sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

SIGA O CAMINHO PARA A REALIDADE DA ALMA: O REINO DO CÉU!


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FELIZ   2016

                        
"O senso  espiritual, que  contradiz  os sentidos materiais, inclui intuição, esperança, fé, compreensão, fruição, realidade".
                                                                   
                                                                     Mary Baker Eddy

 

Queridos amigos: a Lição Bíblica da Ciência Cristã de 16 de agosto de 2009, impressa no Livrete Trimestral da Ciência Cristã, com o tema “Alma”, teve como mensagem central a frase acima escrita, por Mary Baker Eddy, no livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, que tomamos emprestada como lema do Acampamento Itinerante Peabiru.

Aproveitamos a ocasião, dos festejos de final de ano, para brindá-los com uma tradução do espanhol para o português da edição de Ideias Metafísicas Aplicáveis para a Lição Bíblica, escrita e publicada pelo Acampamento dos Cedros - Cedarscamp.org - que nos faz lembrar da importância de cultivarmos o senso espiritual.


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Siga o caminho para a realidade da Alma:
o Reino do Céu !


Kathy Fitzer, CS
        St. Louis, MO & Park City, UT, EUA.


                                               

Este documento tem a intenção de aprofundar o estudo e estimular a aplicação das ideias encontradas na Lição Bíblica “Alma”, de 16 de agosto de 2009, impressa no Livrete Trimestral da Ciência Cristã. 


A mensagem central desta lição bíblica é resumida, no final da primeira seção, com a frase:



"O senso espiritual, que contradiz os sentidos materiais, 
inclui intuição, esperança, fé, 
  compreensão, fruição, realidade". 

CS 298:13-15



Por que é importante o  senso espiritual?  Por que nos esforçamos para cultivá-lo?  Porque necessitamos dele para ver o que realmente É: de outra maneira, a limitação das falsas informações fornecidas pela matéria detêm a percepção espiritual e o reino dos céus.

Cada seção desta lição concentra-se em um dos elementos incluídos no  senso espiritual. Vamos ver como cada um deles faz parte de uma progressão contínua, cujo resultado é um maior entendimento da realidade (o reino de Deus), em nossas perspectivas.

Texto Áureo
Deus quer que você tenha êxito e tem multiplicado o teu bem. Deus falou estas palavras a Jacob após exigir a Jacob (Israel)  que renunciasse a seus ídolos; e tivesse um só Deus.

Leitura Alternada
A bondade de Deus se vê em toda a criação! Estamos conscientes do que Deus fez? Acaso reconhecemos somente o bem de Deus? Veremos mais da bondade de Deus, louvando: expressando  nosso sincero agradecimento e gratidão por tudo o que Ele tem  feito.  “Só o Seu nome é excelso”.


Primeira Seção: A INTUIÇÃO

Qual é o primeiro passo para reconhecer o que Deus já fez; na essência da harmonia da Alma? Para perceber, precisamos apenas vislumbrar a presença de Deus. E assim dar-nos conta que somos um com Deus. Podemos aprender com Jacó.

Jacó sentiu-se separado de Deus, e muito solitário. Não nos sentimos às vezes desta maneira? Todos nós temos coisas com que estamos lutando: situações difíceis em que nos encontramos, falta de um sentido claro de direção, ou talvez alguma doença ou dor.

Jacó, supostamente, estava lutando com a suposição de como seriam as coisas quando ele chegasse na casa de seu irmão. Virgínia Stopfel, em seu artigo sobre a Lição Bíblica que aparece no Sentinel, de 10 de agosto, lança muita luz sobre a história de Jacó.

Esta "luta" não era com uma pessoa, mas com pensamentos. Jacó começou a ver a luz: poderia se dizer que intuitivamente sentiu as bênçãos de Deus. Mrs. Eddy inclui, como parte de sua definição dos anjos, que eles são "intuições espirituais, puras e perfeitas".

Esses anjos são sempre um ministério para nós, a luta  “neutralizando todo o
tos de Deus que vêm ao homem;
mal, toda a sensualidade e mortalidade” CS 581: 4  Anjos.  Pensamentos de Deus que vêm ao homem; intuições espirituais, puras e perfeitas; a inspiração da bondade, da pureza e da imortalidade, neutralizando todo o
tos de Deus que vêm ao homem;
mal, toda a sensualidade e mortalidade.

Como Jacó, no momento em que  estamos no meio de pensamentos conflitantes, podemos receber anjos (intuições espirituais), até que comecemos a sentir uma mudança de coração - uma mudança na natureza - e ver a Deus face a face.  Gênesis 32: 1  ... Jacó seguiu o seu caminho, e anjos de Deus lhe saíram a encontrá-lo. 22 - Levantou-se naquela mesma noite, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos e transpôs o vau de Jaboque. 23 - Tomou-os e fê-los passar o ribeiro; fez passar tudo o que lhe pertencia,  24 - ficando ele só; e lutava com ele um homem, até ao romper do dia.   25 - Vendo este que não podia com ele, tocou-lhe na articulação da coxa; deslocou-se a junta da coxa de Jacó, na luta com o homem.  26 - Disse este: Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei ir se me não abençoares. 27- Perguntou-lhe, pois: Como te chamas? Ele respondeu: Jacó. 28 - Então, disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. 29 - Tornou Jacó: Dize, rogo-te, como te chamas? Respondeu ele: Por que perguntas pelo meu nome? E o abençoou ali. 30 - Aquele lugar chamou Jacó Peniel, pois disse: Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva.

