domingo, 18 de agosto de 2013

A cura por meio do exercício do poder da Mente sobre a matéria

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A cura por meio do exercício do poder da 

Mente sobre a matéria


O Arauto da Ciência Cristã

                                                                    

A habilidade de demonstrar a Ciência Cristã vem com o estudo e a prática da verdade ensinada por Cristo Jesus e revelada em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras   de Mary Baker. Esta série aborda algumas maneiras de aplicar essa verdade.                             


O sólido  conceito da "bola de bilhar" acerca dos componentes atômicos da matéria está desatualizado em vista da moderna física atômica. No entanto, a Ciência Cristã vai muito além, ao revelar que a matéria é totalmente insubstancial. Reconhece que Deus, o único criador, é o Espírito, a Mente divina, e que Sua criação (o único universo verdadeiro) é exclusivamente espiritual.
Apesar da aparente substancialidade da matéria, a Sr.a Eddy diz: "O átomo material é uma falsidade delineada pela consciência, que só pode acumular evidência adicional de consciência e de vida agregando uma mentira a outra mentira". 1

Se compreendemos que um único átomo é uma falsidade então somos capazes de compreender que o vasto complexo de átomos que a humanidade vê na crença de um mundo material, bem como na de um corpo material, é também "uma falsidade delineada pela consciência" — a simples objetivação do falso pensamento mortal.
Assim, se nos defrontamos com um caso de discórdia e doença, podemos rejeitá-lo porque faz parte da falsidade de uma mente irreal. Podemos substituí-lo por pensamentos verdadeiros da única Mente real e divina. Isso corrige a falsa crença e, ao melhorar os objetos da consciência, cura a discórdia e deixa livre o corpo.
A Mente divina, Deus, ou a Verdade, destrói a crença na matéria e em seu discordante sentido de vida assim como a luz destrói a escuridão. A Bíblia diz: "Ele faz ouvir a sua voz e a terra se dissolve," e ela registra muitos milagres que ocorreram por meio da compreensão do poder de Deus.
Se estamos sofrendo de uma condição material anormal, podemos sempre exercer o poder da Mente a fim de substituir pela verdade espiritual o pensamento falso e discordante que produziu tal condição. Mas se usarmos a vontade humana — o mero esforço de trocar uma crença mortal por outra — tornamos o problema mais complexo pois estaremos "agregando uma mentira a outra mentira".
Precisamos reconhecer a natureza continuamente perfeita e espiritual do universo de Deus e o poder da Mente divina para governar a substância, a atividade e as funções do homem. Então a discórdia será destruída e a evidência física discordante cederá à realidade espiritual e harmoniosa.
1 Unity of Good, pp. 35-36; 2 Salmos 46:6.

 Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, dezembro de 1974. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados. 

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sábado, 10 de agosto de 2013

MARTA E MARIA: DUALISMO OU COMPLEMENTO? LUCAS 10: 38-42


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Comentário sobre relato bíblico:

Os estudos bíblicos se constituem numa vibrante área de pesquisa que publica de forma intensa. Isso se deve ao fascínio que os textos antigos exercem sobre os leitores contemporâneos, seja como texto de saber histórico, seja como texto que sempre se mostra aos leitores de forma renovada.

Por isso, a Bíblia é estudada numa riqueza de perspectivas, abordagens, métodos  e hermenêuticas. Ao interesse pelo texto bíblico soma-se a busca por sua origem, da mesma forma que pelos textos que lhe são vizinhos: os apócrifos, pseudepígrafos, os Manuscritos do Mar Morto. Afirmação de Gabrielle Boccaccinique leciona no Departamento de Estudos do Oriente Próximo da  Universidade de Michigan, E.U.A.


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Marta e Maria: dualismo ou complemento?
Lucas 10: 38-42


Mercedes Lopes



Somente três personagens aparecem neste curto texto de Lc 10,38-42: Jesus, Marta e Maria. Jesus visita as duas irmãs, escuta, questiona Marta, acolhe a postura de Maria. Marta é a anfitriã, a dona de casa, preocupada em oferecer um delicioso almoço a Jesus. Com esta preocupação, ela recebe Jesus e vai continuar seu trabalho, sem curtir a visita amiga. 



