domingo, 9 de março de 2014

CONTROVÉRSIAS SOBRE A CRIAÇÃO UMA REFLEXÃO PROFUNDA

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Warren Bolon, da equipe do Sentinel, conversou com o Praticista e Professor de Christian Science (Ciência Cristã), Nathan Talbot e com o Dr. Doyle, um importante pesquisador que estuda os planetas extra-solares para o SETI Institute, em Mountain View, no estado da Califórnia, e também dá conferências públicas sobre a Christian Science.

Eles conversaram sobre as várias teorias da criação e, sobre seu modo de ver, como Cientistas Cristãos, esse debate cada vez mais acalorado, entre religiosos e cientistas.    

 

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 Laurance Doyle, reside em Mountain View, CA, USA. Obteve grau  MSc.  na Universidade Estadual de San Diego (1982),    Ph.D. na Universidade de Heidelberg (1986). Trabalha como Astronomo no SETI  Institute  e NASA  Ames Research Center. Serviu a Primeira Igreja de Cristo, Cientista, A Igreja Mãe,  em Boston, EUA, como palestrante. Em outubro de 2013, no Centro Cultural Skirball, em Los Angeles, California,  em sua palestra "Física e Metafísica", conversou sobre como   as limitações da matéria estão sendo quebradas e como a ciência moderna está questionando  pressupostos estabelecidos. 

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Controvérsias sobre a criação uma reflexão profunda

 

          Nathan Talbot, Warren Bolon e Laurance Doyle

 

 

Como se originou a vida? Quem ou o que deu início a todas as formas de vida? Um debate que esteve morno nos últimos 150 anos, recentemente voltou a se aquecer, em particular, sobre o que é ensinado como ciência nas escolas públicas americanas.

Do lado religioso da questão, o criacionismo promove uma interpretação literal dos dois relatos da Bíblia sobre a criação, conforme constam em Gênesis, capítulos 1 ao 6: que todas as coisas e criaturas foram criadas por Deus em sete dias do calendário, que Adão foi o primeiro homem e Eva a primeira mulher, e que a criação ocorreu, literalmente, em um "jardim do Éden".

Mais recentemente, os que apóiam a teoria do assim-chamado “design inteligente” (a existência de uma inteligência que projetou o design) aceitam, de forma geral, as teorias científicas, incluindo a do “Big Bang” (na qual o universo se originou de uma grande explosão) e a da evolução, mas argumentam que, embora os planetas, os animais e os seres humanos possam ter se desenvolvido ao longo de milhões de anos, a complexidade das formas de vida e os notáveis avanços da humanidade, apontam para uma obra intencional de um “designer inteligente” divino.

Na comunidade científica, o conceito de que a Terra e as formas de vida se desenvolvem, ao longo do tempo, surgiu, pela primeira vez, no campo da geologia, diz o astrofísico Laurance Doyle. O geólogo inglês Charles Lyell e outros cientistas desenvolveram teorias evolucionistas no início do século XIX.

O futuro pai da biologia evolucionista, Charles Darwin, foi fortemente influenciado pela leitura da obra de Lyell, “Os Princípios da Geologia” (The Principles of Geology). Inicialmente, Darwin tinha em vista o sacerdócio, mas seus interesses com relação ao problema da teodicéia talvez possam ter contribuído para o seu posterior agnosticismo. Teodicéia é a defesa da bondade e da supremacia de Deus em face da existência do mal.

Warren Bolon, da equipe do Sentinel, conversou com o Praticista e Professor de Christian Science, Nathan Talbot e com o Dr. Doyle, um importante pesquisador que estuda os planetas extra-solares para o SETI Institute, em Mountain View, no estado da Califórnia, e também dá conferências públicas sobre a Christian Science.

Eles conversaram sobre as várias teorias da criação e, sobre seu modo de ver, como Cientistas Cristãos, esse debate cada vez mais acalorado, entre religiosos e cientistas.

 

Nathan Talbot: O que vemos com relação a essas teorias, ou seja, o criacionismo, o evolucionismo e o design inteligente, são sinais de gigantescas forças do pensamento entrando em conflito sobre a realidade. Qual é a natureza, a substância e a origem da realidade? Essas são questões de suma importância. Poderíamos presumir que é apenas um debate muito significativo sobre o que ensinar nas escolas, mas, por trás dele, existem essas questões importantes sobre a origem da existência.

 

Os cientistas saem perdendo por deixarem o sagrado de fora, quando o separam da ciência. A Christian Science resolve o debate. A criação é sagrada e científica.

 

Warren Bolon: Alguns críticos da teoria do design inteligente argumentam que não há nenhuma prova que a sustente e nenhuma maneira com a qual se possa testar sua validade.

Laurence Doyle: De certa forma, a defesa de que não seja científica se encontra, freqüentemente, sobre um terreno muito frágil. Se olharmos para áreas como a da teoria da informação, por exemplo, retirar complexidade do acaso fica muito difícil, se não impossível. O mesmo é válido para o desenvolvimento das moléculas biogênicas.

 Nathan Talbot: As preocupações dos cientistas sobre o design inteligente são, na maioria das vezes, mais contra o criacionismo propriamente dito, do que sobre o design inteligente, que se sustenta por seus próprios méritos.

 Warren Bolon: Eles acham que o design inteligente é um “cavalo de Tróia” para criacionismo?

 Laurence Doyle: Sim, os cientistas realmente o relacionam com o criacionismo, e, muitas vezes, assumem a posição de que os estudiosos das ciências naturais já compreendem completamente o que a vida é, o que não é o caso.

 Nathan Talbot: Não existe aquela clássica ilustração? Se, caminhando por um campo arado, olhássemos para a terra revolvida e encontrássemos um relógio de pulso, talvez, ao examiná-lo, pensássemos que o design inteligente tivesse participado de sua fabricação, devido à natureza complexa do objeto.

Ou, poderíamos dizer: “Não, foi simplesmente pela seleção natural que esse relógio acabou se desenvolvendo nessa terra”. Mas, a maioria de nós diria: “Existe alguma inteligência que contribuiu para o desenvolvimento desse relógio”. Por dedução, as pessoas olham para o universo e dizem: “Espere um pouco. Deve haver algum tipo de inteligência que juntou tudo isso”. 

Laurence Doyle: O ribossoma, a molécula que forma o DNA, por exemplo, é de complexidade mínima, mas necessária para que os sistemas biológicos se multipliquem e podemos calcular o que seria necessário para o surgimento dessa molécula por processo aleatório, uma vez que podemos fabricá-la no laboratório. Se tivéssemos todos os elétrons no universo para reações químicas aleatórias, ainda assim levaria um trilhão de vezes a idade do universo para fabricar uma dessas moléculas por processos totalmente aleatórios.

Há cálculos como esse que podem mostrar que a palavra aleatório não se aplica. Portanto, é importante dizer aos cientistas: “Está bem, vejam, nós não sabemos ainda o que é a vida. Vamos parar de fingir que sabemos e parar de usar aquilo que é aleatório como argumento para a nossa ignorância”.

Nathan Talbot: Existem, certamente, muitas pessoas no mundo científico que são religiosas. O design inteligente é atraente sob alguns aspectos, porque ele proporciona uma oportunidade para as pessoas religiosas de recolocarem Deus no centro de Sua criação, enquanto o evolucionismo, ou seleção natural, tira Deus facilmente dessa criação. Portanto, até certo ponto, acredito que o conceito do design inteligente ganha adeptos porque considera Deus na criação.

Laurence Doyle: Se pedirmos às pessoas para escolher entre o sagrado e o científico, a maioria vai optar pelo sagrado, porque é o mais importante. Acho que os cientistas saem perdendo por deixarem o sagrado de fora, quando o separam da ciência. É aqui que entra a Christian Science e resolve o debate. A criação é sagrada e científica. Existe muita coisa na ciência que é sagrado, ou seja, a idéia de ordem, as leis que estão por trás da criação, na matemática que se aplica para se compreender a natureza, etc.

Nathan Talbot: A Christian Science é a resposta final para se descobrir que a ciência e a religião estão em acordo e não em guerra.

Laurence Doyle: É importante estar alerta e não permitir que o fundamentalismo defina duas opções limitadas sobre a criação. De um lado, há o fundamentalismo exacerbado da religião, que pode perder a questão, aceitando ensinamentos metafóricos de forma literal. Contudo, existe também um fundamentalismo literal na comunidade científica, que é chamado de “materialismo”. O materialismo é uma ciência fundamentalista. Ela interpreta a forma como causa, ao dizer, por exemplo, que o tempo está dentro do relógio, que o relógio é que guarda o tempo, portanto investigamos o tempo ao dissecar o relógio. Por essa razão, pode-se também perder a questão, ou seja, o princípio subjacente, com esse tipo de abordagem “literalista”.

 Nathan Talbot: Suponho que o criacionismo e o design inteligente têm uma similaridade fundamental, porque ambos têm pesquisado de que forma Deus projetou a matéria. Portanto, eles estarão eternamente combatendo a teoria da evolução, ou seja, que a matéria projetou a matéria. Todos os três grupos: os criacionistas, os evolucionistas e os proponentes do designer inteligente, podem continuar se preocupando interminavelmente sobre a questão de como a matéria foi criada ou tenha se desenvolvido. Parece-me que é aqui que entra em cena a Christian Science e diz: “Espere um pouco, essa é a pergunta errada”.

 Laurence Doyle: Sim. A matemática não está no giz. Podemos ver a matemática expressa, de certo modo, olhando para o que está corretamente escrito a giz no quadro-negro, mas a matemática nunca está no giz. Além disso, o argumento sobre se a matemática entrou no giz há muito tempo por acidente, ou muito mais tarde por meio de um projeto, começa com a premissa incorreta sobre o que a matemática realmente é; ela não é giz. Portanto, precisamos recuar e dizer: “Está bem, é mais importante perguntar: Qual é a realidade neste momento”?

Isso nos ajuda a determinar as perguntas certas a serem feitas sobre o ser. Em seu livro Não e Sim, Mary Baker Eddy escreveu: “O homem é mais do que uma personalidade física, ou aquilo que percebemos através dos sentidos materiais. ... O homem sobrevive às definições finitas e mortais de si mesmo, segundo a lei da 'sobrevivência do mais apto'. O homem é a idéia eterna do seu Princípio divino, ou Pai” (p. 25). Portanto, a Christian Science realmente tem uma lei da sobrevivência do mais apto. O “mais apto” é a realidade espiritual do homem, ou seja, a vida que não é mortal, que não está na matéria; por essa razão, esse homem real espiritual sobrevive porque essa é a verdadeira criação.

 

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Podemos ver a matemática expressa, de certo modo, olhando para o que está corretamente escrito a giz no quadro-negro, mas a matemática nunca está no giz.

 Warren Bolon: Algumas pessoas talvez pensem que, devido ao fato de a Christian Science estar centrada em Deus, os Cientistas Cristãos estariam entre aqueles cristãos que rejeitam totalmente a teoria da evolução de Darwin. No entanto, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras diz: “... a teoria de Darwin, de que a evolução provém de uma base material, é mais coerente do que a maioria das outras” (p. 547). Mas, a Sra. Eddy continua a avançar a partir daí.

Laurence Doyle: Sim, ela continua explicando que a teoria básica de Darwin é a de que a matéria se desenvolve por si mesma e que é nesse ponto que ele erra. A evolução é uma teoria autoconsistente somente se estivermos examinando a evidência do sentido material, e é aí que ela erra. Essa teoria não lida com uma causa espiritual primária ou com o Princípio divino.

