sábado, 20 de outubro de 2012

SOBRE O PURO E O IMPURO

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SOBRE O PURO E O IMPURO

JESUS REALIZA O GRANDE DESEJO DO POVO:

ESTAR EM PAZ COM DEUS

MARCOS 7, 1-23

 

Carlos Mesters e Mercedes Lopes

 

O evangelho deste final de semana é comprido. Fala dos costumes religiosos da época de Jesus, muitos dos quais já tinham perdido seu sentido e até atrapalhavam a vida do povo, ameaçando as pessoas com castigo e inferno.

Enxergavam pecado em tudo! Por exemplo, comer sem lavar as mãos era considerado pecado. Mesmo assim, estes costumes eram conservados e ensinados, ou por medo, ou por superstições. Vamos conversar sobre isso!

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The Divine Comedy, Inferno, Canto XVIII, Botticelli -

1480 - Berlin, Staatliche Museen

 

SITUANDO

Neste círculo, olhamos de perto a atitude de Jesus frente à questão da pureza. Anteriormente, Marcos já tinha tocado neste assunto da pureza: em Mc 1,23-28, Jesus expulsou um espírito impuro. Em Mc 1,40-45, ele curou um leproso. Em Mc 5,25-34, curou uma mulher considerada impura. Em vários outros momentos, ele tocou em doentes e deficientes físicos, sem  medo de ficar impuro. Agora, aqui no capítulo 7, Jesus ajuda o povo e os discípulos a aprofundar este assunto da pureza e das leis da pureza.

Desde séculos, os judeus, para não contrair impureza, eram proibidos de entrar em contato com os pagãos e de comer com eles. Mas nos anos 70, época de Marcos, alguns judeus convertidos diziam: "Agora que somos cristãos temos que abandonar estes costumes antigos que nos separam dos pagãos convertidos!" Outros, porém, achavam que deviam continuar a observar as leis de pureza. A atitude de Jesus, descrita no evangelho de hoje, ajudava-os a superar o problema.

 

COMENTANDO

Marcos 7,1-2: Controle dos fariseus e liberdade dos discípulos

Os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém, observavam como os discípulos de Jesus comiam pão com mãos impuras. Aqui há três pontos que merecem ser assinalados:

1) Os escribas são de Jerusalém, da capital! Significa que tinham vindo para observar e controlar os passos de Jesus.

2) Os discípulos não lavam as mãos para comer! Significa que a convivência com Jesus os levou a criar coragem para transgredir normas que a tradição impunha ao povo, mas que já não tinham sentido para a vida.

3) O costume de lavar as  mãos, que, até hoje, continua sendo uma norma importante de higiene, tinha tomado para eles um significado religioso que servia para controlar e discriminar as pessoas.

 

Marcos 7,3 - 4: A Tradição dos Antigos

A "Tradição dos Antigos" transmitia as normas que deviam ser observadas pelo povo para ele conseguir a pureza exigida pela lei. A observância da pureza era um assunto muito sério. Eles achavam que uma pessoa impura não poderia receber a bênção prometida por Deus a Abraão. As normas de pureza eram ensinadas para abrir o caminho até Deus, fonte da paz.

Mas, na realidade, em vez de ser uma fonte de paz, elas eram uma prisão, um cativeiro. Para os pobres, era praticamente impossível observá-las. Eram centenas de normas e leis. Por isso, os pobres eram desprezados como gente ignorante e maldita que não conhece a lei (Jo 7,49).

 

Marcos 7,5: Escribas e fariseus criticam o comportamento dos discípulos de Jesus

Os escribas e fariseus perguntam a Jesus: Por que os teus discípulos não se comportam conforme a tradição dos antigos e comem o pão com as mãos impuras? Eles fingem estar interessados em conhecer o porquê do comportamento dos discípulos.

Na realidade, criticam Jesus por ele permitir que os discípulos transgridam as normas de pureza. Os fariseus formavam uma espécie de irmandade cuja principal preocupação era observar todas as leis de pureza. Os escribas eram os responsáveis pela doutrina. Ensinavam as leis referentes à observância da pureza.

 

Marcos 7, 6-13: Jesus critica a incoerência dos fariseus

Jesus responde citando Isaías: Este povo me honra só com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Insistindo nas normas de pureza, os fariseus esvaziavam os mandamentos da lei de Deus. Jesus cita um exemplo concreto. Eles diziam: o fulano que oferecer ao Templo os seus bens não pode usar esses bens para ajudar os pais necessitados. Assim, em nome da tradição esvaziavam o quarto mandamento, que manda amar pai e mãe.

Até hoje, tais pessoas parecem muito observantes, mas é só por fora. Por dentro, o coração delas fica longe de Deus! Como diz o canto: "Seu nome é Jesus Cristo e passa fome, e vive à beira das calçadas. E a gente quando vê passa adiante, às vezes para chegar depressa à Igreja!"

No tempo de Jesus, o povo, na sua sabedoria, não concordava com tudo que se ensinava. Esperava que, um dia, o  messias viesse indicar um outro caminho para alcançar a pureza. Em Jesus se realiza esta esperança.

 

Marcos 7,14-16: Jesus abre um novo caminho para o povo se aproximar de Deus

Ele diz para a multidão: "Não há nada no exterior do ser humano que, entrando nele, possa torná-lo impuro!" (Mc 7,15). Jesus inverte as coisas: o impuro não vem de fora para dentro, como ensinavam os doutores da lei, mas sim de dentro para fora.

Deste modo, ninguém mais precisa se perguntar se esta ou aquela comida ou bebida é pura ou impura. Jesus coloca o puro e o impuro num outro nível, no nível do comportamento ético. Ele abre um novo caminho para chegar até Deus e, assim, realiza o desejo mais profundo do povo.

 

Marcos 7,17-23: Em casa, os discípulos pedem explicação

Os discípulos não entenderam bem o que Jesus queria dizer com aquela afirmação. Quando chegaram em casa, pediram uma explicação. Jesus estranhou a pergunta dos discípulos. Pensava que eles tivessem entendido a parábola. Na explicação aos discípulos, ele vai até ao fundo da questão da pureza. Declara puros todos os alimentos! Ou seja, nenhum alimento que de fora entre no ser humano pode torná-lo impuro, pois não vai até o coração, mas vai para o estômago e acaba na fosse, e, conforme o pensamento da época, o que entrava na fossa não era considerado impuro.

 

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Mas o que torna impuro, diz Jesus, é aquilo que de dentro do coração sai para envenenar o relacionamento humano. E ele enumera: prostituição, roubo, assassinato, adultério, ambição, etc.

Assim, de  muitas maneiras, pela palavra, pelo toque e pela convivência, Jesus foi ajudando as pessoas a conseguir a pureza.

