terça-feira, 22 de maio de 2012

O IMPÉRIO BABILÔNICO: 612–538 a.C.

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                      O IMPÉRIO BABILÔNICO

(612 - 538 a.C. - 2Rs 18-25; Jr 52, Lm)

 

1. Judá sob o domínio egípcio

Voltando da incursão contra a Assíria, o faraó Necao depõe o rei Joacaz e coloca em seu lugar Eliacim, mudando-lhe  o nome para Joaquim. Desse modo, Judá se tornava vassalo do Egito, e o faraó garantia para si  um aliado estratégico. Jeremias critica violentamente essa política pró-Egito, e Habacuc levanta a questão sobre essa interminável sucessão de dominações.

 

2. Fim do Reino de Judá

Em 605 a.C. Nabucodonosor, rei da Babilônia, derrota o exército egípcio em Carquêmis e torna Judá um estado vassalo. Joaquim paga tributo durante três anos, mas devido a uma derrota dos babilônios contra o Egito, o rei de Judá   se alia novamente aos egípcios.

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Em 598 a.C. Nabucodonosor entra em Jerusalém e mata Joaquim. O filho deste, Joaquin, é posto no trono. Mas após três meses, os babilônios conquistam Jerusalém, depõem Joaquim e, em seu lugar, colocam Matanias, mudando-lhe o nome para Sedecias. Acontece então a primeira deportação

Entre os deportados estava o profeta Ezequiel. Instigado pelo partido pró-Egito, Sedecias tenta se livrar da Babilônia e cessa  de pagar tributo.

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Em 587 a.C. Nabucodonosor cerca Jerusalém durante um ano. A cidade vive uma situação desesperadora por causa da fome.  Em julho de 586 a.C. Jerusálem é invadida.  Sedecias tenta fugir, mas é preso, torturado e exilado na Babilônia. Um mês  depois a cidade é incendiada, juntamente com o Templo. A população da cidade é levada para a Babilônia (segunda deportação). Na terra ficam apenas os camponeses, que forneciam gêneros “in natura” para os dominadores.

 

3. O exílio

Na Babilônia, os judeus deportados viviam em comunidades. De início tinham esperança de que o rei Joaquin voltasse ao trono, mas aos poucos foram se desligando da pátria e assimilando a cultura babilônica.

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Os jardins suspensos da Babilônia, imaginados por Martin Heemskerck.

 

Nesse tempo temos a atividade do profeta Ezequiel, que procura  refazer o ideal pátrio, projetando a reconstrução futura da cidade de Jerusalém e do Templo.

 É no ambiente do exílio que surgem as sinagogas, na tentativa de preservar a identidade cultural do povo. Dentro deste clima, a escola deuteronômica, fundada no tempo de Josias, prossegue seus trabalhos, reeditando o Deuteronômio, publicando mais textos proféticos e organizando a grande história que abraça os livros de Josué, Juízes, 1  e 2 Samuel, 1 e 2 Reis. 

Ao lado disso temos também uma grande atividade dos sacerdotes exilados, que prosseguirá no pós-exílio, procurando manter a identidade judaica através da elaboração legislativa e cultural.

Nem todos, porém,  foram levados para a Babilônia. Muitos fugiram para o Egito e se fixaram provavelmente na cidade de Elefantina, para onde foi levado o profeta Jeremias 

 

4. Decadência da Babilônia

A decadência da Babilônia começou com a ascenção de Nabônides ao poder. De origem discutida, esse rei quis substituir Marduc, deus principal dos babilônios, pelo deus da Lua, e centralizou o culto na capital. Essa atitude provocou frustração e revolta entre os Babilônios. Abônides se retira da capital e vai viver em Tema, na Arábia, por dez anos, deixando Baltazar seu filho, como governador da Babilônia.

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Sítio arqueológico da cidade da Babilônia (Wikipédia)

 

5. Fim do Império Babilônico

É nessa época que Ciro consegue unir os reinos da Pérsia e da Média e começa a avançar para o ocidente. Um profeta desconhecido, chamado Segundo-Isaías (Is 40-55), celebra no avanço de Ciro a libertação dos exilados, cantando a volta para a pátria como um novo êxodo.

Em 539 a. C. Ciro entra na Babilônia, aclamado pela própria população, e se torna “rei da Babilônia e reis dos países”. Termina, assim, o domínio babilônico no Oriente Médio, que durou aproximadamente um século.

 

6. Bibliografia

BRIGHT, J., História de Israel, pp. 436-487.

CAZELLES, H., História política de Israel, pp. 187-210.

HARRINGTON, W. J., Chaves para a Bíblia, pp. 131-137.

 

Fonte: Guia de leitura dos Mapas da Bíblia, Euclides Martins Balancin, Ivo Storniolo e José Bortolini – São Paulo: Paulus, 2002.

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 DANIEL

 

Daniel (heb., juiz de Deus; isto é aquele que julga em nome de Deus), cerca de 603 a 534 a.C., em Ezequiel, juntamente com os nomes de Noé e Jó, menciona-se o de Daniel como modelo de sabedoria e justiça  (Ez 14:20 e 28:3).

O livro de Daniel afirma que, durante o cativeiro babilônico, ele ocupava uma posição de responsabilidade nas cortes de Nabucodonosor, Dario e Ciro, apesar de todas as tramas de seus rivais. O livro foi escrito, em parte, no hebraico e, em parte no aramaico e coloca-se, tanto na nossa Bíblia como também na LXX e na Vulgata, depois do livro de Ezequiel; enquanto no Cânone Hebraico, não aparece entre os profetas mas nos Hagióprafo.

A primeira parte é uma narrativa e a segunda consiste de visões apocalípticas dos impérios  dos babilônios, dos medos, dos persas e dos gregos, sucedidos pelo reino do povo do altíssimo.