Maria não fica preocupada com a casa. Não é solidária com a irmã no serviço. Quer somente estar com Jesus. Sentada aos seus pés, escuta-o atentamente. Ela escolhe algo inédito para as mulheres de sua época. Torna-se discípula! (8,38; 10,39; At 22,3). Com qual desses três personagens nos identificamos mais?

SITUANDO

Esta narrativa sobre a visita de Jesus à Marta e Maria é própria de Lucas. O evangelista situa este texto em seguida à parábola do samaritano (Lc 10,29-37). Lucas deve ter um bom motivo para isso. Um dos motivos de ligação entre esta narrativa e a parábola do samaritano é que Jesus se faz próximo.
Entra na casa de Marta, conversa, come junto com as duas Irmãs. Ele se aproxima de duas mulheres, que, como as outras judias da sua época, eram consideradas impuras. Mas, também podemos supor que Lucas tenha feito outra relação entre a parábola do samaritano e a narrativa de Marta e Maria.
O texto informa que "Jesus entrou num povoado e certa mulher, chamada Marta o recebeu em sua casa" (10,38). Diante das críticas e da crescente oposição a Jesus, narrada no capítulo seguinte (11,14-54), a acolhida prestativa de Marta e a escuta amorosa de Maria podem ser também uma resposta bem concreta à pergunta do legista: "Mestre, que farei para herdar a vida eterna?" (10,25).
Situar o texto de Marta e Maria no contexto das comunidades helenistas também ajuda na sua interpretação. Nessas comunidades havia um conflito entre cristãos vindos do judaísmo e os gentios, considerados de origem pagã. Estes últimos eram tidos como impuros, porque não receberam a circuncisão e não praticavam os costumes judeus sobre a pureza.
Por isso, nas comunidades cristãs, comer junto com eles foi motivo de muito conflito (At 11,2). A Boa Nova deste texto é que Jesus entra na casa de Marta e Maria e come com elas. Elas eram judias, mas eram consideradas impuras por serem mulheres. Transparece no texto muita amizade e confiança entre eles, pois Marta chega a fazer reclamações triviais em relação à falta de solidariedade de sua irmã Maria (10,40).

COMENTANDO

1 - O que é mais importante: a oração ou a missão? 
A tradição cristã encontrou neste texto uma amostra de dois modelos de seguimento de Jesus, considerando um superior ao outro por causa da palavra de Jesus: "Maria escolheu a melhor parte" (10,42b).  Assim, acham que Marta representa um seguimento de Jesus focado no trabalho, na intensa atividade missionária ou apostólica. Maria representa um seguimento focado na escuta, na oração, na contemplação. Mas, este dualismo é falso.
Ninguém pode ser somente missionário, nem somente contemplativo. Cada pessoa que deseja seguir Jesus precisa ser ao mesmo tempo missionária contemplativa, ou contemplativa missionária. Por isso, volto ao texto, para comentá-lo:

Lc 10,38 - Marta recebe Jesus em sua casa
Jesus está a caminho e entra num povoado. Não sabemos se ele está sozinho ou acompanhado dos discípulos. Esta pergunta fica no ar. O que importa para o evangelista, ou para as comunidades de Lucas é a acolhida de Marta: ela "o recebeu em sua casa". Na pessoa de Jesus de Nazaré, Marta recebe a visita de Deus (Lc 1,68.78; 7,16; 19,44)

10,39 - Maria é discípula de Jesus
Maria é livre em relação ao papel tradicional da mulher. Ela não está preocupada com o que pensam ou dizem. Assume, como mulher, uma nova postura diante da religião e dos padrões culturais da sua época. Ela "ficou sentada aos pés de Jesus, escutando sua palavra" (10,39). Esta era uma expressão ou postura para indicar uma atitude de discípulo/a (At 22,3).

