terça-feira, 7 de agosto de 2012

A CURA CRISTÃ E A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO.


A cura cristã e a
teologia da libertação

THOMAS JOHNSEN

A teologia cristã, cujo conteúdo é mais do que um exame de conhecidas premissas humanas, começa com as palavras e as obras de Cristo Jesus. Tem necessariamente de incluir a cura, a cura do pecado e da doença, que estão subjacentes aos maiores problemas do mundo atual.
Muitíssimas vezes, a teologia é encarada como assunto a ser debatido em seminários eclesiásticos, algo que os especialistas têm a capacidade de compreender.
Na Ciência Cristã, porém, em que todos são membros leigos e todos são iguais, encara-se a teologia de maneira diversa. Espera-se que todos os membros compreendam e pratiquem a teologia da Ciência Cristã. Aliás, é indispensável compreender essa teologia, a fim de pôr em prática a Ciência Cristã.
Deitado na calçada estava um homem coberto por um velho casaco bem grosso. Quando levantei o casaco, ele ergueu o rosto, antes apoiado numa revista, cujo tema principal era a guerra nuclear. Indaguei-lhe: "Você precisa de ajuda?" Ele me perguntou: "Será que vão mandar o mundo pelos ares?"
Naquela tarde gélida e garoenta, nada parecia muito útil, nem havia esperança. O jovem debaixo daquele casacão estava desempregado, não tinha casa para morar, vivia na rua, com a ajuda da assistência social. Sua história pessoal era negra: família destroçada, pobreza, drogas, prisão por furto, etc., etc.
Criado dentro da floresta urbana, isso lhe custara um preço psicológico, deixando-o ressentido e revoltado, sob uma camada exterior endurecida. Ao falar com outras pessoas, tinha por hábito desviar os olhos.
Esse encontro foi do tipo que não se pode esquecer facilmente. Foi uma dessas situações que nos fazem continuar a orar, durante muito tempo. Essa experiência, de um modo que as estatísticas sobre pobreza ou crime ou desemprego raramente o fazem, trouxe à baila a pergunta: "O que significa mesmo ser bom samaritano?" 1
Essa pergunta é de todo premente, num mundo em que milhões de pessoas são deixadas com "muitos ferimentos" à beira do caminho, despojadas de seus valores pelas forças econômicas e sociais que podem ser bem mais impiedosas do que o fora o bando de assaltantes na estrada de Jericó.
Não nos é possível passar "de largo:, tal como o fizeram o sacerdote e o levita na parábola de Cristo Jesus, sem negar nossos instintos cristãos mais profundos. De igual modo, é óbvia, porém, a necessidade de algo mais do que a mera simpatia ou boas intenções, se levamos a sério a questão de ajudar a humanidade.

O QUE É QUE DEVEMOS FAZER?
A questão de como ajudar, como atender de maneira prática a necessidades humanas de tal magnitude, ocupou lugar de destaque na agenda cristã do século passado.
Houve muitos esforços nobres e necessários, como as obras de caridade tradicionais, o Exército da Salvação e o influente movimento Social Evangelista, que pôs em destaque a função mais ampla das igrejas, no esforço de corrigir os males sociais.
Em anos recentes, o surgimento da "teologia da libertação" cristã levou esse esforço ainda mais adiante. Atendendo originalmente às condições da pobreza desesperadora e da opressão na América Latina, os teólogos da libertação deram enfoque à missão de reestruturar a sociedade econômica e politicamente.
 Argumentam, às vezes de maneira persuasiva, que a caridade tradicional não tem suficiente "alcance" para desfazer a injustiça endêmica.
"Cristo nasceu pobre para anunciar, em nome dos pobres, o fim da tirania," consta de um artigo sobre esse assunto, publicado numa revista, dizendo que a tarefa principal, colocada insistentemente sobre os ombros dos seguidores de Jesus, é a de trabalhar com os pobres por um mundo mais justo. 2
Seja o que for que pensemos a respeito da política de tais esforços, algumas vezes a dedicação com que são feitos, nos faz sentir pequenos. Conhecendo os sacrifícios pessoais de algumas pessoas que optaram por trabalhar entre os pobres, é natural que nos venha a seguinte pergunta:
"Estou eu fazendo realmente o bastante, fazendo tudo o que posso?" Talvez até mesmo nos perguntemos se, como Igreja, nossa dedicação ao trabalho de cura é deveras suficiente, se fazendo outra coisa não atenderíamos em sentido mais amplo às necessidades do mundo, de forma mais direta, ou se não haveria maior impacto ou se não seríamos mais úteis a um número maior de pessoas.
Não resta dúvida de que muitos de nós, na condição de indivíduos, pensamos que poderíamos e deveríamos fazer muito mais. O anseio por fazer mais é, em si mesmo, uma forma de oração e abre o caminho (geralmente ao estender e abrir de par em par o nosso próprio pensamento) para que todos, individualmente, encontremos oportunidades de servir que sejam cada vez maiores e de maior significado.
Se, no entanto, achamos que o trabalho da cura cristã, propriamente dito, é demasiado individual, tem orientação demasiadamente "espiritual", é demasiado "classe média", ou simplesmente por demais limitado quanto ao número de pessoas beneficiadas e cause efeito pouco visível diante das vastas necessidades da humanidade, quer dizer que permitimos que nosso conceito de ministério da Ciência Cristã tenha se reduzido ao extremo.
Precisaremos recuperar o conceito muito mais compulsivo da cura cristã, como o que foi expressado pela mulher que fundou esta revista e este movimento, Mary Baker Eddy, quando disse num sermão sobre esse assunto: "Estamos em meio a uma revolução.. . ." 3