Então vislumbramos nossa natureza como a imagem da natureza de Deus. Despertamos para o fato de que coexistimos com Deus, por isso não há espaço para nada mais - fora da nossa natureza - que possa sobrecarregar-nos CS 120: 5  A Alma, ou o Espírito, é Deus, imutável e eterna; e o homem coexiste com a Alma, Deus, e a reflete, pois o homem é a imagem de Deu.

Que promessa maravilhosa - o cuidado de Deus - lemos em Jeremias! Deus leva-nos à Sua presença, se alegra com cada um de nós, e nós planta - firmes - em Seu reino. Jeremias 32: 15 porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: 37-  ...  tornarei a trazê-los a este lugar e farei que nele habitem seguramente.  38- Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. 41- Alegrar-me-ei por causa deles e lhes farei bem; plantá-los-ei firmemente nesta terra, de todo o meu coração e de toda a minha alma. 





Segunda Seção: A ESPERANÇA

Uma vez que tenhamos percebido intuitivamente a bondade de Deus, e nossa união com Ele, começamos a aceitar Deus como a nossa ajuda: como "a saúde" de [nosso] face de Deus (Alma) nos salva das falsas informações do sentido material, assim como a luz  "salva" da escuridão, e todas as imagens distorcidas que aparecem no escuro.  Salmos 42: 11 ... Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu. CS 7:10-13  Assim como a luz destrói as trevas e em lugar das trevas tudo é luz, assim (na Ciência absoluta) a Alma, ou Deus, é o único dispensador da verdade ao homem.   

É preciso coragem para ter esperança em meio à adversidade Salmos 119: 57 O Senhor é a minha porção; 81- Desfalece-me a alma, aguardando a tua salvação; porém espero na tua palavra. 130- A revelação das tuas palavras esclarece.

No entanto, mantendo nossa confiança em Deus (teremos esperança Nele) somos fortalecidos por Ele Salmos 130: 1 Das profundezas clamo a ti, Senhor. 2- Escuta, Senhor, a minha voz; estejam alertas os teus ouvidos às minhas súplicas.  6- A minha alma anseia pelo Senhor mais do que os guardas pelo romper da manhã. Mais do que os guardas pelo romper da manhã.

Se aceitamos o testemunho dos sentidos materiais – que nos  fala de um espírito na matéria - podemos cair na crença de que estamos presos dentro dos limites do sentido material. Nesse caso, é difícil encontrar alguma razão para ter  esperança.  CS 298: 17 - 23 O sentido material expressa a crença de que a mente esteja na matéria.  Essa crença humana, oscilando entre o sentido de prazer e de dor, de esperança e de medo, de vida e de morte, nunca passa além dos limites do mortal ou do irreal.  Quando se conseguir o real que é anunciado pela Ciência, a alegria não mais tremerá e a esperança não mais enganará.    

Mas, quando o pensamento humano muda o seu ponto de vista - quando o medo se rende a esperança – e se desenvolve a fé e a compreensão, vemos que realmente somos regidos pela Alma  em vez de sentido material CS 125: 12-17 À medida que o pensamento humano passar de um estado a outro, de dor consciente à consciente ausência de dor, do pesar à alegria, isto é, do medo para a esperança, e da fé para a compreensão, a manifestação visível será por fim o homem governado pela Alma, não pelo sentido material.

Quanto mais vislumbrarmos a presença de Deus, mais razões temos para acolher esperança, porque começamos a ver de verdade que Deus realmente está SEMPRE conosco. CS 446: 21  Compreender a Deus revigora a esperança, entroniza a fé na Verdade e corrobora as palavras de Jesus:  “Eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”.

Quando às vezes parece que as coisas foram muito escuras, e é difícil ter esperança, lembre-se da promessa de que "Deus é bom para aqueles que esperam por ele".  Lamentações 3: 25  Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca. 26- Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio. 

Tudo o que temos a fazer é voltar-nos  para ver a  face de Deus - com confiança  e segurança - em direção da "luz", e ter a certeza de que vamos ver a luz e ser fortalecido por Deus. Salmos 31: 23  Amai o Senhor, vós todos os seus santos. 24 - Sede fortes, e revigore-se o vosso coração, vós todos que esperais no Senhor.







Terceira Seção: A

Uma vez que podemos ter esperança - enquanto seguimos a direção da luz - começamos a ver a evidência da presença de Deus, a partir de pequenas coisas. Toda vez que damos crédito a Deus pelo bem que vemos, nossa fé Nele é fortalecida. Jesus tinha visto (e reconhecido) tanto, as provas do poder de Deus, que nada o intimidava. Estar em um pequeno barco no meio de uma  tempestade, não irritava Jesus. Ele reprovou seus discípulos por recrearem-se no medo, quando acalmou a tempestade através da sua fé absoluta em Deus que sabia estar sempre no comando de tudo Mateus 8: 18, 23-27.