10,40 - Qual é mesmo o papel das mulheres nas comunidades cristãs?
Ocupada e cansada, agitada com muitos serviços, Marta tenta envolver Jesus em um problema doméstico de falta de participação de Maria no serviço da casa. Será que o questionamento de Marta tem a ver com tarefas caseiras ou por trás de sua frase tem um significado escondido?

Marta pode estar expressando a opinião de alguns círculos cristãos, que pretendiam limitar a função das mulheres aos serviços privados e internos nas comunidades cristãs. Não por acaso, se recorrermos ao original grego, encontraremos Marta "ocupada com muita diaconia".

10,41-42 - Maria escolheu a melhor parte
Jesus escuta Marta, entende seu cansaço, e tenta ajudá-la a encontrar um sentido maior, mais amplo para sua vida, para o discipulado das mulheres. "Marta, Marta, tu te preocupas e agitas por muitas coisas, mas uma só é necessária. Maria, pois, escolheu a melhor parte e esta não lhe será retirada".
Jesus passa do assunto da comida para o sentido da vida. Maria escolheu a apaixonante aventura de viver na intimidade dele, para entregar-se totalmente ao seu projeto. Sua escolha é confirmada por Jesus: "e esta não lhe será retirada" (10,42).

ALARGANDO

Jesus e as mulheres do seu tempo
De um modo geral, as mulheres que se aproximaram de Jesus pertenciam ao escalão mais baixo da sociedade do seu tempo. Muitas delas eram doentes e foram curadas por ele.
Provavelmente eram mulheres que não tinham vínculo com nenhum homem: eram viúvas indefesas; esposas repudiadas; mulheres sozinhas, sem recursos e difamadas. Havia também prostitutas, que eram consideradas fonte de impureza e de contaminação. E Jesus acolhia a todas com o mesmo respeito e dignidade.
Elas sentavam-se entre os pecadores e indesejados para comer junto com Jesus. Embora a comunidade dos essênios não aceitasse mulheres em sua "mesa santa" e nem os fariseus as aceitassem na sua "mesa pura", porque observavam a lei da pureza ritual criada pelos sacerdotes.
Esta comida de Jesus junto com as mulheres, os pecadores e os indesejados era precisamente um símbolo e uma antecipação do Reino de Deus. Esta comunhão de mesa com pessoas consideradas impuras mostrava como os "últimos" do povo santo e as últimas da sociedade patriarcal são os "primeiros" e as "primeiras" a entrar no Reino de Deus.

Mas, essa presença das mulheres à mesa com Jesus era um escândalo para as boas famílias. Jesus não se intimida. Ele as acolhe com o amor compreensivo do seu Abbá. Jesus aproxima-se delas sem medo e as trata abertamente, sem deixar-se condicionar por nenhum preconceito.

Certamente, as mulheres que seguiram o movimento de Jesus pelos caminhos da Galileia viam nele uma alternativa para uma vida mais digna.

O jeito especial de Jesus olhar para todas as mulheres, a partir da sua intimidade com seu Abbá e da sua visão do Reino de Deus, lhe dá criatividade e autoridade para mudar as situações de opressão e dominação aparentemente sem saídas. E Jesus o faz de maneira nova, diferente, inesperada. O texto de Marta e Maria desperta a memória da tradição de Jesus.

Ao escrever este texto, Lucas está apontando para esta Boa Nova que já estava sendo um pouco esquecida no tempo em que ele escreveu seu evangelho: por volta do ano 85 d.C.


Fonte: Centro de Estudos Bíblicos, São Leopoldo, RS, Brasil.

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Nota: O texto Marta e Maria: dualismo ou complemento? Lucas 30: 38-42 foi publicado para  refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica. Conforme recentes  descobertas sobre fatos nela registrados e opinião de estudiosos do texto bíblico,  como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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sábado, 27 de julho de 2013

PERSPECTIVA ESPIRITUAL INTER-RELIGIOSA SOBRE DESASTRE ECOLÓGICO


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Perspectiva espiritual inter-religiosa
 sobre desastre ecológico


John Dear


Um novo livro aborda um aspecto-chave da crise ambiental global: o esquecimento da natureza sagrada da criação e de como isso afeta a relação humana com o ambiente.