O EXEMPLO ESCLARECEDOR DO MESTRE
Cristo Jesus pertencia a um povo oprimido e viveu num mundo que não estava, de modo algum, livre da injustiça econômica estrutural. Jesus surgiu para um povo que, do ponto de vista cultural, esperava um Messias. E havia a expectativa de que este fosse, entre outras coisas, um salvador político em torno de quem os judeus se reuniriam. Jesus rejeitou esse modelo convencional de qual deveria ser a sua função.
Recusou-se a se tornar o líder de um movimento de libertação política. A forma de seu advento contradisse sobremaneira a expectativa humana. Contudo, sua vida foi infinitamente mais revolucionária do que o modelo convencional e teve efeito muito mais libertador, não só para as pessoas individualmente, mas também para a sociedade como um todo.
Ao ser tentado no deserto, antes do início de seu ministério, o Mestre defrontou-se explicitamente com a pergunta de qual seria a sua função e que espécie de "reino" haveria de proclamar. As narrativas evangélicas dão breve esboço da experiência e, no entanto, incitam-nos a pensar, relatando que a Jesus se revelaram "todos os reinos do mundo" e lhe foi oferecido tornar-se autoridade temporal a governar todos eles.4
Talvez, em virtude de seu caráter e de sua pureza, a verdadeira tentação contida nessa sugestão não fosse pessoal (isto é, "pense quanto poder eu poderia ter"), mas humanitária (isto é, "pense quanto bem eu poderia fazer se ocupasse tal posição de poder").
Quantas vezes somos nós que nos vemos diante da sugestão diabólica de que primeiro precisamos atingir poder temporal, poder mundano, a fim de fazer o bem de uma forma realmente significativa ou, até mesmo, a sugestão mais sutil de que poderíamos fazer mais, por maior número de pessoas, se apenas nos curvássemos e servíssemos algo menos do que Deus.
O propósito da vida revolucionária de Cristo Jesus não era meramente proporcionar condições mortais melhoradas. Era libertar da própria mortalidade. Sua vida arrasou o mito de que a mortalidade é o estado verdadeiro do homem.
Jesus atendeu às necessidades das multidões por meio de suas obras de cura, mas perde-se o significado pleno dessas obras, se as consideramos intervenções especiais ou correções parciais num mundo decaído.
De igual modo, perde-se o significado pleno de sua ressurreição, se a encaramos como um triunfo singular, uma exceção milagrosa a uma ordem em que a morte é o produto normal, final, da vida.
Sua vitória contra a mortalidade destronou todo o sentido carnal de vida separada de Deus e ressaltou uma ordem inteiramente diversa, uma base espiritual para entender a Deus, entender o ser e o homem.
Essa ordem divina é o reino que Jesus descreveu como estando "próximo" 5 . Não é um estado futuro, mas o universo presente da criação de Deus, a emanação espiritual do Amor, da Vida infinita, a extravasar-se em bondade e harmonia infinitas.
Essa santa realidade é o grande fato do ser agora. É o grande fato de nosso ser. Apesar das aparências, não somos personalidades mortais dolorosamente inadequadas, moldadas pelas circunstâncias econômicas e sociais (assim como não somos moldados pela biologia).
Nem estamos aparentados uns com os outros como, em essência, os dotados e os despojados, ora objetos da inveja, ora da comiseração. Em Cristo não existem nem ricos nem pobres,6 parafraseando Paulo.
Existe apenas o homem, a imagem espiritual ou expressão de Deus, livre e jamais despojado, possuidor de tudo o que Deus sempre dá e, em última análise, incapaz de ter coisa alguma que não lhe tenha sido dada por Deus. Essa não é a perspectiva idealizada e interessante do homem, é a verdade que dá base à cura cristã e transpassa o mesmerismo aprisionador, tanto da pobreza, como da riqueza.

MINISTRAR COM COMPAIXÃO NO MUNDO DE HOJE
Jesus de Nazaré não seria lembrado até hoje, se no seu ministério ele se tivesse confinado a fazer humanamente o que já se podia fazer, humanamente, para ajudar outros. Ele é lembrado e honrado porque foi com compaixão que ele ministrou mediante o poder do Amor divino, porque não só ajudou, mas curou.
Pelo fato de ver Deus como a fonte de todo o poder e de toda a saúde, ele não encarava o poder de curar como se fora algo pessoal. Portanto, naturalmente esperava que seus seguidores também curassem em escala cada vez maior.7
O ministério da cura-pelo-Cristo foi ampliado notavelmente no século passado, em grande parte devido à devoção que os Cientistas Cristãos lhe dedicam. Esse ministério, porém, não deixa lugar à complacência para com injustiças sociais e políticas de longa duração.
 No passado, demasiadas vezes, a religião organizada realmente perpetuou essas injustiças, por ter enfocado com demasiada exclusividade a salvação pessoal ou por separar artificialmente as preocupações espirituais dos fatos supostamente seculares que moldam a vida das pessoas.
Se os Cientistas Cristãos são tentados nesse rumo, a portentosa visão cristã subjacente ao estabelecimento pela Sra. Eddy do jornal The Christian Science Monitor, deveria despertá-los prontamente!
Os males sociais constituem uma imposição sobre o "corpo político", assim como os males físicos o são sobre os corpos dos indivíduos. No sentido mais profundo, são manifestações do pecado, da negação cândida da mente mortal, sobre a existência de Deus.
Se aquiescemos passivamente na injustiça praticada para com os outros, aceitamos a injustiça como poder também existente em nossa própria vida. O Amor divino impele-nos sempre para além das estreitas preocupações restritas a nós mesmos.
A Ciência Cristã insiste em que nossa maneira humana comum de encarar as coisas e de presumir sobre o que é a realidade, não passa disso mesmo, é uma maneira de ver e de presumir da mente humana.
São produtos de uma consciência mortal limitada. Trazemos cura e redenção a todas as fases da experiência humana, apenas à medida que nos despojamos dessa consciência enganadora, quer individual quer coletivamente, e vimos a conhecer, em sua maior plenitude, o reino de Deus, sua dimensão e glória.
O processo todo começa por uma espiritualidade cada vez mais profunda de nossa própria parte. É óbvio que é muito mais fácil falar em termos teóricos sobre esse aprofundamento, do que persistir trabalhando arduamente para demonstrá-lo em nossa vida.
Contudo, a Ciência mostra a falsidade do argumento comum, aceito até mesmo por alguns cristãos, de que a espiritualidade é algo "muito íntimo" e basicamente irrelevante à tarefa de promover a justiça no mundo.
A verdade é que a sociedade não pode ser libertada verdadeiramente, a não ser que o pensamento humano seja levedado e purificado. Como o ressalta outro dos sermões da Sra. Eddy, The People's Idea of God, a justiça das nações, bem como a individual, reflete inevitavelmente o que entendem ser Deus.8
Sob essa luz, o problema da teologia convencional da libertação não é que ela seja "por demais radical", mas sim que não chega a ser suficientemente radical.
Não toca o desafio fundamental da escravidão, a premissa dos sentidos físicos de que o homem vive na matéria, sujeito a leis materiais que trazem consigo, inevitavelmente, tragédias, privações, limitações e desequilíbrios.
Se essa estrutura for real e definitiva, então o amor de Deus não existe. Tudo se resume nesse simples fato. O máximo que se pode esperar, num mundo definido pelos sentidos materiais, é a divisão mais equitativa possível do conjunto finito dos recursos terrenos.
Ora, os esforços humanos, até aqueles que só chegarem a esse ponto, se veem frustrados pelos moldes entranhados do egoísmo e da dominação. A Sra. Eddy escreveu, com seu realismo típico: "As tendências despóticas inerentes à mente mortal e que sempre germinam em novas formas de tirania, têm de ser desarraigadas pela ação da Mente divina." 9
A tragédia da maioria das revoluções políticas deste século é que alteraram a estrutura do poder na sociedade, sem que houvesse a correspondente elevação do caráter.
Disso resultou que, demasiadas vezes, as mudanças políticas apenas se limitaram a reorganizar a injustiça, ao invés de removê-la, deixando para trás, em sua passagem, uma desilusão mais profunda e um alheamento ainda maior.
Se quisermos romper esse ciclo, é preciso haver, na sociedade, um reconhecimento mais honesto de que a reforma genuína está arraigada ao despertar espiritual e moral.
Não é impulsionada pela luta de classes nem pelos interesses de grupos, mas pelo reconhecimento elevado da verdadeira natureza imortal do homem, da nobreza do homem.
Essa espécie de "elevação da consciência", ao invés de ser por demais idealista para um mundo selvagem, é exatamente o que deu tremendo ímpeto à liderança de personagens recentes tais como Mohandas Gandhi e Martin Luther King, Jr. Por mais que esteja calejada pelas imperfeições humanas, até mesmo um vislumbre da natureza mais elevada do homem tem poder para agitar os corações (e mover montanhas de injustiças), como nada mais o tem.

