terça-feira, 27 de janeiro de 2015

BREVE HISTÓRICO SOBRE AS LIÇÕES BÍBLICAS DA CIÊNCIA CRISTÃ

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Pousada Monte Crista em Garuva, SC, Brasil em Janeiro de 2011

 

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Breve histórico sobre as Lições Bíblicas

da Ciência Cristã

 

 

 

UMA FORMA REVOLUCIONÁRIA  DE SERMÃO

Não satisfeita com a forma de sermão, veiculado nas igrejas de sua época, onde a Palavra era interpretada a partir do entendimento de cada pregador. Depois de muitos anos de observação e oração, Mary Baker Eddy foi conduzida para estabelecer a Bíblia e Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras como o  único pastor de sua igreja.

 

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De dezembro 1906 a dezembro de 1907, a Revista “Human Life”, Boston - EUA., publicou uma série  de artigos sobre a vida de Mary Baker Eddy. Escrito pelo famoso jornalista Sibyl Wilbur, estes artigos formaram a base do  livro que escreveu: “A Vida de Mary Baker Eddy” (Longyear Museun).

 

Além disso, forneceu a Lição Bíblica – também chamada de  Lição-Sermão, com 26 temas cuidadosamente indicados, como estrutura para selecionar passagens da Bíblia e de Ciência e Saúde.

Esta forma de sermão revolucionário, ao ser estudado a cada dia durante a semana, e lido como sermão - ponto central dos serviços religiosos de domingo, incentiva o estudo da Bíblia e do livro texto diariamente, estimulando a participação ativa de seus estudantes nos culto de domingo.

Mary Baker Eddy afirma, no Manual da Igreja Mãe, que da Lição Bíblica depende grandemente a “prosperidade da Ciência Cristã” (p.31), possuindo valor inestimável para os que buscam a Verdade (Mis. 114:1).

amesbury_gallery_02_thumb102Residência de Mary Baker Eddy, entre 1862 e 1870, Amesbury, MA, EUA.

Longyear Museun

 

PRINCIPAIS FATOS HISTÓRICOS

1872: As primeiras Lições Bíblicas, que os Cientistas Cristãos estudavam, eram conhecidas como Lições Bíblicas da Escola Dominical Internacional (International Sunday School Bible Lessons), também chamada de Série International(International Series) publicado pela The Sunday School Society, organizada em 1791 na Filadélfia. Em 1872, na convenção da Sunday School Society, foi aprovado um plano para uniformizar as lições bíblicas para uso em estudos bíblicos das igrejas protestantes.

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Casa de Mary Baker Eddy entre 1875 a 1882 – Lynn, MA, EUA.

www.longyear.org

 

1879: entre 1879 e 1889 Mary Baker Eddy foi pastor da “Church of Christ, Scientist”. Durante este período vários alunos seus serviram como “pastores auxiliares”.

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Casa em Lynn,  restaurada pelo Longyear Museun.

 

1888: pela primeira vez o The Christian Science Journal inclui “notas”, sob o ponto de vista da Ciência Cristã, junto as Lições Bíblicas da Escola Dominical Internacional(International Series) – intitulada “Lições Bíblicas”, escrito por Frank E. Mason, CSB, pároco (pastor auxiliar) da Igreja de Cristo (Cientista), em Boston. No início desta edição, apenas duas destas “notas”(Lições Bíblicas) eram publicadas por mês.

1889: em julho, a “International Series” (Lições Bíblicas da Escola Dominical Internacional), publicada no Journal, vem acompanhada de algumas referências ao livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy. A lição desta edição foi dividida em quatro temas, um para cada domingo do mês.

O mesmo periódico (Journal), na forma de aviso, explica que a The Christian Science Publishing Society (Sociedade Editora da Ciência Cristã) estava se preparando para emitir uma série de sermões sobre temas da Ciência Cristã, para uso nas reuniões de domingo.

Para isso, a Sra. Eddy nomeia uma comissão, de quatro pessoas (Julia Bartlett, Ira O. Knapp, William Johnson, Rev. Lanson Norcross), para prepararem comentários e notas, na forma de folheto, apresentando o ponto da Ciência Cristã em relação às Lições Bíblicas da Escola Dominical Internacional.

Esta iniciativa vai atender  igrejas onde não existiam pastor. Pela primeira vez, em dezembro, a Lição Bíblica da Ciência Cristã aparece impressa separa do Journal. O objetivo deste material foi dar mais espaço para a publicação de artigos neste periódico.

 

1890: na edição de fevereiro, do Journal, o emblema - “a cruz e a coroa”, aparecem estampadas no folheto das “Lições Bíblicas” (“notas e comentários” relativos às Lições Bíblicas da Escola Dominical Internacional).

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No Journal, do mês de março, um comunicado fala que na edição de abril as “notas e comentários” relativos às Lições Bíblicas da Escola Dominical Internacional serão publicados na forma de livrete trimestral.

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Pleasante View – Concord, New Hampshire, 1890 -  www.longyear.org

 

Desta forma, é instituído o primeiro Livrete Trimestral da Ciência Cristã - The Christian Science Quarterly, Volume 1, Número 1, abril-maio-junho de 1890, com copiosas referências da Bíblia e passagens correlativas do livro Ciência e Saúde. Selecionadas por uma comissão de quatro pessoas, onde o nome de Frank E. Mason, CSB não aparece na publicação.

Somente mais tarde é que a Sra. Eddy introduz seus próprios temas. Um artigo do Journal, mês de maio, descreve uma experiência bem sucedida de seleções da Bíblia e de Ciência e Saúde usadas no lugar de um sermão proferido por um pastor.

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Pleasante View,  a partir de  Pleasante Street, 1903.

www.longyear.org

 

1891: A prática da leitura das "Lições Bíblicas" nos cultos de domingo tornou-se tão generalizada que, numa reunião da Associação de Cientistas Cristãos, em outubro, o tema entrou em pauta, havendo longa discussão, com registro a favor desta prática no lugar de sermões proferido por pessoas.

Neste ano, para tornar uniforme os serviços religiosos das igrejas da Ciência Cristã, a Sra. Eddy introduz uma “Ordem do Serviço”, que incluía leituras da Bíblia e de Ciência e Saúde, na forma de sermão.

1894: A Sra. Eddy ordena, no dia 14 de dezembro, a Bíblia e Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras pastor d’A Igreja Mãe, A Primeira Igreja de Cristo Cientista, em Boston:

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“Eu, Mary Baker Eddy, ordeno a BÍBLIA e CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS  Pastor de A Igreja Mãe, A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, em Boston, Ma., e eles continuarão a pregar para esta Igreja e para o mundo” (Manual da Igreja, p.58).

1895: Daisette McKenzie recorda-nos que a Sra. Eddy, antes de ordenar a BÍBLIA e CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS Pastor d’A Igreja Mãe, vinha recebendo cópias de sermões, proferidos nas igrejas que Cristo, Cientista, onde não distinguia se o escritor destes textos era cientista cristão, espiritualista ou teosofista.

Por isso, retirou-se em oração para saber o que fazer no intuito de solucionar este impasse. No final de três semanas recebeu a resposta, resolvendo o problema ao ordenar (Conhecemos Mary Baker Eddy, 1ª Edição, p.47-48): “a Bíblia e Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras pastor de todas os filiais d’A Igreja Mãe” (publicado no Journal de abril).

 

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  10 mil pessoas vistaram Mary Baker Eddy, em Pleasante View - 1903.

www.longyear.org

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As Lições Bíblicas da Ciência Cristã constituem uma fonte diária de consolo, apoio e inspiração. Cada Lição consiste de versículos bíblicos, ampliados e explanados pelas passagens correlativas deCiência e Saúde com a Chave das Escrituras.

As ideias inspiradas das Lições Bíblicas podem ser aplicadas no trabalho, no lar, na escola, onde quer que você vá. Esse esboço prático de estudo espiritual autodidata analisa tópicos pertinentes à vida diária. As passagens são selecionadas com o objetivo de oferecer um fundamento para o estudo independente de um tema semanal.

O Livrete Trimestral com citações consiste de uma página e das referências para a lição, permitindo que você leia e estude nos livros cada seção, dentro do contexto.

Esse recurso diário pode ajudá-lo a encontrar inspiração e coragem para fazer escolhas inteligentes, resolver situações desafiadoras e ser uma fonte de consolo para outras pessoas. (O ARAUTO DA CIÊNCIA CRISTÃ)

 

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Sobre o tema acesse:

SUGESTÃO PARA ESTUDAR AS LIÇÕES BÍBLICAS DA CIÊNCIA CRISTÃ.

