domingo, 19 de julho de 2015

CURSO PRIMÁRIO DE CIÊNCIA CRISTÃ: "base firme para progredir na prática da cura"

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Curso Primário de Ciência Cristã: 

“base firme para progredir na prática da cura cristã”

 

 

Aproveitamos a oportunidade para publicar uma entrevista com Jean Stark Hebenstreit e Michael B. Thorneloe, que já foram professores no Conselho de Educação, estabelecido por Mary Baker Eddy. Esse Conselho oferece o Curso Normal, uma vez a cada três anos, formando professores de Ciência Cristã. O Sr. Thorneloe lecionou no curso de 1988, e a Sra. Hebenstreit nos cursos de 1985 e 1991.

Aqueles que concluem o Curso Normal ensinam o Curso Primário de Ciência Cristã, uma vez ao ano. Os alunos, de modo geral, verificam que fazer o Curso Primário de Ciência Cristã torna-se um marco em sua vida.

Os nomes dos professores podem ser encontrados na lista constante da parte final do The Christian Science Journal

01 Jarius’ Daughter (notice how this window resembles Christ Healing) on the Northern wall

    Vitral do edifício original de A Igreja Mãe, A Primeira Igreja de Cristo Cientista, em Boston - EUA.

 

 

Segue-se a entrevista com a Sra. Hebenstreit e com o Sr. Thorneloe sobre o Curso Primário.

 

Muitas pessoas se perguntam: qual é o propósito do Curso Primário de Ciência Cristã?

Sr. Thorneloe: Cada aluno que faz o Curso Primário deveria alcançar uma compreensão melhor da pura Ciência do Cristo e de como pô-la em prática com maior eficácia. Isso significa despertar dentro do aluno a compreensão da natureza de Deus e do homem e da relação indestrutível que existe entre eles.

Sra. Hebenstreit: A Sra. Eddy, em sua obra The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, faz referência ao Curso Primário e ao “objetivo com que foi estabelecido; ou seja, a elucidação do Princípio e da regra da Ciência Cristã, mediante o significado mais elevado das Escrituras." 1 O Curso Primário ajuda o aluno a compreender o que é o ser verdadeiro e o que é que ele inclui; qual seu propósito; quais podem ser suas perspectivas; como ele pode ir para o laboratório das experiências diárias para provar essa Ciência do Cristo em sua própria vida e em sua habilidade para ajudar os outros. O curso está estruturado para realçar a compreensão do aluno em como usar essa Ciência dinâmica, como lidar de modo específico com o erro e exterminá-lo.

Sr. Thorneloe: Também é útil conhecer o propósito do aluno ao procurar o Curso Primário e por isso eu faço essa pergunta no formulário que cada candidato preenche, antes de fazer o curso. O aluno que está procurando crescer em compreensão espiritual, com o propósito de abençoar outros, está de coração aberto, pronto para progredir.

 

Como o professor se prepara para ensinar Ciência Cristã em classe?

Sra. Hebenstreit: Em sentido figurado, orando de joelhos! É preciso profundo estudo e oração para cumprir o que se espera, como a Sra. Eddy afirma, “transmitindo a Verdade, a Vida e o Amor, na proporção em que nós mesmos os refletimos, a todos os que estão ao alcance da atmosfera de nosso pensamento.” 2

Sr. Thorneloe: Cada classe necessita de preparação específica em espírito de oração. Isso inclui o reconhecimento de que os alunos “serão todos ensinados por Deus.” 3 Isso foi confirmado por nossa Líder, quando ela diz em Ciência e Saúde: “A intercomunicação se faz sempre de Deus para Sua idéia, o homem.” 4

A motivação de nosso Mestre para ensinar era o amor a Deus e ao homem. Os professores se esforçam para seguir seu exemplo. Trabalham com as idéias que nosso pastor, a Bíblia eCiência e Saúde, nos supre a respeito do ensino. Nosso Mestre, Cristo Jesus, e sua fiel seguidora, Mary Baker Eddy, são preeminentes no ensino do cristianismo e de suas leis de cura. Eles nos mostram como ensinar.

Sra. Hebenstreit: Visto que a lei e a ordem caracterizam o trabalho do curso, há a necessidade de uma apresentação sistemática e ordeira dos assuntos a serem tratados. Estes se encontram especificados no capítulo intitulado “Recapitulação”, em Ciência e Saúde. A própria Sra. Eddy se referiu a esse capítulo como seu livro de classe, logo, ele é um curso de instrução divinamente ditado para nós. A espontaneidade do Cristo é a base para a elucidação do Princípio e da regra da Ciência Cristã apresentada nesse capítulo.

Sr. Thorneloe: Isso é bem verdade, Jean. Todo professor revê detalhadamente a “Recapitulação” de Ciência e Saúde, nosso livro-texto. O capítulo começa com cinco perguntas pertinentes à natureza de Deus, incluindo as exigências da Ciência da Alma. Após “a exposição científica do ser”, ampliamos o ensino sobre esse tema, falando de substância, Vida, inteligência e Mente. Após a pergunta sobre doutrinas e credos, vemos que erro é aquilo que pretenderia inverter ou contestar “a exposição científica do ser”. A seguir, a classe examina várias perguntas sobre o homem, inclusive o que ele é e o que não é. Tudo isso é para nos mostrar como curar. Então chegamos à pergunta que explica como anular a crença em um poder separado de Deus, que denominamos magnetismo animal, e perguntas correlacionadas, sobre sentido material, crença e os cinco sentidos corpóreos.

Esse é o clímax que precede a resposta à pergunta: “A Senhora quer explicar o que é a doença e ensinar como deve ser curada?” É natural, então, que a classe se pergunte o que fazer a partir desse ponto. A Sra. Eddy trata disso, fazendo a pergunta seguinte e respondendo-a: “Como posso progredir mais rapidamente na compreensão da Ciência Cristã?” Finalmente, nos Artigos de Fé, há um resumo poderoso de tudo o que foi ensinado. (Ver Ciência e Saúde, pp. 465–497

 

02 Jarius’ Daughter (notice how this window resembles Christ Healing) on the Northern wall - Cópia

 

Que qualidades os professores procuram encontrar nos candidatos ao Curso?

Sra. Hebenstreit: Uma mente espiritualizada, receptividade, disposição para aprender, altruísmo, são as qualidades fundamentais. Um candidato que tenha captado o verdadeiro significado da missão de Cristo Jesus e deseja seguir em suas pegadas, servindo a Igreja de Cristo, Cientista, em apoio da maior Causa que o mundo já conheceu, está em condições de compreender a magnitude do que está contido no capítulo “Recapitulação”.

O sentido espiritual é que impele aquele que sinceramente busca a verdade, a procurar saber mais sobre essa Ciência, com objetivos mais elevados do que meramente alcançar uma situação um pouco mais confortável. É esse mesmo sentido espiritual que prepara o candidato para adotar a alegria do propósito do Mestre, mencionado no Evangelho de Lucas: “No meio de vós, eu sou como quem serve.”5 A recompensa por seguir nos passos do Mestre cristão é inigualável. E nossa Líder nos assegura que encontramos nosso próprio bem no bem que fazemos aos outros.

Sr. Thorneloe: Concordo. O desejo de curar e abençoar os outros é essencial. A Sra. Eddy também frisa a necessidade de se manter um alto padrão moral a fim de que cada um de nós seja apto a progredir. A flexibilidade de pensamento é também de importância vital. O candidato tem boa predisposição para aprender? O pensamento enrijecido não pode crescer; o pensamento flexível pode e vai crescer.

É sempre bom ter uma entrevista pessoal com os candidatos, quando possível. Se isso for inviável, o professor manterá correspondência com a pessoa interessada ou falará com ela por telefone.

Eu animo os candidatos a me relatarem o progresso espiritual que já fizeram e desejam fazer. Muitas vezes narram alguma experiência de cura que, para eles, teve significado e relevância especiais. É importante saber o que eles esperam do curso.

Sra. Hebenstreit: O preparo do candidato depende de quanto ele aceita a Ciência Cristã como sendo, nas palavras da Sra. Eddy, “a lei de Deus, a lei do bem, que interpreta e demonstra o Princípio divino e a regra da harmonia universal”;6 depende de ele viver ou não de acordo com os Artigos de Fé; confiar ou não exclusivamente em meios espirituais para a cura; e acatar Mary Baker Eddy como Descobridora, Fundadora e Líder, para sempre. Como Michael já mencionou, o candidato deve ter as qualidades morais e espirituais necessárias.

Sr. Thorneloe: Não é realmente importante há quanto tempo a pessoa esteja estudando a Ciência Cristã. Se o candidato estuda a Ciência Cristã, digamos, há vinte anos, são realmente vinte anos ou um ano vivido vinte vezes seguidas? O desejo genuíno de progredir é o que realmente importa.

No Manual de A Igreja Mãe, a Sra. Eddy se refere a “bons antecedentes”. 7 Acaso significa isso que, se eu tiver cometido graves erros no passado, não posso ser aceito para o Curso?

Sra. Hebenstreit: De modo nenhum. O relato bíblico da mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus fornece um bom exemplo de erros graves, de pecados vencidos pela reforma e pelo novo nascimento. Ela apagou o registro de erros passados.

O terceiro Artigo de Fé da Ciência Cristã é claro: “Reconhecemos que o perdão do pecado, por parte de Deus, consiste na destruição do pecado e compreensão espiritual que expulsa o mal por ser este irreal. A crença no pecado, contudo, será castigada enquanto ela perdurar.” 8 Abandonar a crença no pecado constitui, então, um bom antecedente de demonstração dessa Ciência exata. A reforma e a regeneração indicam tendências muito promissoras.

