domingo, 22 de setembro de 2013

A CRUZ (1905-1907) - Mary Baker Eddy: toda uma vida dedicada à cura,


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Mary Baker Eddy: toda uma vida dedicada à cura

[...] a Sra. Eddy escreveu ao Conselho de Diretores d'A Igreja Mãe, com relação à necessidade de orar acerca de fenômenos meteorológicos destrutivos: ... eu lhes faço esta proposta, para que pensem nessa possibilidade: que os melhores Cientistas Cristãos de Boston e das proximidades sejam convocados a orar uma vez por dia, sabendo que nenhum pensamento de terremoto, furacão ou raio destrutivo entra no pensamento para causar dano, e que Aquele que reina nos céus e guarda a terra, salva de todo mal. 7
Um ano e meio mais tarde, em 24 de setembro de 1907, a Sra. Eddy escreveu em suas anotações que, quando ela orou, "nuvens terríveis que cobriam o céu mudaram instantaneamente ... e caiu uma chuva suave, aparecendo o arco-íris.” 8
Continue lendo para saber mais como Mary Baker Eddy  vivia  a realidade espiritual.


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Esta série de artigos focaliza as curas que Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência cristã, realizou. Elas começaram na infância e continuaram durante toda a sua vida. Algumas dessas curas nunca foram publicadas.



A cruz (1905–1907)

Yvonne Caché Fettweis e Robert Townsend Warneck



Em 1905, Mary Baker Eddy já era uma figura conhecida por todo o país. Os jornais da época cada vez mais voltavam sua atenção para ela, como Fundadora e Líder do movimento da Ciência Cristã. Boa parte desse interesse era um tanto hostil. Independentemente do que ela enfrentasse, porém, a cura espiritual continuava a ter a primazia em seu pensamento.
Em 25 de maio de 1905, a Sra. Eddy escreveu a um de seus alunos de longa data:
O que eu preciso para me ajudar na obra de minha vida, mais do que qualquer outra coisa, é de um sanador como eu era quando estava na prática... Quanto a ti, alcança esse único ponto, sê alguém que cura instantaneamente todo tipo de doença. Era o que eu fazia e é o que tu deverias fazer. Nosso grande Mestre fazia isso e ordenou a seus seguidores que fizessem o mesmo.

Tu também o podes fazer e deves fazê-lo, a fim de ser Cientista Cristão. Dedica-te agora a esse dever, vigia, ora, trabalha e tem fé! Sabe que tu podes ser aquilo que Deus requer que sejas e és agora — Sua imagem e semelhança — refletindo a Deus, supremo e único Sanador, refletindo a Deus, Vida, Verdade, Amor. 1

Quatro  meses  antes, a Sra. Eddy havia demonstrado exatamente o que ela queria dizer nessa carta. Em suas reminiscências, George Kinter, que trabalhava na casa da Sra. Eddy nesse período, conta o que aconteceu "numa noite de inverno, em janeiro ou fevereiro do ano de 1905".

A Sra. Eddy havia chamado diversas vezes seu secretário particular, Calvin Frye, que trabalhava para ela havia bastante tempo. Não obtivera resposta. Ela então pediu ao Sr. Kinter que fosse verificar o por quê. Ao entrar no quarto de Frye, George o encontrou afundado numa poltrona: "O Sr. Frye havia morrido, não tinha pulso, estava gelado e rígido."
Ao ser informada disso, a Sra. Eddy foi sem demora ao quarto do secretário e "começou imediatamente a dar-lhe tratamento ... Ela negou o erro, sem cessar, e declarou a Verdade com veemência e eloquência, durante uma hora. Eu jamais ouvira, em nenhuma ocasião, algo assim... Lembro-me muito bem de muitas de suas afirmações e ações":
Calvin, acorda e sê o homem que Deus criou! Tu não estás morto e sabes disso! Quantas vezes já deste provas de que não existe morte! Calvin, tudo é Vida! Vida! Vida sem morte. Dize: Deus é minha Vida... Declara: eu posso ajudar a mim mesmo... Levanta-te. Sacode esse pesadelo da crença humana falsa e do medo. Não permitas que o erro te mesmerize e te faça acreditar nas mentiras de Satanás acerca do homem criado à imagem e semelhança de Deus! A obra de tua vida não está completa. Eu preciso de ti. Nossa grande e abençoada Causa precisa de ti.