Nathan Talbot: Aqui é onde o sentido espiritual é necessário. Quando a Sra. Eddy levanta a questão: “Não foi isso uma revelação em vez de uma criação”? (Ibidem, p. 504), ela abre a porta para o reconhecimento do que realmente aconteceu: “Haja luz”. Toda essa idéia de revelação é um conceito extraordinariamente diferente da realidade. Na verdade, ela está traçando uma linha de demarcação entre o primeiro e o segundo capítulos do Gênesis. Criacionismo, evolução e design inteligente essencialmente lidam com o segundo capítulo do Gênesis para elaborar seus conceitos, ao passo que a Sra. Eddy conduz o pensamento para o primeiro capítulo, e diz: “Aqui está. É uma revelação da existência espiritual em vez de uma criação da matéria”.

Laurence Doyle: Seria difícil encontrar um contraste melhor. Em Gênesis 1, as plantas do campo foram criadas, e tudo era bom. Então, no capítulo 2 uma planta, ou seja, uma árvore no meio do jardim, é tanto boa como má. Primeiro, todos os animais são criados “muito bons”; depois, aparece uma serpente que tenta, e assim por diante.

Nathan Talbot: Adão deu novos nomes a essas coisas e criaturas e as reidentificou como materiais, mas a Sra. Eddy as traz de volta à sua natureza original e verdadeira como espirituais, que é o que elas sempre foram e sempre serão.

Laurence Doyle: Além disso, a criação é contínua, como também tem de ser a realidade espiritual. A criação é agora; ela não foi concluída por um criador e depois deixada para que fosse governada pelas leis da matéria. John Wheeler, que foi colega de Einstein e Professor Emérito de física na Universidade Princeton, chamou a maneira de ver as coisas da emergente física quântica de "o universo participativo". Isso quer dizer que, de acordo com as últimas descobertas da física, parece haver uma natureza contínua à criação, que a criação é um acontecimento atual. Não é algo que ocorreu há muito tempo. Além disso, pelo menos de acordo com a física quântica, a criação se desdobra, de forma fluente e constante, como resultado de um princípio que participa de todos os acontecimentos do universo. A criação ocorre na medida em que as coisas estão sendo observadas.

 

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A Sra. Eddy está nos convidando a admitir que a ciência também é espiritual em vez de material.

Nathan Talbot: Para mim, são muito interessantes as formas com que a consciência continua tentando encontrar um modo de colocar Deus dentro desse cenário. Isso pode tomar diferentes aspectos, palavras diferentes daquelas que nós, Cientistas Cristãos, usaríamos, mas continua acontecendo. Existe uma pequena frase que os adeptos do design inteligente usam em sua luta contra a evolução. Eles falam da evolução como "naturalismo ateísta". Contudo, eles estão no mesmo campo de batalha da evolução, e me parece que, quando a Sra. Eddy se refere ao "ateísmo da matéria" (Ciência e Saúde, p. 580), ela mais ou menos está dizendo a ambos: "Vocês estão travando a batalha errada".

 Laurence Doyle: A Sra. Eddy também escreveu: "A criação e a evolução, ou manifestação, têm de ser espirituais e mentais, pois se originam e estão no Espírito, a Mente, que é tudo o que realmente existe. Isso é Ciência e é passível de comprovação" (Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883-1896, p. 27). Portanto, ela usa "criação", "evolução" e "manifestação" como termos substitutos. É muito interessante que esses mesmos termos tenham se tornado o centro da controvérsia entre os campos da criação e da evolução.

Nathan Talbot: Essa é uma afirmação importante, porque não somente precisamos começar a admitir que a criação é espiritual em vez de material, mas a Sra. Eddy está nos convidando a admitir que a ciência também é espiritual em vez de material. Para alguns, isso talvez possa parecer como um salto impossível de se dar. As pessoas talvez possam começar a perceber a natureza mental das coisas, mas daí a admitir que a ciência seja verdadeiramente espiritual, isto é, que exista uma ciência divina que resolve todas as questões, é algo mais profundo.

 Laurence Doyle: Além do mais, a Sra. Eddy disse que é "passível de comprovação". As curas de Jesus comprovaram a verdade final sobre a criação, e somente tal prova pode resolver o debate.

 Nathan Talbot: Talvez seja por isso que podemos dizer que Jesus verdadeiramente foi "o homem mais científico que já palmilhou a terra" (Ciência e Saúde, p. 313), porque ele realmente provou a natureza espiritual das coisas. Ele nos convidou a fazer também o que ele provara: “Em verdade, em verdade vos digo, que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará...” (João 14: 12).

 

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Jesus penetrava por baixo da aparência superficial dos sentidos, e é isso o que os cientistas devem fazer.

Há alguns anos, tive o que parecia ser pneumonia galopante. A certa altura, quando estava bastante debilitado, ficou realmente muito claro para mim, que o Espírito, não a matéria, era minha verdadeira substância. Fiquei curado instantaneamente, os sintomas da doença desapareceram naquele momento. Cristo Jesus estava certo. Sua vida de espiritualidade mostrou o caminho a ser seguido, por mim e por qualquer pessoa, a fim de provarmos a harmonia da realidade espiritual.

 Laurence Doyle: Ele penetrava por baixo da aparência superficial dos sentidos, e é isso o que os cientistas devem fazer. As pessoas começaram a descobrir a ciência quando começaram a sobrepor a evidência da inteligência sobre a dos sentidos. A partir daí, elas começaram a mudar sua atitude: “É, parece que a terra é plana, mas vou optar pela evidência da inteligência sobre a aparência física”, e assim começou a era científica. Além disso, uma vez que enveredamos por esse caminho, aprendemos que o sol não gira em torno da terra, e isso levou a uma completa revolução científica. A partir daí, podemos ver aonde isso vai nos levar, para o lugar onde a evidência da inteligência é tudo e a evidência dos sentidos é completamente descartada.

Nathan Talbot: Talvez o fato verdadeiramente maravilhoso a respeito dessa revelação, seja o de que ela faz com que todos nós nos tornemos cientistas, no sentido relativo ao Cristo, em nossa capacidade de provar a realidade universal de Deus e Sua bondade. Além disso, provar a incontestável bondade de Deus seria a resposta final à questão da teodicéia.

 

Warren Bolon: Em uma reportagem de jornal sobre as teorias do design inteligente e da evolução, um cientista do Instituto Smithsonian foi citado quando disse: “Uma das regras da ciência diz que nenhum milagre é permitido. Essa é uma premissa fundamental a respeito do que fazemos” (“Ao explicar a complexidade da vida, Darwinistas e céticos entram em choque” [The New York Times, 22/08/2005]). Ele está argumentando contra a noção de que Deus, às vezes, intervém em um mundo material.

Nathan Talbot: Poderíamos concordar: “Nenhum milagre é permitido”. Isso é perfeitamente compatível com a lei divina.

Laurence Doyle: A Sra. Eddy define milagre como: “Aquilo que é divinamente natural, mas tem que ser aprendido humanamente...” (Ciência e Saúde, p. 591). Não existe nada chamado milagre no universo científico, mas existe algo chamado ignorância humana sobre as leis verdadeiras do ser. Quando Jesus curava o doente, por exemplo, desafiava o conceito limitado das pessoas sobre o possível. O que ele fazia era miraculoso para o pensamento humano ignorante, mas era natural pelas leis espirituais do universo.

Certa ocasião, quando estava na floresta amazônica, me alimentava com a comida local e nadava no rio o dia todo. Uma noite, fiquei muito doente. Consegui chegar até um telefone, mas a Praticista da Christian Science, a quem chamara pedindo que orasse por mim, não conseguia me ouvir claramente devido à má conexão. Ela apenas disse: “Está bem, meu caro! Trabalharei agora mesmo!” Bem, antes que voltasse para a cama, percebi que não tinha mais vontade de me deitar.

Tive uma sensação de segurança e de paz profunda, tal como quando a luz do sol dissipa a neblina da estrada no amanhecer, só que, mais rápido. Estava completamente curado. Portanto, esse era um “milagre” bem tangível. Como poderia uma praticista em San Diego, no estado da Califórnia, curar uma pessoa em Manaus, no Brasil, a milhares de quilômetros de distância, instantaneamente? A única explicação é que foi a Mente divina sempre presente que fez a cura, de acordo com a lei espiritual, revelando o que sempre foi verdadeiro, isto é, a realidade natural da saúde como meu verdadeiro ser.

 

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O sentido espiritual nos erguerá acima dos erros do sentido material e verá a realidade espiritual, não ao lado de uma realidade material, mas aqui mesmo, substituindo a realidade material.

 Nathan Talbot: Se confiássemos nos sentidos físicos, então um conceito Darwiniano de realidade poderia facilmente prevalecer porque, apoiado pelo pensamento secular no mundo, parece que foi isso o que aconteceu. É somente pelo sentido espiritual que descobriremos nosso caminho para fora dessa guerra entre a seleção natural e a crença de que Deus tenha criado a matéria. O sentido espiritual nos erguerá acima dos erros do sentido material e verá a realidade espiritual, não ao lado de uma realidade material, mas aqui mesmo, substituindo a realidade material.

 Laurence Doyle: É como se argumentássemos sobre números romanos contra números arábicos, perguntando: “Qual é o número verdadeiro?”. Os números não são criados por seus símbolos limitados, pois eles são mentais. A matemática sempre foi mental, pois é uma idéia. Além disso, a criação é a evolução de idéias inteligentes, como uma expressão contínua do Princípio ou Fonte do universo.

Nathan Talbot: Embora o design inteligente realmente se esforce em colocar Deus de novo no cenário, seu aspecto negativo é que essa teoria talvez faça com que a religião evite ter de enfrentar a questão sobre se a realidade é material ou espiritual. Além do mais, se adotarmos a perspectiva de que ela seja material, voltamos à questão da teodicéia: “Deus é realmente responsável por todo o mal?”

Se formos forçados a descobrir que a realidade é espiritual, então encontraremos uma resposta para a teodicéia. Por outro lado, se adotarmos o design inteligente como nosso senso de realidade, de fato colocaremos Deus de volta no cenário, mas ainda ficamos com enormes problemas em definir o quão amoroso Deus é em realidade.

 Laurence Doyle: A evolução talvez possa vencer a batalha no que concerne à educação, ou seja, como interpretar os fósseis, a geologia e as medidas de tempo da paleontologia. Mas, ao excluir a inteligência espiritual, os evolucionistas se colocaram em um beco sem saída. Além disso, a física, que hoje em dia lidera os debates sobre a natureza da realidade, no momento está sendo posta de lado pelos cientistas não-físicos, que, em grande parte, parecem estar simulando que a matéria seja uma realidade objetiva. Acho que um debate interessante dentro da comunidade científica ocorrerá em breve.

 Nathan Talbot: Você acha que, considerando-se a evolução, o pensamento se desenvolverá até chegar ao ponto de aceitar o primeiro capítulo do Gênesis, ou seja, a realidade espiritual? Ou terá de ocorrer um despertar no pensamento, ao invés de um raciocínio passo-a-passo para entender o primeiro capítulo do Gênesis?

 Laurence Doyle: A razão funciona muito bem se estiver fundamentada na premissa correta. Mas, se começamos com a premissa incorreta, podemos usar a lógica e, ainda assim, chegar a uma conclusão completamente incorreta. Portanto, acho que tem de haver uma revelação inicial ou inspiração, sobre o que realmente é a base da realidade.

 Nathan Talbot: Esta é a solução, ou seja, encontrar a premissa correta. Uma vez que adotarmos o segundo capítulo do Gênesis como premissa, provavelmente vamos ter uma longa batalha sobre inúmeras teorias limitadas. Uma mudança de pensamento, ou o poder do Cristo despertando o pensamento para começar a admitir o significado, as possibilidades e mesmo a realidade do Espírito, como sendo a substância da existência. Essa será a grande bênção.

 Laurence Doyle: A revelação, a razão e a demonstração são todas necessárias, como nos indicou a Sra. Eddy: a revelação para a premissa; a razão para a estrutura e a demonstração para comprovar cientificamente que a razão e a revelação foram completamente compreendidas.