 

O que os candidatos podem fazer para se preparar para o Curso?

Sr. Thorneloe: A penúltima pergunta no capítulo “Recapitulação” é: “Como posso progredir mais rapidamente na compreensão da Ciência Cristã?” A primeira frase da resposta da Sra. Eddy é: “Estuda a fundo a letra e embebe-te do espírito.” 9

Ela deixa claro em seus escritos que os alunos precisam estudar um determinado trecho da “Recapitulação” antes da aula em que ele será discutido. Considerando que todo professor de Ciência Cristã usa esse capítulo como base para o curso, o estudo preparatório inclui obviamente esse capítulo de Ciência e Saúde. Embora os trechos indicados para estudo sejam sem dúvida individuais, eu sempre encorajo os candidatos a rever o capítulo “A Prática da Ciência Cristã”, bem como o Sermão do Monte e os Dez Mandamentos, na Bíblia.

A Lição-Sermão, da qual, nossa Líder afirma, “grandemente depende a prosperidade da Ciência Cristã”,10 também faz parte integrante da preparação, ajudando-nos a conhecer nosso pastor, a Bíblia e Ciência e Saúde.

 

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Por vezes, parece que muito poucos estão interessados em se candidatar ao Curso Primário. Como vencer essa sugestão?

Sr. Thorneloe: Cada idéia de Deus é completa, e Sua lei inviolável impele seu desdobramento. Nada pode obstruir aquilo que Deus ordenou. Podemos declarar essa verdade não só para nós mesmos, mas também para todo o corpo docente da Ciência Cristã.

Sra. Hebenstreit: A crença de falta de interesse no Curso Primário, tal como qualquer outra crença falsa, é um senso de limitação, que tem origem na tentativa do magnetismo animal de obstruir o movimento da Ciência Cristã. Na Bíblia está a pergunta: “Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo?”.11

Todos os professores escolheram esse jejum — soltar as ligaduras do torpor, da procrastinação, do desinteresse, da complacência — apoiando a lei divina de atração que governa a humanidade. A lei de Deus, “a adesão, a coesão e a atração”,12 é o antídoto para qualquer resistência do anticristo ao sistema de educação e comunicação divinamente designado e estabelecido pela Sra. Eddy. O professor precisa lidar metafisicamente com aquilo que a Sra. Eddy menciona, ao escrever sobre candidatos ao Curso Primário: “Os estudantes que estão prontos para dar esse passo devem acautelar-se contra a rede que é astuciosamente colocada e habilmente escondida para impedir seu progresso em tal direção.” 13

O aluno em perspectiva deve poder prosseguir naturalmente em direção a essa oportunidade ordenada por Deus para seu adiantamento espiritual, para seu enriquecimento e alegria.

Sr. Thorneloe: O Mestre conta a parábola dos convidados à festa de casamento. Cada um teve uma desculpa para não ir! Os professores podem reconhecer que não há poder que de alguma forma possa impedir a pessoa de estar em seu lugar certo, pois o homem é mantido pela Verdade no ponto da perfeição absoluta.

Dúvidas descabidas de parte do candidato sobre estar ou não preparado para o curso — “será que eu estou à altura?” — não podem interferir com o que é certo. Cada um pode cumprir sua tarefa ordenada por Deus.

Argumentos tais como falta de tempo disponível para o curso, ou falta de dinheiro para pagá-lo, nada mais são do que tentativas de desviar a atenção, e não têm autoridade para mudar o curso do pensamento e impedir o crescimento espiritual. “Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.” 14 Isso não é atributo pessoal do professor, mas é fato absoluto de que o Cristo atrai, e essa atração não pode ser anulada.

 

Por que o Curso Primário é importante?

Sr.Thorneloe: Porque em Ciência e Saúde nossa Líder afirma isso! Uma das vinte e quatro perguntas que a Sra. Eddy faz, na “Recapitulação”, é: “A Senhora quer explicar o que é a doença e ensinar como deve ser curada?”

Parte de sua resposta especifica: “Uma resposta completa à pergunta acima formulada implica ensino, o qual habilita aquele que cura a demonstrar e provar por si mesmo o Princípio e a regra da Ciência Cristã ou cura metafísica.” 15 A instrução do Curso Primário dá ao aluno uma base firme para progredir na prática da cura espiritual, ou seja, a cura cristã.

Sra. Hebenstreit: A Sra. Eddy nos conta que os dispositivos do Manual da Igreja são originários de um poder que não era o dela,16 assim, é por impulso divino que há a estipulação para o Curso Primário como meio accessível para o estudo de Deus e do homem.

O Curso Primário é divinamente autorizado para a iluminação, crescimento e avanço espirituais. Logo, jamais será em demasia afirmar sua importância para a salvação do indivíduo e de seu mundo.

Sr. Thorneloe: Nossa Líder tem um capítulo inteiro em Ciência e Saúde e dois artigos no Manual da Igreja, sob o título “O Ensino da Ciência Cristã”. Há também no Manual um segmento intitulado “Conselho de Educação”. Tudo isso mostra a grande importância que a Sra. Eddy dá ao Curso Primário. A instituição desse curso, inspirada por Deus, denota o amor de nossa Líder por nós e por nosso contínuo progresso espiritual.

 

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Será ingenuidade os alunos terem a expectativa de poder ajudar a outros, logo após terem recebido instrução em classe?

Sr. Thorneloe: De modo algum! Em biografias da Sra. Eddy, há exemplos de quando ela pediu a membros de suas classes para aceitarem um caso e curá-lo. E a maioria cumpria essa incumbência, retornando com relatos de curas espirituais claras. E isso acontecia mesmo antes do término do curso. Hoje em dia há candidatos que têm tido a oportunidade de ajudar a outros, tanto antes como durante o curso.

Sra. Hebenstreit: Certamente não é ingenuidade por parte dos alunos terem a expectativa de curar outros, tanto antes, como durante e após o Curso Primário. A instrução em classe, contudo, deveria capacitá-los a curar mais rapidamente, e educá-los em sua compreensão do domínio que eles têm sobre todos os aspectos ou sugestões do magnetismo animal.

Michael, como você sabe, o parágrafo final do capítulo “O Ensino da Ciência Cristã”, no livro-texto, tem este título marginal: “O motivo bom e sua recompensa”. A recompensa de uma maior habilidade de curar é a bênção que emana do Curso Primário.

Sr. Thorneloe: Você toda razão, Jean. Lembro-me de uma ocasião em que havia uma senhora de bastante idade em uma de minhas classes, que acalentava o desejo de ajudar os outros. Ela mostrou ser a aluna mais juvenil da classe! Em poucos meses, foi aceito seu pedido para anunciar-se no Journal como praticista e passou muitos anos praticando com sucesso a Ciência da cura cristã.

Sra. Hebenstreit: O professor ajuda o aluno a perceber, por meio do estudo da Bíblia e de Ciência e Saúde, que a prática da Ciência Cristã é para todos. Quando a pessoa percebe a alegria desse trabalho de cura, a prática pública se torna tão atraente, que não tem concorrência. O professor, por se dedicar ele mesmo à prática, pode transmitir o sentimento de satisfação que advém de se seguir os passos de Cristo Jesus.

Sr. Thorneloe: Nossa Líder tinha o anseio de que cada aluno pusesse em prática sua própria compreensão em benefício de outros. Afinal, somos um movimento de praticistas, não um movimento de pacientes!

Uma vez que Cristo é a luz da Alma, o poder manifesto da Verdade, podemos saber com certeza absoluta que não há poder que possa, de maneira alguma, impedir que a cura espiritual floreça no coração de cada um de nós.

Sra. Hebenstreit: Eu também sou da opinião de que cada um que recebeu a dádiva inigualável da Ciência Cristã está em posição de praticá-la na cura. O trabalho de cura não está restrito apenas àqueles que se anunciam no Journal.

As instruções contidas no livro-texto estão dirigidas a cada membro da raça humana. É uma alegria para aqueles que vislumbraram a natureza do cristianismo, conforme está definido na Ciência Cristã, começarem e continuarem a praticá-lo para si mesmos e para outros, e assim virem a conhecer as realidades do Espírito e da criação espiritual.

 

06 Jarius’ Daughter (notice how this window resembles Christ Healing) on the Northern wall - Cópia (4) - Cópia

 

Qual é a finalidade das reuniões anuais da associação?

Sr. Thorneloe: Elas constituem um elemento importante na educação espiritual contínua que nossa Líder previu para todos nós — Lições Bíblicas, Escola Dominical, Curso Primário, reuniões da associação, e assim por diante.

Sra. Hebenstreit: As reuniões da associação são como aulas de pós-graduação, um dia a mais de instrução com o objetivo de progredir, um dia de avanço sob a lei do progresso infinito.

Sr. Thorneloe: As reuniões da associação permitem-nos explorar um determinado assunto a fundo, dando-nos a oportunidade de enriquecimento espiritual, numa atmosfera rica em união familiar e oração.

Abre o pensamento para uma dedicação mais profunda à Igreja de nossa Líder e à prática. Uma aluna, numa carta de gratidão a seu professor, após a reunião da associação, disse que ao final da tarde não conseguia permanecer sentada, sentia um ímpeto muito grande de sair e começar a pôr em prática o que lhe fora ensinado.

Sra. Hebenstreit: A reunião anual da associação não é o que às vezes denominamos “curso de reciclagem”. O próprio aluno pode se manter atualizado. É, isso sim, uma caminhada para a frente, uma continuação do progresso.