Muitos críticos opinam que o livro, na sua forma atual, pertence ao período da perseguição de Antíoco Epifânio, cerca de 167-165 a.C.. Entretanto, a matéria da narrativa é duma era mais remota, e muitos detalhes tem sido confirmados de modo notável, pela evidência de monumentos recentemente descobertos.

 

Fonte: Conciso Dicionário Bíblico, D. Ana e Dr. S. L. Watson, 12ª Edição, 1983, Imprensa Bíblica Brasileira.       

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domingo, 6 de maio de 2012

TERRA PROMETIDA - Canaã

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1ª Oficina Bíblica de Férias, Garuva, Santa Catarina, Brasil

Janeiro de 2011

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A TERRA PROMETIDA

1300-1200 a.C. – Js 1: 1-12, 24

 

1. NOME

O  nome Canaã significa, provavelmente, “país de lã púrpura”, pelo fato de produzir principalmente esse tipo de lã.

 

2. DIMENSÕES

Na faixa entre o mar Mediterrâneo e o rio Jordão, de norte a sul, mede 240km; de leste a oeste varia entre 45 e 85 Km. Sua superfície é de 25.000 Km2, pouco maior que o estado de Sergipe.

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3. TOPOGRAFIA

Aí se situa a maior falha geológica do globo terrestre, formando uma grande depressão de norte a sul, onde se situa o vale do rio Jordão, o qual desce até 398 m abaixo do nível do mar, ao atingir o Mar Morto.

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Essa depressão é cercada por duas cadeias de montanhas, dividindo o território em várias regiões: planície costeira, junto ao Mar Mediterrâneo, a cadeia central de montanhas, o vale do Jordão, o planalto a leste e, por fim , a estepe. Essa divisão exerce importantes reflexos no clima e na política de Canaã. A planície costeira é dividida em duas pelo monte Carmelo.

 

4. CLIMA

Há, praticamente, só duas estações: a das chuvas(outubro a junho) e a das secas(junho a outubro). As chuvas são mais abundantes na zona  costeira e na cadeia central de montanhas, sendo escassas no vale do Jordão, principalmente no sul. Aí o calor é muito forte, quase insuportável, esfriando à noite.

 

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O verão é amenizado pela queda do orvalho à noite, umedecendo o solo. No vale do Jordão, porém, não cai orvalho. Entre as estações sopra um vento quente e seco, chamado siroco, que prejudica tanto as pessoas como os animais e a vegetação.

 

5. HIDROGRAFIA

Canaã é paupérrimo em rios. Além do Jordão, na parte oeste existe praticamente só um rio com certa perenidade: o Quison, na planície de Zezrael.

Nascente do rio Jordão

 

A leste, o Jordão possui dois afluentes: Jaboc e Jarmuc, além do rio Arnon que deságua no mar Morto.

 

    Mar Morto

 

São comuns os rios intermitentes e periódicos na época das chuvas (os wadis; os rios temporários),que formam barreiras naturais e vias de comunicações durante a seca. O solo calcário do território absorve a água e, por isso, favorece o aparecimento de fontes e escavações de poços.

 

6. POLÍTICA

Na época imediatamente anterior à instalação dos israelitas, Canaã era parte do império egípcio. O Egito havia afrouxado o controle sobre a região, contentando-se em receber tributos pagos pelos reis das cidades-estado espalhadas por todo o território, que viviam em contínuas lutas para assegurar sua própria cidade e para conquistar outras.

Essas lutas favoreceram a atividade de grupos insatisfeitos com o sistema (os ‘apirus) que, guerreando ora a favor de um rei ora a favor de outro, procuravam desestabilizar  não só o sistema cananeu, mas também o egípcio.

As ações desses grupos são frequentemente relatadas nas cartas de Tell el-Amarna que os reis cananeus enviaram ao faraó, de tal maneira que o termo passa a significar desordeiro, subversivo.

Uma das Cartas de Amarna

 

Procurava-se identificar o termo ‘apiru com o termo hebreu. Assim sendo, os hebreus seriam parte de um grupo insatisfeito com o sistema cananeu e egípcio.

A posição estratégica de Canaã na rota comercial e militar dos grandes impérios fazia com que as cidades-estado fossem fortificadas. Eram verdadeiras fortalezas, principalmente nas passagens mais importantes.

 

7. ECOMOMIA

Essa política sustentava uma economia eminentemente agrícola, onde os camponeses eram explorados pela cidade-estado que mantinha a área de influência sobre eles.

Procurando escapar dessa exploração, muitos deles se refugiavam nas regiões montanhosas, onde praticavam uma agricultura de subsistência e se dedicavam ao pastoreio, dirigindo-se muitas vezes para a região da estepe. Isso favorecia continuamente o conflito cidade X campo.

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Com esse “afastamento”, o centro político urbana ficava diminuído em seus tributos que enriqueciam a elite, enquanto os camponeses se sentiam mais livres.

Para evitar isso, a cidade procurava compensar com tropas de proteção contra invasores, ou se unindo em aliança contra outra cidade pra manter o controle direto de um âmbito mais extenso.

Por outro lado, a exploração da cidade favorecia a diminuição da tensão entre pastores e agricultores, levando-os a lutar contra o inimigo comum.

 

8. RELIGIÃO

O deus supremo da religião Cananéia era El, divindade que não exercia nenhuma ação direta sobre as pessoas ou a natureza.

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 El, o deus cananeu principal, o “criador das criaturas” e o “criador da terra”, como ancião amável. A veste longa solene, a postura sentada e a mão direita que abençoa caracterizam-no como soberano senhor, polo de repouso e poder bondoso - figura em bronze, banhada a ouro, proveniente de Ugarit,  entre 1500-1000 a.C..

 

As principais divindades ativas eram Baal e Anat, ligadas ao culto da fertilidade da terra. Suas  atividades míticas eram representadas no culto através do rito da prostituição sagrada.