 

 Warren Bolon: Como você disse, a atual controvérsia não é apenas sobre conflitos entre teorias que competem entre si, mas também entre o que as crianças estão aprendendo nas escolas.

Nathan Talbot: Um ponto conflitante é o que envolve aquilo que desejamos que nossos filhos acreditem. Queremos que eles acreditem, como alguns diriam, em um fato científico? Ou queremos introduzir pontos de vista religiosos, alguns dos quais podem estar sendo contestados? Essa é uma questão profundamente importante. Podemos ver a validade desse questionamento em ambos os lados, porque muitas pessoas sinceras não querem ver seus filhos totalmente separados de Deus na escola. Contudo, eles querem que os filhos compreendam a lógica da ciência. 

 Laurence Doyle: ovamente, o fundamentalismo dos dois lados da controvérsia freqüentemente insinua que tudo já está compreendido sobre a criação e a vida, e sobre sua origem. É importante introduzir um pouco de humildade no sistema educacional e dizer: “Está bem, realmente ainda não compreendemos completamente a vida. Vamos retroceder alguns passos e ter um pouco de humildade”.

Percebo, dentro da comunidade científica, uma violenta oposição a respeito do ponto de vista dos criacionistas e dos adeptos do design inteligente, mas sinto que os cientistas estão sendo atraídos a um debate que poderiam evitar. Talvez fosse melhor tomar esta atitude: “Vamos tomar uma posição científica, ou seja, a de que a origem das coisas está se desdobrando e que, finalmente, pelo método científico, compreenderemos o que a vida é”.

É uma questão de seguir o método científico que, por fim revelará a natureza da realidade corretamente, se fielmente aplicado, porque ele testa todas as teorias cientificamente; ou saja, com inteligência. Acho que esse processo, por si só, é sagrado. Portanto, em última análise, os temores do campo religioso, ou seja, de que Deus ficará de fora da criação, serão vistos como sem fundamento e, com certeza, descobriremos que Deus é muito mais do que percebemos atualmente.

 

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Necessitamos de humildade para recuar, ouvir e ser receptivo. Isso será necessário para começarmos a descobrir que a matéria não é a questão, mas, sim, que o Espírito é a realidade.

Nathan Talbot: Laurence, acho que um dos elementos básicos daquilo que você descreveu é a palavra humildade, porque sem ela, o pensamento ficará cada vez mais limitado. Quer sob a perspectiva da ciência ou da religião, necessitamos de humildade para recuar, ouvir e ser receptivo. Isso será necessário para começarmos a descobrir que a matéria não é a questão, mas, sim, que o Espírito é a realidade.

Jesus não via isso como uma teoria. Sua compreensão da realidade espiritual tornava possível que uma pessoa se levantasse da cama e caminhasse, ou que a mão ressequida de um homem ficasse sã, ou que uma febre desaparecesse ou que um pecador se libertasse. Esses são os resultados práticos de uma humildade que nos capacita a compreender a realidade do Espírito, ao invés de presumir a realidade da matéria.

 

Warren Bolon: Portanto, os pontos que vocês discutiram, ou seja, a criação como contínua revelação e não um evento físico, e a naturalidade das curas de Jesus, têm muito em comum: a constância. Ambas rejeitam a idéia de que Deus intervém em um mundo material. Ao contrário, Ele ordenou todas as coisas espiritualmente e o “milagre” é discernir essa ordem em nossa própria vida.

Nathan Talbot: O que é espiritualmente promissor sobre esse conceito de realidade é que ele é científico, tem credibilidade, é confiável; podemos estar certos de que ele cura. Sim, é tremendamente encorajador. A atual controvérsia não é apenas sobre o que deve ser ensinado nas escolas. Na escola da experiência humana, todos nós precisamos abrir o pensamento para o significado desse debate. Além disso, cada vez mais vidas espiritualmente fundamentadas, despertarão para a realidade de Deus. O debate é de importância vital.

Laurence Doyle: Também, não nos contentaremos com nenhuma conclusão até que a natureza dessas descobertas espirituais seja revelada. Queremos que o pensamento continue a ser estimulado, da melhor forma possível.

 

Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, edição de abril de 2006. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados.

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segunda-feira, 3 de março de 2014

A ASTRONOMIA DA CIÊNCIA CRISTÃ

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Dr. Laurance Doyle, é o verdadeiro homem  renascentista, gosta de descobertas. Sua paixão é mergulhar nos mistérios científicos,  que  vai, como  freqüentemente citado na série  Jornada nas Estrelas,  para "onde nenhum homem jamais esteve". 

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Crédito: Sean F. Hanser

 

Muito antes da descoberta do primeiro planeta fora do nosso sistema solar, o astrônomo Dr. Laurance Doyle, que entrou para o Instituto SETI em 1987, começou a teorizar a respeito  da  habitabilidade de planetas em torno de outras estrelas, tornando mais claro sobre as condições necessárias para que um planeta possa favorecer a presença de  vida. Baseando-se em sua experiência em processamento de sinal, ele agora procura padrões em dados astronômicos, enquanto busca  planetas extra-solares .

Laurance começou a usar estas mesmas ferramentas estatísticas para procurar padrões na comunicação animal. Baseando-se em conceitos centrais da teoria da informação, ele e seus colegas da Universidade da Califórnia, em Davis, mediram precisamente a complexidade das canções de baleias jubarte. Comparando-os com a comunicação de outras espécies - incluindo os seres humanos . No futuro, ele pretende expandir essa linha inovadora de pesquisa, movendo-se para o próximo nível de compreensão da comunicação animal, e aplicá-lo  no SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence ). [Interview with Dr. Laurance Doyle – A Man of Many Firsts - www.seti.org/node/463]

Laurance Doyle, reside em Mountain View, CA, USA. Obteve grau  MSc.  na Universidade Estadual de San Diego (1982),    Ph.D. na Universidade de Heidelberg (1986). Trabalha como Astronomo no SETI  Institute  e NASA  Ames Research Center. Serviu a Primeira Igreja de Cristo, Cientista, A Igreja Mãe,  em Boston, EUA, como palestrante. Em outubro de 2013, no Centro Cultural Skirball, em Los Angeles, California,  em sua palestra "Física e Metafísica", conversou sobre como   as limitações da matéria estão sendo quebradas e como a ciência moderna está questionando  pressupostos estabelecidos.       

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A astronomia da Ciência Cristã

 

Laurance Doyle

 

Mary Baker Eddy escreveu: “Os sóis e os planetas ensinam lições sublimes” (Ciência e Saúde, p. 240). Interessei-me por astronomia quando ainda era muito jovem. Mas, também frequentava a Escola Dominical da Ciência Cristã. No encerramento de cada aula na Escola Dominical, o Superintendente lia “a exposição científica do ser”, que diz, em parte: “Não há vida, verdade, inteligência, nem substância na matéria. Tudo é Mente infinita e sua manifestação infinita, porque Deus é Tudo-em-tudo” (Ibidem, p. 468). Portanto, perguntava-me como poderiam os sóis e os planetas ensinar lições sublimes, se eles são materiais?

Minha resposta veio de algo que Cristo Jesus ensinou, como também do que a Sra. Eddy escreveu sobre ele. Ao ensinar sobre o suprimento de Deus, Jesus disse: “Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles” (Mateus 6:28, 29). Portanto, podemos realmente aprender algo dos lírios, se pensarmos espiritualmente acerca do que eles possam nos ensinar. Achei muito interessante.

Eddy também escreveu: “Jesus de Nazaré foi o homem mais científico que já palmilhou a terra. Ele penetrava por baixo da superfície material das coisas e encontrava a causa espiritual” (Ciência e Saúde, p. 313). Isso talvez fizesse parte daquilo que Jesus estava nos ensinando a fazer: ver as coisas espiritualmente.

Será que eu poderia considerar as estrelas espiritualmente? Existiriam dois universos, um material que devemos deixar para trás e um espiritual que, por fim, iremos habitar?  Ou, em vez disso, há somente um universo que temos de deixar de ver materialmente e, ao contrário, percebê-lo como criado pela Mente infinita e composto por sua manifestação infinita? Seria o universo essencialmente matéria morta, ou Deus, a Vida, realmente enche todo o espaço?

Se essa última proposição for verdadeira, então, todas as coisas expressam a Vida?  Nesse caso, sóis e planetas também a expressam, e não deveríamos olhar para eles como objetos materiais, mas sim como ideias espirituais, como criações de Deus. Não seria essa a verdadeira astronomia, lições da grandeza espiritual da criação?

Ao profetizar sobre a Ciência Cristã nas profissões, Eddy escreveu: “O astrônomo não olhará mais para as estrelas - delas olhará para o universo... (Ciência e Saúde, p. 125).  Observei que “o astrônomo” nessa passagem está no singular, enquanto que “estrelas” está no plural. Portanto, essa sentença não está se referindo a viagens espaciais, nem tampouco a olhar a partir de uma única estrela. Olhar das estrelas é claramente uma perspectiva que só a Mente infinita pode ter.

Mas, então, lemos em Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883–1896: “O homem é a imagem e semelhança de Deus; tudo o que é possível a Deus, é possível ao homem como reflexo de Deus(p. 183). Por conseguinte, não somente podemos ver o homem da criação de Deus como a Sua imagem e semelhança, o que leva à cura, mas também podemos ver o universo perfeito da criação divina, com resultados sanadores.

Saber que o universo está repleto das ideias de Deus, e não de matéria, inclui o elemento sagrado tão importante em todo o trabalho que fazemos. Meu trabalho profissional como astrônomo faz dos sóis e planetas (inclusive lírios) meus professores, quando me esforço por compreender o quão ilimitada a Mente infinita realmente é. Saber que a Mente é a fonte de tudo tem me habilitado a captar ideias inteiramente novas, à medida que aprendo a ouvir espiritualmente.

Saber que o universo está repleto das ideias de Deus, e não de matéria, inclui o elemento sagrado tão importante em todo o trabalho que fazemos.

Apenas como um exemplo referente ao meu trabalho, consegui descobrir (e desenvolver com meus colegas) três dos dez maiores métodos de detecção de planetas extrasolares, o quais estão atualmente sendo usados no mundo inteiro com o objetivo de encontrar planetas em torno de outras estrelas. Embora tenhamos de mostrar matematicamente, em trabalhos científicos e técnicos, que esses métodos realmente funcionam, ideias plenas sempre vieram como inspiração, juntamente com a certeza antecipada de que funcionariam.

Portanto, não importa qual atividade estejamos desenvolvendo, ela precisa ser compreendida como uma ação espiritual, quer seja limpar o chão ou buscar novos planetas. Eddy descobriu a Ciência dos ensinamentos de Cristo Jesus, com base no fato fundamental de que “a perfeição é a base da realidade" (ver Ciência e Saúde, p. 353).  A consagração de uma grande cientista foi essencial para a descoberta dessa verdade. Podemos adquirir conhecimentos práticos para descobrir essa perfeição e demonstrá-la, em tudo o que fizermos.

 

Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, edição de agosto de 2012. Artigo publicado originalmente na edição de junho de 2011 de The Christian Science Journal. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados.

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PARA REFLETIR:

HOMEM. A idéia composta que expressa o Espírito infinito; a imagem e semelhança espiritual de Deus; a representação completa da Mente.  Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy, p. 591:6-9.

FILHOS. Os pensamentos e representantes espirituais da Vida, da Verdade e do Amor. Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy, p. 582: 29-30.

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sábado, 1 de março de 2014

A PRÁTICA DA CURA ESPIRITUAL NA CIÊNCIA CRISTÃ.

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De 5 a 8 de dezembro de 1995, realizou-se em Boston, nos Estados Unidos, um importante simpósio sobre o tema: " Espiritualidade e Cura na Medicina". Foi dirigido pelo Dr. Herbert Benson, sob o patrocínio da Faculdade de Medicina de Harvard e o Instituto Médico Mente/Corpo do Hospital Deaconess. (O evento foi financiado em parte pela Fundação John Templeton).

