segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

ELISEU SEGUE OS PASSOS DE ELIAS

________________________________________________

 

Eliseu segue os passos de Elias

 

 

O movimento de Elias

A adoção do culto cananeu e da incorporação da forma Cananéia de administrar o Estado de Israel,  pela dinastia de Amri trouxe, entre outras, duas consequências  para o povo:

- Apagou, aos poucos, a fé no Deus que quer vida e liberdade para seu povo;

- Aumentou a opressão  e a violência sobre o campesinato.

Contra este desmandos, levantou-se em Israel um imenso movimento profético, uma forte oposição dos círculos fiéis a YHWH. O profeta Elias foi líder dessa resistência. Sua ação em defesa dos pobres marcou profundamente a vida do povo em Israel. Possivelmente, as narrativas sobre Elias já tiveram uma primeira redação no final do século 9 a.C. Posteriormente, foram enriquecidos com acréscimo e inseridos na obra deuteronomista (Js, Jz, 1º e 2º Sm e 1ºe 2º Rs).

Podemos dividir os textos referentes a Elias da seguinte forma:

- 1Rs 17-18; 2Rs1: a defesa da fé do povo de YHWH;

- 1RS 19: a mística do êxodo reanima o profeta perseguido;

- 1Rs 21: a defesa do campesinato violentado e empobrecido;

- 2Rs 2: 1-8: a passagem da missão de Elias para Eliseu. 

 

“YHWH é Deus, YHWH é que é Deus!  [1Rs 18:39]

Antes de mais nada, leia 1Rs 17-18!

Você pode perceber que o início dessas narrativas que você leu (17:1) e o final (18: 41-46). A questão é: Qual é o Deus que envia a chuva? É Baal ou YHWH? Para Jezabel e seus profetas, Baal tem esse poder.

Para os círculos fiéis ao Deus do êxodo, YHWH é o doador também da chuva e da fertilidade do solo. Um século mais tarde, o profeta Oséias se mostra discípulo fiel de Elias nessa mesma luta (Os 2:10-11,17 – Almeida  2:8-9; 15).

Todas as narrativas populares sobre a ação de Elias em defesa da fé no Deus do êxodo contidas nesses dois capítulos indicam na mesma direção: “YHWH é Deus, YHWH é que é Deus!” (1Rs 18:39). O próprio nome de Elias, quer dizer “meu Deus é YHWH”, define o programa do profeta. Vamos por partes.

O episódio junto ao córrego de Carit (Almeida = Querite) mostra que é YHWH quem sustenta os seus fieis, tal como na caminhada do êxodo. E Ele e não Baal quem controla a chuva, provocando  seca(1Rs 17: 2-7).

 

Na narrativa sobre a fome da viúva de Serepta  e do seu filho aprofunda a mesma questão. Serepta está situada entre as cidades fenícias de Tiro e Sidônia. Como se acreditava, aquela região estava sob o domínio de Baal. Nem na região da sua influência ele foi capaz de fazer chover para acabar com a seca. E o interessante é notar que foi lá que YHWH, o Deus de Israel, exerceu seu poder, tornando-se solidário com os mais pobres na pessoa do profeta Elias. E na solidariedade dos pobres, no  pouco que tinham, o pão não faltou em suas mesas (1Rs 17:8-16).

A cena em que Elias fez a criança voltar à vida (1Rs 17:17-24) também reforça a ação de YHWH, diferentemente da dinastia de Amri que promoveu a morte(1Rs 21). Nessa prática de Elias, a viúva reconheceu nele um profeta, “um homem de Deus”.

1º Reis 18:1-46 nos mostra o confronto entre dois projetos: o que traz fome e o sofrimento ao povo e o que promove a partilha e recupera a sua vida. A dinastia de Amri adotava a religião e os costume fenícios. A corte de Samaria legitimava seus sistema de morte com a religião de Baal. Para matar no povo o desejo de liberdade, foi necessário banir a fé em YHWH.

 

mt-carmel-elijah

Por isso, [Elias] enfrenteou o poder político, especialmente naquilo que lhe dava sustentação ideológica, isto é, a religião de Baal. Dessa forma, contraria os interesses da corte. E não foi por acaso que Acab e a rainha Jezabel o perseguiram, matando muitos profetas de YHWH.