Essas reuniões destinam-se a ensinar, inspirar, elevar, educar espiritualmente e promover o crescimento de cada um dos presentes. Elas propiciam nosso crescimento em amor, como se aprende na Ciência Cristã, e tal amor é superior a qualquer coisa que pretenda opor-se.

 

jesusdaughter (1)_This picture was placed in the third edition of Science and Health. - Cópia

       2ª edição de Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras

 

 

Quais são as responsabilidades dos professores de Ciência Cristã para com seus alunos?

Sra. Hebenstreit: A resposta está no Manual. Este diz: “O professor não deverá assumir o controle pessoal de seus alunos ou tentar dominá-los, mas deverá considerar-se moralmente obrigado a promover-lhes o progresso na compreensão do Princípio divino, não só durante o período do curso como também posteriormente, cuidando bem em que demonstrem ter sentimentos sadios e ser práticos na Ciência Cristã.” 17

A norma de que o professor não deve tentar controlar pessoalmente nem dominar seus alunos é realmente boa, tanto para o professor como para o aluno! A Sra. Eddy, porém, é taxativa em que os professores tenham um relacionamento contínuo com o aluno, estimulando-o e interessando-se por suas necessidades, e que estejam sempre prontos a ajudá-lo.

Sr. Thorneloe: É exatamente isso. A Sra. Eddy desejava que o interesse do professor pelo aluno se estendesse além dos doze dias do curso. É um interesse semelhante ao de um pastor, um cuidado amoroso que se regozija no crescimento espiritual de cada aluno. Quando consideramos nossa Líder como professora de Ciência Cristã, vemos sua demonstração do fato de a Mente divina ser a única mestra.

Ela entregava cada coração anelante aos braços do Amor divino. Ao mesmo tempo, ela era incansável no cuidado dispensado a seus próprios alunos. O relacionamento entre professor e aluno é algo singular, é deveras muito especial.

 

Sede fortes e corajosos:
não temais, nem vos atemorizeis,. . .
porque o Senhor vosso Deus
é quem vai convosco:
não vos deixará nem vos desamparará.

Deuteronômio 31:6

 

Citações: 1 Miscellany, p. 241. 2 Miscellaneous Writings, p. 12. 3 João 6:45.  4 Ciência e Saúde, p. 284. 5 Lucas 22:27. 6 Rudimentos da Ciência Divina, p. 1. 7 Manual, p. 83. 8 Ciência e Saúde, p. 497. 9 Ibidem, p. 495. 10 Manual, p. 31. 11 Isaías 58:6. 12 Ciência e Saúde, p. 124. 13 Miscellany, p.241. 14 João 12:32. 15 Ciência e Saúde, p. 493. 16 Ver Mis., p. 148. 17 Manual, p. 83.

Fonte: edição de junho de 1994 de “O Arauto da Ciência Cristã". © 2015 The Christian Science Publishing Society. Todos os direitos reservados.

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Mais informações:

- A prática da cura espiritual na ciência cristã

- O que é Ciência Cristã 

- O que é o tratamento pela Ciência Cristã

- The Mary Baker Eddy Library

- Mary Baker Eddy: uma breve biografia

- Professores de Ciência Cristã

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terça-feira, 16 de junho de 2015

O QUE É O TRATAMENTO PELA CIÊNCIA CRISTÃ

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O que é o tratamento pela Ciência Cristã?

 

Allison W. Phinney

 

Você sabe que os Cientistas Cristãos se apóiam na oração para curar. Mas você também já ouviu falar em tratamento pela Ciência Cristã* . E você quer saber qual é a diferença entre tratamento e oração.

Com efeito, esse tipo de tratamento é uma forma de oração baseada no fato de que Deus é o bem supremo e que Ele não cria doença nem erro. E estes não são sustentados por Sua lei. Um Cientista Cristão que esteja a "tratar" uma doença, por exemplo, esforça-se para reconhecer, com a maior amplidão de que for capaz, a totalidade da presença e bondade de Deus.

A oração assume diferentes formas, desde petição (pedindo simplesmente auxílio a Deus, por exemplo) até repetição de uma oração aprendida na infância. Mas o tratamento pela Ciência Cristã é a persistente aplicação das verdades espirituais a determinada situação, a fim de alcançar a cura.

De acordo com a Ciência Cristã, a doença, tal como qualquer outro tipo de discórdia humana, é, afinal, o resultado da ignorância, do medo ou do pecado da mente humana. A medicina mais eficaz não é, por isso, a receita de um medicamento ou qualquer outra forma refinada de matéria, mas sim a Mente divina e sua influência curativa.

Tal como os Cientistas Cristãos a encaram, essa compreensão de Deus como sendo infinito, sempre presente e absolutamente bondoso, é o meio que Cristo Jesus utilizava para curar. E assim como Paulo recomendou a todos os cristãos, o Cientista Cristão esforça-se por ter aquela Mente "que houve também em Cristo Jesus" 1.

 

Primeira Igreja de Cristo Cientista_Blumenau_SC_Brasil_Edéferreira Filho - Cópia

       1ª Igreja da Ciência Cristã de Blumenau, SC, Brasil

 

A teologia da Ciência Cristã realça a necessidade de profundo amor e genuíno viver cristão, a fim de tratar e curar por esse método científico cristão. Por isso, há que aprofundá-lo, não apenas notar que é uma forma diferente e, porventura, menos dispendiosa, de alternativa médica da "Nova Era". A pessoa que se dispuser a tratar com eficiência de acordo com a Ciência do Cristianismo, tem de enfrentar a entranhada resistência à totalidade de Deus, a Mente divina, que parece fazer parte da crença de ser o homem um mortal separado de Deus. Essa vitória não é alcançada sem esforço decidido, nem é ganha numa só batalha.

O que dá ao tratamento sua capacidade de curar, é o despertar para a compreensão de que Deus, Espírito ou Mente, é na realidade o bem todo-poderoso e o oposto a Deus não tem substância. O fato espiritual e científico é que Deus nunca criou coisa alguma que não fosse boa e que Ele mantém Seu amado filho, à Sua imagem, em integridade e perfeita saúde.

O tratamento da doença ou de qualquer outra discórdia implica ceder o pensamento àquilo que a Mente divina sabe e concede. A medicina do tratamento espiritual é a verdade inspirada do poder e da bondade sempre presente e absoluta de Deus, em medidas jamais esperadas ou imaginadas.

Enquanto a pessoa não tenha experimentado o efeito do tratamento pela Ciência Cristã, talvez lhe pareça difícil acreditar. Mas os testemunhos de curas, que aparecem mensalmente constantes neste periódico e o registro de curas, de mais de um século, a começar pelo último capítulo de cem páginas de testemunhos em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras de autoria de Mary Baker Eddy, intitulado "Frutos" e num capítulo semelhante do seu livro Miscellaneous Writings, são relatos feitos por pessoas serenas e responsáveis. A Sra. Eddy, que descobriu a Ciência Cristã, descreve sucintamente a base dessas curas, ao afirmar: "A Ciência descreve a moléstia como sendo erro, como matéria contra a Mente, e o reverso do erro como que favorecendo os fatos relativos à saúde." 2

 O tratamento é sempre uma forma de oração. No entanto, nem toda oração é tratamento. Durante um culto dominical ou reunião de testemunhos, por exemplo, posso orar pela congregação, mas não lhe dou tratamento. Também posso orar por um amigo hospitalizado e submetido a cuidados médicos, mas não o tratar.

O raciocínio subjacente é que, do tratamento pela Ciência Cristã, se espera que produza uma mudança benéfica no estado de pensamento do indivíduo, com o propósito de curar. Seu efeito sobre o paciente é poderoso e definitivo. Por isso, não pode ser ministrado sem o pedido e o conhecimento do indivíduo. Da mesma forma como você não utilizaria dois sistemas diferentes de psicologia ou de tratamento médico para o mesmo problema de uma só pessoa, porque interfeririam um com o outro, da mesma forma você não misturaria o tratamento pela Ciência Cristã com o da medicina. Pode ser que a intenção seja boa, mas o efeito final não seria benéfico.

Nos últimos cem anos acumularam-se evidências que demonstram o efeito das crenças das pessoas em seus corpos. Muitos estudos científicos objetivos, desde a porcentagem de curas após deslocação da retina 3 até ao efeito de placebo em funções estomacais 4 , para apenas mencionar duas em centenas, mostram que aquilo em que a mente humana acredita, tem muita importância.

A Ciência Cristã explica que não só é assim, mas que nem a matéria doente nem, por assim dizer, a matéria sadia, são, em si mesmas, verdadeira substância. Não passam de um prolongamento da crença e do pensamento humano. Por isso, mesmo quando a causa da doença é um vírus, um gene ou outro suposto mecanismo material, a fonte básica é o erro de crer que Deus, o Espírito, é menos do que Tudo. E a verdade curativa é que Deus é a grande e única causa real de nossa vida. Essa compreensão é a energia libertadora que constitui o âmago do tratamento pela Ciência Cristã.

 Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus.. . .
A glória do Senhor se manifestará,
e toda a carne a verá,
pois a boca do Senhor o disse.. . .
Os que esperam no Senhor renovam as suas forças,
sobem com asas como águias,
correm e não se cansam,
caminham e não se fatigam
.

Isaías 40:1, 5, 31

* Christian Science (kris'tiann sai'ennss - Ciência Cristã) 1 Filip. 2:5.  2 Ciência e Saúde, p. 319.  3 Ver Robert B. Reeves, Jr., "Healing and Salvation: Some Research and Its Implications", Union Theological Seminary Quarterly, Inverno de 1969, pp. 187-197.  4 Ver Richard M. Restak, M.D., The Mind (Toronto: Bantam Books, 1988), p. 160.