"OFICINA BÍBLICA DE FÉRIAS - 2011: NOTÍCIAS - Relatório das atividades

Filhos de Israel.

Terra Prometida: Canaã.

MEMÓRIA - 1ª Oficina Bíblica de Férias: "Como estudo a Lição Sermão".

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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

PIONEIRO DA CIÊNCIA CRISTÃ NO ESTADO DE SANTA CATARINA: Otto Schaefer

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HISTÓRIA:

 

1ª Igreja CC Blumenau_14.01.2013_ Foto Edésio Ferreira Filho.

1ª Igreja de Cristo, Cientista Blumenau, SC, Brasil. 

 

 

Pioneiro da Ciência Cristã

no estado de Santa Catarina: Otto Schaefer 

 

 

Otto Schaefer, marceneiro, conheceu a Ciência Cristã, na Suíça, instalou-se em Hansa-Hammonia, hoje Ibirama. Difundiu a Ciência Cristã, através das curas que realizou.

Muita gente vinha até Hammonia a procura de cura. Eram de Porto União, Mafra, Canoinhas, Florianópolis, Blumenau, Joinville, entre outras cidades [temos registros de curas realizadas por ele – relatos das senhoras Dolores, Mita e Marta, que foram membros da  Sociedade de Ciência Cristã de Curitiba].

1_Hammonia 04 - Cópia 

Foto: autor desconhecido

 

O Sr. Otto possuía uma grande casa, que foi usada como hotel, onde  era servido alimentação,   para hospedar os doente, além de realizar cultos da Ciência Cristã.

Em 1921, diversas famílias interessadas nos ensinamentos desta Ciência, iam de trem de Blumenau para Hamonia com a finalidade de assistirem ao culto dominical da Ciência Cristâ, na casa do Sr. Otto Schaefer.

3_Estação IBIRAMA - Cópia 

 

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Estação Ferroviária de Hamonia - Fotos: autor desconhecido

 

Quando o número de estudantes de Ciência Cristã cresceu, em Blumenau, a família Bonemassou ofereceu uma sala de sua casa para que realizassem os cultos. Então, o Sr. Schaefer ia até esta cidade, de vez em quando, para celebrar cultos dominicais.

Fonte: Arquivos da 1ª Igreja de Cristo Cientista, do Rio de Janeiro e memórias de Robert Duenki e Irma Mueller Machado da Luz. Organização: Edésio Ferreira Filho, MSc.

4_ Hammonia - Cópia           Hamonia -  Foto: autor desconhecido

 

 

Sobre Ibirama, Santa Catarina - Brasil 

Ibirama localiza-se a uma latitude 27º03'25" sul e a uma longitude 49º31'04" oeste, estando a uma altitude de 150 metros, acima do nível do mar, apresenta clima Subtropical. Com  área de 246,705 km², faz divisa com  Apiúna, Ascurra, Benedito Novo, José Boiteux, Lontras, Presidente Getúlio e Rio do Sul. Distante de Florianópolis, 200 Km. Sua população,  estimada em 2011,  era de 17 447 habitantes. 

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Até o século XVI, a região onde se localiza a cidade situava-se na fronteira entre o território tradicional dos índios carijós, no litoral e o território tradicional dos índios caingangues, no interior. A partir desse século, com a chegada dos exploradores europeus, as populações indígenas nativas passaram a ser perseguidas por estes para servirem de mão de obra escrava.  "Ibirama" é uma palavra tupi que significa "terra da fartura", através da junção dos termos yby ("terra") e ram ("promissor", "que será").

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Foto: autor desconhecido

 

Em 30 de março de 1897, foi organizada em Hamburgo, Alemanha, a Sociedade Colonizadora Hanseática, com o objetivode colonizar as terras devolutas dos vales dos rios Hercílio e Itapocu, concedidas pelo Governo de Santa Catarina.

No dia 7 de novembro de 1897, saíram, da Subida (em Apiúna, em Santa Catarina), o presidente da Sociedade Colonizadora Hanseática, A. W. Sellin; o engenheiro Emil Odebrecht; seis operários brasileiros e um cozinheiro alemão, em canoas subindo o Rio Itajaí-Açu até chegarem à confluêcia com o Rio Itajaí do Norte, onde pernoitaram.  

No dia seguinte, 8 de novembro, chegaram à Barra do Ribeirão Taquaras, onde foi oficializada a fundação da colônia. Foram feitas explorações, achou-se o lugar ideal para a sede da nova cidade, Hansa-Hammonia.  Seus colonizadores foram basicamente alemães e italianos.

Em julho de 1899, veio residir no lugar, com muito ânimo, o primeiro colono, o Sr.Willy Luderwald e sua esposa e, no final do mesmo ano, chegaram as famílias de: Karl Engelhardt, Ludau Kitzenger, Ochmanne e Conrado Wagner, este último, solteiro. Novos colonizadores foram chegando e se dedicando à agricultura e pecuária e, em pouco tempo, foram surgindo incipientes, mas promissoras atividades industriais, especialmente nos ramos de laticínios, madeiras, féculas e produtos derivados de suínos.

Hansa-Hammonia subordinado a Blumenau, foi elevado à categoria de Distrito deste município  pela lei municipal nº 60, de 02-03-1912. Com a denominação de Dalbérgia, pelo decreto estadual nº 498, de 17-02-1934, desmembrado de Blunemau, sede no povoado de Nova Breslau e Nova Bremem. Constituído de 4 distritos: Dalbérgia, Harmônia, Gustavo Richard e José Boiteux. Foi  instalado município em 02-031934.

Finalmente, em 1943, a lei que fixava o Quadro Territorial do Estado de Santa Catarina, alegando tratar-se de um nome estrangeiro, passou a denomina-lo Ibirama. Fonte:  Wikipédia - a enciclopédia livre.

 

 Nota: em janeiro de 2012, Edésio Ferreira Filho,  Meire e Maisa Alves, MSc. iniciaram a coleta de dados históricos  sobre a criação do Cemitério Confessional da Ciência Cristã, em Blumenau. Este material será publicado oportunamente.

 

logo_RAIO DE SOL no Paraná I

 

A coleta de dados sobre o Cemitério Confessional da Ciência Cristã, em Blumenau,  e a publicação desta página  são desdobramentos do evento RAIO DE SOL PARANÁ, realizado em Mandirituba/Curitiba - em janeiro de 2007. Organizado por Edésio Ferreira Filho e Ramona Esther Nunez.

Organização desta página: Edésio Ferreira Filho, MSc. 

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Sobre o Raio de Sol no Paraná acesse:

 

   peabirucamp.contato@gmail.com

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domingo, 11 de janeiro de 2015

TAREFAS DO CRISTIANISMO DE LIBERTAÇÃO (III): CRÍTICA DA LÓGICA SACRIFICIAL

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Se o capitalismo de fato funciona como uma religião ou se tomou o lugar das religiões tradicionais, para criticá-lo é preciso entender os meandros da religião e dos "segredos" dos conceitos teológicos como "sacrifício", "dívida/culpa" e "promessa" que apresentam dominação e exploração como caminho de "salvação". Não levar em consideração os aspectos religiosos e teológicos do sistema capitalista é fazer uma crítica ao capitalismo dentro da compreensão da modernidade que o próprio capitalismo criou como parte da sua ideologia. Em outras palavras, a crítica teológica tem um papel fundamental não somente para os crentes, mas para toda a sociedade e o futuro da humanidade.  J. Rieger e N. Míguez, de "Para além do Espírito do Império", Paulinas, 2012.

 

Ferenczy,_Károly_-_Sermon_on_the_Mountain_(1896) (1) - Cópia    Sermão da Montanha (1896) de  Károly Ferenczy

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Tarefas do Cristianismo de Libertação (III):
crítica da lógica sacrificial
 
Jung Mo Sung

 

"Infelizmente a cristandade - o cristianismo que se alia ao império - retomou a teologia sacrificial e assim reforçou a lógica sacrificial dominante nos impérios. Quando a sociedade crê que deus não pode salvar sem exigir sacrifícios, até mesmo do seu próprio filho amado, é claro que vai aceitar como "natural" o discurso do sistema de mercado capitalista quando fala dos sacrifícios necessários exigidos pelo mercado. Assim como aceitou a escravidão e exploração colonial como sacrifícios necessários para o progresso e, também, para a salvação da alma desses sacrificados.