Pela palavra, purificava os leprosos, expulsava os espíritos impuros e vencia a morte, que era a fonte de toda a impureza. Pelo toque em Jesus, a mulher excluída como impura ficou curada. Sem medo de contaminação, Jesus comia junto com as pessoas consideradas impuras.

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ALARGANDO

As leis da pureza no tempo de Jesus

O povo daquela época tinha uma grande preocupação com a pureza. A lei e as normas de pureza indicavam as condições necessárias para alguém poder comparecer diante de Deus e se sentir bem na presença dele. Não se podia comparecer diante de Deus de qualquer jeito. Pois Deus é Santo. A Lei dizia: "Sede santos, porque eu sou santo!" (Lv 19,2). Quem não era puro não podia chegar perto de Deus para receber dele a bênção prometida a Abraão.

A lei do puro e do impuro (Lv 11 a 16) foi escrita depois do cativeiro da Babilônia, cerca de 800 anos depois do Êxodo, mas tinha suas raízes na mentalidade e nos costumes antigos do povo da Bíblia. Uma visão religiosa e mítica do mundo levava o povo a apreciar as coisas, as pessoas e os animais a partir da categoria da pureza (Gn 7,2; Dt 14,13-21; Nm 12,10-15; Dt 24,8-9).

No contexto da dominação persa, nos séculos V ou IV antes de Cristo, diante da dificuldade para reconstruir o templo de Jerusalém e para a própria sobrevivência do clero, os sacerdotes que estavam no governo do povo da Bíblia ampliaram as leis de pureza e a obrigação de oferecer sacrifícios de purificação pelo pecado.

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Paul Gauguin - Eve

 

Assim, depois do parto (Lv 12,1-8), da menstruação (Lv 15,19-24) ou da cura de uma hemorragia (Lv 15,25-30), as mulheres tinham que oferecer sacrifícios para recuperar a pureza. Pessoas leprosas (Lv 13) também deviam oferecer sacrifícios. Uma parte destas oferendas ficava para os sacerdotes (Lv 5,13).

No tempo de Jesus, tocar um leproso, comer com publicano, comer sem lavar as mãos, etc, tudo isso tornava a pessoa impura, e qualquer contato com esta pessoa contaminava os outros. Por isso, as pessoas "impuras" deviam ser evitadas. O povo vivia acuado, sempre ameaçado pelas tantas coisas impuras que ameaçavam a vida. Era obrigado a viver desconfiado de tudo e de todos.

Agora, de repente, tudo mudou! Através da fé em Jesus, era possível conseguir a pureza e sentir-se bem diante de Deus sem que fosse necessário observar todas aquelas leis e normas da "Tradição dos Antigos".

Foi uma libertação! A Boa Nova anunciada por Jesus tirou o povo da defensiva, do medo, e lhe devolveu a vontade de viver, a alegria de ser filho e filha de Deus, sem medo de ser feliz!

 

Fonte: Texto extraído do livro CAMINHANDO COM JESUS. Coleção A Palavra  na Vida 182/183. De Carlos Mesters e Mercedes Lopes.

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

PIONEIROS DA CIÊNCIA CRISTÃ NO BRASIL

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Raio de Sol no Paraná_2007_Visita  Jardim Botânico_Curitiba_PR_Edésio Ferreira Filho

Jardim Botânico de Curitiba, PR:

Participantes do Acampamento para Cientistas Cristãos e seus Amigos -

Raio de Sol no Paraná /2007

 

 

PIONEIROS DA CIÊNCIA CRISTÃ NO BRASIL

 

Na  edição de outubro 2012 / volume 62 / número 10  da  revista  O Arauto da Ciência  Cristã   foi  publicada a entrevista  “A bênção do Cristo: a Ciência Cristã no Brasil “  de  Rosalie E. Dunbar com Orlando Trentini.

Nesta conversa, o entrevistado fala  de sua infância e  sobre fatos relacionados ao surgimento da Ciência Cristã no Brasil, memórias que fazem parte de reminiscências escritas por ele anteriormente. Além de compartilhar “algumas ideias de como a compreensão  do Cristo sustenta nossa capacidade de curar”

Orlando Trentini,  Praticista  e  Professor de Ciência Cristã  desde 1969 e 1979, respectivamente, escreveu o  Histórico dos primórdios da Ciência Cristã ou Christliche Wissenschaft no Brasil, quando visitava  Rio Vista - Califórnia, EUA, em dezembro de 2006.

Este histórico  fez parte da mensagem enviada por Orlando Trentini   aos participantes do  ACAMPAMENTO PARANAENSE PARA CIENTISTAS CRISTÃOS E SEUS AMIGOS -   RAIO DE SOL no Paraná/ 2007, realizado em Mandirituba, PR, entre 04 a 07 de janeiro de 2007.

 

BANER RAIO DE SOL no Paraná 2007_Eldo José da Costa Ferreira

 O Acampamento reuniu cientistas cristãos,  jovens e adultos,  que  ponderaram sobre as qualidades espirituais vivenciadas pelas pessoas que introduziram a  Ciência Cristã em diversas localidades do   Brasil [detalhes publicados neste blog em 22 de novembro de 2010].

Vale a pena ler a entrevista publicada  na revista O Arauto da Ciência Cristã  bem como a histórico sobre as origens da Ciência Cristã no Brasil escrito pelo Professor Trentini.

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A bênção do Cristo:

a Ciência Cristã no Brasil

 

As primeiras pessoas que levaram a Ciência Cristã para o Brasil eram provenientes da Alemanha, América do Norte, Suíça e Inglaterra. Entre os alemães, havia Helene  Marie Von Schramm e seu marido, Otto Albert Schmidt, que se estabeleceram em Blumenau [SC]. Ali foi organizada uma Sociedade da Ciência Cristã, oficialmente reconhecida em 1932”. 

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                          Primeira Igreja de Cristo, Cientista, Blumenau - SC

 

“No início do ano de 1932, Otto Albert Schmidt atendeu a um pedido de cura vindo de um lugarejo rural encravado na mata, região hoje conhecida como Panambi, no sul do Brasil. Durante 55 dias, ele cobriu uma grande distância, sendo que a maior parte do percurso foi feito a pé. Havia muitas pessoas necessitando de cura e todas foram curadas. Entre elas, estavam os pais de minha mãe”.  Orlando Trentini, CSB : O Arauto da Ciência Cristã/outubro de 2012.