Em 18:12 se diz que o espírito de YHWH conduzia o profeta de forma imprevisível. Você pode ler ainda a respeito em 2Rs 2:11-12;16. Veja também em Ez 3:12;8:3; 11:1 e At 8:39! Ao assim se referir  aos profetas e ao diácono Filipe, os autores querem dizer que esses mensageiros de Deus estavam totalmente disponíveis para cumprir sua vontade. Onde quer que Ele os quisesse, eles estavam a seu serviço.

 

A mística do êxodo reanima o profeta perseguido

Por  desmascarar a prática idolátrica da corte de Samaria, a vida de Elias correu perigo da mesma forma como seus companheiros de profecia. para salvá-la, ele fugiu. Estava desanimado. Muitos profetas de YHWH já tinham sido mortos pelo mesmo motivo . Elias se sentiu só. Perdeu as referências e perdeu seus companheiros.

elijah_corvo                                         Elias é alimentado pelos corvos

 

Da mesma forma como Moisés se dirigiu ao monte Horeb (Ex 3:1), onde tomou consciência de sua missão libertadora junto aos hebreus no Egito (Ex 3:7-11), também Elias se dirigiu à montanha, à mesma gruta (Ex 33:22). Foi, portanto, beber da fonte em que Moises bebeu.

E essa fonte tem nome. Chama-se YHWH, aquele que está junto para libertar. É o Deus da Aliança, que quer uma sociedade justa solidária. Essa mística da profecia de ontem e de hoje. Não é assim também em sua vida?

Mas há algo de novo na experiência de Deus que Elias fez. Não foi mais nos sinais simbólicos tradicionais que o profeta percebeu a presença de Deus em sua vida.

Moisés fez referência à sua intimidade com Deus, dizendo que a ação de YHWH foi uma experiência marcante, como se passassem por sua vida um vento forte (Ex 14:21; 15:10; Nm 11:31, um terremoto (Ex 19:19) e um fogo ardente(Ex 32; 19:16, 18).

Elias não sentiu mais a presença de Deus nesses sinais. A razão provável é porque os teólogos do templo de Jerusalém, e possivelmente a corte real instalada em Samaria, apresenta o Deus da tradição com aquela linguagem. Em vez de fazer memória do Deus do êxodo para promover a liberdade, a dinastia de Davi domesticou a religião de YHWH para justificar o seu poder.

Elias fala de sua intimidade com Deus de um jeito novo (1Rs 19:12-13). Mas é o mesmo Deus que continua solidário com seus profetas e que renova sua vocação em crise. A forma é que é diferente.

Ainda hoje o mesmo Deus continua se revelando na vida e na história de diferentes e sempre renovadas formas.

 

Elias e a defesa do campesinato violentado

Antes de mais nada, leia 1Rs 21 e procure perceber:

- Os interesses do rei Acab, os seus planos em relação à terra do campesinato;

                                         O rei inveja a vinha de Nabot

 

- A posição de Nabot em relação à herança. Compare com Lv 25:23 e Nn 27:1-11; 36:1-12;

- A forma como a rainha Jezabel usou o poder régio para assassinar Nabot. Compare com o envolvimento Herodíades na morte de João Batista em Mc 6:17-29;

- A defesa que o profeta Elias faz de Nabot, bem como as ameaças que faz a Acab.

Como vimos acima, no caso de Nabot, o assassinato dele e o se deus filhos (2Rs 9:26), ilustra bem a relação entre Baal e a opressão. Aparentemente, o conflito entre os profetas de YHWH era uma disputa religiosa.

                                             Assassinato de Nabot

Mas, o fundo social do conflito entre YHWH e Baal era, na verdade, conflito por causa da terra do campesinato que era cobiçada pela corte e pelos amigos do rei.