"Todo mundo sempre me disse que esse é um assunto encerrado, que vai acontecer, que é infantilidade querer protestar contra isso", disse Bill McKibben, fundador do grupo 350.org e um de principais ativistas ambientais norte-americanos, ao The New York Times, referindo-se ao próximo anúncio do presidente Barack Obama sobre se deve ou não seguir em frente com o destruidor oleoduto transfronteiriço Keystone XL, de 2.800 quilômetros de comprimento.


"Mas para mim ele nunca pareceu um assunto encerrado, porque é muito ilógico", continuou McKibben. "Esse é o petróleo mais sujo que alguém já conseguiu encontrar na face da Terra, e sempre me pareceu que, mesmo diante de uma escuta remotamente justa, as pessoas perceberiam isso".

Qualquer pessoa que esteja prestando atenção e se preocupe com a Terra e não com os lucros das companhias petrolíferas percebe que esse oleoduto será um desastre ambiental para a América do Norte e uma enorme ameaça para o clima global. Como o cientista da NASA e líder profético James Hansen disse a McKibben há alguns anos, o oleoduto Keystone XL será "o fim do jogo para o planeta".

Eu apoio plenamente os protestos em andamento contra o oleoduto Keystone XL, e espero e rezo para que o governo Obama faça a coisa certa e se recuse a seguir em frente com ele e tome decisões ainda mais duras para reduzir as emissões de carbono e de combustíveis fósseis, e para proteger a criação.

Essa será a conclusão de quem ler o sábio novo livro Spiritual Ecology: The Cry of the Earth [Ecologia Espiritual: O Grito da Terra], uma bela coleção de artigos inter-religiosos de alguns dos nossos maiores pensadores sobre o ambiente, a espiritualidade e as catastróficas mudanças climáticas. Os contribuidores incluem: Thich Nhat Hanh, Joanna Macy, Wendell Berry, o frei franciscano Richard Rohr, Brian Swimme, Thomas Berry, Vandana Shiva, Bill Plotkin, a irmã dominicana Miriam MacGillis e Winona LaDuke, dentre outros.

"O mundo não é um problema a ser resolvido; ele é um ser vivo ao qual pertencemos", escreve o editor Llewellyn Vaughan-Lee em sua introdução "O mundo é parte do nosso próprio 'eu' e nós somos uma parte da sua totalidade sofredora. Enquanto não formos à raiz da nossa imagem de separação, não poderá haver cura (...) 

Só quando os nossos pés aprenderem mais uma vez a caminhar de uma forma sagrada, e os nossos corações ouvirem a música real da criação, poderemos levar o mundo de volta ao equilíbrio".

Spiritual Ecology aborda um aspecto-chave da nossa crise ambiental global: o nosso esquecimento da natureza sagrada da criação e de como isso afeta nossa relação com o ambiente. Ele tenta articular a resposta espiritual ao desastre ecológico que provocamos e oferece muitas intuições estimulantes.
"Os sinos da conscientização estão soando", escreve o mestre budista Nhat Hanh. "Em toda a Terra, estamos enfrentando inundações, secas e incêndios maciços. 

O mar de gelo está derretendo no Ártico, e furacões e ondas de calor estão matando milhares de pessoas. As florestas estão desaparecendo rapidamente, os desertos estão crescendo, as espécies são sendo extintas todos os dias, e mesmo assim continuamos consumindo, ignorando os sinos a tocar".

"Precisamos de um despertar coletivo", continua Nhat Hanh. "A maioria das pessoas ainda está dormindo. Todos nós temos um grande desejo de sermos capazes de viver em paz e de ter uma sustentabilidade ambiental.

O que a maioria de nós ainda não tem são formas concretas para tornar o nosso compromisso com uma vivência sustentável uma realidade em nossas vidas cotidianas. É hora de que cada um de nós se desperte e tome uma ação em sua própria vida. Se despertarmos para a nossa verdadeira situação, haverá uma mudança na nossa consciência coletiva".

"Estamos passando de uma era dominada por Estados-nação concorrentes para uma era que está dando à luz uma civilização planetária multicultural sustentável", escreve Mary Evelyn Tucker e Brian Swimme.