 

No primeiro artigo desta série (I) eu afirmei que o Império global hoje domina por sedução e que os sacrifícios religiosos continuam sendo oferecidos aos deuses, só que o deus de hoje é uma força impessoal (o sistema de mercado global) que domina as nossas vidas cotidianas e impõe sacrifícios de vidas dos mais pobres. No segundo (II), eu expus a tese de que é preciso superar a imagem da modernidade pintada pelo próprio mundo ocidental moderno e repensá-la, não como centrada na razão e emancipação, mas como racionalidade a serviço da irracionalidade da acumulação de capital à custa de escravidão, colonização e genocídios; emancipação construída sobre exploração de outros povos.

Neste terceiro, eu quero aprofundar o tema da lógica sacrificial. Para entender a importância deste tema, precisamos nos lembrar que nós vemos, analisamos e julgamos a vida pessoal, social e a dinâmica da sociedade através do que Hinkelammert chama de "marco categorial", isto é, um conjunto de categorias articuladas por uma determinada lógica. E um das categorias fundamentais do Ocidente tem sido a de "sacrifício".

Sacrifício (ato sagrado), no sentido mais primitivo, é uma oferenda - geralmente a vida de uma pessoa ou animal - que um sacerdote (pessoa sagrada) oferece a Deus, cumprindo com a exigência divina em troca de um benefício ou da suspensão de algum castigo. Nas teologias sacrificiais, Deus ou deuses são sempre exigentes, não dão nada de graça e nem perdoam. O não cumprimento das suas leis produz uma grande desgraça, por isso o contínuo oferecimento de sacrifícios para evitar a ira divina.

O segredo é a aceitação de um pequeno mal - como sacrificar a vida de alguém ou aceitar algum sofrimento na vida pessoal - para conseguir um bem maior. Assim, na lógica sacrificial, a imposição de sofrimento ou morte sobre alguns se transformam no bem. Isto é, a lógica sacrificial inverte o mal em um bem! É uma completa inversão de valores humanos-éticos em nome de deus, ou, segundo a crítica bíblica, em nome do ídolo.

Esta é a razão pela qual Jesus, retomando uma afirmação de Oséias, acusa o sistema social e religioso do seu tempo de não ter entendido que Deus quer misericórdia e não o sacrifício!

Infelizmente a cristandade - o cristianismo que se alia ao império - retomou a teologia sacrificial e assim reforçou a lógica sacrificial dominante nos impérios. Quando a sociedade crê que deus não pode salvar sem exigir sacrifícios, até mesmo do seu próprio filho amado, é claro que vai aceitar como "natural" o discurso do sistema de mercado capitalista quando fala dos sacrifícios necessários exigidos pelo mercado. Assim como aceitou a escravidão e exploração colonial como sacrifícios necessários para o progresso e, também, para a salvação da alma desses sacrificados.

Sem uma crítica radical à lógica sacrificial presente no inconsciente coletivo ou no fundo das nossas culturas, a crítica radical ao sistema de mercado global não será eficaz. Para isso, é preciso começar com uma afirmação teológica básica: Deus não quer sacrifícios, mas sim misericórdia e justiça para os pobres e oprimidos! Esta é uma tarefa que a teologia e o cristianismo de libertação precisam assumir.

E a morte de Jesus na cruz? Jesus e os evangelhos não interpretaram a cruz como uma exigência sacrificial de Deus que deveria ser aceita. Pelo contrário, Jesus afirmou que ele dava a sua vida livremente, não como obediência uma exigência da lei divina. Isto é "dom de si", doar a sua vida na luta pela vida dos mais fracos. Pedro, no primeiro discurso após pentecoste diz claramente que o Templo matou Jesus e Deus ressuscitou. A ação de Deus não está presente na crucificação, pois não era sua vontade, mas só na ressurreição para mostrar o erro da lógica sacrificial.

Os sacrifícios exigidos e aceitos só se justificam através do cumprimento das promessas da recompensa. Quando isto não ocorre, foi um sacrifício em vão e os sacrificadores não são mais vistos como sacerdotes, mas como assassinos. É por isso que os "sacerdotes" do Império dizem que a razão do não cumprimento das promessas do mercado para o mundo todo é que ainda faltam mais sacrifícios. Se reconhecessem que estão impondo sacrifícios em vão, eles se perceberiam como assassinos.

Por outro lado, quem doa sua vida pela vida do seu próximo, não faz por obediência a uma lei divina, mas livremente, deixando-se levar pela força interna da compaixão e do amor-solidário. Por isso, quem luta livremente por amor ao próximo, mesmo que não logre o objetivo político-social, não sente como se tivesse feito um sacrifício em vão. Sabe que a luta valeu por ela mesma, porque foi expressão da sua liberdade e solidariedade e assim se tornou mais livre e mais humano.

 

Autor: Jung Mo Sung é autor de "Sujeitos e sociedades complexas", Vozes.

Fonte: CEBI - Centro de Estudos Bíblicos.

Nota: Tarefas do Cristianismo de Libertação (III): crítica da lógica sacrificial  não representa o pensamento do  Movimento da Ciência Cristã - A Igreja Mãe em Boston ou qualquer de suas filiais, sociedades ou grupos informais de estudos, existentes em diferentes países do mundo,  foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia no contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico. Com o objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras e compreendermos o verdadeiro papel do cristão nos dias de hoje.

Sobre o tema leia: Tarefas do Cristianismo de Libertação (II): modernidade e a idolatria - FETICHISMO DO DINHEIRO E A GRAÇA DE DEUS: A NOVIDADE NA ALEGRIA DO EVANGELHOJESUS VAI AO McDONALD’S  -  A CURA CRISTÃ E TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO.

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domingo, 4 de janeiro de 2015

REIS MAGOS ONTEM E HOJE

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Reis Magos ontem e hoje

Leonardo Boff

 

No Segundo Testamento1  há duas versões do nascimento de Jesus. Uma do evangelho de Lucas que culmina com a adoração dos pastores. A outra, do evangelho de Mateus, que se concentra na adoração dos três reis magos. A lição é: judeus e pagãos, cada um a seu modo, encontram Jesus.

As Escrituras judaico-cristãs deixam claro que Deus não se revelou apenas aos judeus. Antes de surgir o povo de Israel com Abraão, revelou-se a Enoque, a Noé, a Melquisedeque, depois a Balaão e ao rei Ciro. Os reis magos pertencem a este grupo. Quem eram eles?

Eram astrólogos vindos provavelmente da Babilônia. Naquele tempo astronomia e astrologia caminhavam juntas. Certo dia, estes sábios descobriram uma estranha conjunção de Júpiter com Saturno que os aproximou de tal forma que pareciam uma única grande estrela, na constelação de Peixes.

Desde o tempo de Kepler (+1630) os cálculos astronômicos mostraram efetivamente que no ano 6 antes de Cristo (data do nascimento de Cristo pelo calendário corrigido) ocorreu tal conjunção. Para os sábios, este fato possuía grande significação. Júpiter, na leitura astronômica da época, era o símbolo do Senhor do mundo.

Saturno era a estrela do povo judeu. E a constelação de Peixes era o sinal do fim dos tempos. Os sábios babilônicos assim interpretaram: no povo judeu (Saturno) nascerá o Senhor do mundo (Júpiter) sinalizando o fim dos tempos (Peixes).

Então se puseram a caminho para prestar-lhe homenagem. Sempre houve na história dos povos, pessoas simples ou sábios que se puseram a caminho em busca de salvação, quer dizer, de uma totalidade integradora. Deus foi a seu encontro nos seus modos de ser e de pensar.

Mas por que foram encontrar Jesus? Porque, segundo a compreensão dos cristãos, Jesus é um princípio de ordem e de criação de uma grande síntese humana, divina e cósmica. Quando dão o título de Cristo a Jesus querem expressar esta convicção.

Esta síntese se encontra também em outras religiões sob outros nomes: Sabedoria, Logos, Iluminação, Buda, Tao. Estes são os "ungidos e consagrados" (significado de Cristo) para serem um centro a trator e unificador de tudo o que há no céu e na terra. Mudam os nomes, mas o sentido é sempre o mesmo.

Nossa realidade, entretanto, é contraditória. É feita de elementos sim-bólicos e dia-bólicos, de verdade e de falsidade, de bondade e de maldade. Como podemos distinguir um do outro? Como criar uma ordem superior que ultrapasse essas contradições? Precisamos de um Centro ordenador e animador de uma síntese pessoal, social e também cósmica.