Se pode pedir ao Cristo, como os discípulos pediram a Jesus:  “aumente a nossa fé ", que nos dê mais confiança em Deus. Lucas 17: 5  ... disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé.

Ou dito de outra maneira, que nos revele mais sobre a natureza de Deus em nós. A fé nos vem do conhecimento de Deus: a partir da superação de nossa ignorância acerca de Sua presença CS vii: 17-18 A ignorância acerca de Deus já não é o meio de se chegar à fé.

É possível crer em Deus sem ter fé nEle. Porém, precisamos de fé. A fé é como começar a ver as provas (evidências) espirituais que contradizem o "testemunho do sentido material" CS 297: 21-25, 30  A fé é mais elevada e mais espiritual do que a crença. É o pensamento humano em estado de crisálida, no qual a evidência espiritual, que contradiz o testemunho do sentido material, começa a aparecer, e a Verdade, sempre presente, vai sendo compreendida. ... Até que a crença se torne fé, e a fé se torne compreensão espiritual, o pensamento humano tem pouca relação com o real ou divino.           

Sabemos que  fomos curados quando,  estarmos num beco sem saída e em seguida,  se nos abre o caminho. Nos damos conta  que há  pequenas coisas   funcionando, e  vemos  o bem nas pessoas mais do que o que  vemos o mal.

Ao dar o crédito a Deus pelas pequenas coisas é que podemos demonstrar e reconhecendo as manifestações de cura -  que vemos e lemos - sobre o sofrimento dos outros, nos acharemos com  nossa fé cada vez mais forte, e começamos a exigir mais dela. É como o desenvolvimento de habilidades no atletismo (como na neve ou o  esqui aquático).

Quanto mais você se sente confortável na ladeira suave, ou velocidades mais lentas, mais confiança sentes para  progredir em condições mais difíceis. A fé no início se traduz na demonstração da compreensão [entendimento]. 





Quarta Seção: A COMPREENSÃO

É importante aceitar o fato de que Deus nos dá entendimento. A compreensão - entendimento - não é algo monumental que você finalmente obtém. Cada manifestação de cura que tens, é prova da  tua fé em Deus, até certa medida, torna-se em entendimento. É a provas de que estás começando a ver que a Alma não se detém no sentido da mente ou matéria. A Alma não está no corpo mortal. CS 311: 15

A Alma (com um "A" maiúsculo) é o Espírito, e refere-se a Deus. Temos que ter certeza de não confundir Alma com a alma (com "a" minusculo), que se refere a sensação e a  personalidades independentes, e sujeita, tanto ao o bem como ao mal CS 481: 34-12  Ao ler as Escrituras, a substituição da palavra alma pela palavra sentido fornece o significado exato na maioria dos casos. O pensamento humano adulterou o significado da palavra alma pela hipótese de que a alma seja ao mesmo tempo uma inteligência boa e má residente na matéria. Pode-se sempre encontrar o modo apropriado de usar a palavra alma, substituindo-a pela palavra Deus, quando o significado deífico for exigido. Em outros casos, emprega a palavra sentido, e terás o significado científico.  A palavra Alma, tal como é usada na Ciência Cristã, é propriamente sinônimo de Espírito, ou Deus; mas fora da Ciência, alma é idêntica a sentido, idêntica a sensação material.

A medida que aumenta o nosso entendimento, é natural que nossa perspectiva sobre a vida e inteligencia  mude, e que passe de um ponto de vista material ao reconhecimento do sentido espiritual de todas as coisas: até a visão de que a Alma é quem governa e não os sentidos materiais! CS 322: 3-8 Quando a compreensão mudar os pontos de vista acerca da vida e da inteligência, de uma base material para uma base espiritual, alcançaremos a realidade da Vida, o domínio da Alma sobre o sentido, e perceberemos o cristianismo, ou seja, a Verdade, em seu Princípio divino.

Habitamos na Vida e a vida não se detém em que somos uma representação material de nós mesmos. Esta seção no diz que se realmente devemos ter vontade de crescer em compreensão. Como diz a Versão Contemporânea Inglesa da Bíblia: Ouve o conselho e recebe a instrução, para que sejas sábio nos teus dias por vir” Prov. 19: 20.  

O entendimento que é a sabedoria, nos permite ver o bem, que nos faz tão DOCE  a vida!

Mrs. Eddy sugere que perguntemos: "Estou vivendo a vida que se aproxima do bem supremo? Estou demonstrando o poder sanador da Verdade e do Amor?" CS 496: 8 -14 Pergunta-te: Estarei vivendo a vida que se aproxima do bem supremo? Estarei demonstrando o poder curativo da Verdade e do Amor? Se assim for, então o caminho se tornará cada vez mais claro “até ser dia perfeito”. Teus frutos hão de provar o que o compreender Deus traz ao homem.   