A vida é imorredoura como Deus mesmo é imorredouro, porque a Vida é Deus e tu és Seu descendente espiritual. Calvin, não existe morte para o cristão, Cristo Jesus aboliu a morte e este tratamento não pode ser invertido pelo erro.
Depois de uma hora, Calvin moveu-se um pouco e falou, bem baixinho: "Não me chame de volta. Deixe-me ir, estou muito cansado." Ao que a Sra. Eddy respondeu: "Sim, nós persistiremos em chamar-te de volta, pois nem fostes embora. Só estivestes sonhando e agora que acordaste desse sono irreal não estás cansado... Graças ao bom Deus, que é Mente, é o bem onipresente, tu não te submetes às pretensões dos sentidos materiais."
Depois de mais meia hora, Calvin havia se recuperado completamente. O restante da noite foi tranquilo e ele estava no seu posto na manhã seguinte, fazendo seu trabalho normal para a Sra. Eddy. 2
Um mês depois dessa experiência, a Sra. Eddy recebeu a carta de uma certa Mary Crane Gray, que acabara de conhecer a Ciência Cristã. O marido dela havia enlouquecido após perder uma fortuna considerável em especulações financeiras infelizes.
Os médicos haviam dito que o estado era incurável e recomendaram que fosse internado em um asilo. Em vez disso, a Sra. Gray escreveu à Sra. Eddy, suplicando-lhe que curasse o marido: "Derramei meu coração em uma carta de dez páginas para a Sra. Eddy. Eu não sabia que ela não estava mais aceitando casos. [Alguns dias] depois de ter enviado a carta, meu marido ficou curado." Ele nem se lembrava de ter estado doente. A esposa contou-lhe que ela escrevera à Sra. Eddy. Ele disse: "Vou imediatamente procurar um emprego.” 3
A razão de a Sra. Eddy não estar mais na prática pública da cura era que ela estava dedicando todo o seu tempo a ajudar a humanidade com seu trabalho de Líder da Causa da Ciência Cristã. Ela instava continuamente seus seguidores a deixar tudo por Cristo.
Em sua mensagem: "Escolhei vós", À Primeira Igreja de Cristo, Cientista, em Boston (escrita por ocasião da dedicação da grandiosa Extensão do Edifício Original que fora construído mais de dez anos antes), a Sra. Eddy lembrou os Cientistas Cristãos da passagem bíblica: "Quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim.” 4
E depois escreveu: "Quantos estão seguindo o Guia dessa forma? Somos seguidores da Verdade apenas quando seguimos verdadeiramente, em mansidão, paciência e espiritualidade, abençoando o santo e o pecador com o fermento do Amor divino que a mulher colocou dentro do cristianismo e da medicina.” 5
Para a Sra. Eddy, esse "fermento do Amor divino" era a cura cristã. Como havia escrito ao Primeiro Leitor d'A Igreja Mãe: "Acaso não é a cura do doente a coisa melhor e mais elevada que é feita no campo? Sim, é; nosso grande Mestre fez com que fosse assim”. 6
E a um conferencista da Ciência Cristã ela escreveu:
Vou dizer agora o que é necessário, mais do que qualquer outra coisa, para assegurar a perpetuação do atual êxito da Ciência Cristã e a continuação de seu progresso, a saber, cura mais elevada e mais prática.
Cura definida e imediata é a demonstração do que anuncias na teoria e a teoria sem a prática, na religião e na filosofia, é pior do que nada, pois decepciona aquele que a busca e destrói a evidência de sua veracidade, tornando a situação mais desesperada do que a simples ignorância. 7
A Sra. Eddy não limitava a cura apenas a seres humanos. Em maio de 1906, um Cientista Cristão das Filipinas escreveu-lhe sobre o tratamento para animais e recebeu a seguinte resposta:
... cura os animais assim como as pessoas. Quando eu estava na prática, curei animais e vi, em todas as ocasiões, que eles são receptivos à Verdade. Deus deu ao homem "domínio sobre todos os animais" e não temos autoridade alguma para supor que Ele tenha revogado esse dom ou tenha tirado do homem a herança espiritual que lhe cabe de direito. 8
Poucos dias depois de enviar essa carta, a Sra. Eddy escreveu ao Conselho de Diretores d'A Igreja Mãe, com relação à necessidade de orar acerca de fenômenos meteorológicos destrutivos:
... eu lhes faço esta proposta, para que pensem nessa possibilidade: que os melhores Cientistas Cristãos de Boston e das proximidades sejam convocados a orar uma vez por dia, sabendo que nenhum pensamento de terremoto, furacão ou raio destrutivo entra no pensamento para causar dano, e que Aquele que reina nos céus e guarda a terra, salva de todo mal. 7
Um ano e meio mais tarde, em 24 de setembro de 1907, a Sra. Eddy escreveu em suas anotações que, quando ela orou, "nuvens terríveis que cobriam o céu mudaram instantaneamente ... e caiu uma chuva suave, aparecendo o arco-íris.” 8
Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras era o livro texto que produzia curas, livro que a Sra. Eddy escrevera no início da década de 1870. Depois disso, havia trabalhado continuamente para torná-lo mais claro para os leitores.


“Um livro cuja mensagem mudou o mundo.”    Women’s National Book Association – EUA. 
[ e-mail: vendas@cienciaesaude.com ]