UM AMOR MAIS REVOLUCIONÁRIO
Referindo-se ao movimento de libertação política mais significativo de seu tempo, a luta pela abolição da escravatura, a Sra. Eddy escreveu:
 "A voz de Deus em favor do escravo africano ainda ecoava nos Estados Unidos, quando a voz do arauto dessa nova cruzada fez soar a nota tônica da liberdade universal, reclamando reconhecimento mais completo dos direitos do homem como Filho de Deus, exigindo que as cadeias do pecado, da doença e da morte fossem arrancadas da mente humana e que sua liberdade fosse conquistada, não pela guerra entre os homens, não pela baioneta e pelo sangue, mas pela Ciência divina do Cristo." 10
Um século mais tarde, ao ler essas palavras, é difícil deixar de sentir que ainda estamos bem no início da revolução universal que a Sra. Eddy descreve e que essa revolução pede ainda muito mais dos Cientistas Cristãos, mais trabalho, mais sacrifício, mais demonstração do que talvez nos apercebamos hoje.
Alguém descreveu a palavra cura como sendo a que usamos para descrever a forma como chegamos a conhecer a Deus. É também a palavra que descreve a queda de tudo o que se opõe a Deus, ou o bem, na experiência humana. Isso já é, por si só, revolucionário, mas convém recordar que a revolução é feita pelo Amor divino, não por nós.
Não estamos limitados pela estimativa presente que fazemos de nós mesmos. Podemos corresponder ao que o Amor nos está revelando, não só sobre quem somos, como também sobre onde estamos.
Conhecer a grande realidade desse Amor, consentir que sejamos revolucionados pelo Amor, não resulta em maiores fardos para nós, mas liberta-nos para trabalhar livres das ilusões pessoais e sem temer que qualquer forma de injustiça possa impedir o cumprimento do propósito todo-inclusivo que o Amor estabeleceu para o homem.
Ironicamente, talvez nosso progresso seja mais rápido quando nos vemos diante de condições opressivas, do que quando vivemos em relativo bem-estar.
Uma Cientista Cristã que foi detida por engano, constatou de repente que sua vida tão cheia de segurança tinha sido virada de cabeça para baixo. Teve de enfrentar a condenação pública e gastar todas as suas economias para que o processo contra ela fosse arquivado para sempre.
Contudo, apercebeu-se de que a experiência lhe ensinou "um conceito mais correto de compaixão por todos os povos oprimidos. Sempre tive uma preocupação muito profunda pelo meu próximo, mas agora compreendo que eu desfrutava dessa compaixão de uma perspectiva muito 'segura e confortável'. Isso mudou. Minha maneira de encarar a humanidade não mais está distante. É real!"
O amor que se faz necessário com a máxima urgência no mundo atual, não é "seguro" nem "confortável". A benemerência humana, por mais essencial que seja, não libertará a humanidade das profundezas da opressão.
Somente o Cristo, o poder do Amor divino a reinar realmente em nossa vida, é que a libertará. A Ciência do Amor mostra que é possível, para cada um de nós, seguir o exemplo do Mestre em ministrar compassivamente às necessidades do mundo, mas nós também precisamos ser capazes de dizer com convicção:
"Nosso amor é real! Não é distante. Estamos trabalhando e orando como nunca antes, dando todo o nosso coração a Deus e ao homem, aprendendo a realizar as curas que sabemos possíveis de realizar."


1 Ver Lucas 10:30-35.  2 Jane Kramer, "Letter from the Elysian Fields", The New Yorker, 2 de março de 1 987, p. 4 1. 3 Christian Healing, p. 11. O trecho completo citado diz: "Estamos no meio de uma revolução; a física está cedendo lentamente à metafísica; a mente mortal rebela-se contra suas próprias fronteiras; desgostosa com a matéria, ela quer captar o significado do Espírito." 4 Ver Mateus 4:8 -10; Lucas 4:5-8.  5 Ver Mateus 4:17.  6 Ver Gálatas 3:26-28. 7 Ver João 5:19; 14:12. 8 Ver Peo. 1:2-7; 2:14—3:5; 6:28—7:5.  9 Ciência e Saúde, p. 225.10 Ibid., p. 226. 




Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, fevereiro de 1990, volume 40, número 2, pág: 20-26  - The Christian Science Publishing Society. Todos os direitos reservados.
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terça-feira, 24 de julho de 2012

COMUNHÃO TOTAL

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Memorial Ucraniano_Parque Tingüi_Curitiba_PR_Brasil_Edésio Ferreira Filho

Parque Tingüi – Memorial Ucraniano: Curitiba, PR, Brasil.

 

 

COMUNHÃO TOTAL

 

                    Albert Nolan

 

No contexto atual, caracterizado pela busca do sagrado e pela sede de Deus, Nolan mostra que sem um enraizamento profundo na experiência de Deus, não teremos nada a dizer aos nossos contemporâneos e seremos impotentes diante dos desafios atuais.

 

Deus não só está mais perto de mim do que eu próprio, mas também é um comigo e com você. Há uma misteriosa comunhão total, ou ser um com, entre Deus e o nosso verdadeiro eu,  e a consciência dessa comunhão total ocupa o centro de qualquer experiência mística. É descrita de muitas maneiras diferentes: como Deus morando em mim, como eu estar cheio do Espírito de Deus, como união com Deus, como união de vontades, ou com qualquer coisa comparável à experiência de comunhão sexual, uma união de corpos.

Finalmente, porém, os místicos acham, sempre, todas essas descrições inadequadas. Daí que se encontrem descrições tais como a nossa deificação ou divinização, a nossa transformação em Deus*. Mestre Eckhart irá ainda mais longe ao dizer que a base de nosso ser é a mesma que a base do ser de Deus **. Lá bem no fundo somos um.

* A afirmação de Irineu sobre a deificação, “Deus tornou-se homem para que os homens possam tornar-se Deus”, tem sido citada por teólogos e autores espirituais ao longo dos séculos. Ver, ainda, 2Pd 1:4.

** Eckhart #13b, 117; e em muitos outros lugares.

Afirmações como essas deram origem a acusação de heresia. Estarão negando a diferença existente entre o Criador e a criatura, entre o Incriado e o criado, entre Deus e o mundo? O que importa, para a nossa prática espiritual de hoje, é que os místicos experimentaram uma comunhão, um ser um com Deus tão avassalador, que não há palavras, por muito exageradas que possam ser, capazes de descrever devidamente essa experiência.

De que serve a nós, então, a experiência de Jesus de ser um só com Deus? Aquilo que os discípulos e amigos de Jesus achavam tão extraordinário nele não era apenas o fato de ele tratar Deus como o seu abbá,  mas o fato de ele identificar-se com Deus.

Há uma forma possível de identificarmo-nos com Deus que é egocêntrica ao máximo. Mas isso se deve ao fato de ela ter por base uma imagem de Deus como ditador egocêntrico, que domina o mundo. Jesus identificou-se com um Deus humilde, compassivo, cheio de amor e de solicitude no serviço, e teve ousadia suficiente para falar e agir à semelhança desse tipo de divindade… isenta de qualificações.