Por que são boas estas perguntas? Porque, quando a resposta é afirmativa, o caminho torna-se mais e mais brilhante. Ser capaz de ver o caminho de Deus,  nos impede de tropeçar. Então a harmonia da Alma  expressa-se!





Quinta Seção: Os frutos: Somos todos sanadores! -  FRUIÇÃO

Temos que entender o que é a prática: reconhecer a verdade acerca de Deus e do homem, e recusar a submeter-se a evidencia dos sentidos físicos. À medida que caminhamos nos estatutos de Deus, cumprindo os [Seu] mandamentos.

Então, nós também podemos esperar receber todas as promessas que Deus fez aos filhos de Israel na Sua aliança com eles. Podemos esperar curar! Nosso trabalho será frutífero, sentiremos a presença de Deus conosco, e Deus romperá "as bandas de [nosso] jugo, libertar-nos (e dos outros) de tudo o que nos escraviza, e nos impede de andar livre”. Levítico 26: 1  ...  eu sou o Senhor, vosso Deus. 3 - Se andardes nos meus estatutos, guardardes os meus mandamentos e os cumprirdes,  4- então, eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo; e a terra dará a sua messe, e a árvore do campo, o seu fruto. 

Jesus entendeu esta relação de pacto com Deus. Portanto, curava em coerência com ele. Jamais se impressionava com os sintomas (nesta seção, lemos sobre a cura do que poderíamos chamar de epilepsia)  Marcos 9: 17, 18 (até definhando), 21, 22, 25-27 e discutia/refutava os chamados sintomas, com a autoridade do Cristo (a ação da Mente divina) CS 210: 12 Como sabia que a Alma e seus atributos eram eternamente manifestados pelo homem, o Mestre curava os doentes, restabelecia a vista aos cegos, o ouvido aos surdos, o uso dos pés aos coxos, trazendo assim à luz a ação científica da Mente divina sobre as mentes e os corpos humanos, e proporcionando melhor compreensão acerca da Alma e da salvação. Jesus curava a doença e o pecado pelo mesmo e único processo metafísico.

Jesus, viu como a humanidade necessitava desesperadamente desse tipo de cura. Ele esperava que seus discípulos curassem e orassem para que mais sanadores fossem enviados "a colheita”  Mateus 9: 35 E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades.  37 - E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38 - Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.


É nosso privilégio poder responder a esse chamado. A Ciência Cristã (o restabelecimento do cristianismo primitivo), revela o poder de Deus através da cura. Temos a responsabilidade de curar qualquer desarmonia que cruzar o nosso caminho, porque temos recebido o dom de compreender a relação do homem com Deus.

Como podemos nos manter nisso? Se não praticarmos constantemente o que sabemos sobre Deus, curando todas as " pequenas" coisas, assim como  as  grandes coisas, seria  como estar com um grupo de pessoas em uma caverna escura,  com uma lanterna que sabemos como usar, mas  optarmos por não  faze-lo, ou nos recusarmos a compartilha-la. 

PRATICA da cura: compartilha a luz! Esta seção nos dá uma direção clara quanto à maneira de tornar ainda mais eficaz a cura: fala à doença com autoridade, deixa que a Alma elimine as falsas evidências CS 395: 6-10 Tal como o grande Modelo, o sanador deve falar à moléstia como quem tem autoridade sobre ela, deixando que a Alma domine as falsas evidências que os sentidos corpóreos apresentam, e faça valer sua autoridade sobre a mortalidade e a moléstia. 

Em vez de te submeter a qualquer estágio da enfermidade, cresce em rebelião contra ela, contradizendo CADA queixa do teu corpo, segue aprendendo sobre Deus, porque é a nossa ignorância acerca dEle o que produz a "aparente discórdia"; sendo que a compreensão de Deus restabelece a harmonia.  CS 391: 7-9, 31-34; 391: 7-9, 31-34 Em vez de te submeteres cega e tranquilamente às fases incipientes ou adiantadas da moléstia, rebela-te contra elas. Contradize mentalmente toda queixa do corpo, e eleva-te à verdadeira consciência da Vida como Amor - como tudo quanto é puro e produz os frutos do Espírito. CS 390: 4  Não podemos negar que a Vida se sustenta por si mesma, e nunca deveríamos negar a harmonia eterna da Alma, simplesmente porque, para os sentidos mortais, parece haver discórdia.  É nossa ignorância acerca de Deus, o Princípio divino, que produz aparente desarmonia, e compreendê-Lo corretamente restabelece a harmonia. A Verdade há de finalmente compelir todos nós a trocar os prazeres e as dores dos sentidos pelas alegrias da Alma.  

É um privilégio obter os frutos da compreensão, estando disposto a curar tudo o que cruzar nosso caminho!






Sexta Seção: A REALIDADE: dê glórias a Deus!

A medida que sanamos toda a discórdia que cruza o nosso caminho, a realidade nos salta a vista. Então, o reino dos céus está aqui. E aí permanecemos: no reino de Deus.