Os evangelistas usaram o fenômeno astronômico para apresentar Jesus como aquele Senhor do Universo que vem sob a forma de uma criança para unificar tudo. Essa Energia é divina mas não exclusiva. Ela se expressa sob muitas formas históricas. Em Jesus, o Cristo, ganhou uma concretização que mobilizou outras culturas com seus sábios vindos do Oriente.

Todos os caminhos levam a Deus e Deus visita os seus em suas próprias histórias. Todos estão em busca daquela Energia que se esconde no significado da palavra Cristo.

Esse encontro com a Estrela produz hoje, como produziu ontem, alegria e sentimento de integração. Haverá sempre uma Estrela no caminho de quem busca. Importa, pois, buscar com a mente sempre desperta aos sinais como os reis magos.

 

1 Alguns usam o termo "O Segundo Testamento" no lugar de "O Novo Testamento" principalmente por respeito aos nossos irmãos que abraçam a religião judaica.

 

Nota: “Reis Magos ontem e hoje” foi publicado para refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica em que seus relatos foram escritos. Conforme recentes descobertas sobre fatos nela registrados e a opinião de estudiosos do texto bíblico. Com o objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

O texto não representa necessariamente a opinião deste blog ou do Movimento da Ciência Cristã – A Primeira Igreja de Cristo Cientista, em Boston, ou qualquer de suas filiais, sociedades ou grupos informais de estudos, existentes em diferentes países do mundo.

 
Sobre o tema: A ESTRELA QUE GUIOU OS MAGOS, publicado em 24 de dezembro de 2012.

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Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras   de Mary Baker Eddy

PERGUNTAS E RESPOSTAS:

Pergunta. - O que é Deus?

Resposta. - Deus é a Mente, o Espírito, a Alma, o Princípio, a Vida, a Verdade, o Amor; é incorpóreo, divino, supremo, infinito.

GLOSSÁRIO:

Cristo. A divina manifestação de Deus, que vem à carne para destruir o erro encarnado.

 

 

“A estrela de Belém é a estrela de todas as épocas, a luz do Amor [...].”

Mary Baker Eddy

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

É A LUZ QUE DISSIPA AS TREVAS

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Se a razão teórica na fisica moderna um dia remodelar os termos de construção de nosso universo simbólico a tal ponto que influencie nossa razão prática, então conceber um ser humano como, nas palavras de Einstein, "parte do todo" será o salto de fé que se revelaria mais crítico.

 

É somente dando esse salto que podemos começar, como ele afirma, a nos libertar das "ilusões ópticas" de nossa atual concepção do self como uma "parte limitada no tempo e no espaço", e a ampliar "nosso círculo de compaixão para abarcar todas as criaturas vivas e a totalidade da natureza em sua beleza".

 

Mas, é claro, uma pessoa não pode ser levada simplesmente com raciocínios e argumentos. É preciso ter, a nosso ver, a capacidade para o que Einstein chamou "sentimento religioso cósmico".   Menas Kafatos e Robert Nadeau, The Conscious Universe em Cosmologia e Criação de Paul Brockelman - Edições Loyola.

 

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É A LUZ QUE DISSIPA AS SOMBRAS

 

Ruth Elizabeth Jenk

 

O tempo parece desencadear-se naturalmente no escritório onde Betty Jenks  exerce sua prática de cura da Ciência Cristã, em Boston, EUA, à medida que o telefone toca e ela recebe chamados provenientes das vinte e quatro zonas meridionais, as quais dividem o tempo nas vinte e quatro horas do dia, ao redor do mundo. Algumas pessoas telefonam de lugares nos quais ainda  é ontem, outras de onde é hoje e outras de lugares onde já é amanhã.

O que é esse conceito ilusório, comumente conhecido como “daqui para ali?”  Recentemente, o The Christian Science Journal publicou o que Betty Jenks pensa sobre algumas idéias  populares a respeito do passar das horas, dos dias, dos anos.

Sem perder tempo, ela considerou cientificamente cada um desses mitos.

 

sombrero_galaxy - Cópia Sombrero Galaxy - Hubble Heritage

 

Mito: O tempo é um fato da vida. Simplesmente temos de conviver com ele.

Pode ser. Mas, como vamos conviver com ele? Vamos começar com esta pergunta importante: O que é o tempo? Quando ele começa? Em que ele se fundamenta?

A forma pela qual registramos o tempo é através de calendários e relógios, todos com base em dias, anos, horas e minutos. O que dizer a respeito do dia? Uma ilusão. Qualquer coisa que se baseie em uma ilusão, pode ser real ou verdadeira?

A ilusão, naturalmente, é a de que o sol nasce e se põe, a cada 24 horas. Contudo, o sol não nasce nem se põe. O sol não se move, é a terra que faz isso.

Todavia, esse “movimento do sol” é como as primeiras civilizações começaram a marcar o tempo. Então, com o passar do tempo, o mundo aceitou essa estrutura arbitrária, como um modo eficiente de governar nossos dias.

Entretanto, se considerado como o fator governante em nossa vida, a ilusão da teoria de 'dia-e-noite’ nos faz sentir confinados e sujeitos a extremos, desde ao tédio e ao vazio, até a uma pressão dominadora. Mary Baker Eddy expôs esse conceito de tempo como algo a não ser ignorado.

Ao contrário, precisamos despertar para a necessidade de o tempo ser nosso servo ao invés de nosso dono. Ela escreveu: “A organização e o tempo nada têm a ver com a Vida” (Ciência e Saúde, p. 249).

Ela também nos oferece a definição espiritual de tempo no Glossário de Ciência e Saúde: “Medidas mortais; limites, dentro dos quais estão reunidos todos os atos, pensamentos, crenças, opiniões e conhecimentos humanos...” (p. 595). É essa ideia de estarmos limitados que nos submete à pressão, ao medo e à frustração.

Não somos vítimas de limitações. Pelo contrário, Ciência e Saúde explica: “Os objetos do tempo e dos sentidos desaparecem na iluminação da compreensão espiritual, e a Mente mede o tempo de acordo com o bem que se desdobra” (p. 584).

Ao adquirirmos uma perspectiva iluminada a respeito do tempo, como não tendo começo nem fim e, portanto, sem medidas, podemos de fato “conviver com ele” e transcendê-lo, mesmo sob essa assim chamada perspectiva limitada.

 

Planetary Nebulosa  Mz3_ HUBBLE HERITAGEPlanetary Nebulosa Mz3 - Hubble Heritage

 

Mito: Considerar o tempo como irreal não é prático.

Na verdade, podemos ser muito mais práticos trabalhando no infinito! Se tentarmos ser organizados, estaremos conjeturando que isso levará 20 minutos, três dias ou dois anos. Se formos espiritualmente metódicos, estaremos ouvindo a Deus, e a ideia do que for necessário fazer virá naquele exato momento, de forma espontânea, pois se trata de revelação.

Aí pensamos: “Como foi que fiz isso”? Essa abordagem é muito mais poderosa do que a tradicional: “Começarei aqui e, possivelmente, terminarei ali”.

Considerar o tempo como uma ilusão é, de fato, a única abordagem prática para a vida. Essa compreensão realmente nos capacita a controlar nossos dias com um enfoque disciplinado. Percebemos a natureza ilusória de tentar manipular nossa experiência dentro de um período que fica delimitado entre a vida e a morte.

Dessa maneira, descobrimos que podemos nos libertar do mito que diz que começamos com o nascimento e imediatamente temos de tentar evitar a morte. A palavra mortalidade provém da raiz latina “mort”, que significa morte.

Contudo, como cristãos, na verdade compreendemos, por meio da Bíblia e pela ressurreição e ascensão de Jesus, que a vida é eterna e que, portanto, ela não existe na mortalidade. Tendo Deus como nossa única origem, a Vida é expressa em alegria, atividade, equilíbrio, controle, propósito.

Não existe nenhuma conjetura envolvida aqui. Quando compreendemos esses fatos espirituais, ficamos livres de dúvidas e medos, e não nos sentimos dependentes de situações negativas, que parecem estar além da nossa capacidade de fazer algo a respeito.

Portanto, quando o tempo é visto a partir dessa perspectiva espiritual, ele é um fato da vida com o qual podemos conviver.

 

interacting_galaxies - Cópia      Interacting Galaxies - Hubble Heritage

 

Mito: Não há horas suficientes no dia.

Não há nenhuma dúvida de que, quando alguém tem de trabalhar 14, 15 horas por dia e depois ir para casa, preparar refeições e tomar conta de crianças, isso pode impor uma grande sensação de estresse, quase de injustiça.