 

“Na década de 1950, havia em Porto Alegre, RS, um grupo de estudiosos de Ciência Cristã, o qual se reunira à volta do casal Otto Albert Schmidt e Helena Maria Von Schramm Schmidt. Juntos, estudavam todos os dias a Lição Bíblica. Esse casal estava sempre disposto a ajudar, por meio da oração, aqueles que o solicitassem e a mostrar a importância do estudo da Lição Bíblica, conforme apresentada no Livrete Trimestral da Ciência Cristã. As curas se sucediam com naturalidade, eram rápidas e permanentes”. Orlando Trentini, CSB: O Arauto da Ciência Cristã, Ano 62, nº 06, página 17. 

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Histórico dos primórdios da Ciência Cristã
ou Christliche Wissenschaft no Brasil

Orlando Trentini, CSB 

  

 

UMA CURA INFANTIL NOTÁVEL, GRAÇAS À CIÊNCIA CRISTÃ

Quando eu tinha uns 4 anos  adoeci e fiquei inconsciente, aconteceu numa sexta- feira. Todo o dia meu pai e minha mãe oraram com a Lição Bíblica [da Ciência Cristã] e com o Arauto [O Arauto da Ciência Cristã], assim também durante a noite. No sábado, meu pai foi a cavalo até a casa do vovô Holderbaum para pedir que um dos filhos fosse até Panambi [RS] pedir para o Sr. Otto Albert Schmidt vir até a nossa casa por que o Orlando estava precisando de oração.

Casal Schmidt

Helene Marie Von Schmidt e Otto Albert Schmidt

 

Quem foi até Panambi, foi o tio Oscar. Deve ter chegado lá já depois do meio dia. E já não dava para o sr. Schmidt vir e voltar no mesmo dia, pois no dia seguinte, domingo, ele era o Segundo Leitor e  Helene Marie Von Schmid era a Primeira Leitora [dirigente do culto dominical na Igreja da Ciência Cristã], ele também tocava o violino para cantarmos os hinos. À tarde vinham pessoas dos arredores para falar com eles. Mas mandou avisar pelo tio Oscar que na 2ª feira, logo cedo, estaria chegando para me ver. E que ele já estava orando para mim.

   Panambi, RS, década de 1930:  local da atual Praça Maurício Cardoso

 

   Panambi, RS, década de 1950:  Praça Maurício Cardoso   

            Acervo  do   Museu e Arquivo Histórico Professor Hermann Wegermann -

      Panambi, RS. 

 

No domingo de manhã, o terceiro dia que eu estava inconsciente, veio a tia do meu pai, tia Carolina Winck, e foi até a minha cama e viu que estava difícil a situação para o Orlando. Assim começou a falar para meus pais, pensando em prepará-los para o meu falecimento. Falou:

- O Orlando sempre foi uma criança doentinha, vocês levaram ele para o médico mas não foi curado, depois vocês levaram ele para a religião mas ele também não foi curado, deixa agora que Deus leve o Seu filho de volta para Si.

Quando ela falou isso, meu pai, falou energicamente com ela, que Deus era a Vida e Deus estava presente, portanto, a Vida estava presente e o Orlando reflete Vida perfeita. Tia faça o favor de se retirar de minha casa, pois a senhora têm pensamentos de morte.

Ela ainda fez protestos de que só queria ajudar, e meu pai ainda acrescentou:

– Se a senhora quer ajudar vá para a casa, pegue o seu livro Ciência e Saúde [Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras de Mary Baker Eddy] e leia, e ore, então estará ajudando a nós e ao Orlando.

Ela foi para casa, e abriu Ciência e Saúde e abriu ao acaso na página 206: 20-22, 27-29 e ela começou a ler até que chegou onde diz:

“Acaso envia Deus a doença, dando à mãe um filho pelo curto espaço de alguns anos, para depois tirá-lo pela morte? Em vez de mandar a doença e a morte, Deus as destrói e traz à luz a imortalidade?” Quando ela leu isso, ela começou a chorar e pensou:

- Meu sobrinho estava certo, Deus é a Vida do Orlando e Deus não quer que ele morra. Continuou lendo, e depois me esqueceu.

À tarde estavam meus avós maternos no quarto e meus pais, estavam orando, quando eu recobrei a consciência e pedi:

- Mamãe eu quero comer, estou com fome.

Ficaram muito contentes e foram buscar a comida. Dormi de novo e acordei mais tarde e pedi mais comida. Dormi a noite toda, e quando Otto chegou na 2ª feira de manhã, eu estava brincando, em frente de nossa casa.

A cura foi completa e permanente. Cada ano eu tinha menos faltas à escola, até que aos quinze anos não faltei nenhum dia de aula o ano todo. Fiz uma retrospectiva,  dos quinze aos quarenta anos eu perdi em torno de meio dia de trabalho, em vinte e cinco anos, por estar na cama com gripe.

                                                 Orlando Trentini, CSB 

 

Depois desta cura, minha mãe abriu o armário da cozinha e viu que ainda tinha muitos frascos de remédios. Decidiu, que não ajudavam a não ficar doente, e não ajudavam a recuperar a saúde, portanto, ela iria confiar em Deus de modo total. Separou todos os frascos ainda fechados e colocou numa bacia pequena e pediu que eu os levasse até a vizinha que tinham um salão de baile, Família Faldin Derr.

Quando entreguei a bacia com os frascos a vizinha disse:

– Mas e vocês, que vai acontecer com vocês sem remédios? Eu respondi:

– Nós vamos confiar em Deus.

Enquanto eu fui na vizinha minha mãe pegou todos os frascos já abertos e os levou numa outra bacia para o córrego onde lavava a roupa. A água passava sobre uma rocha que se estendia para dentro do córrego e ela jogou os vidros nessa pedra de modo que se rompessem e logo após a água formava um pequeno redemoinho, lento, onde tinha sempre uns peixinhos. Ela ficou olhando o remoinho e como a água ficou colorida por causa dos remédios, Os peixinhos desapareceram, e ela ficou olhando até que a água clareasse novamente. E pensou:

- Agora nos colocamos totalmente nas mãos de Deus e Seu cuidado.

Família Trentini002      Família Trentini – provavelmente década de 1950, em Porto Alegre, RS.

 

Muitas famílias tiveram curas em nossa área. Eu não lembro o nome delas nem quais as curas, mas ao perguntar um dia ao Otto, na década de 50 se ele lembrava de alguma cura. Ele disse que muitas pessoas foram curadas, e que lembra de uma, em particular, em que ele estava na carroça com um colono, a junta de bois a estava puxando, quando a carroça passou por um buraco ou sobre uma pedra e deu um solavanco forte e o filho pequeno caiu para fora e a roda de trás passou por sobre o menino.

Ele me contou, que parecia que o menino tivesse morto. Mas ele e os pais continuaram em oração até que o menino deu sinais de vida. E ele ficou mais alguns dias com a família até que o menino ficasse completamente curado. Orlando Trentini, dezembro de 2006, Rio Vista, Califórnia, EUA.