Embora fossem divindades ligadas a natureza, representavam uma força ideológica importante dentro do sistema cananeu. Visto que os santuários estavam ligados à cidade, eram deuses que mantinham o “status quo”.

Muitas terras pertenciam a esses santuários e a  eles eram pagos os tributos que revertiam, em grande parte, para a manutenção da elite. No ritual, o rei era quem exercia a função de Baal. 

Desse período, sabe-se muito pouco a respeito de como os camponeses e pastores se relacionavam com a religião. Provavelmente tinham seus deuses domésticos.

A manutenção do culto a Baal preso à cidade, a conotação materialista da religião, e a multiplicação de ídolos fragmentavam a unidade ideológica da luta dos camponeses contra as cidades-estado.

 

9. A CHEGADA DOS FILISTEUS

Os filisteus são parte do ”povo” do mar, de origem ageu-asiática, que no final do séc. XII a.C. invadiram o Egito. Expulsos de lá por Ramsés III, por volta de 1175 a.C. os filisteus foram se instalar na costa sul de Canaã.

Ramsés III em um relevo no templo de Khonsu

Ramsés III em um relevo no templo de Khonsu

 

Famosos por seu porte físico e organização militar, introduziram o ferro na região, sobre o qual exerceram o monopólio. Mais tarde, formarão uma confederação chamada Pentápole, composta – como o próprio nome diz - de cinco cidades: Azoto, Ascalon, Acaron, Gat, e Gaza.

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No templo Medinet Habu, inscrição retrata prisioneiros filistinos libertados (₢ AKG IMAGES/LATINSTOCK)

 

Serão um dos inimigos ferrenhos  dos israelitas. Submetidos por Davi, ainda exerceram influência até o séc. VIII a.C., quando parece terem sido completamente assimilados. Alguns historiadores creem que os filisteus, mais do que  invasores de Canaã, fossem uma espécie de “testa de ferro” egípcia na região. Por ironia, o nome Palestina, dado ao país por muito tempo, é derivado desses adversários de Israel.  

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O rei Saul e seus guerreiros: na narrativa bíblica, o governante israelita é degolado pelos filisteus (MUSEU DE ISRAEL, JERUSALÉM)

 

10. DATA MAIS IMPORTANTE  

Cerca de 1230 a.C.: chegada dos hebreus a Canaã (Js 1-2).

 

11. BIBLIOGRAFIA

BRIGHT, J., História de Israel, pp. 148-164.

GOTTWALD, N. K., As tribos de Iahweh, pp. 399-417, 470-491.

BRUEGGEMANN, W., A imaginação profética, cap.1: “A comunidade alternativa de Moisés”, pp. 9-32.

HEINRICH, Krauss. As origens: um estudo de Gênesis 1-11, São Paulo:Paulinas 2007.

 

Fonte: Guia de Leitura aos Mapas da Bíblia de  Euclides Martins  Balancin, Ivo Storniolo e Jose Bortolini – Editora Paulus, 2002.

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quarta-feira, 2 de maio de 2012

A SERPENTE E SATÃ

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São Francisco do Sul, Santa Catarina, Brasil.

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Comentário sobre relato bíblico:

Os estudos bíblicos se constituem numa vibrante área de pesquisa que publica de forma intensa. Isso deve-se ao facínio que os textos antigos exercem sobre os leitores contemporâneos, seja como texto de saber histórico, seja como texto que sempre se mostra aos leitores de forma renovada.

Por isso, a Bíblia é estudada numa riqueza de perspectivas, abordagens, métodos  e hermenêuticas. Ao interesse pelo texto bíblico soma-se a busca por sua origem, da mesma forma que pelos textos que lhe são vizinhos: os apócrifos, pseudepígrafos, os Manuscritos do Mar Morto. Gabrielle Boccaccini - Departamento de Estudos do Oriente Próximo da  Universidade de Michigan, E.U.A..

 

A SERPENTE E SATÃ

 

As Origens: um estudo

de Gênesis 1-11

Heinrich Krauss e Max Küchler

 

 

A serpente era mais astuta do que todos os animais dos campos que Iahweh Deus tinha feito. Ela disse à mulher: “Então Deus disse: Vós não podeis comer de todas as árvores do jardim?”. A mulher respondeu à   serpente: “Nós podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Dele não comereis, nele não tocareis, sob pena de morte”. A serpente disse então à mulher: ”Não, não morrereis! Mas Deus sabe que, no dia que deles comerdes, vosso olhos se abrirão e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal”.

 

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PAUL GAUGUIN – EVA E A ÁRVORE DA "CIÊNCIA DO BEM E DO MAL"

 

Na narrrativa, a entrada em cena, sem mais, de uma serpente, por meio da qual o ser humano desperdiçará  sua oportunidade de tornar-se imortal, pode causar estranheza. O motivo lembra a Epopéia de Gilgtamesh, cujo herói anseia por imortalidade, busca uma “planta da  vida” e chega até mesmo a encorntrá-la. Mas ela lhe é roubada por uma serpente, que come da  planta e pode, assim, sempre rejuvenescer, uma vez que muda de pele.

 

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A serpente, rastejando sobre o próprio ventre e picando o ser humano na coxa ou no acalcanhar (cf.Gn 3, 14), sobre um pedaço de cerâmica mesopotâmico – por volta de 1960-1860 a.C..

 

Pode-se perguntar por que nos mitos e sagas de muitos povos, justamente a serpente se imiscui nos negócios humanos. Presumivelmente, a razão para isso reside na misteriosa existência que lhe foi atribuída no mundo antigo.

Via-se no sinistro animal, que habitava buracos escuros e fendas de rochas, um produto imediato da mãe-terra, o qual, por isso, possui força e capacidades especiais.