Fonte:  edição de Maio de 1990 de "O Arauto da Ciência Cristã".

Autor: Allison W. Phinney, Jr.,  desempenhou diversos funções na Primeira Igreja de Cristo Cientista, A Igreja Mãe, em Boston, EUA. Tornou-se  praticista, em 1978,   professor de Ciência Cristã, em 1982, escreveu para as publicações da Sociedade Editora, foi conferencista  e  faz parte do Conselho de Diretores da Ciência Cristã, além de ser o  Presidente do Conselho de Educação. Allison, ou Skip, como é conhecido pelos amigos e colegas, não é novo no Conselho de Educação, tendo ali trabalhado em vários cargos, ao longo dos anos, inclusive como Presidente em 1984 e 1985.

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sexta-feira, 10 de abril de 2015

O QUE É DE CÉSAR A CESAR... O QUE É MESMO DE CÉSAR? Mateus 22: 15-22

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O que é de César a César...
O que é mesmo de César?  

Mateus  22: 15-22

 

  Um plano bem armado: fazer Jesus cair na armadilha de suas próprias palavras! A cilada é introduzida por um elogio que é, ao mesmo tempo, reconhecimento de integridade: "Mestre, sabemos que és verdadeiro, que ensinas o caminho de Deus... que não consideras as pessoas pela aparência..." (v. 16). Depois do elogio, a pergunta: "É lícito ou não pagar o imposto a César?"

Em caso de resposta afirmativa, toda a pregação de Jesus cairia por terra diante do povo. A ocupação romana era o que havia de mais explorador, a transferência de impostos para Roma era elemento provocador de miséria e fome. Além disso, do ponto de vista religioso, pagar o imposto significava aceitar o culto ao imperador. Na própria moeda, podia-se ler: Tibério César, Filho do Divino Augusto. Por isso, os fariseus e a maioria do povo se opunham ao pagamento.

 

Por outro lado, se Jesus responde que não se deve pagar o tributo, é apanhado em atitude aberta de afronta ao império. Os próprios herodianos, favoráveis ao pagamento do tributo e a serviço dos romanos, ali estavam para o flagrante.

A resposta de Jesus desmascara qualquer religião fetichista e legitimadora do sistema, seja a divulgada pela propaganda imperialista, seja a alimentada pelas autoridades judaicas (no texto, representadas pelos fariseus). É possível que Jesus tenha tocado no coração do sistema religioso romano: o lucro proveniente da cobrança do tributo imposta às províncias conquistadas por Roma. Ao questionar o caráter divino do imperador, todo culto a ele prestado (leia-se: submissão, oferenda e pagamento do tributo) está deslegitimado.

Mas também está desautorizada e ridicularizada a prática de boa parte das lideranças judaicas, que mantinham duplo comportamento. Desejavam a expulsão dos dominadores, ao mesmo tempo em que reproduziam a dominação ou usufruíam das benesses propiciadas pela ocupação, incluindo o sistema de cobrança do tributo: ainda que a maior parte dos impostos fosse repassada a Roma, as elites alimentavam seu luxo com o que retinham do montante arrecadado pelos malvistos cobradores de impostos. Se, por um lado, as autoridades judaicas negavam-se a oferecer incenso ao divino César, por outro, eram beneficiadas com tal divinização.  

 

Pagar ou devolver?

O texto de Mateus, seguindo a versão de Marcos (Mc 12,13), coloca juntos fariseus e herodianos. A narrativa de Lucas opta por classificá-los: "espiões que se fingiam de justos" (cf Lc 20,20). O interessante é que enquanto os falsos justos perguntam se é lícito ou não "pagar" (em grego, é o verbodídomi) o tributo a César, Jesus responde com outra concepção de justiça: usa o mesmo verbo, mas acrescentando um prefixo (apo) que dá uma ênfase diferente: não se trata de pagar, mas de devolver, como pode ser traduzido o termo apodídomi.

Se na moeda está a imagem (literalmente a epígrafe) do seu proprietário, o dinheiro pertence ao opressor romano e é preciso devolver a ele. Como gosta de afirmar Gustavo Gutierrez, "se na pergunta dos fariseus está implícita a possibilidade de não pagar o tributo, também está a de ficar, nesse caso, com o dinheiro". Jesus supera o pretenso nacionalismo dos fariseus, vai à raiz: "é preciso erradicar toda dependência do dinheiro. Não basta romper com o domínio político estrangeiro, é necessário romper a opressão que nasce do apego ao dinheiro e de suas possibilidades de exploração dos demais" (O Deus da vida. São Paulo: Loyola, 1990. p. 87-88).

Fazendo uso do imperativo, a comunidade de Mateus mantém enfática a resposta de Jesus: devolvam ao imperador o que lhe é devido; e, da mesma forma, a Deus o que é de Deus! No Sermão da Montanha, a comunidade já havia lembrado: Não se pode servir a dois senhores, não há como servir a Deus e ao dinheiro (Mateus 6,24). O culto a Deus não se coaduna com o culto a Mamon, aqui representado pelo sistema do império romano.   

 

Mas o que é mesmo de César? E o que é de Deus?

Neste "a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" ainda cabe a pergunta: o que mais é de César e o que é de Deus?

Em terra ocupada, toda a população sabia que além do denário, também era de César o procurador da Judéia, nomeado pelo próprio imperador. Eram de César os exércitos invasores. "A César o que é de César" inclui, portanto, todo o anseio de libertação.

O clássico texto de Marcos 5,1-20 já tinha descrito, através da imagem dos porcos lançando-se ao mar, o mesmo desejo: a legião (termo militar para designar uma corporação de soldados) volta pelo caminho de onde veio, o mar (pelo Mediterrâneo chegavam os exércitos de Cesar). Da mesma forma que no Êxodo o mar havia engolido os cavalos do faraó e a opressão do Egito foi vencida, a comunidade espera que os porcos do império sejam devolvidos ao mar. É o que pode também ser lido no "Devolvam a César o que é de César".

Em contrapartida, o que mesmo é de Deus? Conforme Levítico 25,23, a terra pertence a Deus, o povo é nela hóspede. Logo, não pode a terra ser tomada por outra divindade, o império romano. O povo, em última instância, é o "povo de Deus", com ele Deus fez aliança (Josué 24). A liberdade do povo é dom de Deus!

 

Cumprir a sugestão de Jesus pode nos trazer riscos

Há que se repetir que o processo de divinização de Jesus feito pelas comunidades é implícita (ou até mesmo explícita) oposição à divinização do imperador. Isso nos permite afirmar que o movimento de Jesus, ou pelo menos a leitura que dele se fez na segunda metade do primeiro século, traz em si forte reação antiimperialista. E se reconhecemos que a teologia imperial romana era, de fato, o centro ideológico do poder imperial, seu coração teológico, devemos admitir também que a comunidade cristã entendeu que proclamar Jesus Cristo como filho de Deus significava deliberadamente negar a César o seu mais alto título.

Consequências viriam... Não por menos, tantas lideranças tiveram a mesma sorte de Jesus, A essa altura, só restaria mesmo a um camponês de periferia, já considerado blasfemo pelas autoridades religiosas de seu povo (Marcos 14,60-64), ser condenado como malfeitor (Lucas 23,33-34). Como o próprio Jesus, as comunidades experimentariam que não é simples "devolver a César o que é de César". O império não costuma aceitar.

Fonte: Edmilson Schinelo

 

Nota: Este blog tem publicado, além de artigos de Ciência Cristã, escritos de pessoas situadas em diferentes religiões, que ao desafiarem sua inteligência, sem medo de ousar, procuram buscar a verdadeira essência dos ensinamentos dos textos da Bíblia. Apontando com suas produções, de algum modo, para alguns aspectos ou características da teologia da Ciência Cristã.

Desta maneira, mantendo diálogo inter-religioso, participamos da elevação do pensamento do leitor a consciência de princípios universais, básicos para o cristianismo, importantes para o progresso da humanidade.

 

"A familiaridade com os textos originais e a disposição de abandonar as crenças humanas (estabelecidas por hierarquias e instigadas às vezes pelas piores paixões dos homens), abrem o caminho para que a Ciência Cristã seja compreendida, e fazem da Bíblia o mapa náutico da vida, no qual estão assinaladas as boias e as correntezas curativas da Verdade."  Mary Baker Eddy

 

ATENÇÃO:   O que é de César a César... O que é mesmo de César?  não representa necessariamente o pensamento do Movimento da Ciência Cristã (A Igreja Mãe em Boston ou qualquer de suas filiais, sociedades ou grupos informais de estudos, existentes em diferentes países do mundo), foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia no contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico, como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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sexta-feira, 3 de abril de 2015

QUEM NÃO CRE JÁ ESTÁ CONDENADO. CONDENADO A QUÊ?

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Comentário sobre relato bíblico:
 
 
Quem não crer já está condenado.
Condenado a quê?

João 3.14-21:

 

 

 O texto do evangelho [de João  3:14-21] traz uma bonita e ao mesmo tempo controversa frase: Deus amou o mundo de tal maneira que entregou seu Filho único para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3,16). Tamanho foi o amor de Deus que nos deu seu único filho! Mas por que o mesmo Deus que proibiu o sacrifício de Isaac (Gn 22) entregaria seu próprio filho? Queria o pai que seu Filho fosse morto por nós? Se não queria, por que permitiu isso? Era necessário que o Filho do Homem fosse levantado no madeiro (Jo 3,14)?