 

Leia o texto completo do  Histórico dos primórdios da Ciência Cristã ou Christliche Wissenschaft no Brasil  em   http://www.trentinicsb.com.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

SURA AL-FATIHA: oração diária dos mulçumanos.

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  Mapparium ®

 

Um só Deus infinito, o bem, unifica homens e nações; constitui a fraternidade dos homens; põe fim às guerras; cumpre o preceito das Escrituras: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”[…].

Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras de   Mary Baker Eddy

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Sura Al-Fatiha:

oração diária dos mulçumanos

 

Um traço essencial de qualquer religião é o que se pode chamar de “divino”, ou, em outras palavras, uma realidade que é maior do que  o humano. A forma como esta realidade é definida no islamismo e a maneira como Deus é concebido e como seus devotos se aproximam dele nos dão um compreensão mais clara desta tradição.

De acordo com o islamismo, Deus, numa expressão de sua infinita misericórdia e preocupação com a humanidade, revelou no Alcorão (Quram) sua vontade e sua orientação sobre como viver no mundo – é neste texto sagrado que é tornada explícita sua aterradora presença: “Deus é aquele que erigiu os céus sem apoio, como se pode ver, e depois sentou-se em seu trono e sujeitou o sol e a lua à sua vontade. […] Ele regula todos os assuntos” (Sura 13: 2).

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    A primeira Sura do Alcorão

 

O islamismo  concebe Deus como aquela realidade da qual emanam todas as coisas. O termo para designar Deus no Alcorão é Alá (Allah), que significa, simplesmente, “o [único] deus” (al-ilah): “Deus atesta que não há deus senão ele, como o atestam os anjos e os que possuem conhecimento. Ele só age com justiça. Não há deus senão ele, o Todo-poderoso, o Todo sábio” (Sura 3:18).

A relação entre mulçumanos e Deus é animada por três princípios que derivam diretamente do Alcorão. O primeiro princípio, tawhid,   poderia ser traduzido simplesmente como “unidade de Deus”.

Segundo esta ideia islâmica central,   ele é absoluta e inevitavelmente Um, uma unidade perfeita, único em si mesmo. Mas uma tradução mais exata seria “afirmação da unidade divina”, o que engloba a responsabilidade crucial dos mulçumanos de impregnar sua fé (iman) e sua prática (islam) com sua crença na terrível justiça e unidade do divino. Assim, a tawhid (“unidade divina”) torna-se um chamamento a uma vida solícita e piedosa.  […]

Fonte: Conhecendo o Islamismo: origens, crenças, práticas, textos sagrados, lugares sagrados de Matthew Gordon, Editora Vozes, 2009.

 

A primeira Sura do Alcorão

A Sura Al-Fatiha "A Abertura" (em árabe: الفاتحة), é o primeiro capítulo do livro sagrado dos muçulmanos, o Alcorão. Seus sete versos são uma oração por orientação divina e um louvor ao senhorio e a misericórdia de Deus. Este capítulo tem um papel especial nas tradicionais orações diárias, por ser recitado no início de cada unidade de oração, ou rak'ah.  

 

Sura Al-Fatiha em Alfabeto Árabe

بسم الله الرحمن الرحيم
الحمد لله رب العالمين
الرحمن الرحيم
ملك يوم الدين
اياك نعبد واياك نستعين
اهدنا الصرط المستقيم
صراط الذين انعمت عليهم غير المغضوب عليهم ولا الضالين

 

Só o texto árabe original,  revelado ao profeta  Maomé, é chamado de Alcorão (Corão). As traduções em outros idiomas são tratadas pelos muçulmanos apenas como interpretações, porque não há certeza se o tradutor entendeu direito a Palavra de Deus.

 

Transliteração

Bismillāhi r-rahmāni r-rahīm
Al-hamdu li-llāhi rabbi l-ʿālamīn
Ar-rahmāni r-rahīm
Māliki yawmi d-dīn
Iyyāka naʿbudu wa iyyāka nastaʿīn
Ihdinās ṣirāṭ al-mustaqīm
Ṣirāṭ al-laḏīna anʿamta ʿalayhim ġayril maġdūbi ʿalayhim walā ḍ-ḍāllīn.
 
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

Dargah Dastageer Sahab, antiga mesquita de Caxemira - subcontinente indiano hoje dividida entre a Índia e o Paquistão.

 

A Sura Al-Fatiha em português

 

Em nome de Deus, o Misericordioso, o Compassivo,

Louvado seja Deus, o Senhor de todo o ser.

O Misericordioso, o Compassivo.

Soberano do dia do Juízo.

Somente a ti servimos,

Somente a ti imploramos ajuda.

Guia-nos no caminho reto.

O caminho daqueles que abeçoaste.

Não daqueles que desaprovas,

Nem daqueles que se extraviam.

 

Comentário

Declaração sucinta, a sura de abertura do Alcorão comunica ideias da tradição islâmica ”Senhor de todo ser (ou ‘dos mundos’)”, está acima do mundo e é totalmente distinto dele. Neste sentido, os atributos a Ele conferidos só podem dar uma ideia aproximada de suas qualidades de misericórdia, compaixão e poder criador. No entanto, por mais que esteja distante, Ele está sempre presente e atento, e assim a única resposta apropriada é o louvor e e adoração.

A sura deixa claro também que os seres humanos devem assumir a responsabilidade pelas opções a eles apresentadas. Podem optar por adorar a Deus ou, como diz a sura, permanecer “no caminho” e assim receber orientação divina, ou então podem aventurar-se para longe, seja por descuido ou por deliberada recusa a aceitar essa orientação.

Inúmeros versículos do Alcorão associam Deus à orientação que Ele proporciona e muitos insistem na imagem do caminho reto. Assim, essa imagem aparece em toda a literatura islâmica, tanto exegética como de outro tipo. Nas palavras do próprio Alcorão, o Caminho é a senda das trevas para a luz. Em outras passagens é descrito como o caminho pelo qual andarão todos os seres no dia da ressureição.

Neste caso, é descrito como uma ponte estreita como um fio de navalha, estendida sobre as chamas do inferno, que somente os justos podem ter esperança de atravessar sem cair nas profundezas.

A Surat al-Fatiha é comparada muitas vezes, tanto por seu conteúdo quanto pelo uso diário, com a Oração do Senhor (Pai-nosso) na tradição cristã. Texto curto, é facilmente memorizado na infância e depois recitado pelos mulçumanos em todas as fases da vida.      

Neste sentido, é uma das diversas fórmulas verbais e expressões – curtas ou longas – que pontuam a fala dos mulçumanos. Uma expressão comum é al-salamuallaykum ou “paz a ti”, saudação típica usada  apenas entre mulçumanos.