O que podemos fazer a respeito? Em francês, a palavra retidāo é traduzida em uma única palavra: “justiça”. A Bíblia diz: “O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre” (Isaías 32:17). Então, com esse conceito em mente, não pensaremos: “Ah, trabalhei 14 horas hoje e agora tenho de ir para casa para fazer isso e aquilo”.

Percebemos que podemos fazer do tempo um pequeno deus, curvamo-nos diante dele e o adoramos, como se disséssemos ao tempo: “você está contra mim e me ameaçando”. Tudo bem, talvez tenha sido um longo dia, mas não precisamos sofrer por causa disso.

Quando nunca temos tempo para nós mesmos ou mesmo para um descanso decente, precisamos compreender que todos os dias têm o mesmo número de horas; a diferença consiste no que fazemos com elas! É muito mais fácil nos livrar do fardo da “injustiça” e aceitar cada hora como completa, repleta de alegria, do necessário vigor e de gratidão.

Quando nos sentimos sobrecarregados com a falta de tempo, esse é o exato momento de desafiar o mito de sermos escravos de relógios e calendários.

Nosso direito inato é sermos os filhos de Deus, o Amor divino, e, quando começamos com essa premissa, provamos em nossa vida diária estas palavras de conforto de Mary Baker Eddy: “Por meio do Amor divino chegasse a um governo mais semelhante ao correto, o caminho fica claro, o progresso procede mais rapidamente, e alcança-se a alegria do consenso harmonioso” (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany [A Primeira Igreja de Cristo Cientista e Vários Escritos], p. 292).

Ora, esse é o verdadeiro uso para o tempo! Quando submetemos nossos dias ao governo de Deus, o caminho é delineado, o processo é abreviado e a alegria da realização está exatamente aqui.

 

Barred Spiral Galaxy NGC I300_ Hubble Heritag 

Barred Spiral Galaxy NGC I 300 - Hubble Heritage

 

Mito: A aposentadoria envolve tempo demais e propósito  de menos.

Os anos de aposentadoria talvez nos presenteiem com a antiga e venerável sugestão de que o corpo começa a diminuir a atividade ou mesmo a se deteriorar, e que nossas faculdades mentais também estão sujeitas a esse declínio. Dificilmente uma perspectiva feliz.

Tal expectativa invalida o pensamento ativo e nos deixa em um estado de autopiedade, de devaneios, de procrastinaçāo, de tédio, e tudo isso nos enche de medo e dúvida. Até mesmo começamos a achar que é hora de desistir. Por quê?

Tudo por causa da opinião mortal. Gosto da definição de opinião no Oxford English Dictionary [Dicionário Inglês de Oxford]. Ela diz, em parte: “uma crença suficientemente forte para causar impressão, mas não forte o suficiente para ser verdade”.

A impressão talvez possa ser forte, mas ela só se concretizará se consentirmos nela. Quando tinha 19 anos, dei meu consentimento às opiniões sobre envelhecimento, sem que me apercebesse. Foi um ano péssimo, porque todas as minhas amigas tinham ido para a faculdade, eu estava sem dinheiro e presa a um emprego sem perspectivas em uma fábrica.

Não via nenhum futuro, nenhuma esperança ou propósito, apenas uma vida solitária pela frente e carregada de autopiedade. Quando fiz vinte anos, várias idéias e oportunidades começaram a surgir inesperadamente. Daí em diante, sabia que havia superado e contestado esse momento de “velhice” e nunca mais tive de passar novamente por isso!

Essa experiência me ensinou que nem o tempo, nem a idade precisam ser um fator em nossa perspectiva. Ninguém pode negar que, quando estamos solitários, existe a tentação de nos sentirmos condenados por aquilo que parece ter nos separado dos amigos, da família ou de nossas atividades, ou então de sentir que não temos mais nenhum propósito.

Contudo, a maioria de nós pensa em encontrar um “propósito”, como sendo “uma razão para viver”. Isso é ridículo! Ter um propósito é se dedicar a uma constante descoberta de nosso desejo inato e contínuo de abençoar a nós mesmos, ao abençoarmos os outros.

Desde a mais tenra infância, a alegria de descobrir e desejar compartilhar essas descobertas com os outros é muito natural. Entretanto, ficamos entediados à medida que progredimos nessa assim chamada estrutura “tempo” e, freqüentemente, ficamos sensíveis a qualquer rejeição que signifique algum fracasso de nossa parte.

Preservar nossa expectativa e inocência infantil nos capacita a continuar em nosso propósito de compartilhar com os outros o bem que percebemos e sentimos. De fato, a aposentadoria deve ser um período de maturidade espiritual em nossa vida, o qual nos proporciona um sentido mais amplo de tranqüilidade e realização, que jamais conhecemos.

No entanto, como chegar a isso? Recebi um telefonema de uma senhora que não é Cientista Cristã, mas que é ávida leitora do jornal The Christian Science Monitor. Ela chegara àquela fase da vida, sobre a qual muito está sendo escrito. Ela faz parte da chamada geração dos “boomers” (pessoas nascidas no pós-guerra, entre 1945 e 1947), que agora enfrentam a aposentadoria.

Ela ligou para me contar como estava empolgada com o editorial que aparecera na edição daquele dia, chamando atenção a respeito do crescente interesse dos “boomers” em procurar abençoar os outros, e das inúmeros oportunidades que surgiam para isso. Ela estava muito inspirada e animada com um interesse renovado em não ceder nem desistir, mas, ao contrário, com um interesse em dar de si.

A cada dia, os noticiários nos proporcionam inúmeros motivos para que cada um de nós permaneça, em espírito de oração, conectado a toda a humanidade, a família de Deus. Esse propósito individual inclui compartilharmos o progresso, as realizações, as necessidades, as tristezas, as secas, as guerras, os sucessos econômicos e as derrotas de nossa família mundial. Aposentar-se? Do quê? Um novo começo está à mão, livre de todas as opiniões relativas ao tempo.

Quando nos sentimos sobrecarregados com a falta de tempo, esse é o exato momento de desafiar o mito de sermos escravos de relógios e calendários.

 

Active Galaxy M82_ Hubble Heritag 

Active Galaxy M82 - Hubble Heritage


 

Mito: Uma doença é mais difícil de curar, quando está se manifestando há muito tempo.

Os Cientistas Cristãos são modestos em suas pretensões, mas seguros de que a persistência e a constância têm sua recompensa. Mais cedo ou mais tarde, todos chegarão a compreender que “a paciência realiza sua obra perfeita” (Ciência e Saúde, p. 454).

Quando compreendermos que Deus é a fonte primária de poder, o tempo não terá nenhuma importância. Precisamos encontrar essa convicção e, para mim, é exatamente o que significa a palavra paciência.

Se eu estiver preparando um bolo de carne e estiver faminta, eu o levo ao forno e penso: “Ah, mas estou com fome agora”. Contudo, se eu quiser tirá-lo do forno em dez minutos, hum, terei de comê-lo cru! Ter convicção é saber que, quando eu voltar à cozinha, em 45 minutos, a refeição estará pronta.

A expectativa de seu cozimento está lá porque a ideia já estava completa antes de eu ter colocado o bolo de carne no forno. Na verdade, o mesmo acontece com a cura física, isto é, a cura está completa antes de o indivíduo sequer começar a orar.

A ideia de esperar fica entranhada no conceito de tempo, em vez de no âmbito do pensamento. Entretanto, quando temos a liberdade em nosso pensamento, porque o próprio pensamento é por si mesmo livre e não pode ser limitado por nada, nos elevamos acima das restrições do conceito de tempo ou, até mesmo, da história.

Portanto, como podemos dizer: “Faz dois anos que tenho esta doença”. Como dois anos? A doença jamais continua, porque nunca começou. Uma vez que a doença é uma ilusão, ela não tem nenhuma substância real, é uma mentira. Tudo bem, você orou durante dois anos, contudo o problema não foi vencido.

As pessoas tendem a se sentir desafiadas por isso, mas que ótima oportunidade para uma oração constante para desafiar essa mentira! Quando somos crianças e vamos à escola, somos motivados a pensar, a descobrir.

Talvez vacilemos um pouco ao separar as respostas certas das erradas, mas, no momento em que percebemos que 2+2=4, nunca mais aceitaremos qualquer outra conclusão, porque provamos o que é verdadeiro.

O tempo nunca é um fator na cura, porque, em realidade, não existe nenhum passado e nenhum futuro. Isso é verdadeiro a despeito de como consideramos o conceito de tempo. Não podemos recuperar um único momento do passado e o amanhã está sempre fora do nosso alcance. Não podemos alcançá-lo antes que ele chegue. Só vivemos e podemos vivenciar o agora.

