo ou tripa (que canta fino, de falsete), o repentista (que faz os versos de improviso) e o baixão (cantor solo, segunda voz). Além disso, três são os instrumentos que se destacam nas cantorias: viola, rabeca e pandeiro. Atualmente, alguns grupos incluem o acordeon nas apresentações.

Fonte: Wikipédia.

 

PRESERVANDO O FOLCLORE CATARINENSE

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  II. Comentários sobre relatos bíblicos 

 

Os estudos bíblicos se constituem numa vibrante área de pesquisa que publica de forma intensa. Isso deve-se ao facínio que os textos antigos exercem sobre os leitores contemporâneos, seja como texto de saber histórico, seja como texto que sempre se mostra aos leitores de forma renovada.

Por isso, a Bíblia é estudada numa riqueza de perspectivas, abordagens, métodos  e hermenêuticas. Ao interesse pelo texto bíblico soma-se a busca por sua origem, da mesma forma que pelos textos que lhe são vizinhos: os apócrifos, pseudepígrafos, os Manuscritos do Mar Morto. (Gabrielle Boccaccini - leciona no Departamento de Estudos do Oriente Próximo da  Universidade de Michigan, EUA.)

 

As três gerações do Cristianismo primitivo

Comunidades cristãs primitivas, referem-se  às primeiras comunidades desde sua origem após a paixão, morte e ressureição de Jesus até a redação do último escrito do Segundo Testamento, em torno do ano 140. Todo esse tempo pode ser dividido em três etapas.

A primeira é conhecida como época apostólica. É a primeira geração de seguidoras e seguidores de Jesus de Nazaré. São aqueles que conheceram Jesus ou que aderiram a ele ainda nos primeiros anos do movimento cristão. A época apostólica vai  desde o ano 30 até em torno de 67, quando provavelmente os primeiros seguidores de Jesus já haviam morrido ou haviam sido mortos.

Esse período apostólico(entre 30 e 67) pode ser dividido em dois momentos claramente distintos. O primeiro é anterior à assembleia de Jerusalém em 49, também  conhecida por concílio de Jerusalém. Tal como do tempo de Jesus, não temos nenhum escrito bíblico desse período. O que sabemos, além das informações do historiador judeu Flávio Josefo, vem de escritos posteriores.

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O lavatório – Tintoretto

O segundo momento da época apostólica vai desde o concílio de Jerusalém até em torno de 67. É o tempo áureo da missão de Paulo e sua equipe pastoral.

O segundo período das comunidades primitivas é a chamada época subapostólica. É o tempo da segunda geração de cristãos. Esse tempo corresponde aos anos que vão desde, mais ou menos, 67 até por volta de 97, quando então inicia o período pós-apostólico, isto é, a terceira geração de comunidades cristãs.

A primeira geração de cristãos pertencentes às comunidades    que mais tarde deram origem ao Evangelho de Mateus certamente viveram inicialmente na Judéia. Entre os apóstolos, Pedro é seu grande protagonista.

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Anthonis van Dyck - Die Ausgießung des Heiligen Geistes

Entre os evangelhos, é  Mateus quem mais importância dá à figura de Pedro (Mt 16:17-19).  Ao copiar de Marcos a profissão de fé de Pedro (Mc 8:27-30), Mateus acrescentou os versículos 17-19. De fato, Mateus é o  Evangelho das comunidades de herança dos apóstolos e familiares de Jesus.

Chamados de comunidades de Tiago aquelas que foram fundadas pelos apóstolos como Pedro, ou que atribuem sua origem a eles. Um dos líderes importantes dessas igrejas foi Tiago, irmão de Jesus (Gl 1:18-19; 2:9; At 15:6-21). Quando ele foi martirizado em 62, seu irmão Judas o substituiu na direção das igrejas de Jerusalém.

Diferentemente das comunidades de herança paulina, eram igrejas em que as pessoas vindas do Judaísmo eram a grande maioria. A tradição judaica ainda ocupava um lugar central. Estavam ainda muito ligadas à observância da Lei.

Podemos classificar como herança das igrejas dos apóstolos e de Tiago o Evangelho segundo Mateus, a Carta de Tiago e a Carta de Judas. Tanto Tiago como Judas além de  familiares de Jesus(Mc 6:3) dirigiam as comunidades de Jerusalém. 

 

O Evangelho Segundo Mateus

Cada  evangelho teve sua   redação a partir da compreensão sobre a pessoa de Jesus de quem o escreveu. Mateus vê Jesus como Emanuel, o Deus-conosco no mundo e na história para nos ensinar o caminho da justiça. É, junto com o mestre da justiça, que podemos construir um mundo melhor.   

Data, local e destinatários

O Evangelho de Mateus foi escrito no final dos anos 80 d.C. Certamente, as comunidades que o editaram viviam na Palestina, talvez na Galileia, numa região em que predominavam igrejas formadas por pessoas de origem judaica.