Entre estas contava-se também a capacidade de falar, razão pela qual a origem de muitos lugares de oráculos foi remontada a uma serpente, como no oráculo grego de Delfos, que alude ao dragão primitivo Píton, a partir do qual foi nomeada a vidente Pítia.

Essa capacidade de falar poderia explicar o fabuloso motivo do animal falante que, de outro modo, é estranho à Bíblia e, à parte a narrativa do paraíso, só aparece ainda  na história da jumenta de Balaão(Nm 22, 22-35).

A postura do ser humano em relação à serpente,  é até  hoje, ambígua. A periculosidade e a perfídia dela eram proverbiais. Assim, em uma fábula de Esopo, ela semeia desconfiança, a fim de destruir uma amizade. 

Por outro lado, existiam também tradições a propósito de seu caráter auxiliador que a transforma numa interlocutora do ser humano. Visto que se coligavam as serpentes com a fecundidade e com a vida eterna, elas se transformaram no atributo do deus curador Asclépio, como símbolo de uma vida longa e de poder curador, o que ainda hoje se mostra no fato de médicos e farmacêuticos introduzirem a serpente de Asclépio como símbolo de sua profissão.

Um resquício dessa concepção da força curadora da serpente encontra-se ainda no relato da marcha dos israelitas pelo deserto, em que Moisés manda erigir a “serpente de bronze” para proteção contra o veneno das cobras (Nm 21, 4-9).

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Os aspectos positivos da serpente foram posteriormente sempre mais reprimidos pela tradição bíblica posterior. Alguns exegetas vêem a razão para isso na polêmica contra os cultos cananeus, nos quais a serpente – devido à troca de pele periódica – era um símbolo corrente ligado a Baal, o deus da fertilidade, da permanente renovação da vida.

Assim, a história do paraíso desejaria tornar evidente que a serpente, que na verdade não concede a vida mas produz a morte, é uma opositora do Deus Bíblico.

Inevitavelmente surge a pergunta por que a serpente empregou tanta maldade para enganar a mulher. Estranhamente, o texto não oferece nenhuma informação direta disso.

Talvez aqueles mitos que contam a respeito de uma rivalidade entre animal e ser humano poderiam conduzir à pista certa. Na verdade, a partir do contexto narrativo, conclui-se que, no paraíso, o ser humano tinha a oportunidade de comer da árvore da vida e, mediante isso, tornar-se imortal, caso não tomasse do fruto proibido.

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                                        Adão e Eva, Mabuse, Século XVI

 

Dado que foi atribuída à serpente uma ambição da imortalidade, é provável que ela tenha agido por inveja e ciúmes da posição priveligiada do ser humano.

Em favor dessa interpretação depõe o fato de inveja e ciúmes, como fonte de má ações, terem um papel decisivo também em outras narrativas do livro do Gênesis; assim o é no assassinato de Abel por seu irmão Caim, no ludíbrio do pai por causa da primogenitura da história de Jacó e no ódio dos irmãos contra o predileto   do pai no relato de José.

Quanto a uma identificação da serpente do paraíso com o demônio, não há nada no Antigo Testamento. Em Gn 3,1, diz-se, até mesmo expressamente, que a serpente era um dos animais que “Iahweh Deus tinha feito”. Se ela, ao mesmo tempo, em razão de sua astúcia, é apresentada como algo especial em relação aos animais criados, isso não constitui nenhum indício de que o narrador quisesse aludir a algum poder extraterrrestre.

Essa interpretação encontra apoio no fato de que o livro do Gênesis não conhece nenhum dualismo entre Deus e agentes sobrenaturais oponentes; antes, vê na possibilidade do mal uma realidade que reside no ser humano, cuja origem não precisa de explicações ulteriores.

Somente tradições extrabíblicas tardias, do judaísmo do início da era cristã, que também influenciaram nas concepções cristãs acerca da origem do mal, narravam que já antes da criação do mundo Lúcifer, o anjo da mais alta categoria, não podia suportar ser inferior a Deus. Sua rebelião, porém, foi sufocada, no que se apelava para o primeiro relato da criação.

Segundo tal ideia, com a palavra de Deus “E houve luz”, teriam sido criados os anjos bons, e, com a separação entre luz e trevas, os anjos rebeldes foram precipitados nas profundezas do inferno.

Outros escritos extrabíblicos daquele tempo afirmavam que Lúcifer teria ficado enciumado pela criação do ser humano ou – segundo a versão cristã – pela planejada encarnação de Deus em Cristo e, sob a figura da serpente, teria iludido a mulher com a promessa de “sereis como Deus”, a fim de arrastar a humanidade em sua queda.

       

Heinrich Krauss, formado em Direito e Teologia, mora em Haar, no distrito de Munique (Alemanha), e trabalha com escritor, redator e roterista de televisão.

Max Küchler, mora em Freiburg (Suíça) e é professor na área do Novo Testamento na universidade local. 

 

Nota: O  texto  A SERPENTE E SATÃ -  As Origens: um estudo de Gênesis 1-11 de  Heinrich Krauss e  Max Küchlere    não representa necessariamente a opinião deste blog nem de nenhuma das igrejas do Movimento da Ciência Cristã. Foi publicado para  refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica. Conforme recentes  descobertas sobre fatos nela registrados e opinião de estudiosos do texto bíblico,  com o objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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 PARA PENSAR:

SERPENTE (ophis, em grego; nacache, em hebraico). Astúcia; uma mentira; o oposto da Verdade, chamado erro; a primeira menção de mitologia e da idolatria; a crença em mais de um Deus; … a primeira mentira da limitação; o finito; … a primeira pretenção audível de que Deus não era onipotente e que havia outro poder, chamado mal, que era tão real e eterno como Deus, o bem. Ciência e Saúde Com Chave das Escrituras de Mary Baker Eddy  (594:1-11).