"Nunca poderá haver paz no mundo enquanto você fizer guerra contra a Mãe Terra", escreve o chefe Oren Lyons da Nação Onondaga. "Fazer guerra contra a Mãe Terra é destruir e corromper, matar, envenenar. Quando fazemos isso, não temos paz. A primeira paz vem com a sua mãe, a Mãe Terra".

"O sonho de um planeta infinitamente expansível posto inteiramente à nossa disposição sempre foi apenas isto, um sonho, e ele está rapidamente se tornando um pesadelo", escreve a mestre zen Susan Murphy:

"A mudança tumultuada em grande escala cresce cada vez mais, provavelmente junto com cada dia de normalidade. A única pergunta é que forma ela irá tomar, que ordem de choques climáticos e crises políticas vai começar a agitar e desmontar o nosso mundo, e como as pessoas vão reagir enquanto o mercado entra em colapso e a fonte de abundância evapora".

"Estamos vivendo naquele que certamente deve ser o momento mais assustador e apreensivo que já enfrentamos como espécie", continua Murphy. "Estamos frente a uma realidade em desenvolvimento que pode tanto condenar os seres humanos ao esquecimento, quanto nos inspirar para acordarmos para as nossas vidas de uma forma inteiramente mais interessante.

Um caminho que começa vivendo com sobriedade e criatividade com relação à crise do nosso planeta - não como um problema a ser resolvido através da engenharia de uma 'bolha' humana cada vez melhor e mais segura, mas como uma obrigação constantemente em desdobramento a começar a levar em consideração a reconstrução de nós mesmos como seres humanos ecologicamente despertos (...) Quando o que está em jogo é a vida na terra, todo o restante é distração".

"Eu não sei o que vai acontecer", confessa MacGillis, da Genesis Farm. "É uma grande tristeza. Permitir a dor de tudo isso em nossa psique - é demais. (...) O que estamos fazendo uns aos outros, e se poderemos possivelmente acordar a tempo (...) Você tem que fazer a sua pequena parte e você tem que ser muito, muito humilde e reconhecer que há limitações. E, mesmo assim, o amor que eu sinto pela vida - eu simplesmente quero que ele siga em frente! Isso é tudo o que me interessa".

"A Terra está passando por uma terrível devastação, que está sendo causada pela sociedade, pela cultura e por um modo de vida em que todos estamos envolvidos", continua ela. "Nós não estamos redimidos disso. Estamos implicados, estamos dentro disso. Nós precisamos de toda a sabedoria, de todo o apoio que possamos conseguir.

Precisamos uns dos outros... Também precisamos da capacidade de ver que o momento presente não é a palavra final, que sempre há a possibilidade de que possamos transcender as nossas próprias limitações - o planeta, a Terra, a sociedade podem fazer isso. É possível acreditar nisso e trabalhar nessa direção. Isso é tudo o que podemos fazer".

"A Terra e os seus sistemas de vida, dos quais todos nós dependemos inteiramente (assim como de Deus!), podem em breve se tornar aquilo que irá nos converter a um estilo de vida simples, à necessária comunidade e a um sentido inerente e universal de reverência ao Sagrado", escreve Rohr. 

"Todos nós respiramos o mesmo ar e bebemos a mesma água. Não há versões judaicas, cristãs ou muçulmanas desses elementos universais".

"Eu sei que não são mais as palavras, as doutrinas e os sistemas de crenças mentais que podem ou que irão revelar a plenitude desse Cristo Cósmico", conclui ele. "Esta Terra, de fato, é o próprio Corpo de Deus, e é a partir desse corpo que nascemos, vivemos, sofremos e ressuscitamos para a vida eterna. Ou tudo é parte do Grande Projeto de Deus, ou então devemos nos perguntar se algo realmente o é".

"Ao nível de sobrevivência que estamos nos aproximando rapidamente, as nossas tentativas de nos distinguirmos por diferenças acidentais e históricas, e por sutilezas teológicas - ignorando o claro 'pano de fundo' - estão se tornando uma perda de tempo quase blasfema e um desrespeito chocante para com a vida una, bela e multitudinária de Deus. Eu ainda acredito realmente que a graça é inerente à criação, e que Deus e a bondade ainda terão a última palavra".