 

O ponto central do simpósio foi um profundo diálogo sobre a prática da cura espiritual realizada pelos seguidores de várias religiões importantes. O evento recebeu a cobertura de diversos órgãos da imprensa, inclusive a Rede de Televisão ABC, a revista Harper's e o The Christian Science Monitor, além de outros jornais. (Ver relato mais detalhado na edição do Monitor de 6 de dezembro de 1995, e no Christian Science Sentinel de 15 de janeiro de 1996.)

 

Harvard's seal sits atop a gate to the athletic fields at Harvard University in Cambridge, Massachusetts in this September 21, 2009 file photo. Harvard University is investigating allegations that approximately 125 undergraduate students cheated on a spring take-home final exam, school officials said on Thursday, disclosing what would be the largest cheating scandal in its recent history.  REUTERS/Brian Snyder/Files    (UNITED STATES - Tags: EDUCATION)

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A prática da cura espiritual na Ciência Cristã

 

colaboração de Virginia S. Harris e  Herbert Benson

 

 

Até poucos anos atrás, a maior parte das publicações sobre medicina e psicologia absolutamente não levava em consideração a religião e a espiritualidade como fatores importantes para a saúde. Alguns ensaios até argumentavam que a religião e a devoção a Deus podiam ser prejudiciais ao bem-estar mental, emocional e físico. Atualmente, entretanto, um número cada vez maior de respeitados profissionais da saúde e outros pensadores espirituais estão desafiando esse velho estigma e vêm pesquisando seriamente os efeitos curativos da oração, da espiritualidade e da religião.

De 5 a 8 de dezembro de 1995, realizou-se em Boston, nos Estados Unidos, um importante simpósio sobre o tema: " Espiritualidade e Cura na Medicina". Foi dirigido pelo Dr. Herbert Benson, sob o patrocínio da Faculdade de Medicina de Harvard e o Instituto Médico Mente/Corpo do Hospital Deaconess. (O evento foi financiado em parte pela Fundação John Templeton). O ponto central do simpósio foi um profundo diálogo sobre a prática da cura espiritual realizada pelos seguidores de várias religiões importantes.

O evento recebeu a cobertura de diversos órgãos da imprensa, inclusive a Rede de Televisão ABC, a revista Harper's e o The Christian Science Monitor, além de outros jornais. (Ver relato mais detalhado na edição do Monitor de 6 de dezembro de 1995, e no Christian Science Sentinelde 15 de janeiro de 1996.)

Em conseqüência do diálogo contínuo, de muitos anos, entre a Igreja da Ciência Cristã e o Dr. Benson, que vem pesquisando a cura em diversas religiões, foi aceito o convite para participar deste simpósio. Damos a seguir o texto da palestra proferida na ocasião, porVirginia S. Harris, C.S.B., presidente do Conselho de Diretores da Ciência Cristã. Também reproduzimos a introdução e as considerações finais do Dr. Benson.

 

TRECHOS DA INTRODUÇÃO DO DR. BENSON

Ao apresentar a Sra. Harris, o Dr. Benson contou que, com os anos, havia sido levado, por suas pesquisas sobre o valor terapêutico da meditação, em conjunto com o tratamento médico, a perguntar-se se a oração, como único recurso, poderia resultar em cura. "Vi que tínhamos um modelo a que poderíamos recorrer" disse ele, "ou seja, a Igreja da Ciência Cristã.. .. Isso aconteceu em fins da década de 70.. . .

"Paulatina e inexoravelmente, chegamos à conclusão de que há um terreno comum onde podemos trocar idéias, aprender uns com os outros. E foi necessária muita coragem, por parte da Igreja, para tomar essa posição, diante da animosidade que o assunto suscitou durante quase cem anos. E agora tenho a satisfação de dizer que estamos trabalhando juntos em prol de um entendimento de como o tratamento espiritual pode levar à cura."

 

PALESTRA DE VIRGINIA HARRIS

Boa tarde. É uma alegria e privilégio reunir-me com tantos sanadores e trocar idéias! Eu estava pensando, hoje de manhã, sobre como é forte o elo que nos une. Dei-me conta de que cada um de nós acorda todos os dias com o desejo de curar, consolar, aliviar o sofrimento, no maior número possível de casos e de circunstâncias.

Deus, Alá, Eloím, a Mente deífica. .. está sem dúvida abençoando este simpósio e todos os corações e mentes aqui reunidos. Todos viemos com a pergunta: Será que existe algum aspecto importante em nossa prática curativa, que talvez ainda nos falte conhecer? Será que existe um universo maior de saúde e sanidade, que precisamos compreender? E, em nossa busca de compreensão, poderemos apoiar-nos melhor mutuamente, para o bem da humanidade?

Creio que a humanidade chegou a um ponto, na pesquisa da relação entre mente e corpo, em que está ocorrendo uma transformação fundamental. As pessoas estão ansiando por um princípio curativo mais perfeito.

Não será acaso esta a aurora de uma mudança em nossa opinião sobre a relação mente/corpo, mudança essa tão significativa como a que ocorreu quando Copérnico lançou nova luz sobre nós e sobre o universo?

A cura espiritual é de importância vital para mim, pois lhe devo minha própria vida, literalmente. Espero poder compartilhar com vocês alguns vislumbres sobre o que estou aprendendo e vivendo no campo da espiritualidade e da cura, a partir de quatro pontos de vista distintos, a saber:

• como paciente, que desde a infância usufruiu dos benefícios da cura espiritual;

• como praticista e professora de Ciência Cristã, que pratica a cura e ensina os outros a curar;

• como membro do Conselho de Diretores da Ciência Cristã, com a perspectiva mundial de milhares de indivíduos que curam e são curados por meios espirituais;

• e como mãe, tendo criado três filhos saudáveis, utilizando apenas a forma de tratamento que hoje exporei. ____________________________

 

Gostaria de relatar o acontecimento que me tocou profundamente e solidificou minha confiança em Deus. Na verdade, foi o que me impeliu a abraçar a prática da cura como profissão.

Há dezenove anos fui vítima de um grave acidente automobilístico, numa via expressa de Detroit. Fui levada ao pronto-socorro de um hospital daquela cidade. Os médicos disseram a meu marido que não acreditavam que eu sobrevivesse. Queriam fazer uma cirurgia de emergência.

Nos breves intervalos em que estava consciente, eu ouvia os médicos e meu marido falando dos riscos da cirurgia. Eu não queria morrer. Naquele momento, dei-me conta de que meu marido e eu devíamos tomar uma decisão de suma importância quanto à forma de tratamento para mim: oração ou circurgia.

Pode parecer estranho, para a maioria de vocês, que uma pessoa que está sendo atendida num pronto-socorro nem sequer pense em algo que não seja a tecnologia e a técnica à sua disposição nesse lugar. Para mim, porém, havia uma decisão a ser tomada.

Eu queria viver. Tinha três filhos e queria vê-los crescer, terminar os estudos, formar uma família. Por isso escolhi o tratamento pela Ciência Cristã, pela oração. Vejam bem, eu havia, com êxito, me apoiado com confiança nas leis divinas da cura, durante toda a minha vida. Por isso, apoiar-me inteiramente em Deus, nesse momento, foi algo natural para mim. Não foi fé cega, mas sim a convicção que procede da experiência.

Meu marido telefonou a uma praticista da Ciência Cristã, pedindo tratamento, assinou os documentos que isentavam o hospital de toda responsabilidade, e eu fui levada para casa. Minha mãe e meu marido cuidaram de mim. Vizinhos e amigos ajudaram a cuidar das crianças.

Embora sentisse fortes dores durante os primeiros três dias, posso dizer com honestidade que foram dias de calma, repletos de oração por todos nós, preenchidos pela consciência do amor de Deus por mim. Eu sabia que eu era importante para Deus, não era insignificante nem estava longe dEle. Sentia-me em união com a bondade e o poder de Deus.

No segundo dia, porém, houve uma crise durante a qual pensei estar morrendo. O impulso mental para desistir da vida foi muito forte. Naquele momento, senti o amor e a presença de Deus de forma tangível, como que me segurando. Essa foi a força maior, a atração mais forte e, de fato, o único poder que havia. Compreendi que era a minha Vida!

O impulso de desistir, de morrer, diminuiu e depois cessou. Esse foi o ponto decisivo. Estava em terreno seguro e comecei a progredir rapidamente. Em duas semanas, eu estava curada, de pé, cuidando da família, levando as crianças para a escola.

Com essa cura, meu caminho estava traçado. Logo comecei a dedicar-me à prática pública da cura pela Ciência Cristã. ______________________________

 

A prática da cura pela Ciência Cristã começou cerca de 125 anos atrás, exatamente aqui, na região de Boston. Durante anos, Mary Baker Eddy procurou uma solução para sua saúde precária e enveredou por um caminho que não é estranho aos que hoje pesquisam a relação mente/corpo. Tentou a homeopatia, estudou a sugestão mental. Embora essas teorias a tivessem aproximado da medicina puramente mental, ela acabou deixando-as de lado, porque não incluíam a Deus.

Deus sempre fora parte essencial da vida da Sra. Eddy. A Bíblia era sua companheira constante, registro vital e lembrança clara da presença curativa e salvadora de Deus. Os relatos bíblicos de cura eram vivos e reais para ela: o menino epilético, a garota que estava à morte, a mulher que sofria de hemorragia havia doze anos, o oficial leproso e muitos, muitos outros.

No inverno de 1866, a vida da Sra. Eddy mudou completamente. Ela se machucou gravemente numa queda no gelo, na cidade de Lynn, Massachusetts. O médico que a atendeu achou que não havia esperança de recuperação. Ela pediu a Bíblia e leu relatos das curas efetuadas por Jesus. Seguiu-se um momento de profunda compreensão. Foi curada no mesmo instante.

Esse acontecimento mudou sua maneira de ver o mundo. Poderíamos dizer que foi para ela como passar da teoria de Ptolomeu para a de Copérnico. Acabou dando um direcionamento específico para suas pesquisas. Buscando uma explicação do Princípio da cura, ela aprofundou-se ainda mais no estudo da Bíblia. Testava o que aprendia, curando outras pessoas.

Um dia, por exemplo, recebeu um telegrama onde lhe pediam que fosse orar para uma mulher que estava morrendo de pneumonia. A paciente agonizava, respirando com muita dificuldade. A Sra. Eddy orou à sua cabeceira e a mulher foi curada. O médico que tratava do caso, o Dr. Davis, da cidade de Manchester, New Hampshire, que testemunhou o fato, instou com a Sra. Eddy que escrevesse um livro para explicar seu método de cura. 1

Seis anos mais tarde, em 1875, sua descoberta e sua explicação das regras da cura pela Ciência Cristã foram dadas a conhecer no livro ao qual deu o interessante título: Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras. Sua intenção era a de compartilhar liberalmente sua descoberta. Fundou mais tarde a Faculdade de Metafísica de Massachusetts, com alvará do estado para funcionar com finalidade médica. Também seguiu-se a organização de uma igreja com a missão de publicar a literatura da Ciência Cristã. Sua obra culminou com a fundação do jornal diário The Christian Science Monitor, tendo ela então oitenta e oito anos de idade.

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O último capítulo do livro Ciência e Saúde, com cem páginas, é uma compilação de relatos escritos por pessoas que foram curadas apenas pela leitura do livro. Desde 1880, curas do mesmo tipo vêm sendo registradas continuamente no The Christian Science Journal e, desde 1898, também no semanário Christian Science Sentinel. O número deste mês do Journal, por exemplo, relata curas da Austrália ao Brasil, desde ossos quebrados até cegueira e insônia.