 

Elias não estava sozinho

Você já leu que junto com Elias havia muitas pessoas que também profetizavam em nome de YHWH (1Rs 18:4). Em 1Rs 20:35ss, vocês podem acompanhar a ação de mais de um deles. Já no tempo do Profeta Samuel havia  comunidades proféticas.

elijah_corvo                                         Elias é alimentado pelos corvos

 

Havia também os profetas da corte que, para garantir seu ganha-pão profetizavam o que agradava ao rei, tornando-se coniventes com suas decisões.

Leia 1Rs 22:1-28 e perceba como entre esses profetas também havia os que se posicionavam de forma realista. Por isso, eram mal vistos na corte e sofriam perseguição. É o casa do profeta Miquéias (Almeida = Micaias), filho de Jemla, que apanhou de um colega profeta e foi preso a mando do rei Acab (1Rs 22:24-28). Os relatos do Livro de Miquéias se referem a outro profeta.

O profeta Eliseu também foi líder de uma comunidade de profetas. É o que você pode ler em 2Rs 2:1-18. Veja também 2Rs 4:1.30!  Eles podiam ser encontrados em Guilgal – 2Rs 2:1, Betel (2Rs 2:2-3), Jericó (2Rs 2:4-5.18), no Jordão (2Rs 2:6-7) e no monte Carmelo (2Rs 2:25).

 

Eliseu segue os passos de Elias

Antes de continuar seu estudo procure perceber como aparecem nas relações do profeta pessoas com fome, doentes , escravas, endividadas, especialmente mulheres e crianças.

Perceba também como há referências a situações do cotidiano, tais como: a casa, a comida, a água, utensílios de cozinha e instrumentos de trabalho, além é claro, do envolvimento do profeta na conspiração contra a dinastia de Amri [leia neste blog a postagem Joás rei de Judá: uma contextualização histórica e geográfica]

Possivelmente, as narrativas sobre Eliseu foram escritas no século 8 a.C. Como o ciclo de Elias, também as tradições sobre Eliseu foram escritas, com acréscimo, na obra deuteronomista.

Não deixe de ler:

▪ 1Rs 19: 19-21   vocação de Eliseu;

▪  2Rs 2-8 Eliseu e a luta pela vida cotidiana;

2Rs 9-10 apoio de Eliseu ao golpe que Jeú deu no rei Jorão;

2Rs 13:14-21 morte do profeta.  

 

Eliseu e suas comunidades proféticas continuaram a missão de Elias na defesa da fé do povo em YHWH e na luta contra os desmandos e as injustiças da estrutura monárquica.

Ao lançar sobre Eliseu o seu manto, Elias não só lhe transferiu sua missão, mas também adquiriu direito sobre ele, tornando-o participante de sua personalidade, uma vez que a roupa faz parte da pessoa (1Rs 19:19; 2Rs2:8-13-14. Veja casos semelhantes em 1Sm 18:4; 24:5-7!). O fato de Eliseu destruir seu arado e seu arado e seus bois confirma essa mudança em sua vida, pois significa sua renuncia à situação que vivia anteriormente (1Rs 19:20-21).

 

Da mesma forma como Elias, Eliseu também se ocupou com a vida cotidiana do povo e se envolveu profundamente na política. Acompanhe o quadro a seguir e veja como Eliseu está em continuidade e confirmação da ação profética dos oráculos de Elias.   

 

Passagem da missão e personalidade de Elias para Eliseu [Elias 1Rs 19:19 / Eliseu 2:8.14.19-22].

Ambos multiplicaram azeite  para viúvas [Elias 1Rs 17:14-16 / Eliseu 2Rs 4:1-7].

A intervenção de ambos trouxe água [Elias 1Rs 18:21-46 / Eliseu 2Rs 3:9-20].

Os dois fizeram meninos voltar à vida [Elias 1Rs 17:17-24 / 2Rs 4:18-37].

Ambos multiplicaram farinha/pão [Elias1Rs 17: 14-16/ Eliseu 2R 4: 42-44].

Elias criticou um rei de Israel que buscou sua cura num deus  estrangeiro [2Rs 1].

Eliseu curou um estrangeiro que buscou sua cura no Deus de Israel [2Rs 5:1-19].

Elias recebeu a missão de ungir Hazael, rei arameu Elias[1Rs 19:15 ]; mas foi Eliseu quem anunciou que Hazael seria rei [2Rs 8:11-13].