Spiritual Ecology me ajuda a refletir sobre o nosso desastre ecológico atual e a futura catástrofe que estamos trazendo sobre nós mesmos, a meditar sobre essa realidade assustadora mediante a sabedoria das religiões do mundo e de alguns dos nossos melhores escritores espirituais.

Eu o recomendo àqueles que buscam entendimento espiritual à luz dessa catástrofe e a todos que estão tentando simplificar as suas vidas, protestar contra o oleoduto Keystone XL e contra outros atos destrutivos, e acordar para as necessidades da Mãe Terra.

"Lembremo-nos do nosso papel como guardiões da Terra, custódios dos seus caminhos sagrados e voltemos mais uma vez a viver em harmonia com os seus ritmos e leis naturais". Esse é o epílogo final do livro - uma boa oração para todos nós e um caminho a seguir.


Fonte: texto, traduzido por Moisés Sbardelotto - Instituto Humanitas Unisinos (IHU),  escrito pelo jesuíta norte-americano e ativista pela paz John Dear, indicado ao Prêmio Nobel da Paz pelo arcebispo anglicano Desmond Tutu. O artigo foi publicado no sítio National Catholic Reporter, 09 de julho de 2013.
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domingo, 21 de julho de 2013

SENHOR, EU NÃO SOU DIGNO DE QUE ENTRES EM MINHA CASA - LUCAS 7:1-10


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Comentário sobre relato bíblico:



Os estudos bíblicos se constituem numa vibrante área de pesquisa que publica de forma intensa. Isso se deve ao fascínio que os textos antigos exercem sobre os leitores contemporâneos, seja como texto de saber histórico, seja como texto que sempre se mostra aos leitores de forma renovada.

Por isso, a Bíblia é estudada numa riqueza de perspectivas, abordagens, métodos  e hermenêuticas. Ao interesse pelo texto bíblico soma-se a busca por sua origem, da mesma forma que pelos textos que lhe são vizinhos: os apócrifos, pseudepígrafos, os Manuscritos do Mar Morto. Afirmação de Gabrielle Boccaccini que leciona no Departamento de Estudos do Oriente Próximo da  Universidade de Michigan, E.U.A.


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Senhor, eu não sou digno
de que entres em minha casa
Lucas 7:1-10


Edmilson Schinelo



Uma longa viagem de Jesus e de seus discípulos, cansaço, fome... Chegaram a colher espigas em roça alheia, num dia de sábado (Lucas 6,1-5). Depois de curar muita gente (Lucas 6,6-11.18-19), de proclamar as bem-aventuranças (o que em Lucas acontece numa planície - cf.6,17.20-26), e de orientar seus discípulos, Jesus finalmente chega em casa, na cidade de Cafarnaum. 


Mal acabou de entrar na cidade e é procurado por lideranças judaicas da cidade (anciãos ou presbíteros). Eles vêm a pedido de um centurião romano, cujo servo está muito doente. Insistem que Jesus vá salvá-lo (Lucas 7,1-3).
O descanso fica para depois e Jesus se desloca, então, à casa do centurião. No caminho, amigos do centurião vão ao seu encontro com novo recado: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa... A frase nos é muito conhecida: uma palavra de Jesus bastaria para que a cura acontecesse, para que a salvação se realizasse (Lucas 7,6-7).
Jesus fica admirado com a fé do centurião, que é estrangeiro: Eu vos digo que nem mesmo em Israel encontrei uma fé como esta! (Lucas 7,9). E, sem que o texto mencione as palavras curadoras de Jesus, a cura acontece. A narrativa se conclui afirmando que ao voltarem para casa, os enviados encontraram o servo em perfeita saúde (Lucas 7,10).