Essa compreensão dissipa o medo. Sendo eu uma pessoa que suportou três diferentes curas que exigiram “tempo”, a última durante dois anos, posso de fato dizer, parafraseando os comentários do Apóstolo Paulo, que eu, também, pude me regozijar na aflição. Isso porque cresci em minha convicção da certeza confortante de Jesus, de que: “...para Deus tudo é possível” (Mateus 19:26); não é uma promessa vazia.

 

Interacting Galaxyes Arp 273_Hubble HeritagInteractive Galaxyes  Arp 273 - Hubble Heritage

 

Mito: Não temos tempo suficiente para orar.

Mas, será que temos confiança suficiente para deixar nossas decisões aos cuidados de Deus? Freqüentemente, não é melhor seguir em frente e fazer o que tem de ser feito? Deus nos deterá se o que fizermos não for o correto. Ao orar, não perguntamos: “Será que esta é uma decisão correta”?

Se confiamos em Deus, você não acha que Ele nos deterá se não for a idéia correta? Algumas vezes, somos tentados a permitir que a indecisão e a confusão do: “Não sei o que fazer” fique se arrastando.

Então, procrastinamos, justificando nossa demora, dizendo: “Vou orar especificamente para isso”! Eu digo: “vá, faça!” Saiba quem você é! A Sra. Eddy diz: “Há uma só maneira de fazer o bem, e essa é fazê-lo! Há uma só maneira deser bom, e essa é ser bom”! (Retrospecção e Introspecção, p. 86).

Não oramos dizendo: “Serei bom e farei o que é bom”! A oração não se refere ao tempo. Ela é açāo!  Orar não é tomar um tempinho do nosso dia para fazer algo. Claro, naturalmente, todos precisamos parar e orar, da mesma forma que mal conseguimos viver sem comer.

Todos precisamos do nosso alimento espiritual. Contudo, não estamos orando por “coisas”, o que significa que sequer estamos orando para tomar decisões. Oramos para compreender que já estamos habitando no bem que nos é divinamente concedido.

A semente é completa, uma ideia completa dentro de si mesma, tal como uma cenoura. Ela começa como uma sementinha marrom, mas quando a plantamos, não dizemos: “Vou arranjar um pouco de tinta laranja e um pouco de tinta verde. Vejamos, a cor laranja vem primeiro e depois a verde fica na ponta de cima”.

A semente já tem as cores dentro de si mesma, dentro da sementinha marrom. Ela só precisa ser cultivada e cuidada. É assim que cada ideia correta vem a nós e, em seguida, vem a fruição.

Spiral Galaxy NGC 3370_ Hubble Heritag Spiral Galaxy NCG 3370 - Hubble Heritage

 

Mito: Algumas pessoas têm morte prematura.

O que é morte prematura? Quando é “oportuno" permitir que a morte assuma o comando? É aos 80, 90 ou mesmo aos 100 anos? Se concordarmos com um tempo determinado, e vivermos além desse prazo, teremos morte inoportuna, porque passamos do tempo estabelecido para a morte oportuna. Tudo isso está sustentado pela crença de que a morte é um processo ou um acontecimento.

O medo da morte desafia todas as coisas “vivas” com uma luta para preservar aquilo que parece ser a “vida” dessas coisas. Até mesmo o bulbo de uma tulipa se retrai quando uma geada está iminente ou um animal foge quando sente o perigo mesmo antes que a ameaça se torne evidente.

Entretanto, a declaração de Jesus de que ele veio para que tenhamos vida e a tenhamos mais abundantemente (ver João 10:10) de modo algum indica que precisamos ter morte oportuna ou inoportuna. Ele venceu completamente a morte, não apenas para os outros, mas para si mesmo. Seu exemplo ao vencer o túmulo baniu para sempre o conceito de que a morte é uma realidade.

É o medo de morrer, o veneno da existência mortal, que nos impede de sequer vislumbrar o fato de que a continuidade de nosso ser está assegurada, por ser ininterrupta.

A mensagem de Jesus é clara: Agora é o tempo em que cada um de nós pode se libertar de qualquer crença na morte ou experiência da morte como sendo oportuna ou inoportuna. Em realidade, nenhum poder chamado “morte” pode jamais ameaçar nossa capacidade de viver abundantemente agora.

Com todos esses mitos, uma coisa sobressai para mim. Cada um deles se baseia em uma ilusão. Embora todos nós nos lembremos do nosso passado e curiosamente especulemos a respeito do nosso futuro, tentar consertar esse passado ou delinear o futuro é ignorar a realidade. A vida é sempre o agora.

Para mim, isso tudo é semelhante a ser enganado por uma sombra. Digamos que você acabou de pintar a parede de sua sala de visitas, com uma bela cor amarela, alegre e aveludada. À noite, você põe de volta todos os móveis em seus devidos lugares e vai para a cama, com um extraordinário senso de satisfação.

Na manhã seguinte, você vai admirar seu trabalho e descobre uma longa faixa cinzenta em um dos lados da estante, exatamente acima dela. Você fica arrasado. Seu primeiro impulso é pegar a lata de tinta e pintar aquele pedaço novamente. Mas, em seguida, se a tinta for lavável, você decide que talvez você possa pegar um balde com sabão neutro e lavar aquela faixa.

Você se aproxima para examinar aquela faixa cinzenta mais de perto e, de repente, constata algo: é apenas uma sombra e nunca tocou a parede. A sombra não tem nenhuma substância, muito embora pareça que tenha. Você se sente um pouco tolo, mas muito aliviado. A sombra não tinha nenhum poder para fazer nada, nem estragar ou arruinar qualquer coisa. Existe uma maneira e somente uma única maneira dela ser removida, com mais luz, uma vez que em plena luz, não existe nenhuma sombra.

Portanto, o que destrói qualquer mito? Um pensamento mais iluminado. Não faz nenhuma diferença se o mito é chamado de idade, medo de alguma doença, um passado acorrentado ou um futuro limitado.

Todas essas ameaças à nossa paz e estabilidade ainda assim são apenas sombras, sem nenhum começo no tempo e sem nenhum tempo necessário para sua restauração e cura. Mais luz dissipará essas sombras, revelando a realidade, ou seja, aquilo que existe agora e que sempre existiu.

 

Ruth Elizabeth Jenks: membro do Conselho de Conferências da Ciência Cristã, dedicou seu tempo integral ao ministério de cura da Ciência Cristã desde 1959, tendo sido  professora de Ciência Cristã desde 1970.

 

Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, edição de maio de 2008  - © 2013 The Christian Science Publishing Society. Todos os direitos reservados.

"A revista O Arauto da Ciência Cristã tem se superado a cada mês em beleza e conteúdo. A qualidade dos artigos tem me agradado muito, principalmente os da edição do mês de maio de 2008, pois ensinam como aproveitar melhor o tempo, algo com o qual parece difícil de se lidar quando se está na terceira idade, como eu.

O artigo "É a luz que dissipa as sombras", de Ruth Elizabeth Jenks, aborda muito bem esse assunto e mostra que o tempo não passa de ilusão e de uma limitação que criamos para nós mesmos.

Esse artigo traz uma verdadeira lição que quebra as limitações impostas pela barreira do tempo, as quais parecem se tornar cada vez maiores com o avançar da idade.

Esse texto é maravilhoso e inspirador, pois me abriu a mente e me fortaleceu para combater  todo e qualquer  limite. Agradeço à equipe do Arauto pelo bom trabalho na elaboração da revista e por levar adiante a mensagem sanadora da Ciência Cristã.

Maria do Carmo Silva de Souza,
Salvador, Bahia.

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sábado, 27 de dezembro de 2014

MEMÓRIA - 1ª Oficina Bíblica de Férias: "Como estudo a Lição Sermão"

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MEMÓRIA -  Oficina Bíblica de Férias:

"Como estudo a Lição Sermão"

0 7 a 11   de janeiro de 2011

 

Garuva, SC - Brasil

Foto Maisa AlvesEstudo da Lição Bíblica [Lição Sermão] da Ciência Cristã   na  1ª Oficina Bíblica de Férias.