Os discípulos e amigos de Jesus nunca tinham testemunhados nada de parecido. Durante anos, a partir de então, esforçaram-se para encontrar palavras que descrevessem a sua experiência de pessoa humana que parecia identificar-se plenamente com Deus. As gerações seguintes continuaram a esforçar-se ao longo de vários séculos de debate teológico. A nossa preocupação neste livro, porém, é conseguir encontrar uma forma de imitar Jesus, não de explicar quem ele é. Precisamos, para isso, desenvolver uma consciência mais profunda do nosso ser um com Deus.

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Nós somos amados

A convicção básica de Jesus não era apenas de que Deus está próximo de nós, mas também de que Deus nos ama. Como já vimos, o amor incondicional de Deus constitui o fundamento da espiritualidade de Jesus. No entanto, se Deus é o mistério que engloba todo o resto, qual será o sentido desse amor para nós? Que quererá dizer que somos amados pelo mistério deslumbrante que está intimamente próximo de nós? Por ventura eu posso ser amado por um mistério, ou pelo mistério?

Posso começar por reconhecer que o mistério  em que vivo, me movo e existo não é, nem pode ser, hostil para mim. Eu faço parte do mistério. O mistério deu-me à luz. O mistério deve, portanto, estar mais preocupado comigo do que eu próprio e, se nós somos real e profundamente um, então eu não tenho nada a temer. Eu serei amado em cada momento e para sempre, em todas as circunstâncias. Nada poderá realmente fazer-me mal e, aconteça o que acontecer, será tudo para meu bem. Eu sou amado sem medida, porque sou um com o mistério total da vida.

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À medida que vou tomando consciência da proximidade  do mistério ao qual chamamos Deus, também me  torno consciente da impossibilidade de ser odiado e rejeitado. Se o mistério de tudo o que existe me odiasse e rejeitasse, estaria a odiar-se e a rejeitar-se a si próprio. Assim como eu sou desafiado a amar o meu próximo como a mim mesmo, também posso chegar a reconhecer que Deus me ama como o próprio eu de Deus. Nós somos, em certo sentido misterioso, um só. 

 

Albert Nolan nasceu em Cape Town (África do Sul) em 1934. Teólogo católico renomado desempenhou um papel significativo na luta contra o apartheid. Em 2003, foi agraciado com a Ordem de Luthuli, concedida pelo governo sul-africano por sua luta em prol de democracia e dos direitos humanos. O texto desta página faz parte do seu livro Jesus hoje: uma espiritualidade de liberdade radical – Edição Paulinas.

 

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Et tunc erit finis

(está tudo consumado)

 

O cristianismo somente tem sentido se mantiver viva a consciência de que é uma emergência a partir da presença do Filho do Pai em nosso meio, na força do Espírito e na permanente atuação do Pai. Ele ganha relevância na medida em que não deixa arrefazer o sonho de Jesus, guarda a memória de sua verba et facta, de sua gesta gloriosa e trágica, tenta concretizar o sonho em bens chamados do Reino, feito de amor, perdão, justiça, cuidado para com os pobres e total entrega ao Pai-Abba como quem se senta na palma da mão, mas principalmente se conseguir suscitar nas pessoas a consciência de que são, de fato e não metafóricamente, filhos e filhas no Filho do Pai e, por isso, irmãs e irmãs uns dos outros.

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Haverá dignidade maior que esta, a de sabermo-nos membros da família divina e de sermos também Deus, por participação?

 

Leonardo Boff foi professor de Teologia no Instituto Franciscano de Petrópolis, galardoado em 2001 com o Prêmio Nobel Alternativo da Paz, conferido pelo parlamento sueco. O texto selecionado para esta página é de seu livro Cristianismo: O mínimo do mínimo da Editora Vozes, 20011.

 

Nota: Os  textos COMUNHÃO TOTAL e ET TUNC ERIT FINIS  não representam necessariamente a opinião deste blog nem de nenhuma das igrejas do Movimento da Ciência Cristã. Foi publicado para  refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica. Conforme recentes  descobertas sobre fatos nela registrados e opinião de estudiosos do texto bíblico,  como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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PARA REFLETIR:

 

Criador. O Espírito; a Mente; a inteligência; o divino Princípio vivificador de tudo o que é real e bom; a Vida, a Verdade e o Amor auto-existentes; aquilo que é perfeito e eterno; o oposto da matéria e do mal, que não tem Princípio; Deus, que fez tudo o que foi feito e que não poderia criar átomo ou um elemento que fosse o oposto dEle mesmo. CS 583:2127

Jesus. O mais alto conceito humano e corpóreo da ideia divina, que repreende e destrói o erro e traz à luz a imortalidade do homem. CS 589:16-18

Cristo. A divina manifestação de Deus, que vem à carne para destruir o erro encarnado. CS 583:12-13

Deus.  O grande EU SOU; Aquele que tudo sabe, que tudo vê, que é todo atuante, todo-sábio, a tudo ama, e que é eterno; Princípio; Mente; Alma; Espírito; Vida; Verdade; Amor; toda a substância; inteligência. CS 587:6-9

Filhos. Os pensamentos e representantes espirituais da Vida, da Verdade e do Amor.  CS 582:29-30

Filho. O Filho de Deus, o Messias ou Cristo. O filho do homem, o rebento da carne. “O filho de um ano”.CS 594:16-17

 

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domingo, 15 de julho de 2012

RADICALMENTE LIVRE

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RADICALMENTE LIVRE

 

Albert Nolan

 

Para Gabrielle Boccaccini -  Departamento de Estudos do Oriente Próximo da  Universidade de Michigan, E.U.A., os estudos bíblicos se constituem numa vibrante área de pesquisa que publica de forma intensa. Isso deve-se ao fascínio que os textos antigos exercem sobre os leitores contemporâneos, seja como texto de saber histórico, seja como texto que sempre se mostra aos leitores de forma renovada.

Por isso, a Bíblia é estudada numa riqueza de perspectivas, abordagens, métodos  e hermenêuticas. Ao interesse pelo texto bíblico soma-se a busca por sua origem, da mesma forma que pelos textos que lhe são vizinhos: os apócrifos, pseudepígrafos, os Manuscritos do Mar Morto.

 

Radical significa chegar às raízes. A liberdade que Jesus experimentava chegava à próprias raízes do ser. Era a liberdade pela qual ele desafiava os seus discípulos a lutar, e é a liberdade que nos desafia hoje, nesta época em que nos encontramos à beira do caos.

Jesus era assombrosamente livre. Ele era capaz de contradizer declaradamente as ideias, costumes e normas culturais da sociedade em que vivia. Jesus interpretava as leis , sobretudo as  que  se referiam ao sábado, com toda a liberdade, e era suficientemente ousado para suplantar todas as tradições sagradas acerca do puro e do impuro. No âmbito dessa sociedade e sua religião, Jesus não tinha autoridade  alguma para fazer isso. O que ele tinha era a liberdade pessoal de fazer a vontade de Deus sem preocupar-se com aquilo que as outras pessoas pensavam ou diziam.

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  Baia da Babitonga, São Francisco do Sul, SC, Brasil.