Dois protagonistas marginais

Por motivos bem diferentes, Jesus e o centurião, os protagonistas do episódio, ocupam lugares marginais em seu meio. Jesus é profeta, consciente da situação de opressão vivida por seu povo, mas nem sempre bem aceito em sua própria terra. Ele mesmo havia afirmado: Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria! (Lucas 4,24).
O centurião, por sua vez, representava o poder colonizador e tirano dos romanos. Comandando a centúria (tropa romana de cerca de cem soldados), ele tem o papel de garantir a "ordem pública" e assegurar a cobrança dos tributos (em Cafarnaum, especialmente os impostos da pesca).
A serviço de Roma ou de Herodes Antipas, representa os interesses de uma pequena elite. Não é preciso muito esforço para imaginar o quanto a população local o rejeitava.
Na versão apresentada por Mateus (Mateus 8,5-13), é o próprio centurião que se dirige a Jesus. E tal como a legião de demônios (Marcos 5,12; Mateus 8,31), ele implora a Jesus. O representante das forças do império se dobra às forças do Reino.
Em Mateus, a fé do centurião é destacada (em contraste com a pouca fé dos israelitas). Mas também se destaca o poder de Jesus em relação ao do centurião.
De maneira diferente, o relato de Lucas, quer mostrar outra imagem do centurião: ele não se sente digno sequer de ir até Jesus, envia alguns dos anciãos dos judeus. E estes o apresentam como uma pessoa que ama a nação judaica. Teria até construído (ou mandado construir) a sinagoga da cidade (Lucas 7,5).
Sabemos que o evangelho de Lucas tem a tendência de amenizar o papel opressor dos romanos. É o único relato no qual até na cruz Jesus perdoa os soldados, porque não sabem o que fazem (Lucas 23,34). Mesmo assim, chama a atenção não só a fé, mas também a bondade do centurião, demonstrada pelo amor à população local e pela preocupação com o servo doente.
Se ele foi de fato tal pessoa, não teria sido bem visto pelo próprio império romano. Neste caso, teria feito a escolha de "estar à margem" pela maneira com que usou seus privilégios (sua fortuna ou sua autoridade).

Salvar uma pessoa para devolvê-la à escravidão? Ou outra masculinidade?

Bem mais à margem é a condição do jovem doente. O texto o apresenta inicialmente como um servo ou escravo (no grego, doúlos). Seria "vantajosa" a cura para que ele voltasse à condição de escravo? Que salvação seria essa? Que libertação lhe traria Jesus? Curar uma pessoa para devolvê-la à escravidão do império?
Parece ser outra a compreensão da comunidade lucana. Se, por um lado, a cura representa a antecipação do Reino definitivo, este Reino também se adianta pela forma com que é descrita a relação entre o centurião e seu servo. O texto afirma que ele o estimava muito (Lucas 7,2).
Não se trata, entretanto, de uma "estima" em função do valor financeiro ou laboral do servo. O termo é o mesmo utilizado pela primeira carta de Pedro ao falar de Jesus: a pedra rejeitada pelos homens, para Deus é a pedra preciosa (2Pedro 2,4). Trata-se de uma estima especial, um carinho precioso.
Qual seria a relação entre o centurião e essa pessoa? Não há como saber. De qualquer forma, não se trata de relação senhor-escravo. Isso fica mais claro quando os amigos transmitem o novo recado do centurião: Não sou digno de que entres em minha casa... Mas dizei uma palavra e o meu rapaz será curado (Lucas 7,7).

Quando faz uso da fala, o centurião não o chama de servo (doúlos), mas de "meu rapaz". O termo grego é "pais", que em outros contextos é traduzido por jovem, menino, criança e até filho (Lucas 8,54; João 4,51; 6,9). Para o centurião, a pessoa a ser curada é o seu rapaz, o seu jovem.
Como o texto usou antes e volta a usar depois o termo servo, é menos provável tratar-se aqui de criança ou filho. Não raramente, homens do mundo grego romano tinham consigo jovens ou servos em relação de grande amizade e companheirismo, às vezes também namoro.
Não é possível afirmar isso do texto. Mas é notável outro modelo de masculinidade: não nos é apresentada a imagem de um soldado tirano, violento, fazendo valer sua força e sua autoridade para conseguir seus interesses.
 Ao contrário, trata-se de um estrangeiro sensível à população local e muito mais ainda ao rapaz que está doente. Mais do que um servo, ele tem um companheiro. Mesmo em meio a sistemas tiranos, novas relações são possíveis!
Mais uma vez, um estrangeiro "pagão" é apresentado como modelo de fé e de bondade: compromisso solidário também assumido pelo samaritano (Lucas 10,29-37), apresentado a nós hoje como convite e desafio.
Tal como o centurião, sejamos capazes de, pela confiança e pelo jeito de vivermos novas relações, despertar a admiração de Jesus (Lucas 7,9).