Deus está no governo de seu reino e  tudo nEle é BOM!    Reconhece Sua presença e da graças a Deus  por  Sua bondade 1 Crôn. 29: 11 Teu, Senhor, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, Senhor, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos.  12- Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força.
 
ALEGRA-TE! Você está na lista de entrada deste reino da harmonia! Lucas 10:11... sabei  que está próximo o reino de Deus.  20-  ... alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus.  
Tens o privilégio de conhecer a glória do céu. Podes guardar para ti este fato? Temos uma clara instrução: "pregai, dizendo: que está próximo o reino dos céus”.  Mateus 10: 7

Isto significa que "o reino da harmonia" está aqui e agora! Para todos CS 590: 1  Reino dos céus. O reinado da harmonia na Ciência divina; o reino da Mente infalível, eterna e onipotente; a atmosfera do Espírito, onde a Alma é suprema. E a melhor maneira de pregar é simplesmente viver em harmonia e praticar a cura.

Este céu é a atividade da Alma: e nós somos a expressão dEla. Portanto, coexistimos com a Alma: a essência do Espírito. CS 477: 27  O homem é a expressão da Alma. Os índios americanos tiveram alguns vislumbres da realidade subjacente, quando a certo lago formoso denominaram “o sorriso do Grande Espírito”.  Separado do homem, que exprime a Alma, o Espírito seria uma não-entidade; o homem, divorciado do Espírito, perderia sua entidade. Mas não há, nem pode haver, tal separação, pois o homem coexiste com Deus.

Deus é perfeito, e habita no reino da perfeição: assim como nós coexistimos com a perfeição. CS 302: 20 A Ciência do ser revela que o homem é perfeito, assim como o Pai é perfeito, porque a Alma ou a Mente do homem espiritual é Deus, o Princípio divino de todo ser, e porque esse homem real é governado pela Alma, não pelos sentidos, pela lei do Espírito, não pelas assim chamadas leis da matéria.

As coisas às vezes não PARECEM perfeitas, mais podemos fazer algo a respeito, aferrando-nos a CIÊNCIA do ser. CS 242: 9 Há um único caminho que leva ao céu, à harmonia, e Cristo, na Ciência divina, mostra-nos esse caminho. Consiste em não conhecer nenhuma outra realidade - em não ter nenhuma outra consciência de vida - senão o bem, Deus e Seu reflexo, e em elevar-nos acima das supostas dores e prazeres dos sentidos.

Podemos entrar mentalmente na reino  de Deus  e reconhecer a presença da harmonia - aqui e agora - não importa  que outra coisa PAREÇA ser. Jesus nunca saiu fora da - consciência da harmonia dos céus- Podemos seguir o seu exemplo. Que privilégio é habitar no Seu reino; e você pode fazê-lo!


Fonte: O texto original escrito em inglês foi traduzido para o espanhol, por Ana Arcioni de Barcelona, Espanha, aprovado por Warren Huff, Diretor do Acampamento dos Cedros, Lebanon, Missouri, EUA.  Postado na segunda feira, 10 de agosto de 2009, por  CedarS Camp como  série de Ideias Metafísicas Aplicáveis para a Lição Bíblica [da Ciência Cristã.


Citações: trechos da Bíblia versão João Ferreira de Almeida (português) e do livro texto da Ciência Cristã, “Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras de Mary Baker Eddy”,  tradução para português, de 2014.

Tradução: do espanhol para o português por Edésio Ferreira Filho com leitura final por Orlando Trentini,CSB.

Obs: Os números atuais do Estudos Metafísicos dos Cedros [http://www.cedarscamps.org/metaphysical/] são traduzidos pela equipe composta por Ana Paula Wagner, Dulcinea Torres, Elisabeth Z. Friedrichs, Leila Kommers e Ovídio Trentini, com a leitura final por Orlando Trentini, CSB.


Nota do Diretor do Acampamento dos Cedros:                         

O que compartilhamos acima é a última de uma série de Ideias Metafísicas Aplicáveis para a Lição Bíblica [da Ciência Cristã], escrita por diferentes Praticistas da Ciência Cristã residentes no Acampamento dos Cedros [CedarS Camp.] e ocasionalmente outros metafísicos.

Este documento tem a intenção de iniciar um estudo mais profundo e estimular a aplicação das ideia encontradas na Lição Bíblica, como estão impressas no Livrete Trimestral da Ciência Cristã,  disponível nas Salas de Leitura da Ciência Cristã.

Estes pensamentos são  inspiração de momento, sendo oferecidos para brindar um pouco mais de profundidade, base sólida e aplicabilidade para algumas ideias e passagens que foram estudadas.

A Bíblia e Ciência e Saúde são o pastor das Igrejas de Cristo, Cientista. A Lição Bíblica é o sermão lido no serviço da Igreja da Ciência Cristã, que se realiza em todo o mundo.

A Lição Bíblica fala individualmente a cada um, mediante o Cristo, promovendo o entendimento individual e as aplicações apropriadas  para cada pessoa.

Nos alegra que leias o que compartilhamos e esperamos que encontres utilidade para algumas destas  ideias,  em tua viajem espiritual diária, através da  profunda busca nos livros  e em teu imediato contato com o Consolador e Pastor.