Com a guerra judaico romana, muitos membros  dessas comunidades da Judéia mudaram-se para a direção da Galileia, Síria ou outros lugares. Essa imigração se intensificou com a perseguição sofrida por parte de lideranças das sinagogas nos anos 80 e 90.  Nessa época, os judeus-cristãos foram expulsos das sinagogas pelos rabinos fariseus que passaram a liderar o Judaísmo a partir de 70. Muitos cristãos da Judéia devem ter se estabelecido na Galileia e na Síria.

Observa-se também  no Evangelho de Mateus, além do conflito com a sinagoga, tensão com cristãos vindo de outras  culturas. Como no caso das comunidades paulinas que defendiam uma nova justiça divina, dada gratuitamente por Deus a quem crê em Jesus.

Confira ainda algumas das seguintes citações e perceba como as comunidades destinatárias de Mateus são formadas por pessoas sem terra (5:1-5), desempregadas(20:1-16), migrantes(2:13-23; 4:13-16 , 24-25; 19:1), perseguidas(5:10-12; 23:13-32) e pobres(11:25-26; 6:25-34; 15:32; 25:31-46).

Autores e fontes

Seus autores devem ser escribas judeus-cristãos, convertidos ao cristianismo (Mt3:52).  Em meados do segundo século, os pais da Igreja homenagearam Mateus(Mt 9:9; 10:3), atribuindo a ele este evangelho. Ao agirem desta forma, queriam colocar a obra sob a autoria de um discípulo de Jesus.

Os autores deste Evangelho, isto é, a escola dos rabinos cristãos, naturalmente eram profundos conhecedores das Escrituras judaicas. O texto que usaram para fazer transcrições para seu escrito é da versão grega das Escrituras, a Septuaginta. Além  do Evangelho de Lucas e Marcos, como texto-base. Bem como a fonte “Q”, inserindo 230 versículos desta obra.

Fonte “Q”

Na pesquisa bíblica, existe uma hipótese de que houve na Galiléia uma corrente cristã que apresentava Jesus como um Messias sábio e mestre. Essa tendência valorizava seus ditos, suas palavras e seu ensino. Não davam tanto valor à sua paixão, morte e ressureição. Seria um movimento ligado a círculos sapienciais que, apesar de seu radicalismo em seguir de perto o mestre, apresentam um Jesus que não incomoda as instituições opressivas da época. 

Segundo a hopótese, e há evidencias literárias para isso, essa corrente cristã teria produzido o documento “Q”. É assim chamado, porque esta é a primeira letra da palavra alemã Quelle (fonte).

Até hoje, pelo menos, nada a respeito foi encontrado. Se existiu, está perdido. Essa fonte seria o segundo documento usado por Mateus e Lucas  ao escreverem nos anos 80  d.C. O primeiro foi o Evangelho de Marcos cujo material já era conhecido há uns 15 anos antes. O conteúdo da fonte “Q” seriam os textos comuns a Mateus e Lucas, porém ausentes em Marcos.

Comentário final

Convém destacar, que um dos objetivos de Mateus é deixar claro que o Evangelho é para todos os povos na medida em que o centro dessa universalidade seja o Judaísmo. Os demais povos devem “vir do oriente e do ocidente e se assentar à mesa do Reino dos Céus com Abraão, Isaac e Jacó” (Mt 8:11).

As igrejas mateanas estão abertas as pessoas de outras culturas, apresentando Jesus como Emanuel - “Deus  conosco” (Mt1:23).

Fonte:

1. BOCCACCINI, Gagriele. Além da hipótese essênica: a separação dos caminhos entre Qumran e o judaísmo enóquico. São Paulus, 2010.

2. STORNIOLO, Ivo. Como ler o Evangelho de Mateus. São Paulo: Paulus. (Série “Como ler a Bíblia”).

3. GASS, Ildo Bohn. As comunidades da segunda geração cristã. São Leopoldo: CBEI (Curso Bíblico por Correspondência: Módulo 12).

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Quem visitou Jesus primeiro? Os pastores ou os magos?

 

Historicamente, não é possível determinar a questão.

O fato é que a comunidade de Mateus, que tem como intenção manifestar Jesus aos povos (epifania),  apresenta os magos estrangeiros  visitando  e  acolhendo  o  messias na criança de  Belém.  A comunidade de Lucas, no entanto, anunciando a boa-nova ao pobres, apresenta os pastores  como primeiros destinatários da notícia do nascimento do menino na manjedoura da gruta de Belém.

Na     sequência, apresentamos  um comentário  de Marcelo  Barros na forma de    uma  bela carta à comunidade do evangelista  Mateus.

 

Magos em Belém: culturas diferentes à busca de Deus

(Mt 2,1-12)
Marcelo Barros

O texto foi extraído do Livro "Conversando com Mateus".