Elias recebeu a missão de ungir Jeú [1Rs 19:16]; mas foi Eliseu quem enviou seu discípulo para ungí-lo [2Rs 9:1-3].

Ambos conspiraram contra a dinastia de Amri e sua idolatria [1Rs 18:21 / Eliseu 2Rs 9 -10].

Ambos foram ameaçados de morte [Elias 19: 1-2 / Eliseu 2Rs 6: 31].

_____________

Fonte: Uma introdução à Bíblia: Reino Dividido, organizado por Ildo Bohn Gass, CEBI - Editora Paulus, 4ª Edição, 2007.

Nota: Eliseu segue os passos de Elias  foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia no contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico, como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

________________________________________________ 

 

PARA REFLETIR:

Elias. Profecia; evidência espiritual oposta ao sentido material; a Ciência Cristã, pela qual se pode discernir o fato espiritual referente a tudo o que os sentidos materiais percebem; a base da imortalidade.

“De fato Elias virá e restaurará todas as coisas.” (Mateus 17:11.) CS 585: 9 

 Profeta. Um vidente espiritual; desaparecimento do sentido material ante a consciência dos fatos da verdade espiritual. CS 593:24

Milagre.  Aquilo que é divinamente natural, mas tem que ser apreendido humanamente; um fenômeno da Ciência. CS 591:23

BLOG_ peabirucamp

 

_________________________________________

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O DEUS DA BÍBLIA NÃO FAZ POLÍTICA

________________________________________________

 

  O Deus da Bíblia não faz política

 
Michael Walzer
 
 “A Bíblia é fonte de ensinamento moral, mas é um erro procurar nela exemplos de escolhas políticas às quais se referir". A essa conclusão chegou o sociólogo e cientista político da Universidade de Princeton Michael Walzer, de origem judaica, voz de autoridade da esquerda norte-americana, no seu novo livro In God's Shadow (À sombra de Deus), publicada pela Yale University Press.

 

Martin Luther King

 

Eis uma entrevista com Michel Walzer:

Por que você decidiu se ocupar desse assunto?

Eu trabalhava sobre esse há 20 anos, aplicando à Bíblia a "teoria da recepção" alemã, ou seja, para compreender como o texto foi interpretado ao longo dos séculos. É um esforço para chegar a definir o que os autores da Bíblia pensavam sobre a política.

Você se detém na contraposição entre os dois pactos, de Abraão e do Sinai, e os três códigos de Levítico, Deuteronômio e Êxodo, falando de "respeito pelos atritos". É a base do pluralismo?

Os dois pactos estão em competição. Pensemos nas conversões. Para o pacto do Sinai, aderir é possível porque basta aceitá-lo, enquanto o pacto familiar de Abraão o oposto é verdadeiro. Essa tensão se encontra novamente ao longo de toda a história judaica.

E os três códigos?

Eles têm uma identidade separada, mas são todos expressão de Deus, e, portanto, é impossível conciliá-los. Isso explica porque os reis não legislam, e é aí que se encontra a gênese do pluralismo que permeia todo o mundo judeu.

 

Por que no capítulo sobre a "guerra santa" você cita Rousseau, segundo o qual "quanto mais forte é a união, maior é o inimigo"?

As regras da guerra, como aniquilar os cananeus, estão no Deuteronômio, ou seja, o livro mais comunitário que contém as normas detalhadas sobre a preocupação mútua. Portanto, há uma estranha conexão entre a máxima atenção pela coesão interna e a maior hostilidade para com o outro.

 

Por que você descreve os reis como uma "resposta à teocracia"?
Os reis são uma rejeição do governo divino. Há uma contraposição entre o reino do soberano e o de Deus.

Por que os profetas não se tornam líderes políticos?
Eles nunca formaram um movimento. Algo do tipo começa somente em Roma, com os movimentos plebeus. Os profetas são críticos morais, até mesmo poderosos, mas que não têm seguidores. Criticam o rei, a oligarquia e quaisquer outros. A profecia é vocação moral, embora tenha consequências políticas.