Como resultado de seus esforços, haviam sido feitas seis revisões importantes. Em outubro de 1906, ela escreveu a um de seus auxiliares: "Tornou-se necessário publicar uma nova edição de Ciência e Saúde, pois as matrizes tipográficas estão gastas. Tenho pensado bastante, dia e noite, em revisar esse livro para tornar seu significado mais claro para o leitor que não conhece a Ciência Cristã.” 11
Nos oito meses seguintes ela devotou-se a essa tarefa e, ao terminar, acrescentou ao Prefácio: "Até 10 de junho de 1907 [a autora] nunca lera esse livro inteira e consecutivamente a fim de elucidar seu idealismo.” 12
Ciência e Saúde era o resultado da revelação que Deus fizera à Sra. Eddy acerca de Sua natureza e de Suas leis. Através dos anos, o livro tem dado provas de sua origem divina com seu poder de curar aqueles "que honestamente procuram a Verdade.” 13 e que o lêem.
 Em novembro de 1907, a Sra. Eddy lera uma entrevista que o fundador do Exército da Salvação, General William Booth, concedera a um jornal. O artigo dizia que a saúde dele não era boa. Isso fez com que a Sra. Eddy escrevesse a um Cientista Cristão da Inglaterra, pedindo-lhe que "encontrasse um meio" de presentear o livro ao general, acrescentando que "agora é a hora de curar este homem de fé”. 14
Em meio ao trabalho de revisão de Ciência e Saúde, surgiu um dos maiores desafios que a Sra. Eddy jamais enfrentara. Começou como uma competição de jornalismo sensacionalista entre a revista McClure's Magazine e um jornal importante, o The New York World. Culminou num processo judicial contra alguns auxiliares da Sra. Eddy e dignitários de sua Igreja, movido, de forma ardilosa, em nome dela, por pessoas que se autonomearam seus "curadores".
Esses "curadores" incluíam o filho dela, George, uma das filhas dele, um sobrinho e um primo da Sra. Eddy, além de seu filho adotivo, que se rebelara contra ela. Como "curadores", eles alegavam que a Sra. Eddy estava mentalmente incapaz e vinha sendo explorada por pessoas ao seu redor.
A abordagem metafísica com que a Sra. Eddy enfrentou o processo pode ser constatada nas instruções que deu a uma pessoa a quem pedira que orasse sobre esse caso:
"Ela queria que a crença em "processo judicial" fosse tratada do ponto de vista da metafísica absoluta. Não queria que eu determinasse qual seria o veredicto, mas que me ocupasse em saber que a Verdade prevaleceria e que a Mente divina dirigiria o veredicto — e realmente o dirigiu”. 15 Depois que a Sra. Eddy foi entrevistada por uma junta de “Peritos” 16 designados pelo juiz, o caso foi encerrado a favor dela.
Um acontecimento particularmente interessante, em conexão com esse processo, foi a cura realizada pela Sra. Eddy, de um repórter que tinha câncer na garganta e não podia mais falar. Ele havia chegado à procura de um escândalo e foi embora completamente curado. Mais tarde, ele se tornou Cientista Cristão e afirmou sentir "uma dívida de gratidão à Sra. Eddy por sua cura...” 17
No mesmo mês em que se encerrou o processo dos "Curadores", a Sra. Eddy convidou para uma visita a Condessa de Dunmore, Cientista Cristã da Inglaterra, que estava de passagem nos Estados Unidos com suas duas filhas. Uma delas, Lady Victoria Murray, relatou depois:
Minha visita a Pleasant View foi em [outubro de] 1907, com minha mãe e minha irmã, depois do falecimento de meu pai... Foi inigualável a bondade e a simpatia com que fomos tratadas na ocasião, especialmente minha mãe, que estava sofrendo bastante com o senso de perda.

A Sra. Eddy, "movida de compaixão", aliviou com ternura o pesar que minha mãe sentia, elevando-a a um reconhecimento maior da Vida. Depois, voltando-se para mim, ela perguntou se eu tinha alguma dúvida. "Sim", respondi, "gostaria de saber como a senhora cura os doentes." Recostando-se para trás na cadeira, ela disse, sorrindo: "Vou-lhe dizer. Eu curo hoje da mesma forma como curava quando comecei.

Meu sistema original era instantâneo. Os alunos não compreendiam mais do que um estudioso de inglês compreende um idioma estrangeiro sem tê-lo aprendido. Eles, portanto, colocavam as coisas em sua própria língua. O argumento usado na cura é simplesmente afinação. Se seu violino estiver afinado, não será necessário afiná-lo. Mantenha seu violino afinado." Essa última frase foi repetida em tom imperioso e com bastante ênfase. 18

Não importava o que o mundo material jogasse a seus pés, fossem doenças, tempestade, loucura, morte ou um ataque de natureza legal que punha em risco tudo o que ela trabalhara para construir, Mary Baker Eddy encarava tudo como oportunidade de cura. Para ela, eram oportunidades para mostrar ao mundo que Deus é um Pai-Mãe sempre presente, um Médico infalível, e um Juiz perfeito.

1 História da Igreja, documento H00094, Departamento de História da Igreja d'A Igreja Mãe.  2 Reminiscências de George Kinter, História da Igreja. 3 Reminiscências de Mary Crane Gray, História da Igreja. 4 Mateus 10:38. 5 The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 4. 6 História da Igreja, documento L10930. 7  História da Igreja, documento L08548. 8 História da Igreja, documento L14627. 9 História da Igreja, documento V00698. Ver também Lyman B. Powell, Mary Baker Eddy, A Lifesize  Portrait (Boston: The Christian Science Publishing Society, 1991), p. 234, e Irving C. Tomlinson,Twelve years with Mary Baker Eddy (Boston: The Christian Science Board of Directors, 1966), p. 203. 10 História da Igreja, documento L15400.  11 História da Igreja, documento V03226. 12 Ciência e Saúde, p. xii.  13 Ibidem. 14 História da Igreja, documento L13998. O General Booth viveu até os oitenta e cinco anos, vindo a falecer em 1912. 15 Reminiscências de pessoas que conheceram Mary Baker Eddy, (Boston: The Christian Science Publishing Society, 1986), p. 115.  16  Os "Peritos" eram um juiz, um psiquiatra (na época chamado "alienista") e um advogado neutro. Eles foram encarregados de verificar a competência da Sra. Eddy na condução de seus próprios interesses financeiros.  17  Tomlinson, p. 65. 18 Reminiscências de Victoria Murray. História da Igreja.


Fonte: revista O Arauto da Ciência Cristã, edição de fevereiro de 1997. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados. 


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sábado, 14 de setembro de 2013

A SUBSTÂNCIA EM CONTRASTE COM OS SÍMBOLOS.


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Ao usarmos símbolos para transmitir conceitos espirituais é importante compreender que não há duas realidades ou substâncias — o símbolo material e a ideia espiritual — mas, apenas uma, a espiritual. Caso contrário, o uso de símbolos poderá conduzir-nos a concepções errôneas a respeito da verdadeira existência.
Por exemplo, ao usar símbolos da natureza para o ensino espiritual deve-se tomar cuidado para não conceder importância imerecida às coisas mundanas. Os pagãos adoradores do sol cometeram esse engano quando não lhes ocorreu olhar além do símbolo, e como consequência não viram a luz espiritual [...]. 