Fonte: Edmilson Schinelo, assessor do CEBI - Centro de Estudos Bíblicos, São Leopoldo, RS, Brasil.


Nota: O  texto, Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa - Lucas 7:1-10, não representa necessariamente a opinião deste blog, nem das igrejas do Movimento da Ciência Cristã. Foi publicado para  refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica. Conforme recentes  descobertas sobre fatos nela registrados e opinião de estudiosos do texto bíblico,  com o objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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quarta-feira, 17 de julho de 2013

A CURA POR MEIO DA COMPREENSÃO DA TOTALIDADE DE DEUS.


A Cura por meio da compreensão
 da totalidade de Deus




A habilidade de demonstrar a Ciência Cristã vem com o estudo e a prática da verdade ensinada por Cristo Jesus e revelada em Ciência e Saúde de autoria de Mary Baker. Esta série aborda algumas maneiras de aplicar essa verdade.


Um artigo de fé básico na religião judaico cristã é a unicidade e totalidade de Deus. A Bíblia apresenta a Divindade dizendo: “Não encho eu os céus e a terra?” 1 e “Eu sou Deus e não há outro.” 2
É um fato evidente por si mesmo que, por que Deus é Tudo e Deus é bom, em realidade não pode haver nada — nenhum elemento, poder, presença ou objeto — em todo o universo, que não seja bom. Em verdade, não há mal, discórdia, moléstia, pesar, estagnação, dor, pois tudo é Deus e Sua criação.
Tudo é Vida e Amor eternos e Seu universo é perfeito. Não há mortal pecador, uma vez que Deus, a Mente imortal, é o único Princípio criador e governante. Não há maldade, falta de inteligência, deterioração ou decomposição, porque Deus, o Espírito infinito, é Tudo-em-tudo.
A totalidade de Deus implica a plenitude e a unidade perpetuamente perfeita, do universo espiritual como um todo. E cada identidade individual neste universo é completa e perpetuamente perfeita.
A totalidade de Deus elimina a possibilidade de ruptura, fragmentação, deslocamento ou carência — falta de inteligência, de substância, de atividade, de unidade ou de coerência. A harmonia é a lei da Verdade, e a discórdia é uma mentira. O mal é uma crença errônea, sem fundamento ou existência real. Só o bem existe e é a Mente inteligente e perfeita.

A Ciência Cristã mostra que, à medida que conscienciosamente compreendemos a totalidade de Deus, há de ocorrer inevitavelmente a cura, tanto para nós como para outros.
Guardar o primeiro mandamento no seu profundo significado espiritual, reconhecendo só a presença, o poder, a atividade e a autoridade de Deus, considerando só a existência de uma Mente divina e única, e sua manifestação perfeita — elimina os dolorosos pensamentos mortais que fomentam a moléstia e a morte.
Cristo Jesus baseou seu ministério de cura na compreensão da onipotência e da onipresença de Deus. Hoje em dia seus seguidores podem curar por meio da mesma compreensão crítica. A Sr.a Eddy escreve: “A lei de Deus detém e destrói o mal em virtude do fato de que Deus é Tudo-em-tudo.” 3

1Jeremias 23:24;  2 Isaías 46:9;  3 Não e Sim, p. 30.

Fonte: "O Arauto da Ciência Cristã" edição de março de  1976. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados. 

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Conheça a Ciência Cristã lendo 
Ciência e Saúde com a Chave da Escrituras   
de  Mary Baker Eddy. 
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