Os autores da Bíblia não deram importância à política como modo de vida, mas a situação mudou com a deportação para a Babilônia. A descoberta da política ocorre na Diáspora?

Na Babilônia, os rabinos substituem os reis. Não há grande interesse pela política entendida como definição na assembleia das responsabilidades dos cidadãos. Tudo isso nasce com os gregos. Para os judeus, a legislação na Babilônia refere-se à interpretação dos textos. Há mais interpretação do que representação, porque a origem da lei é Deus.


Quais foram as consequências dessas premissas bíblicas sobre a formação do Estado de Israel?

O sionismo é a negação do exílio, e, como o judaísmo era uma fé do exílio, tratou-se da negação do judaísmo, zerando 2.000 terríveis anos para voltar às raízes da Bíblia. Por isso, nas origens do sionismo está o compromisso de estudar a Bíblia ou matérias como a arqueologia. Mas a forma do Estado, ao invés, é uma imitação das democracias europeias.


Por que durante a Diáspora os judeus "imaginaram voltar a Israel liderados por reis e não por profetas"?

Ao longo dos séculos, a expectativa é pelo rei-messias. Nissim Gerondi, que viveu na Espanha nos séculos XIII-XIV, afirma que o rei foi criado porque a lei é perfeita demais para a população, e, portanto, é preciso um rei para violá-la, para torná-la acessível aos indivíduos, em situações de crise ou de emergência. É um texto maquiavélico cerca de 200 anos antes de Maquiavel: ele explica por que a monarquia continua sendo o regime político preferido até que, no século XIX, os judeus iluminados optariam pela democracia moderna. Por isso, o sionismo foi uma doutrina revolucionária. Ele não previa a restauração dos reis.


Por que você volta frequentemente à citação de Ben Sira sobre o fato de que "um homem sábio é aquele que é cauteloso sobre tudo"?

Ben Sira representa a continuação da Bíblia, depois dos Provérbios.  Ele se detém em fazer o bem na vida privada, enquanto no Livro dos Provérbios há muito sobre fazer o bem na vida pública e em particular sobre a ideia de prudência conectada à sabedoria. É a ligação entre a Bíblia e o que se seguiu.


Quais são as lições que os líderes políticos contemporâneos podem extrair dessa análise da Bíblia judaica?

Não procurar no texto da Bíblia indicações precisas sobre os comportamentos a se ter na vida pública, porque seriam quase certamente errados. Na Bíblia, ao contrário, há o aspecto moral do ensinamento: a busca da justiça, a atenção pelos necessitados. E isso explica porque um movimento pela justiça, como o de Martin Luther King, pode invocar a advertência bíblica de que todos os seres humanos foram criados iguais.

 

Fonte: O Deus da Bíblia não faz política  de  Michael Walzer, é uma reportagem de Maurizio Molinari, publicada no jornal La Stampa em 10 de setembro de 2012, com tradução de Moisés Sbardelotto.  www.cebi.org.br

Nota: a postagem desta semana não representa necessariamente a opinião deste blog nem de qualquer igreja do Movimento da Ciência Cristã. Foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia no contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos.  Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico, como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras. ________________________________________________

 

 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A VIDA NÃO TEM FIM

_________________________________________

 

A vida não tem fim

Howard Johnson

 

A VIDA NÃO TEM FIM 1

A VIDA NÃO TEM FIM 2A VIDA NÃO TEM FIM 3A VIDA NÃO TEM FIM 4

________________

O Arauto da Ciência Cristã: v. 51, nº12, p.17.

A VIDA NÃO TEM FIM 5

A VIDA NÃO TEM FIM 6

A VIDA NÃO TEM FIM 7

A  VIDA NÃO TEM FIM 8

A VIDA NÃO TEM FIM 9

A VIDA NÃO TEM FIM 11

A VIDA NÃO TEM FIM 12

_____________

O Arauto da Ciência Cristã: v. 51, nº12, p.18.

A VIDA SEM FIM 13 aA VIDA SEM FIM 13 bA VIDA NÃO TEM FIM 13

A VIDA NÃO TEM FIM 14

A VIDA NÃO TEM FIM 15

A VIDA NÃO TEM FIM 16

A VIDA NÃO TEM FIM 17

A VIDA NÃO TEM FIM 18

_______________

O Arauto da Ciência Cristã: v. 51, nº12, p.19.