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

MARIA VAI COM AS OUTRAS

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1ª Oficina Bíblica de Férias – Garuva, SC, Brasil -

janeiro de 2011

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Os estudos bíblicos se constituem numa vibrante área de pesquisa que publica de forma intensa. Isso deve-se ao facínio que os textos antigos exercem sobre os leitores contemporâneos, seja como texto de saber histórico, seja como texto que sempre se mostra aos leitores de forma renovada.

Por isso, a Bíblia é estudada numa riqueza de perspectivas, abordagens, métodos  e hermenêuticas. Ao interesse pelo texto bíblico soma-se a busca por sua origem, da mesma forma que pelos textos que lhe são vizinhos: os apócrifos, pseudepígrafos, os Manuscritos do Mar Morto. Gabrielle Boccaccini - leciona no Departamento de Estudos do Oriente Próximo da  Universidade de Michigan, E.U.A..

 

Comentários sobre relatos bíblicos:

 

MARIA VAI COM AS OUTRAS

do livro escrito por Nancy Cardoso Pereira

 

Normalmente, quando se pergunta a uma pessoa quem foi Maria Madalena, ela responde quase sem pensar: “uma pecadora arrependida”. No entanto, nenhum texto do evangelho diz que Maria Madalena foi pecadora pública.

Que dizem os evangelhos sobre ela?

Nos evangelhos, Maria Madalena é a mulher mais citada pelo nome. Além disso, ela aparece sempre realizando funções muito importantes para as origens do Cristianismo:

como discípula de Jesus (Lc 8,1-3).
como testemunha da sua crucifixão (Mc 15,40-41; Mt 27,55-56; Lc 23,49; Jo 19,25).
como testemunha do seu sepultamento (Mc 15,47; Mt 27,61).
como testemunha da sua ressurreição (Mc 16,1-8; Mt 28,1-10; Lc 24,1-10; Jo 20,1;20,11-8).
como enviada aos Onze com uma mensagem de Jesus (Mt 28,10; Jo 20,17-18).

 

Chama a atenção o fato de Maria Madalena ser citada em primeiro lugar em todos estes textos. A única exceção é Jo 19,25, onde a mãe de Jesus aparece em primeiro lugar. A citação de Maria Madalena em primeiro lugar, parece indicar sua liderança no grupo das discípulas de Jesus.

Além disso, o Evangelho de Marcos deixa claro que ela e suas companheiras eram modelo para as pessoas da comunidade que buscavam seguir Jesus: Elas o seguiam e serviam quando estava na Galiléia. E ainda muitas outras que subiram com ele para Jerusalém” (Mc 14,40-41).

Sabemos que o serviço amoroso é uma das características que marcava a identidade dos discípulos e discípulas de Jesus, segundo a comunidade de João: “Vocês devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei um exemplo: vocês devem fazer a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,14-15).

Na comunidade de Marcos, a pessoa mais importante é aquela que se coloca a serviço de todos (Mc 9,35). Então, como foi que transformaram a discípula modelo em pecadora arrependida?

ícone moderno da Madalena e Yeshua, pintado por Christina Miller de IconFusion.com.

Ícone moderno da Madalena e Yeshua,

pintado por Christina Miller

 

Que horror, ela tinha sete demônios!

Teriam interpretado mal a expressão “Maria Madalena, da qual haviam saído sete demônios”? (Lc 8,2) Esta expressão, que aparece somente em Lucas e no apêndice de Marcos (Lc 8,2; Mc 16,9), criou uma série de preconceitos contra Maria Madalena.

Mas para o Evangelho de Lucas, a possessão não significa pecado e, sim, doença. O número 7, sempre simbólico, parece indicar a gravidade da situação. Dentro do contexto de Lucas, podemos interpretar que Maria Madalena padecia de uma grave doença nervosa ou psicossomática. No encontro com Jesus, ela recupera a harmonia interior e entra em um processo de crescimento e amadurecimento pessoal até atingir a plenitude do seu ser na experiência pascal.

 

Seu gesto era de arrependimento e muito amor

Teriam confundido Maria Madalena com a pecadora anônima que lavou os pés de Jesus com suas lágrimas e os secou com seus cabelos? (Lc 7,36-50)

Porém, não há neste texto de Lucas nenhuma relação entre a moça do perfume e Maria Madalena. Segundo o texto de Marcos, que já citamos, Maria Madalena seguia Jesus desde a Galiléia. Portanto, ela devia ser conhecida na tradição por seu nome: Maria, e sua procedência: Magdala.

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Magdala ("torre") foi uma pequena aldeia, aparentemente situada na Galiléia. O nome que aparece na Versão Revista de Mateus 15:39 para Magdala é Magadan. É provavelmente outro nome para o mesmo lugar, ou então era outra aldeia tão próxima que a costa a que Jesus acostou poderia ter pertencido a qualquer uma das duas terras.

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O Talmude menciona dois lugares com o nome de Magdala. Um deles situava-se no leste, no Yarmuk perto de Gadara (na Jadar medieval, hoje Mukes), recebendo assim o nome de Magdala Gadar. Existia outra Magdala, mais conhecida, perto de Tiberíades Magdala Nunayya ("Magdala dos Peixes"), o que a colocaria na costa do lago. Flávio Josefo menciona uma cida,de Galileia destruída pelos romanos na Guerra Judaica. (III, x) com o nome grego de Taricheæ (Josefo não fornece o nome hebraico), rica devido às suas prósperas pescarias. (Wikipédia, a enciclopédia livre)______________

A mulher que é apresentada neste texto de Lc 7,37 parece que não pertencia à comunidade dos discípulos e discípulas. É uma mulher marginalizada, anônima, corajosa e decidida, que toma a iniciativa de entrar na casa de Simão, o fariseu, e fazer com Jesus o rito de acolhida que seu anfitrião havia omitido. Rito que era muito importante para as pessoas que percorriam longas distâncias a pé, pelas estradas poeirentas da Palestina.