 

Fonte: Conhecendo o Islamismo: origens, crenças, práticas, textos sagrados, lugares sagrados de Matthew Gordon, Editora Vozes, 2009.

Matthew Gordon  é professor associado no Departamento de História da Miami University em Oxford, Ohio.

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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

AS TRÊS GERAÇÕES DO CRISTIANISMO PRIMITIVO

 

 

As três gerações

do Cristianismo primitivo

 

As três gerações cristãs primitivas, referem-se  às primeiras comunidades desde sua origem após a paixão, morte e ressureição de Jesus até a redação do último escrito do Segundo Testamento, em torno do ano 140. Todo esse tempo pode ser dividido em três etapas.

 

A primeira é conhecida como época apostólica. É a primeira geração de seguidoras e seguidores de Jesus de Nazaré. São aqueles que conheceram Jesus ou que aderiram a ele ainda nos primeiros anos do movimento cristão. A época apostólica vai  desde o ano 30 até em torno de 67, quando provavelmente os primeiros seguidores de Jesus já haviam morrido ou haviam sido mortos.

Esse período apostólico(entre 30 e 67) pode ser dividido em dois momentos claramente distintos. O primeiro é anterior à assembleia de Jerusalém em 49, também  conhecida por concílio de Jerusalém. Tal como do tempo de Jesus, não temos nenhum escrito bíblico desse período. O que sabemos, além das informações do historiador judeu Flávio Josefo, vem de escritos posteriores.

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O lavatório – Tintoretto

 

O segundo momento da época apostólica vai desde o concílio de Jerusalém até em torno de 67. É o tempo áureo da missão de Paulo e sua equipe pastoral.

O segundo período das comunidades primitivas é a chamada época subapostólica. É o tempo da segunda geração de cristãos. Esse tempo corresponde aos anos que vão desde, mais ou menos, 67 até por volta de 97, quando então inicia o período pós-apostólico, isto é, a terceira geração de comunidades cristãs.

A primeira geração de cristãos pertencentes às comunidades    que mais tarde deram origem ao Evangelho de Mateus certamente viveram inicialmente na Judéia. Entre os apóstolos, Pedro é seu grande protagonista.

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Anthonis van Dyck - Die Ausgießung des Heiligen Geistes

 

Entre os evangelhos, é  Mateus quem mais importância dá à figura de Pedro (Mt 16:17-19).  Ao copiar de Marcos a profissão de fé de Pedro (Mc 8:27-30), Mateus acrescentou os versículos 17-19. De fato, Mateus é o  Evangelho das comunidades de herança dos apóstolos e familiares de Jesus.

Chamados de comunidades de Tiago aquelas que foram fundadas pelos apóstolos como Pedro, ou que atribuem sua origem a eles. Um dos líderes importantes dessas igrejas foi Tiago, irmão de Jesus (Gl 1:18-19; 2:9; At 15:6-21). Quando ele foi martirizado em 62, seu irmão Judas o substituiu na direção das igrejas de Jerusalém.

Diferentemente das comunidades de herança paulina, eram igrejas em que as pessoas vindas do Judaísmo eram a grande maioria. A tradição judaica ainda ocupava um lugar central. Estavam ainda muito ligadas à observância da Lei.

Podemos classificar como herança das igrejas dos apóstolos e de Tiago o Evangelho segundo Mateus, a Carta de Tiago e a Carta de Judas. Tanto Tiago como Judas além de  familiares de Jesus(Mc 6:3) dirigiam as comunidades de Jerusalém.

 

O Evangelho Segundo Mateus

Cada  evangelho teve sua   redação a partir da compreensão sobre a pessoa de Jesus de quem o escreveu. Mateus vê Jesus como Emanuel, o Deus-conosco no mundo e na história para nos ensinar o caminho da justiça. É, junto com o mestre da justiça, que podemos construir um mundo melhor.

 

Data, local e destinatários

O Evangelho de Mateus foi escrito no final dos anos 80 d.C. Certamente, as comunidades que o editaram viviam na Palestina, talvez na Galileia, numa região em que predominavam igrejas formadas por pessoas de origem judaica.

Com a guerra judaico romana, muitos membros  dessas comunidades da Judéia mudaram-se para a direção da Galileia, Síria ou outros lugares. Essa imigração se intensificou com a perseguição sofrida por parte de lideranças das sinagogas nos anos 80 e 90.  Nessa época, os judeus-cristãos foram expulsos das sinagogas pelos rabinos fariseus que passaram a liderar o Judaísmo a partir de 70. Muitos cristãos da Judéia devem ter se estabelecido na Galileia e na Síria.

Observa-se também  no Evangelho de Mateus, além do conflito com a sinagoga, tensão com cristãos vindo de outras  culturas. Como no caso das comunidades paulinas que defendiam uma nova justiça divina, dada gratuitamente por Deus a quem crê em Jesus.

Confira ainda algumas das seguintes citações e perceba como as comunidades destinatárias de Mateus são formadas por pessoas sem terra (5:1-5), desempregadas(20:1-16), migrantes(2:13-23; 4:13-16 , 24-25; 19:1), perseguidas(5:10-12; 23:13-32) e pobres(11:25-26; 6:25-34; 15:32; 25:31-46).

 

Autores e fontes

Seus autores devem ser escribas judeus-cristãos, convertidos ao cristianismo (Mt3:52).  Em meados do segundo século, os pais da Igreja homenagearam Mateus(Mt 9:9; 10:3), atribuindo a ele este evangelho. Ao agirem desta forma, queriam colocar a obra sob a autoria de um discípulo de Jesus.

Os autores deste Evangelho, isto é, a escola dos rabinos cristãos, naturalmente eram profundos conhecedores das Escrituras judaicas. O texto que usaram para fazer transcrições para seu escrito é da versão grega das Escrituras, a Septuaginta. Além  do Evangelho de Lucas e Marcos, como texto-base. Bem como a fonte “Q”, inserindo 230 versículos desta obra.

 

Fonte “Q”

Na pesquisa bíblica, existe uma hipótese de que houve na Galiléia uma corrente cristã que apresentava Jesus como um Messias sábio e mestre. Essa tendência valorizava seus ditos, suas palavras e seu ensino. Não davam tanto valor à sua paixão, morte e ressureição. Seria um movimento ligado a círculos sapienciais que, apesar de seu radicalismo em seguir de perto o mestre, apresentam um Jesus que não incomoda as instituições opressivas da época. 

Segundo a hopótese, e há evidencias literárias para isso, essa corrente cristã teria produzido o documento “Q”. É assim chamado, porque esta é a primeira letra da palavra alemã Quelle (fonte).