 Continue lendo para saber o que Lowell N. Cannon escreve para "O ARAUTO DA CIÊNCIA CRISTÃ"  sobre este tema.

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A substância em contraste com os símbolos


Lowell N. Cannon




No mundo de hoje as posses materiais e a realização humana são amplamente consideradas como sinal de sucesso. São, porém, esses fatores substância de per si? Para responder a essa pergunta precisamos em primeiro lugar compreender a natureza da verdadeira substância.
Compreendemos na Ciência Cristã que substância é aquilo que é indestrutível e eterno. Deus, o Espírito, é substância. A criação espiritual de Deus, o homem e o universo, reflete a substância de Deus, o bem.

A matéria, sendo o oposto ou a contrafação do Espírito, não tem parte em Deus ou em Sua manifestação. As coisas materiais, portanto, por mais importantes ou reais que pareçam ser, não constituem a verdadeira substância. Só é substancial aquilo que é espiritual.
A compreensão de que a substância é espiritual, ao invés de material, não impede o atendimento das necessidades humanas, mas auxilia-nos a satisfazê-las. Por trás de cada necessidade humana legítima há uma idéia espiritual correta, ou seja, a verdadeira substância daquilo que pensamos necessita.

Quando parece que necessitamos de mais dinheiro, de melhor saúde ou de novo emprego, podemos entender que nossa verdadeira necessidade é de maior compreensão a respeito de idéias espirituais. Então, como subproduto dessa compreensão, nossa necessidade humana encontrará sua solução. Disse Cristo Jesus: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino [o reino de Deus] e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas.” 1
Suponhamos que você ou eu necessitemos de moradia. Nossa necessidade primordial será a de compreender melhor o conceito espiritual de lar, que inclui qualidades como beleza, ordem, estabilidade, paz espiritual e amor abnegado.



À medida que permitirmos a essa verdadeira idéia de estabelecer-se em nosso pensamento e governar nossas ações, tal idéia encontrará naturalmente meios de se expressar em nossa vida sob a forma de um lugar adequado para morar, porque nossa experiência manifesta a qualidade de nosso pensamento.
Mesmo que o bem que de momento estejamos usufruindo, tal como saúde ou suprimento, pareça ter sido repentinamente subtraído de nós, não precisamos nos desesperar. A verdadeira substância não se encontra circunscrita a um símbolo material e, como conseqüência, não pode ser perdida, roubada, rompida, nem pode decair.
A expressão humana de alguma idéia vital talvez pareça ter sido destruída, mas a substância espiritual daquela idéia permanece intata na Mente. Compreender esse fato tem como resultado a restauração daquilo que parecia estar perdido, ou a compensação pela perda. O relato bíblico da história de Jó ilustra esse ponto.
Ao ver-se privado de saúde e de bens materiais, Jó procurou conhecer melhor a Deus. Sua busca resultou não só numa compreensão mais elevada de Deus, mas também numa recuperação total da saúde e do suprimento.
A Bíblia relata-nos que Deus lhe deu “o dobro de tudo o que antes possuíra”. Agora Jó tornara-se de fato um homem de bens substanciais. Possuía saúde, suprimento em abundância e, o que é mais importante, uma compreensão da substância que estava por trás desses sinais exteriorizados do amor de Deus. “Assim abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro”.2
Embora sejam gratos por todas as expressões visíveis do bem, os Cientistas Cristãos reconhecem que tais símbolos apresentam apenas uma tênue idéia da verdadeira substância. A Sra. Eddy diz-nos: “Nosso mais elevado conceito do bem infinito nesta esfera mortal é apenas o sinal e o símbolo, não a substância do bem.3
Há outro tipo de símbolo que aponta para a realidade espiritual e que nos serve de degrau, conduzindo-nos a uma compreensão mais elevada da substância espiritual.
A Descobridora da Ciência Cristã achou esse último tipo de símbolo particularmente útil quando tentava transmitir verdades espirituais em termos humanamente compreensíveis. “O ensino espiritual”, escreve a Sra. Eddy, “sempre deve ser por meio de símbolos” 4.
Do começo ao fim as Escrituras estão repletas de linguagem simbólica. O Mestre, Cristo Jesus, muitas vezes ensinou por meio de parábolas e analogias, referindo-se a objetos da natureza com que todos estavam familiarizados, para descrever o reino dos céus.
Referências a rocha e areia, pastor e ovelhas, joio e trigo, semente e semeador, fermento e farinha, auxiliavam seus ouvintes a compreender a bondade e a permanência da substância espiritual bem como a insubstancialidade do materialismo e do mal.

Composição de uma supernova

Também a Sra. Eddy faz uso de símbolos da natureza para comunicar ensinamentos da Ciência divina. Refere-se, por exemplo, ao sol como o símbolo do governo da Alma. Algumas vezes usa a palavra “rocha” para indicar a estabilidade e permanência da Verdade. Fala, também, da esfera como representando a bondade da Mente infinita e a Vida eterna, sem começo nem fim.
Ao usarmos símbolos para transmitir conceitos espirituais é importante compreender que não há duas realidades ou substâncias — o símbolo material e a idéia espiritual — mas, apenas uma, a espiritual. Caso contrário, o uso de símbolos poderá conduzir-nos a concepções errôneas a respeito da verdadeira existência.
Por exemplo, ao usar símbolos da natureza para o ensino espiritual deve-se tomar cuidado para não conceder importância imerecida às coisas mundanas. Os pagãos adoradores do sol cometeram esse engano quando não lhes ocorreu olhar além do símbolo, e como consequência não viram a luz espiritual.
S. Paulo nos mostra a maneira cristã de não se absorver “nas cousas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” 5.
A Ciência Cristã deixa claro que é a substância que está além do símbolo o que tem significado supremo. E à medida que nos elevarmos na compreensão do Espírito, os símbolos materiais naturalmente desvanecer-se-ão da vista até que finalmente seremos capazes de nos desfazer de tudo aquilo que é finito em favor da substância da Mente, indispensável e infinita, a única realidade.
 O poeta Whittier referia-se à natureza fugaz dos símbolos materiais e à eterna substância do Espírito, quando escreveu:


Falha a letra, caem os sistemas,

Todo símbolo fenece:
O Espírito a nos afagar,
Amor eterno, permanece.6


1 Mateus 6:33;  2 Jó 42:10, 12;  3 Unity of Good, p. 61;  4 Ciência e Saúde, p. 575; 5 2 Cor. 4:18;  6 Christian Science Hymnal, n°. 142.

Fonte: revistaO Arauto da Ciência Cristã”, edição de janeiro de 1980. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados. 

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domingo, 8 de setembro de 2013

O QUE SIGNIFICA SER O REFLEXO DE DEUS?


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O que significa ser o reflexo de Deus?

RUTH C. PRICE


Será que há algo em você, de que você não gosta? gostaria de mudar? Porventura você se sente incapaz de fazer alguma coisa nesse sentido? Se assim for, você tem algo em comum com Moisés, o chefe hebreu que deu aos israelitas os Dez Mandamentos, que ele tinha recebido de Deus no Monte Sinai.
Que relação poderá haver entre uma coisa e outra? De acordo com a narrativa bíblica, Moisés lutou contra as várias dúvidas que o assediavam acerca de suas próprias habilidades pessoais. Não se sentia capaz de fazer o que Deus queria que ele fizesse. Argumentava que não tinha capacidade oratória e pensava que ninguém escutaria o que ele tinha a dizer.
Foi então que algo de maravilhoso aconteceu. Deus disse a Moisés que não seria ele, na qualidade de ser humano, mas sim Deus, o grande Eu Sou, que estaria com Moisés e lhe diria o que fazer! Deus disse que daria a Moisés confiança e compreensão. Poria Suas palavras na boca de Moisés, para que ele soubesse o que tinha a dizer e a fazer.
 Seria possível acontecer isso? Sim, torna-se possível sempre que deixamos de ser tão autoconscientes e nos tornamos mais conscientes de Deus, isto é, quando começamos a compreender quem realmente somos.
A Ciência Cristã explica que quando Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre... todo os répteis que rastejam pela terra,“houve uma criação espiritual e não material.
                                        A Criação de Adão, do pintor italiano renascentista Michelangelo Buonarroti
Partindo dessa idéia, a Sra. Eddy, que descobriu a Ciência da criação espiritual, traz à luz as possibilidades do homem criado por Deus. Ela escreve: "O homem é a imagem e a semelhança de Deus; tudo o que é possível a Deus, é possível ao homem como reflexo de Deus.” 2
 Poderemos, à primeira vista, duvidar dessa verdade acerca de nós mesmos. Tiago aconselha àqueles que duvidam: "Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando.” 3
Se humilde e confiantemente rogamos a Deus pela compreensão espiritual que suplanta dúvidas e medo, começamos, então, a sentir o medo afastar-se da consciência, ao mesmo tempo que a realidade do homem na imagem de Deus desponta no pensamento.
Moisés aprendeu essa lição quando Deus lhe disse para pôr a mão no peito e este a retirou coberta da terrível doença que é a lepra. Seria esse o desejo de Deus para com ele?
Na realidade não, pois Deus disse-lhe para voltar a pôr a mão no peito, e aí, quando ele a retirou, tinha voltado ao seu estado normal. Não havia sinais da doença! O que tinha acontecido? Essa é apenas uma das muitas narrativas bíblicas acerca do que a compreensão de Deus pode fazer na consciência humana.
Quando nos encontramos ligados a um conceito material de vida, isto é, um conceito de vida cheio de receios que pretende ser o nosso próprio pensamento, talvez encontremos uma condição discordante que nos poderá parecer muito real.
Pensamentos errados poderão manifestar-se no nosso corpo como problemas de saúde de algum tipo. No entanto, pelo fato de a lei de Deus, lei de amor, sempre presente, estar governando o homem, podemos aprofundar-nos na consciência espiritual, isto é, na compreensão que a Mente divina nos concede. Desse modo descobrimos um sentido espiritual acerca do nosso eu, que restituirá ao nosso corpo o estado normal.
O reino do céu, ou seja, o reino do Cristo, a Verdade dentro em nós, libertar-nos-á da escravidão de todo o tipo de doenças. Tal como aprendemos em Ciência e Saúde, qualquer problema de saúde é o resultado de um conceito falso em relação a nós próprios, conceito esse que foi aceito como nosso ser real, em vez de lhe termos negado entrada na nossa consciência.
Tal como a Sra. Eddy explica em Ciência e Saúde: "A moléstia é sempre provocada por um falso conceito mentalmente cultivado, não destruído. A moléstia é uma imagem exteriorizada do pensamento. O estado mental é chamado estado material. Tudo o que se abriga na mente mortal como condição física, projetar-se no corpo.” 4
Quando compreendemos que toda e qualquer crença errada acerca de nós próprios que tenhamos acalentado, não é a verdade de nosso ser criado por Deus e sim essencialmente uma sugestão mesmérica da mente mortal, então encontramos a verdade que nos liberta. Os pensamentos angelicais provenientes da Mente divina espiritualizam a consciência humana e fazem desaparecer a doença.
Com a aspiração de atingir essa meta, não deveríamos, pois, eliminar de nós a auto desconfiança e autodepreciação? Esses traços não estão de acordo com o nosso verdadeiro eu como filhos de Deus.
Pensar corretamente não significa, de modo algum, depreciar o trabalho da mão de Deus ou duvidar da Sua habilidade para levar a cabo o que quer que tenha de ser feito. Quando se reconhecer que a Mente divina é quem controla tudo, não haverá pensamentos que escapem a esse controle.
O homem é o reflexo da perfeição. Seu relacionamento com Deus é indestrutível. Voltemos nossos afetos para essa verdade do nosso ser e amemos a nós mesmos e uns aos outros como Deus nos ama.
Na Bíblia podemos encontrar esta certeza reconfortante, vinda de Deus: ".. . como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei nem te desampararei.” 5
Cristo Jesus, conhecendo essa verdade, disse uma vez a alguém que duvidou: "Não temas, crê somente.” 6 Ciência e Saúde, ao afirmar o domínio da Mente divina sobre os sentidos físicos, instiga: "Exerce tu essa autoridade conferida por Deus.
Toma posse de teu corpo e governa-lhe a sensação e a ação. Eleva-te na força do Espírito para resistir a tudo o que é dessemelhante do bem. Deus fez o homem capaz disso, e nada pode invalidar a faculdade e o poder divinamente outorgados ao homem.” 7
A Ciência Cristã, a revelação da Verdade na nossa época, está mostrando à humanidade o modo de enfrentar os desafios que constituem a frustração e a fraqueza física, provando o domínio que de direito pertence ao homem como verdadeiro reflexo de Deus.
1 Gênesis 1:26.  2 Miscellaneous Writings, p.183.  3 Tiago 1:5,6.  4 Ciência e Saúde, p. 411.  5 Josué 1:5. 6 Marcos 5:36. 7 Ciência e Saúde, p.393.  