 

Quanta confusão!

E a confusão continua, pois aquela mulher anônima do episódio narrado por Lc 7,36-50 passou a ser identificada com as mulheres anônimas que ungiram Jesus para a sepultura (Mc 14,3-9 e Mt 26,6-13). Uma leitura atenta destes textos vai mostrar que os ritos que realizam são diferentes.

No texto de Lucas, o próprio narrador trata de esclarecer que se trata de um rito de acolhida e coloca esta explicação no diálogo de Jesus com Simão. Nos Evangelhos de Marcos e de Mateus, o rito está situado no contexto da Páscoa. Marcos faz questão de informar que faltavam apenas dois dias para a Páscoa e os Ázimos (Mc 14,1). Mostra que o contexto era conflitivo, pois a execução de Jesus já estava decidida: “os chefes dos sacerdotes e os fariseus apenas procuravam um ardil para matá-lo” (Mc 14,1b).

É justamente neste contexto que está a unção de Jesus, feita por uma mulher anônima (Mc 14,3-9). O texto de Marcos está muito próximo do texto de João 12,1-8. Tanto Marcos como João nos contam que o perfume derramado pela mulher no corpo de Jesus era nardo puro (Mc 14,3 e Jo 12,3).

Marcos nos informa ainda que este episódio da unção para a sepultura se passou em Betânia (Mc 14,3). Tudo isso parece ligar os textos de Marcos, Mateus e João (Mc 14,3-9; Mt 26,6-13 e Jo 12,1-8) e ajuda a compreender a importância desde ritual. Sua protagonista parece ser Maria de Betânia, a irmã de Marta e de Lázaro. O gesto de unção de Jesus para a sepultura é ao mesmo tempo profético e solidário com seu projeto e sua entrega sem limites.

Maria Madalena em ícone da Igreja Ortodoxa Russa, carregando mirra para ungir o corpo morto de Jesus

Maria Madalena em ícone da Igreja Ortodoxa Russa,

carregando mirra para ungir o corpo morto de Jesus

 

Mulher chorona, de cabelos compridos e perfumados

A imagem de Maria Madalena está ligada a cabelos compridos, perfume e lágrimas. Sabemos que a tradição das lágrimas está relacionada à sua angustiosa busca do corpo de Jesus, naquela madrugada do primeiro dia da semana (Jo 20,1.11-18). Mas perfume e cabelos longos expressam a identificação de Maria Madalena com Maria de Betânia, a irmã de Marta, que segundo o Evangelho de João foi quem ungiu Jesus para o sepultamento (Jo 12,1-8).

E aqui vale a pena falar um pouco mais de Maria de Betânia, a discípula que gostava de ficar sentada aos pés de Jesus, escutando-o (Lc 10,39). Discípula amada (Jo 11,5), que consegue encher a casa (comunidade) de perfume (Jo 12,3). Seu gesto amoroso será repetido por Jesus na celebração da Ceia (Jo 13,2-5). Segundo Jesus, em memória dela, seu gesto seria contado onde quer que fosse proclamado o evangelho (Mc 14,9).

Ícone Ortodoxo mostrando Madalena com o Red Eg

Ícone Ortodoxo mostrando Madalena com o Red Eg

 

Ela foi investida de autoridade

Maria permaneceu no jardim, procurando Jesus, depois que Pedro e o outro discípulo foram embora. Ela chorava angustiada e confundiu Jesus com o jardineiro. No entanto, ela o reconhece imediatamente quando Jesus a chama pelo nome. Em toda a Bíblia, chamar pelo nome faz parte dos relatos de missão.

Às vezes, acontece mudar o nome, para indicar a missão que a pessoa vai realizar. Mas, em Jo 20,16, Jesus a chama pelo nome com que sempre a havia chamado - talvez do mesmo jeito e com o mesmo tom de voz. E provavelmente Maria responde também da maneira como sempre o tratou: Rabuni.

Sem pretender ser fundamentalista, quero mostrar como neste relato simbólico se revela a importância da missão de Maria Madalena nas primeiras comunidades cristãs: Maria é chamada pelo nome; reconhece imediatamente a voz de Jesus; chama-o de Mestre em aramaico; depois, é enviada por Jesus com uma mensagem para os outros discípulos. Da maneira como este episódio é descrito, parece um evento de fundação, no qual Maria Madalena foi investida de autoridade.

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De onde vem a confusão?

Esta confusão a respeito de Maria Madalena pode ter muitas causas. Uma delas pode ser uma leitura muito rápida dos textos bíblicos, ou mesmo um exemplo da pouca importância que se dá à memória do discipulado das mulheres. Até pode ser que a intenção tenha sido a de buscar na figura de Madalena como uma pecadora arrependida um apelo à conversão, mostrando como todos os pecados podem ser perdoados quando a pessoa se arrepende.

No entanto, parece haver uma intenção menos explícita, parecida com estas propagandas que hoje se faz através das novelas. De maneira sutil, a deturpação da figura de Maria Madalena mantém uma velha atitude de suspeita em relação às mulheres, passando a ideia de que sua natureza e seus corpos são espaços perigosos, de possessão demoníaca, identificada com pecado. Os corpos inferiorizados e culpabilizados são mais facilmente submetidos.

Desta maneira, a discípula fiel, que acompanhou Jesus durante sua vida pública, a amiga e companheira que esteve presente na crucifixão e que permaneceu diante do túmulo; aquela que fez a maravilhosa experiência da ressurreição, podendo afirmar com toda a convicção: “Vi o Senhor!”, foi transformada em pecadora arrependida.