Sabemos que o quarto evangelho teve sua redação já no final do primeiro século, momento em que muita gente vinha entregando a vida pela causa do Evangelho, no serviço aos pobres, na partilha dos bens e até mesmo no enfrentamento  com o Império Romano, por meio do martírio. Por outro lado, não era pequeno o grupo que contestava essa postura: para seguir Jesus bastava buscar a "iluminação", abrir-se ao conhecimento, à gnose. Para quem assim pensava, o logos era luz a ser atingida pelo esforço do intelecto, não pela prática concreta. Corrigindo esta distorção, o quarto evangelho afirma já em seu prólogo: o verbo, a luz verdadeira, fez-se carne, gente de fato, viveu acampado no nosso meio! (Jo 1, 9.14).

Jesus e Nicodemos  

 

Procurando Jesus às escondidas

De acordo com as narrativas joaninas, havia um grupo de pessoas simpáticas ao projeto de Jesus, mas com dificuldades de assumir publicamente essa postura. Tais pessoas sempre procuravam Jesus às escondidas (Jo 3,2) e por isso a tradição os apelidou de cripto-cristãos.

Nicodemos fazia parte desse grupo. Foi modelo para muitos que, à época da redação do evangelho, não podiam ou não queriam assumir publicamente sua fé em Jesus. Pessoa influente entre os judeus, Nicodemos era fariseu e membro do Sinédrio (Jo 3,1). Mais tarde, até tentou evitar a condenação de Jesus (7,50). Na versão do quarto evangelho, também foi ele quem trouxe os perfumes para a preparação do corpo do Mestre (19,39). Mas teve dificuldades de assumir publicamente seu compromisso com o Reino.

Jesus já havia dito a Nicodemos que era preciso "nascer do alto" (Jo 3,3). Num jogo de palavras, era como "nascer de novo". Nicodemos não entendeu que Jesus esperava um renascer da água e do Espírito (3,5).

A conversa entre os dois segue em forma de poema, no qual se misturam as palavras de Jesus com as de quem escreveu o evangelho. E se Nicodemos tem dificuldade de procurar Jesus durante o dia, de ser testemunho aberto da luz (1,7), Jesus será elevado, para que seja visto por todo o mundo, para que o mundo seja salvo por ele.

 

Deus amou tanto o mundo...

O termo mundo (kósmos) é utilizado pelo quarto evangelho para designar tudo o que se opõe ao Reino, ao projeto de Jesus. Por isso, diante de Pilatos, Jesus afirma categoricamente: "O meu reino não é deste mundo" (Jo 19,26). Uma tradução possível e até melhor para esta frase seria: "Meu reino não é conforme - de acordo com - este mundo!" O mundo de Pilatos era o mundo do império romano: ocupação militar, corrupção, exploração dos pobres, violência contra as mulheres e as crianças.  Jesus denuncia publicamente essa farsa, por isso é levantado no madeiro (Jo 3,14). O império o condena. É elevado ao trono, mas sua glória é a cruz.

Entretanto, mesmo denunciando esse mundo e por ele condenado, não quer a sua condenação. Deus enviou Jesus não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (Jo 3,17). E da mesma forma que foi enviado, Jesus faz questão de afirmar que ao mundo também enviou seus discípulos (Jo 17,18).

A condenação e o assassinato de Jesus são atitudes e escolha do "mundo" e não o desejo de Deus. Temos que assumir que é nossa a culpa pela morte de tanta gente inocente. Não nos serve a atitude de Pilatos que, mesmo reconhecendo a inocência de Jesus, é conivente e autoriza a sua morte (Jo 19,6.16). Entretanto, a comunidade joanina, ao refazer a releitura de Gn 22 (a preservação da vida, o não-sacrifício de Isaac), quer ressaltar o quanto Deus ama esse mundo e como deseja a conversão e a mudança de comportamento.

 

Quem não crer, já está condenado!

O Evangelho de João parece cair em contradição: no conjunto, insiste na salvação do mundo; aqui explicita a condenação: a luz veio ao mundo, mas muitos dos seres humanos preferiram as trevas (Jo 3,19); o mundo não o reconheceu (Jo 1,10). Quem não crer, de antemão já está condenado (Jo 3,18). Uma tradução melhor seria "julgado" (em grego, kríno). O acréscimo de Marcos modificou o texto e o verbo: além de crer, é preciso ser batizado (Mc 16,16). Quem não crer será condenado (Marcos usa outro verbo - katakríno, mais ligado a "dar a sentença")

Há quem prefira interpretar que a fé em Jesus é condição para a salvação. Estariam condenadas as pessoas que não acreditam e não aceitam a luz. É até possível que seja essa a intenção dos redatores, tamanha era perseguição do mundo sobre as comunidades à época da redação do texto. Entretanto, duas perguntas são muito importantes: Quem condena? E condena a quê?

Com certeza, quem nos condena não é Deus. Tamanho é o seu amor por nós que nos enviou seu próprio Filho! Nós mesmos/as fazemos a escolha, a opção é nossa. Estamos "no mundo", mas podemos deixar de viver "conforme o mundo".

Mas a que nós podemos nos condenar? Condena-se a si mesmo quem decide pelo projeto do "mundo". Neste sentido, "crer" é aderir, aceitar, entregar-se, integrar-se no outro projeto, o do Reino.

Não é bom que corramos o risco de nos condenar à tristeza e à frustração de quem não consegue crer que Deus nos ama e que "outro mundo é possível". Não podemos nos condenar ao individualismo e ao isolamento apregoados pela sociedade moderna. O caminho é a solidariedade, a partilha e o compromisso com quem sofre injustiças. Não fazer essa escolha é ficar na indecisão de Nicodemos. E então nos sobraria a "opção" de nos consolar comprando flores e perfume para o túmulo, como fez esse líder dos judeus.

Autor: Edmilson Schinelo, colaborador do CEBI.

 

Nota: Este blog tem publicado, além de artigos de Ciência Cristã, escritos de pessoas situadas em diferentes religiões, que ao desafiarem sua inteligência, sem medo de ousar, procuram buscar a verdadeira essência dos ensinamentos dos textos da Bíblia. Apontando com suas produções, de algum modo, para alguns aspectos ou características da teologia da Ciência Cristã.

Desta maneira, mantendo diálogo inter-religioso, participamos da elevação do pensamento do leitor a consciência de princípios universais, básicos para o cristianismo, importantes para o progresso da humanidade.

 

"A familiaridade com os textos originais e a disposição de abandonar as crenças humanas (estabelecidas por hierarquias e instigadas às vezes pelas piores paixões dos homens), abrem o caminho para que a Ciência Cristã seja compreendida, e fazem da Bíblia o mapa náutico da vida, no qual estão assinaladas as boias e as correntezas curativas da Verdade."  Mary Baker Eddy

 

ATENÇÃO:   Quem não crer já está condenado. Condenado a quê? João 3.14-21, não representa necessariamente o pensamento do Movimento da Ciência Cristã (A Igreja Mãe em Boston ou qualquer de suas filiais, sociedades ou grupos informais de estudos, existentes em diferentes países do mundo), foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia no contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico, como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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sábado, 28 de março de 2015

AS COXAS - o nome descoberto

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Comentário sobre relato bíblico:

 

 "... ficando ele só; e lutava com ele um homem, até ao romper do dia. Vendo este que não podia com ele, tocou-lhe na articulação da coxa; deslocou-se a junta da coxa de Jacó, na luta com o homem.

Disse este: Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei ir se me não abençoares."  Gênesis 32:24, 25

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As coxas: o nome descoberto

 

Evaristo Eduardo de Miranda

 

No texto bíblico, as coxas representam um dos lugares mais significativos das transformações interiores do homem que, nas trevas, está em luta consigo mesmo. O humano pode sair de seu infantilismo espiritual rastejante e de sua inconsciência. E o faz mediante tropeços que o levam a mancar. Caminhar mancando é um sinal de estar ciente de sua natureza incompleta, das dimensões interiores ainda não esposadas.

As coxas representam a possibilidade de tomada de consciência da fraqueza de nossa força e da força de nossa fraqueza. A expressão em português "se mancar" o homem capacita-se, convence-se  de que está sendo inoportuno, inconveniente ou com etendo erro ou engano. A falha ou esquecimento com relação a algum compromisso também é tratada como "dar uma mancada".

A coxa é a parte do membro  inferior do homem que vai desde as virilhas  até o joelho, e cujo esqueleto é o femur. A coxa é naturalmenrte associada com o quadril (cadril - cadeiril, cadeira), onde se situa a articulação de fêmur com ilíaco. é um lugar onde se unem força e erotismo. "Os contornos de tuas ancas são como, no  anéis, obra de mão de artista" diz o amado a sua amada, no Cântico dos Cânticos (Ct 7,2). Se na tradição cabalística os pés correspondem ao feto no ventre da mãe, os joelhos à criança em seu nascimento, com todo o seu poder vital e sua força emergente, as coxas evocam a adolescência e as passagens iniciáticas do amadurecimento.

No texto bíblico, as coxas e os quadris - onde se ata o cinto1, carrega-se a espada 2  atam-se as vestes que cobrem a nudez 3 - falam do Homem  de espírito em conflito com o Homem animal. Jacó é abençoado no dia em que é atingido e ferido por Deus no músculo 4 da coxa, bem próximo da genitália, e fica manco ( Gn 32, 25-26).

Como Jacó, nós também somos abençoados no dia em que tomamos consciência de nossa condição de coxos, de imperfeitos, de não-realizados. Como diz o profeta: "Desde que me vejo como sou, bato no quadril" (Jr 31, 19). Num dos epizódios mais significativos da Antiga Aliança, Jacó tem, no final dessa noite de luta com seu outro, o nome mudado. Ele descobre pela luta seu verdadeiro nome, Yisrael.

 

Qual o contexto dessa luta?