 

Irmãs e irmãos da comunidade de Mateus,

Quero conversar com vocês como se estivéssemos uns diante dos outros e vocês fossem conterrâneos deste final de século conturbado e tão carente de esperanças. No começo, pensei em escrever uma carta pessoal a Mateus, mas nenhum livro da Bíblia é de cunho somente individual.

Além disso, embora desde os tempos mais antigos todos atribuam a Mateus a honra de ser o redator deste livro, nem ele assinou nem chama o texto de Evangelho (como Marcos inicia dizendo: "Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus"). Então, escrevo a vocês da comunidade, que participaram da experiência que gerou o texto de Mateus. (...)

Ao contar a visita dos magos a Jesus Menino, vocês não pretendiam narrar um relato histórico ou um fato jornalístico. Quiseram significar o encontro de Jesus com os outros povos e culturas.

Fizeram isso comentando textos bíblicos como Isaías 60, o salmo 72 e a profecia de Balaão (Nm 22-24). Vocês os comentam como os rabinos faziam, contando histórias (midrash), e nos presen­tearam esse relato tão bonito.

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O poema do discípulo de Isaías (Is 60) e, talvez, mesmo o salmo vêm de uma época na qual Jerusalém estava sendo reconstruí­da. Os recursos eram poucos e, em comparação ao que era antes de ser destruída pelos babilônios, era uma aldeia.

O profeta vê o sol nascer sobre a cidade e proclama a promessa de Deus de que, um dia, Jerusalém será luminosa e cheia de glória e os reis das nações a ela acorrerão trazendo presentes.

Num contexto de sofrimento e de revalorização da identidade do povo pobre, aquela visão nada tinha de etnocentrismo. Era universalista. Aplicando essa profecia aos magos que vêm homenagear a criança pobre que nasceu em Belém, vocês a tornam mais universal ainda.

Embora não tenham dito que os magos eram reis e santos, como a tradição soube acrescentar, vocês contaram que eles gostavam das estrelas e vieram de longe, do oriente, atrás de uma estrela e em busca do Rei dos judeus que acabara de nascer neste mundo.

Com esse novo comentário narrativo de textos bíblicos (mídrash), desde o início do Evangelho, vocês associam as culturas e religiões diferentes à busca de Deus, ao reconhecimento de Jesus como "Rei dos Judeus" e ao acolhimento do Reino de Deus (ou dos céus, como vocês o chamam).

Na cultura judaica na qual a comunidade estava inserida, não deve ter sido fácil para vocês reconhecerem que até a astrologia e a interpretação dos sonhos podem conduzir pessoas como os magos ao Senhor. (Chouraqui chama os magos de "astrólogos'' ¹¹).

Na região da Síria e da Ásia Menor era praticada a religião do deus Mitra. Era um sincretismo de antigos cultos ao sol. Os fiéis de Mitra contavam que o seu deus nasceu numa caverna na noite de 25 de dezembro (solstício do inverno e festa do sol que renasce do frio e da escuri­dão das noites cada vez mais longas).

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Adoração – Masaccio

Aliás, por acaso, os sacerdotes de Mitra se chamavam "magos", porque eram homens que lidavam com os astros e com os mistérios da vida.

Será que, ao contar a bela história dos magos que vieram a Belém adorar o menino Jesus, vocês quiseram assumir algo da história de Mitra e transpô-la para o contexto cristão? Hoje, falamos muito de inculturação. Mas ainda há muitos bispos e pastores que têm preconceito contra sincretismo. Será que, nessa história, vocês da comunidade de Mateus queriam nos ensinar que há um tipo de sincretismo que é válido e compreensível?

 

Nota: O artigo Magos em Belém: culturas diferentes à busca de Deus não representa a opinião deste Blog nem de nenhuma das igrejas do Movimento da Ciência Cristã.  Foi publicado para  refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica. Conforme recentes  descobertas sobre fatos nela registrados e opinião de estudiosos do texto bíblico,  com o objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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III. Para pensar

 “Para os que se apóiam no infinito sustentador, o dia de hoje está repleto de bençãos. O pastor vigilante avista os primeiros tênues clarões da aurora, antes de surgir a plena radiação do novo dia. Foi assim que a pálida estrela brilhou aos pastores-profetas; e assim atravessou a noite e chegou onde, na obscuridade do berço, estava o menino de Belém, o arauto humano do Cristo, a Verdade, que iria esclarecer à compreensão toldada o caminho da salvação por Cristo Jesus, até que, através da noite do erro, despontasse a aurora e brilhasse a estrela-guia do ser. Os Magos foram levados a ver e a seguir essa estrela d’alva da Ciência divina, que ilumina o caminho da harmonia eterna”.

“É chegada a hora dos pensadores. A Verdade, independente de doutrinas e sistemas consagrados pelo tempo, bate ao portal da humanidade.”

Ciência com Chave das Escrituras - vii:1-15, Mary Baker Eddy.

 

ESTRELA DE BELÉM

Estrela de Belém,  ilustração de James F. Gilman

para o  poema Cristo e o Natal de Mary Baker Eddy.