Até hoje, pelo menos, nada a respeito foi encontrado. Se existiu, está perdido. Essa fonte seria o segundo documento usado por Mateus e Lucas  ao escreverem nos anos 80  d.C. O primeiro foi o Evangelho de Marcos cujo material já era conhecido há uns 15 anos antes. O conteúdo da fonte “Q” seriam os textos comuns a Mateus e Lucas, porém ausentes em Marcos.

 

Comentário final

Convém destacar, que um dos objetivos de Mateus é deixar claro que o Evangelho é para todos os povos na medida em que o centro dessa universalidade seja o Judaísmo. Os demais povos devem “vir do oriente e do ocidente e se assentar à mesa do Reino dos Céus com Abraão, Isaac e Jacó” (Mt 8:11).

As igrejas mateanas estão abertas as pessoas de outras culturas, apresentando Jesus como Emanuel - “Deus  conosco” (Mt1:23).

 

Fonte:

1. BOCCACCINI, Gagriele. Além da hipótese essênica: a separação dos caminhos entre Qumran e o judaísmo enóquico. São Paulus, 2010.

2. STORNIOLO, Ivo. Como ler o Evangelho de Mateus. São Paulo: Paulus. (Série “Como ler a Bíblia”).

3. GASS, Ildo Bohn. As comunidades da segunda geração cristã. São Leopoldo: CBEI (Curso Bíblico por Correspondência: Módulo 12).

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terça-feira, 11 de setembro de 2012

MARY BAKER EDDY: SUA LIDERANÇA CONTÍNUA.

 

 

Sem título - Cópia

 

MARY BAKER EDDY: sua liderança contínua

Allison W. Phinney

 

Algumas vezes com apreço, outras de maneira incisivamente crítica, jornalistas, estudiosos, e outros observadores têm frequentemente analisado a forte liderança e inteligência de Mary Baker Eddy.

Em um processo judicial movido contra Mary Baker Eddy, quando já estava com oitenta e sete anos, um respeitável promotor público foi levado a constatar, meio a contra gosto: “A Sra. Eddy estava mais afiada do que uma armadilha de aço” (Reminiscência de Minnie A. Scott, The Mary Baker Eddy Collection,  The Mary Baker Eddy Library [Biblioteca Mary Baker Eddy]).

Os Cientistas Cristãos podem certamente compreender o que esse promotor estava falando! Entretanto, eles não estão propensos a se identificar com esse ponto de vista.

A razão não se deve apenas ao fato de que ele representava a parte oposta, mas também devido ao fato de que os Cientistas Cristãos não tendem a analisar a inteligência de Mary Baker Eddy sob aspectos pessoais.

As curas que vivenciamos pouco têm a ver com a mente humana. Referem-se a uma crescente compreensão de que tudo é Mente divina, não matéria. Fomos apresentados a esse Espírito ou Mente, não como uma doutrina ou ideal abstrato, mas como uma presença maravilhosamente amorosa.

Mary Baker Eddy [1821-1910]: Líder religiosa. Descobridora e fundadora da Ciência Cristã (Christian Science). Autora do Livro Texto da Ciência Cristã: “Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras”. Pastora Emérita de A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, em Boston  Massachusetts, A Igreja Mãe. Presidente do Massachusetts Metaphysical College.   Autora do Manual da Primeira Igreja de Cristo, Cientista - A Igreja Mãe, em Boston Massachusetts. Fundadora do Jornal The Christian Science Monitor e da revista O Arauto da Ciência Cristã.

 

De fato, o que é percebido como o terno cuidado de Deus, quando alguém é curado pela Ciência Cristã, está relacionado com a suprema realidade de Deus, que é o próprio Amor, como nos ensina o Novo Testamento.

Reconhecidamente, ainda estamos aprendendo sobre tudo isso, mas a Ciência do Cristianismo nos guia continuamente para uma compreensão mais profunda. […]

 

Allison W. Phinney é Praticista e Professor de Ciência Cristã, domiciliado em Boston, Massachusetts, EUA. Ele foi Presidente de A Igreja Mãe de junho de 2009 a maio de 2010.

O artigo completo MARY BAKER EDDY: sua liderança contínua, da série O segundo século da Ciência Cristã  pode ser lido na revista O Arauto da Ciência Cristã: fevereiro de 2011, ano 61, nº 02, páginas 24-27. Publicada pela The Christian Science Publishing Society©, edição em português - impressa e PDF.

 

                                                        O Arauto da Ciência Cristã: Ano 61, nº 02

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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

JOÁS O REI DE JUDÁ: uma contextualização histórica e geográfica

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Joás rei de Judá:

uma contextualização histórica e geográfica

 

Poder descentralizado

Você certamente já leu Ex 18:1-27 e percebeu como a proposta de exercer o poder de forma mais democrática e participativa faz parte do projeto das tribos, cuja memória  foi cultivada com muito  mais vigor pelos grupos de resistência no Norte. Não foi por acaso que em Israel, diferentemente de Judá, houve muito mais alternância no poder e forte mobilização popular liderada pela profecia.

 

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Tabela 01       Serviço de Animação Bíblica – Editora Paulinas

 

A artificial unidade Norte/Sul do povo de Israel ruiu após a morte de Salomão. As pessoas indignaram-se muito com a pesada carga tributária de Salomão, e queriam que o sucessor ao trono se ocupasse em amenizar a carga que tinham aos ombros. O povo reclama de  Roboão contra o pesado jugo posto anteriormente por Salomão, mas o sucessor de Salomão não está disposto a ouvir as reclamações do povo, e resolve dificultar ainda mais as coisas.

Tabela 02    Serviço de Animação Bíblica – Editora Paulinas

 

Tudo indica que o novo rei sulista teve um problema de assessoria. Seus conselheiros lhe recomendaram ser duro com o povo para impor respeito, mas o tiro saiu pela culatra. O Norte decide aclamar Jeroboão  como rei, e a unidade do povo de Israel foi irremediavelmente rompida.

O Reino do Norte criará uma tradição de golpes e dinastias que pouco duram, enquanto o Reino do Sul encontrará um pouco mais de estabilidade na dinastia davínica.

O Reino do Norte sucumbirá sob o poderio assírio no século VIII a.C., e o Reino do Sul durará até o século VI a.C., por ocasião dos babilônicos.

A história  dos Reinos do Norte(Israel) e do Sul(Judá)  pode ser dividida nos seguintes períodos

1. Desintegração do Reino de Davi (975-884 a.C.)

2. Período Sírio (884-839 a.C.)

3. Restauração de Israel (839-772 a.C.)

4. Queda de Israel (772-721 a.C.) 

5. Queda de Judá (721-586 a.C.)

Obs:: comentaremos nesta postagem somente o 1º e 2º períodos.