 

JACÓ_ANJO_COXA

 

Na plenitude  da dinâmica de TER, Jacó havia obtido de seu irmão Esaú o direito de primogenitura em troca de um prato de lentilhas ruivas e, por meio de uma série de ardis, a bênção sacramental de seu pai Isaac.  Esaú  promete matar Jacó após a morte próxima de seu pai (Gn 27,41). Rebeca, sua mãe, aconselha Jacó a fugir para a casa de seu tio Laban. Ele deixa seu irmão e seus pais e parte somente com seu bastão.

Durante a viagem, entre Beer-Sheba, onde vivia, e as terras de Harran, Jacó terá a visão da escada cujo topo atingia o céu. Nas terras do tio, Jacó casará com suas duas filhas, Léa e Raquel, e o servirá por sete anos. Entrará em conflito com Laban e seus filhos, viverá um complexo acerto de contas e finalmente retornará ao encontro d de Esaú.

Temeroso, ele (Jacó) se prepara para o reencontro com Esaú. A força de Esaú vai contrapor-se à força de Jacó. Esaú não fora capaz de deixar pai e mãe, de abandonar estas muletas, e vivia no labirinto parental. Um pouco como o irmão mais velho do filho pródigo na parábola de Jesus (Lc 15, 11-32).

Ao caminhar para si, Jacó constroi uma força ascensional para opor-se a Esaú. Expede mensageiros, toma preocupações, envia presentes ao acampamento do irmão e pede a proteção do Senhor: "Eu peço, salva-me da mão de meu irmão, da mão de Esaú, pois tenho medo dele" (Gn 32,12). Chegada a noite, Jacó passa o rio Yaboqco suas duas mulheres, seus dois  servos,  seus onze filhos e tudo o que lhe pertencia. Faz essa passagem duas vezes. Retorna e fica só. Um homem luta com ele até a aurora.

Em Jacó, o Homem em túnica de pele deixa a suas muletas parentais e torna-se Homem consciente, desidentifica-se do irmão e adquire uma outra força. Essa nova força começa a ser adquirida no campo energético do feminino. O modo de conhecimento do feminino é diferente do masculino e representa uma inspiração à qual o espírito masculino raramente tem acesso.

Ele descobre o feminino em primeiro lugar da forma mais elementar, ao desposar sucessivamente as duas filhas de Laban. Depois, a partir dessa experiência é que será capaz de assumir e esposar (sponsa 5 ), as dimensões femininas em seu ser, ao tornar-se responsável. Jacó adquire bens materiais e espirituais por seu trabalho exterior e interior. Por sete anos, um ciclo cósmico, um tempo de aperfeiçoamento, ele vive nessa dimensão "lunar", feminina. Laban em hebraico significa branco, mas também um dos nomes do astro da noite, a Lua.   

Deus diz a Jacó: "Retorna à terra de teus pais, a teu nascimento, Estou contigo" (Gn 31,3). Nesse retorno às origens, Jacó, Homem consciente e responsável, prepara-se para encontrar-se com o outro-ele  mesmo, seu irmão em túnica de pele.  Jacó prepare-se para esposar uma dimensão ainda mais difícil de si mesmo.  Jacó teme. Tenta ardís, como em outras ocasiões de sua vida. Seu irmão, indiferente, marcha em sua direção com quatrocentos homens. Isso exige de Jacó morrer para seus medos. Exige uma nova estatura, capaz de restituí-lo com relação a essa redutável dimensão do irmão gêmeo. Ele prepara-se para essa passagem.

Diante do rio Yaboq, de instigante toponímia, Jacó fará durante a noite, duas vezes a passagem desse vau com seus bens e familiares. No texto, a palavra hebraica Ever, o nome dos hebreus, Homens de passagem, é repetida duas vezes. ou seja, Jacó realiza a plenitude de seu nome, tanto como hebreu, como no jogo homônimo de palavras com o rio Yaboq, que também mimitiza o verbo hebraico lutar, yeavoq,   cuja raiz significa abraçar, apertar e pulverizar.

"Às trevas da criatura responde a noite da Transcedência" 6, nas palavras do místico S. João da Cruz (1542-1591). Anoiteceu. É a noite escura, a noite da alma. "Um homem luta com ele até elevar-se a aurora" (Gn 32,25). A tradição oral viu nesse homem um anjo, um mensageiro de Deus.  

Para Rashi, citado, "nossos sábios, de abençoada memória", era o anjo de Esaú. Pelo verbo hebraico, esse homem o abraça, até reduzi-lo a pó. Menahen ben Saruk, citado por Rashi, traduz essa passagem como "e empoeirou-se um homem".  Em sua noite escura, Jacó - que para os cristãos prefigura Jesus - dirá: "A noite penetra meus ossos e me estraçalha, meus nervos sofrem sem interrupção" (Jó 30,17). Rashi entende essa passagem de Jacó como "amarrado a ele, a seus laços. Porque esse é o meio de duas (pessoas) que se esforçam para derrubar uma à outra: uma abraça e enlaça (a outra) com seus braços" 7.

O texto hebraico diz Ish, um homem, no sentido de "esposo". Jacó entra no casamento místico consigo mesmo, no mais profundo e alto nível enegético, a fim de poder encontrar e "desposar" seu irmão. Esaú, homem vermelho, animal, grossseiro, não realizado, mas pelo qual passa a encarnação de Jacó.  Trata-se da dança do homem consigo mesmo e, enquanto vida, de sua dança com Deus 8. Uma dança noturna e dolorosa que deixa marcas. Nada podendo, o homem toca na palma da coxa de Jacó e ela se desloca. Quando o sol brilha, Jacó "coxeava da coxa" (Gn 32,32). No texto bíblico, vê-se o gesto de bater na coxa como gesto de dor (Ez 21, 17).

Ele fica coxo. Ele sempre fora coxo, como visto na simbologia dos pés, mas agora ele toma consciência de que ainda não esposou a totalidade de seu ser e caminha para sua verticalização.  Atingidos na coxa, estamos diante de um sintoma revelador: para atingir sua verticalização,  o Homem deve desposar todo o potencial de energia selada em seu feminino. Jacó, pressentindo a identidade do homem Ish, pede sua benção. 

Quando indaga o nome, o homem responde:  - Porque me perguntas?  Em realidade a resposta já tinha sido dada. Jacó havia combatido com Yisrael para se tornar Yisrael. "Teu nome não será mais dito Jacó mas Yisrael - lutador de El: sim, lutaste (saro) com Deus (EL) e com os homens (Ish), e prevaleceste" (Gn 32,29). Revelação do nome e de toda energia.

É no nível do lutar que a transformação foi feita de Jacó para Yisrael, reduzido a pó até atingir seu princípio (príncipe= sar, em hebraico).O homem atinge sua divinificação quando encontra a fonte ou o princípio pela qual ele integra-se a totalidade do cosmos. Todos nossos Nomes, germes da Vida, nos quais Deus soprou em Adâm - ou melhor  ainda soprou Adâm (Gn 2,7) - estão contidos no seu santo Nome, IHWH. 

Revestido da força divina, Jacó-Yisrael reencontra seu irmão Esaú. Fora de uma relação de forças. A experiência de Jacó junto a Laban  é homóloga à dos homens  junto ao Egito. O povo de Yisrael, nascido de Jacó, viverá a experiência de passagem, da luta consigo mesmo e da integração mística de suas dimensões masculinas e femininas.   Da criança Jacó nasceu um homem Yisrael. Com   Jacó devemos tomar consciência que, longe de sermos seres alados, somos todos coxos.

No interior da coxa de Júpiter (Zeus), Dionísio havia realizado uma segunda gestação, como numa árvore oca. Nas pessoas idosas, a ruptura espontânea da cabeça do fêmur 9 deveria ser uma última lembrança de nossa natureza coxa e da eminência do final desta segunda gestação.

Acidentes dessa natureza evocam a proximidade da passagem, da páscoa individual, a cruzar da Porta dos homens de TER para SER, para ver realizada a profecia do livro do Apocalipse: "Sobre seu manto e sua coxa ele traz inscrito um nome: Rei dos reis e Senhor dos Senhores" (Ap 19,16).  

 

1. " A justiça será o cinto de seus quadris e a fidelidade, o cinturão de seus rins." (Is 11,8)

2. "...cada um sua espada sobre os quadris para enfrentar o terror da noite" (Ct 3,8)

3. "Confecciona-lhes calções de linho para cobrir a nudez; irão dos rins às coxas" (Ex 28,42)

4. O corpo humano tem cerca de 640 músculos diferentes, todos voltados para empurrar e contrair. Os músculos da coxa cumprem também um papel na sustentação do esqueleto humano.

5. Esposa. Presente na palavra re-sponsa-bilidade.

6. São João da Cruz, Obras completas. Vozes, Petrópolis 1991.

7. Chumash. Bereshit. Bíblia. Com comentários de Rashi. Trejger Editores, São Paulo 1993.

8. Annick de Souzenelle. Le symbolisme du corps human, op.cit.

9. O fêmur é o osso único da coxa, o maior do corpo humano e mais resistente do que o concreto. É provável que a maioria dos humanos, ou pelo menos boa parte da humanidade, viva em casas menos resistentes do que seus fêmures! A estrutura interna e externa do fêmur, na forma de articulação na bacia, com a cabeça deslocad com relação ao eixo principal, serviram de modelos para a construção da torre Eifel em Paris.

 

Fonte: Corpo - Território sagrado de Evaristo Eduardo de Miranda, Edições Loyola, 6ª edição, 2010.