 

Ele  tinha a liberdade de amar sem reservas, de amar também o mais pobre dos pobres como o jovem rico. Os piedosos ficavam escandalizados com o amor e a solicitude que ele demonstrava com as prostitutas. Os pobres deviam ficar estupefatos com a cordialidade com que ele tratava os odiados cobradores de impostos, que exploravam o povo. O fato de essas pessoas o chamarem de beberão e comilão não o impedia de comer e beber os alimentos e bebidas impuras dos pobres. De fato, até parece que ele se divertia com tais acusações (Mt 11:16-19).

A liberdade radical de Jesus tornava-o completamente destemido. Para expulsar os comerciantes e os cambistas do pátio do templo no auge das festas, quando as autoridades estavam em alerta máximo devido à possibilidade de ocorrência de motins ou rebeliões, Jesus teve certamente  de ter uma coragem extraordinária.

Jesus não tinha medo de ninguém. Quando o sumo sacerdote o interrogou acerca das acusações que lhe faziam, Jesus ficou calado (Mc:14:61). Tampouco mostrou medo de Pôncio Pilatos, o implacável procurador romano. Jesus tinha a liberdade de morrer, de desistir da sua vida pelo Reino. Ele não estava apegado a nada nem a ninguém, nem sequer à sua própria vida ou ao êxito de sua missão. A sua liberdade não tinha limites, porque a sua confiança em Deus também era ilimitada.

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A nossa liberdade

O resultado imediato de tentar viver a espiritualidade de Jesus  hoje é a liberdade. Nós aprendemos gradualmente a desprendermo-nos, a libertar-nos daquilo a que estamos apegados, a abandonar as nossas “muletas”, a ignorar a nossa necessidade de êxito e a libertar-nos das preocupações com a nossa reputação. Os medos, as preocupações, as obsessões e o comportamento compulsivo começam a dissipar-se à medida que vamos aprendendo a rir de nossos egos. Para alguns, o maior alívio de todos é a experiência de libertação do sentimento de culpa. Deus nunca usará os nossos erros para atacar-nos. Nós estamos perdoados. Nós somos livres.

A descoberta de verdade acerca de nós mesmos dá início ao processo de libertação pessoal. Descobrir a verdade acerca do mundo de hoje, um reconhecimento aberto e sincero daquilo que está acontecendo no mundo dos seres humanos e no universo em geral, pode ser uma experiência libertadora. A verdade nos libertará.

A experiência de comunhão total com as pessoas e com tudo o que existe no universo que temos explorado nesta parte do livro liberta-nos  da tirania dos nossos egos isolados. Podemos voltar a respirar. Podemos confiar em Deus e no universo, que fala de um Deus de amor. Podemos descontrair. Tudo resultará em bem e tudo se resolverá, como Julian de Norwich nos diz, de forma tão animadora. Nós somo livres.

A base da liberdade radical é a confiança. Nós nos tornamos livres à medida que vamos aprendendo a apreciar o amor de Deus por nós, que nos leva a render-nos e a colocar toda a nossa confiança em Deus. “Aqueles que confiam no Senhor renovam suas forças. Têm asas com águias” (Is 40:31). A confiança em Deus permite-nos ter uma abertura de espírito destemida, e ser livres para explorar novas vias de pensamento, não ortodoxas. Teremos até a liberdade de, por vezes, dizer com toda a honestidade: “Não sei”. Mais importante ainda será podermos dizer: ”Isso pouco importa”.

A liberdade interior que aprendemos de Jesus permite-nos   amar sem reservas, aceitando-nos tal como somos e aceitando todos os outros seres humanos – incluindo os nossos inimigos – tal como eles são. O processo gradual de desprendimento remove os obstáculos que nos impedem de amar e em breve descobrimos que temos a liberdade suficiente para amar todo o universo, à semelhança   de São Francisco.

Finalmente, a liberdade a que nos referimos permite-nos fazer tudo o que precisamos fazer em cada momento. Somo livres para falar sem medo, para exprimir as nossas ideias, para rir e chorar sem inibições, e para termos tanta humildade e capacidade de brincar como uma criança. Também nos liberta para desistir-mos de nossa vida em favor dos outros… se isso for necessário.    

 

 Albert Nolan nasceu em Cape Town (África do Sul) em 1934. Teólogo católico renomado desempenhou um papel significativo na luta contra o apartheid. Em 2003, foi agraciado com a Ordem de Luthuli, concedida pelo governo sul-africano por sua luta em prol de democracia e dos direitos humanos. O texto desta página faz parte do seu livro Jesus hoje: uma espiritualidade de liberdade radical.

 

Nota: O  texto RADICALMENTE LIVRE  não representa necessariamente a opinião deste blog nem de nenhuma das igrejas do Movimento da Ciência Cristã. Foi publicado para  refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica. Conforme recentes  descobertas sobre fatos nela registrados e opinião de estudiosos do texto bíblico,  como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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PARA REFLETIR:

Cristo - Cristo é a ideia verdadeira que proclama o bem, a mensagem divina de Deus aos homens, a qual fala à consciência humana. CS 332:9-11

Deus construiu uma plataforma mais elevada de direitos humanos, e a baseou sobre reivindicações mais divinas. Essas reivindicações não se fazem através de códigos ou de credos, mas pela demonstração de “paz na terra entre os homens” e de boa vontade para com eles. CS 226:20 

Ao discernir os direitos do homem não podemos deixar de prever o fim de toda opressão. A escravidão não é a condição legítima do homem. Deus fez livre o homem. CS 227:14-17

Cidadão do mundo, aceitai a “liberdade da glória dos filhos de Deus”, e sede livres! Esse é vosso direito divino. CS 227: 23-25

 

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domingo, 8 de julho de 2012

A REVOLTA DE CORÉ

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Conteúdo desta página

Comentário sobre relato bíblico:

   A REVOLTA DE CORÉ, DATÃ E ABIRAM: Números 16 e 17

Geografia bíblica: 

    RIO GIOM

Para refletir:

   - Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras de Mary Baker Eddy

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Comentário sobre relato bíblico:

 

A REVOLTA DE CORÉ,

DATÃ e ABIRAM:   

Números 16 e 17

 

                                    Vicente Artuso

 

Números 16 e 17 -  trata-se de uma narrativa de conflito das lideranças(Nm 16) e do povo contra Moisés e Aarão (Nm 17), a qual termina com castigo dos revoltosos e a confirmação de Aarão como líder do povo. Essa narrativa deixa claro que sua intenção era atemorizar aqueles que ousassem ficar contra a autoridade de Aarão, o qual, nessa história, representa o sumo sacerdote pós-exílio. 

O enredo foi escrito do ponto de vista daqueles que estão no poder. E, ao contrário do que aconteceu em Ex 3:7-8, Deus aparece aqui do lado das autoridades e não escuta o clamor do povo. Enfim, as relações entre povo e lideranças mostram-se muitas vezes conflitantes, e nem sempre as soluções são justas e democráticas.

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Referência ao grupo que participou da revolta  de Coré

em Números 26: 33 e 27:1-7 

 

33.  …Zelofeade, filho de Hélfer, não tinha filhos, senão filhas.