Essas não são ocorrências fenomenais ou milagrosas. A Ciência Cristã as considera como ternos efeitos do Princípio da cura, que atua na vida de pessoas comuns, todos os dias, com naturalidade.

Há pouco tempo, um amigo me contou que acordou certa manhã com muita dor de cabeça e náusea. Nesse dia ele precisava dirigir um seminário sobre tributação societária. Mal e mal conseguiu levar avante as atividades da manhã.

Ao meio dia a dor era intensa e ele conseguiu encontrar um cantinho tranqüilo para orar. Usou umas poucas frases que lembrava, de Ciência e Saúde. Eram trechos daquilo que chamamos "a exposição científica do ser". Essa é uma declaração fundamental para a prática da Ciência Cristã. Começa assim: "Não há vida, verdade, inteligência, nem substância na matéria. Tudo é Mente infinita e sua manifestação infinita, porque Deus é Tudo-em-tudo." 2

Ele pensou cuidadosamente sobre cada palavra, enquanto as dizia, ansiando pelo poder curativo por trás das idéias. Se essa afirmação da totalidade de Deus era verdadeira, ele sabia que a dor e o mal-estar que o afligiam não tinham o poder de permanecer. A dor cessou. Ele sentiu-se bem e voltou a dirigir o seminário. Ao todo, a oração e a cura levaram uns trinta minutos.

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A cura que Mary Baker Eddy teve levou-a a descobrir uma maneira totalmente nova de ver qual é a relação existente entre Deus, a mente humana e o corpo.

Anteriormente, ela havia aceitado a idéia convencional de que a mente humana é produto do mundo físico. Descobriu, porém, que o mundo material é o produto da mente humana. Em vez de aceitar o pensamento como um fenômeno da matéria, ela se deu conta de que a matéria é um fenômeno do pensamento.

Antes de sua descoberta, o estado mental de um paciente que, por exemplo, estivesse sentindo dores, era apenas um dos fatores atuando no caso. Depois da descoberta, ela viu que o pensamento é o paciente.

Repetindo: Antes de sua descoberta, o estado mental de um paciente que, por exemplo, estivesse sentindo dores, era apenas um dos fatores atuando no caso. Depois da descoberta, ela viu que o pensamento é o paciente.

O pensamento é, portanto, o lugar onde a mudança deve ocorrer, para que haja cura. Essa mudança se fundamenta no fato de que só existe um Deus, que é a Mente divina, e desse mesmo fato procede a mudança. Mente é uma palavra que freqüentemente usamos como sinônimo de Deus. O livro de Daniel, nas Escrituras, inclui estas palavras, que indicam que Deus é a fonte da inteligência: "Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder." 3 O uso que fazemos da palavra Mente, dessa forma, não se refere à mente humana, mas à Mente divina, real.

 
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Vou exemplificar como esse método de tratamento curou um problema em que havia uma causa orgânica diagnosticada por médicos.

Quando aceitei o pedido de tratá-la, Linda tinha catorze anos. Ela sofria daquilo que os médicos haviam diagnosticado como malformação artério-venosa. Desde criança, ela sofrera de agudas dores de cabeça e faltava muito às aulas na escola. Recebera cuidados médicos excelentes, mas o prognóstico não dava muitas esperanças. A cada três meses era submetida a cuidadoso monitoramento de seu estado. Um médico disse que ela seria atormentada por essas dores por toda a vida e nunca poderia ter filhos.

Outro médico consultado pela família ofereceu a possibilidade de uma cirurgia experimental, com 50% de chances de sobrevivência. Seguir-se-ia uma segunda operação uma semana depois, sem garantia alguma de uma solução permanente para as dores.

A mãe de Linda trabalhava no prédio onde eu tinha meu escritório. Um dia ela reparou nas iniciais C.S. depois de meu nome e perguntou o que significavam. Expliquei que eu era praticista da Ciência Cristã e ela lembrou que ouvira falar da Ciência Cristã, na faculdade. Indagou se Linda poderia ser curada e eu lhe disse que teria prazer em falar com a menina.

Linda começou a vir semanalmente ao meu escritório, para conversar comigo. Ela tivera pouquíssima educação religiosa, por isso começamos pelo básico, ou seja, a Bíblia.

Juntas lemos na Bíblia os relatos que evidenciam a bondade e o poder de Deus, especialmente as curas e os atos de Jesus. Raciocinamos que, como Deus a amava, Ele era uma presença amorosa na vida dela. Também examinamos em profundidade quem ela era realmente, como filha de Deus, e o que significa, especificamente e na prática, ser a imagem e semelhança de Deus, como diz a Bíblia. Ela começou a compreender que podia confiar no poder que Deus tinha para curá-la.

Depois de algumas semanas, Linda já não estava tomando remédios para as dores. Ela e os pais decidiram não fazer as cirurgias e confiar exclusivamente no tratamento pela Ciência Cristã. Foi aí que eu comecei a tratá-la pela oração.

Como sanadora, meu papel é o de ajudar o paciente a aceitar no pensamento a presença da lei curativa da Mente divina e ceder a seu poder. O praticista ora humilde e persistentemente para compreender a capacidade infinita de Deus para sustentar Sua criação. Esse raciocínio espiritual alcança e modifica o pensamento do paciente, da doença para a saúde, restaurando dessa forma o corpo.

Esse tratamento metafísico, ou seja, a aplicação da espiritualidade à cura, faz com que o pensamento, ou seja, as crenças que estão governando o modo de pensar do paciente, cedam lugar a pensamentos mais santos, mais espirituais. É esse o efeito da oração guiada pela Mente divina. Realmente sente-se o Divino abarcando o humano, é uma conexão ativa, uma unificação com Deus.

Meu primeiro contato com Linda ocorreu em outubro. Pelo fim de novembro ela estava totalmente curada. Ela não tomou medicamentos, não se submeteu às operações e não teve mais dores de cabeça. Hoje, dezesseis anos depois, ela está casada e tem dois filhos.

Recentemente, perguntei-lhe se houve algum momento,durante o tratamento, em que ela se lembre de haver sentido uma mudança ocorrendo. Ela respondeu que foi quando compreendeu que estava a salvo, que não havia nada para temer. Disse que não teve nenhuma ansiedade no decorrer do tratamento. Estava confiante, e estas são exatamente suas palavras: "adquiri controle sobre meu corpo".

A propósito, quando ela voltou para o colégio, já curada, os amigos quiseram saber como, por que, o que fizera. Suas respostas e a cura em si impressionaram pelo menos dois amigos, que começaram a ler Ciência e Saúde. Um deles foi curado do vício das drogas pelo estudo e tratamento da Ciência Cristã.

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Todos nós aqui reunidos, que lidamos diretamente com pacientes, sabemos muito bem quais são os efeitos negativos que o medo tem sobre a saúde e a recuperação da pessoa. EmCiência e Saúde, a Sra. Eddy instrui os sanadores: "Começa sempre teu tratamento acalmando o medo dos pacientes." Nessa mesma linha de pensamento, ela explica: "A causa promotora e base de toda doença é o medo, a ignorância ou o pecado. A moléstia é sempre provocada por um falso conceito mentalmente cultivado, não destruído. A moléstia é uma imagem exteriorizada do pensamento.. .. Tudo o que se abriga na mente mortal como condição física, projeta-se no corpo."  4

Na prática da Ciência Cristã, o medo é vencido pelo aumento da espiritualidade, da compreensão do poder do amor de Deus. O poder e a presença de Deus, aceitos no pensamento, não deixam espaço, na consciência humana, para o medo, a dor, ou a doença. Na Bíblia, o Apóstolo João prometeu: "Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele.. .. No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento." 5

 

O que dizer de casos em que o problema é comportamental e a dor ou a angústia são claramente mentais? Como, por exemplo, o comportamento compulsivo ou autodestrutivo. Eu tratei um caso desses, não faz muito tempo, o caso de Paula.

Há dois anos, Paula se formou na faculdade. Tinha um metro e setenta e dois de altura e pesava pouco mais de quarenta e cinco quilos. Nada de estranhar, suponho, considerando que pretendia seguir a carreira de modelo em Nova Iorque.

Depois da formatura, viajou pela Europa por diversos meses e voltou para casa pesando ainda menos. Bebia uma quantidade excessiva de água. Os pais ficaram preocupados. Primeiro consultaram uma nutricionista, em busca de conselhos sobre alimentação. O consumo de água continuou a aumentar, e o de alimentos, a diminuir. Em pouco tempo, o peso da moça caiu para trinta e seis quilos.

Os pais decidiram interná-la numa clínica especializada em problemas de alimentação. Esperavam que a equipe clínica pudesse ajudar a filha em seus hábitos alimentares. Nos exames feitos na hora da internação, os médicos ficaram surpresos e contentes ao constatar que o cérebro da jovem não havia sido afetado. Mais ou menos a essa altura, Paula e seus pais pediram-me para orar por ela. A equipe clínica reconhecia a eficácia do tratamento pela Ciência Cristã e concordou em continuar com esse método, em vez de recorrer à medicação.

Os pais da moça a visitavam sempre que possível e o pessoal da clínica telefonava para eles quando as coisas não iam bem. O médico, que era muito receptivo à cura espiritual, avisava os pais sobre os aspectos que precisavam ser tratados pela oração.

Ali estava uma jovem que precisava desesperadamente de ajuda. Havia períodos em que tinha necessidade constante de apoio pela oração. Nesses períodos cruciais, ela me telefonava de hora em hora e eu orava constantemente por ela.

Ao tratar um estado mental desse tipo, acho essencial compreender que o paciente não é uma vítima fraca e vulnerável. Não existe poder oposto a Deus. A energia espiritual, ou seja, a atividade regeneradora de Deus, controla as ações humanas e pode corrigir um comportamento compulsivo.

Ao mesmo tempo, surge às vezes a necessidade de ajudar os pacientes a tomarem consciência de onde seu próprio pensamento os está levando. Lembro-me de um dia muito difícil, em que pedi a Paula para ver-se como quem está numa escada em espiral. Podia subir um degrau ou deixar-se puxar para baixo. As promessas inconsistentes, que tentam o pensamento a proceder compulsivamente, puxam o indivíduo para baixo. A convicção e a certeza do valor dado por Deus a cada pessoa espiritualizam o pensamento, capacitando-o a ceder ao poder de Deus, quebrando, dessa forma, o jugo do vício. Quando ela captou essa idéia simples, a mudança foi marcante. Ela dobrou a esquina, por assim dizer.

Seu peso aumentou para cinqüenta quilos e ela foi para casa. Certo dia, pouco tempo depois, ela acordou e disse: "Tenho de comer." Sentiu-se livre do desejo constante de beber água e logo recuperou o apetite normal. Ela pesa agora quase sessenta e seis quilos (mais semelhante à maioria das pessoas) e sabe que nunca mais será arrastada para um comportamento autodestrutivo.

O médico disse aos pais de Paula que o problema havia sido tão grave quanto uma toxicomania e que essa forma de desnutrição poderia ter sido fatal.

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Através dos tempos, mulheres e homens espiritualizados oraram e curaram a si mesmos e a outros, física, moral e emocionalmente. Existe um claro encadeamento de cura na religião e na Bíblia. O método de cura que praticamos na Ciência Cristã provém dessa herança, herança que inclui vidas modificadas e físicos curados. Em todos os casos que mencionei, a cura física foi de grande porte. Mas o efeito muito mais importante foi o de vidas transformadas, regeneradas e consolidadas na compaixão e na espiritualidade.

A revolução de Copérnico foi uma mudança fundamental de percepção. Os astrônomos nunca mais voltaram à visão anterior sobre o sistema solar. Da mesma forma, Mary Baker Eddy abriu uma nova fronteira, ao deixar a física em favor da metafísica, reconhecendo que a Divindade, Deus, a Mente divina, é o centro de Seu universo, e que o homem espiritual é Sua idéia mais elevada, o alvo de Seu cuidado. Ciência e Saúde explana completamente essa descoberta. (Nove milhões de exemplares vendidos, está traduzido em dezesseis idiomas e transcrito em Braille inglês.)