Autor: Evaristo Eduardo de Miranda é mestre e doutor em ecologia pela Universidade de Montpellier, França, profundo conhecedor da teologia espiritual, agente da pastoral da esperança. De sua aproximação às escrituras e ao hebraico nasceu este livro.

Nota: Este blog tem publicado, além de artigos de Ciência Cristã, escritos de pessoas situadas em diferentes religiões, que ao desafiarem sua inteligência, sem medo de ousar, procuram buscar a verdadeira essência dos ensinamentos dos textos da Bíblia. Apontando com suas produções, de algum modo, para aspectos ou características da teologia da Ciência Cristã.

Desta maneira, mantendo diálogo inter-religioso, participamos da elevação do pensamento do leitor a consciência de princípios universais, básicos para o cristianismo, importantes para o progresso da humanidade.

"A familiaridade com os textos originais e a disposição de abandonar as crenças humanas (estabelecidas por hierarquias e instigadas às vezes pelas piores paixões dos homens), abrem o caminho para que a Ciência Cristã seja compreendida, e fazem da Bíblia o mapa náutico da vida, no qual estão assinaladas as boias e as correntezas curativas da Verdade." Mary Baker Eddy

 

ATENÇÃO:   As coxas: o nome descoberto   não representa necessariamente o pensamento do Movimento da Ciência Cristã (A Igreja Mãe em Boston ou qualquer de suas filiais, sociedades ou grupos informais de estudos, existentes em diferentes países do mundo), foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia no contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico, como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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domingo, 8 de março de 2015

MULHERES E PROFETISMO NO PRIMEIRO TESTAMENTO

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DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

8 de março de 2015

 

 

" A falta de poder espiritual na demonstração limitada

 

do Cristianismo popular não reduz a silêncio o labor dos séculos.

É a consciência espiritual, não a corporal, que se faz necessária".

Mary Baker Eddy

 

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Comentário sobre relatos bíblicos:  

 

Mulheres e profetismo no primeiro testamento 

   

1. Iniciando nossa conversa

“...O profetismo é também o anúncio da esperança, da utopia que buscamos e que não nos deixa desanimar, porque temos a promessa o futuro, assim como já conduziu os passos dos profetas e pais que nos precederam na fé.” (CAVALCANTE, 1987)

Ao falar em profecia, profetas e profetismo imediatamente pensamos nos grandes nomes de Amós, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Elias; todos homens grandiosos que fazem parte do cenário profético das Escrituras Sagradas. Porém se olharmos atentamente os textos bíblicos numa perspectiva feminina veremos que, no percurso do agir profético, houve, como ainda há em nossos dias, a participação insubstituível da mulher.

No entanto, se a leitura bíblica que fazemos ainda é carregada de pré-conceitos e estereótipos masculinos, as mulheres profetisas não serão encontradas facilmente, mesmo por que a tradição judaico-cristã nunca fez questão de reconhecer esta participação na história da salvação. Mesmo hoje, parece que a lista de mulheres mártires e profetisas lembradas em nossas liturgias não enche uma página. Será que as mulheres não participam ou será que continuam propositalmente esquecidas?

02

  Rute estava disposta a trabalhar arduamente num serviço humilde para sutentar a si mesma e a Naomi, sua sogra. 

 

Hoje há milhares de mulheres, judias, protestantes e católicas que procuram fazer uma leitura bíblica no contexto do povo, enfatizando o papel das mulheres e de outros marginalizados na Bíblia. No entanto, a força da visão patriarcal da religião é tão universal, que milhares de mulheres ainda acreditam que Deus (um puro espírito sem gênero) é masculino e por isso sempre escolheu homens e continuará a escolhe-los como profetas, sacerdotes e governantes do povo por serem “melhores e moralmente mais fortes do que as mulheres”.

Mas isso não precisa continuar sendo assim, uma visão histórica e socialmente construída leva quase o mesmo tempo para ser desconstruída, é o que as mulheres, profetisas de nosso tempo estão tentando forjar. É o que nos mostra a afirmação de uma delas, num ensaio sobre mulheres na Bíblia:

“As biblistas feministas, em geral, são multidisciplinares em sua abordagem do texto bíblico. Elas trabalham com a análise literária, a antropologia, a sociologia, a lingüística, a filosofia e a psicologia. A interligação de todos esses campos permite penetrar o texto em seu contexto de povo de Deus num mundo abrangente. Essa leitura é importante para todas as religiões.” (Ana Flora Anderson, s/d)

Ao falarmos de profetismo feminino, logo de cara nos deparamos com o que alguns autores/as denominam ocultamento e nós concordamos com eles. Em nossas leituras e análises, observamos que as mulheres aparecem muito nos textos, mas em geral, mesmo quando sua presença é importante, seu nome é substituído ou acompanhado por sua função familiar: a irmã de Moisés, a mãe dos macabeus, a mulher do profeta; e hoje ainda- a mãe do padre Josimo, as mães da praça de maio, as margaridas, a viúva do Chico Mendes, etc. é por essas e outras que necessitamos de um olhar atento, vigilante, quando quisermos descobrir onde há mulheres atuando, fazendo, criando, lutando e proferindo uma palavra profética na história.

”Se houve todo um processo de ocultamento das mulheres por parte dos que escreveram a Bíblia, isso nos leva a uma leitura mais crítica. Lá onde alguma mulher aparece explicitamente numa posição louvável, especialmente se ela recebe o título de “profetisa” ou “juíza”, é porque sua liderança ultrapassa todas as barreiras patriarcais e se impôs como impossível de ser omitida” (Cavalcanti,1987).

2. Profetisas do Primeiro Testamento

2.1.Miriam ( Ex 15,20-21;Mq 6,4; Nm 12)

A Bíblia cita inegavelmente a profetisa Miriam como uma das envolvidas no projeto de libertação dos hebreus junto com Aarão e Moisés. O cântico de Miriam é um dos mais antigos escritos da Bíblia, o que denota que desde o começo houve a presença de mulheres na história de Israel acontecida e também na história escrita.

Miriam é aquela que puxa o cordão das mulheres, toca tamborim, dança e canta em homenagem a Javé, o libertador. Obviamente o texto menciona seu parentesco com Aarão, mostrando uma forma de não deixar a liderança de uma mulher sobressair sozinha. No entanto em Miquéias 6,4, Miriam aparece em pé de igualdade com Moisés, mas no capitulo 12 dos Números, ela é punida com a lepra por contestar Moises e só é curada com a mediação do mesmo.

Apesar das tentativas de diminuir sua importância, uma leitura do ponto de vista da mulher coloca Miriam em destaque e seu profetismo consiste na liderança das mulheres, no louvor e reconhecimento ao Deus que liberta e quer vida digna para todos e todas.

2.2. Débora (Jz 4-5)

Num momento de fraqueza e dispersão das tribos, a juíza Débora convoca o chefe Barac e todos os guerreiros para lutar em defesa do povo e sob a proteção de Javé. O texto fantástico de Juízes 4 deixa claro o brilho de Débora, assim como o de Jael em oposição à fraqueza masculina revelada em Barac e Sísara. É esse texto que ressalta o profetismo de Débora e seu papel: despertar as lideranças adormecidas, convocar as tribos para a união, levantar o ânimo de todos e sobretudo convocar à fé no Deus libertador. Essa é fé cantada em ritmo de festa e louvor, terminando com um grito confiante:

“Aqueles que te amam, Javé, que eles sejam como o sol quando se levanta em sua força”(jz 5,31)

Mais tarde, a carta aos Hebreus (11,33) fará menção ao tempo dos juizes, citando vários e até o covarde Barac,mas omite Débora. É preciso que as mulheres e também os homens de hoje desconstruam essas idéias de exclusão ou diminuição do papel da mulher contidas na Bíblia, analisando o contexto do escrito e pondo as cartas na mesa.

 2.3 Hulda (2 Rs 22,14-20)

No tempo da reforma de Josias, a infidelidade a Javé e a idolatria se tornam um perigo iminente, Josias pede seus homens de confiança para consultarem a Javé, no entanto eles se dirigem a Hulda, que prediz a desgraça de Jerusalém. Sua função é comparada a de muitos profetas que são consultados pelos reis em momentos difíceis e decisivos. Seu profetismo consiste em alertar a consciência de fé do povo, e tal consciência emerge, com o mesmo grau de agudeza, entre homens e mulheres.

  2.4. Agar (Gn 16; 21,8-21)

Desculpe-nos os biblistas tradicionais se não nos reportamos a matriarca Sara e sim a Agar. Acreditamos que devemos isso a ela e a todas as mulheres negras, escravizadas e espoliadas de nossa história. Os dois textos apresentam a história de Agar e seu filho Ismael, que mesmo diferentes entre si, revelam a resistência de Agar a submeter-se a uma situação de injustiça, na qual ela reivindica os direitos de seu filho, o primogênito de Abraão.

A história de Agar entra em sintonia com a história de milhares de mulheres, mães solteiras ou abandonadas pelos maridos, tendo que arcar sozinhas com a criação dos filhos. E o incrível é que vendo a história por essa ótica, Abraão, nosso pai na fé, fica em maus lençóis, foi omisso, deixou que seu filho fosse embora, viver em condições difíceis no deserto com sua mãe, tendo na casa do pai todo o conforto.

Porém Javé, que é o Deus da vida, recompensa Agar a ela se manifestando e anunciando a promessa de grande descendência. E ainda que Sara nos pareça vitoriosa, Javé não abandona Agar que foi oprimida, mas cumpre sua promessa, acompanha e protege dos desvarios de sua “senhora”.