1. Então vieram as filhas de Zelofeade,

2.  Apresentaram-se diante de Moisés, e diante de Eleazar, o sacerdote, e diante dos príncipes, e diante de todo o povo, à porta da tenda da congregação, dizendo:

3. Nosso pai morreu no deserto e não estava entre os que se ajuntaram contra o Senhor no grupo de Coré; mas morreu no seu próprio pecado e não teve filhos.

4. Por que se tiraria o nome de nosso pai do meio da sua família, portanto não teve filhos? Dá-nos possessão entre os  irmãos de nosso pai.

5. Moisés  levou a causa delas perante o Senhor.

6. Disse o Senhor a Moisés:

7. As filhas de Zelofeade falam o que é justo; certamente, lhes darás possessão de herança entre os irmãos de seu pai e farás passar a elas a herança de seu pai.

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Revelação de crise nas relações

entre povo e liderança

 

A  história da revolta de Coré, Datã e Abiram revelou fortes conflitos contra a autoridade e formas dramáticas de repressão a ponto de extinguir qualquer possibilidade de reação dos filhos de Israel que restaram do castigo.

A comunidade é organizada com líderes na base popular. Mas, como são classificados dentro de uma hierarquia, devem submeter-se a um poder centralizado que encontra sustentação no princípio de que o líder é o eleito que encontra sustentação no princípio de que o líder é o eleito de Deus.

A ideologia da santidade é interpretada como separação entre leigos, levitas e sacerdotes. Cada um desses grupos não pode violar seus espaço que delimita o campo de sua atuação. O sumo sacerdote é separado dentre os demais para aproximar-se de Deus sumamente santo e atuar no ministério da tenda do encontro como mediador entre Deus e a congregação.

santuario-tenda

 

Nesse sistema, o culto se tornou instrumento para legitimar a posição e a função privilegiada do sumo sacerdote, o qual é colocado próximo de Deus e não deve ser ameaçado por murmurações e revoltas. Qualquer irregularidade fora dos espaços de atuação de cada ministério atrai a ira divina.

Essa era a ideologia dos membros da hierocracia[teocracia] pós-exílica para assegurar o governo sobre o povo. Somente a vara de Aarão, que representa o sumo sacerdote, é colocada na tenda do testemunho  (cf. Nm 17:25). Diante dele todos estão  prestes a perecer para sempre (cf. Nm 17:26-28). O final dessa história encontra uma semelhança significativa com o final do apólogo de Jotão, na voz do espinheiro que ameaça as árvores. Elas devem abrigar-se sob sua sombra, do contrário pode vir o fogo do céu e devorar até os cedros do Líbano(cf. Jz 9: 14-15).

Ninguém, por mais forte que seja, entre o povo (o cedro era a árvore mais forte) poderá enfrentar o poder do rei (espinheiro),  que invoca o fogo do céu para  queimar os insubmissos. Em nosso texto, a situação vivida pelos filhos de Israel no final da história também é  de submissão absoluta (cf. Nm 17: 26-28). A ênfase dada à debilidade dos filhos de Israel, sem força de reação, mostra como  o sumo sacerdote, simbolizado na vara de Aarão, tinha plenos poderes sobre a comunidade.

sacerdote

 

O poder parece consolidado sem perspectiva de mudança. Vence o grupo da instituição sacerdotal, na aposta sobre quem seria o escolhido.Tanto no relato do castigo de revoltosos, em 16:16-35, como em 17:9-15, Moisés e Aarão permaneceram sempre vivos na entrada da tenda do encontro e somente pessoas do povo pereceram como culpados. Portanto, na “queda-de-braço”, o poder dos grupos populares perdeu o confronto. Não se notam perspectivas de mudanças em favor de um diálogo com grupos de oposição ao poder. Os lideres de oposição foram aniquilados, permanecendo os filhos de Israel que sobraram muito enfraquecidos e vencidos pelo medo.

Do ponto de vista literário, Nm 16 e 17, inserido na parada do povo em Cades, forma um paralelo com Nm 12, que também apresenta a temática do conflito contra autoridade. Nm 16 e 17  e Nm 12 são textos que formam a moldura de Nm 13 e 14 que trata da revolta e conspiração do povo e morte daquela geração do êxodo. Esses blocos literários no centro da marcha do povo do Sinai, passando por Cades até Moab (cf. Nm 10; 21), relatam que a crise do projeto de uma sociedade mais igualitária do êxodo é essencialmente uma crise de autoridade.

Houve rebelião do povo em relação aos líderes Moisés e Aarão, como também Moisés e Aarão colocaram o projeto em crise, porque eles próprios se colocaram sobre a assembleia de YHWH (cf. Nm 16:3). Moisés é acusado de se transformar em príncipe totalitário sobre todos outros líderes (cf. Nm 16:13-14). Esse sistema revela características da dominação do Faraó, porque produz a morte no interior da comunidade. A situação é expressa na queixa irônica de Datã e Abiram contra Moisés: ”Nos fizeste subir de uma terra que mana leite e mel, para fazer-nos morrer no deserto?” (Nm 16:13).

O movimento da marcha do êxodo parou na crise de Cades, quando o povo não mais acreditava na autoridade de Moisés e também porque sua liderança se tornava um peso para alguns membros do povo.

Assim, o movimento que deveria avançar rumo à libertação acabou seguindo a direção contrária, retornando à situação de escravidão como no Egito. Moisés é acusado de se tornar príncipe sobre o povo  (cf. Nm 16:13). Aqui não foi o povo que pediu um líder para ser como as outras nações (cf. 1Sm 8:5). Na verdade foi o líder que adotou práticas autoritárias (cf. Nm 16:13b) à semelhança das nações que dominam.

Essa organização da comunidade é imposta por um grupo sacerdotal que se considera herdeiro  da promessa. Essa situação é vivida pela comunidade pós-exílica. Diante das revoltas do povo, o castigo é justificado por ideologias que culpam aqueles que se revoltam como os únicos responsávies pela crise, enquanto “o eleito” e seu grupo são imunes, pois estão mais próximos de Deus. É de Deus que o rei recebe o poder, e não do povo.

Por isso, qualquer revolta contra o rei é considerada uma revolta contra Deus, que o estabeleceu no poder, sem nenhum outro concorrente. Essa corrente teológica acaba por legitimar todos os atos do soberano sem o confronto com a comunidade, reproduzindo um sistema totalitário em nome de Deus. Isso contradiz o projeto do êxodo, pois acaba gerando escravidão, medo e morte.

No contexto mais amplo da marcha rumo à terra prometida, Nm 16 e 17 pode ser interpretado também como uma história de conflito de autoridade que nega a validade de forma autoritária de dirigir a comunidade por meio da repressão violenta contra os revoltosos. 

Com efeito, Nm 16 e 17 termina com a derrota absoluta dos opositores e a total submissão dos poucos que sobraram. E não consta nos relatos que houve paz no meio do povo, como se poderia esperar de um enredo de conflito-solução; o que houve foi pacificação com meios repressivos.  Esse detalhe desautoriza a prática autoritária para reprimir as revoltas. Com  efeito, os meios adotados para extinguir as revoltas contra autoridade foram apenas parcialmente eficazes. 

moises arao

 

Em Nm 20:2-3, o povo novamente voltou a revoltar-se contra Moisés e Aarão. A forma de repressão das revoltas ajudou a frear a marcha rumo à libertação e acentuou as crises. Nesse quadro sombrio da história, o povo não é livre, mas caminha sobre o regime do medo; os líderes maiores se colocam acima da assembleia; YHWH se revela ao lado dos líderes e contra aqueles que protestam. 