 

1. Período de desintegração

O período de desintegração se caracterizava principalmente pela luta entre os três reinos da Síria, Israel e Judá, pela supremacia, e compreendia os reinados de Jeroboão a Jeú, em Israel, e de Roboão até Joás, em Judá.

Durante a primeira parte deste período, Judá e Israel estavam constantemente em conflito, porém o crescente poderio da Síria obrigou esses povos rivais a se tornarem aliados contra o inimigo comum.

2. Período Sírio

Esse período começou com três revoluções no mesmo ano, isto é, em Damasco, Samaria e Jerusalém, nas quais Hazael se apoderou da Síria, Jeú de Israel e Atalia, a rainha-mãe, de Judá.

Pouco depois de haver iniciado seu reinado, Hazael voltou sua atenção para o sul com olhares de conquista. Conseguiu subjugar as tribos transjordânicas e depois reduziu Israel a vassalo, tomou Gade, e só a entrega de um forte tributo impediu o cerco a Jerusalém (1Rs 12:17-18 e 2Cr 24:23-24). 

MAPA 02

 

 Reino de Israel (Norte): 

A dinastia de Jeú (841-753 a.C.)

Em 841 a.C., Jeú, chefe dos carros de gerra, promoveu sangrenta revolta, apoiado pelo movimento profético de Eliseu. Para garantir o poder do novo grupo, tomou algumas medidas políticas e religiosas.

É curioso notar que o profetismo aparece justamente com a monarquia, quando há troca do Sistema Tribal pelo Sistema Tributário: ao lado do rei temos o profeta. Com Samuel ao lado de Saul e Davi (Reino do Sul – Judá) no séc. XI a.C., temos início uma longa corrente de personagens que se sucedem até o exílio na Babilônia, no séc. VI a.C.

Contudo, foi no Reino do Norte, Israel, que a corrente profética tornou-se primeiramente expressiva, a partir do séc. IX, progressivamente se alastrando depois para o reino do Sul, ou Judá.    

Tabela 03        Serviço de Animação Bíblica – Editora Paulinas

 

- Primeiras políticas religiosas de Jeú:

Jeú eliminou todos os parentes de Jorão, inclusive a família do rei do Sul, parente das dinastias do Norte (2Rs 9:16-10, 14).

Fez aliança com os recabistas. Os descendentes de Recab levavam uma vida nômade e se recusaram a morar em casas e praticar a agricultura. Era uma forma de protesto contras os males introduzidos em Israel com o sistema tributário durante a monarquia. Eram fiéis adoradores de YWHH. Daí o seu apoio a Jeú na luta contra Baal e contra a dinastia de Amri. Leia 2Rs 10:15-18! Em Jr 35 você pode ler mais relatos sobre os recabitas. O estilo de vida do profeta Elias tinha muita proximidade com o dos recabitas.

Além disso, Jeú eliminou o culto de Baal na capital de Israel, dessacralizando o templo  construído por Amri. Confira 2Rs 10:18-27! Contudo, devido à sua identificação com a chuva, tão necessária para a agricultura, Baal era um deus cultuado por muitos camponeses. Seu culto clandestino entre o campesinato certamente continuava existindo.

Imagem de folha de Baal

Imagem do deus cananeu Baal coberta por folhas de ouro e prata

 

Jeú devolveu  novamente a importância aos santuários de YHWH. Veja 2Rs 10:29! O texto critica Jeú. Mas o enfoque dessa crítica vem do Sul, cujo interesse era de que os nortistas voltassem a frequentar o templo de Jerusalém.

 

- Baalização da religião de YHWH

Num primeiro momento, Jeú fez da religião de YHWH a legitimação de sua conspiração contra os amridas. Com as medidas acima, parece que houve um triunfo total de YHWH sobre Baal.  Mas não demorou muito tempo e Jeú fez o mesmo que Davi e Salomão haviam feito com a religião de YHWH. Transformou a força libertadora do Deus do êxodo em sustentação de seu estado. Na verdade, a dinastia de Jeú promoveu a baalização de YHWH, como haviam feito os monarcas de Jerusalém. Leia Am 7: 10-13!

Embora Jeú tenha proclamado o culto a YHWH como religião oficial do estado, o culto a outras divindades continuou sendo celebrado pelo povo, como você pode conferir em 2Rs 13:6.

Eliseu e seu grupo passaram a exercer uma função importante na corte, tornando-se conselheiros do rei (2Rs13:14-9). A profecia de Eliseu se institucionalizou, perdendo sua força de contestação. Foi cooptada pela nova dinastia.

Talvez, seja essa a explicação para o fato de não haver, na dinastia de Jeú, um movimento profético vigoroso de resistência, tal como também não houve nos primeiros anos do Reino de Judá. A fé em YHWH, como o promotor da liberdade e da vida, fora apagada (Os 4:6).

Somente no final do reinado de Jeroboão II, quarto rei jeuída, é que Amós, um profeta do Sul, chegou ao santuário de Betel, vestiu o manto de Elias e acordou a memória libertadora adormecida.

 

-  Dificuldades da dinastia de Jeú na política externa:

Jorão, muito doente, morreu depois de curto reinado. Seu filho, Ocozias, também descendente de Amri, sofreu as consequências da revolta de Jeú no Norte, e foi assassinado.

Atalia, filha de Amri e mulher de Jorão, assumiu o poder no sul. Por cinco anos Judá deixou de ter no trono  alguém  da dinastia de Davi. Atalia massacrou todos os descendentes de Davi que poderiam fazer-lhe frente, menos um: o menino Joás,  salvo pela tia, que o escondeu no templo. Atalia era considerada intrusa, e não tinha apoio popular.

Jeú perdeu a Transjordânia para Hazael, rei de Damasco (2Rs 8:12; 10:32-33; Am 1:3-5).Também teve que pagar tributos a Salmanasar III, rei da Assíria, conforme consta em documentos assírios. Talvez tenha pedido socorro aos a assírios contra Hazael.

Seu Filho Joacaz, nos 16 anos de seu reinado, continuou sob as ameaças de Hazael e de Ben-Adad, rei de Damasco (2Rs 13:3). Com o enfraquecimento de Israel, houve ataques dos amonitas e moabitas.

Quando Joás completou sete anos, o sacerdote Joiada o coroou rei, Atalia foi executada (2 Rs 11).

No inicio de  seu reinado, Joás conseguiu eliminar o culto de Baal e repara o templo (2 Rs 12; 2Cr 23, 24).  Teve mais êxito que os antecessores.

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2 Crônicas 23:16

16 – Joaida fez aliança entre si mesmo, o povo e o rei, para serem eles o povo do Senhor.