A VIDA NÃO TEM FIM 19

A VIDA NÃO TEM FIM 20A VIDA NÃO TEM FIM 21

A VIDA NÃO TEM FIM 22

_____________

O Arauto da Ciência Cristã: v. 51, nº12, p.20.

A VIDA NÃO TEM FIM 23A VIDA NÃO TEM FIM 24

A VIDA SEM FIM 24 aA VIDA NÃO TEM FIM 25

A VIDA NÃO TEM FIM 26

A VIDA NÃO TEM FIM 27

A VIDA NÃO TEM FIM 28

A VIDA NÃO TEM FIM 29

A VIDA NÃO TEM FIM 30

 

Fonte: O relato de Howard Johnson  foi publicado pela   revista O Arauto da Ciência Cristã, número 12, páginas 16-20, volume 51, em 2001. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados. 

ATENÇÃO: em abril de 2013 você poderá acessar, através do site  http://jsh.christianscience.com/, todos os arquivos dos artigos publicados na revista O Arauto da Ciência Cristã.

________________________________________

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

MBASI, BANZELU, MALAIKA, NDI MUO-OZI, ANGELS by Mary Baker Eddy

________________________________________________

 

Tradução do artigo “Anjos” 

de Mary Baker Eddy

para dialetos africanos

 

Arauto da Ciência Cristã_ edição trilingue_ junho 2001

         Edição trilingue  d’O Arauto da Ciência Cristã, junho de 2011. 

Angel de MBE_ Arauto da Ciência Cristã- Edição trilingue_ junho de 2001_scaner

Angel de MBE_Arauto da Ciência Cristã_junho 2001_ scaner página 37

 

Fonte: O Arauto da Ciência Cristã [junho de 2001,   páginas 36 e 37]  é publicação da Sociedade Publicadora da Ciência Cristã  (The  Christian Science Publishing Society), todos os direitos reservados.

Nota: o artigo Anjos escrito por Mary Baker Eddy, descobridora e fundadora da Ciência Cristã, encontra-se no livro Miscellaneous Writings da autora, na página 306.

________________________________________________

sábado, 20 de outubro de 2012

SOBRE O PURO E O IMPURO

________________________________________________

 

SOBRE O PURO E O IMPURO

JESUS REALIZA O GRANDE DESEJO DO POVO:

ESTAR EM PAZ COM DEUS

MARCOS 7, 1-23

 

Carlos Mesters e Mercedes Lopes

 

O evangelho deste final de semana é comprido. Fala dos costumes religiosos da época de Jesus, muitos dos quais já tinham perdido seu sentido e até atrapalhavam a vida do povo, ameaçando as pessoas com castigo e inferno.

Enxergavam pecado em tudo! Por exemplo, comer sem lavar as mãos era considerado pecado. Mesmo assim, estes costumes eram conservados e ensinados, ou por medo, ou por superstições. Vamos conversar sobre isso!

Botticelli_The_Divine_Comedy_Inferno_Canto_XVIII_(1480s__Berlin,_Staatliche_Museen)

The Divine Comedy, Inferno, Canto XVIII, Botticelli -

1480 - Berlin, Staatliche Museen

 

SITUANDO

Neste círculo, olhamos de perto a atitude de Jesus frente à questão da pureza. Anteriormente, Marcos já tinha tocado neste assunto da pureza: em Mc 1,23-28, Jesus expulsou um espírito impuro. Em Mc 1,40-45, ele curou um leproso. Em Mc 5,25-34, curou uma mulher considerada impura. Em vários outros momentos, ele tocou em doentes e deficientes físicos, sem  medo de ficar impuro. Agora, aqui no capítulo 7, Jesus ajuda o povo e os discípulos a aprofundar este assunto da pureza e das leis da pureza.