Mesmo que esta deturpação da figura de Maria Madalena não fosse muito consciente, ela é um desvelamento do medo que o androcentrismo tem de perder o poder. Se a tradição da discípula e apóstola permanecesse, haveria o perigo de que as mulheres descobrissem a sua importância nas origens do Cristianismo e se sentissem animadas a assumir com autoridade, dignidade e pleno direito seus espaços de reflexão, decisão e também no ministério ordenado das igrejas cristãs. Estariam lado a lado com os homens, mantendo a memória fiel de Jesus de Nazaré, fazendo circular o amor pleno e sem medo, exercendo o poder de defender e fortalecer a vida.

 

Nota: O  texto  MARIA VAI COM AS OUTRAS de Nancy Cardoso Pereira   não representa necessariamente a opinião deste blog nem de nenhuma das igrejas do Movimento da Ciência Cristã. Foi publicado para  refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica. Conforme recentes  descobertas sobre fatos nela registrados e opinião de estudiosos do texto bíblico,  como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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domingo, 8 de abril de 2012

SUGESTÃO PARA ESTUDAR AS LIÇÕES BÍBLICAS DA CIÊNCIA CRISTÃ.

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Oficina Bíblica de Férias
 
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 Pousada Monte Crista  
Garuva, SC, Brasil -  Janeiro de 2011


Local preparado para o estudo da LBs


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Culto de testemunhos, dirigido por Mario Schoroeder, CS de Joinville - SC.

Final da tarde de 04 de janeiro de 2011,

 Pousada Monte Crista
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Breve histórico sobre as Lições Bíblicas

da Ciência Cristã
 


 
UMA FORMA DE SERMÃO REVOLUCIONÁRIO



Não satisfeita com a forma de sermão, veiculado nas igrejas de sua época, onde a Palavra era interpretada a partir do entendimento de cada pregador. Depois de muitos anos de observação e oração, Mary Baker Eddy foi conduzida para estabelecer a Bíblia e Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras como único pastor de sua igreja.



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Além disso, forneceu a Lição Bíblica – também chamada de  Lição-Sermão, com 26 temas cuidadosamente indicados, como estrutura para selecionar passagens da Bíblia e de Ciência e Saúde.

Esta forma de sermão revolucionário, ao ser estudado a cada dia durante a semana, e lido como sermão - ponto central dos serviços religiosos de domingo, incentiva o estudo da Bíblia e do livro texto diariamente, estimulando a participação ativa de seus estudantes nos culto de domingo.

Mary Baker Eddy afirma, no Manual da Igreja Mãe, que da Lição Bíblica depende grandemente a “prosperidade da Ciência Cristã” (p.31), possuindo valor inestimável para os que buscam a Verdade (Mis. 114:1).


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Residência de Mary Baker Eddy, entre 1862 e 1870,
Amesbury, MA, EUA – Longyear Museun.
     



Principais fatos históricos

1872: As primeiras Lições Bíblicas, que os Cientistas Cristãos estudavam, eram conhecidas como Lições Bíblicas da Escola Dominical Internacional (International Sunday School Bible Lessons), também chamada de Série International(International Series) publicado pela The Sunday School Society, organizada em 1791 na Filadélfia. Em 1872, na convenção da Sunday School Society, foi aprovado um plano para uniformizar as lições bíblicas para uso em estudos bíblicos das igrejas protestantes.


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Casa de Mary Baker Eddy entre 1875 a 1882 – Lynn, MA, EUA.
 

1879: entre 1879 e 1889 Mary Baker Eddy foi pastor da “Church of Christ, Scientist”. Durante este período vários alunos seus serviram como “pastores auxiliares”.


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1888: pela primeira vez o The Christian Science Journal inclui “notas”, sob o ponto de vista da Ciência Cristã, junto as Lições Bíblicas da Escola Dominical Internacional(International Series) – intitulada “Lições Bíblicas”, escrito por Frank E. Mason, CSB, pároco (pastor auxiliar) da Igreja de Cristo (Cientista), em Boston. No início desta edição, apenas duas destas “notas”(Lições Bíblicas) eram publicadas por mês.

1889: em julho, a “International Series” (Lições Bíblicas da Escola Dominical Internacional), publicada no Journal, vem acompanhada de algumas referências ao livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy. A lição desta edição foi dividida em quatro temas, um para cada domingo do mês.

O mesmo periódico (Journal), na forma de aviso, explica que a The Christian Science Publishing Society (Sociedade Editora da Ciência Cristã) estava se preparando para emitir uma série de sermões sobre temas da Ciência Cristã, para uso nas reuniões de domingo.

Para isso, a Sra. Eddy nomeia uma comissão, de quatro pessoas (Julia Bartlett, Ira O. Knapp, William Johnson, Rev. Lanson Norcross), para prepararem comentários e notas, na forma de folheto, apresentando o ponto da Ciência Cristã em relação às Lições Bíblicas da Escola Dominical Internacional.

Esta iniciativa vai atender  igrejas onde não existiam pastor. Pela primeira vez, em dezembro, a Lição Bíblica da Ciência Cristã aparece impressa separa do Journal. O objetivo deste material foi dar mais espaço para a publicação de artigos neste periódico.

1890: na edição de fevereiro, do Journal, o emblema - “ a cruz e a coroa”, aparecem estampadas no folheto das “Lições Bíblicas” (“notas e comentários” relativos às Lições Bíblicas da Escola Dominical Internacional).

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No Journal, do mês de março, um comunicado fala que na edição de abril as “notas e comentários” relativos às Lições Bíblicas da Escola Dominical Internacional serão publicados na forma de livrete trimestral.


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Pleasante View – Concord, New Hampshire- 1890 -  www.longyear.org
 

Desta forma, é instituído o primeiro Livrete Trimestral da Ciência Cristã - The Christian Science Quarterly, Volume 1, Número 1, abril-maio-junho de 1890, com copiosas referências da Bíblia e passagens correlativas do livro Ciência e Saúde. Selecionadas por uma comissão de quatro pessoas, onde o nome de Frank E. Mason, CSB não aparece na publicação.