Fonte: revista O Arauto da Ciência Cristã, fevereiro de 1990. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados. 


Leia neste blog: A cura por meio da compreensão da natureza do homem como reflexo.

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domingo, 1 de setembro de 2013

A cura por meio da compreensão da natureza do homem como reflexo.


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A cura por meio da compreensão da natureza do homem como reflexo


A habilidade de demonstrar a Ciência Cristã vem com o estudo e a prática da verdade ensinada por Cristo Jesus e revelada em Ciência e Saúde de autoria da Sr.a Eddy. Esta série aborda algumas maneiras de aplicar essa verdade.


O reflexo não existe por si mesmo. Ele é derivado. Na Ciência Cristã aprendemos a reconhecer Deus como a Mente criadora, o Espírito infinito, e o homem como Seu reflexo. Cristo, o próprio reflexo de Deus, é a verdadeira identidade do homem.
Como reflexo de Deus, o homem é coexistente e coeterno com Deus, é a semelhança exata de seu Criador. Seu ser outorgado por Deus emana da Mente sem esforço e permanentemente; é a expressão individualizada da Verdade, da Vida e do Amor.

O poder sanador de Jesus tinha origem em sua compreensão de Deus e da relação inseparável entre o homem e Deus, como Seu filho, Seu reflexo.
"Temos a mente de Cristo"1, escreveu o Apóstolo Paulo aos cristãos em Corinto, e Jesus demonstrou que esse Cristo, a Verdade, vem à consciência humana com poder sanador.
Ele anula as discórdias e as doenças da existência mortal ao expor-lhes a irrealidade e a nulidade. Por meio de suas misericordiosas curas Jesus provou que o homem não é uma entidade finita e material, nascida da matéria e que dela sai ao morrer, mas que é uma expressão individual da consciência infinita, habitando para sempre na eternidade do Espírito.
Todo aquele que compreende a unidade científica entre Deus e Seu reflexo, pode utilizar e demonstrar o poder sanador do Cristo, a Verdade, para si mesmo e para outros.
Devemos lembrar que o homem real, nossa verdadeira identidade no Cristo, está para sempre consciente de sua existência no Espírito como reflexo imediato do Espírito. 
Esse reflexo não necessita de tempo para manifestar-se. Não passa a existir gradualmente, mas está sempre inteiramente perceptível como a evidência espontânea da totalidade do Espírito e da semelhança eterna que o homem tem com Deus.
Quando reconhecermos o Espírito, o Princípio divino, o Amor, como a fonte de nosso ser sempre ativo, e soubermos o que somos como reflexo de Deus, veremos tanto a mente como o corpo responder positivamente, e a saúde física tornar-se natural e espontânea. A Sr.a Eddy escreve: “O homem é o reflexo de Deus e não necessita de aprimoramento, mas é sempre belo e completo.” 2

11 Cor. 2:16;  2Ciência e Saúde, p. 527.  

Fonte: revista O Arauto da Ciência Cristã, agosto de 1974. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados. 

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domingo, 18 de agosto de 2013

A cura por meio do exercício do poder da Mente sobre a matéria

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A cura por meio do exercício do poder da 

Mente sobre a matéria


O Arauto da Ciência Cristã

                                                                    

A habilidade de demonstrar a Ciência Cristã vem com o estudo e a prática da verdade ensinada por Cristo Jesus e revelada em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras   de Mary Baker. Esta série aborda algumas maneiras de aplicar essa verdade.                             