Desde séculos, os judeus, para não contrair impureza, eram proibidos de entrar em contato com os pagãos e de comer com eles. Mas nos anos 70, época de Marcos, alguns judeus convertidos diziam: "Agora que somos cristãos temos que abandonar estes costumes antigos que nos separam dos pagãos convertidos!" Outros, porém, achavam que deviam continuar a observar as leis de pureza. A atitude de Jesus, descrita no evangelho de hoje, ajudava-os a superar o problema.

 

COMENTANDO

Marcos 7,1-2: Controle dos fariseus e liberdade dos discípulos

Os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém, observavam como os discípulos de Jesus comiam pão com mãos impuras. Aqui há três pontos que merecem ser assinalados:

1) Os escribas são de Jerusalém, da capital! Significa que tinham vindo para observar e controlar os passos de Jesus.

2) Os discípulos não lavam as mãos para comer! Significa que a convivência com Jesus os levou a criar coragem para transgredir normas que a tradição impunha ao povo, mas que já não tinham sentido para a vida.

3) O costume de lavar as  mãos, que, até hoje, continua sendo uma norma importante de higiene, tinha tomado para eles um significado religioso que servia para controlar e discriminar as pessoas.

 

Marcos 7,3 - 4: A Tradição dos Antigos

A "Tradição dos Antigos" transmitia as normas que deviam ser observadas pelo povo para ele conseguir a pureza exigida pela lei. A observância da pureza era um assunto muito sério. Eles achavam que uma pessoa impura não poderia receber a bênção prometida por Deus a Abraão. As normas de pureza eram ensinadas para abrir o caminho até Deus, fonte da paz.

Mas, na realidade, em vez de ser uma fonte de paz, elas eram uma prisão, um cativeiro. Para os pobres, era praticamente impossível observá-las. Eram centenas de normas e leis. Por isso, os pobres eram desprezados como gente ignorante e maldita que não conhece a lei (Jo 7,49).

 

Marcos 7,5: Escribas e fariseus criticam o comportamento dos discípulos de Jesus

Os escribas e fariseus perguntam a Jesus: Por que os teus discípulos não se comportam conforme a tradição dos antigos e comem o pão com as mãos impuras? Eles fingem estar interessados em conhecer o porquê do comportamento dos discípulos.

Na realidade, criticam Jesus por ele permitir que os discípulos transgridam as normas de pureza. Os fariseus formavam uma espécie de irmandade cuja principal preocupação era observar todas as leis de pureza. Os escribas eram os responsáveis pela doutrina. Ensinavam as leis referentes à observância da pureza.

 

Marcos 7, 6-13: Jesus critica a incoerência dos fariseus

Jesus responde citando Isaías: Este povo me honra só com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Insistindo nas normas de pureza, os fariseus esvaziavam os mandamentos da lei de Deus. Jesus cita um exemplo concreto. Eles diziam: o fulano que oferecer ao Templo os seus bens não pode usar esses bens para ajudar os pais necessitados. Assim, em nome da tradição esvaziavam o quarto mandamento, que manda amar pai e mãe.

Até hoje, tais pessoas parecem muito observantes, mas é só por fora. Por dentro, o coração delas fica longe de Deus! Como diz o canto: "Seu nome é Jesus Cristo e passa fome, e vive à beira das calçadas. E a gente quando vê passa adiante, às vezes para chegar depressa à Igreja!"

No tempo de Jesus, o povo, na sua sabedoria, não concordava com tudo que se ensinava. Esperava que, um dia, o  messias viesse indicar um outro caminho para alcançar a pureza. Em Jesus se realiza esta esperança.

 

Marcos 7,14-16: Jesus abre um novo caminho para o povo se aproximar de Deus

Ele diz para a multidão: "Não há nada no exterior do ser humano que, entrando nele, possa torná-lo impuro!" (Mc 7,15). Jesus inverte as coisas: o impuro não vem de fora para dentro, como ensinavam os doutores da lei, mas sim de dentro para fora.

Deste modo, ninguém mais precisa se perguntar se esta ou aquela comida ou bebida é pura ou impura. Jesus coloca o puro e o impuro num outro nível, no nível do comportamento ético. Ele abre um novo caminho para chegar até Deus e, assim, realiza o desejo mais profundo do povo.