Muito embora uma descrição de meia hora do sistema de cura da Ciência Cristã seja forçosamente incompleta, eu gostaria de concluir, salientando os seguintes pontos principais:

• Primeiro, a Bíblia é um guia inspirado e confiável para a saúde física e mental.

• Segundo, a prática da cura pela Ciência Cristã se baseia num Deus único, amoroso e todo-poderoso, que está sempre presente.

• Terceiro, não somos vítimas fracas e vulneráveis; somos a imagem e semelhança de Deus, somos Seus amados filhos.

• Quarto, é no pensamento que deve ocorrer a mudança, para que haja cura. Essa mudança se fundamenta no fato de que há um único Deus, a Mente divina, e esse fato é o que propicia a mudança.

• E finalmente, a cura pela Ciência Cristã não é uma técnica sofisticada, não é milagrosa, não se baseia na fé cega nem na força de vontade. É antes um ato de graça e de confiança inocente naquilo que o Princípio divino, Deus, sabe a nosso respeito.

Em poucas palavras, esses cinco pontos resumem os elementos importantes da prática da cura pela Ciência Cristã.

Todos nós deixamos nosso trabalho diário para nos reunir durante estes três dias e examinar a espiritualidade e a cura. Em honra desses dias importantes e como encorajamento para os dias que virão, ofereço, à guisa de bênção, estas breves palavras de Ciência e Saúde: "Ao contemplar as tarefas infinitas da verdade, paramos — ficamos atentos a Deus. Depois investimos para a frente, até que o pensamento sem peias caminhe embevecido e se dêem asas à concepção ilimitada para que alcance a glória divina." 6

 

OBSERVAÇÕES DO DR. BENSON DEPOIS DA PALESTRA DA SRA. HARRIS

Após a palestra da Sra. Harris e um período de perguntas e respostas sobre a cura pela Ciência Cristã, o Dr. Benson disse: "Ao compreendermos melhor a relação entre espiritualidade, cura e medicina, acho que devemos nos perguntar: "Quais são os riscos e quais os benefícios da medicação atual? Quais são os efeitos colaterais? Quais são os efeitos de se usar. .. menos, ou nenhum remédio?". .. Acho que um dos resultados deste simpósio é levar-nos a examinar introspectivamente o risco de usarmos o tipo de cura de que falamos hoje, em comparação com os riscos e benefícios de se tomar os remédios que atualmente receitamos."

Ao concluir-se a sessão em que a Sra. Harris falou, muita gente logo se juntou à sua volta, representantes de muitas profissões e localizações geográficas. Nessa ocasião e em outros momentos, durante o simpósio, a Sra. Harris falou em particular com muitos dos quase mil participantes registrados no encontro. Esses pensadores pioneiros demonstraram grande interesse pela cura mediante a Ciência Cristã.

• Ficou evidente que a Ciência Cristã foi considerada um método confiável de cura. As pessoas perguntavam como poderiam entrar em contato com algum praticista da Ciência Cristã, buscando a cura para si ou familiares. Foi-lhes indicada a lista de praticistas, Salas de Leitura e igrejas filiais, publicada no The Christian Science Journal.

• Houve médicos que perguntaram sobre o tratamento pela Ciência Cristã e sua aplicabilidade à profissão deles. Um médico, por exemplo, que havia comprado um exemplar de Ciência e Saúde na área de vendas de livros, disse que ouvira falar da Ciência Cristã em sua família e queria saber o que precisava ler no livro, que o ajudasse a curar melhor. Esses médicos viram em Ciência e Saúde um livro de referência, para atender melhor seus pacientes.

• Houve participantes que pediram mais palestras sobre a Ciência Cristã para vários grupos do campo da saúde, grupos religiosos, faculdades e universidades.

Desse intercâmbio com médicos, enfermeiros, administradores hospitalares, psicoterapeutas, religiosos e outros que trabalham na área da saúde, surgiram diversos resultados, a saber:

• Interesse em encontrar mais pontos em comum onde a cura espiritual, especialmente como é praticada por estudantes da Ciência Cristã, possa ser útil aos que trabalham na medicina.

• Melhor compreensão sobre a Ciência Cristã e seu ministério de cura.

• O reconhecimento da importância da oração e da espiritualidade na cura, e de que esses fatores não devem ser escondidos, menosprezados nem forçados a se adaptarem a modelos materialistas.

Havia participantes de quarenta e sete estados dos Estados Unidos, bem como do Canadá, Japão, Malásia e diversos países da Europa e América Latina. Um espírito de pesquisa honesta e aberta se fez sentir em todas as apresentações e conversações informais. Nenhuma prática espiritual de cura e nenhuma idéia foi colocada em julgamento. Um comentário típico era: "Estamos buscando pontos em comum para o bem comum da humanidade."

Durante os três dias, estiveram à venda exemplares do The Christian Science Journal e do Christian Science Sentinel, bem como duas obras de Mary Baker Eddy, Ciência e Saúde e The People's Idea of God (A idéia que as pessoas fazem de Deus). Todos os dias, foram colocados à disposição dos participantes exemplares gratuitos do The Christian Science Monitor.

 

O Cientista Cristão genuíno ama protestantes e católicos, pastores e médicos, — ama a todos os que amam a Deus, o bem, e ama seus inimigos. Ver-se-á que, em vez de opor-se, tal pessoa serve os interesses tanto dos profissionais da medicina quanto da cristandade, e eles prosperam juntos, aprendendo que o poder da Mente é boa vontade para com os homens. Assim vem à tona o metal precioso do caráter, e o ferro da natureza humana enferruja e se desfaz; a honestidade e a justiça caracterizam aquele que busca e encontra a Ciência Cristā.  Mary Baker Eddy - The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 4

 

1 Ver The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 105.  2 Ciência e Saúde, p. 468.  3  Daniel 2:20.  4 Ciência e Saúde, p. 411. 5  1 João 4:16, 18.  6 Ciência e Saúde, p. 323.

 

Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, agosto de 1996, The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados.

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domingo, 23 de fevereiro de 2014

DA FÍSICA PARA A METAFÍSICA - UMA JORNADA PARA PIONEIROS ESPIRITUAIS

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 [...] bons alunos costumam fazer muitas perguntas. Eles fazem perguntas construtivas, profundas, que demonstram o quanto estão interessados no assunto. Mostram que eles pensam por si mesmos, que não têm medo de desafiar velhos conceitos, velhos sistemas de crenças, antigos mitos, e que estão prontos para penetrar em territórios novos, avançar para novas fronteiras.

É exatamente isso que o pioneiro espiritual faz, também. Faz perguntas que precisam ser feitas. Pensa por si mesmo. Desafia velhos mitos, velhos conceitos, e avança para novas fronteiras do pensamento. Nunca, mas nunca mesmo, fica com medo de perguntar: "Por quê?"

Talvez seja algo assim que o renomado físico Stephen Hawking pede, em seu livro Breve História do Tempo. "Até agora", ele diz, "a maioria dos cientistas esteve por demais ocupada com o desenvolvimento de novas teorias sobre o que é o universo, e ainda não se perguntou por quê."

Segundo Hawking, não é suficiente desenvolver uma teoria unificada acerca do universo, como os cientistas estão prestes a fazer. Ele acha que devemos perguntar e responder alguns porquês muito importantes. Tais como: "Por que existe o universo, afinal de contas?" Quem ou o que estabeleceu o universo? O universo foi um "criador"? Nesse caso, existe algo que talvez tenha criado o criador? 1

Essas são perguntas difíceis. São perguntas fundamentalmente espirituais, que os físicos não podem responder sozinhos. Na opinião de Hawking, são "os filósofos" que têm de responder a essas perguntas."  [Ilustração: físico Stephen Hawking]

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DA FÍSICA PARA A METAFÍSICA -

UMA JORNADA PARA PIONEIROS ESPIRITUAIS

 

Mary Metzner Trammell

 

Era o primeiro dia de escola para minha filha. Segurando com firmeza sua lancheira vermelha, novinha em folha, ela estava de pé, entre mim e o irmão mais velho. A professora mandou que ela colocasse sua lancheira em baixo da mesa,ao lado de outras vinte e tantas lancheiras. A menina deve ter achado que não era muito lógico pôr a lancheira ali. Ela olhou para a professora e perguntou: "Por quê?"

O irmão, de oito anos, sentiu-se envergonhado. "Clara, você tem muita coisa a aprender", disse ele, pegando a lancheira da mão dela e colocando-a debaixo da mesa. Depois, deu-lhe um conselho fraternal: "Uma das coisas mais importantes, na escola, é NUNCA, MAS NUNCA MESMO, fazer perguntas!"

Agora essa filha é professora. Ela aprendeu, como eu aprendi durante meus anos de ensino, que afinal não é nada mau fazer perguntas. Muito pelo contrário, os bons alunos costumam fazer muitas perguntas. Eles fazem perguntas construtivas, profundas, que demonstram o quanto estão interessados no assunto. Mostram que eles pensam por si mesmos, que não têm medo de desafiar velhos conceitos, velhos sistemas de crenças, antigos mitos, e que estão prontos para penetrar em territórios novos, avançar para novas fronteiras.

É exatamente isso que o pioneiro espiritual faz, também. Faz perguntas que precisam ser feitas. Pensa por si mesmo. Desafia velhos mitos, velhos conceitos, e avança para novas fronteiras do pensamento. Nunca, mas nunca mesmo, fica com medo de perguntar: "Por quê?"

Talvez seja algo assim que o renomado físico Stephen Hawking pede, em seu livro Breve História do Tempo. "Até agora", ele diz, "a maioria dos cientistas esteve por demais ocupada com o desenvolvimento de novas teorias sobre o que é o universo, e ainda não se perguntou por quê."

Segundo Hawking, não é suficiente desenvolver uma teoria unificada acerca do universo, como os cientistas estão prestes a fazer. Ele acha que devemos perguntar e responder alguns porquês muito importantes. Tais como: "Por que existe o universo, afinal de contas?" Quem ou o que estabeleceu o universo? O universo foi um "criador"? Nesse caso, existe algo que talvez tenha criado o criador? 1   

Essas são perguntas difíceis. São perguntas fundamentalmente espirituais, que os físicos não podem responder sozinhos. Na opinião de Hawking, são "os filósofos" que têm de responder a essas perguntas.

E quem são esses filósofos? São os pensadores. Eles amam a sabedoria e vivem por ela. Eles questionam os sistemas limitados ou equivocados de crenças. Eles buscam leis unificadoras para interpretar e integrar o conhecimento. São pioneiros que não têm medo de ir além dos fenômenos físicos e descobrir a realidade dentro de um contexto de ordem superior, no contexto dos conceitos. Em última análise, dentro de um contexto metafísico.

 

São pessoas como estas de que vou falar:

• O cientista Edward O. Wilson, que acredita que o conhecimento físico, por si só, é parcial. Ele quer descobrir "uma unidade fundamental" entre " todas as formas de conhecimento" — uma "filosofia da ciência" ou, quem sabe, "uma teologia científica". 2

• O físico e místico oriental Fritjof Capra, que, há dez anos já advertia que "o conhecimento racional ... que mede e quantifica, classifica e analisa" é basicamente limitado. O que se faz necessário, argumentava ele, é contrabalançar esse conhecimento com um impulso para "a sabedoria intuitiva", "a religião" e a "cooperação". 3

• Os ganhadores dos prémios anuais da Fundação John Templeton, inclusive aqueles que planejam cursos universitários sobre a relação entre ciência e religião. Os cursos dados por esses ganhadores têm como título, por exemplo: "Ciência e religião na tradição ocidental" e "O papel espiritual das cosmologias em diversas culturas".4

• Milhares de participantes dos simpósios anuais (desde 1994) sobre "Espiritualidade e cura na Medicina", realizados pela Faculdade de Medicina de Harvard, que vêm estudando a correlação, muitas vezes documentada clinicamente, entre oração e cura.