A espiritualidade é teu estado inato, que te conecta a todo momento com Deus (CS 258:30*). O Cristo é o presente de luz que Jesus nos deu. Esta luz do Cristo, a luz da compreensão espiritual, chega a nós e  traz infinitas bençãos.

Então, divirta-se desenvolvendo e amando a individualidade de teus presentes espirituais! Assim, em qualquer que seja o lugar onde te encontres, compartilhe com todos grandes bençãos que inspirem infinitamente!


Desfrute! Warren Huff, Director do Campamento do Cedros.

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

ARCA: feliz ano de 2016

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FELIZ ANO DE 2016





Arca. Abrigo seguro; a ideia, a reflexão, da Verdade, que se comprovou ser tão imortal como seu Princípio; a compreensão a respeito do Espírito, a qual destrói a crença na matéria.
         Deus e o homem, coexistentes e eternos; a Ciência mostrando que as realidades espirituais de todas as coisas são criadas por Deus e existem para sempre. A arca indica a tentação que, por ter sido vencida, traz enaltecimento.
 

Arca.  Safety; the idea, or reflection, of Truth, proved to be as immortal as its Principle; the understanding of Spirit, destroying belief in matter.
           God and man coexistent and eternal; Science showing that the spiritual realities of all things are created by Him and exist forever. The ark indicates temptation overcome and followed by exaltation.

 
Fonte: Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras por Mary Baker Eddy, edição em português - 2014, The Christian Science Board of Directors, Sociedade Editora da Ciência Cristã. Todos os direitos reservados.


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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A CURA CRISTÃ - palestra em Curitiba, PR, Brasil.


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CONVITE



Vitral do edifício original d' A Igreja Mãe, A Primeira Igreja de Cristo Cientista, Boston, EUA.
 
 


A Sociedade de Ciência Cristã de Curitiba 

convida para uma conferência.

 
Tema: "A Cura Cristã"

Conferencista: Evelin Frizzotti.



Dia: 19 de dezembro, sábado.

16 horas.


Cidade: Curitiba, Pr.

Endereço: Rua Senador Xavier da Silva, 120. 


Todos são bem vindos. Entrada gratuita
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Evelin Castellar D. Frizotti, CSB 



Membro do Conselho de Conferências da Ciência Cristã é
Professora de Ciência Cristã, recém formada 
pelo Conselho de Educação da Ciência Cristã. 
Ministrará Classes, a partir de 2016,  na cidade do Rio de Janeiro. 

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Ilustração da   terceira   edição do livro
  Ciência e Saúde com a Chaves das Escrituras, escrito Mary Baker Eddy

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terça-feira, 8 de setembro de 2015

A MULHER CANANEIA AJUDA JESUS A DESCOBRIR A VONTADE DO PAI

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Comentário sobre relato bíblico

 

"Os estudos bíblicos se constituem numa vibrante área de pesquisa que publica de forma intensa. Isso deve-se ao fascínio que os textos antigos exercem sobre os leitores contemporâneos, seja como texto de saber histórico, seja como texto que sempre se mostra aos leitores de forma renovada.

Por isso, a Bíblia é estudada numa riqueza de perspectivas, abordagens, métodos  e hermenêuticas. Ao interesse pelo texto bíblico soma-se a busca por sua origem, da mesma forma que pelos textos que lhe são vizinhos: os apócrifos, pseudepígrafos, os Manuscritos do Mar Morto."  Gabrielle Boccaccini, Departamento de Estudos do Oriente Próximo da Universidade de Michigan, E.U.A.

"Geralmente, o caminho da religião organizada faz com que a vida sirva à palavra. Também no barco de Pedro se presentifica a inversão desse vício. A palavra de Jesus de Nazaré é fascinante porque é palavra que serve à vida. Daí deriva a liberdade interpretativa de Jesus perante a Lei: "ouvistes o que foi dito aos antigos, mas eu vos digo...". Se o povo se aglomera junto ao lago de Genesaré (e em muitos outros lugares) para ouvir e dar assentimento a essa palavra fascinante que serve à vida, é porque já doíam as algemas de uma vida subserviente à palavra da religião. Portanto, essa palavra é fascinante porque é palavra libertadora e emancipadora." Paulo Nascimento

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A mulher Cananeia ajuda Jesus a descobrir

 a vontade do Pai

 

 

1. No bairro onde você vive tem gente de outras religiões? Quais? Você conversa normalmente com pessoas de outra religião?

2. Como você faz, concretamente, para conviver em paz com pessoas de outras igrejas cristãs ou com espíritas?

 

Situando

1.    Jesus vai tentando abrir a mentalidade dos discípulos e do povo para além da visão tradicional. Na multiplicação dos pães, ele tinha insistido na partilha (Mc 6,30-44). Na discussão sobre o puro e o impuro, tinha declarado puros todos os alimentos (Mc 7,1-23). Agora, neste episódio da mulher Cananeia, ele ultrapassa as fronteiras do território nacional e acolhe uma mulher estrangeira que não era do povo e com a qual era proibido conversar. Estas iniciativas de Jesus, nascidas da sua experiência de Deus como Pai, eram estranhas para a mentalidade do povo da época. Cresce para eles o mistério, aparece o não-entender.