 

 

"Tudo transcorreu com muita paz,  muita harmonia. A alegria reinou. Gostei muito do trabalho em círculo, pois o círculo é símbolo do infinito, o bem  sempre presente e o amor em tudo e em todos. Todas as palestras foram proveitosas. Gostaria de agradecer por este encontro que me ajudou a superar limitações. Também a pousada bem acolhedora; a comida maravilhosa - tudo natural. A paisagem refletindo a presença de Deus. A Vida se manifestando naturalmente. Ficamos nestes dias em perfeita comunhão com o Princípio. Obrigado a todos que se uniram para este evento.” LELIA SANDRA

 

SAMECHE      Samech: o círculo, o infinito - Sod: o segredo - Samek: dar apoio (amparar, sustentar) ou se apoiar. SAMECK: o círculo perfeito.   A letra samech, décima letra do alfabeto hebraico - é inteiramente redonda - O. Na exegese judaica ela representa o círculo, uma forma geométrica que desempenha um papel central no pensamento judaico [...]. O cículo não tem início nem fim.  Neste sentido, ele expressa o infinito. A linha reta, esta começa sempre  em algum lugar e termina em algum lugar. Mas, seja ele grande ou pequeno, o círculo é sempre perfeito. Ele não tem hierarquia, nem alto  nem baixo. Eis por que a cada vez que se fala da rotundidade ou de círculo evoca-se ao mesmo tempo o infinito e a igualdade. Adin Steinsaltlz em O alfabeto sagrado, Edições Loyola.

[...] Deus tem dois nomes. O primeiro é o "grande círculo", a transcedencia infinita:  Deus é denominado "Aquele que circunda os mundos", que está além de tudo e exterior ao universo. Mas o  Deus transcedente é também aquele que deu a luz ao mundo, lhe conferiu o Ser. Ele é então denominado "Aquele que preenche   os mundos":  o Deus imanente, que se interessa pela humanidade que Ele ama e está presente em todo lugar, tanto no interior quanto no exterior do círculo. Josy Eisenberg em O alfabeto sagrado, Edições Loyola.

 

 

"Deus é ao mesmo tempo o centro e a circunferência do existir."  Mary Baker Eddy

 

Foto: Edésio Ferreira FilhoNossa gratidão ao Mario Schroeder*, Praticista da Ciência Cristã [no centro da foto].

 

O encerramento das atividades da 1ª Oficina Bíblica de Fériasdia 11 de janeiro  2011 - quarta-feira,  no Acampamento Itinerannte Peabiru, localizado na pousada Monte Crista em Garuva - SC,  aconteceu  com a  leitura  dos seguintes versículos  da Bíblia e seus  trechos correlativos do livro Ciência Saúde com a Chave das Escrituras de Mary Baker Eddy, tendo com tema:  "Ciência Cristã".

 

Bíblia -  João Ferreira de Almeida

      Ciência e Saúde  -   Edição 1974 

1. Salmos 19:7-9

2. Jeremias 31:33 (esta), 34 (até Senhor)

3. Mateus 13:1-8, 18-23

4. Marcos 10: 1, 13-15

5. Mateus 12:15 (Muitos) -21

6. Filipenses 3:13-15

7. I Pedro 2:9 (sois)

  1. 107:1-6;      2. 99:14-16;   3. 596: 4 (a Ciência);

4. 70:1-5;  5. viii:12-15;    6. x:10-17, 21-26;  

 7. 111:24 (a Ciência) - 25;   8. 114:23-24, 27-30;   9. 298:9-12, 15-17;  

10. 252:915;  11. xi:9:21;    12. 482:27 -32; 

13. 367:24-27;   14. 25:13-16, 23-9; 15. 273:16-17, 18 (Daí) -22, 24-3;     

16. 393:17-19;    17.162:5-12;   18. 412:13-16

 
 

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No domingo, 08 de janeiro de 2011, os participantes da Oficina Bíblica estiveram presentes no Culto Dominical da Primeira Igreja de Cristo, Cientista de Joinville, que teve como sermão a  Lição Bíblica  "O Sacramento".

Foto Edésio Ferreira Filho (3)O primeiro leitor  e  a  segunda leitora (primeiro plano)  dirigiram o culto,  no fundo a organista. 

 

Foto Edésio Ferreira Filho (5)

Vista geral do interior da igreja.

  Foto Edésio Ferreira Filho (4)Participantes da Oficina Bíblica  conversam, após o culto, com membros da 1ª Igreja de Joinville.

 

Foto Edésio Ferreira Filho (6)

 

OFICINA BÍBLICA DE FÉRIAS_ Acampamento Itinerante Peabiru_ Foto Mario Schroeder 

Foto oficial da 1ª Oficina Bíblica de Férias. 

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Após o culto dominical, os campistas passearam pelo centro de Joinville, caminharam pela Rua das Palmeiras, oficialmente Alameda Brustlein, e visitaram o Museu Nacional da Imigração e Colonização. 

 

Foto Edésio Ferreira Filho XVI     Rua das Palmeiras, 2010

 

  • As primeiras palmeiras desta alameda  foram trazidas do Rio de Janeiro e plantadas  em 1876,  nesta via que dá acesso à casa dos príncipes, onde hoje funciona o Museu Nacional da Imigração e Colonização.  

 Rua das palmeiras I        Rua da Palmeiras século XIX

 

 

  • A primeira intervenção urbanística na Rua das Palmeiras ocorreu em 1910, quando foi pavimentada com paralelepípedos e por onde podiam passar veículos de carga e de passeio. 

  rua das palmeiras 1910

Rua das Palmeiras, 1910.

 

rua das palmeeiras 1960 

Rua da Palmeiras, 1960.

 

  • A segunda intervenção ocorreu  na década de 1970, com a colocação de gramado e fechamento para o trânsito de veículos.

rua das palmeiras 1970                                                                                           Rua das Palmeiras, década de 1970.

 

  •   O mais recente projeto recuperou o desenho original da alameda, cartão postal de Joinville.

Foto: Edésio Ferreira Filho                                                                                                    Rua das Palmeiras,  2010.

 

Joinville é um município localizado na região  nordeste do  estado  de Santa Catarina. Com uma  área de  1125,70  quilômetro quadrados, possui uma população de 554 601 habitantes em 2014 (IBGE, estimativas), o que configura a maior cidade do estado, à frente da capital, Florianópolis,  o terceiro da Região Sul  e o 36º do Brasil.  Pertence à Microrregião de Joinville   e à Mesorregião do Norte Catarinense e é sede Região Metropolitana do Norte/Nordeste Catarinense,  a qual contava, no último censo, aproximadamente 1,1 milhões de habitantes.

A cidade possui um dos mais altos índices de desenvolvimento humano (0,809) entre os municípios brasileiros, ocupando a 21ª posição nacional e a quarta entre os municípios catarinenses. Joinville ostenta os títulos de "Manchester  Catarinense", "Cidade das Flores", "Cidade dos Príncipes", "Cidade das Bicicletas" e "Cidade da Dança". É ainda, conhecida por sediar o Festival de Dança de Joinville, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e o Joinville  Esporte Clube.

img3_FOTO Baia babitonga  Região da baia da Babitonga: cidade de Joinville (lilás) e a ilha de São Francisco do Sul, SC - Brasil.

 

De acordo com o historiador Apolinário Ternes, o projeto de colonização da região, onde situa-se a cidade de Joinville, iniciou um ano antes da chegada da Barca Colon, que partiu de Hamburgo em 1851. Em 1850, veio o vice-cônsul Léonce Aubé, acompanhado de duas famílias de trabalhadores braçais, mais o engenheiro responsável das primeiras benfeitorias e demarcações do que viria a ser a nova colônia, e também do cozinheiro franco-suíço Louis Duvoisin.

Louis Duvoisin veio ao Brasil anos antes com a expedição do 1842, o Benoît Jules Mure, na instalação fracassada do Falanstério do Saí (1ª comunidade socialista, colocada em prática no mundo, na Vila da Glória - na baia da Babitonga, em terras cedidas por D.Pedro II). A barca Colon partiu de Hamburgo levando os primeiros imigrantes. No dia 9 de março do mesmo ano, a barca chegou ao local e foi fundada a Colônia Dona Francisca. A população foi reforçada com a chegada da barca Emma & Louise, com 114 pessoas. Em 1852, foi decidido que, em homenagem ao príncipe François, a cidade passaria a se chamar Joinville.

 

Foto Edésio Ferreira Filho XVIII

No dia 1 de maio de 1843, a princesa Dona Francisca Carolina, filha de Dom Pedro I, casou-se com o príncipe de Joinville François Ferdinand, filho do rei dos franceses Luís Felipe, e recebeu como dote de casamento um pedaço de terra (Joinville)  próximo à colônia de São Francisco, hoje a cidade de São Francisco do Sul.