• Milhares de pessoas no mundo todo que estudam regularmente a filosofia divina contida no livro de Mary Baker Eddy, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, que ousadamente anuncia, logo na primeira página do prefácio:

"E chegada a hora dos pensadores" (p. vii). Esse livro expõe uma Ciência totalmente espiritual, com base no fato de que Deus é o Princípio absoluto e intérprete único do universo. As leis dessa Ciência ditam que o puro amor de Deus por Sua criação predomina sobre todo sistema de crenças materiais. Essas leis divinas constituem uma Ciência metafísica aplicada, a "Christian Science", que pode curar dificuldades e males de qualquer espécie.

 Os pensadores mencionados acima são considerados os pioneiros de hoje. Todos eles têm a ousadia de nadar contra a correnteza do pensamento materialista prevalecente. Esses pioneiros, porém, não estão alienados da sociedade em que vivem. Ao contrário, eles ajudam a humanidade. O trabalho deles beneficia a todos. Eles estão vencendo barreiras que foram impostas a todos nós. E cada passo de progresso espiritual ajuda a nos libertar, para podermos ser aquilo que Deus quer que sejamos: o eterno fruto do Amor divino.

Este mês, estudantes e professores universitários, provenientes do mundo todo, estarão reunidos em Boston, sede da Igreja mundial que Mary Baker Eddy fundou para levar adiante os ideais expostos no livro Ciência e Saúde. Juntos, esses participantes pensarão, e repensarão, sobre sua missão como "Pioneiros do Milênio Espiritual".

O "milênio" de que vai tratar a reunião não tem nada a ver com o ano 2000. Ele tem a ver com o milênio espiritual, que a Sra. Eddy definiu certa vez como "um estado e um estágio de progresso mental, que se processa desde sempre" (The First Church of Christ, Scientist and Miscellany, p. 239).

"O objetivo", diz a organizadora da reunião, Karen Bowen, "é o de ajudar os estudantes a se considerarem pensadores — e sanadores, pioneiros espirituais que reconhecem seu relacionamento com Deus."

"Cada pioneiro é necessário", diz Bowen. "Cada um tem sua própria maneira de ser um pioneiro. E à medida que eles trilham esse caminho, o tornam mais fácil para alguma outra pessoa. Eles movem para a frente o pensamento do mundo. É como uma onda que cresce cada vez mais, até se tornar uma maré de bênçãos!"

Os pioneiros precisam superar os limites, se quiserem ir para frente. E os pioneiros espirituais superam os limites da própria matéria. Questionam coisas que a maioria das pessoas considera inquestionáveis. Eles desafiam o inteiro sistema de crenças que diz que nossa identidade, nossa inteligência, nossa carreira, nossos relacionamentos, a própria vida, são materiais. Em vez disso, eles acreditam que o Espírito é supremo, que a nulidade intrínseca da matéria deve ser posta a nu, que a física deve dar lugar à metafísica.

Cada vitória, de cada pioneiro espiritual, é uma vitória para todos nós. Cada vitória, por menor que seja, aproxima-nos do inevitável milênio espiritual. Cada passo à frente ajuda-nos a responder definitivamente os grandes "porquês" que desafiam a humanidade. Cada passo ajuda-nos a compreender com mais exatidão quem somos realmente e por que estamos aqui. E finalmente, cada vitória faz com que se torne possível, para todos nós, "conhecer a mente de Deus", como diz Hawking. 5

 

Mary Metzner Trammell
Redatora Adjunta d
O Arauto da Ciência Cristã

 

1 Stephen Hawking, A Brief History of Time (New York; Bantam, 1996), p. 233.   2 Edward O. Wilson, "Back from Chaos", The Atlantic Monthly,março de 1998, pp. 41-62. 3 Fritjof Capra, TheTao of Physics (New York; Bantam, 1988), pp. xvi, 15. 4 M. S. Mason, "Classes Ponder Faith and Science", The Christian Science Monitor; 8 de dezembro de 1997.  5 Hawking, p. 233.

 

Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, agosto de 1998, The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados.

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domingo, 16 de fevereiro de 2014

COMO SE DEVE ORAR: UMA MEDITAÇÃO SOBRE O PAI NOSSO


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HISTÓRIA:

 

Como se deve orar:

Uma meditação sobre o Pai Nosso


 

Martinho Lutero

 

No presente escrito Lutero ensina os cristãos a compreenderem toda a sua existência como vivida diante de Deus. O escrito simples e sincero é um testemunho magnífico de uma grande confiança no amor de Deus para com o mundo dos pecadores. Lutero dedicou-o a Pedro Beskendorf, um amigo de muitos anos, que foi chamado, segundo a profissão que exercia, de Pedro Barbeiro.

O escrito foi publicado no início do ano de 1535. Algum tempo depois, Pedro, provavelmente embriagado, matou seu genro. Foi um acidente, como tudo indica; mas não deixou de ser uma morte violenta. Apesar disso, Lutero, em edições posteriores, não tirou o nome do criminoso da dedicatória do escrito.

Pois sempre afirmara que Deus aceita justamente os pecadores; justamente numa situação de pecado urge apelar à misericórdia de Deus. Os contemporâneos de Lutero apreciaram muito este pequeno escrito sobre a oração. Nos 11 anos entre 1535 e a morte de Lutero (1546), o escrito foi publicado em 11 edições, além da edição no dialeto do "baixo  alemão" e em latim (Joaquim Fischer).

 

martinho 

Em primeiro lugar: Às vezes sinto que, por causa de ocupações ou pensamentos alheios, fiquei frio ou perdi a vontade de orar. Pois a carne e o diabo estão constantemente dificultando e impedindo a oração. Nesses momentos pego meu pequeno saltério, vou para o meu quarto ou, conforme o dia e a hora, para a igreja, em meio às pessoas. E passo a falar para mim mesmo, oralmente, os dez mandamentos, o credo e, dependendo da minha disponibilidade de tempo, diversas citações de Cristo, de Paulo ou dos Salmos, tudo coisas como as fazem as crianças.

É bom que, de manhã cedo, se faça da oração a primeira atividade, e de noite, a última. E cuide-se muito bem desses pensamentos falsos e enganosos que dizem: Espera um pouco, daqui a uma hora vou orar, antes ainda tenho que resolver isto ou aquilo. Porque com esses pensamentos a gente passa da oração para os afazeres que prendem e envolvem a gente a ponto de não mais sair oração o dia inteiro.

Está certo que podem aparecer tarefas diversas tão boas ou até melhores que a oração, principalmente se a necessidade as exige. Corre um dito atribuído a São Jerônimo1: "Todo trabalho do crente é uma oração". E há um provérbio que diz: "Quem bem trabalha, ora em dobro", o que significa que uma pessoa crente teme e honra a Deus em seu trabalho, e se lembra do seu mandamento, para que não faça injustiça a ninguém, nem roube, engane ou defraude a ninguém. Essa atitude, sem dúvida, faz da sua ação, adicionalmente, uma oração e um sacrifício de louvor.

Por outro lado, também não é menos verdade que a obra de um descrente é pura maldição, e quem trabalha desonestamente impreca em dobro. Pois os pensamentos de seu coração durante o trabalho só podem ser tais que ele despreze a Deus, infrinja os mandamentos e faça injustiça a seu próximo, e procure roubar e defraudá-lo.

Esses pensamentos, seriam eles outra coisa senão pura maldição contra Deus e as pessoas, pelo que sua obra e trabalho também passa a ser dupla maldição? Com isso se amaldiçoa também a si mesmo. Daí se originam mendigos e ineptos.

Quanto a essa oração constante, entretanto, Cristo diz em Lucas 11.9s: Deve-se orar sem cessar, porque é preciso que a gente se acautele permanentemente contra pecado e injustiça, o que não pode suceder onde não se teme a Deus e tem ante os olhos o seu mandamento, conforme diz o Salmo 1: "Bem-aventurado aquele que medita de dia e de noite na lei do Senhor" (v. 2), etc.

Mas também precisamos nos cuidar para que não nos desabituemos da oração certa, e, em última análise, julguemos necessárias obras, que na verdade não o são, destarte ficando enfim relaxados e preguiçosos, frios e enfastiados em relação à oração. Haja vista que o diabo, ao nos assediar, não é preguiçoso nem negligente, e a nossa carne ainda está por demais viva e disposta para o pecado, inclinando-se contra o espírito de oração.

Depois de aquecido o coração por tal pronunciamento oral, encontrando-se assim a si mesmo, ajoelhe-se ou fique parado, com as mãos postas em oração e os olhos voltados para o céu, e fale ou pense tão brevemente quanto pode:

O Pai celeste, Deus querido, sou um pecador pobre e indigno, que não mereço levantar meus olhos ou minhas mãos para ti e orar. Mas como nos mandaste a todos orar, e ainda prometeste atender-nos, e nos ensinaste inclusive as palavras que devemos usar e a maneira como fazê-lo através do teu Filho amado, nosso Senhor

Jesus Cristo, venho obedecer a esse mandamento. E me fio em tua promessa graciosa, e, em nome de Jesus Cristo, oro com todos os teus santos cristãos na terra, como ele me ensinou:


1. "Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu Nome"

Em seguida repita uma parte ou quanto quiser, como a primeira petição, a saber: "santificado seja teu nome", e diga: Vem, Deus Senhor, Pai querido, santificar o teu nome tanto em nós mesmos como em todo o mundo! Destrói e elimina os horrores, a idolatria e heresia do turco, do papa e de todos os falsos doutrinadores ou espíritos sectários,1 que usam teu nome de forma enganosa e assim dele abusam de maneira descarada e blasfemam terrivelmente.

E afirmam tratar-se de tua palavra e do preceito da igreja. Mas não passa de mentira e dolo do diabo, com o que em teu nome transviam em todo o mundo tantas pobres almas rumo à miséria; e além disso ainda perseguem, matam e derramam sangue inocente, achando que assim estão prestando culto a ti.

Senhor Deus querido, converte e põe um fim. Converte aqueles que ainda precisam ser convertidos, para que venham conosco e nós com eles a honrar, santificar e glorificar o teu santo nome, com doutrina pura e genuína e com uma vida benigna e santificada. Não consintas, porém, que aqueles que não se querem converter, continuem a abusar, profanar e desonrar o teu santo nome e a transviar as pobres pessoas, amém.


2. "Venha a nós o teu Reino"

Diga: Ah, querido Senhor Deus e Pai, estás vendo que não é somente a sabedoria e entendimento do mundo que difamam teu nome e entregam a tua glória à mentira e ao diabo. Todo o seu poder e mando, sua riqueza e glória que lhes deste sobre a terra para governar no âmbito secular e com isto te servir, estão se opondo e resistindo a teu reino.

Eles são grandes, poderosos e em grande número, gordos, obesos e fartos, e atormentam, impedem e perturbam o pequeno punhado do teu reino, homens fracos, desprezados e insignificantes. Não os querem tolerar sobre a terra, e ainda acham que assim estão te prestando um grande culto.

Querido Senhor, Deus e Pai, aqui converte e susta. Converte aqueles que ainda precisam tornar-se filhos e membros do teu reino, para que eles conosco e nós junto com eles te sirvamos em teu reino em fé genuína e amor autêntico e passemos deste reino iniciado para o reino eterno. E impede aqueles que não querem deixar de usar seu poder e capacidade para perturbar o teu reino, de sorte que, derrubados do seu trono e humilhados, tenham que parar com isso, amém.