Somente mais tarde é que a Sra. Eddy introduz seus próprios temas. Um artigo do Journal, mês de maio, descreve uma experiência bem sucedida de seleções da Bíblia e de Ciência e Saúde usadas no lugar de um sermão proferido por um pastor.


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    Pleasante View  a partir de  Pleasante Street – 1903   
 

1891: A prática da leitura das "Lições Bíblicas" nos cultos de domingo tornou-se tão generalizada que, numa reunião da Associação de Cientistas Cristãos, em outubro, o tema entrou em pauta, havendo longa discussão, com registro a favor desta prática no lugar de sermões proferido por pessoas.

Neste ano, para tornar uniforme os serviços religiosos das igrejas da Ciência Cristã, a Sra. Eddy introduz uma “Ordem do Serviço”, que incluía leituras da Bíblia e de Ciência e Saúde, na forma de sermão.

1894: A Sra. Eddy ordena, no dia 14 de dezembro, a Bíblia e Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras pastor d’A Igreja Mãe, A Primeira Igreja de Cristo Cientista, em Boston:

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“Eu, Mary Baker Eddy, ordeno a BÍBLIA e CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS Pastor de A Igreja Mãe, A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, em Boston, Ma., e eles continuarão a pregar para esta Igreja e para o mundo” (Manual da Igreja, p.58).
 
1895: Daisette McKenzie recorda-nos que a Sra. Eddy, antes de ordenar a BÍBLIA e CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS Pastor d’A Igreja Mãe, vinha recebendo cópias de sermões, proferidos nas igrejas que Cristo, Cientista, onde não distinguia se o escritor destes textos era cientista cristão, espiritualista ou teosofista.

Por isso, retirou-se em oração para saber o que fazer no intuito de solucionar este impasse. No final de três semanas recebeu a resposta, resolvendo o problema ao ordenar (Conhecemos Mary Baker Eddy, 1ª Edição, p.47-48): “a Bíblia e Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras pastor de todas os filiais d’A Igreja Mãe” (publicado no Journal de abril).

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 10 mil pessoas comprimentam Mary Baker Eddy
 Pleasante View junho de 1903,




Pesquisa e organização:  Edésio Ferreira Filho, MSc.

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Sugestão para  estudar  as Lições Bíblicas
da Ciência Cristã



 
Jim Fisher, CS.
Chagrin Falls, OH, EUA.  


 
Se você é novato no estudo da Lição Bíblica da Ciência Cristã, aqui estão algumas dicas simples:

- Comece com uma boa compreensão do “Texto Áureo”. Ele é a porta de entrada para a mensagem da Lição Bíblica.

- Prossiga com a Leitura Alternada”, estudando-a como desdobramento do Texto de Áureo.

- Ao usar uma edição impressa da Lição Bíblica, marque as passagens interessantes, com um marcador de texto, quando estiver lendo-a pela primeira vez. Da próxima vez, use um pouco mais de tempo para entendê-las melhor. Estas citações podem sair do seu foco de estudo, por alguma razão, da próxima vez que for ler o texto! 

- É muito importante compreender como as passagens de Ciência e Saúde se relacionam com as citações da Bíblia. Aproveite a oportunidade para desfrutar das relações existentes.

- Toda vez que você ler a Lição Bíblica certifique-se de examinar cuidadosamente a primeira e última citação de Ciência e Saúde. Às vezes, a primeira passagem de Ciência e Saúde da primeira seção da lição é correlativa ao texto áureo. Compare os duas citações, veja se existe alguma relação entre elas. Além disso, a última citação de Ciência e Saúde pode aparecer como resumo de toda a Lição Bíblica.

- A Bíblia, documento escrito há séculos, foi traduzida, ao longo do tempo, em diferentes línguas antes de alcançar o idioma que você lê. Por isso, uma passagem bíblica pode soar vaga ou confusa. Para apoiar seu estudo, procure ajuda de um bom dicionário bíblico   e  se puder diferentes traduções da Bíblia.

- Frases e palavras em Ciência e Saúde, muitas vezes necessitam, para serem entendidas, de bom nível de compreensão da língua em que estão traduzidas. Um bom dicionário deve ser usado, se for necessário. Não se acanhe!


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Por último, o mais importante é se esforçar para demonstrar ou provar, a cada dia, as verdades encontradas na Lição Bíblica. Não espere muito para fazer isso. Use a inspiração, para vencer e destruir o medo, o pecado e a doença, o resultado é conforto e amor!
 

Sugestão para  estudar  as Lições Bíblicas da Ciência Cristã é Copyright © 2009 James D. Fisher - All rights reserved.

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“O que é que pode sondar o infinito! Como deveremos anunciá-lo, até que, na linguagem do apóstolo, "todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo"?…” Ciência e Saúde Com Chave das Escrituras de Mary Baker Eddy  (519:18-22). 


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As Lições Bíblicas da Ciência Cristã constituem uma fonte diária de consolo, apoio e inspiração. Cada Lição consiste de versículos bíblicos, ampliados e explanados pelas passagens correlativas de Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras.

As ideias inspiradas das Lições Bíblicas podem ser aplicadas no trabalho, no lar, na escola, onde quer que você vá. Esse esboço prático de estudo espiritual autodidata analisa tópicos pertinentes à vida diária. As passagens são selecionadas com o objetivo de oferecer um fundamento para o estudo independente de um tema semanal.

O Livrete Trimestral com citações consiste de uma página e das referências para a lição, permitindo que você leia e estude nos livros cada seção, dentro do contexto.

Esse recurso diário pode ajudá-lo a encontrar inspiração e coragem para fazer escolhas inteligentes, resolver situações desafiadoras e ser uma fonte de consolo para outras pessoas. (O ARAUTO DA CIÊNCIA CRISTÃ)


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