Em 1848, o rei dos franceses Luís Felipe foi destronado e seu filho François se refugiou na Inglaterra. Ao começar a sofrer dificuldades financeiras, vendeu o território ao então dono da Sociedade Colonizadora Hamburguesa, o senador alemão Christian Mathias Schroeder, oito das 25 léguas recebidas como dote. O senador lançou, então, um projeto de povoação de parte desse território.

 

Foto: Edésio Ferreira Filho 

Esta casa foi contruída para ser a residência  de verão,  para abrigar o príncipe e a princesa de Joinville, com um caminho de palmeiras em frente à casa. Entretanto, nenhum dos dois chegou a conhecer a cidade.

O Casarão principal, antiga residência e sede da Colônia Dona Francisca é datado de 1870.  Também é chamado de “Maison de Joinville”, sendo o prédio e seu entorno tombado como patrimônio histórico pelo IPHAN em 1939. A casa apesar de ser conhecida como “Palácio dos Príncipes”, não foi feita como palácio, as dimensões das salas seriam baseadas nas medidas de uma casa média de Paris. A própria palavra francesa “maison” tem sua tradução literal para o português como casa.O prédio de mais 850 m² representa bem o estilo arquitetônico predominante: o neoclássico; possuindo simetria, uso de colunas e arcos, pórtico colunado e frontão triangular.

 

Foto: Edésio Ferreira Filho 

O Museu Nacional de Imigração e Colonização  guarda memórias e histórias relacionadas à imigração no sul do Brasil. A sua criação foi pela Lei Federal nº 3.188 de 02/07/1957, e se dedica a recolher objetos e documentos escritos relacionadas ao processo histórico de imigração e colonização no Sul do País. Atualmente, com quatro espaços expositivos,  a propriedade  compreende uma área de 6 mil m², que  contam histórias da vida rural e urbana da região.

 

Foto: Edésio Ferreira Filho

 

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Foto: Edésio Ferreira Filho 

 

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Foto: Edésio Ferreira Filho

O Casarão atualmente conta com exposições nos três pisos. O primeiro piso possui como exposição a Sala de Visitas, a Sala de Jantar, as vitrines de porcalenas e prataria além da Sala de Áudio-visual, onde são exibidos os filmes do Cine Bigodeira. O segundo piso conta com a Sala de Chegada, Galeria de retratos de imigrantes da cidade, salas com exposições de escritórios, artigos religiosos, louças, peças de banheiro e quartos. No terceiro piso há a Sala de Música, exposições de peças de construção, bandeirolas e peças do universo feminino.

 

Foto Edésio Ferreira Filho

 

Foto: Edésio Ferreira Filho

O Galpão de Transportes, com o visual inspirado nas construções Enxaimel foi construído em 2006, aberto ao público em 2007, possui de mais de 250 m² contém vários meios de transporte usados em Joinville. As carroças expostas retratam um período longo da história da cidade, com carroças usadas na segunda metade do século XIX e outras que circularam até a década de 1970. Destaque os carros fúnebres, carro de noivos, carro do padeiro e o carroção de São Bento (São Bentowagen) que trazia produtos, principalmente erva-mate, da região de São Bento do Sul para Joinville via Estrada Dona Francisca.

 

Foto: Edésio Ferreira Filho 

 

Foto Edésio Ferreira Filho XIV

 

Foto: Edésio Ferreira Filho

 

A Casa Enxaimel, construção do início do século XX, porém está presente no Museu desde 1979 e aberta ao público desde 1980. A casa estava localizada originalmente num bairro vizinho ao museu. Foi levada ao museu e remontada como objetivo ilustrar a moradia e o dia-a-dia de uma família de imigrantes de classe média entre o final do século XIX e início do século XX em Joinville.

Foto Edésio Ferreira Filho (3) 

O Enxaimel, ou Fachwerk (originário de "Fach" assim denominavam o espaço preenchido com material entrelaçado de uma parede feita de caibros), é uma técnica de construção  que consiste em paredes montadas com hastes de madeira encaixadas entre si em posições horizontais, verticais ou inclinadas, cujos espaços são preenchidos geralmente por pedras ou tijolos. Os tirantes de madeira dão estilo e beleza às construções do gênero, produzindo um caráter estético privilegiado. Outras características são a robustez e a grande inclinação dos telhados. Na adaptação do enxaimel às características climáticas da região, foi necessária a implantação, por conta da elevada umidade local, de uma estrutura feita de pedra que sustenta as construções evitando que a madeira se molhe.

Foto: Edésio Ferreira Filho 

Ainda que normalmente se faça uma ligação natural entre o Enxaimel e a Alemanha, a verdade é que o estilo não possui uma origem propriamente determinada. Embora seu desenvolvimento maior tenha sido, sim, neste país europeu e regiões vizinhas, especialmente no período renascentista, sabe-se que o povo etrusco, habitante da região da península itálica, já praticava a técnica no século VI a.C..

 

Foto Edésio Ferreira Filho (4)

 

Foto: Edésio Ferreira Filho

As casas no chamado estilo enxaimel são uma das principais atrações turísticas em qualquer região de colonização alemã. Quando os primeiros alemães chegaram ao Brasil, a arquitetura enxaimel já não era utilizada havia muito tempo, mas foi considerada a mais adequada para as condições encontradas em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

 

Foto: Edésio Ferreira Filho

 

Foto Edésio Ferreira Filho (2)

Além de fortes, as casas eram baratas e de construção simples. Enxaimel quer dizer enchimento. Primeiro, era construído o esqueleto da casa, todo de toras grossas de madeira. Entre as vigas verticais eram colocadas as horizontais e, nas extremidades das paredes, algumas em ângulo, para evitar inclinação. Pronta a "caixa", os espaços eram completados com materiais disponíveis de acordo com a região: no Rio Grande do Sul, há fechamentos com taipa, barro socado, tijolos maciços rebocados e até mesmo pedra grês cortadas. Em Santa Catarina, há maior ocorrência de tijolos maciços sem uso de reboco.   Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre e Jornal A Notícia, reportagem de Rafaela Mazzaro

 

Foto Edésio Ferreira Filho 

 

Mobiliário casa exaimel_ foto Edésio Ferreira Filho

 

 Foto: Salmo Duarte / Agencia RBSGalpão anexo a casa enxaimel  -  foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

 

 Foto Edésio Ferreira FilhoGalpão anexo a casa usado como depósito de ferramentas e  local de trabalho.

 

Foto Edésio Ferreira Filho (7) - Cópia

 

Foto Edésio Ferreira Filho III   Espaço  do galpão usado como estábulo  para animais.

 

Foto Edésio Ferreira Filho 

 Foto Edésio Ferreira Filho IV         Utilização do galpão como local para a lavagem de roupas.

 

Caminhada  no centro da cidade de Joinville, passando pela Rua das Palmeiras, símbolo da cidade.

 

Foto: Edésio Ferreira Filho

 

    Foto Edésio Ferreira Filho (5)

       Neste lado da Rua das Palmeiras, uma das residências serviu de local para celebrar cultos da Ciência Cristã,

antes da construção do atual templo da Igreja de Joinville.

 

Edésio Ferreira Filho 

Residência rodeada por jardim, elemento constante na paisagem urbana  de  cidade de Joinville.

 

Helicônia_Foto Edésio Ferreira Filho   

Heliconia rostrata Ruiz & Pav.  [ helicônia, caetê, caeté].

 

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Pausa para o  lanche, no Shopping Müeller,  antes de voltar para o acampamento.

Foto: Edésio Ferreira Filho

 

Foto: Edésio Ferreira Filho

 Foto Edésio Ferreira Filho V

 

Foto Edésio Ferreira Filho VII

Imagens:  Edésio Ferreira Filho, Maisa Alves e Salmo Duarte [Agencia RBS].

 

*Gratidão: Mario Schroeder, CS, participou da 1ª Oficina Bíblica de Férias com suas orações, antes, durante e depois do evento. Conduziu o culto de testemunhos, tema "Filhos de Israel", na abertura das atividades do evento e  serviu como primeiro leitor no culto de domingo,  na 1ª Igreja de Joinville. Partilhou com os campistas,  sua compreensão acerca da  Ciência Cristã, nas atividades que participou durante a  Oficina Bíblica. Especialmente no estudo da Lição Bíblica da semana. Mario vinha dedicando tempo  orando, especificamente, para o estabelecimento de um acampamento para Cientistas Cristãos no Brasil.

 

Acesse outras páginas relativas a 1ª Oficina Bíblica de Férias: 

Filhos de Israel  

Terra Prometida: Canaã 

"OFICINA BÍBLICA DE FÉRIAS - 2011: NOTÍCIAS - Relatório das atividades

 

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