2.5. Ana ( 1Sm 1, 1-2, 11)

Ana é encarada como a profetisa que inspirou o Magnificat. Sendo estéril, é agraciada por Javé com um filho, que consagra a Deus por toda a vida. Ela, humilhada por Fenena, outra esposa de Elcana, seu marido, representa a grande massa oprimida que não tem voz e nem vez e até o pão lhe é dado com indiferença e desprezo. Mas ela não se deixa subjugar e confia no Deus que dá vida, liberta e faz justiça. Seu cântico deixa a perspectiva individual de uma mãe que se rejubila com a gestação, e passa ao louvor do Deus cheio de sabedoria e justiça.

2.6. Rute e Noemi (livro de Rute)

O livro de Rute não enfoca especificamente o carinho filial de uma nora por sua sogra, mas aborda a questão da terra, da fome e da família de Israel. Duas mulheres em condições peculiares: uma viúva (Noemi) e a outra também viúva e estrangeira (Rute, a moabita). Ambas vão lutar pela sobrevivência numa situação precária na qual fazem valer a lei a seu favor.

O profetismo de Rute e Noemi consiste na afirmação da vida e da posteridade da família e do povo, num contexto de total desesperança.“Rute, cujo nome significa amiga ou saciada, é o símbolo da mulher por quem o povo renasce, porque sua fé foi agraciada e sua esperança tornou-se fecunda”.

2.7. Ester (livro de Ester)

A personagem de Ester surge ligada a um contexto de perigo iminente do extermínio do seu povo. O livro relata o episodio da historia dos judeus em que um alto funcionário da corte do Rei Assuero decreta o extermino dos judeus. Ester, esposa do rei, de origem judia, expõe sua vida na tentativa de impedir que o decreto fosse cumprido e consegue inverter o processo. Ela representa uma mulher aparentemente frágil, que assume a defesa do povo ameaçado, e para faze-lo convoca todos os seus ao jejum e a união de forças.

2.8. Judite (livro de Judite)

Trata-se de uma história fictícia que objetiva restabelecer a fé no Deus que “está conosco” e recuperar a confiança do povo, mantendo-o fiel ao projeto de Javé. Como Jael e Ester, Judite arrisca sua vida e usa seus encantos femininos para cativar e depois trair o general inimigo e assim salvar os filhos e filhas de Israel.

O bonito dessa narrativa é que não há negação da corporeidade feminina, claramente explicita no grau de erotismo e sensualidade presentes no texto. Mas o conteúdo mais profundo da atuação feminina,está no modo como Judite se dirige aos chefes da cidade para dizer-lhes que não se pode tentar a Deus, dando-lhes prazos de intervenção. De Javé só se pode esperar ação livre e gratuita.

Oração e ação caminham juntas no profetismo de Judite, que ora e jejua no tempo da provação e preparação, e canta e dança, enfeita-se e distribui ramos às companheiras para celebrar a vitória e a paz. Como Débora, Miriam e Rute, Judite também nos oferece um cântico de alegria contagiante que enriquece a escritura sagrada, esculpindo nela os contornos de nossa feminilidade.

No momento mais decisivo de sua atuação, sua oração faz lembrar aos homens e mulheres de nossa sofrida América latina que nosso Deus é nossa força, “é o Senhor quem protege o oprimido”:

“Teu poder não está no grande número, nem tua soberania entre os que tem força. És o Deus dos humildes, o socorro dos oprimidos, o amparo dos fracos, o protetor dos abandonados, o salvador dos desesperados” (Jt 9,11)

  2.9. A mãe dos Macabeus

Embora se trate de uma obra edificante, os fatos relatados devem ter algum fundamento histórico e o episódio relativo à mãe dos macabeus não deve ter surgido do nada. O livro refere-se às lutas dos Judeus, liderados por Matatias e seus filhos, especialmente Judas Macabeu, contra os reis selêucidas, que quiseram impor os costumes gregos na Judéia. No contexto apocalíptico colorido de terror, como se vê pela descrição do martírio dos sete filhos, a figura que mais se sobressai é a da mulher. Seui profetismo marca esse momento de modo especial. Gallazzi afirma que aquela mãe se torna o símbolo “do povo pobre que resiste, recupera sua memória e elabora uma contra-ideologia, que sustenta a resistência e a luta do povo. A mulher ‘produz’ uma nova mística de vida, num momento que reina a morte”.

A profissão de fé daquela mãe corajosa assume uma conotação bem feminina, dirigindo-se a seus filhos na língua de seus pais, exortando-os e animando com ardor viril o seu raciocínio de mulher (2 Mc 7,21). Trata-se de uma confissão de fé explicita no ato criador de Deus que gera os homens através do seio da mulher e cujo poder é capaz de tirar da morte aqueles que foram assim gerados.

Como essa mulher que não tem nome, milhares de mulheres insurgem contra a ideologia vigente sendo protagonistas anônimas contra a violência do opressor que atinge mulheres e crianças indefesas nos conflitos de terra, na guerra urbana do dia-a-dia, nas favelas, becos e guetos de nossa espoliada América Latina.

 

3. Mulheres e Profetismo hoje: Para não concluir nossa conversa

Ler a Bíblia na ótica da mulher significa procurar o que cada texto diz às mulheres de hoje, de modo a impugnar qualquer interpretação distorcida pelo machismo. A interpretação da Bíblia sempre foi masculina, pois o masculino era tido como universal. Mas se a idéia de universal passa pela ótica de que todos somos iguais, embora diferentes, homens e mulheres devem se sentir incomodados cada vez que a leitura da Bíblia conduzir à desigualdades e discriminações de qualquer natureza.

As profetisas de hoje estão saindo do anonimato e rompendo a cadeia da exclusão. Não podem ficar de fora dessa reflexão, as milhares de mulheres que fazem história em nosso continente e no mundo afora, cada uma a seu modo, com sua cultura e expressão, vão rompendo “as algemas”e mostrando a cara e a voz. Não estamos falando da “revolta dos sutiãs”, mas de mulheres que não aceitam a ditadura da beleza imposta pela mídia e arrebentam as correntes da violência doméstica, do direito de escolha, libertas e provocadoras de mudanças. Estamos falando dasmulheres que assumem a defesa de seu povo com coragem e firmeza( Jz 5, 28-30) e não ficam passivas a esperar os homens voltarem da guerra com os despojos”.

Parece-nos costumeiro ouvir dizer que os profetas estão mudos, ninguém anuncia ou denuncia mais, talvez seja por que a voz dos homens que gritou durante séculos, inclusive abafando a voz das mulheres, esteja enfraquecida pelo egoísmo e falta de partilha na missão profética. Pare e pense: será que os profetas sumiram ou será que é a vez e a voz das profetisas que estão sobressaindo? As mães da praça de maio, as quebradeiras de coco babaçu, as rendeiras e doceiras reunidas em cooperativas, Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Maria da Penha, Doroty, as margaridas, as mulheres do MST e de outros movimentos populares, Oneide, Rosa, Ana Maria, Agostinha do Cebi, Tereza Cavalcanti, Inês, Catarina de Sena, Joana d’Arc, Anita Garibaldi, Ana Nere, e as milhares espalhadas por este mundo, incluindo todas as alunas das escolas bíblicas espalhadas pelos cantos desse pais, continuam como Raab, Séfora e Fuah, dentro do contexto de sua feminilidade a gerar vida e vida em abundância para todos e todas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2001.

BÍBLIA SAGRADA – Ed. Pastoral. São Paulo: Paulus, 2000.

COLEÇÀO: A PALAVRA NA VIDA. Mulher: Fermentando e Gerando Vida.Várias Autoras. nº 121.São Leopoldo,RS: Cebi, 2001.

CAVALCANTI.Tereza M. Mulheres e Profetismo no Antigo Testamento. In: Curso de Verão, Ano II. São Paulo: Paulinas, 1988.

STRÕHER. Marga J. (et al). À Flor da Pele: Ensaios sobre gênero e corporeidade. São Leopoldo,RS: Sinodal, Cebi, Est; 2004.

Fonte: Alexandre, Edicarlos,  Eliana, Elaine, Jucimar e Maria das Graças - da Escola Biblica Flor de Piqui  - Participantes da 1ª Etapa da Escola B. Flor de Pequi/2007 - CBI 

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Nota: É uma pena que, em meio a tanta produção acadêmica e reflexões sobre a Bíblia, pessoas de diferentes denominações ainda se contentem com a interpretação cotidiana ou de senso comum sobre textos bíblicos. Deixando de usufruírem, progressivamente, da profunda sabedoria contida nas Escrituras.

Este blog tem publicado, além de artigos de Ciência Cristã, escritos de pessoas situadas em diferentes religiões, que ao desafiarem sua inteligência, sem medo de ousar, procuram buscar a verdadeira essência dos ensinamentos dos textos da Bíblia. Apontando com suas produções, de algum modo, para aspectos ou características da teologia da Ciência Cristã.

Desta maneira, mantendo diálogo inter-religioso, participamos da elevação do pensamento do leitor a consciência de princípios universais, básicos para o cristianismo, importantes para o progresso da humanidade.

"A familiaridade com os textos originais e a disposição de abandonar as crenças humanas (estabelecidas por hierarquias e instigadas às vezes pelas piores paixões dos homens), abrem o caminho para que a Ciência Cristã seja compreendida, e fazem da Bíblia o mapa náutico da vida, no qual estão assinaladas as boias e as correntezas curativas da Verdade." Mary Baker Eddy

 

ATENÇÃO:   Mulheres e profetismo no primeiro testamento  não representa necessariamente o pensamento do Movimento da Ciência Cristã (A Igreja Mãe em Boston ou qualquer de suas filiais, sociedades ou grupos informais de estudos, existentes em diferentes países do mundo), foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia no contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico, como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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