O sólido  conceito da "bola de bilhar" acerca dos componentes atômicos da matéria está desatualizado em vista da moderna física atômica. No entanto, a Ciência Cristã vai muito além, ao revelar que a matéria é totalmente insubstancial. Reconhece que Deus, o único criador, é o Espírito, a Mente divina, e que Sua criação (o único universo verdadeiro) é exclusivamente espiritual.
Apesar da aparente substancialidade da matéria, a Sr.a Eddy diz: "O átomo material é uma falsidade delineada pela consciência, que só pode acumular evidência adicional de consciência e de vida agregando uma mentira a outra mentira". 1

Se compreendemos que um único átomo é uma falsidade então somos capazes de compreender que o vasto complexo de átomos que a humanidade vê na crença de um mundo material, bem como na de um corpo material, é também "uma falsidade delineada pela consciência" — a simples objetivação do falso pensamento mortal.
Assim, se nos defrontamos com um caso de discórdia e doença, podemos rejeitá-lo porque faz parte da falsidade de uma mente irreal. Podemos substituí-lo por pensamentos verdadeiros da única Mente real e divina. Isso corrige a falsa crença e, ao melhorar os objetos da consciência, cura a discórdia e deixa livre o corpo.
A Mente divina, Deus, ou a Verdade, destrói a crença na matéria e em seu discordante sentido de vida assim como a luz destrói a escuridão. A Bíblia diz: "Ele faz ouvir a sua voz e a terra se dissolve," e ela registra muitos milagres que ocorreram por meio da compreensão do poder de Deus.
Se estamos sofrendo de uma condição material anormal, podemos sempre exercer o poder da Mente a fim de substituir pela verdade espiritual o pensamento falso e discordante que produziu tal condição. Mas se usarmos a vontade humana — o mero esforço de trocar uma crença mortal por outra — tornamos o problema mais complexo pois estaremos "agregando uma mentira a outra mentira".
Precisamos reconhecer a natureza continuamente perfeita e espiritual do universo de Deus e o poder da Mente divina para governar a substância, a atividade e as funções do homem. Então a discórdia será destruída e a evidência física discordante cederá à realidade espiritual e harmoniosa.
1 Unity of Good, pp. 35-36; 2 Salmos 46:6.

 Fonte: O Arauto da Ciência Cristã, dezembro de 1974. The Christian Science Publishing Society, todos os direitos reservados. 

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sábado, 10 de agosto de 2013

MARTA E MARIA: DUALISMO OU COMPLEMENTO? LUCAS 10: 38-42


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Comentário sobre relato bíblico:

Os estudos bíblicos se constituem numa vibrante área de pesquisa que publica de forma intensa. Isso se deve ao fascínio que os textos antigos exercem sobre os leitores contemporâneos, seja como texto de saber histórico, seja como texto que sempre se mostra aos leitores de forma renovada.

Por isso, a Bíblia é estudada numa riqueza de perspectivas, abordagens, métodos  e hermenêuticas. Ao interesse pelo texto bíblico soma-se a busca por sua origem, da mesma forma que pelos textos que lhe são vizinhos: os apócrifos, pseudepígrafos, os Manuscritos do Mar Morto. Afirmação de Gabrielle Boccaccinique leciona no Departamento de Estudos do Oriente Próximo da  Universidade de Michigan, E.U.A.


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Marta e Maria: dualismo ou complemento?
Lucas 10: 38-42


Mercedes Lopes



Somente três personagens aparecem neste curto texto de Lc 10,38-42: Jesus, Marta e Maria. Jesus visita as duas irmãs, escuta, questiona Marta, acolhe a postura de Maria. Marta é a anfitriã, a dona de casa, preocupada em oferecer um delicioso almoço a Jesus. Com esta preocupação, ela recebe Jesus e vai continuar seu trabalho, sem curtir a visita amiga. 



Maria não fica preocupada com a casa. Não é solidária com a irmã no serviço. Quer somente estar com Jesus. Sentada aos seus pés, escuta-o atentamente. Ela escolhe algo inédito para as mulheres de sua época. Torna-se discípula! (8,38; 10,39; At 22,3). Com qual desses três personagens nos identificamos mais?

SITUANDO

Esta narrativa sobre a visita de Jesus à Marta e Maria é própria de Lucas. O evangelista situa este texto em seguida à parábola do samaritano (Lc 10,29-37). Lucas deve ter um bom motivo para isso. Um dos motivos de ligação entre esta narrativa e a parábola do samaritano é que Jesus se faz próximo.
Entra na casa de Marta, conversa, come junto com as duas Irmãs. Ele se aproxima de duas mulheres, que, como as outras judias da sua época, eram consideradas impuras. Mas, também podemos supor que Lucas tenha feito outra relação entre a parábola do samaritano e a narrativa de Marta e Maria.
O texto informa que "Jesus entrou num povoado e certa mulher, chamada Marta o recebeu em sua casa" (10,38). Diante das críticas e da crescente oposição a Jesus, narrada no capítulo seguinte (11,14-54), a acolhida prestativa de Marta e a escuta amorosa de Maria podem ser também uma resposta bem concreta à pergunta do legista: "Mestre, que farei para herdar a vida eterna?" (10,25).
Situar o texto de Marta e Maria no contexto das comunidades helenistas também ajuda na sua interpretação. Nessas comunidades havia um conflito entre cristãos vindos do judaísmo e os gentios, considerados de origem pagã. Estes últimos eram tidos como impuros, porque não receberam a circuncisão e não praticavam os costumes judeus sobre a pureza.
Por isso, nas comunidades cristãs, comer junto com eles foi motivo de muito conflito (At 11,2). A Boa Nova deste texto é que Jesus entra na casa de Marta e Maria e come com elas. Elas eram judias, mas eram consideradas impuras por serem mulheres. Transparece no texto muita amizade e confiança entre eles, pois Marta chega a fazer reclamações triviais em relação à falta de solidariedade de sua irmã Maria (10,40).