2 Crônicas 24:4,7 (até Deus), 8, 10-13

4 – Depois disto, resolveu Joás restaurar a Casa do Deus.

7 – Porque a perversa Atalia e seus filhos arruinaram a Casa de Deus;

8 – Deu o rei ordem e fizeram um cofre e o puseram do lado de fora, à porta da Casa do Deus.

10 – Então, todos os príncipes e todo o povo se alegraram, e trouxeram o imposto, e o lançaram no cofre, até acabar a obra.

11 – Quando o cofre era levado por intermédio dos levitas a uma comissão real, vendo-se que havia muito dinheiro, vinham o escrivão do rei e o comissário do sumo sacerdote, esvaziavam-no, tomavam-no e o levavam de novo ao seu lugar; assim faziam dia após dia e ajuntaram dinheiro em abundância,

12 – o qual o rei e Joiada davam aos que dirigiam a obra e tinham a seu cargo a Casa de Deus; contratavam pedreiros e carpinteiros, para restaurarem a Casa do Senhor, como também os que trabalhavam em ferro e em bronze, para repararem a Casa de Deus.

13 – Os que tinham o encargo da obra trabalhavam, e a reparação tinha bom êxito com eles; restauraram a Casa de Deus no próprio estado e a consolidaram.

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O rei assírio Adadnirari III venceu Damasco em 803 a.C.. Com isso, Joás recuperou o território perdido para Hazael (2Rs 13:22-25). Contudo, teve que pagar tributo a   Adadnirari III. Seu exército foi atacado por Amasias, rei de Judá. Mas Joás foi vitorioso, impondo-lhe pesadas derrotas (2Rs 13:12; 14:8-14).  No entanto, seus fracassos militares e indecisão o levaram a ser odiado e assassinado.

 

Cronologia dos reis de Israel (Reino do Norte) e respectivas referências bíblicas

  Rei

Ano

Referência bíblica

Jereboão I

931 - 910

 1Rs 12:1-14,20

Nadab

910 - 909

 1Rs 15:25-31

Baasa

909 - 886

 1Rs 15:33-34; 16:1-7

Ela

886 - 885

 1Rs 16:8-14

Zambri

885 (7 dias)

 1Rs 16:15-22

Amri

885 - 874

 1Rs16:23-28

Acab

874 - 853

 1Rs 16:29-17, 1; 18: 1-22, 40

Ocozias

853 - 852

 1Rs 22:52-54; 2Rs 1:1-18

Jorão (irmão de Ocozias)

852 - 841

 2Rs 3:1-27

Jeú

841 - 814

  2Rs 9:1-10, 36

Joacaz

814 - 798

 2Rs 13:1-9

Joás 

798 - 783

2Rs 13:10-25

Jeroboão II

783 - 743

2Rs 14:23-29

Zacarias

743 (6 semanas)

2Rs 15:8-12

Selum

743 (1mês)

2Rs 15:13-16

Manaém

743 - 738

2Rs 15:17-22

Facéias (= Pecaía)

738 - 737

2Rs 15:23-26

Facéias (= Peca)

737 - 732

2Rs 15:27-31

Oséias

732 - 724

2Rs 17:1-6

Queda de Samaria

722 - 721

2Rs 17:5-41

No Reino do Norte (Israel) houve muito mais alternância do poder e forte mobilização popular, liderada pela profecia,  do que no Reino do Sul (Judá).

 

Reis bons e reis maus

O critério dos escritores do livro de Crônicas para avaliar a atuação dos reis do Sul é a fidelidade deles a Javé. O seu compromisso com o templo e as atividades religiosas era uma das formas de avaliar a fidelidade de um rei a Javé. Os demais reis da dinastia deveriam agir como Davi e Salomão, reis que viveram segundo a vontade de Deus.

De modo geral, os reis de Judá serão avaliados de forma negativa, com exceção de dois reis, que serão exemplos de homens segundo o coração de Deus: Ezequias no século VIII e Josias no século VII a.C., justamente os reis que  procuraram empreender importantes transformações religiosas no culto de Judá.

O Estado de Judá era monarquista tributarista. No sistema tributarista, o Estado arrecada os impostos da população trabalhadora, que permanece organizada na forma de clã. Essa tributação terá implicações sociais em Judá, à medida que um Estado se forma e se tem a formação de um grupo social dominante e outro grupo social dominado.

Há, evidentemente, uma formação econômica em que o Estado se apropria de parte do trabalho produzido pela população. Isso gerará, por partes de muitos, uma compreensível antipatia ao Estado. Se a tributação do Estado já pesava sobre os tralhadores, imaginem também com a tributação assíria.  

Com seu trabalho, o camponês não vai somente sustentar o Estado de Judá, mas vai fazer parte, também, daqueles que financiam os empreendimentos assírios. 

 

 Crônicas: livros escritos em tempos de transição

Os  livros de Crônicas  foram gerados em tempos de transição. Foram escritos num período de declínio da literatura profética e da ascensão  da apocalíptica. O tom de confronto e denúncia dos livros proféticos vai dando lugar ao tom de conforto e esperança da literatura  apocalíptica. Deste modo, podemos compreender a ênfase do Cronista na dinastia de Davi.

O Davi do Cronista tem um pé na história e outro na imaginação sonhadora de um povo que não vê alternativas políticas para seu tempo. Está em construção a figura apocalíptica de um libertador para Israel de todas as opressões promovidas pelos impérios.

 

Fontes:  1. Como ler os  livros das Crônicas: quem conta um conto aumenta um ponto. Alfredo dos Santos Oliva, Editora Paulus, 2002.   2. Guia de Leitura aos Mapas da Bíblia. Euclides Martins Balancin, Ivo Storniolo e José Bortolini, Editora Paulus, 2002.   3. Em busca de vida, o povo muda a história. Paulo Sérgio Soares, Paulinas, 2002.   4. Uma introdução à Bíblia: Reino dividido. Ildo Bohn Gass, Editora Paulus, 2007, 4º Edição.  5. Geografia histórica do mundo bíblico: com um estudo especial da palestina. Netta Kemp de Money, Editora Vida, 1994.

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 PARA REFLETIR:

 IGREJAA estrutura da Verdade e do Amor; tudo o que assenta no Princípio divino e dele procede.

A Igreja é aquela instituição que dá provas de sua utilidade e que vem elevando a raça, despertando de suas crenças materiais a compreensão adormecida, para que perceba as ideias espirituais e demonstre a Ciência divina, expulsando assim os demônios, ou o erro, e curando os doentes. CS 583:14-20.

SANTUÁRIO. [TEMPLE.]  O corpo; a ideia da Vida, de substância e de inteligência; a superestrutura da Verdade; o santuário do Amor; CS 595: 6-8.

CS = Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras – Mary Baker Eddy

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