Trata-se de uma situação que destoa do projeto de uma sociedade mais igualitária conforme a proposta libertadora do êxodo. Nessa revolta quem venceu foi o mais forte; o mais fraco foi aniquilado, e aqueles que restaram se renderam enfraquecidos.

O leitor que se identifica com o grupo da resistência irá concluir que o medo venceu a esperança. Mas as medidas repressivas do castigo não devem ter aniquilados a força que ainda resta no meio do povo. A indignação ética mesmo oculta, em meio a grupos de menor expressão, poderá reiniciar nova luta, com a solidariedade dos dispersos que sobraram.

Se os fortes somam forças, os fracos criam outras forças e podem reagir a qualquer momento. Assim, uma leitura da história, na ótica dos grupos que se revoltaram contra Moisés e Aarão, revela a indignação ética dos oprimidos. Eles fazem valer seus direitos do povo liberto de se manifestar e de se levantar contra a postura autoritária dos líderes cuja prática era contraditória com os princípios de uma organização mais democrática. 

 

Vicente Artuso (1952), padre capuchinho, é  mestre em Ciências Bíblicas e doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Católica  do Rio (PUC-Rio, 2007),  autor de “A revolta de Coré, Datã e Abiram (Nm 16 e 17)”: Revelação de crise nas relações entre povo e liderança – Editora Paulinas, 2008.

 

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Geografia bíblica: 

 

Rio Giom

 De acordo com a Bíblia, o rio Giom  (na tradução de Almeida) rodeava a terra de Cush. Ele é o segundo dos quatro rios resultantes da divisão do rio que passava pelo Jardim do Éden, sendo os demais Pisom, Tigre e Eufrates.

Flávio Josefo identifica o rio Giom com o rio Nilo, e Pisom com o rio Ganges.

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Atualmente, não é possível identificar este rio com certeza. Não parece provável, pelo menos dum ponto de vista geográfico, que "a terra de Cuxe" mencionada aqui represente a Etiópia, conforme ocorre frequentemente em relatos posteriores.

Alguns lexicógrafos associam "a terra de Cus" de Gênesis 2:13 com os cassitas (em acadiano: kassu), um povo do planalto da Ásia central, mencionado em antigas inscrições cuneiformes, mas cuja história continua bastante obscura.

 

Bibliografia: Bíblia; Apostila de Geografia bíblica - ITB - Instituto Teológico Betel do ABCD; Estudo Perspicaz das Escrituras, volume 2, página 223.


Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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PARA REFLETIR:

 

GIOM(rio). Reconhecimento moral, civil e social dos direitos da mulher. CS 587:4

Um só Deus infinito, o bem, unifica homens e nações; constitui a fraternidade dos homens; põe fim às guerras; cumpre o preceito das Escrituras: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”; aniquila a idolatria pagã e a cristã – tudo o que está errado nos códigos sociais, civis, criminais, políticos e religiosos; estabelece a igualdade dos sexos; anula a maldição sobre o homem, e não deixa nada que possa pecar, sofrer, ser punido ou destruído. CS 340: 23

CS = Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras – Mary Baker Eddy

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

EUCARISTIA

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Conteúdo desta página

HISTÓRIA:

Eucaristia

    - Domingo, Páscoa…

    - Batismo: a alegria da água

    - Sacramentum

PARA REFLETIR:

   - Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras de Mary Baker Eddy.

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HISTÓRIA:

 

Eucaristia

 

Domingo, Páscoa […]

A maioria dos cristãos dizia reunir-se para “dividir o pão”.

 

 Já que Cristo ressuscitou em um domingo, faz sentido que fosse adotado pelos cristãos como um dia sagrado. No entanto, como o domingo era dia útil no Império Romano, os cristãos – a não ser os autônomos – tinham de deixar para rezar antes ou depois do horário de trabalho. O mais provável é que os serviços religiosos acontecessem quase sempre nos domingos à noite.

O serviço religioso incluía uma refeição. A maioria dos cristãos dizia reunir-se para “dividir o pão”, e em algumas congregações criou-se o costume de servir uma refeição especialmente para os pobres. Os fiéis gostavam de  encontrar comida e bebida, já que chegavam famintos, depois de um dia de trabalho árduo, geralmente braçal.

Com o passar dos anos, porém, a refeição evoluiu, de um meio de saciar a fome, para algo simbólico, restrito a pão e vinho ou água, quando precedido de jejum. A intenção era evocar a última ceia,   quando Jesus declarou que o pão era seu corpo, e o vinho, seu sangue, determinando que os discípulos comessem e bebessem em memória dele. Conhecida como Santa Comunhão, a ceia do senhor, a missa ou Eucaristia era uma cerimônia profundamente mobilizadora para os participantes. Naquela “refeição jubilosa” sentiam a verdadeira presença de Cristo entre eles. 

Santa-ceia

 

A Páscoa, a celebração anual da ressureição de Jesus, não se tornou logo uma data especial para todos os cristãos. Os cristãos de Roma, por exemplo, demoraram a aceitá-la, preferindo lembrar a Páscoa todo domingo. Mais para o Oriente, a igreja começou a celebrar a Páscoa anualmente, no mesmo fim de semana em que os judeus comemoravam o Pessach.

 

 

A palavra Pesssach significa ‘passar sobre’,  em hebraico. O nome da festa tem sua origem no seguinte fato: antes que ocorresse a décima praga do Egito, a morte dos primogênitos. D’us mandou os hebreus marcarem com sangue de ovelha o batente da porta de suas casas. Assim,  o anjo da morte passaria sobre as casas marcadas e as famílias hebreias seriam poupadas da praga  (Nossas festas: celebrações  judaicas, Ronaldo Wrobel  – São Paulo: Francis, 2007).

 

A data variava de ano para ano, já que era determinada pelo equinócio de primavera no hemisfério Norte e pela lua cheia, caindo entre 22 de março e 25 de abril. Chegou a acontecer de igrejas cristãs celebrarem a Páscoa com uma semana de diferença. Finalmente, em 525 foi alcançado um acordo, mas os mosteiros irlandeses não aderiram.

 

Batismo: a alegria da água

 O Batismo era um ato consciente, o compromisso de dedicar a vida inteira a seguir Cristo. 

 

 O  novo cristão se iniciava na igreja por meio da cerimônia da água – o batismo. O termo, de origem grega, significa “purificação”. Tratava-se de uma cerimônia cristã, e não judaica. As pessoas batizadas eram, na maioria, adulta, e a imersão simbolizava o sagrado contato com Deus, que não devia ser rompido. O dia em que Jesus, ainda jovem, foi batizado no rio Jordão por João Batista, significou o início de sua vida como profeta e mestre, tal como seus seguidores, que apontaram o momento do batismo como o começo de uma nova vida.