COMENTANDO

1 - O que é mais importante: a oração ou a missão? 
A tradição cristã encontrou neste texto uma amostra de dois modelos de seguimento de Jesus, considerando um superior ao outro por causa da palavra de Jesus: "Maria escolheu a melhor parte" (10,42b).  Assim, acham que Marta representa um seguimento de Jesus focado no trabalho, na intensa atividade missionária ou apostólica. Maria representa um seguimento focado na escuta, na oração, na contemplação. Mas, este dualismo é falso.
Ninguém pode ser somente missionário, nem somente contemplativo. Cada pessoa que deseja seguir Jesus precisa ser ao mesmo tempo missionária contemplativa, ou contemplativa missionária. Por isso, volto ao texto, para comentá-lo:

Lc 10,38 - Marta recebe Jesus em sua casa
Jesus está a caminho e entra num povoado. Não sabemos se ele está sozinho ou acompanhado dos discípulos. Esta pergunta fica no ar. O que importa para o evangelista, ou para as comunidades de Lucas é a acolhida de Marta: ela "o recebeu em sua casa". Na pessoa de Jesus de Nazaré, Marta recebe a visita de Deus (Lc 1,68.78; 7,16; 19,44)

10,39 - Maria é discípula de Jesus
Maria é livre em relação ao papel tradicional da mulher. Ela não está preocupada com o que pensam ou dizem. Assume, como mulher, uma nova postura diante da religião e dos padrões culturais da sua época. Ela "ficou sentada aos pés de Jesus, escutando sua palavra" (10,39). Esta era uma expressão ou postura para indicar uma atitude de discípulo/a (At 22,3).

10,40 - Qual é mesmo o papel das mulheres nas comunidades cristãs?
Ocupada e cansada, agitada com muitos serviços, Marta tenta envolver Jesus em um problema doméstico de falta de participação de Maria no serviço da casa. Será que o questionamento de Marta tem a ver com tarefas caseiras ou por trás de sua frase tem um significado escondido?

Marta pode estar expressando a opinião de alguns círculos cristãos, que pretendiam limitar a função das mulheres aos serviços privados e internos nas comunidades cristãs. Não por acaso, se recorrermos ao original grego, encontraremos Marta "ocupada com muita diaconia".

10,41-42 - Maria escolheu a melhor parte
Jesus escuta Marta, entende seu cansaço, e tenta ajudá-la a encontrar um sentido maior, mais amplo para sua vida, para o discipulado das mulheres. "Marta, Marta, tu te preocupas e agitas por muitas coisas, mas uma só é necessária. Maria, pois, escolheu a melhor parte e esta não lhe será retirada".
Jesus passa do assunto da comida para o sentido da vida. Maria escolheu a apaixonante aventura de viver na intimidade dele, para entregar-se totalmente ao seu projeto. Sua escolha é confirmada por Jesus: "e esta não lhe será retirada" (10,42).

ALARGANDO

Jesus e as mulheres do seu tempo
De um modo geral, as mulheres que se aproximaram de Jesus pertenciam ao escalão mais baixo da sociedade do seu tempo. Muitas delas eram doentes e foram curadas por ele.
Provavelmente eram mulheres que não tinham vínculo com nenhum homem: eram viúvas indefesas; esposas repudiadas; mulheres sozinhas, sem recursos e difamadas. Havia também prostitutas, que eram consideradas fonte de impureza e de contaminação. E Jesus acolhia a todas com o mesmo respeito e dignidade.
Elas sentavam-se entre os pecadores e indesejados para comer junto com Jesus. Embora a comunidade dos essênios não aceitasse mulheres em sua "mesa santa" e nem os fariseus as aceitassem na sua "mesa pura", porque observavam a lei da pureza ritual criada pelos sacerdotes.
Esta comida de Jesus junto com as mulheres, os pecadores e os indesejados era precisamente um símbolo e uma antecipação do Reino de Deus. Esta comunhão de mesa com pessoas consideradas impuras mostrava como os "últimos" do povo santo e as últimas da sociedade patriarcal são os "primeiros" e as "primeiras" a entrar no Reino de Deus.

Mas, essa presença das mulheres à mesa com Jesus era um escândalo para as boas famílias. Jesus não se intimida. Ele as acolhe com o amor compreensivo do seu Abbá. Jesus aproxima-se delas sem medo e as trata abertamente, sem deixar-se condicionar por nenhum preconceito.

Certamente, as mulheres que seguiram o movimento de Jesus pelos caminhos da Galileia viam nele uma alternativa para uma vida mais digna.

O jeito especial de Jesus olhar para todas as mulheres, a partir da sua intimidade com seu Abbá e da sua visão do Reino de Deus, lhe dá criatividade e autoridade para mudar as situações de opressão e dominação aparentemente sem saídas. E Jesus o faz de maneira nova, diferente, inesperada. O texto de Marta e Maria desperta a memória da tradição de Jesus.

Ao escrever este texto, Lucas está apontando para esta Boa Nova que já estava sendo um pouco esquecida no tempo em que ele escreveu seu evangelho: por volta do ano 85 d.C.


Fonte: Centro de Estudos Bíblicos, São Leopoldo, RS, Brasil.

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Nota: O texto Marta e Maria: dualismo ou complemento? Lucas 30: 38-42 foi publicado para  refletirmos sobre a importância do estudo da Bíblia em seu contexto histórico, nas dimensões política, social, cultural e econômica. Conforme recentes  descobertas sobre fatos nela registrados e opinião de estudiosos do texto bíblico,  como objetivo de alcançarmos o significado espiritual das Escrituras.

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