A-mulher-cananéia - Cópia

2.    A abertura crescente de Jesus era uma ajuda muito importante para as comunidades do tempo de Marcos. Elas eram um grupo pequeno, perdido naquele mundo hostil do Império Romano. Quando um grupo é minoria, sofre a tentação de se fechar sobre si mesmo. A atitude de abertura de Jesus era um estímulo para as comunidades não se fecharem, mas manterem bem viva a consciência missionária de anunciar a Boa-nova de Deus a todos os povos, como Jesus tinha pedido com tanta insistência.

 

Comentando

1.    Marcos 7,24: Jesus sai do território

No Círculo anterior, em Mc 7,1-23, Jesus tinha criticado a incoerência da “Tradição dos Antigos” e tinha ajudado o povo e os discípulos a sair da prisão das leis de pureza. Aqui, em Mc 7,24, ele sai da Galileia. Parece querer sair da prisão do território e da raça. Estando no estrangeiro, ele não quer ser conhecido. Mas a sua fama já tinha chegado antes. O povo ficou sabendo e faz apelo a Jesus.

2.    Marcos 7,25-26: A situação

Uma mulher chega perto e começa a pedir pela filha doente. Marcos diz explicitamente que ela era de outra raça e de outra religião. Isto é, era uma pagã.

Ela se lança aos pés de Jesus e começa a suplicar pela cura da filha que estava possuída por um espírito impuro. Os pagãos não tinham problema em recorrer a Jesus. Os judeus é que tinham problemas em conviver com os pagãos!

3.    Marcos 7,27: A resposta de Jesus

Fiel às normas da sua religião, Jesus diz que não convém tirar o pão dos filhos e dar aos cachorrinhos. Frase dura. A comparação vinha da vida em família. Até hoje, criança e cachorro é o que mais tem nos bairros pobres. Jesus afirma uma coisa certa: nenhuma mãe tira o pão da boca dos filhos para dar aos cachorrinhos. No caso, os filhos eram o povo judeu e os cachorrinhos, os pagãos.

Nos outros evangelhos, Jesus explica o porquê da sua recusa: “Não fui enviado a não ser para as ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15,24). Ou seja: “O Pai não quer que eu atenda a senhora!”

4.    Marcos 7,28: A reação da mulher

Ela concorda com Jesus, mas amplia a comparação e a aplica ao caso dela: “É verdade, Jesus! O senhor tem razão, mas os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa das crianças!” Ela simplesmente tirou as conclusões da parábola que Jesus contou e mostrou que, até na casa de Jesus, os cachorrinhos comiam das migalhas que caíam da mesa das crianças. E na “casa de Jesus”, isto é, na comunidade cristã, a multiplicação do pão para os filhos foi tão abundante que estavam sobrando 12 cestos para os “cachorrinhos”, isto é, para os pagãos!

5.    Marcos 7,29-30: A reação de Jesus

“Pelo que disseste: Vai! O demônio saiu da tua filha!” Nos outros evangelhos se explicita: “Grande é a tua fé! Seja feito como queres!” (Mt 15,28). Se Jesus atende ao pedido da mulher, é porque compreendeu que, agora, o Pai queria que ele acolhesse o pedido dela. Este episódio ajuda a perceber algo do mistério que envolvia a pessoa de Jesus e como ele convivia com o Pai. Era observando as reações e as atitudes das pessoas que Jesus descobria a vontade do Pai nos acontecimentos da vida. A atitude da mulher abriu um novo horizonte na vida de Jesus. Através dela, ele descobriu melhor que o projeto do Pai é para todos os que buscam a vida e procuram libertá-la das cadeias que aprisionam a sua energia.

6.    Marcos 7,31-36: Abrir o ouvido e soltar a língua

O episódio da cura do gago é pouco conhecido. Jesus está atravessando a região da Decápole. Decápole significa, literalmente, Dez Cidades. Era uma região de dez cidades ao sudeste da Galileia, cuja população era pagã. Um surdo gago é levado a Jesus. O jeito de curar é diferente. O povo queria que Jesus apenas impusesse as mãos sobre ele. Mas Jesus foi muito além do pedido.

Ele levou o homem para longe da multidão, colocou os dedos nas orelhas e com saliva tocou na língua, olhou para o céu, fez um suspiro profundo e disse: “Éffata!”, isto é, “Abra-se!” No mesmo instante, os ouvidos do surdo se abriram, a língua se desprendeu e o homem começou a falar corretamente. Jesus quer que o povo abra o ouvido e solte a língua! Todo o povo ficou muito admirado e dizia: “Ele fez bem todas as coisas!” (Mc 7,37). Esta afirmação do povo faz lembrar a criação, onde se diz: “Deus viu que tudo era muito bom!” (Gn 1,31).