 

Marcos 7,17-23: Em casa, os discípulos pedem explicação

Os discípulos não entenderam bem o que Jesus queria dizer com aquela afirmação. Quando chegaram em casa, pediram uma explicação. Jesus estranhou a pergunta dos discípulos. Pensava que eles tivessem entendido a parábola. Na explicação aos discípulos, ele vai até ao fundo da questão da pureza. Declara puros todos os alimentos! Ou seja, nenhum alimento que de fora entre no ser humano pode torná-lo impuro, pois não vai até o coração, mas vai para o estômago e acaba na fosse, e, conforme o pensamento da época, o que entrava na fossa não era considerado impuro.

 

cegobartimeu30

Mas o que torna impuro, diz Jesus, é aquilo que de dentro do coração sai para envenenar o relacionamento humano. E ele enumera: prostituição, roubo, assassinato, adultério, ambição, etc.

Assim, de  muitas maneiras, pela palavra, pelo toque e pela convivência, Jesus foi ajudando as pessoas a conseguir a pureza.

Pela palavra, purificava os leprosos, expulsava os espíritos impuros e vencia a morte, que era a fonte de toda a impureza. Pelo toque em Jesus, a mulher excluída como impura ficou curada. Sem medo de contaminação, Jesus comia junto com as pessoas consideradas impuras.

cegobartimeu4

 

ALARGANDO

As leis da pureza no tempo de Jesus

O povo daquela época tinha uma grande preocupação com a pureza. A lei e as normas de pureza indicavam as condições necessárias para alguém poder comparecer diante de Deus e se sentir bem na presença dele. Não se podia comparecer diante de Deus de qualquer jeito. Pois Deus é Santo. A Lei dizia: "Sede santos, porque eu sou santo!" (Lv 19,2). Quem não era puro não podia chegar perto de Deus para receber dele a bênção prometida a Abraão.

A lei do puro e do impuro (Lv 11 a 16) foi escrita depois do cativeiro da Babilônia, cerca de 800 anos depois do Êxodo, mas tinha suas raízes na mentalidade e nos costumes antigos do povo da Bíblia. Uma visão religiosa e mítica do mundo levava o povo a apreciar as coisas, as pessoas e os animais a partir da categoria da pureza (Gn 7,2; Dt 14,13-21; Nm 12,10-15; Dt 24,8-9).

No contexto da dominação persa, nos séculos V ou IV antes de Cristo, diante da dificuldade para reconstruir o templo de Jerusalém e para a própria sobrevivência do clero, os sacerdotes que estavam no governo do povo da Bíblia ampliaram as leis de pureza e a obrigação de oferecer sacrifícios de purificação pelo pecado.

Paul_Gauguin-_Eve_-_Don't_Listen_to_the_Liar

Paul Gauguin - Eve

 

Assim, depois do parto (Lv 12,1-8), da menstruação (Lv 15,19-24) ou da cura de uma hemorragia (Lv 15,25-30), as mulheres tinham que oferecer sacrifícios para recuperar a pureza. Pessoas leprosas (Lv 13) também deviam oferecer sacrifícios. Uma parte destas oferendas ficava para os sacerdotes (Lv 5,13).

No tempo de Jesus, tocar um leproso, comer com publicano, comer sem lavar as mãos, etc, tudo isso tornava a pessoa impura, e qualquer contato com esta pessoa contaminava os outros. Por isso, as pessoas "impuras" deviam ser evitadas. O povo vivia acuado, sempre ameaçado pelas tantas coisas impuras que ameaçavam a vida. Era obrigado a viver desconfiado de tudo e de todos.

Agora, de repente, tudo mudou! Através da fé em Jesus, era possível conseguir a pureza e sentir-se bem diante de Deus sem que fosse necessário observar todas aquelas leis e normas da "Tradição dos Antigos".

Foi uma libertação! A Boa Nova anunciada por Jesus tirou o povo da defensiva, do medo, e lhe devolveu a vontade de viver, a alegria de ser filho e filha de Deus, sem medo de ser feliz!

 

Fonte: Texto extraído do livro CAMINHANDO COM JESUS. Coleção A Palavra  na Vida 182/183. De Carlos Mesters e Mercedes Lopes.

_____________________________________________