3. "Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu"

Diga: Ah, querido Senhor Deus e Pai, tu sabes como o mundo, não podendo eliminar por inteiro o teu nome e acabar com teu reino por completo, lida dia e noite com ardis e peças malvadas, tramam toda sorte de estranhos atentados, ficam maquinando e conspirando, apoiam-se e se fortalecem mutuamente, ameaçam e se enfurecem, atentam com as piores intenções contra o teu nome, tua palavra, teu reino e teus filhos, procurando matá-los.

Por isso, querido Senhor Deus e Pai, leva à conversão e acaba com isso. Converte aqueles que ainda devem reconhecer tua boa vontade, para que junto conosco e nós com eles obedeçamos a ela e desta forma suportemos com paciência e alegria todo mal, cruz e vicissitude, e nisto reconheçamos, provemos e experimentemos tua vontade benigna, misericordiosa e perfeita. Acaba, porém, com aqueles que não querem renunciar à sua fúria, raiva, ódio, ameaça e má intenção de prejudicar. Aniquila e desmascara seus desígnios, atentados e tramoias malvadas. Que se voltem sobre eles mesmos, como canta o Salmo 7.16, amém.


4. "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje"

Diga: Ah, querido Senhor Deus e Pai, concede tua bênção também para esta vida temporal e física. Dá-nos misericordiosamente a paz preciosa. Protege-nos de guerra e tumulto. Concede ao nosso caro senhor imperador boa sorte e sucesso contra seus inimigos; dá-lhe sabedoria e entendimento, que governe seu reino terreno com tranqüilidade e felicidade. Dá a todos os reis, príncipes e senhores o bom conselho e intento de manterem seus países e sua gente em pleno gozo de paz e justiça.

Principalmente ajuda e orienta nosso querido senhor territorial N., sob cuja proteção e tutela tu nos guardas: Que ele nos proteja de todo mal, e governe de forma bem-aventurada e a salvo de más línguas e gente desleal. Concede a todos os súditos a graça de servirem fielmente e de serem obedientes. Dá que todas as classes, todos os cidadãos e camponeses permaneçam devotos e manifestem amor e lealdade entre si. Concede bom tempo e frutos da terra; encomendo-te também casa e quinta, mulher e filhos.

Ajuda que eu os dirija bem e os crie e eduque de forma cristã. Rechaça e domina o perversor e a todos os anjos malignos que nisso causam dano e estorvo, amém.


5. "Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores"

Diga: Ah, querido Senhor Deus e Pai, não nos leves ao juízo, porque perante ti nenhuma pessoa viva é justa (Salmo 143.2). Ah, não nos imputes como pecado o fato de sermos infelizmente tão ingratos por toda a tua indizível bênção, espiritual e corporal, e de tropeçarmos e pecarmos muitas vezes todos os dias, mais do que sabemos ou podemos perceber (Salmo 19.12). Não leves em consideração quão piedosos ou maus somos, mas sim a tua misericórdia insondável, a nós concedida em Cristo, teu Filho amado.

Perdoa também a todos os nossos inimigos, a todos que nos fazem sofrer ou nos fazem injustiça, assim como também nós lhes perdoamos de coração. Pois eles fazem o maior mal a si mesmos ao provocarem a tua ira através de seu comportamento em relação a nós; e a nós de nada adianta a sua perdição, mas sim em muito preferiríamos que tivessem a bem-aventurança conosco, amém. (E quem neste ponto sente que não pode perdoar facilmente, queira pedir a graça de poder perdoar. Mas isto faz parte da pregação.)


6. "E não nos deixes cair em tentação"

Diga: Ah, querido Senhor, Deus e Pai, conserva-nos resolutos e bem dispostos, ardorosos e aplicados em tua palavra e serviço. Que não nos sintamos seguros, preguiçosos e relaxados, como se agora tivéssemos tudo, e o diabo ferino nos assalte e tome de surpresa, e nos tire de novo a tua palavra preciosa ou provoque discórdia e sectarismo entre nós, ou ainda nos atraia ao pecado e à vergonha, seja espiritual ou corporal; mas dá-nos, por teu Espírito, sabedoria e força, para que lhe resistamos com bravura e obtenhamos a vitória, amém.


7. "Mas livra-nos do mal"

Diga: Ah, querido Senhor, Deus e Pai, esta vida miserável é tão cheia de aflição e infelicidade, tão cheia de perigo e insegurança, tão repleta de deslealdade e maldade (como diz São Paulo: "Os dias são maus" - Efésios 5.16), que bem deveríamos estar cansados da vida e desejosos da morte. Tu, porém, Pai amado, conheces nossa fraqueza.

Por isso, ajuda-nos a atravessar seguros esses múltiplos males e maldades. E quando chegar a hora, dá-nos um fim misericordioso e uma despedida venturosa deste vale de aflição. Que não nos amedrontemos diante da morte, nem desanimemos, mas, com fé resoluta, entreguemos nossas almas em tuas mãos, amém.

Por fim, observe que de cada vez você tem que fazer o amém bem forte, sem duvidar de que Deus o está ouvindo com certeza, com toda a graça, e diz sim à sua oração. E lembre-se de que não está sozinho ajoelhado ou parado. Toda a cristandade ou todos os cristãos devotos estão com você, e você entre eles, em oração unânime e concorde, a qual Deus não pode desprezar. E não largue da oração, a não ser que tenha dito ou pensado: Bem, esta oração foi ouvida por Deus, disso tenho certeza e o sei de verdade. Isso é o que significa "Amém".

Igualmente você deve saber que não quero que todas estas palavras sejam ditas na oração. Isso acabaria dando num palavrório e pura conversa vazia, recitado do livro ou da letra como o foram o rosário entre os leigos e as orações dos padres e monges. Muito pelo contrário, quero com isso ter estimulado e ensinado o coração, acerca dos pensamentos que se deve ter durante o Pai nosso.

E a esses o coração (quando estiver bem aquecido e disposto a orar) pode expressar muito bem com muitas outras palavras, também com menos ou mais palavras. Pois eu mesmo também não me prendo a essas palavras e sílabas, mas as falo hoje de um jeito, amanhã de outro, conforme estou propenso e disposto. Mesmo assim, sempre me atenho, o quanto posso, a este mesmo pensamento e sentido.

Muitas vezes acontece que, em alguma parte ou petição do Pai nosso, eu venho a me delongar em pensamentos tão ricos, que deixo esperar todas as outras seis. E quando vêm tais pensamentos ricos e bons, deve-se deixar de lado as outras preces e dar lugar a esses pensamentos e ouvi-los em silêncio, não os impedindo de modo algum; pois ali está pregando o próprio Espírito Santo. E uma palavra de sua pregação é melhor do que mil orações nossas. Assim também, frequentemente, aprendi mais em uma só oração do que poderia ter conseguido com muita leitura e reflexão.

Por essa razão é de suma importância que o coração fique livre e disposto para a oração. Como também o diz Eclesiastes: "Prepara teu coração antes da oração, para que não ponhas Deus à prova" (Eclesiastes 5.1s e Eclesiástico 18.23).

Que outra coisa é, senão tentar a Deus, se a boca fica tagarelando e o coração está distraído em outros lugares? - como aquele padre que reza assim: Deus, in adiutorium meum intende - peão, já atrelaste o cavalo? - Domine, ad adiuvandum me festina - criada, vai tirar leite das vacas; Gloria Patri et Filio et Spiritui Sancto. - anda, guri, que a peste te pega, etc. -; (as três passagens latinas citadas significam: "Deus, vem em meu socorro", "Senhor, apressa-te em me ajudar" e "Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo". Lutero aqui ilustra como a reza das horas canônicas sofre interferência dos afazeres diários).

Dessas orações ouvi e experimentei muitas em meu tempo no papado. E quase todas as suas orações são deste tipo, com que apenas se zomba de Deus. Seria melhor que ficassem brincando, ao invés, já que não podem ou não querem fazer nada de melhor. Eu mesmo orei muitas dessas horas canônicas em meus dias, infelizmente, de sorte que o salmo ou a hora se tinha passado sem que eu me desse conta se estava no começo ou no meio.

Nem todos se deixem levar, no que dizem, como o padre acima mencionado, misturando os afazeres com a oração. Não obstante procedem assim no coração com os pensamentos, perdem-se em mil fantasias, e ao chegarem no fim, não sabem o que fizeram ou por que partes passaram; começam dizendo "Laudate", e já estão no país das mil maravilhas.

Acho que ninguém acharia ludíbrio mais ridículo, se alguém pudesse ver os pensamentos que um coração frio e sem devoção vai misturando durante a oração. Mas, agora, louvado seja Deus, estou vendo que não é uma boa oração se alguém se esquece do que falou. Porque uma oração bem feita considera cuidadosamente todas as palavras e pensamentos do início até o fim da oração.

Assim, um barbeiro aplicado e competente tem que voltar seu pensamento, sua atenção e seus olhos, com muita precisão, para a navalha e os cabelos, e não se descuidar, não sabendo que esteja afiando ou cortando. Mas, se ele, ao mesmo tempo, quisesse fazer muita conversa ou ficar pensando ou olhando outras coisas, certamente iria cortar fora a boca ou o nariz, e até o pescoço.

Desta forma, cada coisa que é para ser bem feita, quer ter a pessoa inteira, com todos os seus sentidos e membros, como se diz: "pluribus intentus minor est ad singula sensus" - Quem pensa em muita coisa, não pensa em nada, também não faz nada direito.

Tanto mais a oração precisa ter o coração uno, por inteiro e exclusivo, se é que deva ser uma boa oração. Com isso está brevemente descrita a forma como eu mesmo costumo orar o pai-nosso ou qualquer oração. Pois ainda hoje me alimento do pai-nosso como um bebê, dele bebo e como feito um velho; não consigo me fartar dele, sendo para mim a melhor de todas as orações, mais ainda que os salmos (que realmente aprecio muito).

Na verdade, vemos que foi o bom Mestre que a criou e ensinou, e é profundamente lamentável que tal oração, de tão excelente Mestre, seja recitada sem qualquer devoção e assim desvirtuada em todo o mundo. Muitos há que rezam talvez mil pai-nossos por ano, e mesmo que rezassem durante mil anos, não teriam provado nem orado sequer uma única letra ou pontinho. Enfim, o pai-nosso é o maior dos mártires sobre a terra, (como nome e como palavra de Deus). Pois todo mundo o maltrata e abusa dele, sendo poucos os que o consolam e alegram com uso conveniente.

Fonte: Do Escrito Como se deve orar, para o Mestre Barbeiro ("Wie man beten sol, fur Meister Peter Balbirer") 1535; WA 38, 358-375.

 

"Como se deve orar: Uma meditação sobre o Pai Nosso" foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico. Com o objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

O texto não representa necessariamente a opinião deste blog ou do Movimento da Ciência Cristã – A Primeira Igreja de Cristo Cientista, em Boston, ou qualquer de suas filiais, sociedades ou grupos informais de estudos, existentes em diferentes países do mundo.

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PARA REFLETIR:

 

"Seja-me permitido dar aqui o que entendo ser o sentido espiritual da Oração do Senhor: 

 

Pai nosso que estais no céus,

Nosso Pai-Mãe todo-harmonioso,

Santificado seja o Teu nome;

Único adorável.

Venha o Teu reino,

O Teu reino já veio; Tu estás sempre presente.

Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;

Faze-nos saber que - como no céu, assim também na terra - Deus é onipotente, supremo.

O pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

Dá-nos graças para hoje;  alimenta as afeições famintas;

E perdoa-nos nossas dívidas, assim como nós temos  perdoado aos nossos devedores;

E o Amor se reflete em amor;

E não nos deixe cair em tentação; mas livra-nos do mal;   

E Deus não nos deixa cair em tentação, mas livra-nos do pecado, da doença e da morte.

Pois Teu é o reino, o poder e a glória para sempre.

Pois Deus é infinito, todo poder, toda Vida, Verdade, Amor; está acima de tudo e é Tudo."

 

Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, por Mary Baker Eddy 

 

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