Os primeiros líderes naturalmente preferiram um curso de água corrente, como o rio Jordão, para batizar. Mas o cristianismo começou a ser praticado nas cidades, e haviam poucos rios caudalosos disponíveis. Portanto, aceitava-se o que a geografia da cidade permitisse. Segundo o estudioso Tertuliano, a água é a única substância perfeita: alegre, simples, pura pela própria natureza.

TERTULIANO

 

Como a igreja cristã se espalhava por muitos locais relativamente isolados, os costumes variavam. Em Alexandria, batizava-se com a água do mar, e o horário perfeito era o nascer do sol. Por volta de 259, a rotina estava bem estabelecida: ”quando o galo cantar, a pessoa encarregada do batismo deve tomar posição junto à arrebentação, à água pura e sagrada do mar”.   Em muitas cidades do interior, as cerimônias do batismo, antes realizadas à beira dos rios, foram transferidas para o interior das igrejas. Daí surgiu a água benta.

 

Vários líderes cristãos argumentavam que as pessoas falecidas antes de serem batizadas não entrariam no reino dos céus, pois o pecado “original” – que toda criança traz ao nascer – não tinha sido apagado. Eles defendiam a prática de batizar os bebês, mas muitos cristãos discordavam. Segundo eles, o batismo é um ato consciente, o compromisso de dedicar a vida inteira a seguir Cristo; então, com poderiam os bebês com uma semana de nascimento chegar a tal decisão? Esse foi um debate que não chegou a uma conclusão e foi retomado sob forte emoção, no século 16, na Alemanha e na Suíça.

Durante a cerimônia de batismo comumente praticada no ano 200, o bispo deveria fazer uma advertência ao demônio:”Foge, pois o  julgamento de Deus está perto!” Então, as pessoas que iam ser batizadas voltavam o corpo e o rosto em direção oeste, para que o demônio saísse. Em seguida, voltavam-se novamente para leste e recitavam uma oração.

. É praticamente certo que em Roma, no século  segundo, recitava-se o Credo. Ainda ouvida na maior parte das igrejas, a oração representa uma simples e ardorosa declaração de fé que termina assim: “Creio no Espírito Santo, na santa igreja católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressureição da carne e na vida eterna.”

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Seguindo a cerimônia, os cristãos eram ungidos com um óleo docemente perfumado. Depois de vestirem roupas brancas e talvez colocarem uma coroa sobre a cabeça, estavam prontos para a bênção final. O bispo molhava o polegar em óleo perfumado e, com ele, fazia o sinal da cruz sobre cada sobrancelha de cada um, dizendo: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A paz esteja contigo”. Então, os recém-batizados seguiam em procissão pelo interior da igreja repleta de fiéis. Lá, participavam pela primeira vez da Santa Comunhão.

Houve um tempo em que a época considerada mais propícia ao batismo de adultos era a Páscoa. Nas cidades grandes, batizavam-se centenas de pessoas ao mesmo tempo. Para acomodá-las, às vezes eram projetados batistérios – uma construção circular ou octogonal, no centro da qual havia uma pia batismal, usualmente feita de mármore.

Esses batistérios, em geral, eram altos, mas poucos espaçosos. Alguns estão entre os prédios mais suntuosos da Itália. Quem consegue esquecer uma visita ao batistério de Florença ou aos dois mais antigos da Ravena - o católico e o ariano -  com suas cúpulas cobertas de mosaicos primorosos?

Igreja e Batistério de Florença

batiterio

Batistério de Florença

 

Fonte: Geoffrey Blainey, professor da Universidade de Harvard e da Universidade de Melbourne, autor de mais de 35 livros dentre os quais “Uma breve história do cristianismo” de onde foi selecionado este  texto.

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Sacramentum

 

Sacramentum é o nome dado a um dos rituais dentro da  religião romana antiga que se seguiam após o início das hostilidades militares contra os inimigos. Através dele os cidadãos da   Roma Antiga adquiriam legitimidade religiosa para se transformar em soldados. Em outra acepção, o termo foi utilizado para significar a quantidade de dinheiro usado em tribunais.

Apenas os que detinham o status de cidadão romano  estavam aptos para participar do ritual. De maneira geral, homens livres com aproximadamente dezessete anos de idade realizavam o juramento militar. Caso um escravo romano   participasse do ritual do sacramentum sem a permissão de seu senhor, seria passível de pena de morte.

Em alguns períodos da história romana, contudo, tal conduta foi flexibilizada, como no período das Guerras Púnicas, em que escravos foram libertados para realizar o sacramentum. Encontramos outro exemplo durante o governo do imperador Nero: ao não obter resposta de alguns cidadãos ao chamado militar, declarou livre parte dos escravos desses homens, invocando-os para a guerra.

soldado romano

 

Tito Lívio faz referência ao sacramentum realizado pelo exército romano durante o período da segunda guerra púnica. Segundo o historiador romano, o sacramentum implicava no dever de obediência dos militia às ordens dos cônsules. Um compromisso também era feito entre os companheiros de batalha, em que se ficava entendido que eles não se retirariam da luta, a menos que tivessem como objetivo se armar, atacar um inimigo, ou, ainda, salvar um cidadão romano.

 

JURAMENTO DO LEGIONÁRIO ROMANO

Roma, oh minha pátria...

Eu […], desejando alistar-me hoje nas fileiras da Legião Romana, e reconhecendo que por mim mesmo, prestarei serviço digno, encheis de vós força da união e honrada Roma, a fim de que os meus atos sejam sustentados pela vossa existência, tornando-me instrumento dos vossos soberanos desígnios, para bem do povo romano!

Reconheço também que, tendo eu vindo regenerar o mundo, glorificar pelo estandarte que atribuístes a mim, que sem ele não podemos conhecer-nos como soldados de Roma!

As vitórias serão pelos meus dons, virtudes e graças, que foram distribuídos no treinamento e querer representar a honra e a força da legião onde ingressei! As derrotas, um meio de aprender com meus erros para ser um mais completo soldado da minha Roma!

Reconheço, enfim, que o segredo do perfeito serviço legionário consiste na união total com a força de Marte e a benção de Júpiter que Vos está inteiramente unida.

Por isso, empunhando o estandarte da Legião que simboliza a nossos olhos todas estas verdades, apresento-me diante de Vós como soldado e filho de Roma, e proclamo a minha completa dependência d’Ela. À legião dou minha alma, para proteger o legionário que está ao meu lado. Repetimos as palavras de outrora: "Eis aqui um soldado de Roma"; e mais uma vez vindes, minha pátria, por Seu intermédio, operar grandes feitos!"

 

O ritual do sacramentum também tinha implicações jurídicas. Os soldados gozavam de certa imunidade legal, uma vez que deveriam ser julgados apenas em cortes militares, em que civis raramente ganhavam suas causas. O poeta Juvenal  satiriza esses benefícios advindos do juramento militar.

 

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Nota: Os  textos Domingo, Páscoa…, Batismo: a alegria da água e  Sacramentum  foram publicados para  refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica, com o objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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PARA REFLETIR:

 

Batismo. Purificação pelo Espírito; submersão no Espírito. Preferimos “deixar o corpo e habitar com o Senhor”. (2 Coríntios 5:8.) – Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras de Mary Baker Eddy.

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