7.    Marcos 7,37: Jesus não quer publicidade

Ele proibiu a divulgação da cura, mas não adiantou. Quem teve experiência de Jesus vai contar para os outros, queira ou não queira! As pessoas que assistiram à cura começaram a proclamar o que tinham visto e resumiram a Boa Notícia assim: “Ele fez bem todas as coisas!”

Às vezes, se exagera a atenção que o Evangelho de Marcos atribui à proibição de divulgar a cura, como se Jesus tivesse um segredo a ser preservado. Na maioria das vezes que Jesus faz um milagre, ele não pede silêncio. Uma vez até pediu publicidade (Mc 5,19). Algumas vezes, porém, ele dá ordem para não divulgar a cura (Mc 1,44; 5,43; 7,36; 8,26), mas obtém o resultado contrário. Quanto mais proíbe, tanto mais a Boa-nova se espalha (Mc 1,28.45; 3,7-8; 7,36-37).

Não adianta proibir! Pois a força interna da Boa-nova é tão grande que ela se divulga por si mesma!

 

Alargando

Abertura para os pagãos no Evangelho de Marcos

Na época do Antigo Testamento, na rivalidade entre os povos, um povo costumava chamar o outro povo de “cachorro” (1Sm 17,43). Isto fazia parte da relação conflituosa que eles tinham entre si, na terra de Canaã, para formar um povo novo com direito à terra, à vida e à identidade própria. O enfrentamento entre Golias, o gigante filisteu, e Davi, o pastorzinho israelita, é uma amostra desta situação. Para Davi, vencer o filisteu pagão era salvar a honra tanto do povo israelita como do Deus vivo (1Sm 17,26). Quando Davi se aproxima para a luta sem as armas tradicionais, mas apenas com um bastão, Golias pergunta: “Será que sou um cachorro?” (1Sm 17,43).

Ao longo das páginas do Evangelho de Marcos, há uma abertura crescente em direção aos outros povos. Assim, Marcos leva os leitores e as leitoras a abrir-se, aos poucos, para a realidade do mundo ao redor e a superar os preconceitos que impediam a convivência pacífica entre os povos. Eis alguns exemplos: A mulher que Marcos nos apresenta era uma pagã, siro-fenícia de nascimento (Mc 7,26). No passado, nos tempos da rainha Jezabel e do profeta Elias, tinha havido rivalidade entre Israel e o povo da Fenícia ou de Canaã. Mas agora, a mulher não está preocupada com as rivalidades do passado. Ela busca a libertação para a sua filha, dominada por um demônio (Mc 7,26). Ouve falar de um judeu que tem o poder de Deus para libertar do mal. Aqui, já não importam os preconceitos raciais. O que importa é a vida ameaçada da filha, vida oprimida que precisa ser libertada.

Na sua passagem pela Decápole, região pagã, Jesus atende ao pedido do povo do lugar e cura um surdo gago. Ele não tem medo de contaminar-se com a impureza de um pagão, pois, ao curá-lo, toca-lhe os ouvidos e a língua. Enquanto as autoridades dos judeus e os próprios discípulos têm dificuldades de escutar e entender, um pagão que era surdo e gago passa a ouvir e a falar pelo toque de Jesus. Lembra o cântico do servo: O Senhor Iahweh abriu-me os ouvidos e eu não fui rebelde (Is 50,4-5).

Ao expulsar os vendedores do templo, Jesus critica o comércio injusto e afirma que o templo deve ser casa de oração para todos os povos (Mc 11,17). Fazendo assim, ele resgata a profecia de Isaías que estendia a salvação aos estrangeiros e manda abolir as restrições da lei que proibia a participação de eunucos, bastardos e estrangeiros na assembleia de Iahweh (Dt 23,2-9).

Na parábola dos vinhateiros homicidas, Marcos faz alusão ao fato de que a mensagem será tirada do povo eleito, os judeus, e será dada aos outros, aos pagãos (Mc 12,1-12).

Depois da morte de Jesus, Marcos apresenta a profissão de fé de um pagão ao pé da cruz. Ao citar o centurião romano e seu reconhecimento de Jesus como Filho de Deus, está dizendo que o pagão é mais fiel do que os discípulos e mais fiel do que os judeus (Mc 15,39).

A abertura para os pagãos aparece de maneira muito clara na ordem final dada por Jesus aos discípulos, depois da sua ressurreição: Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura (Mc 16,15).

 

Fonte: Esta reflexão é o 19º Círculo Bíblico no livro de Carlos Mesters e Mercedes Lopes, chamado "Caminhando com Jesus - Círculos Bíblicos sobre o Evangelho de Marcos. Centro de Estudos Bíblicos de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brasil.

Nota:  A mulher Cananeia ajuda Jesus a descobrir a vontade do Pai não representa necessariamente o pensamento do  Movimento da Ciência Cristã (A Igreja Mãe em Boston ou qualquer de suas filiais, sociedades ou grupos informais de estudos, existentes em diferentes países do mundo), foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia no contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico. Com o objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras e compreendermos o verdadeiro papel do cristão nos dias de hoje.

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